ECLI:PT:TRL:2011:2924.11.0TBCSC.B.L1.8.3E
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Relator Nº do Documento
Ilídio Sacarrão Martins rl
Apenso Data do Acordão
22/09/2011
Data de decisão sumária Votação
unanimidade
Tribunal de recurso Processo de recurso
Data Recurso
Referência de processo de recurso Nivel de acesso
Público
Meio Processual Decisão
Apelação improcedente
Indicações eventuais Área Temática
Referencias Internacionais Jurisprudência Nacional Legislação Comunitária Legislação Estrangeira Descritores
Sumário:
I - No regime de exoneração do passivo restante e para efeitos do disposto no artº 239º/3- b) (i) do CIRE, devem considerar-se excluídos do rendimento disponível os montantes tidos por
razoavelmente necessários para o sustento do devedor e do seu agregado familiar até três vezes o salário mínimo nacional, excepto se, fundadamente, o juiz determinar montante superior.
II - O conceito de mínimo necessário ao sustento digno do devedor tem por subjacente o reconhecimento do princípio da dignidade humana assente na noção do montante que é
indispensável a uma existência condigna, a avaliar na particularidade da situação do devedor em causa.
(ISM)
Decisão Integral:
Acordam no Tribunal da Relação de Lisboa
I – RELATÓRIO
A… requereu a sua declaração de insolvência bem como a exoneração do passivo restante. Foi proferida sentença que declarou a insolvência do requerente A….
Realizada a assembleia de credores para apreciação do relatório a que alude o artigo 155º do CIRE, os credores B…, SA e C… opuseram-se ao pedido de exoneração do passivo restante. Foi proferida decisão que fixou o rendimento disponível no valor excedente a um salário mínimo nacional.
É desta decisão que o insolvente recorre, tendo formulado as seguintes CONCLUSÕES: 1ª - O recorrente foi declarado insolvente e requereu, no seu requerimento, a exoneração do passivo restante.
2ª - O administrador, no seu relatório, deu parecer negativo ao pedido de exoneração do passivo face as condições económicas em que o recorrente vive actualmente.
3ª - O Tribunal "a quo" entendeu deferir o pedido de exoneração e fixou como rendimento disponível um salário mínimo nacional que corresponde actualmente a € 485,00.
4ª - O recorrente, no seu requerimento de apresentação à insolvência, referiu que não despendia qualquer verba com a sua habitação. Referiu ainda que vivia em casa de terceiros devido a sua situação económica, isto é, o mesmo recebe auxílio de amigos e familiares.
5ª - Acontece que, não é de todo comportável ao ora recorrente viver da caridade de amigos e familiares durante o período de cessão de cinco anos a contar do encerramento da insolvência. 6ª - O quarto que foi disponibilizado ao ora recorrente é de carácter temporário enquanto o recorrente reorganiza-se a sua vida.
7ª - Ora ter de vir a viver de apenas um salário mínimo nacional é doloroso e muito penoso para o ora recorrente.
8ª - É fundamental que o recorrente viva em termos minimamente condignos.
10ª - O recorrente tem em médias despesas mensais no valor de € 300,00 e ter ainda de vir a arrendar um apartamento ou um quarto, na área da sua residência, nunca conseguirá por menos de € 200,00.
11ª - Por força da Constituição da República Portuguesa qualquer cidadão tem direito a uma
habitação de dimensão adequada, em condições de higiene e conforto e que preserve a intimidade pessoal, nos termos do art° 65°. Este direito pode vir a ser violado, por força da aplicação deste despacho ora recorrido, já que o recorrente terá de vir a pagar uma importância para viver condignamente, ou seja, pelo espaço que este vier a ocupar.
12ª - O legislador, no art° 239 n° 3, b) i), do CIRE, veio a fixar os limites mínimos relativos ao rendimento que considera razoável para o sustento do devedor.
13ª - O despacho ora recorrido determinou o valor de um salário mínimo nacional como rendimento disponível, mas não teve em consideração a disposição prevista no art° 824 n° 1 al a) do CPC por aplicação analógica, ou seja, o legislador considera que somente pode ser penhorável apenas um terço do vencimento, salário ou outras prestações auferidos.
14ª - O recorrente aufere uma quantia mensal de € 650,00, quantia essa, que é variável consoante o desempenho mensal do recorrente, sendo que o vencimento base do ora recorrente é de € 239,50 (vide Doc 1).
15ª - Portanto, o recorrente nem sempre dispõe mensalmente da quantia a que corresponde a um ordenado mínimo nacional, e consequência deste facto poderá vir a incumprir com o despacho ora recorrido.
16ª - Por outro lado, o recorrente tem meses que recebe mais do que € 650.00.
17ª - Deverá a presente a decisão ora recorrida ser revogada na parte que determina o rendimento disponível no valor excedente a um salário mínimo nacional e ser determinado um plano de
insolvência segundo a média anual auferida pelo recorrente tendo em consideração estes princípios bases para o sustento do devedor, nomadamente com a despesa que este terá com o
arrendamento da sua "habitação".
18ª - Neste termos e nos demais de direito aplicável, o douto despacho recorrido violou por erro de interpretação o disposto nos citados preceitos e diplomas legais, devendo ser revogado e
substituído por outro que julgue no sentido defendido pelo ora recorrente. Não houve contra-alegações.
Dispensados os vistos, cumpre decidir .
II – FUNDAMENTAÇÃO A) Fundamentação de facto
Mostra-se assente a seguinte matéria de facto:
1º - O requerente é solteiro tendo nascido a ...-...-1978.
2º - O requerente trabalha para o Grupo … como assistente atendimento a clientes de 2º escalão, sendo que o seu local de trabalho é na firma ….
3º - O requerente entre 1999 e 2007 foi funcionário de uma seguradora do Grupo C…. e à data auferia a quantia mensal de € 800,00 ilíquidos.
4º - Em meados de 2007, para realização de uma viagem, o ora requerente contraiu o seu primeiro crédito pessoal junto da C…..
6º- Em 2005 o requerente adquiriu uma viatura automóvel tendo para o efeito solicitado outro crédito pessoal à CT… no valor total de € 12.000,00.
7º - Em 23 de Julho de 2007, o requerente adquiriu a sua casa de habitação tendo contraído empréstimo bancário no valor total de € 112.000,00 junto do Banco B…
8º - O requerente rescindiu o seu contrato de trabalho com a "RS" e veio a integrar os quadros da firma "C…, S.A." como analista de créditos, com um vencimento base de € 800,00.
9º - Em finais de 2008 a empresa "C…, S.A." viu-se obrigada a fechar portas e levaram ao desemprego todos os seus colaboradores inclusive o ora requerente.
10º - O requerente contraiu junto de outras instituições de crédito outros créditos pessoais. 11º - Em Agosto de 2008, o requerente veio a trabalhar como analista de crédito, na I…R.
12º - O requerente novamente contrai outro crédito pessoal, junto do Banco F… para fazer face as suas necessidades básicas.
13º - Em Junho de 2009 o requerente veio a colaborar com a Companhia de Seguros L…. por período seis meses.
14º - Veio ainda a integrar-se na firma E…O… como assistente atendimento a clientes de 2º escalão. 15º - O requerente pôs à venda a sua viatura automóvel.
16º - Contudo, a venda desta viatura não permitiu ao requerente liquidar na totalidade o crédito automóvel por este contraído para a sua aquisição, encontrando-se à data ainda a pagar o crédito. 17º - O requerente arrendou a sua residência a terceiros, para fazer face ao pagamento do crédito habitação contraído para o efeito.
18º - Actualmente, o requerente é funcionário do Grupo …, tem a função de atendimento a clientes de 2º escalão e aufere a quantia mensal líquida de € 673,99.
19º - O requerente é devedor de vários créditos:
a) À C… , o valor em dívida é de € 2.900,00 por utilização de um cartão visa e de uma conta ordenado;
b) À CF…, o valor em dívida é de € 15.000,00 e é resultante de três contratos de crédito pessoais, denominados, Valor Top, Dinheiro Já e Visa Livre;
c) À CT…, o valor em dívida é de € 10.947,63 e é resultante de um crédito pessoal.
d) Ao S…C…, o valor em dívida e é de € 1.291,71 é resultante de um contrato de crédito pessoal; e) Ao Banco… F, o valor em dívida é de € 6574,08 e é resultante de um contrato de crédito pessoal; f) B… C.., o valor em divida é de € 1.500,00 e é resultante de um contrato de crédito;
g) B… S.A. o valor em dívida é de €111.000,00 e é resultante de um crédito habitação.
20º -Trata-se de obrigações já vencidas e haver uma impossibilidade de cumprimento de parte das dívidas, tendo o requerente deixado de cumprir as prestações mensais.
21º -O requerente não tem qualquer outro rendimento para além do referido.
22º - No entanto, tem vindo a receber ajudas de parentes e amigos próximos, nomeadamente, encontra-se a residir em casa de amigo e não paga renda de casa.
23º - O requerente contribui para as despesas da casa onde vive, nomeadamente, com água, luz e gás com cerca de € 100,00 por mês.
24º - A requerente gasta actualmente em média com a sua alimentação e outras despesas básicas e essenciais, a quantia não inferior a € 200,00 mensais.
B) Fundamentação de direito
O processo de insolvência tem como objectivo primeiro, como se extrai do preâmbulo do Decreto-Lei 53/2004 de 18 de Março (ponto 3), a satisfação dos direitos dos credores por força do
património do devedor.
O diploma em causa introduziu um regime diferenciado para as pessoas singulares declaradas em estado de insolvência, permitindo que, em determinadas circunstâncias necessariamente
excepcionais, as suas responsabilidades ante os credores sejam atenuadas ou mesmo anuladas de modo a permitir que, volvido algum tempo, os insolventes possam retomar a sua actividade económica sem o constrangimento decorrente da situação pretensamente anómala que os conduziu à impossibilidade de cumprimento das suas obrigações e à insolvência.
Segundo o nº 45 do preâmbulo do DL 53/2004, de 18/03, que aprovou o Código da Insolvência e Recuperação de Empresas, “o Código conjuga de forma inovadora o princípio fundamental do ressarcimento dos credores com a atribuição aos devedores singulares insolventes da possibilidade de se libertarem de algumas das suas dívidas, e assim lhes permitir a sua reabilitação económica. O princípio do fresh start para as pessoas singulares de boa fé incorridas em situação de
insolvência (…) é agora também acolhido entre nós, através do regime da "exoneração do passivo restante".
O princípio geral nesta matéria é o de poder ser concedida ao devedor pessoa singular a
exoneração dos créditos sobre a insolvência que não forem integralmente pagos no processo de insolvência ou nos cinco anos posteriores ao encerramento deste.
A efectiva obtenção de tal benefício supõe, portanto, que, após a sujeição a processo de
insolvência, o devedor permaneça por um período de cinco anos – designado período de cessão – ainda adstrito ao pagamento dos créditos da insolvência que não hajam sido integralmente
satisfeitos. Durante esse período, ele assume, entre várias outras obrigações, a de ceder o seu rendimento disponível (tal como definido no Código) a um fiduciário (…), que afectará os montantes recebidos ao pagamento aos credores. No termo deste período, tendo o devedor cumprido, para com os credores, todos os deveres que sobre ele impendiam, é proferido despacho de exoneração, que liberta o devedor das eventuais dívidas ainda pendentes de pagamento”.
Dispõe o artº 239º do CIRE:
1. Não havendo motivo para indeferimento liminar, é proferido o despacho inicial (…).
2. O despacho inicial determina que, durante os cinco anos subsequentes ao encerramento do processo de insolvência, neste capítulo designado período de cessão, o rendimento disponível que o devedor venha a auferir se considera cedido a entidade, neste capítulo designada fiduciário (…) nos termos e para os efeitos do artigo seguinte.
3. Integram o rendimento disponível todos os rendimentos que advenham a qualquer título ao devedor, com exclusão:
(…)
b) Do que seja razoavelmente necessário para:
(i) O sustento minimamente digno do devedor e do seu agregado familiar, não devendo exceder, salvo decisão fundamentada do juiz em contrário, três vezes o salário mínimo nacional;
Carvalho Fernandes e João Labareda[1] dizem que “ as conclusões previstas nas suas subals i) e ii) decorrem da chamada função interna do património, enquanto suporte da vida económica do seu
titular. Em qualquer delas, embora em planos diferentes, está em causa essa função. Assim, a subal. i) refere-se ao sustento minimamente digno do devedor e do seu agregado familiar. O legislador adopta um critério objectivo na determinação do que deve entender-se por sustento minimamente digno: 3 vezes o salário mínimo nacional. Merece, pois aplauso esta solução, que tem ainda a vantagem de assegurar a actualização automática da exclusão. O valor assim calculado só pode ser excedido mediante decisão do juiz, devidamente fundamentada”.
Não podemos concordar com esta interpretação, pois o sentido da norma é o de que o sustento minimamente digno será fixado até 3 vezes o salário mínimo nacional. Se esse "sustento"
correspondesse ao montante fixo apontado (3 vezes o salário mínimo) não haveria lugar ao cálculo desse valor, como acrescentam os mencionados autores, dando a entender que não completaram anteriormente o seu raciocínio.
Acresce que a menção ao que seja razoavelmente necessário envolve claramente um juízo e ponderação casuística do juiz sobre o montante a fixar.
Neste sentido, se pronunciou Assunção Cristas[2] que adopta também esta interpretação: o rendimento disponível engloba todos os rendimentos que advenham a qualquer título ao devedor, excluindo (…) os montantes que se consideram razoavelmente necessários para o sustento do devedor e do seu agregado familiar (até três vezes o salário mínimo nacional, excepto se, fundadamente, o juiz determinar montante superior).
No acórdão desta Relação de 18.01.2011[3] decidiu-se que “na determinação do rendimento indisponível a que alude a subalínea i) da al. b) do nº 3 do artº 239º do CIRE, o legislador estabeleceu dois limites: um mínimo, avaliado por um critério geral e abstracto (o sustento
minimamente condigno do devedor e seu agregado familiar), a preencher pelo juiz em cada caso concreto, conforme as circunstâncias particulares do devedor; um limite máximo, obtido através de um critério quantificável e objectivo (o equivalente a três salários mínimos nacionais), o qual, excepcionalmente, poderá ser excedido em casos que o justifiquem. O conceito de mínimo necessário ao sustento digno do devedor tem por subjacente o reconhecimento do princípio da dignidade humana assente na noção do montante que é indispensável a uma existência condigna, a avaliar na particularidade da situação do devedor em causa”.
O apelante invoca ainda o disposto no artº824º nº 1 alª a) do CPC, segundo o qual são impenhoráveis dois terços dos vencimentos, salários ou prestações de natureza semelhante, auferidos pelo executado.
Todavia, dispõe o nº 2 do referido artigo que a impenhorabilidade prescrita no número anterior tem como limite máximo o montante equivalente a três salários mínimos nacionais à data de cada apreensão e como limite mínimo, quando o executado não tenha outro rendimento e o crédito exequendo não seja de alimentos, o montante equivalente a um salário mínimo nacional.
Este preceito traça limites à impenhorabilidade prevista no nº 1 do mesmo artigo. Assim, quando os 2/3 excedam o valor de três salários mínimos nacionais, a impenhorabilidade limita-se a este valor, sendo penhorável, juntamente com o terço restante, a parte dos 2/3 que o exceda; quando os 2/3 sejam inferiores ao valor de um salário mínimo nacional, a parte impenhorável do rendimento eleva-se, coincidindo com o valor deste, desde que se verifiquem dois requisitos: o executado não ter outro rendimento, e o crédito exequendo não ser de alimentos[4].
Portanto, a lei não estabelece um limite mínimo de rendimento mensal de três salários mínimos, mas um limite máximo de impenhorabilidade (dos 2/3 fixados no nº 1), que não pode ultrapassar esse valor. O que a lei garante (fora dos casos de crédito de alimentos, de outros rendimentos do executado e da situação prevista no nº 7 do mesmo artigo) é a impenhorabilidade de rendimento auferido inferior ao salário mínimo nacional; isto é, o que se garante, em regra, é este rendimento mínimo.
No âmbito da insolvência, a exclusão de entrega ao fiduciário prevista no artº 239º nº 3-b) (i) do CIRE também pode atingir montante equivalente a 3 vezes o salário mínimo nacional, o qual funciona igualmente como limite máximo (só podendo ser excedido por decisão fundamentada), competindo ao juiz fixar, com razoabilidade, até esse limite, o montante que lhe pareça necessário para o sustento minimamente digno do devedor e do respectivo agregado familiar.
Como refere Menezes Leitão[5],a previsão da cessão do rendimento disponível constitui um ónus imposto ao devedor como contrapartida do facto de ser exonerado do passivo que possuía. No caso dos autos, está provado que:
- Actualmente, o requerente é funcionário do Grupo …, tem a função de atendimento a clientes de 2º escalão e aufere a quantia mensal líquida de € 673,99 ( nº 18).
- É devedor dos créditos identificados no nº 19 da Fundamentação de facto. - Não tem qualquer outro rendimento para além do referido em 18º ( nº 19).
- O requerente contribui para as despesas da casa onde vive, nomeadamente, com água, luz e gás com cerca de € 100,00 por mês – (nº 23).
- A requerente gasta actualmente em média com a sua alimentação e outras despesas básicas e essenciais, a quantia não inferior a € 200,00 mensais – (nº 24).
- É solteiro e tem vindo a receber ajudas de parentes e amigos próximos, nomeadamente, encontra-se a residir em casa de amigo e não paga renda de casa – ( nº 1 e 22).
Na decisão recorrida foi ponderado o ordenado do devedor a par das despesas mensais, tendo sido decidido fixar o rendimento disponível no valor excedente ao um salário mínimo nacional. Ora, o salário mínimo nacional é, actualmente, de € 485,00, conforme vem definido no artigo 1º nº 1 do DL 143/2010, de 31 de Dezembro, valor esse que é suficiente para o apelante pagar as suas despesas mensais no montante já referido de € 300,00.
Assim, o rendimento disponível é de € 188,99.
Tal como consta da douta decisão recorrida, consideramos que, nas circunstâncias dos autos e tendo em atenção a matéria de facto provada, foi adequada a fixação do montante equivalente à retribuição mínima mensal garantida, que consideramos necessário para o sustento minimamente digno do devedor.
SÍNTESE CONCLUSIVA
- No regime de exoneração do passivo restante e para efeitos do disposto no artº 239º/3- b) (i) do CIRE, devem considerar-se excluídos do rendimento disponível os montantes tidos por
razoavelmente necessários para o sustento do devedor e do seu agregado familiar até três vezes o salário mínimo nacional, excepto se, fundadamente, o juiz determinar montante superior.
- O conceito de mínimo necessário ao sustento digno do devedor tem por subjacente o reconhecimento do princípio da dignidade humana assente na noção do montante que é
causa.
III – DECISÃO
Face ao exposto, julga-se improcedente a apelação e confirma-se a decisão recorrida. Custas pelo apelante.
Lisboa, 22 de Setembro de 2011 Ilídio Sacarrão Martins
Teresa Prazeres Pais Carla Mendes
---[1] Código da Insolvência e da Recuperação de Empresas, Anotado, Vol. II, pág. 194.
[2] Exoneração do devedor pelo passivo restante, in Themis, ed. especial, 2005, 174, nota 8. [3] www.dgsi.pt, processo nº 1220/10.5YXLSB-A.L1-7
[4] Lebre de Freitas, CPC Anotado, Vol. 3º, 358; Amâncio Ferreira, Curso de Processo de Execução, 11ª ed., 214.
[5] CIRE Anotado, 4.ª ed., p. 240