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BOAS PRÁTICAS E LIMITES DA RESPONSABILIDADE DO PREGOEIRO

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ORIENTAÇÃO NORMATIVA SEGES/MPOG

Nº 02/2016:

LISTAS DE VERIFICAÇÃO PARA O PREGOEIRO

VICTOR AGUIAR JARDIM DE AMORIM

Mestre em Direito Constitucional (IDP)

Especialista em Direito Público (FESURV) Especialista em Direito Processual Civil (UNISUL)

Bacharel em Direito (UFG) Professor de pós-graduação do ILB e IDP

Pregoeiro e Presidente da Comissão Permanente de Licitação do TJ/GO (2007-2010) Pregoeiro e Presidente da Comissão Permanente de Licitação do Senado Federal

Advogado

BOAS PRÁTICAS E LIMITES DA

RESPONSABILIDADE DO PREGOEIRO

QUEM PODE SER O PREGOEIRO?

Na modalidade pregão, instituída pela Lei nº 10.520/2002, a

responsabilidade pela condução do certame recai sobre um único agente

público, denominado “pregoeiro”.

Assim, no pregão, não há atuação de uma comissão (com a

responsabilidade solidária de seus membros), mas de apenas um único

agente, cuja responsabilidade pelos atos é

EXCLUSIVA

, decidindo, de

forma unipessoal, as questões que lhe são postas no curso do

procedimento.

(2)

BOAS PRÁTICAS E LIMITES DA RESPONSABILIDADE DO

PREGOEIRO

A DESIGNAÇÃO DE PREGOEIRO DEVE RECAIR SOMENTE SOBRE SERVIDOR

EFETIVO?

Art. 3º, III, Lei nº 10.520/2002:

“A autoridade competente designará,

dentre os servidores do órgão

ou entidade promotora da licitação

, o pregoeiro e respectiva equipe

de apoio, cuja atribuição inclui, dentre outras, o recebimento das

propostas e lances, a análise de sua aceitabilidade e sua classificação,

bem como a habilitação e a adjudicação do objeto do certame ao

licitante vencedor”.

BOAS PRÁTICAS E LIMITES DA RESPONSABILIDADE DO

PREGOEIRO

E A EQUIPE DE APOIO?

O art. 3º, §1º, da Lei do Pregão estabelece que a Equipe de Apoio ao

Pregoeiro "deverá ser integrada

em sua maioria

por servidores ocupantes

de cargo efetivo ou emprego da administração, preferencialmente

pertencentes ao

quadro permanente

do órgão ou entidade promotora do

evento".

A Equipe de Apoio presta

auxílio operacional

ao Pregoeiro, não assumindo

competência decisória e, dessa forma, seus integrantes

não podem ser

responsabilizados

pelos atos realizados, salvo no caso de fraude (Acórdão

TCU nº 10.041/2015-2ªC).

(3)

RESPONSABILIDADE DOS AGENTES PÚBLICOS NOS PROCEDIMENTOS

LICITATÓRIOS CONFORME JURISPRUDÊNCIA DO TRIBUNAL DE CONTAS

DA UNIÃO

MATRIZ DE RESPONSABILIDADE!

É necessária a elaboração de matriz de responsabilidade com o objetivo

de possibilitar o

apontamento dos responsáveis

pelas irregularidades, do

nexo de causalidade

entre sua conduta e os achados, e a análise da

culpabilidade

do agente.

RESPONSABILIDADE

DOS

AGENTES

PÚBLICOS

NOS

PROCEDIMENTOS LICITATÓRIOS CONFORME JURISPRUDÊNCIA DO

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

RESPONSABILIDADE POR FALHAS NO PB/TR:

- Responsabilidade pelas falhas: técnicos responsáveis pela elaboração do PB/TR (Acórdão TCU nº 1.067/2016-Plenário)

Ac. nº 2.158/2015-P: “o exame da deficiência no projeto básico, com o detalhamento de todas as irregularidades que apresentou, acentua a reprovabilidade da conduta dos responsáveis, os quais, nos limites distintos de suas correspondentes esferas de atuação, tinham o dever de observar os comandos legais relativos ao tema”.

Ac. 610/2015-P: “A realização de licitação, assinatura de contrato e o início de serviços sem que haja adequado projeto básico para a obra, com os elementos exigidos em lei, levando à necessidade de reformulação do projeto, são condutas graves que conduzem à aplicação da multa prevista no art. 58, inciso II, da Lei n.° 8.443/92”.

Ac. 707/2014–P: “A adoção de projeto básico deficienteconstitui irregularidade grave passível de aplicação de multa aos responsáveis, independentemente da consumação e da identificação de dano ao erário”.

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RESPONSABILIDADE DOS AGENTES PÚBLICOS NOS PROCEDIMENTOS

LICITATÓRIOS CONFORME JURISPRUDÊNCIA DO TRIBUNAL DE CONTAS

DA UNIÃO

RESPONSABILIDADE PELA PESQUISA DE PREÇOS:

-Atribuição pela realização da pesquisa de preços: “Não constitui incumbência obrigatória da comissão permanente de licitação (CPL), do pregoeiro ou da autoridade superior realizar pesquisa de preços no mercado e em outros entes públicos,sendo essa atribuição, tendo em vista a complexidade dos diversos objetos licitados, dos setores ou pessoas competentes envolvidos na aquisição do objeto” (Ac. 4.848/2010 - 1ª Câmara)

- Exclusão de responsabilidade diante da natureza técnica das falhas na pesquisa: "Não cabe responsabilização por sobrepreço de membros da CPL, do pregoeiro ou da autoridade superior, quando restar comprovado que a pesquisa foi realizada observando critérios técnicos aceitáveis por setor ou pessoa habilitada para essa finalidade" (Ac. 3.516/2007-1ªCâmara) -Responsabilidade do Pregoeiro e da autoridade homologadora diante de flagrante erro na pesquisa de preços: “ainda que se admita que [...] exista um setor responsável pela pesquisa de preços de bens e serviços a serem contratados pela administração,a Comissão de Licitação, bem como a autoridade que homologou o procedimento licitatório, não estão isentos de verificar se efetivamente os preços ofertados estão de acordo com os praticados no mercado, a teor do art. 43, inciso IV, da Lei nº 8.443/1992 (Ac. 509/2005-Plenário)” (Ac. 2.136/2006-1ª Câmara)

RESPONSABILIDADE DOS AGENTES PÚBLICOS NOS PROCEDIMENTOS

LICITATÓRIOS CONFORME JURISPRUDÊNCIA DO TRIBUNAL DE CONTAS DA

UNIÃO

RESPONSABILIDADE POR VÍCIOS CONTIDOS NO EDITAL DE LICITAÇÃO:

-Ausência de responsabilidade do Pregoeiro e Comissão de Licitação pela elaboração do edital:

“é certo que a jurisprudência desta Corte pugna pelaexclusão de responsabilidade do pregoeiro por ato que não se insere no rol das atribuições. Nessa linha, o Acórdão 2.389/2006-TCU-Plenário mencionado pelo recorrente, segundo o qual “o pregoeiro não pode ser responsabilizado por irregularidade em edital de licitação, já que sua elaboração não se insere no rol de competências que lhe foram legalmente atribuídas” (Ac. 1.729/2015-1ª Câmara)

- Segregação de funções: Pregoeiro e atuação na fase interna:

“Determinar ao órgão quenão designasse para compor comissão de licitação o servidor ocupante de cargo com atuação na fase interna do procedimento, em atenção ao princípio da segregação de função” (Ac. 686/2011-Plenário)

“A atribuição, ao pregoeiro, da responsabilidade pela elaboração do edital cumulativamente às atribuições de sua estrita competência afronta o princípio da segregação de funçõesadequado à condução do pregão, inclusive o eletrônico e não encontra respaldo nos normativos legais que regem o procedimento” (Ac. 3.381/2013-Plenário)

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RESPONSABILIDADE DOS AGENTES PÚBLICOS NOS PROCEDIMENTOS

LICITATÓRIOS CONFORME JURISPRUDÊNCIA DO TRIBUNAL DE CONTAS DA

UNIÃO

ABRANGÊNCIA DA RESPONSABILIDADE DA AUTORIDADE SUPERIOR PELA HOMOLOGAÇÃO DO PROCEDIMENTO LICITATÓRIO:

“A responsabilidade da autoridade que homologa a licitação se atém à verificação do cumprimento das macroetapasque compõem o procedimento, defatos isolados materialmente relevantes e de questões denunciadas como irregulares que tenham chegado ao seu conhecimento, não sendo exigível que a fiscalização a seu cargo abranja todos os dados contidos no procedimento licitatório” (Ac. 3.178/2016-Plenário).

“O que importa é que a eventual citação desses servidores não aproveitaria a defesa do recorrente, isso porque, como ordenador de despesa, deveria ter-se certificado acerca da regularidade da licitação, antes de formalizar o ato de homologação, o que não fez, pois atestou a regularidade do certame cujos preços estavam superfaturados, assumindo, desse modo, a responsabilidade solidária por tal irregularidadee, consequentemente, o risco de ser condenado, individualmente, a recolher o débito dela decorrente” (Ac. 509/2005-Plenário).

RESPONSABILIDADE DOS AGENTES PÚBLICOS NOS PROCEDIMENTOS

LICITATÓRIOS CONFORME JURISPRUDÊNCIA DO TRIBUNAL DE CONTAS DA

UNIÃO

A RESPONSABILIDADE DO SUBORDINADO AO ORDENADOR DE DESPESAS:

“A ordem de superior hierárquico (isto é, emanada de autoridade pública, pressupondo-se uma relação de direito administrativo) só isenta de pena o executor se não é manifestamente ilegal. Outorga-se, assim, ao inferior, uma relativa faculdade de indagação da legalidade da ordem” (TACRIM-SP-AC- Rel. Lauro Malheiros – RT 490/331).

Afinal, “o dever de obediência do servidor não o obriga a cumprir mecanicamente toda e qualquer ordem superior, mas, unicamente, as ordens legais. Por ordens legais, entendem-se aquelas emanadas de autoridades competentes, em forma adequada e com objetivos lícitos”

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BOAS PRÁTICAS DO PREGOEIRO

Postura pró-ativa do Pregoeiro

“O dever de diligência do pregoeiro requer uma postura proativa, buscando sanar todos os vícios existentes no processo antes que estes possam se tornar entraves à sua efetiva realização”(Acórdão TCU nº 1.040/2016-Plenário)

Conhecimento da legislação de regência e jurisprudência

Verificação prévia e aprofundada da pesquisa de preço a fim de se obter um parâmetro fidedigno para a negociação

Conhecimento e domínio do edital e do objeto do processo licitatório Otimização da transparência de todos os atos

Participação consciente do Pregoeiro na apreciação dos pedidos de esclarecimento e impugnações

Motivação adequada e formal de todas as decisões adotadas no certame

"É irregular a desclassificação e inabilitação sem motivação ou com fundamentação imprecisa e deficiente, uma vez que prejudica a defesa dos licitantes e a própria transparência do certame" (Acórdão TCU nº 3.772/2012-2ªC)

A ORIENTAÇÃO NORMATIVA

SEGES/MPOG Nº 02/2016

A adoção de “Listas de Verificação” padronizadas é resultante do Acórdão TCU nº 2328/2015-Plenário, que tem como objetivo garantir a padronização e transparência do processo de compras pela Administração Pública Federal.

Para a elaboração das Listas de Verificação, a SEGES/MPOG realizou consulta pública, via plataforma eletrônica, no período de 16/02/2016 a 02/03/2016, sendo disponibilizado o realizado em http://www.comprasgovernamentais.gov.br/arquivos/relatorio-de-consulta-publica.pdf

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ORIENTAÇÃO NORMATIVA SEGES/MPOG Nº 02/2016

(Publicada no DOU, edição nº 108, em 08/06/2016, Seção 1, p. 61)

O SECRETÁRIO DE GESTÃO DO MINISTÉRIO DO PLANEJAMENTO, DESENVOLVIMENTO E GESTÃO, no uso das atribuições que lhe confere o Decreto nº 8.578 , de 26 de novembro de 2015, e considerando o disposto no art. 31 do Decreto nº 5.450 , de 31 de maio de 2005, resolve expedir a presente Orientação Normativa, nos seguintes termos:

Art. 1º Os pregoeiros e as equipes de apoiodeverãoadotar nos processos de aquisição de materiais e serviços as listas de verificação constantes dos Anexos I e II, visando o aperfeiçoamento dos procedimentos realizados nos pregões eletrônicos.

Parágrafo único. O procedimento previsto no caputdeveráser utilizado em pregões presenciais, naquilo que for compatível.

Art. 2º As listas de verificaçãodeverãoser juntadas nos processos como instrumento de transparência e eficiência durante a fase de seleção do fornecedor, nas seguintes etapas:

I - Anexo I – antes da publicação do edital; e

II - Anexo II – após a adjudicação, quando realizada pelo pregoeiro, ou quando houver recurso, após a análise deste.

Art. 3º As listas de que tratam o art. 2º poderão ser adequadas pelo órgão ou entidade, desde que respeitados os elementos mínimos que as compõem e a legislação em vigor.

[...]

ANEXO 1

LISTA DE VERIFICAÇÃO – FASE INTERNA

(8)
(9)
(10)

ANEXO 2

LISTA DE VERIFICAÇÃO – FASE EXTERNA

(APÓS A ADJUDICAÇÃO, QUANDO REALIZADA PELO PREGOEIRO, OU

QUANDO HOUVER RECURSO, APÓS A ANÁLISE DESTE)

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(12)

EXERCÍCIOS

1) A IN SEGES/MPOG nº 02/2016 é de observância obrigatória para todos os órgãos públicos?

2) Em qual etapa do processo administrativo o Pregoeiro deverá realizar o check-list referente ao Anexo I da IN SEGES/MPOG nº 02/2016?

3) A quem compete realizar o check-list referente ao Anexo II da IN SEGES/MPOG nº 02/2016?

4) O check-list referente ao Anexo I da IN SEGES/MPOG nº 02/2016 poderá substituir o parecer prévio do órgão de assessoramento jurídico?

5) Em relação ao item 14.1 do Anexo II da IN SEGES/MPOG nº 02/2016, o Pregoeiro também deverá justificar à autoridade superior os motivos pelos quais não recomendou a instauração de processo administrativo sancionatório por suposta violação ao art. 7º da Lei nº 10.520/2002?

EXERCÍCIOS

6) Em relação ao item 4 do Anexo II da IN SEGES/MPOG nº 02/2016, o Pregoeiro poderá ser responsabilizado por adotar como razão de decidir um parecer equivocado da área técnica ou especializada?

7) Em relação ao item 7 do Anexo II da IN SEGES/MPOG nº 02/2016, o dever de negociação do Pregoeiro deve ser exercido de forma exaustiva?

8) Em relação ao item 19 do Anexo I da IN SEGES/MPOG nº 02/2016, a quem compete observar o prazo mínimo e razoável de divulgação do edital?

9) Havendo resposta a pedido de esclarecimento ou alteração do edital após a sua publicação, a quem compete o juízo de verificação da incidência do art. 21, §4º, da Lei nº 8.666/1993? 10) Em relação ao item 9.1 do Anexo II da IN SEGES/MPOG nº 02/2016, caso haja recusa da intenção de recurso por parte do Pregoeiro, ao homologar a licitação, a autoridade competente conclui pela legalidade e regularidade da postura do Pregoeiro em não admitir o recurso?

(13)

OBRIGADO!!!

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Referências

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