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BOLETIM DO. SUÍNO nº 114 FEVEREIRO

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SUÍNO

nº 114

FEVEREIRO

2020

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O

s preços do suíno encerraram o mês de fevereiro em queda em todas as regiões acompanhadas pelo Cepea, apesar da baixa oferta de animais em peso ideal para abate em muitas regiões produtoras e do bom ritmo de embarques da carne suína brasileira – em feve-reiro, a média diária de exportação foi de 3,6 mil toneladas (17% acima da verificada em janeiro).

De acordo com colaboradores, a desvalorização está atrelada ao enfraque-cimento da demanda doméstica, princi-palmente na primeira quinzena do mês.

Em fevereiro, a maior queda de preço, de 12,7%, foi registrada em Avaré/Fartura (SP), com o preço médio do suíno vivo a R$ 5,33/kg. Na região SP-5 (Bragança Paulista, Campinas, Pi-racicaba, São Paulo e Sorocaba), o animal foi co-mercializado na média de R$ 5,36/kg no último mês, recuo de 10,4% frente à média de janeiro. No Sul do País, os maiores recuos fo-ram observados no Paraná. No Norte do Paraná, o preço médio do animal passou de R$ 6,00/ kg em janeiro para R$ 5,31/kg em fevereiro, queda de 11,5% no período. Em Arapoti, o

ani-mal se desvalorizou 11%, na mesma compara-ção, passando de R$ 5,90/kg para R$5,25/kg.

Em Ponte Nova (MG), o suíno foi co-mercializado a R$ 5,58/kg no último mês, e em Goiânia (GO), a R$ 5,46/kg, que-das de 9,5% e de 10,3%, respectivamente.

No mercado de carnes, as carcaças suínas especial e comum comercializadas no atacado da Grande São Paulo, se desvalori-zaram 11,1% e 11%, respectivamente, de janeiro para fevereiro, cotadas a R$ 7,95/ kg e a R$ 7,64/kg, em média, no último mês.

Para os cortes, as desvalorizações em fevereiro também foram intensas, devido à difi-culdade de atacadistas e varejistas em repassar preços ao consumidor final. No atacado do es-tado de São Paulo, o pernil com osso registrou a maior queda nos preços dentre os produtos acompanhados pelo Cepea, de 15,5%, comer-cializado a R$ 9,56/kg na média de fevereiro. Os valores do carré, da costela, da paleta sem osso e do lombo, por sua vez, caíram 4,8%, 3,5%, 4% e 4,1%, respectivamente, a R$ 9,23/kg, R$ 12,56/ kg, R$ 11,09/kg e R$ 12,91/kg, no último mês.

O mercado em fevereiro

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3

CEPEA - CENTRO DE ESTUDOS AVANÇADOS EM ECONOMIA APLICADA - ESALQ/USP

Gráfico 1 - Preço médio mensal da carcaça suína especial no atacado da Grande São Paulo (R$/kg)

Gráfico 2 - Indicadores do Suíno Vivo CEPEA/ESALQ - Preços pagos ao produtor (fev/19 a fev/20 - R$/kg) Fonte: Cepea-Esalq/USP. Fonte: Cepea-Esalq/USP. 4,00 4,50 5,00 5,50 6,00 6,50 7,00 7,50 8,00 8,50 9,00 9,50 10,00

jan fev mar abr mai jun jul ago set out nov dez

R$ /kg 2016 2017 2018 2019 2020 2,50 2,80 3,10 3,40 3,70 4,00 4,30 4,60 4,90 5,20 5,50 5,80 6,10 6,40 6,70 01/ 02/ 20 19 15/ 02/ 20 19 01/ 03/ 20 19 19/ 03/ 20 19 02/ 04/ 20 19 16/ 04/ 20 19 02/ 05/ 20 19 16/ 05/ 20 19 30/ 05/ 20 19 13/ 06/ 20 19 28/ 06/ 20 19 12/ 07/ 20 19 26/ 07/ 20 19 09/ 08/ 20 19 23/ 08/ 20 19 06/ 09/ 20 19 20/ 09/ 20 19 04/ 10/ 20 19 18/ 10/ 20 19 01/ 11/ 20 19 18/ 11/ 20 19 02/ 12/ 20 19 16/ 12/ 20 19 03/ 01/ 20 20 17/ 01/ 20 20 31/ 01/ 20 20 14/ 02/ 20 20 R$ /kg MG SP PR SC RS

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Preços e exportações

O

s embarques brasileiros de carne suína

tiveram leve recuo de janeiro para feve-reiro, resultado que esteve atrelado ao menor número de dias úteis no último mês. As vendas seguem registrando bom desempenho, cenário que vem sendo verificado desde meados de 2019. No geral, as exportações continuam impulsionadas pela China, que permanece se destacando como o principal destino da proteí-na suíproteí-na brasileira – em fevereiro, o país asiático ampliou sua participação nos embarques totais. Conforme dados da Secex, em feve-reiro, o Brasil exportou 65,3 mil toneladas de carne suína total (considerando-se in natura e industrializada), volume 3,9% menor do que em janeiro, mas 22,6% acima da quantidade de fevereiro de 2019. Em termos financeiros, a re-ceita do setor exportador segue favorecida pelo dólar alto. Em fevereiro, o montante somou R$ 658,03 milhões, 3,1% inferior ao do mês an-terior, mas significativamente acima (78,1%) do recebido em fevereiro do ano passado.

A China foi destino de 47,6% dos em-barques brasileiros de carne suína em fevereiro (com volume totalizando 31,1 mil toneladas), aumento de 2,5 pontos percentuais frente à

participação de janeiro. Já em relação a janeiro de 2019, a representatividade chinesa nos em-barques totais da carne suína brasileira cresceu expressivos 25,3 p.p., ainda de acordo com da-dos da Secex. As crises sanitárias vividas pelo país asiático têm comprometido a disponibilida-de interna disponibilida-de carne, impulsionando as aquisições externas da proteína, especialmente no Brasil. No curto e médio prazos, o governo chinês já mostra reação. Após os primeiros sur-tos de PSA (Peste Suína Africana), os esforços do país eram para retomada da produção na-cional e consequente diminuição da necessida-de necessida-de importar produtos suínos. Recentemente, porém, autoridades chinesas sinalizaram que devem seguir comprando carnes no mercado internacional, tendo em vista que a recupe-ração da indústria doméstica deve ocorrer de forma mais lenta que a esperada inicialmente.

Vale lembrar que as cadeias de abasteci-mento na China têm sido fortemente impactadas pelo surto de coronavírus, que tem dificultado o escoamento das cargas que chegam nos portos. Esse contexto, por sua vez, pode limitar os fe-chamentos de novos contratos para exportação.

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CEPEA - CENTRO DE ESTUDOS AVANÇADOS EM ECONOMIA APLICADA - ESALQ/USP

Estado Média mensal Variação no mês Mínimo mensal Máximo mensal

Minas Gerais 5,57 3,5% 5,48 5,69

São Paulo 5,37 7,0% 5,09 5,66

Paraná 5,10 2,9% 4,88 5,28

Santa Catarina 4,92 7,4% 4,70 5,21

Rio Grande do Sul 4,86 3,3% 4,71 5,03

Tabela 1 - Indicadores do Suíno Vivo CEPEA/ESALQ - Preços pagos ao produtor - fevereiro/20 (R$/Kg)

Região Média mensal Variação no mês Mínimo mensal Máximo mensal

Patos de Minas 5,57 3,8% 5,46 5,69

Belo Horizonte 5,58 3,7% 5,49 5,69

Sul de Minas 5,56 3,7% 5,47 5,69

Ponte Nova 5,58 2,9% 5,49 5,69

São José do Rio Preto 5,35 -0,3% 5,05 5,63

Avaré 5,33 0,8% 5,00 5,69 SP-5 5,36 7,1% 5,09 5,66 Arapoti 5,25 1,1% 4,98 5,50 SO Paranaense 5,32 6,3% 5,02 5,55 Oeste Catarinense 5,07 7,2% 4,83 5,39 Braço do Norte 5,01 6,5% 4,88 5,25 Erechim 5,08 3,7% 4,91 5,27 Santa Rosa 5,15 0,0% 5,09 5,19 Serra Gaúcha 5,07 5,0% 4,99 5,24

Tabela 2 - Médias regionais do preço do suíno vivo - fevereiro/20 (R$/Kg)

Fonte: Cepea-Esalq/USP. Fonte: Cepea-Esalq/USP.

Estado Média mensal Variação no mês Mínimo mensal Máximo mensal

Carcaça Comum 7,64 9,4% 7,14 8,19

Carcaça Especial 7,95 8,1% 7,54 8,36

Lombo 12,91 8,1% 12,48 13,43

Pernil com osso 9,56 3,0% 9,40 9,78

Costela 12,56 5,7% 12,36 12,86

Carré 9,23 3,6% 8,93 9,51

Paleta sem osso 11,09 4,3% 10,82 11,40

Tabela 3 - Médias dos preços das carnes - atacado da Grande São Paulo - fevereiro/20 (R$/kg) Fonte: Cepea-Esalq/USP.

vivo/milho Variação mensal vivo/farelo Variação mensal

SP 6,31 -11,7% 3,94 -11,3%

MG 7,06 -8,4% 4,39 -7,8%

Tabela 4 - Relação de troca de suíno por milho e de suíno por farelo de soja (kg vivo/kg de insumo) – média fevereiro/20

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Gráfico 3 - Preços internos (carcaça - Grande SP) e externo (carne in natura), deflacionados pelo IPCA - R$/kg

Fonte: Cepea-Esalq/USP.

Gráfico 4 - Exportações de carne suína in natura entre fev/19 e fev/20, volume e receita

Fonte: Cepea-Esalq/USP. 3,00 4,00 5,00 6,00 7,00 8,00 9,00 10,00 11,00 12,00 fe v/ 18 ma r/ 18 ab r/ 18 m ai/ 18 jun/ 18 ju l/1 8 ago /1 8 se t/1 8 ou t/1 8 no v/ 18 de z/1 8 jan /1 9 fe v/ 19 ma r/ 19 ab r/ 19 m ai/ 19 jun/ 19 ju l/1 9 ago /1 9 se t/1 9 ou t/1 9 no v/ 19 de z/1 9 jan /2 0 fe v/ 20 R$ /kg

Preço Interno Preço Externo

20,00 40,00 60,00 80,00 100,00 120,00 140,00 160,00 180,00 fe v/ 19 ma r/ 19 ab r/ 19 m ai/ 19 jun/ 19 ju l/1 9 ago /1 9 se t/1 9 ou t/1 9 no v/ 19 de z/1 9 jan /2 0 fe v/ 20 1.000 t US$ milhões

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CEPEA - CENTRO DE ESTUDOS AVANÇADOS EM ECONOMIA APLICADA - ESALQ/USP

Relação de troca e insumos

A

pós terem recuado no início de fevereiro,

os preços do suíno vivo registraram ligei-ras elevações na segunda quinzena do mês. Mesmo assim, a média de fevereiro foi in-ferior às observadas nos meses anteriores. Já os valores do milho, importante insumo da atividade suinícola, permaneceram firmes durante o mês, contexto que reduziu significativamente o poder de compra de suinocultores frente ao cereal para o mais baixo patamar desde fevereiro de 2019. Considerando-se a média de feverei-ro, suinocultores da região de SP-5 (Bragança Paulista, Campinas, Piracicaba, São Paulo e Sorocaba) conseguiram comprar 6,31 quilos de milho ou 3,94 quilos de farelo de soja com a venda de um quilo de animal, quantidades 11,7% e 11,3% menores que as registradas em janeiro. No Oeste Catarinense, a venda de um quilo de suíno vivo possibilitou a aquisição de 6,31 quilos de milho (11,7% a menos que em janeiro) ou de 3,90 quilos do derivado da soja (8,2% a menos, na mesma comparação). No mercado de suíno, as cotações iniciaram o mês em queda, pressionadas pela

demanda enfraquecida por carne no mercado atacadista. Na região de SP-5, o animal regis-trou preço médio de R$ 5,36/kg em fevereiro, valor 10,4% abaixo do registrado em janei-ro. No Oeste Catarinense, o vivo foi negocia-do na média de R$ 5,07/kg no mês passanegocia-do, desvalorização de 9,4% frente à de janeiro. Quanto ao milho, a demanda inter-na aquecida e a retração de vendedores em negociar novos lotes sustentou os preços do-mésticos. Segundo levantamentos da Equipe Grãos/Cepea, na região de Campinas (SP), o cereal teve preço médio de R$ 50,99/saca de 60 kg em fevereiro, aumento de 1,3% na comparação com janeiro. Em Chapecó (SC), a média do mês passado foi de R$ 48,24/ saca, alta de 1,9% frente ao mês anterior.

No caso do farelo de soja, a tonela-da negociatonela-da na região paulista teve média de R$ 1.360,06 em fevereiro, avanço de 1% na comparação com o mês anterior. Na pra-ça catarinense, a média foi de R$ 1.300,39/t, no mesmo período, desvalorização de 1,3%.

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Gráfico 6 - Relação de troca (kg de suíno/kg de milho e kg suíno/kg do farelo de soja - fevereiro/19 a fevereiro/20

Fonte: Cepea-Esalq/USP.

Gráfico 5 - Relação de troca (kg de suíno/kg de ração) - MG - fevereiro/11 a fevereiro/20

Fonte: Cepea-Esalq/USP. 2,00 2,50 3,00 3,50 4,00 4,50 5,00 5,50 6,00 6,50 7,00 7,50 fev/ 11 ago /1 1 fev/ 12 ago /1 2 fev/ 13 ago /1 3 fev/ 14 ago /1 4 fev/ 15 ago /1 5 fev/ 16 ago /1 6 fev/ 17 ago /1 7 fev/ 18 ago /1 8 fev/ 19 ago /1 9 fev/ 20 0,0 1,5 3,0 4,5 6,0 7,5 9,0 10,5 12,0 fe v/ 19 ma r/ 19 ab r/ 19 m ai/ 19 jun/ 19 ju l/1 9 ago /1 9 se t/1 9 ou t/1 9 no v/ 19 de z/1 9 jan /2 0 fe v/ 20 SP Suíno/Milho SP Suíno/Farelo MG Suíno/Milho MG Suíno/Farelo

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m fevereiro, a diferença entre os preços da carcaça especial suína e da carcaça casada bovina esteve em 5,81 Reais/quilo, a maior da série histórica do Cepea, iniciada em 2004 para a proteína suína e em 2001 para a bovina.

Enquanto em fevereiro, os preços da carcaça suína caíram para o menor patamar des-de outubro des-de 2019, os da carcaça bovina subi-ram no período. Com isso, a proteína de origem suinícola ganhou competitividade (30,5%) frente à bovina. Em relação à carne de frango, a com-petitividade da suína também aumentou, ten-do em vista que houve, neste caso, diminuição na diferença entre os preços dessas proteínas.

No atacado da Grande São Paulo, a car-caça especial suína foi comercializada na média de R$ 7,95/kg em fevereiro, queda de 11,1% na com-paração com o mês anterior. Apesar do bom ritmo de embarques diários, a menor liquidez interna

da carne, especialmente na primeira quinzena do mês, pressionou os valores da proteína no período. Já para a carcaça bovina, também negocia-da no atacado negocia-da região paulista, a cotação média foi de R$ 13,76/kg em fevereiro, aumento de 2,7% em relação à de janeiro. De acordo com a Equipe de Boi Gordo do Cepea, a alta no preço da proteí-na esteve atrelada à menor oferta de animais para abate e também às exportações em ritmo aquecido. Ainda no mercado paulistano, o frango resfriado foi comercializado na média de R$ 4,48/ kg em fevereiro, recuo de 9,5% frente à de janeiro. Segundo colaboradores consultados pelo Cepea, o movimento baixista é reflexo da menor liquidez interna da carne. Assim, de janeiro para fevereiro, a diferença entre os preços da carcaça suína es-pecial e do frango resfriado passou de 4,00 Reais por quilo para 3,47 Reais por quilo, aumento de 13,1% na competitividade da proteína suinícola.

Carnes concorrentes

Gráfico 7 - Preços da carcaça casada bovina, carcaça especial suína e frango inteiro resfriado, no atacado da Grande São Paulo (R$/kg) - fevereiro/19 a fevereiro/20

O Boletim do Suíno é elaborado mensalmente pelo Cepea - Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada - ESALQ/USP. Interessados em reproduzir o conteúdo devem solicitar autorização.

Coordenador: Geraldo Sant’Ana de Camargo

Barros, Ph.D

Pesquisador responsável: Prof. Dr. Sergio De

Zen

Equipe: Juliana Ferraz, Matheus do Valle Liasch,

Otávio Biagi Veronez, Karen Bandeira, Luccas Bavaresco e Luiz Gustavo Susumu Tutui

Jornalista responsável: Alessandra da Paz - Mtb: 49.148 Revisão: Bruna Sampaio - Mtb: 79.466 Flávia Gutierrez - Mtb: 53.681 Nádia Zanirato - Mtb: 81.086

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Fonte: Cepea-Esalq/USP. 2,00 3,00 4,00 5,00 6,00 7,00 8,00 9,00 10,00 11,00 12,00 13,00 14,00 15,00 16,00 fev/ 19 ma r/1 9 ab r/1 9 ma i/1 9 jun/ 19 jul /1 9 ago /1 9 se t/1 9 ou t/1 9 no v/1 9 de z/1 9 jan /2 0 fev/ 20 R$ /kg

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