caminhos da exportação o Rio Grande do Norte continuam a prestigiar uma das alternativas logísticas mais próximas do nossa produção, o Porto de Natal; o melão, principal item da nossa pauta externa, utiliza-se desse ponto de escoamento como um de suas mais importantes prioridades na logística internacional. Ultimamente, as exportações do Rio Grande do Norte apresentaram um importante salto, da ordem de 114% em uma década; crescimento esse que foi “travado” pela crise internacional que reduziu drasticamente o consumo de nossos produtos de exportação visto que, entre o ano de 2000 e 2007 crescemos cerca de 212% em vendas para o exterior. Esse trabalho tem por objetivo identificar os canais de logística utilizados por nossas empresas ao longo dos últimos dez anos, mostrando a importância do Porto de Natal, o crescimento da concorrência de Pecém e a ainda baixa utilização do modal aéreo e do aeroporto de Parnamirim (com menos de 1% do valor exportador pelo Rio Grande do Norte). Na tentativa de melhor ilustrar esses caminhos, apresentamos a evolução da logística internacional do melão e suas modificações, seja na saída (maior migração para Pecém) seja na chegada (novo mercado, a Espanha). Os dados mostram que, independentemente de transformações na nossa pauta e nos mercados externos compradores temos um modal logístico mais eficazmente demandado – o Porto de Natal – e outro com largo espaço a conquistar – o aeroporto de Parnamirim.
OS CAMINHOS DA EXPORTAÇÃO NO RIO GRANDE DO NORTE.
E A LOGÍSTICA DO MELÃO
As exportações do Rio Grande do Norte evoluíram positivamente ao longo dos
últimos dez anos, saindo de pouco mais de US 115,1 milhões em 2000 para US 246,7 milhões em 2009: um crescimento de 114% em apenas uma década (excluídos os valores atribuídos ao fornecimento de combustível e o consumo de bordo de embarcações/aeronaves). Mas, se consideramos o período imediatamente anterior à crise financeira internacional comparando a evolução até o ano de 2007, o crescimento era mais expressivo ainda, da ordem de 212,4%.
Essa avaliação positiva das nossas exportações deve-se também à contribuição de uma logística eficiente em que os seus custos limitem-se aos essenciais à atividade de transporte e que não tragam ao mesmo tempo despesas desnecessárias que muitas vezes são provocadas pela falta de opção no escoamento da produção ou nas condições de acesso ao ponto de saída de mercadorias para o exterior.
Os produtores do Rio Grande do Norte não têm encontrado, em regra, dificuldades em escoar sua produção. A logística ou a definição do modal (aéreo ou marítimo) não são os dificultadores da abertura de novos mercados internacionais; mas, a crise financeira
internacional de 2008 e a forte retração do consumo interno na Europa e nos Estados Unidos (nossos parceiros principais) somadas a persistente valorização do Real face às moedas fortes (dólar e euro) têm se revelado como efetivas barreiras ao maior crescimento de nossas exportações: a queda em 2008 e 2009 e a recuperação em 2010, ainda em patamares inferiores ao histórico norte-riograndense, traduzem essas condições desfavoráveis.
O Quadro 1, abaixo, apresenta a distribuição, nos anos 2000 a 2009, de nossas exportações por ponto de saída, destacando sobretudo os principais modais utilizados pelos exportadores do Rio Grande do Norte: os portos de Pecém, Fortaleza, Suape, Natal e Areia Branca; os outros portos e modais estão agrupados em um mesmo item que, na verdade, compõem-se de uma fragmentada diversidade de opções, a exemplo do aeroporto de São Paulo, Rio de Janeiro ou Natal ou as rodovias que ligam o Brasil a Argentina:
QUADRO 1 – EXPORTAÇÕES DO RIO GRANDE DO NORTE POR PONTO DE SAÍDA DE 2000 A 2009, EM VALOR (US 1,0 MILHÃO)
SAÍDA / ANO 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 Pecém/Fortaleza 53,2 61,8 84,4 138,7 161,0 177,5 147,1 160,0 123,2 106,1 Natal 32,7 44,8 39,5 61,2 66,7 79,7 79,0 99,7 84,2 62,2 Suape 33,3 48,3 45,9 20,3 32,9 31,1 66,5 59,2 65,0 47,5 Areia Branca 8,8 10,2 8,2 7,3 5,6 9,8 9,6 9,0 4,7 15,6 Outros 20,4 21,2 20,6 24,2 23,2 17,9 27,7 31,7 39,9 15,3
FONTE: MDIC/SECEX/Sistema Aliceweb
NOTA: elaboração própria. Excluídas as exportações de combustíveis e consumo de bordo de aeronaves/embarcações
O Porto de Natal cresceu sua participação no cenário das exportações do Estado,
saindo de US 32,7 milhões em 2000 para US 62,2 milhões em 2009 representando uma participação de 22,0% do total exportado no início da série para 25,2% do total no ano de 2009. Uma outra mudança positiva enquanto reforço de opção logística para o Estado é o posicionamento do Porto de Natal dentre as melhores escolhas para o empresariado local: em 2000 o Porto de Natal era menos utilizado do que o de Suape, fase essa que já se encontra superada plenamente no ano de 2009, ocupando a segunda colocação entre pontos de saída de nossas mercadorias.
A entrada em operação do Porto de Pecém revelou-se como estratégia eficiente para a busca de novas rotas e mercados internacionais; os portos em Pecém e Fortaleza que conjuntamente em 2000 respondiam por 35,8% das exportações do Rio Grande do Norte agora, em 2009, significaram cerca de 43,0% desse total. O Porto de Areia Branca, devido à excepcionalidade do volume de sal exportado em 2009, indicou forte crescimento no período analisado; no entanto, a média histórica dos últimos anos permanece pouco modificada.
Em 2010, de acordo com os dados disponíveis até o mês de setembro, temos o seguinte perfil:
Pecém/Fortaleza – US 72,0 milhões ou 39,5%;
Natal – US 46,0 milhões ou 25,2%;
Suape – US 39,0 milhões ou 21,4%;
Areia Branca – US 9,2 milhões ou 5,0%; e
Outros pontos de saída – US 16,0 milhões ou 16,0%.
Certamente são dados ainda parciais que podem ser modificados principalmente
pelos novos embarques de sal programados e pela safra 2010/11 do melão que, nessas estatísticas, apenas iniciava seus primeiros embarques. Mas, até o momento, não alterou a escolha do Porto de Natal e a sua superação diante de Suape.
Já o Quadro 2, a seguir, traz a comparação – de acordo com a distribuição percentual – das exportações de produtos do Estado pelos modais aqui existentes, os portos de Natal e de Areia Branca e o aeroporto em Parnamirim.
QUADRO 2 – PARTICIPAÇÃO DAS EXPORTAÇÕES DO RIO GRANDE DO NORTE PELOS PORTOS DE NATAL E AREIA BRANCA E PELO AEROPORTO DE PARNAMIRIM (COM BASE NOS VALORES EXPORTADOS) SAÍDA / ANO 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 Natal 22,0 24,0 19,9 24,4 23,1 25,2 23,9 27,8 26,6 25,2 25,3 Areia Branca 6,0 5,5 4,1 2,9 1,9 3,1 2,9 2,5 1,5 6,3 5,0 Aeroporto 0,2 0,1 0,9 0,7 0,8 0,6 0,6 0,7 0,5 1,0 0,8 Outros 71,8 70,4 75,0 72,0 74,2 71,1 72,5 69,0 71,5 67,5 68,9
FONTE: MDIC/SECEX/Sistema Aliceweb
NOTA: elaboração própria. Excluídas as exportações de combustíveis e consumo de bordo de aeronaves/embarcações; 2010: até setembro
Uma primeira constatação insinua que o crescimento do comércio exterior do Rio Grande do Norte foi um dos responsáveis pela maior utilização do Porto de Natal como condição de negociação das vendas para o exterior: superamos a barreira dos 25% de exportações a partir do ano de 2007 e mantivemos tal patamar apesar da crise internacional e da forte queda das exportações do Estado. Essa crise, dentre outros aspectos, não reduziu as vantagens do uso do Porto de Natal, ou seja, traz a expectativa de que atende às condições exigidas pelo exportador e que lhe confere maior estabilidade nos contratos internacionais.
Já o aeroporto, por outro lado, continua sendo um modal extremamente pouco utilizado enquanto possibilidade de ponto de saída de nossos produtos; certamente nossa pauta externa, centrada na fruticultura e no pescado, podem prescindir desse modal pelas custos elevados do frete aéreo, mas estamos ainda a superar a barreira do 1% em
vendas para exterior pela via aérea (destaque-se, no entanto, a expressão significativa que esse mesmo 1% pode representar se comparada com o dado existente em ano quase inicial dessa série, 2001, quando era de aproximadamente 0,1% do total vendido para o exterior pelo Estado).
Uma melhor apresentação dessa evolução logística em nossas exportações pode ser visualizado nos Quadros 3 e 4, a seguir, onde estão apresentados os principais produtos exportados pelo Porto de Natal e pelo aeroporto em Parnamirim para os anos selecionados de 2000, 2003, 2006 e 2009; no caso, não foram avaliados os itens do Porto de Areia Branca tendo em vista a exclusividade na exportação de sal.
QUADRO 3 – PRINCIPAIS PRODUTOS EXPORTADOS DO RIO GRANDE DO NORTE PELO PORTO DE NATAL (ANOS SELECIONADOS, COM BASE EM VALORES)
SAÍDA / ANO 2000 2003 2006 2009 Natal Melão (59,1%) Açúcar (28,3%) Banana (7,7%) Manga (2,9%) Outros (2,0%) Melão (58,5%) Açúcar (20,2%) Camarão (13,3%) Melancia (3,2%) Mamão (3,0%) Outros (1,8%) Melão (54,2%) Açúcar (28,5%) Camarão (6,0%) Melancia (5,9%) Mamão (2,6%) Outros (2,8%) Açúcar (26,5%) Camarão (24,7%) Melão (21,5%) Manga (8,8%) Castanha caju (4,5%) Peixes (4,4%) Mamão (3,4%) Outros (6,2%)
FONTE: MDIC/SECEX/Sistema Aliceweb NOTA: elaboração própria
O Porto de Natal, além do crescimento em sua utilização no período 2000 a 2009, diversificou sua pauta de produtos manuseados para a exportação que anteriormente eram concentrados essencialmente em apenas três deles, o melão, o açúcar e a banana, (em 2000 significaram 95,1% do total). Em 2000, 2003 e 2006, de acordo com o Quadro 3 acima, o melão mantinha sua importância maior e respondia, sozinho, por mais da metade de todas as exportações.
Mas, é no último ano de 2009 que vemos maior diversidade nas atividades portuárias em Natal, com maior distribuição entre as frutas frescas (melão, manga e mamão), a participação do setor de pescado (camarão e peixes), a repetição do setor sucro-alcooleiro (açúcar) e a presença de fruta seca (castanha de caju). Essa maior abrangência corresponde, sem dúvida, a maior capacidade de atendimento a um maior número de exportadores com suas condições e exigências diferenciadas entre armazenagem, manuseio e embarque.
Já no aeroporto em Parnamirim temos um representatividade mais diversificada, resultado de fraca utilização desse modal (menos de 1% do total exportado pelo Rio Grande do Norte) que se traduz pela variação de produtos, como indicado no Quadro 4, a seguir:
QUADRO 4 – PRINCIPAIS PRODUTOS EXPORTADOS PELO RIO GRANDE DO NORTE PELO AEROPORTO EM PARNAMIRIM (ANOS SELECIONADOS, COM BASE EM VALORES)
SAÍDA /
ANO 2000 2003 2006 2009
Parnamirim semipreciosas Pedras (88,2%) Peixes (98,4%) Outros (1,6%) Peixes (53,8%) Mamão (26,3%) Óleo vetiver (11,6%) Manga (4,9%) Outros (3,4%)
Prod. animais impróprios
consumo humano (27,4%) Mamão (22,0%) Camarão (14,6%) Peixes (10,7%) Flores (10,7%) Óleo vetiver (4,4%) Outros (10,2%)
FONTE: MDIC/SECEX/Sistema Aliceweb NOTA: elaboração própria
Nos anos de 2000 e 2003 há praticamente uma exclusividade do frete aéreo para as pedras semipreciosas e peixes frescos; mas, recentemente, começa a buscar esse ponto de saída para maior número de produtos que, necessariamente, devem ter maior valor agregado para justificar a diferença imposta pelo custo do frete, seja para o pescado (fresco para consumo imediato), seja da manga e mamão (colheita mais tardia e mais valor agregado na chegada do produto) seja de flores que demandam imperiosa redução de tempo entre a colheita no campo e o ponto final de venda, no exterior.
GRÁFICO 1 – EVOLUÇÃO DOS VALORES EXPORTADOS PELOS PORTOS DE NATAL E AREIA BRANCA E PELO AEROPORTO DE PARNAMIRIM
0,0% 5,0% 10,0% 15,0% 20,0% 25,0% 30,0% 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 Natal Parnamirim Areia Branca
FONTE: MDIC/SECEX/Sistema Aliceweb
NOTA: elaboração própria. 2010, acumulado até setembro
O Gráfico 1 anterior mostra a curva de evolução das opções de exportação por ponto de saída no Rio Grande do Norte.
Conclui-se nitidamente que ao longo desses últimos anos, incluindo os dados parciais de 2010 (até setembro), há uma curva de tendência que indica melhor utilização do Porto de Natal e sua consolidação recente com possibilidade de projeção de expansão
para os próximos anos; já o aeroporto, como mencionado, ainda “patina” como estrutura logística a ser melhor aproveitada por empresas do Rio Grande do Norte.
AS EXPORTAÇÕES DE MELÃO DO RIO GRANDE DO NORTE: 2000 A 2010
O melão é tradicionalmente o produto de maior exportação no Rio Grande do Norte e o de maior identificação da nossa fruticultura tropical. Desde 2006 é o melão o maior item do Estado em vendas para o exterior que já chegou a ser comercializado no patamar de US 85,2 milhões, como em 2007, embora hoje apresente queda para os atuais US 45,6 milhões de 2009; na década analisada, somente perdeu sua condição de liderança para o petróleo, o t-shirt e o camarão, produtos que, atualmente, perderam absoluta consistência na nossa pauta externa (o petróleo, inclusive, nem é mais exportado).
O melão é exportado essencialmente por via marítima e as opções mais usuais têm sido os portos de Pecém, Fortaleza (antes do início das operações em Pecém) e Natal. No Quadro 5, abaixo, há uma comparação entre as safras 2000/01 e de 2009/10, em termos de valores:
QUADRO 5 – MELÃO, COMPARATIVO DAS EXPORTAÇÕES DAS SAFRAS 2000/01 E 2009/10 DO RIO GRANDE DO NORTE: PORTO DE SAÍDA X PAÍS DE DESTINO, EM VALOR
PORTO SAÍDA / DESTINO
SAFRA TOTAL HOLANDA ESPANHA REINO UNIDO MERCOSUL OUTROS EUROPA Natal 2000/01 21.870.849 12.671.833 19.152 9.069.966 --- 109.898 2009/10 14.097.702 3.015.349 7.516.074 3.435.315 --- 130.964 Fortaleza 2000/01 685.030 509.755 89.283 8.400 77.592 --- 2009/10 4.891.863 1.912.849 1.829.198 1.108.712 --- 41.104 Suape 2000/01 136.824 --- --- --- 136.824 --- 2009/10 --- --- --- --- --- --- Pecém 2000/01 --- --- --- --- --- --- 2009/10 25.943.102 11.137.155 4.932.238 6.929.192 --- 2.944.517 Outros 2000/01 456.361 --- --- 13.786 442.575 --- 2009/10 107.676 3.785 --- 52.872 --- 51.019 Total 2000/01 23.149.064 13.181.588 108.435 9.092.152 656.991 109.898 2009/10 45.040.343 16.069.138 14.277.510 11.526.091 --- 1.379.516 FONTE: MDIC/SECEX/Sistema Aliceweb
NOTA: elaboração própria
Observa-se que a maior oferta de apoio logístico para as exportações, o Porto de Pecém, fez com que parte da produção norte-riograndense modificasse seu planejamento de transporte para dividir com Natal a rota privilegiada para os produtores locais.
O Porto de Natal embarcou cerca de US 14,1 milhões da safra anterior mas
Verifica-se, também, existência de coincidência quanto aos destinos europeus nesses dois portos: a Espanha (o maior ponto de distribuição do melão norte-riograndense), o Reino Unido e a Holanda enquanto, igualmente, demais destinatários.
Constata-se, portanto, que a “concorrência” que sofre o Porto de Natal não está balizada na oferta de novas rotas ou destinos diferenciados, mas essencialmente na freqüência de navios (maior oferta para as cargas), além de vantagens absolutamente dissociadas de questões portuárias, os incentivos fiscais concedidos pelo governo do estado vizinho. Não configura, apesar da tendência de maior utilização de Pecém, uma perda de capacidade operacional do Porto de Natal ou uma concorrência de difícil superação; há sim, ao que indicam os números, mais uma preferência (financeira, com os incentivos) do que uma estratégia comercial.
Os Quadros 6 e 7, em seguida, mostram, em termos percentuais, os destinos de
duas safras de melão do Rio Grande do Norte por porto de saída, nos períodos 2000/01 e 2009/10:
QUADRO 6 – EXPORTAÇÃO DA SAFRA 2000/01 DE MELÃO DO RN: PORTO DE SAÍDA X PAÍS DE DESTINO, EM VALOR Natal Holanda (57,9 %) Outros (0,6 %) Fortaleza Holanda (74,4 %) Espanha (13,0 %) Outros (1,2 %) Suape Outros Uruguai (11,8 %) Outros (3,0 %) FONTE: MDIC/SECEX/Sistema Aliceweb
NOTA: elaboração própria
QUADRO 7 – EXPORTAÇÃO DA SAFRA 2009/10 DE MELÃO DO RN: PORTO DE SAÍDA X PAÍS DE DESTINO, EM VALOR Pecém Holanda (42,9 %) Outros-Europa (11,3 %) Natal Holanda (21,4 %) Outros-Europa (0,9 %) Fortaleza Holanda (39,1 %) Espanha (37,4 %) Outros Outros-Europa (47,4 %) Holanda (3,5 %) FONTE: MDIC/SECEX/Sistema Aliceweb
NOTA: elaboração própria
Reino Unido (41,5 %) Argentina (100 %) . Argentina (85,2 %) Reino Unido (49,1 %) Reino Unido (26,7 %) (19,0 %) Espanha Reino Unido (24,4 %) Espanha (53,3 %) Reino Unido (22,7 %) Argentina (11,3 %)
Com base nesses dados é possível observar que também através do Porto de Natal foi aberta nova rota com destino a Espanha, inexistente na safra 2000/01 e bastante presente, com 53,3% do total exportado pelo Porto na safra passada. Verifica-se ainda, que, na safra 2000/01, os portos de Natal e de Fortaleza privilegiavam a Holanda como destino europeu, com cerca de 57,9% e 74,4%, respectivamente, de seus embarques de melão.
Atualmente constata-se que há uma relativa inversão de prioridades nas definições da logística exportadora: o Ceará, com Pecém e Fortaleza, têm predomínio no transporte para a Holanda enquanto o Rio Grande do Norte tem foco mais direcionado para a Península Ibéria, com a Espanha. Já o Mercosul, que se valia do frete marítimo para recebimento do melão norte-riograndense na safra 2000/01, está ausente dessa rotina logística na última safra embarcada.
FIGURA 1 – EXPORTAÇÕES DE MELÃO DO RIO GRANDE DO NORTE ENTRE 2000 E 2010 POR PRINCIPAIS MERCADOS COMPRADORES
FONTE: MDIC/SECEX/Sistema Aliceweb
A Figura 1, acima, revela uma clara redimensão do destino do melão produzido no Rio Grande do Norte ao longo da última década.
A Espanha passa a configurar como destino importante e grande importador do
Rio Grande do Norte, sem que tenha havido uma redução significativa de mercados já consolidados ou perda de espaços conquistados; observa-se que tanto a Holanda quanto o Reino Unido juntos “cederam” seus espaços para a composição de novo player nesse cenário internacional.
Em conclusão, é possível constatar que:
O Porto de Natal mantém relativa competitividade mesmo diante da entrada de novo concorrente próximo ao nosso mercado produtor (Pecém, ainda mais amplo e mais comercial do que o Porto de Fortaleza);
A Europa continua sendo o grande mercado comprador do melão aqui
produzido;
Na Europa a variação percebida é uma maior divisão de mercados
compradores, antes concentrados na Holanda e no Reino Unido, e hoje mais descentralizado para o Sul europeu, com a Espanha.
Em resumo, nossa logística exportadora de melão “desloca-se” no seu ponto de saída territorial do Brasil para alguns pouco quilômetros ao Norte do País, saindo de Mossoró para a região de Fortaleza enquanto, na logística de chegada, abre-se uma nova perspectiva com a redução de larga distância no mercado comprador, para a Sul da Europa, e a possibilidade de suprir com mais velocidade e facilidade um novo espaço geográfico.
REFERÊNCIAS
Banco Central do Brasil (www.bacen.gov.br) Caixa Econômica Federal (www.caixa.gov.br)
IBGE-Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (www.ibge.gov.br) Ministério da Fazenda (www.fazenda.gov.br)