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Palavras-chave hemoparasito; gametócito; carrapato; filhotes.

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Revista Interdisciplinar de Ciências Médicas - Anais - Teresina-PI CNPJ:14.378.615/0001-60

Registro: ISSN 2594-522X

COINFECÇÃO POR ERLIQUIOSE, HEPATOZOONOSE E PARVOVIROSE EM PACIENTE CANINO ATENDIDO NO HOSPITAL VETERINÁRIO UNIVERSITÁRIO DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO PIAUÍ

VIEIRA, R.M.1; ARAÚJO, E.K.D.1; ARAÚJO, L.L.1; SOUSA, D. K. T.1; SANTANA, M.V.1; CARDOSO, J.F.S.2; OLIVEIRA, W.A.3; SANTOS, A.S.4; BARROS, N. C. B.5; PRADO, A.C.6

Médico(a) veterinário(a), residente no Hospital Veterinário Universitário (HVU), Universidade Federal do Piauí. 1 Prof°. Dra. Departamento de Clínica e Cirurgia Veterinária (DCCV), Universidade Federal do Piauí. 2

Médico veterinário no Hospital Veterinário Universitário (HVU), Universidade Federal do Piauí. 3

Médica veterinária, aprimoranda no Hospital Veterinário Universitário (HVU), Universidade Federal do Piauí.4 Aluna de graduação de Medicina Veterinária, Centro de Ciências Agrárias, Universidade Federal do Piauí.5 Técnico em análises clínicas no Hospital Veterinário Universitário (HVU), Universidade Federal do Piauí. 6

RESUMO

As hemoparasitoses caninas são diagnosticadas com grande frequência na rotina médico-veterinária, sendo responsáveis por manifestações clínicas variáveis, desde imperceptíveis até quadros clínicos mais graves culminando em óbito. A erliquiose é causada principalmente pela bactéria Erlichia canis. A transmissão se dá pelo repasto sanguíneo realizado pelo carrapato marrom (Rhipicephalus sanguineus) que é o principal vetor da doença. A hepatozoonose é uma doença causada pelo protozoário Hepatozoon spp. A transmissão ocorre após a ingestão de carrapatos contendo oocistos maduros de H. canis. A parvovirose canina é uma enfermidade infectocontagiosa causada pelo parvovírus canino tipo 2 (PVC-2) o qual é responsável pela clássica enterite parvoviral. Um paciente canino, fêmea, com três meses de idade, foi atendido no Hospital Veterinário Universitário Jeremias Pereira da Silva, da Universidade Federal do Piauí. As principais queixas relatadas pelo proprietário foram inapetência, êmese e diarreia. Os testes sorológicos realizados que dectectam anticorpos (Alere Test Kit Ac) apresentaram resultados positivos para parvovirose e erliquiose. Na bioquímica sérica constatou-se leve hipoproteinemia decorrente de hipoglobulinemia. No eritrograma concluiu-se anemia normocítica e hipocrômica e trombocitopenia. No leucograma observou-se neutrofilia e linfopenia, e na avaliação rotineira do esfregaço sanguíneo foram visualizadas estruturas sugestivas de mórula de Ehrlichia sp. e gametócito de Hepatozoon sp. em um mesmo monócito, e ainda, inúmeros gametócitos de Hepatozoon sp. em neutrófilos segmentados. A partir desses resultados confirmou-se a coinfecção por parvovirose, erliquiose e hepatozoonose.

Palavras-chave – hemoparasito; gametócito; carrapato; filhotes.

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ABSTRACT

The canine hemoparasitosis is frequently diagnosed in the routine veterinary medicine, being responsible for variable clinical manifestations, from imperceptible to more severe clinical conditions culminating in death. Erylchiosis is caused mainly by the bacterium Erlichia canis. The transmission occurs through the blood repellent

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carried by the brown tick (Rhipicephalus sanguineus) that is the main vector of the disease. Hepatozoonosis is a disease caused by the protozoan Hepatozoon spp. Transmission occurs after ingestion of ticks containing mature oocysts of H. canis. Canine parvovirus is an infectious-contagious disease caused by canine parvovirus type 2 (PVC-2), which is responsible for classic parvoviral enteritis. A 3-month-old female canine patient was treated at the University Veterinary Hospital Jeremias Pereira da Silva, Federal University of Piauí. The main complaints reported by the owner were inappetence, emesis and diarrhea. The serological tests carried out that detect antibodies (Alere Test Kit Ac) showed positive results for parvovirus and ehrlichiosis. In serum biochemistry, mild hypoproteinemia due to hypoglobulinemia was observed. In the erythrogram normocytic and hypochromic anemia and thrombocytopenia were concluded. In the leukogram, neutrophilia and lymphopenia were observed, and in the routine evaluation of the blood smear, structures suggestive of the morula of Ehrlichia sp. and gametocyte of Hepatozoon sp. in a single monocyte, and also, numerous gametocytes of Hepatozoon sp. in segmented neutrophils. From these results, coinfection with parvovirosis, ehrlichiosis and hepatozoonosis was confirmed.

Keywords - Hemoparasite; gametocyte; tick; puppies

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INTRODUÇÃO

As hemoparasitoses caninas são doenças causadas por patógenos transmitidos por vetores hematófagos. São diagnosticadas com grande frequência na rotina médico-veterinária, sendo responsáveis por manifestações clínicas variáveis, desde imperceptíveis até quadros clínicos mais graves culminando em óbito (LABARTHE et al., 2003).

Os hemoparasitos mais frequentes encontrados em cães no Brasil são

Hepatozoon sp., Ehrlichia sp. e Babesia sp. Esses parasitos são intracelulares

obrigatórios, transmitidos aos cães por diferentes espécies de carrapato dentre eles os gêneros Amblyomma e Rhipicephalus (COSTA, 2011).

A erliquiose popularmente conhecida como “doença do carrapato”, é causada principalmente pela bactéria Erlichia canis. A transmissão se dá pelo repasto sanguíneo realizado pelo carrapato marrom (Rhipicephalus sanguineus) que é o principal vetor da doença.

As inclusões intracelulares formadas pela Erhlichia sp. no hospedeiro são denominadas de mórulas e são observadas nos leucócitos na fase aguda da infecção, em pequeno número e por curto período de tempo. Cada mórula contém vários corpos elementares, os quais são liberados com o rompimento da célula e irão infectar outras células iniciando um novo ciclo (McDADE, 1990).

Devido à rápida multiplicação do agente no sangue e a vasculite generalizada que a acompanha, há grande multiplicidade de sintomas durante o curso da enfermidade como: febre, perda de apetite, dispnéia, manchas avermelhadas na

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pele (petéquias e equimoses), sinais oftálmicos (uveíte), sinais neurológicos (convulsões, incoordenação) e poliartrite (SILVA, 2015).

A hepatozoonose é uma doença causada pelo protozoário Hepatozoon spp., transmitida por artrópodes, que acomete principalmente os carnívoros domésticos e silvestres. Até o momento, duas espécies de Hepatozoon infectando canídeos foram identificadas: Hepatozoon canis e Hepatozoon americanum (LASTA, 2008).

Hepatozoon canis é transmitida pelo carrapato marrom do cão, Rhipicephalus sanguineous e ocorre na América do Sul (SHERDING, 2006).

A transmissão para os cães ocorre após a ingestão de carrapatos contendo oocistos maduros de H. canis. Nos cães, a doença geralmente é intercorrente a outras enfermidades imunossupressoras (O´DWYER E MASSARD, 2001), o que dificulta a individualização dos seus sinais clínicos.

A imunossupressão causada por outras doenças pode predispor a infecção por H. canis ou permitir expressão de uma infecção até então subclínica. De acordo com Gavazza e colaboradores (2003), a hepatozoonose pode ser considerada como uma infecção oportunista indicativa de um status de imunodeficiência.

A parvovirose canina é uma doença infectocontagiosa causada pelo parvovírus canino tipo 2 (CPV-2). O parvovírus canino 2 (PVC-2) é responsável pela clássica enterite parvoviral (NELSON et al.,2001).

Cães de qualquer idade podem se infectar, mas a incidência da doença clínica ocorre quase completamente em cães entre o desmame e seis meses de idade. O parvovírus causa anorexia, depressão, febre, vômito, diarréia fluída intratável (pode ser abundante e hemorrágica) e desidratação rapidamente progressiva. (Yamada, 2007).

O objetivo deste trabalho foi relatar um caso clínico de coinfecção causado principalmente por hemoparasitos de relevância clínica, e ainda, destacar a importância da avaliação laboratorial como ferramenta de diagnóstico na rotina médica-veterinária.

DESCRIÇÃO DE CASO CLÍNICO

Um paciente canino, fêmea, com três meses de idade, pesando 5,15 quilogramas, foi atendido no Hospital Veterinário Universitário Jeremias Pereira da Silva, da Universidade Federal do Piauí, na cidade de Teresina. As principais queixas relatadas pelo proprietário foram inapetência, êmese e diarreia. Na avaliação clínica foram constatadas melena, secreções oculares, presença de ectoparasitas, o aumento de linfonodos e temperatura corporal de 40,1ºC.

Foram solicitados os seguintes exames complementares: hemograma, bioquímica sérica, testes imunocromatográficos para erliquiose, parvovirose canina e cinomose canina, exames estes realizados no Laboratório de Patologia Clínica Veterinária, do Hospital Veterinário Universitário da Universidade Federal do Piauí.

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Os testes sorológicos realizados que dectectam anticorpos (Alere Test Kit Ac) apresentaram resultados positivos para parvovirose e erliquiose; enquanto que o resultado do teste que dectecta antígeno (Alere Test Kit Ag) mostrou-se negativo para cinomose canina.

Na bioquímica sérica constatou-se leve hipoproteinemia (5,1 g/dL) decorrente de hipoglobulinemia (2,4 g/dL). No eritrograma os resultados obtidos foram:

hemácias (4,6 x106/L); hemoglobina (9,8 g/dL); hematócrito (31,4%); VGM (68,3 fL);

CHGM (31,2 g/dL) e plaquetas (45x103/L); concluiu-se anemia normocítica e

hipocrômica e trombocitopenia. No leucograma observou-se neutrofilia (12.876/µL) e linfopenia (888/µL), e na avaliação rotineira do esfregaço sanguíneo foram visualizadas estruturas sugestivas de mórula de Ehrlichia sp. e gametócito de

Hepatozoon sp. em um mesmo monócito, e ainda, inúmeros gametócitos de

Hepatozoon sp. em neutrófilos segmentados.

Fonte: arquivo pessoal

Mesmo com o advento de novas técnicas para a identificação de Hepatozoon

canis, a grande maioria dos estudos fundamenta o diagnóstico na visualização do

protozoário em células leucocitárias a partir de esfregaços de sangue (O´Dwyer e Massard, 2001).

A partir desses resultados confirmou-se a coinfecção por parvovirose, erliquiose e hepatozoonose. O tratamento foi recomendado com antibioticoterapia (hiclato de doxiciclina, sulfadimetoxina; ormetoprim), omeprazol, probióticos, soro hiperimune e suplementos alimentares. O proprietário não retornou com o animal para nova avaliação clínica.

CONCLUSÃO

A criação de filhotes, sejam de espécie canina ou felina, requer maiores cuidados por parte dos tutores, principalmente em relação à vacinação do animal e

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ao controle de vetores, uma vez que estes são potenciais transmissores de agentes infecciosos. Destaca-se a importância de se realizar a avaliação do esfregaço sanguíneo a fim de se identificar a presença de hemoparasitos, auxiliando no diagnóstico bem como na conduta a ser utilizada pelo clínico.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

COSTA, H. X. Interação de hemoparasitoses em casos clínicos de

trombocitopenia em cães no município de Goiânia-GO. Dissertação (Mestrado

em Ciência Animal) Escola de Veterinária – Universidade Federal de Goiás, Goiânia-GO, 70f, 2011.

GAVAZZA, A.; BIZZETI, M.; PAPINI, R. Observations on dogs found naturally

infected with Hepatozoon canis in Italy. Revue de Médicine Veterinarie, Tolouse,

v. 154, n.8/9, p. 565-571, 2003.

LABARTHE, N.; PEREIRA, M.C.; BARBARINI, O.; MCKEE, W.; COIMBRA, C.A. E HOSKINS,J. Serologic prevalence of Dirofilaria immitis, Ehrlichia canis and

Borrelia burgdoferi infections in Brazil. Veterinary Therapeutics, v.4, n.1, p. 67-

75, 2003.

LASTA, C.S. Hepatozoonose canina. Monografia. Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2008.

McDADE, J. E. Ehrlichiosis: a disease of animals and humans. The Journal of Infectious Diseases, v. 161, p. 609-617, 1990.

NELSON,R.W. et al. Medicina Interna de Pequenos Animais. 2ed.Rio de Janeiro; Guanabara Koogan, p.345-346, 2001.

O´DWYER, L.H.; MASSARD, C.L. Aspectos gerais da hepatozoonose canina. Clin. Vet., v.31, p.34-40, 2001.

SHERDING, R.G. Toxoplasmosis and other systemic protozoal infections. In: BIRCHARD, S.J.; SHERDING, R.G. Saunders Manual of Small Animal Practice. EUA: Elsevier , 3. Ed . p. 219-229, 2006.

SILVA, I. P. M. Erliquiose canina – revisão de literatura. Revista científica de

medicina veterinária. Periódico Semestral, ano XIII, n. 24. Universidade Severino Sombra,Vassouras–RJ, 2015.

YAMADA, C. S. Parvovirose canina. Monografia. Universidade Tuiuti do Paraná, Curitiba-PR, 2007.

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