Corpo da pesquisa
qualitativa- a partir da
metodologia
Tipo de pesquisa
Trata-se de uma pesquisa qualitativa. A escolha desse tipo de pesquisa permitiu apreender o objeto de estudo, que é o processo ensino-aprendizagem em HIV /aids em Cursos de Graduação em Enfermagem e a responder os objetivos pretendidos.
Dessa forma, para identificar os conteúdos de ensino teórico sobre HIV/aids nos currículos de Graduação em Enfermagem, descrever a compreensão de docentes sobre sua prática pedagógica em HIV/aids e analisar a interdependência das dimensões biopsicossociais relacionados ao HIV/aids na prática pedagógica dos docentes de Enfermagem, optou-se por uma metodologia qualitativa, porque é impossível quantificar aquilo que ainda não se qualificou, categorizou e compreendeu, correndo o risco de contar categorias pouco precisas, sem validade ou fidedignidade ou mesmo sem nenhuma relevância interpretativa a serviço do saber prático.
Portanto, a opção por esse tipo de pesquisa refere-se à necessidade de imersão nas características complexas do fenômeno a ser estudado, sendo fundamental o entendimento das perspectivas desta realidade e dos aspectos sobre o ser humano envolvido no processo. Nesse sentido a pesquisa qualitativa se dá na tentativa de compreender um problema sob a perspectiva dos sujeitos que o vivenciam, na medida em que permite a obtenção de informações sobre aspectos específicos de um fenômeno, no que concerne sua origem e razão de ser (Leopardi, 2002; Haguette, 2001).
Cenário do estudo
Minayo (2004) refere que o campo, na pesquisa qualitativa, é o recorte feito pelo
pesquisador em termos de espaço, representando uma realidade empírica a ser
estudada a partir das concepções teóricas que fundamentam o objeto da
investigação.
O trabalho de campo foi realizado em todas as Instituições Públicas de Ensino
Superior do município de São Paulo, por serem muito respeitadas e tradicionais no
nosso país, ou seja, são instituições significativas no que concerne o processo de
ensino-aprendizagem em Enfermagem, totalizando duas instituições. Participaram
também desse estudo, todas as Instituições de Ensino Superior da região do ABC
(São Paulo-SP), que possuíam Curso de Graduação em Enfermagem, totalizando
cinco instituições particulares (Ministério da Educação, 2008).
A escolha pelas instituições de Ensino Superior em Enfermagem na região do ABC
se deve pelo fato da pesquisadora trabalhar como docente de Enfermagem há 10
anos nessa região em um dos cenários de estudo.
Participantes da pesquisa
Foram convidados todos os docentes graduados em Enfermagem que
ministram conteúdos sobre HIV/aids e que lecionam nos cenários de
estudo descritos anteriormente, totalizando quinze pessoas.
Desses quinze docentes, apenas dois não quiseram participar
integralmente da pesquisa. Dos treze docentes que participaram da
Entrevista Geral, da Entrevista Individual em Profundidade e da
Análise Documental, apenas sete docentes concordaram em participar
do Grupo Focal.
Pré-teste
Foram abordados sete docentes graduados em Enfermagem que
lecionam conteúdos sobre HIV/aids em Instituições de Ensino
Superior na região metropolitana de São Paulo, sendo realizado o
preenchimento do Formulário para levantamento de dados de
formação e prática pedagógica, o Guia de Registro para planos de
Ensino, a Entrevista Individual em Profundidade e o Grupo Focal,
que foram gravados com o conhecimento e a autorização dos
participantes, com o objetivo de aprimorar os instrumentos de coleta
de dados. Foram analisados 7 planos de ensino.
Ambientação da pesquisadora
Consideramos importante inserir este tópico com o propósito de
valorizar o preparo da pesquisadora para a coleta de dados em relação
aos aspectos interacionais.
Este preparo ocorre simultaneamente quando é aplicado o pré-teste.
Nesse
momento
a
pesquisadora
passou
por
uma
fase
de
adaptação/aprimoramento,
em
relação
aos
contatos
com
os
participantes, aprimorando a forma de comunicação, se colocando de
forma mais adequada no ambiente de entrevista, manuseando com
mais propriedade a gravação e os instrumentos para a coleta de
dados.
Procedimentos de coleta de dados
Inicialmente foi entregue uma carta-ofício (ANEXO A) aos responsáveis pelas instituições de ensino, solicitando a autorização para a realização da pesquisa.
Após a autorização administrativa para a realização da pesquisa e aprovação do Comitê de Ética (ANEXO B), foi feito contato pessoal com as coordenadoras responsáveis dos Cursos de Graduação de Enfermagem, para fins de apresentação do projeto e obtenção da indicação de professores envolvidos em disciplinas que apresentam conteúdos relativos ao HIV/aids. Após receber a indicação dos coordenadores de Cursos, era feito contato com os professores por telefone, para ser delineado com os participantes da pesquisa, o período e o local para a coleta de dados.
A privacidade dos sujeitos foi garantida de acordo com o protocolo de pesquisa contido na Resolução n° 196/96, do Conselho Nacional de Saúde. Todos os sujeitos receberam o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (ANEXO C e ANEXO D), solicitando sua
participação voluntária, esclarecendo os objetivos do estudo e garantindo o sigilo de suas respostas em todo e qualquer instrumento de obtenção dos dados. Convêm salientar também que as instituições de Ensino Superior, as quais os sujeitos trabalhavam, não foram
Procedimentos de coleta de dados
A coleta de dados foi realizada no período de janeiro de 2010 a julho de 2010. A extensão do tempo para a coleta de dados se deu em decorrência de algumas dificuldades encontradas em virtude da rotina de atividades tanto dos coordenadores responsáveis pelos Cursos de
Graduação em Enfermagem, quanto dos docentes pesquisados.
Alguns coordenadores de Cursos de Enfermagem apresentavam horários de trabalho que não eram fixos, o que promoveu uma série de desencontros. Além disso, muitas vezes, esses coordenadores estavam em atividades que não podiam ser interrompidos, o que também, dificultou o contato da pesquisadora com os mesmos.
Todos os coordenadores de Curso de Enfermagem recebiam uma cópia do projeto com a carta de aprovação pelo Comitê de Ética em Pesquisa para apreciação e apresentação, para que a pesquisadora, posteriormente, obte-se a autorização para a realização da pesquisa. Em algumas ocasiões, o tempo de avaliação do projeto pelos coordenadores de Cursos de
Procedimentos de coleta de dados
Em relação aos professores, alguns por sua vez, apresentavam mais de uma atividade de trabalho, restringindo dessa forma, seu tempo e conseqüentemente, sua participação na pesquisa.
Porém, apesar das dificuldades todas as entrevistas foram agendadas pela pesquisadora, com o propósito de iniciar uma aproximação com os sujeitos do estudo, como também um possível vínculo de confiança com os mesmos.
Como foi dito anteriormente, apenas dois sujeitos não concordaram em participar do estudo, o que também, prorrogou a extensão da coleta de dados. Após três contatos e três adiamentos, não se obteve mais retorno para remarcação. Dessa forma, respeitando o protocolo de pesquisa contido na Resolução n° 196/96, do Conselho Nacional de Saúde, respeitou-se a privacidade e o desejo compreendido pela pesquisadora da não participação
Técnicas e instrumentos de coleta de dados
De acordo com Minayo (2004), a pesquisa qualitativa precisa valorizar e preocupar-se com o aprofundamento e abrangência da compreensão, seja de um grupo social, de uma organização, de uma instituição, de uma política ou de uma representação.
Seu critério não é numérico. Dessa forma, uma amostra ideal é aquela capaz de refletir a totalidade nas suas múltiplas dimensões. Para isso, será necessário entre outras providências, a triangulação, que é “um termo usado nas abordagens qualitativas para indicar o uso concomitante de várias técnicas de abordagens e de várias modalidades de análise”. Utiliza “vários informantes e pontos de vista de observação”, com a finalidade de “verificação e validação da pesquisa (Minayo, 2004, p.102)”.
Por essa razão, para a coleta de dados foram utilizadas as técnicas de: Entrevista Geral, Entrevista Individual em Profundidade, Grupo Focal e Análise Documental.
Como instrumentos para coleta de dados foram utilizados: Formulário para levantamento de dados de formação e prática pedagógica do docente em Cursos de Graduação em Enfermagem, Roteiro Norteador para Entrevista Individual em Profundidade, Roteiro Norteador para Grupo Focal e Guia de Registro para planos de ensino.
Técnicas e instrumentos de coleta de dados
Após a realização da Análise Documental dos conteúdos programáticos descritos
nos Planos de Ensino das disciplinas dos docentes que ministram os conteúdos
sobre HIV/aids, foram realizadas as
Entrevistas Individuais em Profundidade
,
onde o pesquisador não condicionou respostas, mas permitiu ao entrevistado falar
livremente e com isto, descobrir as tendências espontâneas em lugar de
canalizá-las. Esta técnica ao mesmo tempo em que valoriza a presença do pesquisador,
oferece todas as perspectivas possíveis para que o informante alcance a liberdade e
a espontaneidade necessárias, enriquecendo a investigação (Triviños, 1995;
Rodrigues, 1996; Kaufmann, 1996; Silva, 2000).
As Entrevistas Individuais em Profundidade
foram feitas por duas questões
norteadoras, diretamente relacionadas com os objetivos propostos nesta pesquisa,
que se encontram no Roteiro Norteador para Entrevista Individual em Profundidade
(ANEXO G).
Essa técnica tem sido favorecida especialmente por se prestar à análise
multivariável que permite superar um dos problemas mais sérios das análises de
conteúdo, ou seja, o caráter hermenêutico das interpretações (Spink, 1995).
Análise dos dados
Os dados colhidos por meio das técnicas de Entrevista Individual
em Profundidade e o Grupo Focal foram trabalhados pelo método
de Análise de Conteúdo que segundo Bardin trata-se de:
“[...] um conjunto de técnicas de análise das comunicações visando
obter procedimentos sistemáticos e objetivos da descrição do
conteúdo das mensagens, indicadores (quantitativos ou não) que
permitam a inferência de conhecimentos relativos às condições de
produção/recepção (variáveis inferidas) destas mensagens (Bardin,
1977, p.42)”.
Procedimentos para a
Análise de Conteúdo
Fonte: Bardin, 1977
1° após a transcrição na íntegra das entrevistas gravadas
realizar leitura dos textos a partir de uma atenção flutuante.
Posteriormente, deve-se proceder outras re-leituras,
intercalando a escuta do material gravado com a leitura do
material transcrito.
Procedimentos para a
Análise de Conteúdo
Fonte: Bardin, 1977
Essa postura atenta possibilita acompanhar o encadeamento
de associações em cada entrevista e entre as entrevistas.
A atenção flutuante permite o funcionamento da associação
o mais livremente possível a qualquer elemento do discurso.
Na leitura flutuante que se deixa invadir por impressões e
orientações antes e durante à analise do discurso
Procedimentos para a
Análise de Conteúdo
Fonte: Bardin, 1977
2° por meio de uma nova re-leitura grifa-se palavras e
frases dos textos originais, identificando-se as
convergências. Procedimento realizado em todas as
entrevistas;
3° na seqüência realiza-se o primeiro recorte das palavras e
frases grifadas em cada entrevista;
Procedimentos para a
Análise de Conteúdo
Fonte: Bardin, 1977
4° uma nova re-leitura desses recortes deve ser feita e
novamente, realiza-se um segundo recorte das frases e
palavras em cada entrevista para que se obtenha de maneira
mais apurada seus significados e os sentidos;
5°após a obtenção das palavras e frases com seus
significados e sentidos e apurados por entrevista, busca-se
identificar as convergências e divergências entre todas as
frases, para a construção das categorias e subcategorias;
Procedimentos para a
Análise de Conteúdo
Fonte: Bardin, 1977
6°por fim, após a construção das categorias e
Procedimentos para a
Análise de Conteúdo
Fonte: Bardin, 1977
Núcleo temático/eixo temático/Categorias : a unidade que reúne
falas que se referem ao mesmo tema na entrevistas.
SubCategorias: as falas que tem o mesmo significado dentro
das entrevista
Procedimentos para a
Análise de Conteúdo
Fonte: Bardin, 1977
Categorias
Analíticas: são mais gerais, construídas na fase
exploratória da pesquisa
Empíricas: finalidade operacional; visam o trabalho de
campo ou são construídas a partir dele; são mais
Diferença entre
conclusão e
considerações finais
Exemplo de CONSIDERAÇÕES FINAIS
Inicialmente, é importante resgatar que a mola propulsora para a realização do presente estudo foi a necessidade de uma investigação a respeito da percepção dos docentes graduados em Enfermagem sobre sua prática pedagógica em HIV/Aids.
Percebe-se que a dimensão mais focada pelos docentes em relação ao processo ensino-aprendizagem em HIV/Aids foi a dimensão biológica. Entretanto, não se pode esquecer que a priorização da dimensão biológica, está significativamente relacionada ao fato da Enfermagem se constituir dentro do modelo biomédico, fruto do paradigma cartesiano, que valoriza esse aspecto. Nota-se que os docentes têm clareza que o modelo biomédico limita a forma de enxergar o ser humano e reduz o processo ensino-aprendizagem em HIV/Aids em relação ao cuidado a ser ofertado.
Na prática pedagógica do processo ensino-aprendizagem em HIV/Aids elucidou-se a importância de estimular a criatividade e a curiosidade, que consiste no investimento de uma atividade pensante e que favorece o exercício de uma nova visão de mundo, porque tornam os sujeitos questionadores. Explicitou-se a valorização das pesquisas científicas e de estratégias de ensino como as dinâmicas de grupo e atividades com foco para o exercício da empatia, da projeção e da identificação com a pessoa com HIV/Aids no sentido de desconstruir o preconceito e o estigma.
Pode-se perceber que o processo ensino-aprendizagem em relação à temática HIV/ Aids mostra-se em construção dialógica, permeado de contradições complementares entre a condição humana plural e o tecnicismo; a interligação de saberes e a fragmentação; o processo criativo e a repetição técnica. Portanto, esse estudo nos mostra que a semente da complexidade foi plantada no terreno fértil do processo ensino-aprendizagem em HIV/ Aids dos Cursos de Graduação em Enfermagem. Essa semente vem se desenvolvendo e crescendo lentamente, o que nos faz vislumbrar a possibilidade de um processo ensino-aprendizagem em HIV/ Aids pautado na condição humana, na solidariedade e na interligação do saber.
Temos clareza que este tema exige reflexão e não se esgota com esse trabalho. Dessa forma, seria interessante buscarmos estudar a percepção do aluno quanto a essa temática, no sentido de conhecermos o que de fato tem sido significante em seu aprendizado, com a finalidade de aprofundar os resultados apresentados nesta pesquisa.
Por fim, acreditamos que os resultados dessa pesquisa não são generalizáveis. A realidade dos campos de estudo em questão são singulares, apresentando características próprias no processo ensino-aprendizagem sobre a temática do HIV/Aids, sendo, portanto, uma limitação do estudo.
FAZENDO O
RESUMO
RESUMO
Martires, Christiane Flávia Ferreira. Compreendendo a visão do enfermeiro em relação aos pais de crianças com câncer sob cuidados paliativos . Santo André, 2013. Trabalho de Conclusão de Curso de Pós Graduação em Enfermagem Pediátrica e Neonatal, apresentado à Disciplina Metodologia de Pesquisa da Faculdade de Medicina da Fundação ABC.
O objetivo deste estudo foi compreender a visão do enfermeiro em relação aos pais de crianças com câncer sob cuidados paliativos. Trata-se de uma pesquisa qualitativa descritiva, cujo referencial teórico foi a Representação Social de Moscovici. Foram realizadas sete entrevistas individuais com enfermeiros que já atuam na área da saúde no atendimento dos pacientes em estudo. Por meio do método de Análise de Conteúdo de Bardin, foram identificadas as seguintes categorias: 1-A representação social da ação de lidar com o sofrimento do enfermeiro; 2- A representação social de um cuidado sensível, desejado e humanizado do enfermeiro; O 3- A representação social do preparo científico teórico-prático nos cuidados paliativos do enfermeiro;4- A representação social do enfrentamento dos pais
frente a perda e os cuidados paliativos na visão do enfermeiro. Esse estudo proporcionou
compreender que o enfermeiro em muitos momentos se sente despreparado para o cuidado paliativo. Entretanto, poucos profissionais se mostram dispostos a envolver-se com a temática, fechando-se a construção de novos conhecimentos. Além disso, o profissional da saúde tem um olhar para o paciente sob cuidados paliativos como um cliente que merece em seu atendimento atenção, carinho e humanização, apresentando uma concepção ampla da condição humana no que tange a temática ‘cuidado paliativos’. Portanto, o enfermeiro do setor oncológico infantil independentemente do quadro clinico da criança, preocupa-se em enxergar o paciente enquanto pessoa, valorizando sua subjetividade.