An´
alise Sucinta do Or¸
camento da UNICAMP
1Alguns aspectos relevantes que marcaram a ´ultima d´ecada
Prof. Jos´e C. Geromel
Representante dos Professores Titulares no CONSU
Todos os dados que constam das duas tabelas dadas a seguir, foram extra´ıdos do site da AEPLAN na aba denominada REVIS ˜AO ORC¸ AMENT ´ARIA2. O es-tudo a ser apresentado contempla as execu¸c˜oes or¸cament´arias realizadas ao longo dos ´ultimos nove anos, a saber, de 2006 a 2014 pois j´a s˜ao suficientes para colocar em evidˆencia alguns aspectos importantes a respeito do comportamento temporal das finan¸cas da nossa universidade.
Ano RTE Pr´oprias Outras Receita Total
2014 1.927 154 199 2.280 2013 1.904 109 8 2.021 2012 1.739 62 48 1.849 2011 1.637 62 72 1.771 2010 1.474 58 50 1.582 2009 1.263 45 89 1.397 2008 1.231 28 67 1.326 2007 1.022 28 33 1.083 2006 913 26 46 985
Tabela 1: Receitas efetivamente realizadas
Para o melhor entendimento poss´ıvel das receitas dispon´ıveis ao longo dos anos, que est˜ao explicitadas na Tabela 1, ´e preciso fazer as seguintes considera¸c˜oes:
1
Agrade¸co a AEPLAN na pessoa do Sr. Antonio F´elix Duarte pela discuss˜ao e competente
ajuda que permitiram aprimorar a vers˜ao preliminar deste texto.
2
Todos os valores est˜ao expressos em milh˜oes de reais. Os dados de 2014 constam da pauta
• A primeira coluna denominada RTE - Recurso do Tesouro do Estado, indica as receitas provenientes da cota parte do ICMS, lei Kandir, etc. • A segunda coluna denominada Pr´oprias, cont´em o total de receitas pr´oprias
que ´e gerado, majoritariamente, pelo rendimento de aplica¸c˜oes financeiras. Em 2014, ela cont´em a transferˆencia de R$ 32.832.000, 00 da reserva es-trat´egica da universidade.
• A terceira coluna denominada Outras, cont´em todas as demais receitas que resultam, sobretudo, da transferˆencia do saldo (positivo ou negativo) apurado no ano anterior. Em 2014, ela cont´em o valor de R$ 30.072.000, 00 pagos pelo Banco do Brasil por receber exclusividade no tratamento da folha de pagamento e o valor de R$ 178.623.000, 00 que consta no or¸camento de 2014 sob a denomina¸c˜ao Reserva Previdenci´aria - IPESP.
Nota-se, de imediato, um aumento progressivo e significativo das receitas pr´oprias que s˜ao disponibilizadas no or¸camento. Ela aumentou aproximadamente cinco vezes no decorrer do per´ıodo estudado. Essa tendˆencia n˜ao pode se manter indefinidamente pois ela faz uso de reservas financeiras da universidade as quais, por ´obvio, s˜ao finitas e podem se esgotar. Saber qual ´e o montante dessas reservas ´e, portanto, absolutamente essencial para o estudo de cen´arios futuros.
Ano Pessoal Outras Despesa Total Saldo
2014 1.857 458 2.315 (35) 2013 1.761 270 2.031 (10) 2012 1.544 316 1.860 (11) 2011 1.383 357 1.740 31 2010 1.225 285 1.510 72 2009 1.098 237 1.335 62 2008 983 255 1.238 88 2007 851 175 1.026 57 2006 820 158 978 7
Tabela 2: Despesas efetivamente empenhadas e Saldo apurado
As despesas empenhadas em cada ano constam da Tabela 2 sendo que na sua ´
ultima coluna inclu´ımos o saldo apurado. Alguns esclarecimentos s˜ao necess´arios para que os dados que constam desta tabela sejam correta e precisamente com-preendidos:
• A primeira coluna denominada Pessoal, indica as despesas com a folha de pagamento e seus reflexos, tais como o pagamento de aposentadorias,
pens˜oes, e o aux´ılio alimenta¸c˜ao. Inclui tamb´em as despesas denominadas insuficiˆencia financeira.
• A segunda coluna denominada Outras, cont´em todas as demais despesas. Nota-se que o saldo apurado em cada ano manteve-se em um patamar positivo at´e 2011. No ano seguinte, subitamente, tornou-se negativo para atingir, em 2014, um d´eficit de aproximadamente 35 milh˜oes de reais. Diante desse fato, imp˜oe-se a observa¸c˜ao de que essa trajet´oria de despesas n˜ao ´e sustent´avel e muito menos saud´avel do ponto de vista financeiro. A depender do volume das reservas, isso pode ocorrer, sob imperativa necessidade, apenas por poucos anos seguidos.
Esses dados tamb´em permitem colocar em evidˆencia uma forma alternativa de olhar a execu¸c˜ao or¸cament´aria da universidade para podermos concluir sobre a adequa¸c˜ao de sua evolu¸c˜ao, no decorrer dos anos. A Figura 1 mostra trˆes curvas que passamos a descrever.
5 10 15 70 80 90 100 110 120 130 (% ) ano
Figura 1: Despesa total e despesa com pessoal por ano
A primeira, em linha cont´ınua azul, mostra o comprometimento das despesas com pessoal em rela¸c˜ao ao RTE3
. A partir de 2011 o comprometimento ´e crescente e atinge, no presente, o n´ıvel de aproximadamente 96%.
A segunda, em linha cont´ınua vermelha, mostra o comprometimento das des-pesas com pessoal, mas agora em rela¸c˜ao ao montante total das despesas. Nota-se que o comprometimento permanece pr´oximo de 85% sendo, na maioria dos anos, ligeiramente menor que este valor. Grosso modo, vemos aqui se evidenciar uma
3´
E preciso informar que os percentuais assim calculados se aproximam, mas n˜ao coincidem
6 7 8 9 10 11 12 13 14 −200 −150 −100 −50 0 50 100 (M R $ ) ano
Figura 2: Impacto efetivo nas reservas da universidade
regra conhecida - para fazer face aos demais gastos, a universidade precisa de 15% do total. Em outras palavras, ´e preciso disponibilizar os recursos para pagar todas as demais despesas da universidade.
A terceira, em linha tracejada azul, mostra a evolu¸c˜ao da despesa total em rela¸c˜ao ao RTE. Em v´arios anos, em particular em 2007 e 2008, a despesa total foi pr´oxima do RTE o que gerou saldos or¸cament´arios expressivos. Por outro lado, deve causar preocupa¸c˜ao que, em 2014, este ´ındice esteja atingindo o patamar de 120%.
Neste ponto, desejamos extrair desses dados uma estimativa de como as nossas reservas financeiras est˜ao sendo alteradas pela execu¸c˜ao do or¸camento. Para isso, assumindo que as receitas pr´oprias sejam geradas, na maior parte, pelo rendimento das aplica¸c˜oes financeiras, basta subtrair a receita pr´opria do saldo apurado em cada ano. De fato, maior saldo e menor receita pr´opria certamente levam a um maior volume de recursos que n˜ao s˜ao utilizados durante a execu¸c˜ao or¸cament´aria do ano em curso.
A Figura 2 apresenta os valores assim calculados. Em 2008, utilizamos R$ 28 milh˜oes de receitas pr´oprias, mas como tivemos um saldo de R$ 88 milh˜oes o resultado deve ter sido um expressivo aumento de nossas reservas. Por outro lado, ap´os 2011, os valores apurados tornam-se negativos. Por exemplo, em 2014, resultado de um d´eficit de aproximadamente R$ 35 milh˜oes com a disponibiliza¸c˜ao simultˆanea de R$ 154 milh˜oes de receitas pr´oprias, as nossas reservas devem ter sido reduzidas em aproximadamente R$ 200 milh˜oes.
Ap´os minhas solicita¸c˜oes, feitas em diversas oportunidades no CONSU, a AE-PLAN forneceu as informa¸c˜oes a respeito da chamada Reserva T´ecnica da
Unicamp que constam da Tabela 3. A reserva t´ecnica constitui um montante estrat´egico destinado a cobrir, sobretudo, eventuais quedas de receita. Este mon-tante est´a dispon´ıvel para fazer face a flutua¸c˜oes de despesa / receita sempre existentes durante a execu¸c˜ao do or¸camento anual da universidade.
Descri¸c˜ao Valor (R$ milh˜oes)
Saldo Financeiro 1.121
Despesas Or¸cament´arias a pagar 759
Reserva T´ecnica 362
Tabela 3: Reserva T´ecnica em Novembro de 2014
Para validar este modelo, devemos receber, al´em desses dados a serem for-necidos em cada revis˜ao do or¸camento, o montante apurado no per´ıodo como resultado da aplica¸c˜ao no mercado financeiro de todo o saldo dispon´ıvel.
Passamos agora a discutir os valores de receita e despesa que deixamos de incluir na an´alise da execu¸c˜ao or¸cament´aria de 2014 e que se originam em quest˜oes previdenci´arias, que ter˜ao forte impacto no futuro da universidade. Na reuni˜ao do CONSU ocorrida no dia 25 de Novembro de 2014, durante a apresenta¸c˜ao da SPPrev, dois importantes aspectos foram explicitados:
• A SPPrev opera em regime de reparti¸c˜ao4. Todos, inclusive os novos servi-dores, est˜ao submetidos a este regime previdenci´ario.
• A SPPrev realiza o pagamento, mas ´e a UNICAMP que disponibiliza os recursos para pagar as aposentadorias e as pens˜oes.5
.
Estes dois fatos causam preocupa¸c˜ao pois eternizam o tratamento dos nossos servidores, em particular, os novos que j´a foram contratados sob a ´egide do re-cente implantado sistema previdenci´ario dos servidores do Estado de S˜ao Paulo, de forma a meu ver equivocada. De fato, sabemos que este sistema n˜ao se sustenta no longo prazo6
. Assim sendo, ´e imperativo que a universidade tome providˆencias urgentes para que as aposentadorias e as pens˜oes dos novos servidores sejam fi-nanciadas de forma sustent´avel.
4
As contribui¸c˜oes arrecadadas s˜ao usadas imediatamente para o pagamento dos inativos.
Nenhum recurso ´e destinado para a constitui¸c˜ao de um fundo.
5
Segundo informa¸c˜ao da AEPLAN, isto ocorre desde 2007. Ademais, nenhuma parte das
contribui¸c˜oes pagas pelos servidores ao IPESP, ao longo de d´ecadas, a t´ıtulo de financiamento
das pens˜oes, foi destinada `a UNICAMP como contrapartida.
6
Em uma situa¸c˜ao de equil´ıbrio estat´ıstico, consideramos que em cada grupo de 10 servidores,
7 estar˜ao em atividade e 3 n˜ao. Para pagar o sal´ario dos inativos teremos que impor aos ativos
uma contribui¸c˜ao previdenci´aria pr´oxima de 43% sobre as mesmas bases. Isso ´e claramente
O or¸camento de uma institui¸c˜ao de grande porte como a UNICAMP ´e deta-lhado e complexo. Assim sendo, ´e necess´ario estabelecer uma forma de agregar as informa¸c˜oes, mas que, ainda assim, permita avaliar com precis˜ao os impactos financeiros das a¸c˜oes e programas que se deseja implantar. Acreditamos que as propostas que acabamos de formular permitem um passo seguro nesta dire¸c˜ao.