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Unida na diversidadePT
PARLAMENTO EUROPEU 2009 - 2014 Documento de sessão 12.9.2011 B7-0487/2011PROPOSTA DE RESOLUÇÃO
apresentada na sequência de uma declaração da Vice-Presidente da Comissão/ Alta Representante da União para os Negócios Estrangeiros e a Política de Segurança
apresentada nos termos do n.º 2 do artigo 110.º do Regimento sobre a situação na Síria
Marietje Schaake, Marielle De Sarnez, Marielle de Sarnez, Louis Michel, Charles Goerens, Sonia Alfano, Kristiina Ojuland, Izaskun Bilbao
Barandica, Ramon Tremosa i Balcells, Niccolò Rinaldi em nome do Grupo ALDE
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B7-0487/2011
Resolução do Parlamento Europeu sobre a situação na Síria
O Parlamento Europeu,
– Tendo em conta as suas anteriores resoluções sobre a Síria, em particular a sua resolução, de 7 de Julho de 2011, sobre a situação na Síria, no Iémen e no Barém no contexto da situação no mundo árabe e no Norte de África,
– Tendo em conta as decisões do Conselho sobre a Síria de 12 de Abril, de 9 e 23 de Maio, de 20 e 25 de Junho e de 2 de Setembro de 2011 e as declarações da Alta Representante de 9, 23 e 29 de Abril, de 9 de Maio, de 6, 9 e 11 de Junho, de 9 e 31 de Julho, de 1, 4, 18 e 30 de Agosto e de 2 de Setembro sobre a prorrogação das medidas restritivas adoptadas contra o regime sírio,
– Tendo em conta as conclusões do Conselho sobre a Síria de 12 de Abril, de 23 de Maio, de 20 de Junho e de 18 de Julho de 2011,
– Tendo em conta a declaração, de 27 de Agosto de 2011, da Liga Árabe sobre a situação na Síria,
– Tendo em conta a declaração do Presidente do Parlamento Europeu, de 19 de Agosto de 2011, sobre a Síria e as reacções da comunidade internacional,
– Tendo em conta o relatório da missão de informação sobre a Síria criada com base na resolução adoptada pelo Conselho do Direitos do Homem (S-16/1), de 17 de Agosto de 2011,
– Tendo em conta a Declaração da presidência do Conselho de Segurança das Nações Unidas, de 3 Agosto 2011,
– Tendo em conta a resolução adoptada, em 23 de Agosto de 2011, pelo Conselho dos Direitos do Homem da ONU na sua 17.ª Sessão Especial sobre a situação dos direitos humanos na República Árabe Síria,
– Tendo em conta a Comunicação Conjunta intitulada Uma nova resposta a uma vizinhança em mutação", de 25 de Maio de 2011, que complementa a comunicação conjunta "Uma Parceria para a Democracia e a Prosperidade Partilhada com o Sul do Mediterrâneo", de 8 de Março de 2011,
– Tendo em conta o Estatuto de Roma do qual a Síria é parte signatária,
– Tendo em conta o Pacto Internacional sobre os Direitos Civis e Políticos de 1966, de que a Síria é parte,
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– Tendo em conta a Convenção da ONU contra a Tortura e outras Penas ou TratamentosCruéis, Desumanos ou Degradantes, de 1975, da qual a Síria é parte,
– Tendo em conta as Orientações da UE relativas aos Defensores dos Direitos Humanos, de 2004, actualizadas em 2008,
– Tendo em conta o n.º 2 do artigo 110.º do seu Regimento,
A. Considerando que, desde o início da repressão violenta de manifestantes pacíficos na Síria, em Março de 2011, se tem assistido a uma escalada sistemática de assassinatos, actos de violência e tortura e o exército e as forças de segurança sírias continuam a ripostar com execuções, actos de tortura e detenções em massa selectivas; considerando que, segundo estimativas das Nações Unidas, mais de 2 200 pessoas perderam a vida, muitas mais terão sido feridas e milhares terão sido detidas;
B. Considerando que os manifestantes pacíficos exigem que o Presidente Bashar Al Assad se demita e ponha termo ao regime repressivo violento do partido Bath e da família Al Assad; considerando que o povo sírio reclama a cessação imediata da violência, das execuções extrajudiciais e da tortura, os mesmos direitos para todos os grupos étnicos e religiosos e o respeito das liberdades políticas gerais, tais como a liberdade de expressão, a liberdade de imprensa e a liberdade de reunião;
C. Considerando que o uso excessivo de força contra manifestantes pacíficos e civis, incluindo mulheres e crianças, por parte das forças de segurança resultou num elevado número de mortos, feridos e detenções e constitui uma violação do Pacto Internacional sobre os Direitos Civis e Políticos, de que a Síria é parte signatária;
D. Considerando que uma missão de informação das Nações Unidas constatou que as forças de segurança na Síria poderiam ter cometido crimes contra a humanidade no decurso de actos violentos de repressão contra os cidadãos;
E. Considerando que as cidades de Hama, de Homs e de Lattakia foram alvo de vastas operações militares, incluindo bombardeamentos aéreos e ataques navais;
F. Considerando que o governo sírio cortou o abastecimento de água, de electricidade, de géneros alimentícios e de medicamentos em cidades inteiras para silenciar os seus cidadãos;
G. Considerando que o Governo sírio cortou o acesso à Internet e às redes de comunicação móvel; considerando que os manifestantes que apresentam provas de violações dos direitos humanos por meio dos seus telefones portáteis passam a constituir um alvo de franco-atiradores à paisana; considerando que os manifestantes arriscam a vida quando procedem ao contrabando de aparelhos que contêm provas de violações dos direitos humanos para que o mundo as possa ver;
H. Considerando que nenhum jornalista ou observador internacional tem acesso ao país; considerando que os relatos de activistas sírios dos direitos humanos e as imagens colhidas com a ajuda de telefones portáteis constituem os únicos elementos de prova das violações generalizadas dos direitos humanos e dos ataques sistemáticos, indiscriminados
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ou não, contra manifestantes pacíficos e os cidadãos em geral na Síria;
I. Considerando que o exército sírio assassina, agride e persegue civis em numerosas cidades ao longo da fronteira turca e força milhares de sírios a procurarem refúgio nos campos de refugiados turcos; considerando que o exército usou tanques e helicópteros para matar manifestantes pacíficos e civis;
J. Considerando que foram detidos em Beirute, capital do Líbano, manifestantes contra o governo sírio; considerando que o governo iraniano apoia a campanha violenta levada a cabo pelo governo sírio prestando formação militar, fornecendo armas e mobilizando franco-atiradores e membros da Guarda Revolucionária Iraniana na Síria;
K. Considerando que advogados sírios têm sido alvo crescente de agressões por ocasião de manifestações de solidariedade para com as vítimas de repressão violenta e quando solicitam o termo das detecções arbitrárias e dos actos de tortura e reclamam a libertação de todos quantos se encontram detidos sem culpa formada, nomeadamente advogados; L. Considerando que alguns médicos foram alvo de agressões no exercício das suas funções
e tratam feridos, independentemente das posições que defendem;
M. Considerando que a Turquia tem sido anfitriã de várias reuniões da oposição síria;
considerando que em 25 de Agosto foi criado um conselho nacional; considerando que foi constituído um comité de coordenação local; considerando que a oposição síria continua a envidar esforços no sentido de se unir em torno de um único organismo representativo; N. Considerando que, em 1 de Setembro, Mohammed Adnan al-Bakkour, procurador-geral
da cidade de Hama, pediu a demissão como forma de protesto contra a repressão brutal contínua de manifestantes civis;
O. Considerando que o exército sírio torturou Ali Farzat, caricaturista político bem conhecido e defensor dos direitos humanos de longa data; considerando ainda que muitos outros activistas e jornalistas moderados que se opõem à violência foram encarcerados por se terem pronunciado contra o regime; considerando que entre estes figuram Walid al-Buni, Nawaf Basheer, Georges Sabra, Mohammed Ghaliyoun, Myriam Haddad e Sami
al-Halabiand Abdullah al-Khalil; considerando que alguns estão incomunicáveis desde há vários meses;
P. Considerando que, apesar dos repetidos compromissos e promessas de reformas políticas e democráticas na Síria, as autoridades não deram quaisquer passos credíveis para as cumprir e o governo perdeu a sua legitimidade;
Q. Considerando que a UE é o parceiro comercial mais importante da Síria;
R. Considerando que a UE se absteve de reagir em tempo oportuno e com toda a firmeza necessária à continuação dos assassínios e dos actos de violência perpetrados contra civis na Síria e que a imposição e a entrada em vigor do embargo sobre o petróleo decidido pela UE foram adiadas em nome dos interesses comerciais de Estados-Membros da União; S. Considerando que a nova abordagem proposta pela Comissão Europeia e pela Alta
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Representante como nova resposta a uma vizinhança em mutação se baseia na mútuaresponsabilidade e no empenhamento comum em relação aos valores universais dos direitos humanos, da democracia e do Estado de Direito;
T. Considerando que Membros do Parlamento Europeu procederam à troca de pontos de vista com representantes da oposição síria no exílio por diversas ocasiões nos últimos meses;
1. Reitera a sua veemente condenação dos terríficos actos de violência exercidos pelo governo da Síria contra o seu próprio povo e das graves e contínuas violações dos direitos humanos; lamenta o assassinato de civis pelas forças de segurança; exprime as suas condolências e a sua solidariedade para com as famílias das vítimas;
2. Expressa a sua solidariedade para com o povo da Síria; saúda as aspirações de mudança democrática; observa e reconhece que Bashar Al Assad perdeu toda a credibilidade aos olhos do povo sírio, ao escolher a via da repressão em vez de cumprir as suas próprias promessas de amplas reformas, exortando o presidente sírio Bashar Al Assad a retirar-se de imediato do poder;
3. Insta as autoridades da Síria a cumprir os seus compromissos internacionais em matéria de direitos humanos e de liberdades fundamentais; solicita às autoridades o levantamento imediato do estado de emergência, a libertação imediata de todos os prisioneiros políticos, defensores dos direitos humanos, jornalistas e manifestantes pacíficos, o respeito, na letra e no espírito, pelo direito da população à liberdade de expressão e de associação, a
garantia da igualdade de direitos para as minorias, a garantia de acesso aos meios de comunicação, como a Internet e a telefonia móvel, e a garantia da liberdade de imprensa; 4. Exorta as autoridades sírias a garantir acesso imediato a observadores internacionais
independentes e de direitos humanos, a membros de organizações de ajuda humanitária e a jornalistas estrangeiros;
5. Saúda a Declaração da presidência do Conselho de Segurança das Nações Unidas, de 3 de Agosto de 2011, sobre a Síria, na qual se salienta que a única solução para a crise actual passa por um processo político abrangente conduzido pela Síria; lamenta profundamente a atitude da Rússia e da China ao bloquearem a adopção de sanções na ONU contra o regime sírio no Conselho de Segurança das Nações Unidas;
6. Congratula-se com a adopção pelo Conselho, em 2 de Setembro de 2011, de novas medidas restritivas contra o regime sírio, nomeadamente a proibição da importação de petróleo bruto sírio para a UE e a inclusão de quatro cidadãos e três entidades sírias na lista de pessoas e entidades sujeitas ao congelamento de bens e à interdição de viajar, incluindo a força iraniana Quds;
7. Exorta a UE, face à deterioração da situação na Síria, a tomar novas medidas contra o regime sírio e contra todas as pessoas leais ao regime, entravando investimentos directos da UE em sectores cruciais da economia síria; exorta à aplicação de ulteriores sanções selectivas nos planos financeiro e diplomático contra o regime e respectivos financiadores e à minimização dos impactos negativos nas condições de vida do povo sírio;
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8. Reitera o apelo que endereçou à UE e respectivos Estados-Membros para que exortem o Conselho de Segurança das Nações Unidas a incumbirem o Tribunal Penal Internacional de um inquérito independente para determinar os responsáveis por ordenar, financiar e exercer a violência na Síria, bem como sobre a questão de saber se estes actos constituem crimes contra a humanidade, nomeadamente por parte do Presidente Bashar Al Assad, Maher al-Assad, Rami Makhlouf, do exército sírio e das forças de segurança, a fim de garantir o julgamento dos seus autores; saúda, neste contexto, a resolução adoptada recentemente pelo Conselho dos Direitos do Homem das Nações Unidas na qual se solicita o envio à Síria de uma comissão de inquérito internacional independente para averiguar todas as alegações de violações do direito internacional relativo aos direitos do Homem cometidas pelo regime desde Março de 2011;
9. Regozija-se com a proposta apresentada pela Turquia de criação de zonas-tampão para fins humanitários destinadas a cidadãos sírios forçados a fugir da repressão violenta que as autoridades sírias continuam a exercer; considera que a UE deve velar por que a ACNUR na Turquia tenha acesso a recursos suficientes, eventualmente através de fundos
suplementares "ad hoc", a fim de viabilizar um acolhimento humanitário aos cidadãos sírios que ali afluem em número cada vez maior;
10. Salienta que o Qatar, a Arábia Saudita e o Kuwait retiraram os respectivos embaixadores da Síria;
11. Exorta a um processo político autêntico, imediato e inclusivo com a participação de todos os actores políticos democráticos e organizações da sociedade civil, que poderia servir de base a uma transição pacífica irreversível rumo à democracia na Síria;
12. Reitera o seu firme apoio aos esforços diplomáticos envidados pelos Estados-Membros da UE no Conselho de Segurança das Nações Unidas e em outros fóruns internacionais destinados a encontrar respostas adequadas pela comunidade internacional para a actual crise na Síria;
13. Exorta a UE a explorar todas as possibilidades ao seu alcance para restabelecer as
tecnologias da comunicação na Síria, nomeadamente a rede Internet e a telefonia móvel, e a fornecer os meios necessários para o efeito;
14. Exorta a UE e os Estados-Membros a continuarem a cooperar estreitamente com a Turquia e outros países vizinhos da Síria, a Liga Árabe, a Organização da Conferência Islâmica, o Conselho de Cooperação dos Estados Árabes do Golfo e outros actores internacionais, a fim de pôr termo à actual crise na Síria e de prestar ajuda humanitária e abrigo aos refugiados;
15. Solicita à UE que intensifique os seus contactos com os movimentos da oposição e respectivos dirigentes, exortando a que o Conselho Nacional seja utilizado como plataforma política para a revolução do povo sírio;
16. Encarrega o seu Presidente de transmitir a presente resolução ao Conselho, à Comissão, à Alta Representante, aos Governos e Parlamentos dos Estados-Membros e ao Governo e Parlamento da República Árabe Síria.