• Nenhum resultado encontrado

AS CONTRIBUIÇÕES DO SOFTWARE ATLAS TI PARA ANÁLISE DOCUMENTAL

N/A
N/A
Protected

Academic year: 2021

Share "AS CONTRIBUIÇÕES DO SOFTWARE ATLAS TI PARA ANÁLISE DOCUMENTAL"

Copied!
14
0
0

Texto

(1)

DOCUMENTAL

POCRIFKA, Dagmar Heil –UFPE [email protected] CARVALHO, Ana Beatriz – UFPE [email protected] VOSGERAU, Dilmeire Sant’Anna Ramos – PUCPR [email protected] Eixo Temático: Comunicação e Tecnologia Agência Financiadora: não contou com financiamento Resumo

Para a análise de conteúdo em documentos oficiais, é possível realizá-la de diversas formas. Existe a possibilidade de fazer a analise documental de maneira manual ou utilizando softwares. Este artigo apresenta o percurso de análise documental de uma pesquisa em andamento com foco na política pública de inclusão digital UCA, aplicada pelo governo federal no estado de Pernambuco. O objetivo é comparar a análise realizada de forma manual com a análise que utilizou um software de análise qualitativo e apontar as contribuições para a pesquisa documental qualitativa. Para fundamentarmos esta pesquisa foram utilizados os autores André (1995), Triviños (1997) e Laville (1999) para apoiar a fenomenologia e a pesquisa qualitativa, Cellard (2008) para descrever a pesquisa documental e os autores Bardin (2010) e Moraes (1999) para subsidiar a análise de conteúdo. A pesquisa utiliza a análise documental como procedimento inicial para se investigar a proposta da ação governamental com a criação dos Programas de inclusão digital, considerando que os documentos escolhidos para a análise da pesquisa são reconhecidos como um marco legal das políticas públicas em inclusão digital, com foco nos professores. O encaminhamento metodológico percorreu a análise manual de documentos oficiais selecionados e posteriormente os mesmos documentos foram tratados utilizando o software Atlas TI. Os resultados obtidos a partir da análise manual apresentara superficialidade e a leitura flutuante dos documentos gerou apenas uma interpretação, mas não uma análise. Já a análise realizada com o software Atlas TI apresentou profundidade na análise dos dados e permitiu o não desvio do objetivo da análise, facilitando a codificação e categorização, gerando redes que facilitam a visualização e a interpretação dos dados analisados.

(2)

Introdução

Foi no final do século XIX que a abordagem qualitativa de pesquisa teve sua origem. A área das ciências sociais foi que iniciou os questionamentos referentes ao modo de como a ciência via o estudo do comportamento humano, cultura e conduta social.

Como André (1995) relata, as contribuições mais relevantes sobre a perspectiva qualitativa na pesquisa foi de Max Weber, ao apontar a compreensão como o ponto central que distingue a ciência social das ciências naturais e físicas. Weber focaliza a compreensão dos significados delegados pelos sujeitos às suas ações. Para termos uma visão disto é necessário inseri-lo num contexto. Com base nesta ideia, Weber e outros pesquisadores da área humanística e social levaram à gênese do conhecimento denominada como idealista-subjetivista.

O idealismo-subjetivista se contrapõe ao positivismo, que tem como objetivo a busca de fatos ou causas dos fenômenos, descartando assim os subjetivos individuais. Por meio de dados quantitativos é que o positivismo busca as informações e trabalha para estabelecer e comprovar as relações referentes às variáveis. Já a perspectiva idealista-subjetivista vê que a realidade pertence ao sujeito e destaca o entendimento que o próprio sujeito possui de sua realidade. Opondo-se ao empirismo, que busca a interpretação em vez da mensurar, almeja ver o mundo como é vivenciado, compreendendo o comportamento humano a partir do que pensam as pessoas sobre a realidade, dar a devida importância a indução e ter a consciência de que os valores e fatos possuem relação, com isto é impossível a postura neutra do pesquisador (André, 1995).

É nesse princípio que vai se tecendo a abordagem qualitativa de pesquisa, conceituada por André (1995, p. 17) como:

Naturalística ou naturalista porque não envolve manipulação de variáveis, nem tratamento experimental; é o estudo do fenômeno em seu acontecer natural. Qualitativa porque se contrapõe ao esquema quantitativista de pesquisa (que divide a realidade em unidades passíveis de mensuração, estudando-as isoladamente), defendendo uma visão holística dos fenômenos, isto é, que leve em conta todos os componentes de uma situação em suas interações e influências recíprocas.

As ações governamentais para a inclusão digital e o uso de tecnologias no campo educacional, são apresentadas no formato de relatórios extensos com muitos dados

(3)

quantitativos e números consolidados em relação aos equipamentos, escolas atendidas, professores beneficiados etc. A análise qualitativa das ações implementadas e os seus desdobramentos em diferentes níveis de análise, é fundamental para a reflexão sobre as propostas e construção de novos referenciais sobre o tema.

A Abordagem qualitativa de pesquisa tem a sua origem na fenomenologia. A fenomenologia é um pensamento contemporâneo que envolve tanto a utilização como o desenvolvimento de metodologias que permite ao pesquisador refletir sobre como os sujeitos descrevem a sua visão de mundo.

Confrontando o positivismo e a fenomenologia, os positivistas pressupõem encontrar a verdade do sujeito e da sociedade em contextos amplos e no quantitativo significante de pessoas, sendo o foco a objetividade, e os fenomenologistas aceitam o fato de que se pode, a partir de contextos menores, conhecer o sujeito e a sociedade na qual está inserido, tendo o estudo dos indivíduos o foco da subjetividade.

Segundo André (1995, p.18),

A fenomenologia enfatiza os aspectos subjetivos do comportamento humano e preconiza que é preciso penetrar no universo conceitual dos sujeitos para poder entender como e que tipo de sentido eles dão aos acontecimentos e às interações que ocorrem em sua vida diária.

Para os fenomenologistas existem “múltiplas formas de interpretar as experiências em função das interações com os outros e que a realidade não é mais do que o significado das nossas experiências,” sendo assim, considerar as diferentes interpretações dos sujeitos envolvidos nas ações das políticas públicas de inclusão digital utilizando a abordagem fenomenológica, possibilitará análises e reflexões mais ricas com uma visão plural do processo.

Complementando a abordagem qualitativa, Triviños (1987) nos aponta outras características importantes que norteiam essa abordagem.

A maneira como se realiza e de que maneira que os mecanismos atuam no processo de desenvolvimento das formações materiais, está na transição da mudança quantitativa para a qualitativa, segundo Triviños (1987). Quando falamos em qualidade, nos referimos ao objeto, fenômeno como ele é, suas características, propriedades, isto é, pelas suas qualidades.

(4)

Triviños (1987) ainda destaca as fases para o conhecimento de um objeto ou fenômeno. Num primeiro momento é necessário fazer a distinção da qualidade do objeto/ fenômeno em relação a outro objeto/ fenômeno, fazendo uma separação por meio de conjuntos de suas propriedades. Num segundo momento do processo do conhecimento do objeto/ fenômeno é que classificamos outras características como quantidade, causa essência etc.

Para definirmos com qualidade como um objeto/ fenômeno “é” precisamos conhecer a sua estrutura. Podemos mudar as propriedades de um objeto/ fenômeno, mas a estrutura dela permanece. Nesta pesquisa, a estrutura que Triviños aponta, é composta por documentos oficias, em forma de lei, decreto e planos de ação elaborados pelo governo federal que apontam para a estrutura lógica, física e humana.

Triviños (1987) avança quando afirma que só a propriedade e a estrutura não oferecem uma perspectiva exata da qualidade do objeto/ fenômeno. Para se atingir esta perspectiva é preciso ainda conhecer as funções e a finalidade do objeto/ fenômeno em relação a outros. Desta maneira Triviños (1987) conclui que para conhecermos a qualidade de um objeto/ fenômeno é necessário termos as propriedades, a estrutura destas, a função e a finalidade do objeto.

No caso das políticas públicas analisadas em nosso estudo, é essencial conhecer a sua estrutura (como o Programa de inclusão está articulado, como será viabilizada a aquisição dos equipamentos, critérios de distribuição etc.), a sua função (qual é a concepção de inclusão digital que está sendo adota e qual o seu papel no cenário educacional) e a finalidade (qual é o objetivo da política pública implementada através do Programa de inclusão digital).

A análise documental foi adotada como procedimento inicial para se investigar a proposta da ação governamental com a criação dos Programas de inclusão digital. Segundo Cellard (2008), a análise de documentos precisa ser valorizada uma vez que o documento “é (...) insubstituível em qualquer reconstituição referente a um passado relativamente distante, pois não é raro que ele represente a quase totalidade dos vestígios da atividade humana em determinadas épocas” (CELLARD, 2008, p. 295).

Um aspecto importante observado pelo autor é a contextualização documento e a sua relação com grupos sociais, com os conceitos e práticas vigentes na época de sua construção. Os documentos escolhidos para a análise de nossa pesquisa são considerados como um marco legal das políticas públicas em inclusão digital, com foco nos professores. Para compreender

(5)

os objetivos dos programas e seu percurso de execução, é necessário analisar os documentos oficiais e procurar no discurso oficial a fundamentação e o contexto histórico das ações implementadas.

Com base nestes parâmetros, a pesquisa qualitativa se encaixa com os objetivos e dados da pesquisa, pois a pesquisa envolve um grau de subjetividade e compreensão dos sujeitos sobre a sua própria prática que somente a pesquisa qualitativa daria conta dos instrumentos necessários para a investigação.

Desenvolvimento

Para esta pesquisa optou-se pela análise de conteúdo proposta por Bardin (2010). Segundo Moraes (1999) a análise de conteúdo é uma metodologia de análise utilizada para descrever e interpretar todo e qualquer conteúdo referente a documentos e textos. Esta metodologia de análise tem por objetivo reinterpretar o conteúdo das mensagens e desenvolver a compreensão além do texto, isto é conseguir perceber o que se quer dizer nas entrelinhas.

Já Bardin (2010, p. 44) define a análise de conteúdo como “um conjunto de técnicas de análise das comunicações que utiliza procedimentos sistemáticos e objetivos de descrição do conteúdo das mensagens [...]”. Essa metodologia beneficia o campo da investigação social por meio da interação entre teoria e prática. Com características e possibilidades próprias, esta metodologia rompe as barreiras de uma técnica de análise de dados. Ela permite obter informações aos sujeitos mais críticos nas suas diversas áreas de atuação.

A análise de conteúdo se constitui uma abordagem qualitativa, pois permite a subjetividade, apesar de aceitar a objetividade dos números, mas não como objetivo principal e permite a aplicação da indução e intuição como subterfúgio para compreender e esgotar as possibilidades do objeto/ fenômeno investigado. Moraes (1999) apresenta cinco etapas de procedimentos para o processo da análise de conteúdo.

Preparação das informações

A preparação do corpus para a pesquisa se deu na reunião e organização dos documentos pertencente ao programa.

(6)

• LEI nº 12.249, de 10 de junho de 2010, trata, entre outros assuntos, da criação do Programa Um Computador por Aluno - PROUCA e institui o Regime Especial de Aquisição de Computadores para Uso Educacional - RECOMPE • DECRETO Nº 7.243, de 26 de julho de 2010, que regulamenta o Programa Um

Computador por Aluno – PROUCA e o Regime Especial de Aquisição de Computadores para uso Educacional – RECOMPE.

• Projeto de ação FORMAÇÃO BRASIL: PLANEJAMENTO DAS AÇÕES / CURSOS.

A lei e decreto foram obtidos por meio do diário oficial, disponível na internet e o Projeto de Ação foi disponibilizado pela equipe de formação da UFPE.

Em 2010, o estado de Pernambuco foi inserido no Projeto UCA (Um Computador por Alunos) por meio da lei nº 12.249 de 10 de junho de 2010, e regulamentada pelo DECRETO Nº 7.243.

Dez escolas públicas (sendo cinco escolas municipais e cinco escolas estaduais) das diversas regiões do estado, além do Colégio de Aplicação da UFPE e as escolas da cidade de Caetés, onde foi implantado o UCA Total, foram contempladas com a aquisição de um laptop educacional para cada aluno.

O alvo deste programa são os alunos, mas como os professores necessitam trabalhar com os recursos tecnológicos, também foram contemplados com um computador portátil, mas que difere dos equipamentos dos outros programas de inclusão digital.

O projeto UCA tem o objetivo claro de promover a inclusão digital nas escolas das redes públicas de ensino federal, estadual, distrital, municipal, contemplando assim alunos, professores e comunidade.

O que chama a atenção deste projeto e que o diferencia dos outros programas é que a ideia de inclusão digital ultrapassa os limites da escola. O laptop, quando é entregue ao aluno, ao mesmo tempo é entregue para a família do aluno. O uso do laptop, quando acordado entre escola e comunidade, é levado para casa para que todos da família possam usufruir do equipamento.

Com uma proposta de formação construída, tem como formar o professor para o uso pedagógico do equipamento em dois anos, com objetivos de estruturar uma rede de formação, de acompanhamento e apoio às práticas pedagógicas, inserir uma prática inovadora do uso das

(7)

tecnologias educacionais na formação inicial e continuada de professores, criar uma cultura de redes cooperativas.

O trabalho de formação para o UCA no estado de Pernambuco começa com a formação de multiplicadores realizada pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Cada multiplicador é responsável por uma escola contemplada, no qual recebe formação e acompanhamento presencial e formação a distância realizada no ambiente do E-PROINFO. Cada multiplicador com a gestão da escola planeja a ação que realizará com seus professores, que mesclam com encontros presenciais e também com atividades a distância, realizadas no ambiente do E-PROINFO. A capacitação dos multiplicadores, professores e gestores, os módulos de apropriação tecnológica, Web 2.0, formação de professores (para grupo de professores), formação de gestores (para o grupo de gestores), elaboração de projetos e Construção compartilhada do Projeto de Gestão Integrada das Tecnologias, totalizando uma carga horária de 180 horas, certificado como extensão pela UFPE.

Nada impede que o multiplicador e professores ultrapassem o limite da autonomia e criatividade no processo de formação.

A proposta do projeto UCA é de um trabalho continuado por dois anos com o cumprimento dos seguintes módulos obrigatórios: compreensão da proposta UCA, apropriação dos recursos do equipamento, inovação pedagógica no uso das tecnologias digitais, atualização do PPP da escola, para incluir as tecnologias digitais e a socialização da proposta UCA da escola a serem realizados no primeiro ano do projeto e no segundo ano do serão adicionados módulos opcionais (oficinas) ao novo núcleo de módulos obrigatórios, observando as necessidades e interesses das escolas. Esta ação é denominada como “Kit Personalizado de Formação”.

Após reunirmos os documentos referentes à pesquisa, é necessário prepará-los para a análise.

Em primeiro lugar é necessário identificar as diferentes informações. É imprescindível a leitura de todo o material reunido e analisar quais destes documentos contemplam os objetivos da pesquisa, isto é, devem conter dados significativos e relevantes aos objetivos da análise e abranger o campo que será investigado.

Em segundo lugar inicia-se o processo de codificação dos materiais. Esta codificação serve para identificar, de forma rápida cada elemento dos materiais que receberão a análise. O pesquisador poderá codificar seus documentos com letras ou números.

(8)

Realizado de maneira primária, sem a utilização de software específico para análise de conteúdo, o documento foi inserido no Word e com o auxílio de uma marca texto, foram marcados nos textos, os aspectos relevantes sobre as categorias a priori definidas a partir de Warschauer (2006) que são os modelos de acesso à inclusão digital equipamento, conectividade e letramento.

Unitarização ou transformação do conteúdo em unidades

Para submeter às informações em unidades, é necessário definir a unidade de análise ou a unidade de registro.

Para Bardin (2010), unidade de registro (UR), apesar de dimensão variável, é na ordem semântica, o menor recorte que se extrai do texto, podendo ser uma palavra-chave, um tema, objetos, personagens, etc.

Para Moraes (1999, p13) é “o elemento unitário de conteúdo a ser submetido posteriormente à classificação”, que será definida pelo pesquisador podendo ser palavras, frases, temas e documentos em sua totalidade.

O resultado deste processo será diferentes mensagens divididas em elementos menores, devidamente codificados.

Ao realizar a análise de modo primário, foi se destacando no texto, os trechos do texto que apresentava indícios das categorias a priori.

O software Atlas TI, permite a utilização do recurso Contagem de Palavras, no qual se pretende trabalhar com a análise a nível textual. Este recurso permite que o software tabule todas as palavras contidas nos documentos, em ordem alfabética e com o número de freqüência destas palavras, transpostas para uma planilha no Excel. O total de palavras contidas nos três documentos analisados foram 7246. Uma vez gerada esta planilha, foram classificadas as palavras em três grupos, que correspondem aos códigos a priori de modelos de acesso à inclusão digital, que são equipamento com 164 palavras, conectividade com 44 palavras e letramento com 538 palavras. Com este recurso simples, podemos ter a visão de que o código letramento teve um significativo destaque no programa UCA.

Uma vez classificadas as palavras referentes ao grupo, a listagem das palavras será tratada no Word. É preciso eliminar o formato de tabela e transformar a listagem em palavras em linha de texto, separadas pelo dígito “|”no qual exemplificamos da seguinte maneira: |(impressora),|(notebook)|(notebook),|(notebooks)|placa|(processador,|(software)|(softwares,|(t

(9)

ouch|abono|ABONO,|abono,|abonos|acessórios|acessórios,|acessórios.|. Este procedimento é necessário, pois o softwares Atlas TI trabalha com este protocolo para gerar o código de análise.

Com a criação do código e a inserção das palavras relacionadas ao código, o Atlas TI fará a auto-codificação, isto é, todas as palavras pertencentes ao código, serão selecionadas automaticamente no texto, que está inserido no software.

Com este procedimento todos os documentos foram codificados automaticamente em equipamento, conectividade e letramento. Como o software codificou automaticamente, é necessária uma etapa de filtragem, pois nem tudo que foi codificado pela palavra isolada, se trata efetivamente do contexto analisado.

O código equipamento é referente a toda a citação de equipamentos como computador, software, periféricos, descritos nos documentos oficiais. O código conectividade refere-se a tudo que se relaciona com a conectividade, sendo ela móvel, fixa, subsidiados ou não e o código letramento refere-se a toda citação que consta qualquer tipo de formação, curso, capacitação do professor para o uso do equipamento.

Categorização ou classificação das unidades em categorias

Segundo Moraes (1999), esta etapa é considerada como a mais criativa da análise de conteúdo. Implica em agrupar os dados de acordo com suas semelhanças, analogias que foram estabelecidas previamente. Deve-se ter em mente que realizar uma classificação exige critérios determinados, baseados no problema, objetivos e elementos utilizados na análise de conteúdo.

Na análise de modo primário, não houve a realização desta etapa.

Após a codificação a priori, o software Atlas TI permite gerar uma rede com as citações de cada código gerado, no qual permitirá agora categorizar os códigos equipamento, conectividade e letramento.

A classificação de cada código gerou as seguintes categorias:

Código Categorias Características

Equip.Finalidade Para que foi adquirido. Equipamento Equip.Objeto O que foi adquirido. Equip.Público Alvo Quem foi beneficiado. Conectividade Conec. Recurso Físico O que foi oferecido.

(10)

Letram.Objetivo Para qual finalidade. Letram.Estratégia Como alcançar o objetivo.

Letramento Letram.Proposta Metodológica De que maneira alcançar o objetivo. Letram.Portal Educacional Ferramenta de apoio.

Letram.Público Alvo Quem foi beneficiado. Quadro 1- Categorias e características do Programa UCA

Descrição

Após todo o processo de categorização, Moraes (1999) diz que é necessário relatar as resultados obtidos. Como foi a escolha, coleta, a definição das unidades de contexto e a análise validarão a pesquisa.

É o momento de compartilhar todos os significados concretos e subjetivos das mensagens analisadas.

A escolha das unidades de contexto ocorreu quando as citações de cada código foram formadas nas redes. Cada código (equipamento, conectividade e letramento) gerou uma rede composta pelas citações. As citações foram classificadas com elementos que pudessem se agrupar obedecendo aos critérios de pertinência, exaustividade, homogeneidade, exclusividade e objetividade (figura 1). Juntamente com as categorias foram escritas as iniciais de cada código (equip, conec e letram) para que houvesse uma diferenciação entre elas, pois algumas categorias possuem o mesmo nome.

(11)

Interpretação

Moraes (1999) aponta que interpretação está intimamente ligada com a pesquisa qualitativa e que não é apenas uma descrição e sim compreender o que o conteúdo das mensagens apresenta por meio da inferência e interpretação que é essencial em toda a análise de conteúdo.

Para Bardin (2010), que nomeia esta etapa de tratamento dos resultados e interpretação, a inferência é um deduzir de maneira lógica, em que serão tecidas as compreensões surgidas nas unidades de conteúdo e que culminará na interpretação.

Ao realizarmos a análise de forma primária, saímos da etapa unitarização diretamente para a etapa da interpretação, onde na verdade temos mais uma descrição do que efetivamente uma interpretação, conforme o exemplo:

Cabe ressaltar aqui, como cada aluno recebeu um computador portátil, o professor também foi contemplado com o mesmo equipamento. Com esta iniciativa o professor sabe exatamente o que e como trabalhar com o aluno, pois tem conhecimento do equipamento que aluno possui.

Mais um ponto positivo do decreto está no parágrafo 3º do artigo 1º, onde encontramos a inclusão do software livre: “terão prioridade as Soluções de Software Livre e de Código Aberto e sem custos de licenças, conforme as diretrizes das políticas educacionais do Ministério da Educação”. (BRASIL, 2010)

Em relação ao decreto de implantação, percebeu-se uma lacuna. Em nenhum dos artigos consta a conectividade dos computadores, que segundo Warschauer (2006) é elemento essencial para a inclusão digital.

A Secretaria de Educação a Distância (SEED) elaborou um plano de ação denominado Formação Brasil, que visa estruturar o Projeto UCA. Neste plano de ação podemos perceber que elementos de inclusão digital, que no decreto estavam ausentes, foram contemplados.”

Já na análise com o software Atlas TI, as interpretações podem surgir de várias fontes como quadro de frequência de códigos (figura 2) que geram o gráfico (gráfico 1), que apresentam um desequilíbrio entre eles.

(12)

Figura 2 -Frequência dos códigos a priori Gráfico 1 - Frequência dos códigos a priori

As categorias do código equipamento mostram que o objeto adquirido, isto é, a citação do notebook é presente em todos os documentos oficiais, colocando-o como destaque na proposta de Inclusão Digital das Políticas Públicas, principalmente na lei e do decreto federal. Percebe-se também que em relação ao público alvo e finalidade dos equipamentos, o programa UCA estabelece critérios definidos de acordo com seus documentos.

No programa UCA a conectividade está presente, mas não com ênfase, sendo que a conectividade não é móvel e se limita ao uso da rede em âmbito escolar pela rede Wireless sendo que este item está presente no programa de ação.

O letramento esteve presente nos documentos oficiais no programa UCA por meio de um plano de ação denominado Formação Brasil: Planejamento das ações/cursos apresentando o objetivo, o público alvo e a utilização de um Portal Educacional para a efetivação do letramento. As categorias relacionadas com as estratégias, metodologia aplicada ao letramento e um avanço no letramento, que seria a alfabetização digital, marcaram presença no programa UCA.

O programa UCA contemplou os três modelos de acesso à inclusão digital proposto por Warschauer (2006) com ênfase no letramento e equipamento, mas oportunizando também a conectividade. Esta interpretação é decorrente das análises de quadros (quadro 1) e das redes (figura 1) gerados pelo software Atlas TI.

Conclusão

Os resultados de análise de conteúdo podem apresentar diferentes resultados de acordo de como ela é feita. Duas metodologias foram aplicadas para analisar documentos oficiais referentes à implantação do programa UCA. Uma inicial, realizada de maneira rudimentar, e

(13)

manual, utilizando os documentos e o editor de texto Word e uma segunda maneira, realizada com o auxílio de um software de análise qualitativa Atlas TI.

Os resultados obtidos a partir da análise manual apresentaram uma superficialidade e a leitura flutuante dos documentos gerou apenas uma interpretação, mas não uma análise. Já a análise realizada com o software Atlas TI apresentou profundidade na análise dos dados e permitiu o não desvio do objetivo da análise, facilitando a codificação e categorização, gerando redes que facilitam a visualização e a interpretação dos dados analisados.

Desta maneira podemos concluir que a utilização adequada de um software de análise qualitativa além de facilitar, obtém resultados mais precisos e de qualidade que validam a pesquisa científica.

Na visão pessoal, o uso do software apontou para a possibilidade de uma organização contínua na base de dados, proporcionando mecanismos de procura rápida e flexível em momentos de se encontrar um determinado documento, permite estabelecer palavras chaves ou rótulos a segmentos de texto, com o objetivo de encontrar automaticamente nos documentos ou de permitir uma recuperação posterior ao trabalho, autoriza atrelar segmentos de dados uns aos outros, com o objetivo de estabelecer categorias, teias ou redes de informação para utilização a curto, médio e longo prazo, além da criação de diagramas que facilitam a visualização de resultados ou teorias.

REFERÊNCIAS

ANDRÉ, M. E. D. A. Etnografia da prática escolar. Campinas: Papirus, 1995.

BARDIN, L. Análise de conteúdo. Trad. Luís Antero Reto e Augusto Pinheiro. Lisboa: Edições 70, 2010.

BRASIL. Lei nº 12.249, de 10 de junho de 2010.

BRASIL. Projeto Um Computador Por Aluno (UCA): Formação Brasil, planejamento das ações / cursos. 2009.

BRASIL ESCOLA. O IDH no Brasil. Disponível em Erro! Fonte de referência não encontrada.Erro! Fonte de referência não encontrada. Erro! Fonte de referência não encontrada.Erro! Fonte de referência não encontrada.Acesso em: 18 de fevereiro de 2011. CÂMARA DOS DEPUTADOS. Conselho de Altos Estudos e Avaliação Tecnológica. Um Computador por aluno: a experiência brasileira. Brasília: Câmara dos Deputados, Série Avaliação de Políticas Públicas, Brasília/DF, n.1, 2008.

(14)

CELLARD, A. A análise documental. In: POUPART, J. et al. A pesquisa qualitativa: enfoques epistemológicos e metodológicos. Petrópolis: Vozes, 2008.

LAVILLE, C. A construção do saber: manual de metodologia da pesquisa em ciências humanas. Porto Alegre: Artmed; Belo Horizonte: Editora UFMG, 1999.

MORAES, M. C. Subsídios para fundamentação do Programa Nacional de Informática na Educação (Proinfo). Brasília, SEED/MEC, jan/1997.

Disponívelem:<http://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/DetalheObraForm.do?select_acti on= &co_obra=22150>. Acesso em: 10 de janeiro de 2011.

MORAES, R. Análise de conteúdo. Revista Educação, Porto Alegre, v. 22, n. 37, p. 7-32, 1999.

TRIVINOS, A.N.S. Introdução à pesquisa em ciências sociais: a pesquisa qualitativa em educação. São Paulo: Atlas, 1987.

WARSCHAUER, M. Tecnologia e inclusão social: a exclusão digital em debate. São Paulo: Senac, 2006.

Referências

Documentos relacionados

A prevalência global de enteroparasitoses foi de 36,6% (34 crianças com resultado positivo para um ou mais parasitos), ocorrendo quatro casos de biparasitismo, sendo que ,em

O CES é constituído por 54 itens, destinados a avaliar: (a) cinco tipos de crenças, a saber: (a1) Estatuto de Emprego - avalia até que ponto são favoráveis, as

(Prof S Bazargan-Hejazi PhD); David Geff en School of Medicine, University of California, Los Angeles, Los Angeles, CA, USA (Prof S Bazargan-Hejazi PhD); Kermanshah University

Para a produção sintética de metabólitos fúngicos bioativos, alguns parâmetros podem ser analisados, como a composição do meio de cultivo, pois as características

Dakle svi otoci i kopno od narecene Lini- je prema Zapadu i Jugu a koji nisu u vlasnistvu bilo kojeg krscanskog princa ili kralja do ove godine 1493.. po

A revisão realizada por ERDMAN (1988a) mostrou que, nos dezessete experimentos em que a silagem de milho foi a única fonte de volumoso oferecida a vacas leiteiras no início

Portanto, mesmo percebendo a presença da música em diferentes situações no ambiente de educação infantil, percebe-se que as atividades relacionadas ao fazer musical ainda são

Dessa forma, o presente tópico pretende analisar questões basilares acerca da relação jurídica que se forma entre o causídico, que atua na qualidade de profissional liberal, e