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Relatório de Estágio - Vida Económica

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Academic year: 2021

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RELATÓRIO DE ESTÁGIO –

VIDA ECONÓMICA

NUNO MIGUEL DA SILVA RIBEIRO

Orientadora

Professora Doutora Clara Sarmento

INSTITUTO POLITÉCNICO DO PORTO

INSTITUTO SUPERIOR DE CONTABILIDADE E ADMINISTRAÇÃO DO PORTO MESTRADO EM TRADUÇÃO E INTERPRETAÇÃO ESPECIALIZADAS 2017

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RELATÓRIO DE ESTÁGIO –

VIDA ECONÓMICA

NUNO MIGUEL DA SILVA RIBEIRO

INSTITUTO POLITÉCNICO DO PORTO

INSTITUTO SUPERIOR DE CONTABILIDADE E ADMINISTRAÇÃO DO PORTO MESTRADO EM TRADUÇÃO E INTERPRETAÇÃO ESPECIALIZADAS 2017

Versão Final (Esta versão contém as sugestões e indicações dos membros do júri)

Orientadora

Professora Doutora Clara Sarmento

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Agradecimentos

Em primeiro lugar, gostaria de dedicar um agradecimento aos meus pais, uma vez que sem eles não teria chegado até aqui, nem seria, nem de perto nem de longe, o que sou hoje.

Além disso, quero ainda deixar uma palavra especial à minha namorada, que sempre me apoiou ao longo do processo de redação deste relatório e me inspirou com a sua fé inabalável no meu potencial.

Obviamente, quero também deixar uma palavra de agradecimento à minha orientadora, a professora Clara Sarmento, que fez tudo o que estava ao seu alcance para me ajudar, de diversas maneiras, a garantir a qualidade e a coesão do meu relatório.

Quero ainda agradecer a todas as pessoas que me acolheram no seio do Grupo Editorial Vida Económica, com especial ênfase para o Doutor Miguel Peixoto de Sousa, o Doutor João Luís de Sousa e a Doutora Joana Pereira.

Por fim, gostava ainda de mencionar aqueles que, apesar de terem entrado na minha vida há pouco tempo, me fizeram companhia nas longas noites de escrita e me incentivaram a manter-me firme na minha vontade: Emanuel Silva, Hélder Mendes e Rafael Aleluia.

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Resumo

Neste relatório de estágio, analisarei as experiências decorridas ao longo do meu estágio no Grupo Editorial Vida Económica. No seu interior, analisarei, detalhadamente cada uma das tarefas realizadas por mim ao longo dos seis meses de duração do estágio. Estas tarefas incluem tarefas de revisão e tradução. Entre as tarefas de tradução, destaca-se a retroversão da obra O Efeito Trump e o Brexit, de Jorge Castela, que destaca-se estendeu ao longo de todo o estágio. A análise destas tarefas será ainda acompanhada por breves explicações teóricas relativas quer à disciplina da tradução, quer da revisão.

Abstract

In this report, I will cover the events occurred throughout my internship in the Vida Económica Publishing Group. I will analyze, in detail, each of the tasks completed by me throughout the six months of internship. These tasks included translation tasks and revision tasks. Among the translation tasks, one can highlight the retroversion of O Efeito

Trump e o Brexit, a book by Jorge Castela, which spanned over the entire duration of the

internship. These tasks’ analysis will be accompanied by brief theoretical explanations related to both the translation and revision fields.

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Lista de Siglas e Acrónimos

ABNT Associação Brasileira de Normas Técnicas AENOR Associação Espanhola de Normas de Qualidade

CEN Comité Europeu de Normalização

EN European Norm (Norma Europeia)

IPQ Instituto Português de Qualidade

ISO International Standards Organization (Organização Internacional de Normalização)

LISA Localization Industry Standards Association (Associação de Normalização da Indústria da Localização)

QA Quality Assurance (Garantia de Qualidade) QC Quality Control (Controlo de Qualidade)

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Índice

Agradecimentos ... iv Resumo... v Abstract ... v Introdução ... 1 1. O Estágio ... 4 A Empresa ... 4 Funções Desempenhadas ... 4 2. Tradução ... 6 2.1. Revisão da Literatura ... 6 2.2. Os Softwares Utilizados ... 15 2.3. Os Recursos Utilizados ... 18

3. Análise das Traduções ... 24

3.1 Tradução de 7 Habits of Successful Investors ... 24

3.2. Tradução de Macron Majority Gives His Reforms Momentum ... 25

3.3. Tradução de EMO Hannover 2017 Once Again a Trend Forum for Production Technology……….26

3.4. Tradução de Entrevista Sobre Desastres Naturais ... 28

3.5. Tradução de Texto Sobre a Cidade de Numância ... 28

3.6. Tradução da Contracapa e Biografia do Autor do Livro Inteligência Comercial ... 29

3.7. Tradução de The Most Expensive Classic Cars ... 30

3.8. Tradução de Venezuela: The Crisis Worsens Further ... 32

3.9. Retroversão de O Efeito Trump e o Brexit ... 34

3.9.1 Sobre a Obra e o Autor... 34

3.9.2 Análise da Retroversão ... 36

4. Revisão ... 47

4.1 Revisão da Literatura ... 47

4.2. Proofreading de Inteligência Comercial ... 56

4.3. Revisão de Seja Livre, Sendo Dono de um Negócio ... 58

4.4. Revisão de Do Crime do Abuso de Informação Privilegiada (Insider Trading): uma Análise Ius Dogmática, entre Sistemas e Jurisprudências ... 60

Conclusão ... 63

Bibliografia Primária... 65

Bibliografia Secundária ... 65

Bibliografia Secundária Online ... 66

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1. Modelo de Revisão de Brian Mossop (Garcia, 2009) ... 70

2. Modelo de Garantia de Qualidade de Julianne House (Garcia, 2009) ... 71

3. Modelo LISA de QA e QC e Exemplo de Formulário (Garcia, 2009) ... 72

4. Exemplo de Formulário (Schiaffino e Zearo, 2002, disponibilizado em Garcia, 2009)... 73

5. Caminhos Para a Qualidade de Scott Bass (Garcia, 2009) ... 74

6. Anexos Multimédia (CD-ROM) ... 75

6.1. Tradução de 7 Habits of Successful Investors... 75

6.1.1. Original ... 75

6.1.2. Tradução ... 75

6.2. Tradução de Macron Majority Gives His Reforms Momentum ... 75

6.2.1. Original ... 75

6.2.2. Tradução ... 75

6.3. Tradução de EMO Hannover 2017 Once Again a Trend Forum for Production Technology... 75

6.3.1. Original ... 75

6.3.2. Tradução ... 75

6.4. Tradução de Entrevista Sobre Desastres Naturais ... 75

6.4.1. Original ... 75

6.4.2. Tradução ... 75

6.5. Tradução de Texto Sobre a Cidade de Numância... 75

6.5.1. Original ... 75

6.5.2. Tradução ... 75

6.6. Tradução da Contracapa e Biografia do Autor do Livro Inteligência Comercial... 75

6.6.1. Original ... 75

6.6.2. Tradução ... 75

6.7. Tradução de The Most Expensive Classic Cars ... 75

6.7.1 Original ... 75

6.7.2 Tradução ... 75

6.8. Tradução de Venezuela: The Crisis Worsens Further ... 75

6.8.1 Original ... 75

6.8.2 Tradução ... 75

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Introdução

Este estágio curricular foi realizado no âmbito da unidade curricular de Dissertação/Trabalho de Projeto/Estágio do Mestrado em Tradução e Interpretação Especializadas.

O estágio foi realizado no Grupo Editorial Vida Económica. Das diversas opções disponíveis, todas elas empresas respeitáveis da área, espalhadas pelo Norte e Centro do país, escolhi a Vida Económica devido à possibilidade de vir a ganhar experiência na área da tradução literária, na qual gostava de me especializar verdadeiramente no futuro, uma vez que já sabia de antemão qual seria a tarefa principal do meu estágio, e que esta contrastava com o carácter mais técnico das publicações habituais da empresa.

Durante o estágio, realizei, dentro da empresa, as funções de tradutor, revisor e

proofreader, distribuídas por diversas tarefas que me foram sendo atribuídas pelo meu

orientador de estágio em representação da própria empresa, o Doutor Miguel Peixoto de Sousa, de entre as quais se destaca a retroversão do livro O Efeito Trump e o Brexit, de Jorge Castela.

Neste relatório de estágio, debruçar-me-ei sobre todas as questões que me surgiram neste primeiro contacto com qualquer tipo de experiência profissional na área da tradução, assim como sobre as soluções que empreguei para as ultrapassar.

Devido à diversidade das tarefas realizadas, a sua análise será dividida em três capítulos que se debruçarão sobre as características gerais do estágio, as revisões, as traduções e a tarefa principal.

No primeiro capítulo, abordarei, como referi, as características gerais do estágio. Como tal, começarei por apresentar de forma mais detalhada a empresa onde este foi realizado. Além disso, abordarei, também com maior detalhe, as funções que desempenhei no seu decorrer. Trata-se de um capítulo de apresentação e, por essa razão, será também o mais curto deste relatório.

No segundo capítulo incluo uma revisão da literatura relativa às teorias da tradução que me foram de maior utilidade durante o estágio. Mesmo pretendendo-se breve, esta secção acaba por nunca o ser, tendo em conta a vastidão, em termos do número e qualidade, das teorias que orientaram o estudo da tradução ao longo das últimas décadas.

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Contudo, procurei incluir na minha revisão da literatura apenas alguns dos teóricos da tradução mais atuantes na realização das minhas tarefas, tendo uma influência direta sobre algumas das escolhas que fiz ao longo da realização das mesmas.

De seguida, farei uma breve descrição do SDL Trados Studio, o software de tradução assistida por computador utilizado por mim para me auxiliar na realização de algumas das traduções e, principalmente, da retroversão. O capítulo terminará com uma descrição dos diversos recursos a que recorri ao longo da realização das traduções.

No terceiro capítulo, farei a análise das traduções que realizei. Este será talvez o mais longo de todo o relatório, devido, tão-só, à quantidade de tarefas de tradução que realizei ao longo do estágio.

Dediquei um subcapítulo a cada uma das tarefas de tradução realizadas (algumas das quais acabaram por resultar em artigos jornalísticos publicados no semanário Vida

Económica), que ordenei cronologicamente, começando pela tradução de um documento

de cariz económico que se revelou um desafio maior do que esperado e, tal como a retroversão, requereu a utilização do SDL Trados Studio. Assim, a reflexão sobre as dificuldades com que me deparei na tradução deste documento e as soluções que encontrei surge também antes da análise da tradução de todos os outros textos de cariz jornalístico. Por fim, abordarei, neste capítulo, a tarefa principal do meu estágio, já referida nesta introdução, a retroversão da obra O Efeito Trump e o Brexit de português para inglês.

Retroversão é o nome dado ao processo de tradução que é realizado para uma língua de chegada que não é nativa para o tradutor, ao contrário do que acontece numa tradução dita “normal”. Aqui, devo esclarecer que, para efeitos do presente relatório de estágio, uma tradução ou revisão normais são as tarefas do género realizadas envolvendo documentos traduzidos ou a traduzir para a língua nativa do tradutor, neste caso, a minha, o português.

No subcapítulo relativo à retroversão incluirei ainda uma descrição da obra e uma biografia do autor, antes de fazer uma análise das dúvidas/dificuldades que esta obra me colocou e das soluções que encontrei, muitas delas com a ajuda das teorias da tradução que explanarei no início do capítulo.

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No quarto e último capítulo, abordarei todas as tarefas de revisão e proofreading, que, tal como no capítulo reservado às traduções, organizarei por subcapítulos, ordenados cronologicamente, pela ordem em que foram realizadas.

No entanto, ainda antes disso, mas dentro do mesmo capítulo, incluirei no relatório uma revisão da literatura relativa aos diversos conceitos de revisão ligados aos processos de controlo e garantia de qualidade. O objetivo desta inclusão é facilitar a compreensão de algumas das decisões que tomei durante a realização de cada uma das minhas tarefas de revisão e que mencionarei nos respetivos subcapítulos.

Este relatório de estágio marca o final de uma etapa muito importante da minha vida, talvez a mais importante de todas até agora. A minha vida de estudante começou ainda na minha infância e é com um misto de sentimentos que a vejo chegar ao fim após tanto tempo.

Porém, o fim não chegaria antes de mais um teste complicado a tudo o que aprendi ao longo destes últimos dois anos. E, assim, este estágio lançou-me, abruptamente, num ambiente profissional que eu desconhecia por completo, onde realizei diversas tarefas de revisão e tradução que, como já referi, explicarei com maior detalhe ao longo deste relatório e farei acompanhar por breves explicações teóricas.

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1. O Estágio

A Empresa

O meu estágio curricular foi realizado no Grupo Editorial Vida Económica, nas suas instalações na cidade do Porto.

O Grupo Editorial Vida Económica teve origem em 1933, ano em que criou o Boletim

do Contribuinte. Contudo, foi a partir da década de 1980 que o Grupo expandiu

decisivamente a sua atividade, com o lançamento do jornal Vida Económica e novas revistas especializadas (Mercado Único, Trabalho & Segurança Social, Vida imobiliária e Vida Judiciária), além da edição de livros dirigidos ao mercado profissional.

A sua filosofia assenta em esclarecer de forma rigorosa as empresas e os profissionais de áreas em que a informação económica é essencial e decisiva; desenvolver uma intensa atividade em áreas como a economia, as finanças, os mercados, a fiscalidade, as relações de trabalho e oportunidade comerciais; além de disponibilizar anualmente um variado leque de Ações de Formação, que têm como objetivo prático a necessidade de atualização e valorização do indivíduo perante o mercado de trabalho e até a nível pessoal.

Conta, atualmente, com uma carteira de clientes que ronda as 40.000 assinaturas permanentes, incluindo não só pessoas individuais, mas também Pequenas e Médias Empresas e outros grupos económicos.

Recentemente, o Grupo tem também dedicado especial atenção à criação de soluções de software para empresas, técnicos de contabilidade, consultores e advogados, cobrindo, principalmente, as áreas fiscal e jurídica, e incluindo uma parceria estabelecida com o primeiro Centro de Negócios Online em Portugal (o pmelink.pt).

Dentro do Grupo Editorial Vida Económica, o meu orientador foi o Doutor Miguel Peixoto de Sousa, Diretor de Edições da empresa.

De seguida, passarei a descrever as funções desempenhadas por mim no seio do Grupo Editorial Vida Económica.

Funções Desempenhadas

Ao longo do meu estágio no Grupo Editorial Vida Económica, desempenhei as funções de tradutor, revisor e proofreader.

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Estas funções foram desempenhadas através da realização de diferentes tarefas, ao longo do estágio.

A tarefa principal (assim designada por mim por se ter prolongado ao longo dos seis meses do estágio) consistiu na retroversão do livro O Efeito Trump e o Brexit (e subsequentes atualizações ao seu conteúdo, aquando da preparação da 2ª edição), da autoria de Jorge Castela, sobre o qual me alongarei mais à frente.

Além desta retroversão, realizei ainda outras traduções, mais curtas, que deram origem a artigos jornalísticos publicados nas respetivas edições do jornal Vida Económica. Sobre estas traduções, alongar-me-ei também mais à frente.

Por fim, realizei ainda a revisão do livro Inteligência Comercial, de Luis Bassat, traduzido previamente de espanhol para português, e o proofreading dos livros Seja livre,

Sendo Dono de um Negócio (de Miguel Matos) e Do Crime do Abuso de Informação Privilegiada (Insider Trading): uma Análise Ius Dogmática, entre Sistemas e Jurisprudências(de Ricardo Alexandre Cardoso Rodrigues e João André de Almeida da Luz Soares), já escritos originalmente em português. Tal como as tarefas mencionadas anteriormente, estas serão aprofundadas no decorrer deste relatório.

Porém, em primeiro lugar, debruçar-me-ei com mais detalhe sobre as tarefas de tradução, mas não sem antes fazer uma revisão da literatura sobre as teorias da tradução que sustentaram as minhas escolhas.

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2. Tradução

2.1. Revisão da Literatura

Neste subcapítulo abordarei especificamente as teorias da tradução mais recentes que me guiaram ao longo das tarefas de tradução que realizei durante o meu estágio. Não pretendo incluir nesta revisão da literatura todas as teorias alguma vez desenvolvidas no âmbito da disciplina da tradução, algo que seria praticamente impossível. Pelo contrário, debruçar-me-ei apenas sobre os trabalhos teóricos de um horizonte temporal próximo, que tiveram direta influência nas minhas escolhas ao longo das traduções.

Começarei por explicitar as contribuições de Vinay e Darbelnet (1995), que definiram o conceito de unidades de tradução. Segundo eles, estas são unidades lexicais dentro das quais se agrupam elementos lexicais de modo a formarem um único elemento de pensamento. Ou seja, a unidade de tradução é o elemento de pensamento predominante num dado segmento da mensagem.

Vinay e Darbelnet (1995: 31) afirmam ainda que, regra geral, os tradutores podem escolher entre dois tipos de tradução: tradução direta e tradução oblíqua. Pode optar-se pela tradução direta em situações em que é possível transpor a mensagem da língua de partida para a língua de chegada elemento por elemento, porque esta se baseia em:

I. Categorias paralelas, caso em que podemos falar de um paralelismo estrutural;

II. Conceitos paralelos, que resultam de paralelismo metalinguísticos.

A metalinguística é o ramo da linguística que se debruça sobre a relação entre a linguagem e os outros fatores culturais de uma sociedade que influenciem as suas manifestações verbais e a formulação ou a compreensão de mensagens.

Contudo, pode dar-se o caso de não ser possível que certos efeitos estilísticos sejam transferidos para a língua de chegada sem perturbar a mensagem. Nestes casos, torna-se necessário empregar métodos mais complexos que permitam aos tradutores terem um maior controlo sobre a qualidade do seu trabalho.

Vinay e Darbelnet (1995: 31) desenvolveram sete técnicas de tradução. O empréstimo, o decalque e a tradução literal são técnicas de tradução direta, enquanto a transposição, modulação, equivalência e adaptação são técnicas de tradução oblíqua. Passo a explicar,

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com mais pormenor, cada uma das técnicas referidas: 1. Empréstimo

É o método de tradução mais simples para superar a existência de uma lacuna metalinguística (que pode ser criada pelo surgimento de novas tecnologias ou novos conceitos).

Pode também ser utilizado para criar um efeito estilístico, quando, por exemplo, o tradutor, pretendendo introduzir na tradução uma referência à cultura de partida (porque a mensagem assim o exige), recorre a termos alheios à língua de chegada. Vinay e Darbelnet (1995: 32) sugerem como exemplos a manutenção de palavras como datcha e

apparatchik em traduções do russo, de dollars e party em traduções do inglês

norte-americano e de palavras como tequila e tortilla em traduções do espanhol.

Outros empréstimos já estão tão bem estabelecidos na língua de chegada, e há tanto tempo, que já quase não são considerados empréstimos, passando a fazer parte do léxico da língua de chegada. Palavras da língua portuguesa como futebol, andebol, hóquei, abajur enquadram-se nesta categoria de empréstimos que já se enraizaram na língua de chegada.

2. Decalque

O decalque é uma forma excecional de empréstimo, em que uma língua utiliza a forma de expressão de outra ao mesmo tempo que traduz literalmente cada um dos seus elementos. Isto pode resultar em:

I. Um decalque lexical, ou seja, um decalque que respeita a estrutura sintática da língua de chegada, mas introduz uma nova forma de expressão;

II. Um decalque estrutural, que introduz novas construções estruturais na língua de chegada.

O decalque é frequentemente utilizado em áreas de elevada especialização e internacionalização. E, tal como acontece com os empréstimos, alguns decalques podem ser amplamente aceites na língua de chegada e tornar-se parte integrante da mesma após algum tempo. Porém, um decalque infeliz pode parecer extremamente forçado, causar um momento de humor indesejado e refletir-se negativamente sobre a perceção que os outros têm do conhecimento da língua de chegada possuído pelo tradutor.

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Apesar de tudo, é mais provável que um tradutor recorra a um empréstimo antes de optar por fazer um decalque, uma vez que este último é um processo muito mais delicado (Fawcett, 1997: 35).

3. Tradução Literal

Vazquez-Ayora (1977, citado em Fawcett, 1997: 36), que também analisa as técnicas sugeridas por Vinay e Darbelnet, afirma que, se, tendo em conta duas mensagens, em duas línguas diferentes, se verifica entre elas uma total correspondência em termos de estrutura e significado, pode ser feita uma tradução literal sem qualquer risco.

O autor afirma ainda que o tradutor não deve alterar o seu processo por medo de ser criticado (pelos ignorantes das realidades da tradução) pelo facto de ter feito uma tradução literal, no sentido pejorativo da palavra (Vazquez-Ayora, 1977: 257, citado em Fawcett 1997: 36).

Porém, há situações em que a mensagem, quando traduzida de forma literal, se torna inaceitável, porque:

I. Tem um significado distinto do pretendido; II. Não tem qualquer significado;

III. É estruturalmente impossível;

IV. Não existe uma expressão correspondente na experiência metalinguística dos falantes da língua de chegada;

V. Tem uma expressão correspondente, mas dentro de um nível de língua distinto. (Vinay e Darbelnet, 1995: 34-35)

Se, depois de tentar as primeiras três técnicas de tradução (direta), o tradutor se vir perante uma tradução literal inaceitável, ele deve, então, focar-se nas técnicas de tradução oblíqua (Vinay e Darbelnet, 1995: 34).

4. Transposição

A transposição é a técnica encontrada por Vinay e Darbelnet para lidarem com mudanças gramaticais na tradução (Fawcett, 1997: 37).

Assim, transposição é o nome dado à técnica através da qual partes da mensagem sofrem mudanças na sua organização ao serem traduzidas (blue ball torna-se boule bleue, quando traduzida do inglês para o francês, por exemplo). Este processo implica, muitas

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vezes, uma mudança de classe para as palavras traduzidas (a título de exemplo, um nome pode passar a ser um advérbio), devido às diferenças que possam existir entre as estruturas gramaticais da língua de chegada e da língua de partida. Isto requer do tradutor que este tenha conhecimento de que é possível mudar uma categoria de palavra na língua de chegada sem alterar o significado do texto de partida.

5. Modulação

Vinay e Darbelnet (1995: 36) definem a modulação como “uma variação na mensagem, obtida através de uma mudança de ponto de vista”.

Vazquez-Ayora (1977: 293, citado em Fawcett, 1997: 37) afirma que, enquanto muitos tradutores recorrem à transposição de forma intuitiva, a utilização da técnica de modulação é mais arriscada e requer um extenso conhecimento da língua de chegada.

A ideia, de acordo com Kelly (1979: 133, citado em Fawcett, 1997: 37), é que o significante mude enquanto o significado se mantém igual, algo que pode ser conseguido através de diversas formas de metáfora, metonímias e sinédoques. A modulação pode ocorrer entre o concreto e o abstrato, entre a parte e o todo, ou através de uma mudança de ponto de vista (passagem da negativa para a positiva, ou da voz passiva para a voz ativa). É este tipo de mudança que faz o leitor identificar-se mais com a tradução em mãos.

6. Equivalência

Vinay e Darbelnet (1995: 38) afirmam que é possível que a mesma situação seja descrita em dois textos utilizando métodos estruturais e estilísticos completamente diferentes. De seguida, apresentam o exemplo do que acontece quando alguém se magoa acidentalmente. Um francês poderá dizer “Aïe!”, enquanto um inglês dirá “Ouch!”. As onomatopeias que representam os sons produzidos pelos diversos animais são também exemplos gritantes de equivalências.

Assim, pode dizer-se que a maioria das equivalências são de natureza sintagmática e afetam toda a mensagem. Por essa razão, a maioria das equivalências fazem também parte do reportório fraseológico de expressões idiomáticas, clichés e provérbios da língua a que pertencem (Vinay e Darbelnet, 1995: 38).

Para os dois autores, os casos em que é necessário recorrer a uma equivalência não são particularmente interessantes, uma vez que dependem fundamentalmente do

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conhecimento que se tem da língua de chegada. São frases que, ou se sabe traduzir, ou não. Se for o caso da última hipótese, nenhuma teoria da tradução poderá ajudar.

Além disso, é possível que o tradutor não consiga detetar a necessidade de utilizar uma equivalência e, em vez disso, traduza separadamente cada um dos elementos da frase. Vinay e Darbelnet chamam a isso overtranslation, uma tradução desnecessária, que fornece informação que não está contida no original ou utiliza palavras com sentido mais abrangente do que seria necessário (Fawcett, 1997: 38).

Porém, como Fedorov (1953: 171, citado em Fawcett, 1997: 38) destaca, os problemas surgem em casos, nomeadamente nos domínios da literatura e da publicidade, em que não é possível encontrar uma correspondência na língua de chegada. Nestes casos, deve ser feita uma escolha entre traduzir o significado básico da expressão em causa ou tentar transmitir algum do “sabor” do original.

7. Adaptação

A adaptação é a última técnica de tradução sugerida por Vinay e Darbelnet e, de acordo com Fawcett (1997: 39), é também a mais controversa, algo que, segundo este autor, é demonstrado pelos próprios através dos exemplos por eles sugeridos quer a nível lexical, quer a nível sintático.

A adaptação ocorre quando algo que é específico de uma determinada cultura é expresso na língua de chegada de forma totalmente diferente, de modo a ser apropriado para essa cultura. Envolve uma mudança na referência cultural quando uma situação da cultura de partida não se verifica na cultura de chegada (por exemplo, em França, fazem-se piadas sobre belgas, enquanto em Inglaterra fazem-se fazem piada sobre irlandefazem-ses).

Por outro lado, o crítico de tradução inglês Peter Newmark (1980) também elaborou a sua própria lista de técnicas (ou soluções) de tradução que, segundo Anthony Pym (2016), deve muito a Vinay e Darbelnet, apesar de também acrescentar novas soluções.

1. Transcrição: processo em que se transfere uma palavra da língua de partida para a língua de chegada (ex: know-how, e-mail, software).

2. One-to-one Translation: equivalente ao conceito de tradução literal sugerido por Vinay e Darbelnet.

3. Through Translation: é a tradução literal de colocações, nomes de organizações e componentes de compostos comuns às duas línguas (Newmark,

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1980). É equivalente aos conceitos de empréstimo e decalque de Vinay e Darbelnet.

4. Sinonímia Lexical: a tradução é feita com recurso a um equivalente próximo na língua de chegada (Newmark, 1980). Corresponde ao conceito de equivalência de Vinay e Darbelnet.

5. Análise dos Componentes: comparação de uma palavra da língua de partida com outra da língua de chegada, de significado semelhante, através dos seus componentes semânticos (Pym, 2016).

6. Transposição: igual à técnica do mesmo nome sugerida por Vinay e Darbelnet.

7. Modulação: igual à técnica do mesmo nome sugerida por Vinay e Darbelnet.

8. Compensação: a perda de significado numa parte da frase deve ser compensada noutra parte da mesma (Newmark, 1980).

9. Equivalência Cultural: substituição de uma referência cultural da língua de partida por outra da língua de chegada (Newmark, 1980). Equivalente ao conceito de adaptação de Vinay e Darbelnet.

10. Translation Label: tradução por um equivalente aproximado que poderá ser um termo novo, sugerido entre aspas pelo tradutor, podendo, mais tarde, ser aceite como parte da língua de chegada (Pym, 2016).

11. Definição: utilização de várias palavras para descrever o significado de um termo do texto de partida (Pym, 2016).

12. Paráfrase: explicação livre do significado de um termo do texto de partida. A explicação é muito mais detalhada do que a dada através da técnica de definição. 13. Expansão: efeito provocado pela tradução de um termo cujo equivalente na língua de chegada é mais longo que o original.

14. Contração: efeito provocado pela tradução de um termo cujo equivalente na língua de chegada é mais curto que o original.

15. Reformulação de Frases: frases complexas podem ser divididas em duas ou mais frases mais simples (Pym, 2016).

16. Rearranjos/Melhorias: remover erros, erros tipográficos, idioleto e corrigir a escrita desastrada de textos inadequados (Pym, 2016).

17. Combinações: o tradutor utiliza duas técnicas diferentes para traduzir o mesmo termo (Newmark, 1980). O tradutor pode, por exemplo, recorrer à

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transcrição antes de realizar a tradução do termo (Pym, 2016).

Contudo, para Pym, a lista de Newmark, apesar de conter ideias que qualquer professor gostaria de ensinar aos estudantes de tradução, aparece do nada e não tem um propósito claro, parecendo mesmo sugerir que aí estão contidas todas as técnicas de tradução, o que não é verdade. Pym argumenta ainda que, apesar de Newmark incluir na sua lista termos bem conhecidos dos estudiosos da tradução, acaba por ceder à tentação de acrescentar outros truques do ofício, além de confundir as próprias soluções com a forma como elas são produzidas (a Análise dos Componentes, por exemplo, na opinião de Pym, sendo um processo, não teria lugar na lista), entre outros problemas.

Sendo que a tarefa mais importante do meu estágio foi a retroversão de um livro, ou seja, a tradução desse livro para uma língua que não é a minha língua nativa, mas para a minha segunda língua, procurei consultar alguma literatura relativa a este género específico de tradução.

Nesse sentido, Campbell (1998: 57) começa por reconhecer que há grandes diferenças entre uma tradução para a língua nativa do tradutor e uma retroversão. Para ele, estamos perante dois processos espelhados. Numa tradução dita “normal”, a maior dificuldade é compreender a texto de partida, sendo que, presumivelmente, o tradutor terá mais facilidade em produzir um texto de aspeto natural na sua língua nativa. Numa retroversão, pelo contrário, a compreensão do texto de partida é a parte mais fácil do processo. A maior dificuldade passa então a ser produzir um texto de chegada cujas particularidades não são naturais para o tradutor. Estas diferenças só serão mitigadas se o tradutor for um verdadeiro bilingue, ou seja, se este possuir igual conhecimento de ambas as línguas, o que é extremamente raro.

Podem discutir-se as vantagens de cada um desses géneros de tradução, porém a opinião dos especialistas favorece a tradução para a língua nativa do tradutor (Campbell: 57). Neubert (1981, citado em Campbell 1998: 57) justifica essa opinião, argumentando que, ao traduzir para a sua língua nativa, o tradutor evita o problema causado pela potencial falta de competência textual na língua de chegada, além de evitar potenciais erros gramaticais e escolhas lexicais mais infelizes.

No entanto, Campbell (1998: 57) considera que, apesar de todas essas vantagens associadas às traduções realizadas para a língua nativa do tradutor, haverá sempre necessidade de que alguns trabalhos de tradução sejam realizados sob a forma de

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retroversões. Esta necessidade surge, por exemplo, num contexto em que o número de tradutores com conhecimento nativo de uma determinada língua não é suficiente para suprir a procura ao nível da tradução para essa mesma língua.

Assim, Campbell (1998: 58), assumindo que a competência do tradutor para a realização de retroversões está ligada à sua proficiência na segunda língua em causa, afirma que o tradutor que realiza uma retroversão deve saber trabalhar dentro das limitações do seu repertório nessa segunda língua, mas também dentro das limitações do texto de partida. Campbell explica o significado desta afirmação com um exemplo: quando alguém escreve uma carta na sua segunda língua, pode adaptar o conteúdo dessa carta aos conhecimentos que tem da língua. O tradutor que faz a retroversão de uma carta escrita por outrém, por outro lado, está refém do conhecimento da língua de partida dessa pessoa e, por isso, poderá ser forçado a escrever algo que não consegue expressar de forma apropriada. E, de facto, esta foi uma das dificuldades que enfrentei durante a minha retroversão.

O trabalho de Susan Bassnett e André Lefevere sobre o envolvimento da vertente cultural na tradução de qualquer texto também teve grande influência sobre a forma como conduzi o meu trabalho, em especial durante a retroversão do livro O Efeito Trump e o

Brexit.

Bassnett e Lefevere (1998: 123) começam por explicar que, oito anos antes, numa coleção de ensaios editada pelos próprios intitulada Translation, History and Culture, argumentavam já que o estudo da prática da tradução tinha ultrapassado a sua fase formalista e começava agora a considerar aspetos mais abrangentes relativos ao contexto, à História e aos costumes.

Os dois autores designaram esta mudança de ênfase por cultural turn dos estudos da tradução, e sugeriram que um estudo dos processos de tradução combinado com a práxis da tradução pode ajudar a compreender a forma como têm lugar os processos textuais manipulativos: por exemplo, a forma como um texto é selecionado para ser traduzido, que papel desempenha o tradutor nessa seleção, que papel desempenham os editores e os patrocinadores, que critérios determinam a estratégia que será utilizada pelo tradutor, ou a forma como um texto poderá ser recebido na língua de chegada. Isto, porque uma tradução nunca é feita num vazio. Cada tradução está cercada de aspetos textuais e extratextuais que restringem o trabalho do tradutor (Bassnett e Lefevere, 1998: 123).

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Hatim (2001: 65) viu esta mudança de paradigma como o exemplo perfeito de como os padrões que definem a qualidade de uma tradução tendem a mudar de um momento para o outro e de como as normas e as convenções evoluem constantemente. O alicerce das decisões do tradutor e a própria teorização do processo de tradução já não podem passar pela “precisão” baseada apenas em critérios linguísticos, mas antes pelas “funções” que os textos devem servir enquadrados em contextos reais. Da mesma forma, as restrições dentro das quais é feita a tradução devem ser trabalhadas de acordo com os modelos desenvolvidos no âmbito da linguística, dos estudos culturais e dos estudos literários, com o objetivo de ter em conta fatores contextuais como as relações de poder entre culturas e a manipulação ideológica.

Por outro lado, Mary Snell-Hornby (2006: 151) verifica a existência de uma tendência de regresso às teorias mais viradas para o aspeto linguístico da tradução, uma tendência que, segundo ela, é reforçada por alguns estudos que procuram ressuscitar o velho debate sobre o conceito de equivalência – citando, como exemplos, os trabalhos de Koller e Halverson – e reintroduzir protótipos semânticos que têm sido amplamente discutidos desde a década de 1980.

Uma das razões para esta tendência pode estar ligada à tradição académica dos estudiosos que defendem este regresso. A “tradução” é ainda muitas vezes acomodada como uma secção dos departamentos de línguas e literatura e, por essa razão, é automaticamente relacionada com ambas essas disciplinas. Por outro lado, os modelos funcionalistas (Reiss e Vermeer, Nord) procuram deixar para trás essas estruturas tradicionais. Isto cria uma clara divisão entre o cada vez mais dominante debate académico de língua inglesa e o debate académico que tem lugar em comunidades de outras línguas, nomeadamente de língua alemã (Snell-Hornby, 2006: 152). A outra razão que poderá estar por trás desta tendência pode dizer respeito às divergências quanto à definição do que é uma tradução, ou seja, quanto ao seu próprio objeto de estudo (Snell-Hornby, 2006: 155).

Edwin Gentzler (2001: 203), na conclusão do seu livro Contemporary Translation

Theories, argumenta a favor da implementação de múltiplas teorias da tradução para

melhor analisar os significados e as funções produzidas, uma vez que, tendo em conta que as fronteiras da disciplina de Estudos da Tradução se expandiram da análise textual e linguística para toda a rede de signos complexos que constituía a cultura, nenhum teórico poderá fornecer sozinho todas as respostas necessárias. Gentzler afirma ainda que

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estamos perante um nova e excitante etapa na vida da disciplina, que forçará os teóricos a combinarem teorias e recursos de uma variedade de disciplinas para que novas perceções sejam criadas.

Foi esta abordagem colaborativa sugerida por Gentzler que procurei seguir relativamente às teorias que influenciaram diretamente os meus trabalhos de tradução e que mencionei e expliquei ao longo deste subcapítulo.

De seguida, debruçar-me-ei sobre os softwares e os recursos utilizados durante a realização das traduções ao longo do estágio no Grupo Editorial Vida Económica.

2.2. Os Softwares Utilizados

O software que utilizei para me auxiliar na retroversão do livro O Efeito Trump e o

Brexit foi a versão de 2015 (versão 12.0.4809.0) do SDL Trados Studio, uma vez que já

tinha vasta experiência prévia na sua utilização (em comparação, por exemplo, com outros softwares do género, como o memoQ), adquirida ao longo do presente Mestrado em Tradução e Interpretação Especializadas, e até mesmo ao longo da Licenciatura em Assessoria e Tradução.

O SDL Trados Studio é um software de tradução assistida por computador. É considerado o software líder de mercado no fornecimento de soluções em termos de

software de tradução a toda a cadeia de abastecimento, incluindo tradutores freelance,

fornecedores de serviços linguísticos, departamentos linguísticos de empresas e instituições académicas.

Um software de tradução assistida por computador é um software usado por tradutores para facilitar o processo de tradução.

Ao contrário do que acontece com ferramentas de tradução automática (como o Google

Translate, o Linguee e o Reverso, sobre os quais me debruçarei mais à frente), que não

são capazes de produzir uma tradução com um alto padrão de qualidade, tornando necessária uma fase de edição por parte do tradutor humano para corrigir possíveis erros e assegurar a qualidade da tradução, a tradução assistida por computador permite que essa etapa de edição esteja incorporada no software, transformando a tradução num processo interativo entre tradutor e computador durante o qual o tradutor realiza a tradução, servindo-se (ou não) da tradução automática apenas como um recurso que facilita o seu trabalho, ao lado dos dicionários, glossários e gramáticas que também fazem parte do

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quotidiano da tradução.

Além do Trados Studio, a SDL desenvolve ainda o Multiterm (destinado à criação de bases de dados que podem ser articuladas com os projetos realizados no Studio) e o

Passolo (destinado a projetos de localização).

O SDL Trados Studio suporta mais de 70 formatos de ficheiros diferentes (incluindo SGML, XML, HTML, XLIFF, SDLXLIFF, ficheiros OpenDocument, ficheiros de texto simples, JAVA, Microsoft.Net, Microsoft Word, Excel, ficheiros Excel bilingues,

Powerpoint, PDF, FrameMaker, InDesign e InCopy) e permite a criação de Memórias de

Tradução (MT) e a incorporação de glossários (bilingues ou multilingues) que possam ajudar a um aumento de produtividade da parte do tradutor.

Uma memória de tradução é uma base de dados que armazena “segmentos”. Esses segmentos podem ser frases, parágrafos ou unidades textuais (cabeçalhos, títulos ou elementos de uma lista) já traduzidos que têm como objetivo auxiliar o tradutor em futuras traduções semelhantes.

A memória de tradução armazena o texto de partida e a respetiva tradução em pares de línguas chamados “unidades de tradução”. Quanto a palavras individuais, estas são processadas individualmente e não caem dentro do âmbito das memórias de tradução.

Se, em traduções futuras, o texto apresentar segmentos iguais ou semelhantes a outro traduzido previamente, a memória de tradução identificará esses segmentos e apresentará a sugestão correspondente. Cabe depois ao tradutor analisar o contexto do segmento e aceitar a sugestão, utilizar apenas parte dela, ou fazer uma tradução inteiramente nova. Isto permite ao tradutor poupar tempo (e consequentemente custos) e manter a consistência da terminologia.

As memórias de tradução são habitualmente utilizadas em conjunto com uma ferramenta de tradução assistida por computador, programas de processamento de palavras, sistemas de gestão de terminologia, dicionários multilingues ou até mesmo os resultados brutos de traduções automáticas.

Um glossário é um tipo de dicionário específico para palavras pouco conhecidas, principalmente por representarem conceitos técnicos e complexos, de conhecimento majoritário de indivíduos familiarizados com determinada ciência ou área de estudo.

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incluem a tradução e a explicação para outro idioma do significado das palavras que o compõem, e glossários sobre assuntos específicos, precisamente aqueles a que recorri no decorrer do meu estágio, que explicam termos técnicos, utilizados por profissionais da área ou pessoas que têm interesse em descobrir os seus significados.

Termos são palavras simples ou compostas que são geralmente utilizadas em contextos específicos.

Estes termos são estudados pela terminologia, uma disciplina formal que estuda sistematicamente a rotulação e a designação de conceitos particulares a um ou vários assuntos ou campos de atividade humana, através da pesquisa e da análise dos termos em contexto, com o objetivo de os documentar e de promover o seu uso correto.

Na tradução, a gestão da terminologia é fundamental para uma boa legibilidade e correção técnica dos textos traduzidos.

O SDL Trados Studio integra também funcionalidades de tradução automática e pós-edição. Atualmente, este software suporta os seguintes sistemas de tradução automática:

Language Weaver, SDL BeGlobal, SDL LanguageCloud, Google Translate. Além dos

mencionados, suporta ainda o Microsoft Translator e outros sistemas de tradução automática, através do seu Interface, da sua arquitetura e do Interface de Programação de Aplicações (API, na sigla em inglês), abertos na SDL OpenExchange, agora chamada de

SDL AppStore.

As Memórias de Tradução produzidas por mim ao longo deste estágio (e da retroversão, em particular), assim como alguns glossários consultados, poderão, inclusivamente, voltar a ser utilizadas infinitamente no futuro, e cuja abrangência poderei continuar a aprofundar.

Além do SDL Trados Studio, utilizei ainda o software Lightshot1 (na sua versão

5.4.0.1), em especial durante a realização da tradução da infografia The Most Expensive Classic Cars. O Lightshot é uma ferramenta de captura de ecrã, desenvolvida pela

Skillbrains desde 2009.

Este software possui uma interface simples, o que facilita a sua utilização e não causa perdas de tempo. Esta facilidade de utilização traduz-se na possibilidade de concretizar

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uma captura de ecrã com apenas dois cliques. Além disto, o software permite que se faça o upload das imagens para um servidor, de modo a conseguir rapidamente um link que pode ser partilhado na Internet. É ainda possível editar as capturas de ecrã no momento, ou posteriormente, recorrendo a poderosos editores online, e fazer rapidamente uma pesquisa por imagens semelhantes à captura de ecrã acabada de concretizar. Este software está disponível para diversas plataformas, nomeadamente para Windows/Mac, Chrome,

Firefox, IE e Opera.

Por fim, utilizei ainda o Microsoft Word, na sua versão 16.0.8326.2096 de 64 bits, de 2016. Este software foi utilizado por mim para escrever traduções menos complexas e mais curtas, mas também para recriar a formatação do documento original que tinha recebido em PDF aquando da tradução da infografia The Most Expensive Classic Cars.

O Microsoft Word é um programa de processamento gráfico de palavras que pode ser utilizado para dactilografar. Assim como outros softwares do género, possui ainda múltiplas ferramentas úteis à criação de documentos, tais como: ferramentas de verificação ortográfica e gramatical, ferramentas de inserção de imagens em documentos, ferramentas de inserção de gráficos e tabelas, dicionários de sinónimos.

É um software extremamente popular, uma popularidade conseguida graças ao formato “secreto” em que todos os documentos produzidos por este software eram guardados. Sempre que um utilizador deste software pretendesse enviar um documento a alguém, o destinatário desse mesmo documento era também forçado a ter uma cópia do

software para conseguir abrir o documento, uma sequência que se repetia ad infinitum e

que deu ao Microsoft Word uma posição dominante no mercado.

Além disso, a utilização do Microsoft Word para as tarefas de escrita das traduções também permitia, caso fosse necessário, que esta fosse importada sem qualquer problema para o SDL Trados Studio, uma vez que este software consegue processar os ficheiros produzidos pelo Microsoft Word.

De seguida, debruçar-me-ei sobre os recursos que utilizei, alguns dos quais em conjugação com estes softwares.

2.3. Os Recursos Utilizados

Neste subcapítulo, enumerarei os recursos utilizados por mim no decurso das tarefas de tradução que me foram atribuídas durante este estágio.

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Em primeiro lugar, e porque este foi o recurso que mais utilizei ao longo das minhas traduções, refiro o Linguee2, um dicionário bilingue online e um buscador de traduções que utilizei primordialmente na versão português-inglês, apesar de ser útil para quaisquer pares de línguas que incluam as seguintes línguas: português, inglês, alemão, francês, espanhol, italiano, holandês, polaco, sueco, dinamarquês, finlandês, grego, checo, romeno, húngaro, eslovaco, búlgaro, esloveno, lituano, letão, estónio e maltês.

A base de dados lexical do Linguee é suportada por milhares de textos produzidos nas várias línguas pelas instituições da União Europeia, razão pela qual é possível disponibilizar uma tão grande variedade de línguas. Ainda assim, os textos oriundos da União Europeia não são a única fonte de alimentação da plataforma, pelo que, naturalmente, as sugestões de tradução apresentadas variarão em número e qualidade, de acordo com o par de línguas escolhido. Dou apenas um exemplo: a plataforma será mais útil caso estejamos a trabalhar com o par de línguas português-inglês do que se o fizéssemos com o par português-estónio. Porém, a utilização de textos produzidos pelas diversas instituições da União Europeia ameniza esta diferença.

Além disso, aquando da consulta dos equivalentes sugeridos pelo Linguee, é necessário ter alguma atenção à proveniência dessas mesmas sugestões. Se estas provêm de um documento da União Europeia (ou até mesmo de algum website governamental), por exemplo, então trata-se de uma fonte definitivamente credível e é seguro fazer uso dessas sugestões, caso contrário, a credibilidade das sugestões deve ser estudada caso a caso.

Sou forçado a referir também o Google Translate3, o patinho feio da tradução

automática. É uma ferramenta limitada quando se tenta traduzir um parágrafo inteiro ou até mesmo apenas uma frase mais complexa, pelo facto de traduzir cada palavra individualmente, sem ter em conta o contexto ou a função da mesma dentro de uma frase. Porém, é extremamente útil quando procuramos traduzir uma determinada palavra, uma vez que a sua base de dados lexical é enorme, alimentada pelos servidores da Google, cuja quantidade de informação armazenada cresce a cada segundo, graças aos seus milhões de utilizadores.

Apesar disso, o Google Translate apresenta ainda outro problema que, no que diz

2 Disponível em www.linguee.pt

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respeito à língua portuguesa, afeta particularmente os falantes de português europeu. Uma vez que a composição da base de dados desta ferramenta está dependente da produção de conteúdos nas diferentes línguas, e devido à enorme diferença de número verificada entre as populações de Portugal e Brasil, é inevitável que a maioria das sugestões de tradução sejam apresentadas pelo Google Translate em português do Brasil, pelo que há que ter especial atenção aos resultados produzidos por esta ferramenta.

Utilizei também o Reverso4, embora menos que o Linguee. As duas plataformas são parecidas, no sentido em que ambas apresentam as suas sugestões de tradução inseridas em frases, de modo a facilitar a contextualização das mesmas. Porém, ao contrário do que acontece no Linguee, no Reverso, o número de exemplos disponibilizados é limitado, sendo que para aceder à totalidade destes é necessário fazer o registo no website. Além disso, a origem destes exemplos é mais dúbia que a dos exemplos apresentados pelo

Linguee. Os exemplos apresentados pelo Reverso provêm de legendas de séries e filmes

produzidas previamente, embora não se esclareça com maior precisão a origem dessas mesmas legendas.

Um outro recurso que me foi muito útil, principalmente no que diz respeito à retroversão de alguns versos do Corão citados por Jorge Castela no seu livro O Efeito

Trump e o Brexit, foi o website quran.com5. Este website contém a totalidade da versão

inglesa do Corão, o livro sagrado do Islão, traduzida pela Sahih International (entre outras traduções, feitas por diferentes autores), uma tradução considerada fiável por elementos do fórum online Ummah.com, dedicado à comunidade muçulmana online.

Recorri também ao website English Forums6 para resolver algumas dúvidas

relacionadas com a língua inglesa que surgiram também durante a retroversão do livro O

Efeito Trump e o Brexit. É o maior website de perguntas e respostas dedicado à

comunidade que procura aprender inglês, celebrando dezasseis anos de existência em 2017.

Um outro recurso incontornável foi o Urban Dictionary7. O Urban Dictionary é um dicionário online de palavras e frases do calão, assim como de outras expressões mais ligadas a uma linguagem informal e uma cultura mais urbana (como o próprio nome do

4 Disponível no endereço www.reverso.net 5 Disponível no endereço https://quran.com/

6 Disponível no endereço www.englishforums.com

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21

dicionário indica), incluindo as dezenas de novas expressões que surgiram com o aumento de popularidade das redes sociais. Trata-se de palavras que, ou não aparecem nos dicionários convencionais, ou aparecem sob um contexto inteiramente diferente e mais formal.

O Urban Dictionary foi fundado em 1999, como paródia dos websites Dictionary.com e Vocabulary.com, acabando, porém, por tornar-se algo sério, mas com um âmbito bem distinto dos websites que inspiraram a sua criação. No início de 2014, o dicionário era composto por mais de sete milhões de definições, sendo que cerca de duas mil novas entradas eram adicionadas diariamente. Qualquer pessoa que possua uma conta de

Facebook ou Gmail pode submeter uma nova entrada que é depois aprovada ou rejeitada

por cerca de vinte mil editores voluntários.

Quero ainda debruçar-me sobre as ferramentas de OCR, Optical Character

Recognition. Utilizei uma ferramenta deste género na tradução da infografia The Most Expensive Classic Cars, já depois de ter ponderado utilizá-la também na tradução do

comunicado EMO Hannover 2017 Once Again a Trend Forum for Production

Technology, antes de me ter sido enviada uma cópia digital do mesmo, que tornou este

processo desnecessário. A ferramenta em questão foi a Free Online OCR Service8, que

está disponível gratuitamente e não requer instalação no computador.

OCR é a tecnologia que permite converter diferentes tipos de documentos, tais como documentos digitalizados, ficheiros em formato PDF e imagens capturadas por câmaras digitais em dados editáveis e pesquisáveis.

Embora os detalhes relativos ao funcionamento do Free Online OCR Service não estivessem disponíveis na plataforma que o disponibilizava, realizei uma curta pesquisa para chegar a um melhor entendimento do processo de OCR.

Acabei por encontrar um outro recurso similar, o ABBYY FineReader OCR, cujo

website disponibiliza uma explicação da tecnologia de OCR. Ao contrário do Free Online OCR Service, não é gratuito e trata-se de um software que deve ser instalado no

computador. Porém, na sua versão mais básica, desempenha exatamente as mesmas tarefas que o Free Online OCR Service.

Por trás desta tecnologia estão três princípios básicos bem conhecidos dos cientistas,

8 Disponível no endereço www.onlineocr.net

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que permitem ao ser humano reconhecer as palavras e os caracteres: integridade, orientação para um propósito e adaptabilidade. Estes três princípios são depois colocados em prática para desenvolver o processo de OCR.

Em primeiro lugar, os programas analisam a estrutura do documento ou imagem a serem convertidos, dividindo a página em elementos como blocos de textos, tabelas, imagens, etc. Depois disso, as linhas são divididas em palavras e, subsequentemente, essas palavras são divididas em caracteres. Assim que este processo fica concluído, os programas comparam os caracteres com um conjunto de imagens que integram a sua base de dados. De seguida, os programas avançam com inúmeras hipóteses quanto ao que cada caráter é, nas quais se baseiam depois para analisar as diferentes formas de dividir as linhas em palavras e as palavras em caracteres. Só depois de analisar todas as hipóteses, os programas tomam uma decisão, apresentando ao utilizador o texto reconhecido em formato editável. Todo este processo tem lugar no espaço de pouquíssimos segundos.

Menciono ainda o Reddit9, um website de discussão e partilha de conteúdos. Os utilizadores registados nesta plataforma juntam-se em comunidades, chamadas

subreddits, dedicadas à discussão, séria ou não, dos mais variados temas, onde podem

fazer publicações, quer sob a forma de texto, quer sob a forma de links para conteúdos de interesse para a comunidade. Os restantes utilizadores podem depois dar a sua opinião sobre essas publicações, quer através de comentários, quer através de upvotes e downvotes que determinam a posição em que surgem as publicações na página principal do subreddit onde são publicadas.

Por fim, recorri, ainda que apenas numa ocasião, ao website do Gatestone Institute10.

O Gatestone Institute é, ao mesmo tempo, um think tank e um Conselho independente e sem fins lucrativos direcionado para a política internacional, sediado nos Estados Unidos da América, que tem como objetivo educar o público acerca das questões que os meios de comunicação ditos normais não abordam, através da promoção de: instituições democráticas, Direitos Humanos, uma economia saudável e livre, um exército capaz de assegurar a paz internamente e no mundo livre, a independência energética e o fornecimento de informação ao público acerca das ameaças às suas liberdades individuais e de expressão e à sua soberania.

9 Disponível no endereço www.reddit.com

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Além destes recursos, recorri a alguns glossários, cujos links listarei num ficheiro que anexarei a este relatório. Trata-se de glossários ligados à área da economia e das finanças, mas também alguns ligados aos domínios da metalurgia e da manufatura, que consultei aquando das traduções dos textos 7 Habits Of Successful Investors e EMO Hannover 2017

Once Again a Trend Forum for Production Technology. Estes glossários foram

produzidos por entidades como a própria CMVM, a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários, ou empresas como a Metaltek ou a Arena.

Foram estes os recursos que me ajudaram na realização das minhas tarefas ao longo do estágio. No capítulo seguinte, passarei à análise propriamente dita das traduções realizadas.

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3. Análise das Traduções

Neste capítulo farei a análise de cada uma das traduções que realizei, começando pela tradução do documento 7 Habits of Successful Investors e daí seguindo por ordem cronológica, até à análise da retroversão do livro O Efeito Trump e o Brexit, que foi a última tarefa a ser concluída.

3.1 Tradução de 7 Habits of Successful Investors

Tal como referi, vou começar esta análise das traduções realizadas pela tradução, de inglês para português, do documento 7 Habits of Successful Investors, compilada pela Allianz Global Investors, cujo título traduzi para Os 7 Hábitos dos Investidores

Bem-sucedidos. Esta tradução foi a segunda mais importante entre as realizadas durante o meu

estágio, apenas atrás da retroversão, sobre a qual me debruçarei mais à frente.

A Allianz Global Investors é uma empresa de gestão de ativos à escala global, com escritórios espalhados pela América do Norte, Europa e Ásia-Pacífico. A filosofia da empresa, “Compreender. Agir.” (ou “Understand. Act.”, no original, em inglês), está profundamente enraizada na forma como conduz a sua atividade. A Allianz Global Investors oferece aos seus clientes uma vasta gama de estratégias e soluções de gestão ativa de ativos que abrangem todo o espectro risco/retorno e que aumentou em 2016, através da aquisição de uma empresa especialista em rendimento fixo, a Rogge Global Partners (RGP).

Quanto ao documento em si, o seu título é explícito quanto ao tema abordado. Afinal, trata-se de uma compilação de sete conselhos dados a quem quiser tornar-se um investidor de sucesso. Estes são ainda suportados por tabelas e gráficos com dados relevantes a cada um dos “hábitos” mencionados.

Apesar de se tratar de uma brochura, o seu texto foi redigido num nível de língua cuidado, sem nunca fugir à utilização dos termos mais complicados da área, tendo como público-alvo pessoas que já estejam por dentro do funcionamento do mercado, principalmente como investidores, mas que procurem ainda conhecer novas maneiras de rentabilizar os seus investimentos, por forma a conseguirem um maior retorno financeiro no futuro.

Como tal, a principal dificuldade que encontrei aquando da realização desta tradução foi precisamente à frequente utilização de termos muito específicos da área. Ultrapassei

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essa dificuldade recorrendo a glossários sobre o tema, fornecidos de forma gratuita por entidades como a CMVM, entre outras, nas respetivas páginas web, cujos links serão listados em anexo.

Uma outra dificuldade que surgiu relacionou-se com uma palavra específica, neste caso, o nome próprio de uma personagem mitológica bem conhecida, Odysseus (em inglês). Odysseus é o protagonista do livro Odisseia, a epopeia escrita por Homero, assim chamada precisamente por causa do nome do seu protagonista. Ora, em Portugal, o protagonista é conhecido como Ulisses, e até aqui, tudo bem, parece uma adaptação cultural simples. Porém, o facto de o nome Odisseia advir do nome do protagonista da obra é precisamente referido nesta brochura. Sendo esse o caso, a meu ver, torna-se impossível utilizar Ulisses como tradução para português do nome do protagonista, uma vez que causaria confusão no leitor. Ulisses nada tem a ver, linguisticamente, com

Odisseia.

Após alguns minutos de pesquisa na Internet, percebi que o nome Odisseu era também aceite como tradução para a língua portuguesa e, tendo em conta os factos explicados acima, optei por utilizar Odisseu na minha tradução.

Depois de terminada a tradução, e de gerado o ficheiro final, em Microsoft Word, através do SDL Trados Studio, e já em português, foi ainda necessário ajustar alguma da formatação do documento que se havia perdido aquando da sua conversão do formato

PDF em que se encontrava para o seu formato final em Word, o que se revelou um desafio

inesperado, tendo-me consumido algum tempo. Contudo, cuidar da formatação e do aspeto geral final do documento a traduzir é algo que pode, por vezes, fazer parte das competências do tradutor, e foi algo com que tive de lidar ao longo de todo o estágio, com expoente máximo neste mesmo documento.

3.2. Tradução de Macron Majority Gives His Reforms Momentum

A primeira das traduções que acabaram por dar origem a artigos jornalísticos assinados por mim, quer a solo, quer em colaboração com outros jornalistas do Grupo Editorial Vida Económica, foi a tradução, de inglês para português, do texto “Macron Majority

Gives His Reforms Momentum”, cujo título traduzi para “Maioria de Macron Impulsiona As Suas Reformas”.

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Global Investors, versa sobre as consequências que a maioria conseguida por Emmanuel Macron (Presidente de França) no Parlamento francês terá sobre as reformas por si ambicionadas (tal como o seu título indica). Além disso, aborda ainda individualmente essas mesmas medidas que Macron poderá estar prestes a propor ao Parlamento, antes de se debruçar mais a fundo sobre as implicações que cada uma delas terá sobre o investimento (que é, afinal, o principal foco da Allianz Global Investors).

O seu público-alvo é o mesmo do documento sobre o qual me debrucei nas duas páginas anteriores, cujo autor também é o mesmo, a empresa Allianz Global Investors. São, por isso, investidores médios, com mais ou menos experiência ao nível dos mercados e da negociação de valores mobiliários, que procuram informar-se melhor sobre os fatores que poderão marcar o futuro dos mercados, por forma a realizar os melhores investimentos possíveis e maximizar o seu retorno.

E, tal como aconteceu com o documento anterior, uma das principais dificuldades colocadas pela tradução deste texto foi a utilização de algum vocabulário mais técnico relativo aos mercados de valores mobiliários, com termos como equities, fixed-income,

bonds, entre outros. Para resolver estas dificuldades e encontrar as soluções de tradução

adequadas, voltei a consultar os glossários que já me tinham sido úteis aquando da tradução do documento referido anteriormente. Depois de consultar estes glossários, decidi traduzir equities para títulos, optando por manter fixed-income, tal e qual como no original, seguindo a recomendação da pessoa que me enviara o texto (o “cliente”, por assim dizer), e por traduzir bonds para títulos da dívida.

Mais uma vez, reafirmo que os links para os glossários serão disponibilizados nos anexos do presente relatório de estágio.

Uma outra dificuldade era relativa à necessidade de manter, ao longo de toda a tradução, alguma coerência no que dizia respeito ao nível de língua e terminologia utilizados. Era importante manter uma linguagem clara e concisa ao longo de todo o texto, tal como o faz o original, característica do texto jornalístico, e julgo que consegui fazê-lo.

3.3. Tradução de EMO Hannover 2017 Once Again a Trend Forum for

Production Technology

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inglês para português, de um comunicado divulgado pela EMO Hannover a 21 de junho de 2017, com o título EMO Hannover 2017 once again a trend forum for production

technology” (que traduzi para A EMO Hannover 2017 é mais uma vez um fórum de tendências para a tecnologia de produção).

O comunicado tinha como objetivo promover a EMO Hannover (uma feira comercial internacional para o setor da metalurgia) junto da comunidade internacional, numa altura em que faltavam três meses para a sua realização (de 18 a 23 de setembro, em Hannover, na Alemanha). Assim, numa primeira parte, o texto oferece-nos alguns números que ajudam a perceber o tamanho e a importância da feira para o setor e algumas estatísticas que justificam a sua relevância para os modelos de negócio e de vendas das diversas empresas. Na segunda parte do texto, são enumeradas algumas das máquinas e soluções inovadoras que os visitantes poderão ficar a conhecer e é aprofundado o tema adotado para esta edição da feira: Connecting systems for intelligent production (que traduzi para

Interligando Sistemas para uma Produção Inteligente).

O comunicado tinha como público-alvo a imprensa especializada, assim como os empresários do setor, o que permitia a utilização de termos muito específicos, com a certeza de que todos os interessados compreenderiam o seu significado.

Por essa razão, a terminologia mais técnica foi, novamente, a maior dificuldade que o texto me apresentou. Diria mesmo que a terminologia presente neste comunicado era muito mais técnica do que a utilizada no texto anterior, sobre as reformas ambicionadas por Macron. Ainda assim, não se revelou tão técnica como poderia ser, uma vez que não consegui encontrar referência a nenhuma das palavras que procurava em nenhum dos glossários que consultei (e que serão também disponibilizados em anexo). Os glossários que refiro foram consultados enquanto eu procurava as soluções mais indicadas para a tradução de termos como machine tool, handling system e added-value chain. Acabei por encontrar algumas possíveis soluções no dicionário gratuito Linguee, que confirmei após uma rápida pesquisa no Google. Acabei por traduzir estes termos para

máquina-ferramenta, sistema de manipulação e cadeia de valor acrescentado.

Para efeitos de referência futura, sempre que, ao longo deste relatório de estágio for mencionado este tipo de pesquisa no Google, refiro-me apenas e só à introdução do termo ou expressão na barra de pesquisa do website com o objetivo de aferir a frequência da sua utilização na língua de chegada, quer em websites de empresas, quer em notícias

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