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Os Cursos de Engenharia do UnicenP

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Os Cursos de Engenharia do UnicenP

Marcos Tozzi, Diretor do Núcleo de Ciências Exatas e Tecnológicas,

Centro Universitário Positivo – UnicenP, Av. N. S. Aparecida, 174, Curitiba, 80440-000, [email protected]

Maurício Dziedzic, Coordenador do Curso de Engenharia Civil, UnicenP

Edson Pedro Ferlin, Coordenador do Curso de Engenharia da Computação, UnicenP

Júlio César Nitsch, Coordenador do Curso de Engenharia Elétrica, UnicenP

Marcos Rodacoski, Coordenador do Curso de Engenharia Mecânica, UnicenP

Resumo

O Centro Universitário Positivo – UnicenP, sediado na cidade de Curitiba – PR, criado por Decreto Presidencial de 17 de dezembro de 1998, iniciou, em 01 de março de 1999, quatro cursos de Engenharia: Civil, Mecânica, Elétrica e de Computação.

Este artigo tem por finalidade apresentar os objetivos e a filosofia de concepção dos cursos com respeito aos seguintes itens: processo ensino – aprendizagem, o papel do coordenador do curso, a adoção de disciplinas técnicas desde o primeiro ano dos cursos, a utilização pedagógica da rede intranet/internet, relação professor – aluno, a sistemática de avaliação dos cursos, a adoção de estudo dirigido com os alunos, a elaboração de projetos de extensão envolvendo alunos de 1o ano em projetos de engenharia, a adoção de engenheiros como professores do ciclo básico, a realização de entrevistas individuais dos alunos com o coordenador do curso e a viabilização de horas de permanência de professores horistas para atendimento extra-classe aos alunos.

Considera-se que essa sistemática de abordagem adotada para os cursos possa conduzir à melhoria da qualidade de ensino e à redução da taxa de evasão escolar.

1. Introdução

A mudança de meio social e de filosofia educacional são os maiores impactos que sofre o acadêmico recém chegado à universidade. Ao encontrar um ambiente com um controle de vida estudantil mais ameno e uma redobrada responsabilidade pessoal para o estudo, o aluno universitário pode se complicar, até mesmo se perder, se não houver um suporte satisfatório para lhe orientar nessa nova etapa. A nova liberdade pode se camuflar e trazer a falsa impressão de objetivos de curso e das ações universitárias pouco estruturadas ou coerentes. Assim, a falta de cobrança constante, comum do ensino médio, pode induzir o aluno a uma fatal falta de aplicação aos estudos. Bazzo e Teixeira (1997) expressam essa constatação da seguinte maneira: “Aliás, (os alunos) aportam na universidade e são

literalmente jogados na “roda-viva” do ambiente universitário e quando conseguem se recuperar deste impacto, já se passaram vários meses, talvez mais de um ano, de suas vidas acadêmicas”

Não se pode, entretanto, eximir o sistema universitário de uma grande parte de culpa. Sabendo que o problema é grave e é comum em grande parte de nossas universidades, pouco é feito pelo sistema para, efetivamente, combatê-lo. Parece-nos

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razoável considerar que, àqueles que tendo detectado o problema e tendo conhecimentos e metodologia para resolvê-lo, cabe atuar de forma constante e incansável sobre o mesmo. Fazer com que esta combinação de mudanças seja absorvida rapidamente exige dedicação da equipe de profissionais que atuam diretamente com o acadêmico. Desdobram-se nesse conjunto “aluno - vida universitária” três conseqüências clássicas: o alto índice de evasão; o baixo rendimento escolar e a frustração por ver uma tênue ligação entre a universidade e seu futuro profissional.

Dentro desse contexto, o Centro Universitário Positivo, no início do ano letivo de 1999, implementou ações específicas com o intuito de minimizar a situação-problema acima descrita e presente na maioria dos cursos superiores do país. O presente artigo descreve essas ações, apresentando a filosofia/objetivos adotados nos cursos de engenharia do UnicenP.

2. Processo ensino – aprendizagem

O significado de ensinar aponta para o professor como agente principal e responsável pelo ensino. As atividades centralizam-se na sua pessoa, nas suas qualidades, nas suas habilidades. Relativamente ao significado de aprender, que é o de buscar informações, adquirir habilidades, adaptar-se às mudanças, modificar atitudes e comportamentos, romper paradigmas, entende-se que as atividades estão centradas no aluno, em suas capacidades, possibilidades, oportunidades para aprender (Abreu e Masetto – 1990).

No UnicenP, os cursos de Engenharia deverão privilegiar a aprendizagem de seus alunos sobre o ensino dos professores. O critério de eficiência do trabalho do professor passa a ser a própria eficiência da aprendizagem de seu aluno. Os recursos que o professor deverá utilizar para conseguir maior ou menor eficiência serão as estratégias de aprendizagem, o processo de avaliação e o clima sócio-emocional estabelecido na classe através da relação professor-aluno. O papel do professor desponta como sendo o de facilitador/mediador da aprendizagem de seus alunos. Seu papel não é ensinar, mas ajudar o aluno a aprender; não é transmitir informações, mas criar condições para que o aluno adquira informações. As práticas pedagógicas fundamentadas na absorção passiva deverão ser substituídas pela relação ativa e intensa entre o educando e o conhecimento por meio da ação mediadora do professor, que organizará significativas experiências de aprendizagem (Kuenzer, 1998).

O desejo de romper com a situação da classe tradicional dominada pelo professor e encorajar maior participação, iniciativa e responsabilidade do aluno conduz a um estilo de ensino centrado na aprendizagem. O grupo, formado pelo professor e pelos alunos, passa a ser o responsável pelo processo de ensino-aprendizagem. Deixa-se, portanto, de repetir conteúdos de forma linear e fragmentada, predominantemente por meio do método expositivo combinado com a realização de atividades que vão da cópia de parcela de texto à resposta de questões, onde mais importa cumprir a tarefa, tanto para o professor como para o aluno, do que estabelecer uma profícua relação com o mundo do conhecimento.

3. O papel do coordenador do curso

O UnicenP, por intermédio de sua administração superior, denomina o coordenador como “dono do curso”. Esta denominação revela o grau de responsabilidade que a alta administração da instituição deposita nos coordenadores relativamente ao desempenho de suas funções.

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Uma das principais responsabilidades do coordenador de um curso que se inicia diz respeito à elaboração do seu projeto pedagógico. O momento é polêmico, principalmente face à nova Lei de Diretrizes Básicas (LDB), fazendo com que a definição da estrutura curricular seja uma aposta no futuro com quebra de paradigmas e incertezas.

Outra grande responsabilidade do “dono do curso” é a seleção da equipe de trabalho. A equipe de professores da área tecnológica leciona em todos os cursos de engenharia e, portanto, tem contato com todos os coordenadores do núcleo da área tecnológica. Por natureza do ser humano, os professores são diferentes, seja na forma de ensinar, na forma de pensar ou na forma de se relacionar com os alunos. Contudo, a formação de uma equipe homogênea é muito importante. Entre os itens básicos de seleção dos professores estão a formação profissional, a experiência, a titulação e, como item mais importante, a qualidade de saber trabalhar em equipe e se mostrar receptivo em relação às correções de rumo que se fizerem necessárias. É parte do trabalho do grupo de coordenadores garantir a elaboração e cumprimento dos planos de ensino, estar pronto para agir no caso de imprevistos, além de resolver conflitos entre estudantes e professores. O controle rígido do andamento do trabalho da equipe é parte fundamental na garantia de qualidade do curso.

A organização de eventos para promoção do curso também é um papel do coordenador, como agente motivador dos estudantes e da equipe de trabalho. Como os estudantes de 1o ano dificilmente conhecem os aspectos ligados à atividade profissional, as visitas a empresas e laboratórios são essenciais para sua motivação e verificação da decisão quanto à escolha do curso de engenharia.

O intercâmbio com empresas e instituições é um fator crucial para garantir a boa aceitação pelo mercado de trabalho do profissional aqui formado. A atividade é essencial já na montagem da grade curricular e como meio de alavancar estágios nas empresas. Todo o planejamento de investimento em equipamentos e laboratórios deve ser pensado pelo “dono do curso” com olhos didáticos e também com a visão de prestação de serviços com a participação dos alunos, permitindo a eles uma aproximação adequada com o meio profissional.

4. A adoção de disciplinas técnicas desde o primeiro ano dos cursos

Em cada curso de engenharia do UnicenP foram adotadas disciplinas técnicas da área de formação profissionalizante do curso, desde o primeiro ano, para que isto desperte o interesse dos alunos para o curso escolhido. Associados à essas disciplinas encontram-se disponibilizados os laboratórios correspondentes. Além deste aspecto motivacional, começa-se a formar os novos profissionais, desde cedo, direcionados para a área da engenharia escolhida, permitindo-se criar uma base sólida de conhecimentos da especialidade do curso e, também, propiciar um melhor encadeamento das disciplinas e conteúdos necessários para o curso, evitando desta forma a sua sobreposição, que em muitos outros cursos acontecem.

No Curso de Engenharia Civil, por exemplo, as disciplinas técnicas adotadas no 1o ano foram Topografia e Desenho Técnico com utilização de AutoCAD. Percebe-se, claramente, que a adoção dessas disciplinas desperta uma motivação nos alunos. Entretanto, a motivação maior resulta do estabelecimento das relações entre as diversas disciplinas, o que permite ao aluno construir uma realidade própria da engenharia. O trabalho final do 1o ano, envolvendo o levantamento topográfico de uma área do novo campus do UnicenP associado à sua apresentação com utilização dos recursos do AutoCAD, traduz-se como

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um exemplo característico dessa concepção: permite ao aluno realizar um trabalho de nível profissional e se sentir como “engenheiro” desde o início do curso.

5. A utilização pedagógica da rede intranet/internet

Através da rede intranet do UnicenP, os alunos têm acesso às suas notas e freqüência, aos conteúdos programáticos das disciplinas e a todo o material didático disponibilizado na rede pelos professores. Este material encontra-se continuamente disponível e compreende o plano de ensino da disciplina, listas de exercícios, trabalhos e outros materiais que o professor julgar necessário. A rede permite, ainda, que os alunos se comuniquem com os professores e vice-versa por meio de mensagens eletrônicas (e-mail).

Com o uso da internet os alunos podem buscar, em qualquer instituição de ensino, de pesquisa, ou mesmo em empresas do mundo todo, as informações para seus trabalhos ou atividades acadêmicas, bem como para seu próprio conhecimento, ampliando de maneira significativa as suas possibilidades de consulta. Os alunos podem, também, acessar as informações disponíveis na rede intranet do UnicenP por meio da internet, o que garante uma maior flexibilidade no acesso às informações e na criação de subsídios para a implantação do ensino à distância.

Possibilita-se, adicionalmente, a utilização de listas de discussão, as quais permitem a criação de grupos de discussão mais específicos, onde as mensagens são enviadas para todos os integrantes do grupo visando a disseminação uniforme da informação. Os recursos da intranet e da internet contribuem efetivamente para uma nova metodologia de aprendizagem, pois garantem que os alunos criem o hábito da pesquisa e consulta das informações que estão disponíveis nas diversas fontes e, que muitas vezes, podem estar a milhares de quilômetros de distância.

6. Relação professor-aluno

A preocupação com a aprendizagem do aluno e não com o ensino do professor é que determina as diretrizes do relacionamento de sala de aula. A facilitação da aprendizagem baseia-se em certas qualidades de comportamento que ocorrem no relacionamento pessoal entre o professor (facilitador) e o aprendiz (aluno), como por exemplo: autenticidade do professor, apreço ao aluno e compreensão empática do professor, esta permitindo que o aluno se sinta compreendido por alguém sem que este o esteja julgando.

O professor tem uma influência direta sobre a situação em sala de aula, no seu relacionamento com o aluno e no planejamento e adaptação das condições de aprendizagem deste. Atuar de maneira eficiente sobre o que possa influenciar diretamente em suas aulas é indispensável para a ação profissional do professor. No UnicenP, a relação professor-aluno tem sido efetivada de maneira profissional e adequada, iniciando com a discussão conjunta do Plano de Ensino da disciplina, passando pela adoção de diferentes estratégias de aula que melhor convêm ao conteúdo específico que está sendo desenvolvido, promovendo a formação de grupos de estudo com assessoria do professor e promovendo horas de atendimento semanais de todos os professores para os alunos.

7. A sistemática de avaliação dos cursos

Quanto à avaliação das disciplinas dos cursos, julga-se que, para obter uma aprendizagem efetiva, torna-se fundamental a obtenção de informações contínuas para

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se a necessidade de um redirecionamento até do plano de ensino, o que caracteriza essa sistemática como um processo de aprendizagem inclusive do professor. A definição das metas a alcançar passa a definir os critérios do processo de avaliação: o que avaliar, como avaliar e que instrumento utilizar para avaliar. Para os cursos do UnicenP, optou-se pelo processo de avaliação contínua, entendendo-se, por isso, que em todas as atividades previstas e realizadas procurar-se-á obter coerência e comprometimento entre as atividades do aluno, do professor e do plano de ensino.

Salienta-se que em alguns casos de não efetivação da aprendizagem verifica-se que a causa fundamental não se encontra relacionada ao desempenho inadequado do aluno, mas por fatos inerentes ao desempenho do professor, como por exemplo, falta de planejamento, falta de flexibilidade na aplicação do plano de ensino, desconhecimento de técnicas pedagógicas adequadas aos objetivos propostos (Abreu e Masetto – 1990). Com o intuito de se obter informações do desempenho do professor e do aluno e, com isso, estabelecer estratégias de contínuo aperfeiçoamento de aprendizagem, adotou-se uma sistemática de avaliação bimestral, efetuada pelos alunos, baseada em 12 itens, sendo seis relacionados ao professor e seis relacionados ao desempenho e aprendizado do aluno em sala de aula e fora dela. Estabelece-se, dessa maneira, desde o início dos cursos, a conscientização da importância da avaliação do docente pelo discente e da auto-avaliação discente.

A avaliação do ensino superior envolve um conceito multidimensional que deve considerar funções e atividades de ensino e programas acadêmicos, pesquisa e fomento da ciência, provisão de pessoal, alunos, instalações, equipamentos, serviços de extensão e o ambiente acadêmico em geral (UNESCO, 1998). Dentro desse enfoque, o UnicenP adota, adicionalmente, o Sistema Estatístico de Avaliação da Qualidade Educacional - SEAQUE, o qual é utilizado na freqüência de uma vez por semestre. A sua aplicação, via microcomputador para todos os alunos, permite a avaliação de diversos desses parâmetros de maneira rápida e eficiente.

8. A adoção de estudo dirigido com os alunos

Outra característica dos cursos de engenharia do UnicenP é a adoção de estudo dirigido com os alunos, após o horário de aula. Nesse período, os professores se reúnem com os alunos interessados, para a orientação e auxílio na resolução dos trabalhos domiciliares. A “lição de casa”, aparente anacronismo para alguns, se constitui em instrumento essencial para o aprendizado, pois faz com que o aluno aplique os conhecimentos adquiridos, solidificando-os, e, algumas vezes, finalmente compreendendo os conceitos envolvidos.

A adoção criteriosa de bons livros texto, com vários problemas propostos e suas respostas, facilita não só o trabalho de preparação do professor, mas também o do aluno que pode gerenciar sua carga de trabalho e receber retorno imediato acerca de seu desempenho. O estudo dirigido caracteriza-se, então, principalmente como uma oportunidade proporcionada pela instituição ao seu corpo discente. A constatação da eficácia desse processo tem sido muito gratificante, tendo-se percebido grande evolução no desempenho dos alunos que têm comparecido às sessões através de grande movimentação ascendente no ranking da respectiva turma.

Nesse primeiro ano de existência dos cursos de engenharia do UnicenP, tem sido possível promover a permanência na instituição após o horário de aula dos professores das três disciplinas básicas, que geralmente causam maiores dificuldades a estudantes de primeiro ano, que são Cálculo, Física e Geometria Analítica e Álgebra Linear. Além das sessões de estudo dirigido, os professores dessa disciplinas têm permanecido na instituição

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em período integral participando de projetos de pesquisa e extensão, estando durante esse tempo à disposição dos alunos para consultas adicionais. A grande utilização desses serviços tem servido também para comprovar sua utilidade.

Os professores das demais disciplinas também têm permanecido na instituição para atender os alunos, mas com horário mais reduzido, em função da menor carga horária das respectivas disciplinas.

9. A elaboração de projetos de extensão envolvendo alunos de 1o ano em projetos de engenharia

Já nesse primeiro ano de existência, os cursos de engenharia do UnicenP vêm promovendo a participação dos alunos de graduação, obviamente de primeiro ano, em projetos de engenharia. O procedimento é facilitado pela existência de disciplinas técnicas no primeiro ano, tendo também como ingrediente essencial a disponibilidade dos professores para a orientação desses projetos.

Um exemplo concreto é a análise ambiental do Ribeirão dos Müller, córrego que corta o terreno onde está sendo construído o novo campus do UnicenP (ver http://www.unicenp.br, para maiores detalhes do campus), e que se está tentando recuperar para utilização como laboratório didático em vários cursos da instituição. Os alunos de primeiro ano da engenharia civil estão sendo convidados a participar desse projeto, que envolve, entre outros, o levantamento topográfico e a avaliação hidrológica e de qualidade da água da bacia hidrográfica em questão, e a análise de alternativas de recuperação ambiental desta.

10. A adoção de engenheiros como professores do ciclo básico

A escolha de engenheiros como professores das disciplinas do ciclo básico visou a valorização destas disciplinas na formação profissional. A visão de aplicação do conteúdo das disciplinas do ciclo básico na vida profissional do engenheiro é fundamental para a motivação dos estudantes do 1o ano dos cursos de engenharia.

Além disso, a filosofia dos nossos cursos de engenharia, no que tange à formação do corpo docente, visa o envolvimento de todos os professores tanto em disciplinas básicas quanto em disciplinas profissionalizantes. Logo, os professores contratados para esse primeiro ano de existência já se sentem envolvidos com o curso como um todo, tendo assumido o compromisso de ministrar também outras disciplinas.

11. Entrevistas individuais dos alunos com o coordenador do curso

Compreendida dentro das ações de recepção de novos alunos, a entrevista tem como orientação principal a abertura de oportunidade para que o aluno exponha suas impressões, anseios e sua individualidade. Ao coordenador cabe dar as condições para que o encontro tenha um bom rendimento. Dentre estas condições pode-se destacar:

a) real interesse do coordenador em ouvir os posicionamentos, sugestões e críticas dos alunos;

b) condições de privacidade para que a entrevista ocorra sem interrupções dedicando, no tempo estabelecido, total atenção ao acadêmico;

c) esclarecimento dos objetivos para a turma;

d) roteiro básico de perguntas para superar dificuldades de comunicação que possam ocorrer por parte do aluno;

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e) folha de anotações pós-entrevista para que o coordenador possa gerenciar as informações obtidas.

As informações obtidas e o clima resultante de conhecimento e de confiança entre os alunos e os coordenadores foram considerados de fundamental importância para a efetivação das ações propostas para os cursos de engenharia do UnicenP.

12. Viabilização de professores horistas para atendimento aos alunos

Um estudo apresentado por Budny et al. (1997) mostra a interrelação entre o apoio dado ao aluno calouro de engenharia e a correspondente taxa de conclusão do curso. Resumidamente, destaca-se que o progresso na vida acadêmica está intimamente ligado ao suporte que é dado ao aluno para vencer os obstáculos do primeiro ano de curso. Obstáculos estes que são naturais dos cursos de engenharia e se mostram, principalmente, no impacto das disciplinas de Cálculo, Física, Química e Geometria Analítica e Álgebra. Estas dificuldades de início de curso representam um grande fator de evasão escolar, antes mesmo da chegada das disciplinas profissionalizantes.

Assim, a oferta de um apoio ao estudante para que se ultrapassem estes obstáculos deve ser de iniciativa do colegiado dos Cursos de Engenharia. Tendo em conta essa situação definiu-se, no UnicenP, ações coordenadas entre professores que podem ser expressas por:

a) horário extra-classe para atendimento aos alunos;

b) grupos de estudo em Cálculo, Física e Geometria Analítica/Álgebra Linear; c) grupos de trabalho para problemas e pesquisas que envolvam

interdisciplinaridade;

d) simulações de avaliação para minimizar o impacto que surge da diferença de avaliação feita no ensino médio e a avaliação praticada no meio universitário. 13. Conclusão

O presente artigo procurou apresentar os objetivos e a filosofia de concepção dos cursos de engenharia do UnicenP. Embora a experiência seja limitada pelo pequeno período de existência dos cursos, parece-nos viável afirmar que as seguintes ações trouxeram, sem dúvida, aspectos positivos para os cursos e para o aprendizado dos alunos:

a) o estilo de ensino centrado na aprendizagem dos alunos; b) a adoção de disciplinas técnicas desde o 1o ano dos cursos; c) a adoção de estudo dirigido com os alunos;

d) as entrevistas individuais dos alunos com o coordenador do curso;

e) a viabilização de professores horistas para atendimento extra-classe aos alunos. Uma das principais tarefas a ser conduzida na seqüência diz respeito ao estudo da estrutura curricular dos cursos, adaptada às novas diretrizes curriculares que se encontram em fase final de análise por parte do MEC. A flexibilidade proporcionada pelas novas diretrizes e a visão atual do mundo do trabalho e de suas relações sociais devem se caracterizar como parâmetros fundamentais desse estudo.

Referências Bibliográficas

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princípios teóricos. MG Ed. Associados, 8a. ed., São Paulo, 1990.

Bazzo, Walter Antonio e Pereira, Luiz Teixeira do Vale. Introdução à Engenharia, 5a. edição. Editora da UFSC, 1997.

Budny, D., Bjedov, G., and LeBold, W., 1997. Assessment of the Impact of the Freshman Engineering Courses. ASEE/IEEE Frontiers in Education Conference, 1997,

http://fairway.ecn.purdue.edu/~fie/fie97/sessions/F4H.htm.

Kuenzer, Acácia Z. As mudanças no mundo do trabalho e a educação: novos desafios para a gestão. IX ENDIPE, Águas de Lindóia, maio, 1998.

UNESCO. Conferência Mundial sobre Educação Superior. Universidade Metodista de Piracicaba, 1998.

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