Manuela Grace de Almeida Rocha Kaspary
Universidade Federal de Alagoas
Era uma vez um povoado pesqueiro: uma análise comparativa da
transformação de povoados costeiros do Brasil e da Catalunha em territórios
turísticos
Lindemberg Medeiros de Araujo
Universidade Federal de Alagoas
[email protected] 1352
8º CONGRESSO LUSO-BRASILEIRO PARA O PLANEAMENTO URBANO,
REGIONAL, INTEGRADO E SUSTENTÁVEL (PLURIS 2018)
Cidades e Territórios - Desenvolvimento, atratividade e novos desafios
Coimbra – Portugal, 24, 25 e 26 de outubro de 2018
ERA UMA VEZ UM POVOADO PESQUEIRO: UMA ANÁLISE COMPARATIVA DA TRANSFORMAÇÃO DE POVOADOS COSTEIROS DO BRASIL E DA
CATALUNHA EM TERRITÓRIOS TURÍSTICOS M. G. A. R. Kaspary; L.M. de Araujo
RESUMO
Esse estudo reflete sobre o processo de transformação de cidades-povoados, de caráter campesino-pesqueiro, em cidades turísticas, voltado ao setor de serviços e ao mercado imobiliário de caráter elitista. Trata-se de um estudo comparado entre duas localidades, uma situada no Nordeste do Brasil e a outra no litoral norte da Catalunha, denominadas, respectivamente, de Porto de Pedras e El Port de la Selva. São antigos povoados pesqueiros, que por circunstâncias físicas, mantiveram-se geograficamente isolados, ambientalmente preservados e culturalmente singulares. Sem embargo, verteu-se em impulsor de um turismo exclusivo a classes sociais de alto poder aquisitivo. Por meio de análise dialética, busca-se entender a transformação socioespacial e a sua influência na nova configuração nas relações sociais e de poder em específicos territórios. Os resultados sugerem que as materialidades econômicas, sociais e culturais construídas nos diferentes tempos históricos apontam diferentes respostas de cada territorialidade fundante a inserção da territorialidade turística-imobiliária.
1 INTRODUÇÃO
Localidades costeiras de quase todas as partes do planeta, principalmente aquelas de clima mais aprazível, estão transcorrendo por um célere processo de apropriação do seu espaço pelas atividades turísticas, com relevantes transformações territoriais. Estudos de caso constatam que pretéritas territorialidades têm tido seus usos, formas e funções alterados para adequação ao recebimento do fluxo turístico, por meio de um fenômeno denominado de turistificação1. Povoados costeiros, que historicamente, apresentavam costumes e um modus vivendi próprio e socioespacialmente restrito das a grandes urbes, agora, deparam-se com a lógica global de conexão dos lugares, onde acessos são ampliados e difundidos para atenderem a um maior fluxo de pessoas e objetos.
A atividade turística apresenta um potencial peculiar em relação a outras atividades da economia, o seu potencial de se especializar em localizações consideradas excêntricas, e distintas de atrativos tradicionalmente apreciados, como lugares paisagísticos, representados por praias, bosques e montanhas. O interesse ao exótico ou padrões de serviços distanciados dos modelos tradicionais vem espelhando interesses cada vez mais heterogêneos da nossa sociedade. Na contemporaneidade, apanágios naturais ou culturais
1Turistificação - termo usado para expressar o processo de requalificação de espaços para transformá-los em propícios para o desenvolvimento da atividade turística.
não são mais considerados os únicos atrativos para o desenvolvimento da atividade turística. Lugares cada vez mais inóspitos, estranhos – para alguns – ou carentes de produtos e serviços tradicionalmente turísticos são hoje chamariz de pessoas e, por sua vez, de empreendimentos turísticos de toda parte do globo.
Contudo, com exceção de casos singulares, turistas não aparecem um lugar por sua própria iniciativa, e quando o fazem, não é na quantidade suficiente para poder se falar em recurso. A necessidade precisa criar uma reputação no círculo turístico regional ou nacional: aparecer em guias de viagens, na publicidade institucional, nas páginas adequadas da internet; e requerer de mediadores que tragam os viajantes, os operadores turísticos-imobiliário (GASCÓN & CAÑADA, 2005).
Nesse sentido, este trabalho busca um olhar para tentar compreender como influências decorrentes do processo de transformação de cidades-povoados, de caráter campesino-pesqueiro, em cidades turísticas voltadas ao setor de serviços e ao mercado imobiliário de caráter elitista. Trata-se de um estudo comparado entre dois povoados preteritamente pesqueiros, um situado no litoral do Nordeste do Brasil, e o outro no litoral norte da Catalunha, denominadas, respectivamente, de Porto de Pedras e El Port de la Selva.
O município de Porto de Pedras se apresenta como recorte geográfico elegido para a realização desta investigação no Brasil, está situado na denominada Rota Ecológica, no litoral norte do Estado de Alagoas, Nordeste brasileiro, que vem se tornando uma apreciada destinação turística, predominantemente, nos últimos quinze anos. Essa parte do litoral alagoano apresenta características naturais, urbanas e socioculturais de grande atratividade. No caso da Rota Ecológica, predomina a territorialização de uma tipologia turística seleta e exclusivista que prioriza a espacialização de pousadas voltadas a um número limitado de visitantes. Além da espacialização de meios de hospedagem regulamentados, Porto de Pedras também se tornou um território eleito para espacialização de loteamentos para edificação de residências de caráter temporário.
O município é formado por vários povoados que se conectam por uma única rodovia. A construção desses povoados estava costurada com o sistema canavieiro, na verdade eles foram a borda de uma imensa manta de retalhos. Manta essa que se compôs a força armada de origem branca, suor de negros, sangue de índios, resistência de mucambos, as custas do verde-escuro das matas, pela eclosão e declínio da cepa verde-clara da cana, todos alinhavados por relações de poder político-econômico e de prestígio. Essa borda, em alguns momentos, foi núcleo, em outros foi fortificada para não fender o conjunto e quando tudo começou a se esfarrapar foi esquecida. Esses povoados foram testemunhas, cúmplices e solidários na mesma história. E a uni-rua que os conecta deu aparência à aquilo que já existia na essência.
Já o outro recorte geográfico foi buscado com esmero, deveria ao menos apresentar características físicas, geográficas e culturais semelhantes, já que a histórica era improvável. El Port de la Selva é um daqueles povoados que à primeira vista parecem cenário de um filme da década de 1960, um povoado de casas brancas cravadas em rochas que servem de anfiteatro para uma bela baia. Com o aspecto de bolo de noiva, casas brancas vão se enfileirando em ruas estreitas e paralelas da borda ao topo. O topo ainda verdejante com uma bandeira que marca uma altitude, mas marca também momentos pretéritos. Casas unidas uma à outra vão se dispersando e se avolumando na medida que se aproximam do cume. Não são muitas, em torno de três mil casas, realmente um petit
povoado, mas menor ainda quando se sabe que a população corresponde a menos de um terço desse número. Um povoado composto por menos de mil indivíduos. Poucos jovens, muitos já passaram de meio século de vida, mais de meio século de histórias memorizadas, vividas ou contadas. Um passado mesclado de tristeza, com momentos nostálgicos de felicidade. Quase todos dali tiveram parentes mortos, desaparecidos, emigrados por conta de uma sanguinária e cruel guerra civil. São poucos os que não testemunharam os efeitos desse triste momento da história. Antes da guerra aquele era um povoado recentemente próspero, por conta de sua duas principais atividades, a pesca e a vinha. A segunda atividade foi a primeira a declinar, a primeira continua a sofrer ciclos de auge e de declínios. Embora a vinha tem-se reduzido a grão. Esse grão enceta a uma nova germinação. Já a pesca, uma antiga arte, fez desse povoado o único a exercê-la. Artes outras poderiam ser desenvolvidas ali, mas essa complexa arte não poderia ser reproduzida em outro mar que não fosse o daquela baia.
Lugares tão distantes, separados por pelo menos um oceano, em continentes diferentes, mas que exprimiam relações. Um na borda do oceano atlântico, na latitude tropical do hemisfério sul, o outro na borda do Mediterrâneo, na latitude temperada do hemisfério norte. Uma no norte de Alagoas, na região Nordeste do Brasil, a outra no norte da Catalunha, no Nordeste da península ibérica.
As características dos grupos que visitam El Port de la Selva se exibem de forma mais homogênea. Já o povoado alagoano se mostra muito mais heterogêneo, mais complexo, espelhando um emaranhado de capitais que se opõem, mas que também se alinham. E igualmente complexos são seus efeitos. Os tempos entre esses lugares são diacrônicos, mas também assíncronos, os fluxos migratórios são distintos, as temporalidades efêmeras apresentam compassos e intensidades distintas. Mas a atual preservação do patrimônio natural, cultural e histórico é que os torna peculiares, singulares e dignos de contemplação, e é isso que os une neste texto.
O processo investigativo, a princípio, estava centrado no caso brasileiro, contudo as inúmeras indagações e a oportunidade dada pelo destino levaram a buscar um lugar para comparar em outro continente, em outra latitude, em outra longitude. Durante o processo investigativo, em um como no outro, buscou-se residir e criar relações com o lugar, com as pessoas. No caso brasileiro, a priori, foi mais fácil, porque já existia convívio, já existia relação. Já o caso catalão foram vários desafios: o primeiro de compreender não somente uma, mas duas línguas, suas expressões. Como se integrar sem isso? E nesse caso, não somente a língua falada, mas sim a sua escrita, para conhecer a sua história e para perceber as nuances das tensões nas mais de 5000 páginas de atas de reuniões ocorridas entre as décadas de 1950 e 2017. Foi um desafio ser uma estrangeira em um lugar não aberto a estrangeiros. Mas foi um desafio pouco a pouco driblado, pouco a pouco conquistado. Em ambos territórios foi realizado um trabalho de campo, de caráter etnográfico, a diferença é que no caso brasileiro, havia um envolvimento maior a ponto de podemos denominar em uma observação participante. O contato com ambos territórios se costurou com a coleta de informações geográficas, urbanas, econômicas, sociais, políticas, históricas exploradas, às vezes em paralelo, às vezes anacronicamente, às vezes casualmente, às vezes intencionalmente. Apesar da leitura e a escrita trazerem informações de tempos remotos, centramos em um recorte temporal de sessenta anos, para compreender as principais mudanças e efeitos da inserção da atividade turística imobiliária.
Embora a impressão dos acontecimentos esteja no território, buscou-se entender o papel do Estado, em diferentes escalas, na transformação da morfologia urbana, por meio de planos, projetos, leis. Ambos territórios estão incorporados a áreas de proteção e essa de articulação surte efeitos sobre o território. Desta forma, busca-se compreender como regras criadas influem na nova configuração da estrutura social, das relações sociais, dos modos culturais e nos processos de relação de poder em específicos territórios.
2 DOIS CONTEXTOS: UM BREVE RELATO
2.1 Era una vez um pueblo pesquero: El Port de la Selva
El Port de la Selva é uma antiga vila marinheira de l`Empordà, que se situa no setor setentrional da península de Cap de Creus, em terrenos acidentados, na costa rochosa ao final da serra de Rodes, entre um dos pontos de Cap de Creus e de Portvendres, ao norte da costa de Levante (Llevant), atualmente denominada Costa Brava2. O município é formado por seu núcleo urbano, o povoado de Vall de Santa Creu, a antiga povoação de Santa Creu de Rodes. No seu território situa-se o santuário de Santa Helena, as ruínas do castelo de Sant Salvador Saverdera e as imponentes edificações do milenar monastério de Sant Pere de Rodes (BARBAZA, 1988).
O nome ‘port’ se explica por estar situado em uma baía que esculpe um porto de características naturais. E embora a pesca fosse um antigo meio de sobrevivência, somente muitos séculos depois, quando a pirataria não mais ameaçava a sua costa, fim do século XVII, início do XVIII, foi neste lugar que a população conectada ao mar foi viver. Dando a origem a um núcleo urbano que se expandiu até as características atuais. Esse antigo povoado pesqueiro se tornou conhecido pela instrumentalização de uma arte de pesca de dimensões colossais e que a operação somente poderia se instalar ali por conta das características morfológicas da baía atrelado ao movimento de peixes pelágicos: a arte de Port de Reig e a arte de Gros. De toda as formas comunitárias, a arte de Gros é a expressão mais completa, pela possibilidade de se fechar completamente a baía por um muro de redes entre uma ponta e outra. Todos, homens e mulheres, adultos, velhos e crianças – eram chamados para participar da manobra, na qual o peixe capturado era repartido entre os habitantes (BAS & CAMPRUBI, 1980).
O movimento turístico em Port de la Selva iniciou discretamente na década de 1920, quando passou a receber os primeiros visitantes no período de veraneio. Naquele momento o município foi adotado como refúgio de literatos, poetas, pintores e intelectuais. No entanto, com a chegada da guerra esse deixou de ser um lugar aprazível. E o fluxo turístico somente voltou a ocorrer no final da década de 1950, quando estrangeiros provenientes da França, Bélgica, Grã-Bretanha, Alemanha, Holanda e de outros países da Europa Ocidental começaram a adquirir terrenos para edificar residências secundárias. Todavia, diferentemente como ocorria no restante da Costa Brava, o turismo em El Port de la Selva penetrou menos facilmente que outros locais ou, ao menos, tardiamente explicado pelo seu isolamento geográfico e pela dificuldade de acesso enfrentada (ARMANGUÉ, 1993). Uma conexão ainda difícil, limitada para poucos, ali não é definitivamente um lugar para tantos e isso é tacitamente claro nas tomadas de decisão, se anseia por um fluxo, porém que seja um fluxo seleto. E essa seletividade de fluxos é compactuada por parcelas da sociedade, assim como do capital.
2Costa Brava é a nomenclatura para designar turisticamente as zonas do litoral das comarcas de Girona, de Blanes a
Na década de 1980 ocorreu uma nova erupção do setor turístico local e o ano de 1982 foi marcado pelo grande número de pedidos de abertura de estabelecimentos como restaurantes, bares, lojas, sorveterias e licenças para prestação de serviço de aluguel de bicicletas, serviços de praia, concessões temporárias para instalação de bares nas praias, entre outros. Praticamente todas as licenças, com raras exceções, foram aprovadas. Com efeito, o setor secundário representado pela construção civil, tendo em vista a quase inexistência de indústrias no município, apresentou-se intrinsecamente conectado ao setor terciário da economia local, vinculada principalmente a atividade turística. Em um contexto de reconstrução, somado a uma crise no setor pesqueiro, entre os anos de 1956-1974, 12 planos parciais que implicaram na ampliação de uma superfície urbanizada de 63,8 ha, embora isso representasse apenas 1,5% do termo municipal, muito inferior a maioria dos municípios costeiros da comarca de Girona (ABASCAL & BILBAO, 2012). Um traço interessante da gestão local, em diferentes mandatos, não obstante o propósito de ampliar o fluxo turístico fosse uma constante, era o anseio de preservar a qualidade paisagística e física do natural e edificado do povoado. Um outro marcante no discurso dos legisladores locais, no decorrer das plenárias, era o esforço em selecionar o perfil de visitantes e turistas. A atividade pensada para este povoado está voltada para uma população de alto valor aquisitivo e de consumo. A objeção por campings ou locais para estacionamento de caravanas3 são recorrentes na prática. Por exemplo, em 1985 existia 1070 parcelas para acampamento, enquanto em 1992 esse número foi reduzido para 485 parcelas, tendo como principal causa as novas regras urbanísticas impostas municipalmente. Os altos preços adotados pelos empreendimentos comerciais dão pistas de como esse tipo de seleção interfere no cotidiano local. Diversos produtos de consumo são adquiridos em municípios vizinhos ou próximos por uma parcela da população local, principalmente aquelas que dispõem de veículo automotor. A escassa quantidade de moradia para locação em contrato anual é uma outra problemática local. Os numerosos imóveis fechados existentes em Port de la Selva pertencem em sua maioria a famílias abastadas que usufruem em poucos períodos do ano, ou são de uso exclusivo para locação nas temporadas de verão por um significativo montante.
Ademais, no ano de 1976, com instituição do Plano Geral de Urbanização de El Port de la Selva, determinada pela Ley del Suelo, suspendeu-se as autorizações de licenças na orla marítima e núcleo antigo pelo período de um ano. Tal análise, resultou que, em 1977, diversas obras fossem impugnadas por conta do artigo 27 da citada Lei. As restrições vigentes no Plano Geral de Urbanização somada a uma crise na construção civil, no fim da década de 1970, gerou insatisfação da população local ligado a construção civil e mercado imobiliário. A câmara municipal, diante da queda de arrecadação de impostos referente às licenças, depara-se com a urgência de solucionar, por meio de mecanismos de adaptação da lei aos interesses da gestão municipal. Para reverter a situação, mudanças das diretrizes da própria lei do solo foram realizados. O plano de urbanização foi ajustado, e em 1983, os projetos foram se tornando mais laxos. Esse contexto contribuiu para a urbanização do termo municipal de El Port de la Selva alcançasse 2,8%, ainda muito abaixo da média dos municípios de Girona. Além disso, o parco crescimento na construção civil se centrou praticamente em habitações para segunda residência. O índice 7,9% de crescimento das construções destinadas à habitação familiar se apresentou muito aquém a média da
3Na ata do dia 20/06/2013 um conselheiro comenta as restrições ao estacionamento de caravana ou à realização de
piquenique estão demasiadas e que ao mesmo tempo o município não dispõe de espaços para estas práticas. O prefeito responde que existe os campings são locais específicos para esse fim e que nenhuma cidade situada na costa dispõe destes
comarca que já alcançava 29,8% no mesmo período - entre os anos de 1981-1991. Fato que reflete na pouca oferta habitação, para locação ou venda, de uso principal para trabalhadores ou empreendedores do setor de serviços, pesca, construção de Port de la Selva que terminam residindo em municípios circunvizinhos, como Llançà ou Cadaqués ou mesmo Figueres por conta da falta de moradia permanente (ARMANGUÉ, 1993). Contudo, a gestão local deparava-se com a limitante do crescimento de solo urbanizável pela implementação do Plano Geral de Planejamento Urbano do Sistema Costeiro, de esfera acima dos poderes locais, o horizonte de crescimento foi amplamente restringido. Como alternativa para o desenvolvimento do município, durante as duas últimas décadas, procura-se a adequação a planos e projetos que possam contemplar, por meio de subvenções, a atratividade cultural, ecológica e urbanística do município e assim possibilitar o fluxo de visitantes em períodos contínuos do ano e não somente nos períodos de verão. Por meio de fundos europeus, projetos de urbanização foram empreendidos para melhorar a infraestrutura local e atender à demanda da população temporária. O município por conta da criação do parque natural de Cap de Creus e do Programa “Viure del Poble” obteve subvenções para restauros, reparos e benfeitorias locais voltadas para a urbanização do centro histórico, a orla marítima e os caminhos para os sítios de interesse arqueológicos e paisagísticos dentro do parque de Cap de Creus.
2.2 No singrar de uma jangada, no balançar de uma rede: Porto de Pedras
O município de Porto de Pedras situa-se norte-nordeste do Estado de Alagoas, apresenta uma área municipal de 257, 70 Km², e está inserido na mesorregião do Leste alagoano e na microrregião do Litoral Norte do Estado. As nuances dessa cidade demonstram uma perfeita harmonia entre o natural e o edificado, entre o homem e suas técnicas. Ao penetrar em sua paisagem é possível vislumbrar, de imediato, a sua vocação para a pesca, para cultura do coco e o turismo. Um lugar que traz em sua fotografia todas as características de uma cena paradisíaca, de um bucólico povoado, em um lugar distante. A velocidade do seu tempo é outra, e nos remete a uma realidade bastante distante dos centros urbanos. Neste território, paisagens e belos personagens se misturam, se mesclam, se completam.
Se não fossem os sítios que penetram o interior da área rural, poderíamos nos expressar dizendo que Porto de Pedras é uma cidade formada em um arruado principal e algumas poucas transversais. Perante esta rua-rodovia pessoas em diferentes idades e de diferentes formas transitam. Lages, Palmeira, Salinas, Curtume e Tatuamunha são povoados que apresentam um modus operandi ativo, nos quais se situam o respectivo comércio, igreja, comunidade pesqueira e sua vida cotidiana autônoma. A formação desses núcleos de pescadores é oriunda da fuga de portugueses e brasileiros de Porto Calvo durante a invasão holandesa, no século XVII (LINDOSO, 2000). A busca de refúgio em terrenos de difícil acesso em praias próximas a Porto Calvo foi uma das alternativas encontrada durante o período de conflito. Após a expulsão dos holandeses muitas destas povoações minguaram, permanecendo aqueles que tinham uma relação estreita com o mar ou que encontraram nestas localidades meios de sobrevivência, majoritariamente conectada ao próprio latifúndio da cana-de-açúcar e outras pequenas fontes econômicas agrárias, como as lavouras de subsistência e o cultivo do coco, este último em anos mais tarde (DIEGUES JUNIOR, 1954).
Esses povoados, aos olhos dos visitantes, não parecem muito se distinguir, vazios compostos por coqueiral verdejante (agora não tão vazios e um pouco menos verdejante)
que se interrompe ao encontrar uma povoação. Uma povoação formada por casas simples, com pessoas transitando de um lado para outro ou simplesmente sentadas na calçada, por baixo de árvores. O olhar antes curioso, já se acostumou, não causa mais impacto ao cruzar. E essa cena vai se repetindo durante todo o trajeto de sua uni-rua. Às vezes se afasta do mar, às vezes se abeira, alguns são mais densos e volumosos, outros são tão apequenados, que assim como as parcas edificações, pouco se observa o fluxo. Mas para o olhar estrangeiro, ainda é difícil distinguir quem é quem. Nomes de povoados se confundem com nomes de cidades, e cidades não são cidades, são povoados, depende de quem fala, depende de onde é. Para o olhar nativo, as diferenças são bastante claras, todos sabem quem é quem e de que povoado é, são singulares e se sabe bem quais são essas singularidades.
Apesar de suas singularidades, há algo a mais que os conecta, o mar. Por conta da vida no mar, técnicas, modos e maneiras são compartilhadas e reproduzidas, em intensidade decrescente, mas ainda se reproduzindo. Esses povoados singulares, tão pouco conhecidos a escalas maiores, são agora lugares conectados ao global. A medida que acessos foram sendo melhorados, a mídia digital sendo acessada e o capital turístico-imobiliário chegando, esses lugares foram se conectando ao mundo, em uma velocidade de um trailer de minutos, na demonstração de um filme de horas. Esses povoados crescem em volume e fluxo e incorporam mudanças solidárias à nossa época, a modos de vida globais, mas também estratificados. E essa estratificação que antes era tão difícil de ser percebida, hoje se apresenta clara e cada vez mais distinta. Agora não são os povoados que são singulares, são modos de pensar e modos de ver, e modos de agir que une pessoas de ali com outro de lá e outros de acolá. Mas ainda há quem se une com o de ali e de ali, às vezes de lá ou acolá, para resistir, para permanecer, para continuar a perpetuar e reproduzir o que somente é possível ali.
Esse espaço agora vem sendo espaço de outras práticas, práticas conectadas com o setor de serviços, com o mercado e também com a construção. Povoados singelos, que pela sua singeleza e pela cor do seu mar se tornaram chamariz de populações transitórias. Compostas não só por turistas, ou residentes temporários, como também especuladores, investidores, e outros que exercem uma relação efêmera com o lugar. Mas essa transitoriedade não deixa de ser intensa, não é imperceptível. Pelo contrário vem deixando efeitos, vem redesenhando o território, criando linhas, desmanchando outras, ampliando fluxos, reduzindo outros, em uma transitoriedade que não tem hora para acabar, mas possivelmente passará.
A recente atividade turística vem transcorrendo por uma gama de serviços voltados para o serviço turístico e a espacialização de hospedagem regulamentada e não regulamentada. Restaurantes sofisticados, lojas de artesanato e outros comércios estão recentemente sendo instalados. A respeito da inserção destes empreendimentos na região, parte dos proprietários deles estabeleceram uma relação harmônica com a população local e se organizaram para que juntos pudessem buscar soluções relacionados à preservação e conscientização ambiental e qualificação da mão-de-obra local. A princípio, para o olhar estrangeiro parece existir certa harmonia entre as referidas pousadas e os lugares onde se localizam. Entretanto, para o olhar nativo tem havido a obstrução do espaço pesqueiro. Por exemplo, pescadores, pescadoras e marisqueiras estão sendo impedidos de transitar por acessos historicamente utilizados; a praia vem sendo ‘loteada’; e o acesso à praia tem sido reduzido, além da inibição de práticas socioculturais preteritamente existentes. Conflitos com palhoças de pescadores estão predominantemente associados ao turismo de segunda
residência. Casos de queima e tentativas de destruição de palhoças são patentes na região, principalmente no município de Porto de Pedras. Como consequência, iniciativas de resistência e de luta pela garantia do território pesqueiro têm irrompido, apesar dos pescadores venderem parte do seu produto para as pousadas, indicando a existência de relações contraditórias entre o turismo e as comunidades tradicionais locais (KASPARY, 2016).
O trabalho de inserção de pescadores e marisqueiras na luta por seus direitos e para a busca de condições melhores de vida se apresenta árduo diante uma cultura imediatista. A presença de certos vícios culturais ainda é um grande empecilho para o desenvolvimento da própria comunidade pesqueira que ainda se atrela à garantia assistencialista do Estado. Todavia mesmo diante um quadro de difícil de atuação, passos promissores por parte desta colônia têm sido dados. A colônia de Porto de Pedras, Z-25, é a pioneira no Estado de Alagoas em planejar um Termo de Ajuste de Uso Sustentável (TAUS) para que se garanta o uso de território Pesqueiro. Esta ação foi articulada entre Colônia de Pescadores Z-25, SPU/AL, MPF/AL, IMA, APACC e PF para que os territórios, que são considerados historicamente utilizados pela população pesqueira, seja garantido tanto para construção de palhoças como para o estacionamento, embarque e desembarque de embarcações. Foram delineadas pelos próprios membros da colônia oito áreas, que ainda no início do ano de 2018, foram legalmente regulamentadas e aprovadas. Além deste feito, esta colônia, liderada por seu presidente, realizou um protesto fechando a principal via de acesso e trânsito do município de Porto de Pedras, AL 101 Norte, para denunciar o fechamento de uma via vicinal centenária que era, e ainda é, utilizada pela população local para ter acesso à praia. Neste ato, a mídia local foi chamada para realizar o registro do manifesto, situação que resultou em uma audiência pública, a qual subsidiou abertura da via que havia sido fechada por empreendedores turísticos com o aval da câmara municipal de vereadores, no ano de 2014.
Esse contesto de luta demonstra que a inserção de atividade turística não ocorreu de maneira harmônica, pelo contrário, foi necessária uma ampla articulação para se obter garantias territoriais. Contudo, ampla parte das lutas tiveram o apoio de pequenos empreendedores do ramo turístico para que freios fossem postos no mercado especulativo-imobiliário, e assim, evitar que o território não se tornasse banal e perdessem características excepcionais e singulares, necessárias para a manutenção do negócio turístico de caráter elitista e seleto.
3 SIMILITUDES E CONTRASTES: O QUE OS UNE, O QUE OS SEPARA
Sem embargo, na era do turismo contemporâneo, tais configurações socioespaciais particulares, de ambas povoações, verteu-se em impulsor de um turismo seletivo e exclusivo a classes sociais de alto poder aquisitivo. Imóveis cada vez mais suntuosos paulatinamente afiguraram na paisagem, ora substituindo, ora compondo com antigos elementos da paisagem. A vista é o mar, mas a mudança é em terra, às vezes reverberando na mudança marítima. Espaços cada vez se tornam mais concorridos, mais caros, mais selecionados, e a medida que seleciona também estratifica. Serviços e comércios se multiplicam, mas também se seleciona pelo bolso. Contudo, uma diferença se apresenta como chave entre os dois lugares: pela proporção que aqueles que são do lugar, que residem ali, têm para edificar casas nos espaços turistificados, mesmo não sendo na mesma suntuosidade, e em acessar espaços de serviços voltados para públicos efêmeros. Isso é o que parece distanciar esses lugares: o acesso às mudanças impetradas no território.
Ambos lugares são visitados por proximidade exprimidas ao lugar dos seus visitantes, em um por catalães, espanhóis e franceses, no outro por alagoanos e pernambucanos. Mas também na distância está o atrativo, a exibição daquilo que não se tem no lugar de origem: temperatura quentes, mar e praias belas. No primeiro, veremos alemães, ingleses, holandeses, belgas, escandinavos, no outro, paulistas, gaúchos, goianos, brasilienses, e em menor escala, latino-americanos e procedentes do outro hemisfério. A frequência dos sotaques é inversa a intensidade entre os dois territórios. Enquanto em um se condensa em quatro meses do ano, no outro se esparsa em oito meses do ano. Enquanto em um o costume estrangeiro pouco se diferencia, no outro se mescla entre o estranhar e o copiar. A dinâmica entre território de maneira distinta os diferencia. Em um, o caso alagoano, o estopim de casas e loteamentos se compõem com a inserção de novos atores, novas organizações, novos órgãos, novos capitais, nesse quebra-cabeça de personagens uma nova classe média se forma, alguns com interesse de permanecer e criar laços, outros com interesses meramente mercantis. Já o caso do mediterrâneo, o limitado processo de edificação é pautado na mesma frequência daqueles que partem. Curiosamente ou contraditoriamente, os poucos que chegaram para se instalar foram atraídos predominantemente pela pesca. Enquanto isso, fluxos migratórios temporais ocorrem a mesma frequência e intensidade da temporada turística, os que chegam já têm data e hora para o retorno, seja pelo motivo do ócio, seja pelo motivo do labor. Isso configura, fora da temporada, em uma cidade vazia, silenciosa, de parco movimento, um nanico comércio, casas e mais casas brancas com portas e janelas cerradas. E isso os diferencia claramente. Há algo mais que os diferencia, enquanto em um, hotéis, pousadas, campings, imóveis de aluguel e mesmo o controle dos terrenos é exercido pela gente do lugar. No outro, na costa do atlântico do Brasil, essa realidade ocorre inversamente proporcional. São poucos os antigos residentes que conseguiram se incorporar à atividade turístico-imobiliária como empreendedores, muito pouco mesmo, passível de ser contado um a um. Empregos, sim, vêm surgindo, alguns temporários, outro de caráter permanente. Empregos que parecem ter cara, gênero, idade e escolaridade, distribuídos no setor de serviços, no mercado imobiliário e na construção civil.
Mas outro elemento parece ser ainda mais relevante na diferenciação desses lugares: o grau de influência da sociedade civil nas tomadas de decisão. No caso catalão, claramente, a opinião pública exerce uma potente influência nas deliberações. Convergência e divergências são elementos relevantes em um município, que mesmo alguém não fazendo parte da esfera política tem um potencial de expor e reverberar para o conjunto da sociedade. A existência de conflitos e interesses são discretos, mas não deixam de existir, pelo contrário são expostos sem receios e medos, principalmente com o término de uma ditadura. Enquanto, no outro território, o caso brasileiro, em uma circunstância de maior número de indivíduos, de maior estratificação social, em uma imensidade de ecos em que poucos são os audíveis. Segmentos da sociedade pouco a pouco são representados, uns com mais intensidade, outros com menos. O interessante é que muitos dos ecos têm sotaque, têm outra origem. São poucos os ecos que têm alcance às decisões do Estado, em suas diferentes funções e ações, mas de alguma maneira, os ecos provenientes do Capital são audíveis aos campos de decisão. Contexto que se diferencia da realidade catalã.
No caso de El Port de la Selva, o contexto sócio-histórico, com suas diversas variações, possibilitou que aqueles que permaneceram no território – por insistência, ou por falta de
alternativa – conseguissem lograr benefícios - próximos à condição equitativa – das atividades desenvolvidas no território. E da maneira próxima à condição pretérita, em que a relação com o mar e terra, acarretou benefícios de maneira igualitária para o conjunto da sociedade. Claro que essa condição de igualdade e de equidade nunca foi de maneira homogênea e predominante, mas em uma proporção ao caso brasileiro, as diferenças são galopantes. Essa condição possibilitou que a população local pudesse competir no mercado turístico, tornado, a majoritária parte, em microempreendedores do setor de serviços e da construção civil.
Caso distinto do caso brasileiro em que poucos representantes da estrutura societal expressavam voz. O matrimônio do poder econômico com o político ecoou que essas vozes se sobressaíssem dentro de um contexto econômico e social de vulnerabilidade atreladas a diversos momentos históricos de controle repressivo e de abandono social e econômico. Contudo, a inserção de outros capitais econômicos, o ingresso de novos atores sociais e a recente instalação democrática do Estado de Direito, entre outras causas e consequências, possibilitaram que mudanças ocorressem e que parcelas da população fossem se apropriando deste novo momento sócio-histórico, através de diversas articulações. A atuação de movimentos sociais de resistência vem sendo um fruto fértil em um terreno de necessária semeadura. Embora a população geral tivesse baixíssima influência nas tomadas de decisões executivas e regulatórias, a articulação do movimento da pesca com novos atores, como órgãos ambientais e organismos não governamentais, no território possibilitou que decisões que feriam a uma parcela da população local fossem suprimidas. Esse contexto pressionou que órgãos fiscalizadores, autônomos e de defesa da ordem jurídica, em escalas superiores, interferissem no processo de garantia do território pesqueiro e nas decisões urbanísticas locais. E apesar de boa parte das reinvindicações tenham sido conquistadas, isso não impediu que processo especulativo sobre a terra continue ocorrendo. Além disso, em um território de clara estratificação social, poucos são aqueles que conseguem se beneficiar do processo equitativo de distribuição da riqueza e de oportunidades econômicas. Contudo, empregos e ocupações vêm sido ocasionados pela atividade turística-imobiliária, mas são poucas as possibilidades para evitar uma situação de gentrificação do território e de grave vulnerabilidade social.
A inserção da atividade turística-imobiliária tem interferindo em potentes relações de poder no território. No caso catalão, o poder dentro das relações na atividade pesqueira e entre ela e o Estado migrou para atividade turística-imobiliária, e desta maneira ocasionou mudanças no grau e posição de menor intensidade. No caso alagoano as mudanças de relações de poder se exibem mais intensas, ocasionado principalmente pela inserção de atores e capitais exógenos na estrutura societal do território. Em um contexto pretérito, decisões tinham nome, mas principalmente sobrenome. E quem não pertencia pouco conseguia em uma condição de compadrio em uma clara estrutura desigual e polar de poder. Essa condição frágil associada a um claro discurso de desenvolvimento pelo turismo tende a cooptar parte da população local para que seja favorável a espacialização do setor e aceitar as mudanças associadas a essa espacialização (RODRIGUES, 2012). A aceitabilidade a nova ordem, entretanto, não se exibe homogênea, pelo contrário, uma relativa parcela vem se opondo a espacialização de grandes empreendimentos e projetos urbanísticos-imobiliários que têm interferido na dinâmica local. E ainda há aqueles que não se posicionam em nenhum dos lados, simplesmente de adaptam às mudanças. Contudo, a clara oposição à especulação imobiliária no território tem ganhando apoio e adesão pelos novos atores do território. Novos residentes, organizações não governamentais e inclusive
do mercado turístico com o claro interesse que o lugar não seja drasticamente modificado e venha a perder seu elemento de atratividade: a singularidade paisagística e cultural.
Esse intensão de preservar para manter a singularidade é um artificio claramente exibido na opinião pública local de l Port de la Selva, caso catalão. As decisões que delinearam as mudanças urbanísticas locais foram orientadas por esse pensamento em todo o processo de inserção da atividade urbanística-imobiliária. E a preocupante da preservação também se associou a um pensamento protecionista para favorecer ao local e limitar o acesso a exógenos ao lugar. Esse traço protecionista se exibe claramente na cultura local em todos os aspectos, não somente na atividade turística-imobiliária, como também outras atividades socioeconômicas que permeiam pelo lugar, dentre elas a pesca. Demonstrando uma relevante potência do microcapital local para competir, ou melhor resistir, às influências e forças extralocais, em uma realidade que contrasta com o caso brasileiro.
4 CONCLUSÃO
A observação e análise dos estudos de casos descritos neste recorte textual demonstram que a singularidade e especificidade de lugares, cada vez mais se tornam chamariz da atividade turística-imobiliária em todas as partes do globo. E quanto mais singular, maior o poder de atração destes lugares. No entanto, a intensidade e as características dos efeitos da espacialização da atividade turística-imobiliária no território dependem das condições socioespaciais construídas nos diferentes tempos históricos. Dessa maneira possibilitando que os efeitos influenciem nas transformações das relações de poder preexistentes na estrutura societal do lugar, e tendo como uma das causas a inserção de novos agentes no território.
No caso específico de El Port de la Selva se aponta que a menor disparidade social entre os atores, a melhor distribuição da terra e a influência da opinião pública nas tomadas de decisão local, confluíram para que a distribuição dos benefícios e problemas relacionados à atividade turística-imobiliária ocorressem de maneira solidária ao montante da população. Por outro lado, no caso de Porto de Pedras, a crescente estratificação social, a ausência de garantias da terra e a débil influência nas decisões locais acarretaram que os benefícios da atividade turística-imobiliária ocorressem marginalmente para o conjunto da população, em detrimento dos benefícios obtidos por capitais majoritariamente exógenos conectados ao mercado turístico, mas sobretudo o imobiliário. Contudo, a articulação de diversos atores tem possibilitado que conquistas territoriais sejam garantidas, e sejam apoiadas por capitais econômicos, locais e extralocais, conforme o interesse diante das especificidades territoriais.
5 REFERÊNCIAS
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Armangué, J. (1993) L´economia del Port de la Selva, Edicions el Brau, Figueres. Barbaza, Y. (1988) El paisatge huma de la Costa Brava, v I, Edicions 62, Barcelona. Bas, C. e Camprubi, R. (1980) La pesca a Calunya, Edicions destino, Barcelona.
Diegues Junior, M. (1954) População e açúcar no Nordeste do Brasil. Edição da Comissão Nacional de Alimentação, Rio de Janeiro.
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Kaspary, M. G. A. R. (2016) Faces do paraíso: a luta pela garantia do território tradicional pesqueiro frente ao processo de turistificação em São Miguel dos Milagres e Porto de Pedras, Alagoas, Brasil. In: SOUZA, A. F. G.(Org). Geografia, Turismo e Cultura: diálogos sobre território, territorialidades, sociedade e natureza no Brasil e na América Latina, 310-342, Bookes Editora, Florianópolis.
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