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Silva, Roberto Aguilar Machado Santos; Britto, Luiz Edevaldo Macena de; Lacerda, Carlos Arruda de Lacerda; Senna, Daniel; Sobrinho, Danilo Vargas; Nasr, Edmound Domingos Mali; Duque, Eduardo Zinezi; Pereira, José Marcos de Alvarenga; Batista, Marcio dos Santos; Batista, Wilson dos Santos.
Caracterização e Potencialidades do Agronegócio da Bovinocultura de Corte no Pantanal Mato-grossense. ADESG, 5º Ciclo de Estudos de Políticas e Estratégicas. – Corumbá/MS, 2002. 69 p. il
Monografia
Características fisiográfica – Solo, Clima, Vegetação, Pastagens nativas. 2. Aspectos Históricos do Pantanal – Colonização no Pantanal. 3. Atividades Econômicas – As charqueadas, pecuária. 4. Tecnologias para o Pantanal – Uso do fogo, Desmama antecipada, Estação de monta, Descarte técnico.
N o m e I n s t i t u i ç ã o
ROBERTO AGUILAR MACHADO SANTOS SILVA (relator)
Embrapa Pantanal
LUIZ EDEVALDO MACENA DE BRITTO (coordenador)
Embrapa Pantanal
ARMANDO CARLOS ARRUDA DE LACERDA Prefeitura M. de Corumbá
DANIEL SENNA Banco do Brasil S/A
Corumbá
DANILO VARGAS SOBRINHO Prefeitura M. de Corumbá
EDMOUND DOMINGOS MALI NASR Caixa Econômica Federal Corumbá
EDUARDO ZINEZI DUQUE Prefeitura M. de Corumbá
JOSÉ MARCOS DE ALVARENGA PEREIRA Urucum Mineração S/A
MARCIO DOS SANTOS BATISTA Empresário
A G R A D E C I M E N T O
Nossos agradecimentos às instituições Embrapa Pantanal, Prefeitura Municipal de Corumbá, Banco do Brasil S/A, Caixa Econômica Federal e Urucum Mineração S/A, pela oportunidade e apoio na realização deste 5º CEPE.
À coordenação da ADESG Corumbá por proporcionar a realização desse 5º Ciclos de Estudos.
Aos nossos familiares pela compreensão e carinho em todos os momentos, agradecemos a Deus por tê-los ao nosso lado.
1.2. Clima... 3
1.3. Solos ... 3
1.4. Vegetação ... 3
1.5. Àrea de Pastagem naturais ... 11
1.6. Pastagens nativas ... 12
1.7. Àrea de Pastagens cultivadas ... 13
1.8. Sub-regiões ... 13
2. ASPECTOS HISTÓRICOS DO PANTANAL ... 18
2.1. Povos indígenas ... 18
2.2. Colonização no Pantanal ... 21
3. ATIVIDADE ECONÔMICA ... 25
3.1. As Charqueadas ... 25
3.1.1. Fazenda Descalvado ... 26
3.2. Número de àrea do estabelecimento ... 29
3.3. Número de pessoal ocupado ... 30
3.4. Pecuária ... 30
3.4.1. Distribuição espacial de bovinos de corte em 1.971 ... 35
3.4.2. Mercado brasileiro de carne bovina e as tendências mundiais . 41 3.4.3. Perspectivas internacionais do mercado da carne bovina ... 44
4. TECNOLOGIAS PARA O PANTANAL ... 47
4.1. Uso do fogo ... 47
4.2. Desmama antecipada ... 49
4.3. Controle de helmintos gastro-intestinais ... 49
4.4. Estação de monta ... 51 4.5. Descarte técnico ... 52 5. MATERIAIS E MÉTODOS ... 52 6. RESULTADOS E DISCUSSÕES ... 53 7. CONCLUSÕES ... 61 8. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ... 62
Pág.
Figura 2-5, Mapas de distribuição geográfica das seguintes fitofisionomias no Pantanal Matogrossense em 1991. 2. Cerradão ou savana florestada; 3. Cerrado ou savana arborizada; 4. Mata semidecídua ou floresta estacional semidecidual de terras baixas; 5. Mata de galeria ou floresta estacional semidecidual aluvial. Pontos de ocorrência: o planície (ausente); n de 1 a 3 pontos (baixa); n de 4 a 7 pontos (média); n de 8 a 10 pontos (alta)... 8
Figura 6-9, Mapas de distribuição geográfica das seguintes fitofisionomias no Pantanal Matogrossense em 1991. 6. Campo inundado; 7. Campo seco; 8. Canjiqueiral ou savana parque de Byrsonima orbignyana; 9. Cambarazal ou sistema edáfico de primeira ocupação com Vochysia
divergens. Pontos de ocorrência: o planície (ausente); n de 1 a 3 pontos (baixa); n de 4 a 7 pontos (média); n de 8 a 10 pontos (alta)...
9
Figura 10-13, Mapas de distribuição geográfica das seguintes fitofisionomias no Pantanal Matogrossense em 1991. 10. Brejo; 11. Pirizal/caetezal ou sistema edáfico de primeira ocupação com Cyperus
giganteus/Thalia geniculata; 12. Baceiro ou batume; 13.
Babaçual ou Savana florestada com Orbignya oleifera. Pontos de ocorrência: o planície (ausente); n de 1 a 3 pontos (baixa); n de 4 a 7 pontos (média); n de 8 a 10 pontos
(alta)...
10
Figura 14-17, Mapas de distribuição geográfica das seguintes fitofisionomias no Pantanal Matogrossense em 1991. 14. Buritizal ou sistema edáfico de primeira ocupação com Mauritia vinifera; 15. Chaco ou savana estépica florestada; 16. Carandazal ou savana estépica parque de Copernicia alba; 17. Paratudal ou savana parque de Tabebuia aurea. Pontos de ocorrência: o planície (ausente); n de 1 a 3 pontos (baixa); n de 4 a
7 pontos (média); n de 8 a 10 pontos
(alta)...
11
guaicurus,1822, Aquarela, 16,8 x 25,8cm ... 20
Figura 22, Mapa da divisão do Brasil (1988)...
23
Figura 23, Fazenda Descalvados ... 27
Figura 24, Níveis máximos, médios e mínimos do rio
Paraguai, em Ladário-MS, de 1900-01 a 2000-01 (Galdino et al., 2002) ... 39
Figura 25, Mapa do Brasil com a localização da zona tampão para a febre aftosa em amarelo, de acordo com a FAO... 60
Pág.
Mapa 1, Mapa com as regiões de criação de bovinos no estado de Mato Grosso, conforme Silvestre Filho e Romeu (1974)...
34
Mapa 2, Mapa da densidade bovina no Estado de Mato Grosso, conforme Silvestre Filho e Romeu (1974)...
37
Tabela 1, Tipos de vegetação em porcentagem de área, discriminados por sub-região, com a contribuição total de cada fitofisionomia no Pantanal Mato-Grossense, em set/out de 1991. 1 = cerradão, 2 = cerrado, 3 = mata semi-decídua, 4 = mata de galeria, 5 = campo inundado, 6 = campo seco, 7 = canjiqueiral, 8 = cambarazal, 9 = brejo, 10 = pirizal/caetezal, 11 = baceiro ou batume, 12 = babaçual, 13 = buritizal, 14 = chaco, 15 = carandazal, 16 = paratudal, 17 = outros (Silva et al., 2000)...
7
Tabela 2, Participação dos municípios na área (km2) fisiogáfica do Pantanal (Silva et al., 1998)...
17
Tabela 3, Sub-regiões da área fisiográfica do Pantanal... 18
Tabela 4, Rebanho bovino da região Centro-Oeste – 1970 ... 32
Tabela 5, Distribuição espacial do rebanho bovino
Matogrossensse por região de criação – 1971... 33
Tabela 6, Rebanho bovino da “àrea programa do Pantanal” – 1971... 36
Tabela 7, Aspectos raciais do gado da àrea programa do Pantanal – 1971...
38
Tabela 8, Balanço de Oferta e Demanda de Carne Bovina para Países Selecionados, 1997-2002 (em mil toneladas
de equivalente carcaça)... 42
Tabela 11, Principais diferenças entre o bovino verde e bovino orgânico... 55
ASSOCIAÇÃO DOS DIPLOMADOS DA ESCOLA
SUPERIOR DE GUERRA
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Introduzida no final do século XIX, a criação de gado bovino é a principal atividade econômica do Pantanal e conta com um rebanho de 3 milhões de cabeças.
Com a globalização da economia a pecuária pantaneira viu-se obrigada tornar-se uma atividade empresarial rapidamente e com as margens de lucro cada vez mais estreitas é provável que somente sobreviverão aquelas propriedade que souberem usar eficientemente os recursos naturais e forem capazes de ofertar produtos de qualidade. Esta monografia se propõe a fazer uma breve descrição de aspectos fisiográficos da região pantaneira e baseado em dados econômicos da exploração pecuária tentar vislumbrar oportunidades para o futuro da principal atividade econômica da região.
1.1. Características fisiográficas
As informações apresentadas a seguir sobre as caraterísticas fisiográficas do Pantanal foram obtidas a partir do trabalho publicado por Silva et al. (2000) sobre Distribuição e quantificação de classes de vegetação do Pantanal através de levantamento aéreo.
O Pantanal é uma planície sedimentar, formada no período quaternário, preenchida com depósitos aluviais dos rios da Bacia do Alto Paraguai. A baixa declividade dificulta o escoamento das águas e, em combinação com mesorelevo, origina o aparecimento de ambientes característicos, associados à vegetação em mosaico, como as “cordilheiras” (antigos diques fluviais), com vegetação arbórea mais densa. A vegetação incorpora também elementos das províncias fitogeográficas adjacentes. Tem como limite leste o cerrado do Brasil Central, na porção nordeste as florestas semidecíduas relacionadas com a floresta Amazônica e no sudoeste a floresta chaquenha seca originária da Bolívia e Paraguai. A vegetação seca é interpenetrada por vários tipos de vegetação higrófila nas áreas inundadas. Há diversas comunidades vegetais com domínio nítido de uma espécie, a qual dá o nome regional.
1.2. Clima
O clima é do tipo quente, com o semestre de inverno seco, apresentando um regime de precipitação marcadamente estival, que define o caráter estacional, segundo Köppen (Cadavid-Garcia 1984). A pluviosidade oscila entre 800 e 1400 mm/ano, sendo que 80% ocorrem entre os meses de novembro e março.
1.3. Solos
Os solos são de origem sedimentar, ocorrendo em fases argilosa e arenosa de forma alternada e descontínua, com a dominância de solos hidromórficos compondo 92,5% do total (Amaral Filho 1984).
Pantanal. Cerradão e cerrado sensu stricto perfazem 22% e 14%, respectivamente. Sua distribuição ocorre mais intensamente no leste e centro da planície, sobre solos arenosos (figura 2), nas sub-regiões de Cáceres, Barão de Melgaço, Nhecolândia, Aquidauana e Miranda (tabela 1). Na fisionomia pantaneira, o cerradão ocupa áreas mais elevadas e o cerrado sensu stricto, áreas mais baixas, tendendo para campo à medida que aumenta o grau de inundação. Estas áreas são continuidade da grande região fitoecológica do cerrado brasileiro, consideradas junto com a ilha do Bananal, as únicas áreas extensas de cerrado sobre sedimentos quaternários. No entanto, Eiten (1982) e Allem & Valls (1987) classificam essas áreas como savana hipersazonal. No Pantanal, Ratter et al. (1988) diferenciaram cerradão de cerrado sensu stricto pela altura das árvores e presença de determinadas espécies como timbó (Magonia
pubescens A. St.- Hil.) e carvoeiro (Callisthene fasciculata (Spr.)
Mart.), que são características de solos mais férteis.
A floresta semidecídua também está associada a solos mais férteis com melhor drenagem e maior aeração (Allem & Valls 1987). Ocorre em maior porcentagem nas áreas com solos argilosos das sub-regiões de Poconé e Miranda, onde representa respectivamente 12% e 14,4% (figura 4). Segundo Adámoli (1986), partes destas duas sub-regiões apresentam características edáficas muito semelhantes. No Pantanal, as áreas de floresta semidecídua (figura 4) totalizaram 4% da vegetação.
A distribuição de floresta semidecídua e cerradão está relacionada com os níveis de nutrientes. Segundo Ratter et al. (1977), as florestas semidecíduas situam-se sobre solos com níveis de cálcio mais elevados nos horizontes superficiais do que em cerradão “facies” mesotrófico. Apesar disso, esta relação não se apresenta estática, existindo indicação de invasão de florestas em
vegetação de cerrado, mesmo em áreas onde a água é o fator limitante que prepondera (Ratter 1992).
A mata de galeria (figura 5) está presente principalmente ao longo do rio Paraguai, nas sub-regiões do Paraguai (6,7%) e Poconé (4,3%), e do rio São Lourenço, na sub-região de Barão do Melgaço (5,2%), totalizando 2,4% da vegetação do Pantanal. As matas de galeria do Pantanal são menos atingidas pelo transbordamento dos rios, pois situam-se em área ligeiramente mais elevada que a da planície (Pott 1982).
Os campos naturais representaram 31% da vegetação no Pantanal, sendo uma das principais fitofisionomias nas sub-regiões do Paiaguás, Nhecolândia, Abobral e Nabileque (tabela 2). O campo inundado restringiu-se à porção oeste do Pantanal, próximo ao rio Paraguai. As proporções entre campo seco e campo inundado alternam-se em função da precipitação local e/ou do aporte de água por rios intermitentes ou não e época do ano (figuras 6 e 7). Sarmiento (1990) considerou tais áreas como “savanas hipersazonais”, onde a biomassa subterrânea das gramíneas está sujeita a um período prolongado de saturação hídrica do solo, e que resistem ao estresse provocado pelo período seco.
No Pantanal, a distribuição das áreas de campo está mais associada ao fator drenagem do que à fertilidade do solo. Porém, a fertilidade tem influência preponderante sobre as espécies que integrarão um determinado tipo de campo inundável. Um exemplo desta afirmação são as gramíneas mimoso (Axonopus purpusii (Mez) Chase), que está relacionada a solos pobres, e mimoso-de-talo (Hemarthria
altissima (Poir) Stapf & Hub.) e Paspalum almum Chase, a solos
consideravelmente férteis (Allem & Valls 1987). A transição entre campo e cerrado é bastante dinâmica, sendo determinada pela umidade do solo. No ciclo plurianual seco de 1960 a 1974, espécies arbóreas, como Vitex cymosa Bert., avançaram sobre o campo. No ciclo atual, considerado hiperhídrico, que abrange de 1974 até hoje, houve um retrocesso da vegetação arbórea, com a morte de
1988). O canjiqueiral (Byrsonima orbignyana A. Jus.) avança sobre campos arenosos em anos secos, sendo que esse fenômeno também pode estar associado ao excesso de pastejo pelo gado. Esta formação representou 1,2% da vegetação do Pantanal, apresentando maior proporção nas sub-regiões de Cáceres (2,8%), Aquidauana (2,3%) e Abobral (2,1%) (figura 8). O canjiqueiral teve sua área muito reduzida por cortes sistemáticos, de limpeza de campo, por ser considerada invasora de pastagens.
O cambarazal, dominado por Vochysia divergens Pohl, que é uma espécie amazônica, é considerado uma formação invasora nas áreas de solos argilosos, tolerando bem as inundações. Ocupam áreas alagáveis, não suportando, porém, períodos longos de saturação hídrica do solo (Pott 1988). Veloso (1972) observou no período de seca, antes de 1974, grandes comunidades de cambará nas margens do rio Paraguai, na confluência das vazantes dos rios São Lourenço e Cuiabá, comprovando o ressecamento do Pantanal naquele período. Atualmente observa-se que as maiores comunidades de cambará estão nos pantanais de Barão de Melgaço (9,3%), Poconé (6,4%) e Paraguai (5,7%), perfazendo 3,1% da vegetação do Pantanal. A sua distribuição acompanha o rio Paraguai, desde o norte, até a confluência com o rio Miranda (figura 9). Allem & Valls (1987) também observaram esse tipo de distribuição, exceto para a sub-região do Paraguai, e atribuíram a invasão de cambará em áreas de pastagem naturais ao excesso de pastejo por gado bovino. Pott (1989) considerou as comunidades de cambará como sucessoras que permanecem em estádios iniciais, em função de inundação periódica e do lençol freático superficial.
Em áreas que permanecem com água na maior parte do ano, ocorre a formação de brejos. Estes representaram 7,4% da vegetação do Pantanal, distribuídos ao longo dos rios na porção oeste, nas sub-regiões do Paraguai (35,5%), Abobral (16,5%) e Poconé (14,8%)
(figura 10). Seguindo a classificação de Sarmiento (1990), estes seriam “savanas semiestacionais”, correspondendo aos “esteros” nos Lhanos da Venezuela e Colômbia. A formação pirizal/caetezal (Cyperus giganteus Vahl/Thalia geniculata L.) foi separada de brejos por ser facilmente detectável do avião e por apresentar menor tempo de inundação. A fitofisionomia pirizal/caetezal representou 1,2% da vegetação do Pantanal, ocorrendo principalmente nas sub-regiões do Nabileque (3,8%), Abobral (2,7%) e Poconé (2,2%) (figura 11).
Nas áreas com inundação plurienal ou permanente, ocorre a formação de ilhas flutuantes com dominância de algumas espécies, como Scirpus cubensis Poep. & Kunth, denominadas baceiro ou batume (figura 12). Estas estão distribuídas ao longo do rio Paraguai e, em menor proporção, nos rios Cuiabá, Negro, Miranda e Nabileque. Baceiros representaram 2,4% da vegetação pantaneira, com maior proporção nas sub-regiões de Cáceres (10,3%) e Abobral (7,8%).
No Pantanal, ocorrem áreas com grande concentração de diversas espécies de palmeiras. Beard (1953) não considerou os palmares como savanas e Eiten (1972) preferiu denominá-los de “palm woodland”, separando-os das demais fitofisionomias. Neste trabalho, registraram-se nas contagens apenas as formações homogêneas de palmares como carandazal, babaçual e buritizal. O babaçual (domínio de Orbignya oleifera Bur.) ocorre desde o extremo norte da sub-região de Cáceres até a Nhecolândia, representando 0,3% da vegetação do Pantanal (figura 13). Igualmente os buritizais aparecem em pequena proporção (0,2%), distribuídos na borda do Pantanal, notadamente na sub-região de Barão de Melgaço (1,2%) (figura 14). É uma espécie freqüente nas baixadas úmidas (veredas) do cerrado do Brasil Central (Lorenzi 1992).
Tabela 1. Tipos de vegetação em porcentagem de área, discriminados
por sub-região, com a contribuição total de cada fitofisionomia no Pantanal Mato-Grossense, em set/out de 1991. 1 = cerradão, 2 = cerrado, 3 = mata semi-decídua, 4 = mata de galeria, 5 = campo inundado, 6 = campo seco, 7 = canjiqueiral, 8 = cambarazal, 9 = brejo, 10 = pirizal/caetezal, 11 = baceiro ou batume, 12 = babaçual, 13 = buritizal, 14 = chaco, 15 = carandazal, 16 = paratudal, 17 = outros (Silva et al., 2000).
Fig. 2-5. Mapas de distribuição geográfica das seguintes
fitofisionomias no Pantanal Matogrossense em 1991. 2. Cerradão ou savana florestada; 3. Cerrado ou savana arborizada; 4. Mata semidecídua ou floresta estacional semidecidual de terras baixas; 5. Mata de galeria ou floresta estacional semidecidual aluvial. Pontos de ocorrência: o planície (ausente); n de 1 a 3 pontos (baixa); n de 4 a 7 pontos (média); n de 8 a 10 pontos (alta) (Silva et al., 2000).
Fig. 6-9. Mapas de distribuição geográfica das seguintes
fitofisionomias no Pantanal Matogrossense em 1991. 6. Campo inundado; 7. Campo seco; 8. Canjiqueiral ou savana parque de
Byrsonima orbignyana; 9. Cambarazal ou sistema edáfico de primeira
ocupação com Vochysia divergens. Pontos de ocorrência: o planície (ausente); n de 1 a 3 pontos (baixa); n de 4 a 7 pontos (média); n de 8 a 10 pontos (alta) (Silva et al., 2000).
Fig. 10-13. Mapas de distribuição geográfica das seguintes
fitofisionomias no Pantanal Matogrossense em 1991. 10. Brejo; 11. Pirizal/caetezal ou sistema edáfico de primeira ocupação com
Cyperus giganteus/Thalia geniculata; 12. Baceiro ou batume; 13.
Babaçual ou savana florestada com Orbignya oleifera. Pontos de ocorrência: o planície (ausente); n de 1 a 3 pontos (baixa); n de 4 a 7 pontos (média); n de 8 a 10 pontos (alta) (Silva et al., 2000).
Fig. 14-17. Mapas de distribuição geográfica das seguintes
fitofisionomias no Pantanal Matogrossense em 1991. 14. Buritizal ou sistema edáfico de primeira ocupação com Mauritia vinifera; 15. Chaco ou savana estépica florestada; 16. Carandazal ou savana estépica parque de Copernicia alba; 17. Paratudal ou savana parque de Tabebuia aurea. Pontos de ocorrência: o planície (ausente); n de 1 a 3 pontos (baixa); n de 4 a 7 pontos (média); n de 8 a 10 pontos (alta) (Silva et al., 2000).
1.5. Área de Pastagens naturais
Mais de um quarto da superfície da terra e coberta por pastagens. As pastagens são encontradas em todos os continentes
exceto a Antarctica, e elas cobrem a maior parte da África e Ásia. http://www.windows.ucar.edu/tour/link=/earth/grassland_eco.html.
Fig. 18 Áreas de pastagens no mundo.
http://www.windows.ucar.edu/tour/link=/earth/grassland_eco.html
1.6. Pastagens naturais
A área total de pastagens naturais planalto e Pantanal dos municípios diminuiu continuamente ao longo do período, em cerca de 15,7%, com pequena redução na primeira metade da década 2,4, e a redução mais significativa na segunda metade 13,6%. Aproximadamente 70% do decréscimo de pastagens nativas entre 1975 e 1985 ocorreu nas áreas do Pantanal. No planalto as terras de pastagem natural diminuíram em 9,3% entre 1975 e 1980, e em mais 13,8% entre 1980 e 1985, com uma perda liquida de quase 22% no período. No Pantanal, praticamente não houve variação entre 1975 e 1980 *redução inferior a 0,2%, mas entre 1980 e 1985, a redução foi de 13,6 %. Na planície pantaneira pode se atribuir essa redução ao forte alagamento da região após 1974.
2/3 (101.520,9/156.933,90) para cerca de metade da área total dos municípios entre 1975 e 1985. A proporção de terras utilizadas com pastagem nativa em relação a área total dos municípios diminuiu de 68,4% para 56,2% no Pantanal.
1.7. Área de Pastagens cultivadas
No Pantanal as áreas de pastagens cultivadas constituíram 5,6% (6295,2/112.697,3) da área total dessa região em 1975 e quase 8% em 1985. A área de terras em pastagens cultivadas nos municípios dobrou ao longo do período, aumentando 30,9% na primeira metade da década e mais 52,8% entre 1980 e 1985. No pantanal também praticamente dobrou na década (aumentou de 49,4%), sendo 6,7% de 1975 a 1980 e 40,1% na ultima metade do período. Todos os municípios incorporaram áreas de pasto plantado ao seu sistema de produção, exceto barão de Melgaço. Os municípios que mais incorporaram áreas as pastagens cultivadas foram, em ordem decrescente, Porto Murtinho, Coxim, Rio verde de Mato Grosso, Aquidauana e Itiquira, todos com mais de 100.000 hectares de incremento no período.
De acordo com Silva et al. (1998) a bacia do Alto Paraguai foi delimitada e quantificada em 361.666 km2 e o Pantanal em 138.183 km2 dos quais 48.865 km2 (35,36%) estão no MT e 89.318 km2 (64,64%) no MS, ocupando, portanto 38,21% da área da bacia. Isto torna o Pantanal a maior área inundável do Terra.
1.8. Sub-regiões
O Pantanal está dividido em 11 sub-regiões. Os mesmos autores identificaram a participação de 16 municípios na área definida pela planície pantaneira (Silva et al., 1998).
A seguir, descreve-se a localização das sub-regiões em relação aos municípios que a compõem:
1. sub-região de Cáceres: agrega área dos municípios de Cáceres e Lambari D’Oeste;
2. sub-região de Poconé: agrega área dos municípios de Cáceres, Poconé, Nossa Senhora do Livramento, Barão de Melgaço e Santo Antônio do Leverger;
3. sub-região de Barão de Melgaço: agrega área dos municípios de Itiquira, Barão de Melgaço e Santo Antônio do Leverger;
4. sub-região do Paraguai: localiza-se no oeste do Pantanal e agrega área dos municípios de Poconé, Corumbá e Ladário;
5. sub-região do Paiguás: agrega áreas dos municípios de Sonora, Coxim e Corumbá;
6. sub-região da Nhecolândia: agrega área dos municípios de Rio Verde de Mato Grosso, Aquidauana e Corumbá;
7. sub-região do abobral: agrega área dos municípios de Aquidauana e corumbá;
8. sub-região de Aquidauana: localiza-se somente no município de Aquidauana;
9. sub-região de Miranda: agrega área dos municípios de Aquidauana, Bodoquena e Miranda;
10. sub-região do Nabileque: agrega área dos municípios de Corumbá, Porto Murtinho e Miranda;
11. sub-região de Porto Murtinho: localiza-se somente no município de Porto Murtinho.
Fig. 20 Distribuição dos municípios do Pantanal.
Tabela 2. Participação dos municípios na área (km2) fisiogáfica do
Barão de Melgaço e Corumbá são os municípios que possuem a maior área de seu território no Pantanal, com 99,2% e 95,6% de sua área, respectivamente, seguido de Poconé com 80,3%. Por outro lado, Bodoquena, Lambari D’Oeste, Sonora e Ladário são os municípios que possuem a menor área de seu território no Pantanal, com 1,8%, 15,9%, 16,7% e 17,5%, respectivamente. Com relação à participação na formação da área do Pantanal, Corumbá, Poconé, Cáceres e Aquidauana participam com 44,74%, 10,21%, 10,11% e 9,36%, respectivamente. Isto significa que apenas estes quatro municípios contribuem com 74,42% na formação da área do Pantanal ou seja 102.823 km2 de área, Já os municípios de Bodoquena, Ladário, Lambári D’Oeste e Sonora tem respectivamente, as menores contribuições de área na formação do Pantanal, totalizando 0,8% ou 1.103 km2.
Tabela 3. Sub-regiões da área fisiográfica do Pantanal.
2. ASPECTOS HISTÓRICOS DO PANTANAL
2.1. Povos indígenas
Estudos sobre a ocupação humana da área correspondente aos pantanais indicam que, no mínimo há 8000 A. P. (antes do presente), a região já era habitada por indígenas. No século XVI, o Pantanal era densamente povoado por várias tribos indígenas (Mazza et al., ). Muitas tribos indígenas habitavam a região antes da chegada do homen branco. Foram um dos maiores obstáculos na exploração do Pantanal. No alto médio São Lourenço viviam os Bororos Orientais. Os Bororo atuais são os Bororos Orientais, também chamados Coroados ou Porrudos e autodenominados Boe. Os Bororo Ocidentais, que foram extintos no final do século XIX, viviam na margem leste do rio Paraguai, onde no início do século XVII os jesuítas espanhóis fundaram várias aldeias de missões. Amigáveis serviam de guias aos
Bororo Orientais habitavam um território que ia da Bolívia a oeste, ao rio Araguaia a leste, do rio das Mortes ao norte ao rio Taquari ao sul. Eram nômades e indomáveis, o que dificultava a colonização. Várias expedições para exterminá-los foram organizadas. Estimado na época em 10000 índios os Bororo sofreram guerras e epidemias até sua pacificação no fim do século XIX, quando contavam com 5000 índios. Nas colônias em contato com os soldados, a promiscuidade, o consumo de álcool e as doenças sua população foi ainda mais reduzida. Entregues aos salesianos para serem catequizados em 1910, os Bororo somavam 2000 índios. Em 1990 com uma população de aproximadamente 930 pessoas viviam em pequenas áreas indígenas nos municípios de Barra do Garça, Barão de Melgaço, General Carneiro, Poxoréu e Rondonópolis no Estado de Mato Grosso. Este povo que caçava e colhia hoje vive da agricultura e da venda de artesanato. Os Umotinas, um subgrupo Bororo, eram conhecidos como "barbados" pois usavam barbas, às vezes postiças feita de pêlos de macaco ou de cabelos de mulheres da tribo. Vivem na Área Indígena Umutina no município de Barra dos Bugres no Mato Grosso junto com os Paresi, Kayabi e Nambikwára. Na região das grandes lagoas Uberaba e Mandioré, dominavam os Guatós, sempre embarcados em canoas, eram exímios pescadores e zagaieiros. Os Guatós foram considerados extintos até que em 1977 foi reconhecido um grupo na ilha Bela Vista do Norte. Eles vivem no pantanal dispersos ao longo dos rios Paraguai, São Lourenço e Capivara no município de Corumbá. Segundo a FUNAI em 1989 eram 382 índios. Na Planície dos Descalvados viviam os Bororos Ocidentais ou Cabaçais, nomades e muito desconfiados. Na Margem direita do Rio Paraguai, na altura de Corumbá, cohabitavam os Quiniquinauas, os Guanás e os Xamacocos. Mais ao sul, à margem esquerda do rio Paraguai viviam os Guaicurus e os Kadiwéus, os primeiros eram indios cavaleiros e os outros se dedicavam a agricultura e cerâmica. E, provenientes do território Paraguaio,
canoeiros nômades, os Paiaguás. Atacavam embarcações Portuguesas ao longo do rio Paraguai. Os Guaicurus, os Paiaguás, e os Kadiwéus pertenciam a família dos Mbaiás, cujos remanescentes são representados pelos Kadiwéus.
Fig. 21 Jean Baptiste Debret, Cavaleiro da tribo dos guaicurus,1822, Aquarela,
16,8 x 25,8cm.
Muito antes do descobrimento do Brasil, os índios Guaicurus dominavam toda a região do Pantanal. Souberam utilizar o cavalo introduzido pelos espanhóis, tornando-se exímios cavaleiros. Os Paiaguás, hoje extinto, viviam no Pantanal quando os portugueses chegaram na região. Junto com os Guaicurus travaram batalhas, matando muitos portugueses. Foram perseguidos e aos poucos exterminados, não existindo atualmente nenhum registro de descendentes. Os Guaicurus eram aliados aos Paiaguás contra os portugueses, eles ofereceram grande resistência à povoação do Pantanal mato-grossense.
Um tratado de paz em 1791 os declara súditos da coroa portuguesa. A partir do século XVIII, chamou-se Guaicuru todos os indígenas do Chaco que compartilhavam sua língua.
agricultura e fiavam algodão para a confecção de redes e tecidos. No início do século XX foram encontrados, ainda traumatizados pela violência de contatos anteriores, pelo Marechal Rondon que os levou para terras protegidas pôr suas tropas. Se tornando seus principais guias na região. Em 1990 segundo a FUNAI eram 900 índios. Os Xavantes, a mais importante tribo da região, dizimados e expulsos de suas terras localizadas entre os rios Araguaia e Tocantins, se encontram atualmente confinados em reservas indígenas distribuídas pelo território mato-grossense. Deve-se também levar em consideração que, de acordo com recentes pesquisas em dezenas de sítios arqueológicos da região mato-grossense, onde foram encontrados inclusive ossos de animais pré-históricos como preguiças gigantes e tigres de dente-de-sabre, há evidências da presença do homem pré-histórico, grupos de caçadores/coletores e ceramistas, anteriores ao desenvolvimento das culturas indígenas conhecidas.
2.2. Colonização do Pantanal
Durante séculos de penetração dos colonizadores, a resistência à ocupação se constituiu na tônica das relações entre índios e brancos. O Pantanal parece ter sido palco da maior e mais obstinada cena de oposição sistemática à presença colonizadora. Como resultado desse violento conflito ocorreu o quase extermínio da
população indígena. (http://www.electronicartworker.com/pantanal/history_p.htm;
http://www.corumba.com.br/pantanal/indigena.html).
Para o povoamento da costa brasileira concorreram a atividade
agrícola, principalmente a lavoura da cana-de-açúcar, a instalação
de engenhos para a fabricação do açúcar, a exploração do pau-brasil e a defesa da colônia contra os estrangeiros. Quanto à penetração para o interior a causa principal foi a de riquezas minerais (ouro
e pedras preciosas) ou a caça ao índio para escravizá-los e vendê-los no litoral. A área brasileira pertenceu à Espanha pelo Tratado das Tordesilhas, assinado em 1494, onde se localiza o Pantanal, foi ignorada pela certeza de que eram inesgotáveis as minas de ouro e prata do México, Peru e Bolívia. Diante dessa atitude dos espanhóis, os portugueses, já a partir de 1525, começaram a explorar a região. As expedições feitas com esse propósito tiveram o nome de entradas e bandeiras; também houve expedições organizadas pelos jesuítas e outros padres missionários para a catequese dos selvagens e fundação de aldeias e missões.
Não há muita diferença entre entrada e bandeira. Contudo, as entradas eram muitas vezes organizadas pelo governo e nem sempre iam além do meridiano de Tordesilhas. as bandeiras, geralmente de
particulares, não respeitaram esse meridiano e atingiram terras que
pertenciam à Espanha. Além disso, as bandeiras partiam quase todas de São Paulo, aproveitando os rios, como o Tietê, que correm para o interior. A bandeira possuía, além do chefe, que os paulistas daquele tempo chamavam capitão do arraial, um capelão, isto é, um padre para prestar assistência religiosa e, se a expedição era de caça ao índio, também um repartidor, pessoa que repartia entre os principais da bandeira os índios aprisionados.
Mais tarde, as bandeiras vasculharam todo território à procura de ouro, pedras preciosas e principalmente à caça de índios para os trabalhos na lavoura, já que o preço dos negros escravos estava acima das posses dos moradores da província de São Paulo. Embora, no início do século XVII, a Espanha tenha procurado barrar esse movimento, incentivando a construção de missões ao longo dos rios Paraguai e Paraná, a cargo dos padres jesuítas, a ocupação portuguesa já se consolidava.
Fig.22 Mapa da divisão do Brasil (1988).
As primeiras reduções ou aldeias dos jesuítas espanhóis, atacadas pelos bandeirantes, ficavam na região do Guairá, isto é, na parte ocidental do atual Estado do Paraná. Depois desses ataques em que se distinguiu o bandeirante Manuel Preto, conhecido pelo apelido de
"Herói do Guairá", os padres espanhóis abandonaram essa região e
foram fundar outras reduções no Uruguai (noroeste do Rio Grande do Sul), na região do Tape (centro do Rio Grande do Sul) e no Itatim (sul do Mato Grosso). As aldeias dos jesuítas no Itatim foram atacadas por Antonio Raposo Tavares. Esse bandeirante, que era português, fez uma longa caminhada: subiu o rio Paraguai até às suas nascentes e, através de outros rios, atingiu o Amazonas, chegando à foz, no Pará, depois de três anos de jornada, enfrentando índios, feras e febres.)
Após a Guerra dos Emboabas, os paulistas, alijados da região das Minas Gerais, reorientaram as bandeiras em busca de novas jazidas auríferas. Outras bandeiras descobriram ouro em Mato Grosso e Goiás. As minas de Cuibá foram descobertas por Paschoal Moreira e as de Goiás, por Bartolomeu Bueno da Silva, filho do bandeirante do
mesmo nome, ambos apelidados Anhangüera, palavra indígena que significa Diabo Velho. Com o descobrimento de riquezas minerais surgiram várias cidades do interior, como Cuiabá, em Mato Grosso,
Caeté, Vila Rica, atualmente Ouro Preto, e Diamantina, em Minas
Gerais
(http://www.anzwers.org/trade/taxibrazil/taxicambandeirantes.html. Diante desta descoberta, o rei D. João V de Portugal, em 1748, resolveu reorganizar a administração daquela área para facilitar a fiscalização. Separou a região em duas partes, criando dois governos próprios. Surgiram assim as Capitanias de Mato Grosso e de Goiás. Portugal e Espanha, após longas negociações, assinaram o Tratado de Madri, em 1750, oficializando a ocupação portuguesa. Em troca da colônia de Sacramento muito cobiçada pela Espanha, a coroa portuguesa recebeu todo o vale do Amazonas, com as áreas correspondentes aos Estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Tocantins e Rio Grande o Sul, onde se multiplicavam cidades e vilarejos. Porém, com o esgotamento das minas durante o século XIX, a região entrou em declínio, ficando abandonada por longo tempo. Somente no início do século XX voltou a prosperar com a chegada de seringalistas, de plantadores de erva-mate e soja e sobretudo de pecuaristas, reunindo um dos mais significativos rebanhos de gado bovino e tornando-se a última grande fronteira agrícola do Brasil. Em 1977, com a separação, o Estado de Mato Grosso do Sul ficou com dois terços das ricas fauna e flora do Pantanal. Até as primeiras décadas deste século, a região era visitada praticamente apenas por expedições científicas, para conhecimento de sua fauna e flora exuberantes. (http://www.outside.com.br/eco2000/pantanal/historia.htm,
http://www.artehistoria.com/frames.htm?http://www.artehistoria.com/ historia/contextos/1497.htm)
Outra forma de penetração importante foi a criação de gado. Na época do descobrimento não existiam bovinos no continente americano. Esta e outras espécies de animais domésticos foram
bovinos na América do Sul, esteve diretamente associada ao avanço das frentes colonizadoras em direção ao interior do continente (Mazza et al., 1994).
3. ATIVIDADE ECONÔMICA
As diversas fases econômicas verificadas ao longo das historia, determinaram o processo de ocupação do estado do Mato Grosso. As mais importantes em ordem cronológicas foram a mineração, iniciada no inicio do século XVIII, à qual se vincula a origem do Estado com a fundação da capital Cuiabá, em abril de 1719. A agricultura, instalada, inicialmente para subsistência, no vale do Guaporé, a partir de 1748, responsável pela maior fixação do homem à terra, contribuiu para a formação de muitas cidades. A bovinocultura, desenvolvida extensivamente, também teve sua importância na ocupação e povoamento do Estado, ainda no século XVIII, tornando, na realidade, a Segunda grande atividade econômica da Capitania, depois da exploração aurifera. No sul da região onde se encontra o Estado de Mato Grosso do Sul (MS), o processo de ocupação foi embasado na agropecuária, possuindo hoje um dos maiores rebanhos bovinos do País. Ainda nesse século todas as demais cidades do Pantanal foram fundadas(Silva et al., 2001).
3.1. As charqueadas
Segundo Cardoso Ayala e Simon (1914) “esta industria tão desenvolvida nas republicas do prata e no Estado do rio Grande do sul, também no nosso estado, desde alguns annos para cá, esta tomando considerável augmento”. Conforme Nascimento (1992) as indústrias de charque em Mato Grosso foram grandes empresas manufatureiras, responsáveis por um volume considerável de produção e chegaram a empregar um vultado número de trabalhadores. Essas
empresas estavam entre as principais indústrias do Estado no começo do século XX e se constituíam numa das poucas formas de aproveitamento econômico do gado bovino do longínquo Pantanal – Mato-grossense. As primeiras charqueadas foram Tecnologias para o
Pantanal instaladas por empresários platinos e posteriormente
fazendeiros e comerciantes mato-grossenses passaram a investir no setor. A instalação teve inicio no final do século XIX, intensificou-se a partir das primeiras décadas do século XX e conheceu seu auge em 1919 quando varias empresas se estabeleceram no estado. A partir do final da década de 50 elas entraram em decadência definitiva. Conforme Nascimento (1992) a origem da atividade charqueadora voltada para a exportação, no estado de Mato Grosso, estava ligada à inciativa de empresários estrangeiro. O primeiro estabelecimento industrial de carne foi instalado no estado em 1873 pelo argentino Rafael Del Sar, em Descalvado, às margens do rio Paraguai. Tratava-se de uma grande industria que embora tivesse se dedicado à produção de caldo e extrato de carne com vistas à exportação para os mercados europeu, também produzia charque.
3.1.1. Fazenda Descalvados
De acordo com Martha Baptista (1999, http://ww8.terra.com.br/cidades/cac/historia/historia04.htm) contar a história completa da Descalvados ainda é um desafio para os historiadores. Tudo começou em 1874, quando a fazenda era propriedade de João Carlos Pereira Leite. Por essa época, a
Fig. 23 Fazenda Descalvados
(http://ww8.terra.com.br/cidades/cac/historia/historia04.htm).
Descalvados teria cerca de 600 mil cabeças de gado e uma área em torno de 350 léguas quadradas.
Nesse período, o argentino Rafael Del Sar montou um saladeiro, onde se abatiam reses para a fabricação de charque. Ele comprava gado na própria fazenda e chegou a abater cinco mil cabeças por ano. Em 1881, o uruguaio Jaime Cibils Buxareo arrematou em leilão o espólio do major João Carlos Pereira Leite, adquirindo também a charqueada de Del Sar, onde instalou uma fábrica de extrato de carne. Teve início, assim, a fase "belga" da Descalvados e o apogeu da fazenda. O extrato de carne tornou-se muito apreciado na Europa, sobretudo, na Bélgica. O professor Hilgard Sternberg, autor do artigo "Tentativas expansionistas belgas no Brasil: o caso Descalvados", sustenta que a indústria em Mato Grosso era parte do plano do rei Leopoldo II, da Bélgica, de expandir seus domínios para o Brasil.
Em 1895, Cibils e mais seis sócios registraram num cartório de Antuérpia os estatutos da Compagnie de Produits Cibils, Societé
Anonyme à Anvers, que incorporou as propriedades do Pantanal, conhecidas como o "Domínio de Descalvados". Na época, a fazenda tinha 175 mil reses e 300 léguas quadradas de extensão. Sua localização privilegiada e o intenso transporte fluvial facilitavam a exportação. No auge da produção, a fábrica chegou a abater 20 mil cabeças por ano.
O escasseamento do gado levou os belgas a alterar seus planos e, em 1911, a Descalvados passou ao grupo financeiro do americano Percival Farquhar, que fundou a Brazil Land, Cattle and Packing Company. Ele manteve a produção de extrato e caldo de carne e inaugurou uma fábrica de sabão. Segundo o Album Graphico de Matto Grosso, a Descalvados tinha um rebanho de 100 mil cabeças de gado, enquanto o resto do município de Cáceres tinha 40 mil.
Na Era Vargas, a Descalvados foi encampada e o interventor, o deputado Carlos Vandoni de Barros, loteou a fazenda. Os irmãos Lacerda compraram a maior parte e, depois, Luiz Esteves Pinheiro de Lacerda adquiriu as terras dos irmãos. Ele chegou a ter 232 mil hectares de terra e, em 1968, a fazenda tinha entre 80 e 100 mil reses. Com Luiz Lacerda, a Descalvados teve pista de aviação homologada e foi a única do país a ter o seu próprio Código de Endereçamento Postal (CEP).
A produção de charque em Descalvados nas décadas de 1870-1880 estimulou incentivas semelhantes na mesma região, em parte de pecuaristas mato-grossenses dando origem, no final do século XIX, a outras charqueadas de menor dimensão no norte do Pantanal: Pindahibal, no rio Correntes, afluente do São Lourenço, Triunfo, no rio São Lourenço, São João em Cuiabá e Manga do Barão (Nascimento, 1992).
Na primeira década do século XX mais três grandes industrias de charque foram instaladas em Mato Grosso. Desta feita essas empresas passaram a se localizar no Mato Grosso do Sul, fato que
ano de 1907 em Pedra Branca, próximo a cidade de Miranda, em 1909 começou a funcionar a charqueada Barranco Branco, no município de Porto Murtinho, pertencente à Empresa Extrativa e Pastoril do Brasil. Ainda nessa mesma época foi instalada, também no município de Porto Murtinho a chaqueada Terere, de Moali & Grosso Ledesma. As três instalações abatiam de 50 a 60 mil reses por safra e remetiam suas produções para o Rio de Janeiro e Nordeste, pelo transporte fluvial via rio Paraguai. As três empresas no Mato Grosso do Sul pertenciam a industriais uruguaios e tinham as suas sedes em Montevidéu (Nascimento, 1992). A charqueada Miranda ou Saladiro
Miranda como refere-se Cardoso Ayala e Simon (1914) possuía alem do
estabelecimento lancha e chata para conduzir os produtos da fabrica à Corumbá, onde era efetuado o embarque para Montevideo. O Saladeiro Terer fazia seus embarques diretamente pelos navios do Lloyd Brasileiro.
3.2. Número e área dos estabelecimentos
No Pantanal, a média do total dos estabelecimentos agropecuários entre 1975 e 1985, foi 4.334, sendo que em 1985 foram recenseados 4.094 estabelecimentos. Houve um decréscimo no número de estabelecimentos de 8,3% nesse período, porém, comparando as áreas médias dos estabelecimentos, houve um acréscimo de 14,5% na área, passando de 2.523 hectare em 1975 para 2.889 hectares em 1985. Isso significa que houve agregação de terras. A área total dos estabelecimentos mostrou um aumento continuo ao longo do período. Esse aumento foi de 7% na primeira metade do período de dez anos e de mais de 1% na segunda metade. A área médias dos estabelecimentos que compõem o Pantanal do Estado de Mato Grosso é de 1.431 hectares e de Mato Grosso do Sul é de 5.986 hectares, ou seja em MS a média é 4,2 vezes maior que em MT. Miranda, Itiquira e
Aquidauna são os municípios que possuem os maiores estabelecimentos com área média de 21.072 hectares, 9.669 hectares e 9.009 hectares.
3.3. Número de pessoal ocupado
Na área do Pantanal, a primeira metade da década trouxe um decréscimo de 3% na população, enquanto que na segunda metade houve um aumento de 5%, com um crescimento líquido de 1,8%: o número de pessoal ocupado passou de 27.287 em 1975 para 27.758 em 1985.
3.4. Pecuária
Em 1914 existia uma população de bovino de aproximadamente 2 milhões de cabeças conforme Cardoso Ayala e Simon (1914). Segundo os mesmos autores a introdução das primeiras rezes no estado de Mato Grosso data de 1730 e “fez se pelos portugueses que vieram de São Paulo. De acordo com os autores “oriundas da raça alemtejana e, posto que grandemente mestiçadas com o zebu, o chino e o caracu, ainda conservam os seus primitivos caracteres, taes como boa altura, membros todos em desenvolvidos, chifres grossos, papada e cabeça grandes, como se pode observar perfeitamente nas phographias. Essa raça foi introduzida no Brasil a 300 annos, onde aclimatou se perfeitamente, e no Estado de Minas ella constituía uma raça especial chamada-Mineira Franqueira. D`ahi, há bem pouco tempo, os fazendeiros de Matto-Grosso importavam reprodutores d`essa raça”.
Segundo Cardoso Ayala e Simon (1914) “o gado de Matto-Grosso tem sido cruzado com esse gado chamado Franqueiro, com o zebu. Este último foi muito apreciado por causa dos seus primeiros produtos que eram desenvolvidos e produziam bastante carne, porém logo degeneraram, tornando-se pequenos, muito bravos e ariscos, qualidades estas incompatíveis com o nosso sistema de criar, e por isso mesmo, hoje em dia, o zebu e rejeitado por completo e os criadores nos campos de Pantanal tem tirado das suas fazendas todos os reprodutores d`essa raça. Atualmente o cruzamento que melhor
sendo uma raça robusta, muito resistente e, além dìsso possuindo muitas outras qualidades, presta-se muito bem e melhor do que qualquer outra raça para o cruzamento com o nosso gado”. A Embrapa Pantanal recentemente adquiriu um touro caracu para avaliar os seus cruzamentos com o nelore (Silva, comunicacao pessoal, 2002).
Em 1914 a indústria pastoril constituía se em uma das maiores riquezas do estado de Mato Grosso e segundo Cardoso Ayala e Simon (1914) a indústria melhor amparada em virtude dos elementos naturais que dispunha. Segundo os mesmos autores ela abrangia uma área situada entre os rios Paraguai, São Lourenço, Araguaia e Paraná onde encontrava elementos favoráveis para o seu desenvolvimento: “campos cobertos por verdejantes pastagens
naturais, entrecortados por cordilheiras de matas e regados por inúmeros rios, riachos e lagos, onde manadas de muitas centenas de mil rezes encontram alimento para a sua subsistência”. Os campos de criar eram de duas espécies distintas: uma, situada em regiões elevadas, fora do alcance das inundações produzidas pelas enchentes periódicas do rio Paraguai e seus afluentes, abrange o centro e quase todo o sul do estado, a outra constituída pelos campos chamados de Pantanal, acha-se situada nas regiões compreendidas entre os rios Paraguai, Cuiabá, São Lourenço e Miranda, que todos os anos, por ocasião das grandes chuvas, transbordam e espalham as suas águas pelos campos, cobrindo-os em uma extensão de muitas centenas de léguas.
Conforme palavras de Cardoso Ayala e Simon (1914) “... a industria pastoril encontra elementos próprios para o seu desenvolvimento, e difícil será, julgar se qual seja a mais vantajosa a referida industria, pois que em ambas ella existe em grande escala, e n’ellas muitos milhares de animaes vivem e se multiplicam perfeitamente, como nos paizes, em que essa industria acha-se mais aperfeiçoada”.
Em 1970 (Tabela 4) o rebanho da região Centro-Oeste representava 30,48% do rebanho nacional. Por sua vez, o rebanho matogrossense representava 50,76% do rebanho bovino regional (Silvestre Filho & Romeu, 1974).
Tabela 4
No Mato Grosso o rebanho se distribuía em quatro regiões de criação bem distintas. O Pantanal/1/, a região de Campos Limpos, a região de Cerrados e a região da Amazônia Matogrossense (ver Mapa
1). Dentre estas regiões, o Pantanal apresentava o maior
contingente bovino, com 6 milhões de cabeças, o que representava 44% do total do rebanho do estado (Silvestre Filho e Romeu, 1974).
Tabela 5
A seguir o mapa com as regiões de criação de bovinos no estado de Mato Grosso, conforme Silvestre Filho e Romeu (1974).
concentrava a maior densidade bovina, principalmente nas partes mais baixas onde as possibilidades das pastagens nativas eram melhores, tanto em relação a distribuição de aguadas quanto ao volume de massa verde das principais forrageiras nativas existentes. Cerca de 87,46% do rebanho bovino se concentrava nos municípios do Grupo I, conforme classificação do Programa Pantanal (ver Tabela 6). Dentre os municípios destacava-se Corumbá com 2.550.000 cabeças o que representava 36,88% do rebanho total. Cerca de 66,79% do rebanho concentrava-se em seis municípios (Corumbá, Aquidauana, Poconé, Cáceres, Coxim, Porto Murtinho) que representava 44,92% do total da área. Estes munícipios eram os que possuiam as maiores faixas de Pantanal baixo. Dentre as áreas onde se concentravam as maiores densidades de população bovina, destacavam-se o baixo Pantanal Poconeano, entre o rio Paraguai e o rio Cuiabá; o Pantanal de Cáceres, entre o rio Paraguai e a fronteira com a Bolívia, a partir das proximidades da cidade de Cáceres no sentido sul. Outras áreas de grande concentração bovina encontrava-se no município de Corumbá, na região da Nhecolândia, do Paiáguas e do Nabileque. Com relação à densidade bovina, estavam nos municípios que detêm as maiores áreas de Pantanal e as maiores áreas de pastagens artificiais. Verificou-se que nos municípios do Grupo I Corumbá tinha a maior densidade bovina em torno de 40,76 cabeças/Km2, e nos municípios do Grupo II destacava-se o município de Dom Aquino com uma densidade de 58,44 cabeças/Km2. Os municípios do Grupo I tomados em conjuntos tinham uma densidade bovina de 20,67 cabeças/Km2, os municípios do Grupo 18 cabeças/Km2, bem superior à densidade bovina do Estado que era de 11,12 cabeças/Km2 (Silvestre Filho e Romeu, 1974).
Com a introdução do gado indiano no Brasil ocorreu uma transformação paulatina do gado do pantanal, da raça Pantaneira típica para o azebuado.
A composição em 1971 (Tabela 7)foi estimada em 70% de gado azebuado (mestiço de gir, nelore, guzerá e indubrasil); 15% nelore com grau de sangue acima de 50%, 10 de gado Pantaneiro e 5% de outras raças (Silvestre Filho e Romeu, 1974).
Tabela 7
Segundo Porto (1974) na estrutura agrária da área que e Pantanal, realmente, não existia propriedade na faixa de zero a cem hectares, na área de cem a mil hectares existiam 673 propriedades, o equivalente a 19,23% com uma área total de 248.156 hectares,
hectares, 2.422 fazendas, 69,20% das propriedades, com 7.352.669 da área total, ou seja 42,74%, com 2.229.923 cabeças de gado, 43,28% do rebanho e com uma densidade de 0,30%, cabeça de gado/habitante. Com mais de 10 mil hectares, 405 propriedades, 11,37% do total, com 9.601.844 hectares e com 2.751.980 cabeças de bovinos, 53% do rebanho, com 0,29% de densidade/cabeça. Assim, nas 3.500 propriedades existentes no Pantanal, ocupando uma área total de 17.202.709 hectares, era encontrado um rebanho de 5.151.748 cabeças. De acordo com o autor os dados acima são do GEIPOT (Empresa Brasileira de Planejamento de Transporte) (1973).
O rebanho bovino no Pantanal em 1975 foi de 3.421.510 cabeças, contra 3.130.218 cabeças em 1985, com uma média de 3,93 hectares por cabeça. Neste período houve um decréscimo de 11,9% no total do rebanho bovino no Pantanal.
Fig. 24 – Níveis máximos, médios e mínimos do rio Paraguai, em Ladário-MS, de
1900-01 a 2000-01 (Galdino et al., 2002). -1 0 1 2 3 4 5 6 7 8 19 00-01 19 10-11 192 0-21 193 0-31 194 0-41 1950 -51 1960 -61 1970 -71 1980-81 1990-91 2000-01 ANO HIDROLÓGICO NÍVEL (m ) Mínimo Médio Máximo
O fator principal dessa redução pode ser atribuído ao alagamento de grandes áreas de campo nativo, a partir de 1974 no Pantanal. Segundo Galdino e Clark (1995), a partir dessa data o Pantanal iniciou seu atual ciclo de cheia.
O município mais atingido foi Corumbá, que reduziu em 613.919 cabeças (30,78%) o seu rebanho bovino, passando de 1.999.254 cabeças em 1975, para 1.385.335 cabeças em 1985, não conseguindo se recuperar até o momento. Como esse município possui maior parte de seu território na área do pantanal, e, consequentemente, em regiões de máxima inundações, muitos estabelecimentos deixaram de produzir totalmente e outros tiveram sua produção bastante reduzida. Quando se observa somente a área do município de Corumbá inserida no Pantanal, a redução do seu rebanho bovino foi de 626.658 cabeças (32,8%), passando de 1.909.515 em 1975, para 1.282.857 em 1985. Essa perda de rebanho é significativa para o Pantanal, pois Corumbá é o mais importante pólo agropecuário da região e somente esse município detinha 44,74% da área do Pantanal, contribuindo com 55,8% de toda a produção pecuária dessa região em 1975.
Mesmo com restrições ambientais, tecnológicas e de infra-estrutura (estradas, energia elétrica, etc.), Corumbá continuou sendo o mais importante produtor de gado do Pantanal, detendo, em 1985, 42,6% do rebanho bovino. Todos os municípios, exceto Corumbá, Poconé e Nossa Senhora do Livramento, aumentaram o seu rebanho bovino na década, modificando o seu modo de manejo do gado e/ou incorporando áreas de pastagens cultivadas ao sistema produtivo. Entretanto, nesses municípios com maior porcentagem de área no pantanal, altamente assolada pelas inundações, as condições ambientais impostas permitem poucas alternativas de melhoria. Os maiores ganhos líquidos de efetivo bovino foram observados nos municípios de Cáceres, Miranda e Rio Verde, que obtiveram, respectivamente, ganhos de 139.327 cabeças (120,2%), 71.974 cabeças (118,3%) e 63.846 cabeças (59,0%), acrescentando 203.173 cabeças ao
Segundo projeções feitas por Porto o Pantanal com um rebanho de 5,1 milhões em 1973 sem recursos gerados por projetos de desenvolvimento teria em 1980 5,8 milhões. Com recursos de projetos de desenvolvimento proposta na época o rebanho pantaneiro seria superior a 10 milhões em 1980.
Com relação ao gado gordo e magro, a posição também se alteraria: enquanto a produção a época era de 307 mil cabeças e sem os recursos dos projetos chegaria apenas a 330 mil, com os recursos dos projetos propostos chegaria a cerca de 940 mil cabeças. Segundo o autor havia na época 500 mil cabeças de gado magro e sem os projetos propostos teríamos em 1980, 558 mil cabeças. Com os recursos dos projetos propostos e com os melhoramentos a serem introduzidos: pastagens melhoradas, manejo, canais de irrigação, mineralização e sistemas de aguadas, seriam reduzido o percentual de gado magro para 243 mil cabeças, mais da metade. O Pantanal deixaria de vender gado magro e passaria a vender o boi gordo, auferindo resultados que hoje contribuem para a economia de outras regiões do Pais. Projeções que não se confirmaram.
3.4.2. Mercado Brasileiro de carne bovina e as tendências
mundiais
Conforme Peetz (2002) no âmbito internacional, a produção poderá superar 50 milhões de toneladas até 2010, considerando-se a tendência de crescimento médio anual dos últimos cinco anos. Também com base na tendência de crescimento anual, o consumo mundial, apesar de incremento mais modesto, poderá atingir volume da ordem de 50 milhões de toneladas no mesmo período. Acompanhando a tendência da preferência mundial por produtos agropecuários orgânicos, a carne bovina produzida em moldes estritamente extensivos (o boi verde), com pleno controle sanitário dos rebanhos, traduz-se em vantagem para os países que produzem
exclusivamente a pasto, como os integrantes do Mercosul. Países como o Brasil tendem a ocupar posição de destaque no abastecimento da demanda mundial por carne bovina no médio prazo, tanto no que se refere às exigências qualitativas quanto aos custos de produção, com vantagens comparativas ao produto sul-americano. Alicerçado em fatores como economia de escala, genética, melhoria de manejo e qualidade, o potencial de crescimento da produção brasileira até 2010 é da ordem de 22%, que, se concretizado, significará produção superior a oito milhões de toneladas. Esse incremento deverá ser suficiente para o abastecimento interno e para a consolidação do País como exportador.
Tabela 8 - Balanço de Oferta e Demanda de Carne Bovina para Países
Selecionados, 1997-2002 (em mil toneladas de equivalente carcaça).
País 1997 1998 1999 2000 2001 2002¹ Produção Estados Unidos 11.714 11.804 12.124 12.298 11.983 11.762 União Européia 7.696 7.432 7.493 7.462 7.044 7.230 Brasil 6.050 6.140 6.270 6.650 6.900 7.150 China 4.409 4.799 5.054 5.328 5.600 5.880 Argentina 2.975 2.600 2.840 2.880 2.625 2.750 Austrália 1.942 1.989 1.956 1.988 2.034 2.070 Total mundial 48.368 48.189 48.999 49.748 49.184 49.751 Importação Estados Unidos 1.063 1.199 1.304 1.375 1.434 1.472 Japão 909 943 959 1.016 955 880 Federação Russa 1.062 684 838 477 675 750 União Européia 380 324 349 448 410 467 México 203 307 358 420 426 430 Coréia 226 125 242 324 246 340
Austrália 1.184 1.268 1.270 1.338 1.395 1.425 Estados Unidos 969 985 1.093 1.119 1.030 993 Brasil 232 306 464 492 748 900 União Européia 900 676 852 645 532 638 Canadá 382 428 492 523 574 580 Nova Zelândia 509 488 442 485 495 530 Total mundial 5.584 5.300 5.743 5.807 5.738 5.996 Consumo Estados Unidos 11.767 12.052 12.327 12.503 12.349 12.324 União Européia 6.809 6.997 7.241 7.300 6.740 7.056 Brasil 5.973 5.941 5.861 6.090 6.190 6.280 China 4.312 4.722 5.012 5.291 5.558 5.842 Argentina 2.535 2.330 2.498 2.540 2.475 2.535 Federação Russa 3.486 2.845 2.734 2.308 2.437 2.452 Total mundial 47.261 47.389 48.530 48.970 48.262 49.067 ¹Previsão.
Fonte: Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).
Tabela 9 - Balanço de Oferta e Demanda de Carne Bovina no Brasil,
1997-2002 Item 1997 1998 1999 2000 20011 20021 Rebanho2 161 163 164,0 169,0 171,0 173 Produção3 6.050 6.140 6.270 6.650 6.900 7.150 Importação3 134,8 135,1 83,2 99,9 49,3 50 Exportação3 294,1 377,6 559,9 591 858,3 900 Disponibilidade interna3 5.890, 5.897, 5.793, 6.159 6.091 6.300 População (milhões habitantes) 159 163 166 169 172 175 Disponibilidade 37 36,1 34,9 36,5 35,4 36
Per capita (kg/hab./ano)
1Projeção. 2
Em milhões de cabeças.
3Em mil toneladas de equialente carcaça.
Fonte: IBGE, ANUÁRIO (2001), Fórum Nacional Permanente de Pecuária de Corte do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.
O excelente desempenho do movimento exportador brasileiro foi favorecido não somente pela política cambial no País, como também pelo comprometimento do rebanho europeu, com a incidência de Encefalopatia Espongiforme Bovina (BSE-doença da vaca louca), além de casos isolados de febre aftosa na Argentina, o que viabilizou a tomada da fatia desse mercado pelo produto brasileiro (Peetz, 2002).
3.4.3. Perspectivas internacionais do mercado da carne bovina
No Brasil, as cadeias agroindustriais dedicadas à produção de carnes encontram-se em estágios de desenvolvimento nitidamente distintos. Enquanto o setor avícola se destaca pela eficiente coordenação entre os agentes que compõem o sistema produtivo, na cadeia da carne bovina predominam relações comerciais antiquadas, caracterizadas pelo desuso de contratos de fornecimento, pela intensa atuação de intermediários e pela elevada influência da especulação no processo de formação de preços (Suzuki Júnior, 2002).
Segundo Faveret Filho e Paula (1997) a pecuária de corte no Brasil pode ser analisada a partir de duas características básicas: diversidade e descoordenação. Diversidade de raças, de sistemas de criação, de condições sanitárias de abate e de formas de comercialização. E descoordenação, pois há baixa estabilidade nas relações entre criadores, frigoríficos, atacadistas e varejistas. Conforme os mesmos autores embora o Brasil seja o detentor do maior rebanho comercial do mundo a nossa pecuária de corte ainda é, em média, muito atrasada. Na sua maioria, os animais são abatidos com