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UNIVERSIDADE DO VALE DO ITAJAÍ GESTÃO E RELAÇÕES DE PODER NO ÂMBITO DE ORGANIZAÇÕES COMPLEXAS

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Academic year: 2021

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UNIVERSIDADE DO VALE DO ITAJAÍ

PROGRAMA DE MESTRADO PROFISSIONAL EM ADMINISTRAÇÃO – GESTÃO, INTERNACIONALIZAÇÃO E LOGÍSTICA.

GESTÃO E RELAÇÕES DE PODER NO ÂMBITO DE

ORGANIZAÇÕES COMPLEXAS

Autor: Leandro Leite

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PROBLEMÁTICAS SOBRE O SISTEMA PRISIONAL

Historicamente são vários os problemas e neste início de 2017, o Brasil acompanhou mais um capítulo de algo que vem ocorrendo repetidamente: as ações subversivas à ordem praticadas por grupos organizados de criminosos e presidiários. Tais ações se refletem na macro sociedade. São exemplos de crises no sistema prisional brasileiro, com abrangências no Micro e Macroambiente:

Ano Descrição do Evento

Abrangência das ações

1992 Massacre do Carandiru: 74 policiais militares mataram 111 presidiários rebelados.

Micro

1993 Em São Paulo, houve o nascimento do PCC em 31 de agosto. Para a proteção dos presidiários contra abusos do sistema (funcionários e seus próprios pares).

Micro

1995 Aumento de rebeliões em unidades prisionais e momentos distintos. Um presidiário disse na TV, pertencer à uma fraternidade/ um comando.

Micro

1997 Durante entrevista ao vivo de uma autoridade, aos fundos, os rebelados de uma prisão estenderam bandeira escrita PCC.

Macro

2000 Lideranças dos presidiários foram transferidas para unidades longe dos grandes centros. O PCC expandiu para outros Estados. Houve alianças com outros grupos organizados.

Micro

2001 Megarrebelião: 29 unidades rebeladas de forma coordenada na região metropolitana de São Paulo. Reféns, funcionários do sistema e familiares de presidiários. 20 mortes de presidiários (a maior parte, provocada pelos seus pares). Os motivos: conflito entre facções e a transferência de presidiários para unidades longe de centros. O governo admitiu existir Facção.

Micro

2003 70 atentados contra o poder público, principalmente contra forças policiais. Objetivo dos faccionados: pressionar o governo para tirar seus líderes do Presídio de Presidente Bernardes/SP.

Macro

2004 Oito mil pessoas se reuniram à frente da Secretaria de Administração Penitenciária para uma manifestação contra as novas regras das visitas aos presídios.

Macro

2006 Segunda Crise mais Aguda/ Ataques de Maio de 2006: 74/84 unidades rebeladas de forma coordenada. As ações envolveram ataques aos órgãos de segurança pública e sociedade civil.

Micro e Macro

2017 Crise Carcerária: presidiários faccionados mataram outros de ideologias contrárias. Em unidades distintas, porém em datas próximas. Os confrontos entre facções se estenderam às ruas de diversos Estados. Micro e Macro Entre 1995 e 2005 foram desativadas 174 carceragens. Houve a interiorização /pulverização das unidades prisionais para longe dos grandes centros.

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OBJETIVO DA PESQUISA

Diante de evidências de uma grande problemática em torno do sistema de segurança nacional brasileiro, para este trabalho a lógica observada em movimentos de crises trazia um mesmo padrão de procedimentos da sociedade dos cativos observados in loco. Houve o incômodo sobre o fato de a gestão das crises estarem sob o controle e gestão dos próprios encarcerados, e não como em tese deveria ser, sob a gestão dos agentes que atuam no setor de segurança pública nacional. Neste contexto, o objetivo geral desta pesquisa é caracterizar como os encarcerados

de uma unidade prisional vieram se organizando, de modo a provocar um estado de vulnerabilidade e comprometimento da gestão pública, tanto no âmbito da segurança interna do presídio, quanto no âmbito da segurança externa do município.

Objetivos específicos:

RELEVÂNCIA CIENTÍFICA E PRÁTICA

 O sistema prisional faz parte da segurança pública, uma das demandas sociais mais perceptíveis e urgentes, no entanto, são poucos os trabalhos que tem o sistema prisional como foco (TEIXEIRA, 2011).

 Nas modernas relações de poder do sistema prisional, onde o relacionamento interpessoal é apontado como o coração de qualquer prisão (CREWE, 2011), a comunicação dentre esses atores vem sendo negligenciada.

 A comunicação interna em ambiente prisional faz parte das chamadas modernas relações de poder e as facções criminosas vêm demonstrando empoderamento na gestão deste processo.

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PRESSUPOSTOS TEÓRICOS

 Atualmente o Brasil tem a quarta maior população encarcerada do mundo. Fica

atrás apenas dos Estados Unidos, China e Rússia. (PINHEIRO, 2015). Nas fontes de pesquisa Spell e Periódicos Capes, as publicações do Brasil sobre o sistema prisional têm focado suas atenções no “trabalho prisional”. (LEMOS, 1998; COSTA, 2007; PIRES 2008; COSTA, 2008; MOREIRA NETO, 2011).

 Sobre o trabalho prisional, destaca Silva (2016) que a complexidade do tema se

deve aos arranjos formais e informais do sistema prisional onde o ambiente de tensão e conflito provêm do relacionamento interpessoal dentre os seus atores. Como não há vagas de trabalho para todos (DIAS, 2017), para trabalharem, os presidiários precisam ter bom comportamento segundo avaliação dos agentes penitenciários. Porém, as facções criminosas chegam a exercer controle sobre quais presidiários trabalharão no ambiente interno prisional. (DIAS, 2009).

 Para se afastarem de sanções, segundo Hoffmann (2008) os presidiários tendem a

renunciar das interações sociais com os agentes penitenciários. Porém a comunicação interna informal dentre presidiários é intensa no cotidiano. Diante das dificuldades, os presidiários se organizam (CRAIG, 2006) criando padrões de modernização para demonstrar seu empoderamento, como por exemplo, a utilização de comunicações informais (BRAGA, 2008; CRUZ, SOUZA e BATITUCCI, 2013).

 Os estudos sobre relacionamento interno entre agentes penitenciários e presidiários

se tornam importantes, pois durante a etapa de cumprimento da pena esses profissionais são os principais interlocutores para as demandas dos presos. (CREWE, 2011; CASAGRANDE et al; 2015). Porém, de acordo com Zanlucci (2006) um dos principais agravantes para um bom relacionamento interpessoal são as falhas de comunicação que por fim, aumentam os conflitos interpessoais gerando clima de insegurança. O clima de insegurança é comumente citado para descrever o sistema prisional. (HOFFMANN, 2008; CASAGRANDE, et al. 2015).

 Assim, entendemos que nos processos do microambiente, estudar a comunicação

interna em ambiente prisional pode ser entendida como uma forma de se compreender os relacionamentos interpessoais. Que tendem a afetar a gestão prisional, a qual envolve o ofício de governar essa ordem social.

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ANÁLISE DOS RESULTADOS

ALGUMAS POSSIBILIDADES DE SOLUÇÕES, APLICAÇÕES E REAPLICAÇÕES

De acordo com Crewe (2011) em partes do Reino Unido, treinamentos estão sendo executados para os agentes penitenciários. O objetivo é o de que deixem de enxergar o presidiário como inimigo. Isso influencia no relacionamento interpessoal dentre as partes e, em consequência, na ressocialização dos encarcerados. Assim, sugere-se a elaboração de políticas públicas visando normatizar e fiscalizar os procedimentos de comunicação interna no ambiente.

Observou-se neste estudo, que os presidiários vêm exercendo a comunicação interna como uma força que vem sendo utilizada em escala progressiva no

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microambiente. Isso influencia também o relacionamento interpessoal. Para isso, obedecem às normas pré-determinadas. No entanto, não há normas que regulem a utilização da comunicação interna pelos profissionais do sistema prisional como uma força, para tal, devendo ser utilizada também de forma escalonada.

Sobre os aspectos que visam o maior controle do microambiente, sugere-se, desde um maior investimento nos setores de inteligência no objetivo de perceber o

lócus e, assim, fomentar informação à gestão a qual poderia se constituir em

possibilidades de ações e reações no âmbito no sistema prisional e de segurança pública; ao estabelecimento de Núcleos de Inteligência nas unidades prisionais do Brasil, visando atuação em rede.

Ainda sobre o lócus sugere-se uma maior atenção aos gestores prisionais, destacados como figura importante no microambiente por deterem maior poder sobre os arranjos informais. Dessa forma, é possível que o gestor exercite tal competência (política, técnica e ética), estipulando normas internas nesses arranjos informais.

Diante desse contexto, Moutinho e Puckar (2017) afirmam que a intensificação de ações humanizadoras transdisciplinares, por exemplo, promoção do diálogo, é importante meio na minimização do impacto do cárcere no presidiário. Onde a evocação de valores humanitários visa promover a reflexão acerca do processo de reintegração social do encarcerado, sob o olhar da humanização.

Por isso, sugerimos treinamentos para novos profissionais e para os que já atuam no sistema prisional; bem como, estabelecimento de Núcleos de Inteligência nos lócus do Brasil visando a atuação em rede. A explicação para as execuções da Crise Carcerária de 2017 na qual presidiários mataram presidiários considerou-se o pertencimento (ou não) à determinada facção. Como este trabalho nos mostrou, as ordens para tais execuções (ou “decretos”) se disseminam por meio da comunicação interna informal. Portanto, consideramos que a comunicação interna informal tem poder sobre a vida dos encarcerados. Com isso, o Estado falha na garantia básica do direito à vida. A pergunta que fica, é: adianta cogitarmos a ressocialização da massa carcerária se temos falhado em manter vivo o sujeito encarcerado?

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CONSIDER AÇÕES FIN AIS

Sobre o objetivo específicos de 1 - Mapear estudos já realizados relacionadas a essa problemática, percebi que as publicações sobre o sistema prisional são poucas, embora o tema seja considerado de extrema relevância social. Pois se trata da segurança nacional da sociedade. Enquanto os pesquisadores têm se debruçado para explicar o trabalho prisional, há incipiência de pesquisas sobre o fato de que não há vagas para todos os presidiários trabalharem. Assim, quanto maior tempo de ociosidade dos encarcerados, maior a possibilidade do uso da criatividade para elaboração e exercícios de ações subversivas à ordem.

Como as ações subversivas à ordem vêm se tornando comuns, o objetivo 2 - Desvendar os mecanismos/ estratégias utilizadas pelos presidiários para o alcance de suas metas, percebemos que são inúmeros. Desde o estabelecimento de linguajar diferenciado/ criação de códigos de comunicação específicos, compreendidos como forma de resistência dos grupos organizados de criminosos ao tentarem driblar a segurança ou até, estabelecer vínculos de aproximação dentre o grupo, que assim, fortalecem sua identidade. Por meio desses códigos, provém a organização e exercício dos processos de comunicação interna. A partir dos quais, os presidiários disseminam as ordens por meio das quais as ações subversivas à ordem formal são combinadas, as quais tem alcance também no macroambiente.

Com posse de conteúdos de estatutos de facções criminosas, se utilizando de vias de normas pré-estabelecidas (“batidas”), por meio de comunicação informal (“salves”) difundidos de forma verbal e/ou manuscritos (“pipos”) as mensagens (“idéias/visões”) são repassadas na unidade prisional. As técnicas de repasse de mensagens manuscritas ocorrem de duas formas: por meio de um fio com os bilhetes amarrados (“rata”) lançados de uma cela à outra se utilizando das frestas das portas no chão dos corredores (via “ratinho”) ou, pelo lançamento aéreo desse fio com bilhetes (via “voo da rata”), ou de um saco com os bilhetes soltos (voo do “congá”). Para a comunicação oral, aguarda-se nas janelas e nas portas das celas (aguardar a “linha”) para que um presidiário chame outro (ou outra cela, ou todas as celas que tenham janelas de frente umas para as outras). Quando a comunicação dentre as partes termina (“Já era”), outro (s) pode (m) se comunicar.

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Sobre os deslocamentos observados no nível micro de acordo com nosso estudo, observamos as normas informais de convívio dentre os encarcerados, as quais nos levaram a 3 – Desvelar os processos de inter-relações entre a sociedade dos cativos/facções desse segmento. Para isso, é importante destacar que na unidade prisional pesquisada durante os seis meses deste estudo, restou-nos que os grupos organizados de criminosos exercem poder sobre a massa carcerária por meio da imposição de conduta sobre as práticas cotidianas, de acordo com as normas dos estatutos das facções. Para isso, se utilizam da comunicação interna organizada que ocorre de forma dinâmica, a qual influencia o relacionamento interpessoal e as relações de poder. Nessas relações, sobre as condutas ocorrem os ônus que podem compreender novos crimes.

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Referências

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