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Efeitos do índice de massa corporal e aptidão aeróbia no rendimento escolar em alunos do 3º ciclo e ensino secundário

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Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro

Efeitos do índice de massa corporal e aptidão aeróbia no

rendimento escolar em alunos do 3º ciclo e ensino secundário

Dissertação de Mestrado em Ensino de Educação Física

nos Ensinos Básico e Secundário

Miguel Ângelo Cardoso Fernandes

Orientador: Professor Doutor Helder Miguel Fernandes

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Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro

Efeitos do índice de massa corporal e aptidão aeróbia no

rendimento escolar em alunos do 3º ciclo e ensino secundário

Dissertação de Mestrado em Ensino de Educação Física

nos Ensinos Básico e Secundário

Miguel Ângelo Cardoso Fernandes

Orientador: Professor Doutor Helder Miguel Fernandes

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Dissertação de Mestrado apresentada como parte integrante do processo de avaliação do Curso de 2º Ciclo (Mestrado) em Ensino da Educação Física nos Ensinos Básico e Secundário, à Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro.

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Agradecimentos

Ao Professor Doutor Helder Miguel Fernandes, pela orientação deste estudo, pelo rigor e disponibilidade demonstrada.

Ao Diretor do Agrupamento de Escolas da Sé – Lamego, por ter concedido a autorização para a realização deste estudo.

Aos Professores Augusto Miguel, Jaime Ferreira, Jorge Reis, Margarida Duarte e Marta Quaresma, pela aplicação do teste do vaivém nos seus alunos.

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Aos meus filhos Carolina e Rafael

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Efeitos do índice de massa corporal e aptidão aeróbia no rendimento escolar

Miguel Fernandes IX

Índice Geral

Índice de figuras ... XI Índice de tabelas ... XIII Índice de equações ... XV Lista de abreviaturas ... XVII Resumo ... XIX

Abstract ... XXI

1. INTRODUÇÃO ... 1

1.1. Enquadramento do tema e justificação ... 1

1.2. Objetivos do trabalho ... 3

1.3. Estrutura do estudo ... 3

2. REVISÃO DA LITERATURA ... 5

2.1 Aptidão física e atividade física ... 5

2.1.1 Componentes da aptidão física ... 8

2.2 Fitnessgram ... 10

2.2.1 Objetivos do Fitnessgram® ... 11

2.2.2 Zona saudável da aptidão física ... 11

2.2.3 Os testes do Fitnessgram® ... 13

2.2.3.1 Aptidão aeróbia ... 13

2.2.3.2 Composição corporal ... 16

2.2.3.3 Aptidão muscular (Força, Resistência Muscular e Flexibilidade) ... 18

2.3 A Obesidade durante a adolescência ...25

2.4 Índice de massa corporal - IMC ...27

2.5 Aptidão aeróbia e os seus fatores influenciadores ...28

2.6 Rendimento escolar ...31

2.7 Obesidade, aptidão aeróbia e rendimento escolar – estudos anteriores. ...31

3. METODOLOGIA ... 35

3.1. Participantes ... 35

3.2. Instrumentos ... 35

3.3. Tarefas e procedimentos ... 38

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Efeitos do índice de massa corporal e aptidão aeróbia no rendimento escolar

X Miguel Fernandes

4. RESULTADOS ... 41

4.1. Análise descritiva do IMC e prevalência de excesso de peso ... 41

4.2. Análise descritiva dos percursos de vaivém e prevalência de alunos na ZSAF ... 42

4.3. Análise comparativa do rendimento escolar em função do excesso de peso e sucesso no teste de vaivém ... 43

4.4. Análise correlacional ... 44

5. DISCUSSÃO ... 47

5.1. Valores de IMC em função do sexo, idade e prática desportiva ... 47

5.2. Número de percursos do vaivém em função do sexo, idade e prática desportiva ... 49

5.3. Valores do rendimento escolar em função do excesso de peso e sucesso no teste do vaivém ... 51

5.4. Correlação dos resultados escolares com o número de retenções e satisfação escolar. ... 53

6. CONCLUSÕES ... 55

7. BIBLIOGRAFIA ... 59

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Efeitos do índice de massa corporal e aptidão aeróbia no rendimento escolar

Miguel Fernandes xi

Índice de figuras

Figura 1 – Esquema do teste do vaivém (The Cooper Institute, 2010) ...14

Figura 2 – Aluno a correr (The Cooper Institute, 2010) ...15

Figura 3 – Aluna a andar (The Cooper Institute, 2010). ...16

Figura 4 – Medição da prega tricipital (The Cooper Institute, 2010) ...17

Figura 5 – Esquema do teste de abdominais (The Cooper Institute, 2010) ...18

Figura 6 – Esquema do teste de extensão do tronco (The Cooper Institute, 2010) ...19

Figura 7 – Esquema do teste de extensões de braços (The Cooper Institute, 2010) ...20

Figura 8 – Esquema do teste de flexões de braços modificado (The Cooper Institute, 2010) ... 21

Figura 9 – Esquema do teste de extensão do tronco (The Cooper Institute, 2010) ...22

Figura 10 – Esquema do teste de flexão de braços em suspensão (The Cooper Institute, 2010) ... 23

Figura 11 – Esquema do teste senta e alcança (The Cooper Institute, 2010) ...24

Figura 12 – Esquema do teste de flexibilidade dos ombros (The Cooper Institute, 2010) ....24

Figura 13 – Curvas percentílicas para a amostra nacional do índice de massa corporal (kg/m2), por grupo etário, nos jovens (ONAFD, 2011). ... 26

Figura 14 – Curvas percentílicas para amostra nacional da aptidão ACR (número de voltas), por idade, nos jovens (ONAFD, 2011). ... 29

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Efeitos do índice de massa corporal e aptidão aeróbia no rendimento escolar

Miguel Fernandes xiii

Índice de tabelas

Tabela 1 – Componentes da aptidão física (U.S. Department of Health and Human

Services, 2008) ... 8

Tabela 2 – Itens do Teste Fitnessgram® (adaptado de Sardinha & Santa Clara,

2002) ...10

Tabela 3 – Valores do Fitnessgram® para a ZSAF em rapazes (adaptado de

Sardinha & Santa Clara, 2002) ...12

Tabela 4 – Valores do Fitnessgram® para a ZSAF em rapazes (adaptado de

Sardinha & Santa Clara, 2002) ...12

Tabela 5 – Valores do Fitnessgram® para a ZSAF em raparigas (adaptado de

Sardinha & Santa Clara, 2002) ...12

Tabela 6 – Valores do Fitnessgram® para a ZSAF em raparigas (adaptado de

Sardinha & Santa Clara, 2002) ...13

Tabela 7 – Classificação da obesidade segundo a OMS ...36 Tabela 8 – Pontos de corte internacionais do IMC para a classificação do excesso

de peso e obesidade e a sua distribuição por sexo e idade, dos 12 aos 18

anos. (adaptado de Cole et al., 2000). ...37

Tabela 9 – IMC (média e desvio padrão) e prevalência de peso/excesso de peso,

em função do sexo, idade e prática desportiva ...41

Tabela 10 – Percursos do vaivém (média e desvio padrão) e prevalência de

sucesso do teste do vaivém (ZSAF), em função do sexo, idade e prática

desportiva. ...42

Tabela 11 – Resultados escolares (média e desvio padrão) em função dos Níveis

de IMC (peso normal/excesso de peso) e sucesso no teste do vaivém

(ZSAF) em alunos do 3º ciclo ...43

Tabela 12 – Resultados escolares (média e desvio padrão) em função dos Níveis

de IMC (peso normal/excesso de peso) e sucesso no teste do vaivém

(ZSAF) em alunos do ensino secundário ...44

Tabela 13 – Análise correlacional dos resultados escolares com o número de

retenções e satisfação escolar em alunos do 3º ciclo ...44

Tabela 14 – Análise correlacional dos resultados escolares com o número de

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Efeitos do índice de massa corporal e aptidão aeróbia no rendimento escolar

Miguel Fernandes xv

Índice de equações

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Efeitos do índice de massa corporal e aptidão aeróbia no rendimento escolar

Miguel Fernandes xvii

Lista de abreviaturas

ACR - Aptidão cardiorrespiratória

ACSM - American College of Sports Medicine ActF – Atividade física

AptF – Aptidão física

AptFA – Aptidão física aeróbia AptM – Aptidão muscular EF – Educação Física

IMC – Índice de massa corporal Kg – quilogramas

LMS – Lambda-mu-sigma NSE - Nível socioeconómico

OMS – Organização Mundial de Saúde

PACER – Progressive Aerobic Cardiovascular Endurance Run PNS – Plano Nacional de Saúde

RE – Rendimento escolar SA – Sucesso académico

SPSS - Statistical Package for the Social Science

WHO – World Health Organization ZSAF – Zona saudável da aptidão física

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Miguel Fernandes xix

Resumo

Título: Efeitos do índice de massa corporal e aptidão aeróbia no rendimento escolar em

alunos do 3º ciclo e ensino secundário.

Autor: Miguel Fernandes

O presente estudo, no âmbito da dissertação de mestrado em Ensino da Educação Física nos Ensinos Básico e Secundário, teve como objetivo analisar a associação da obesidade com a resistência aeróbia (vaivém) e o rendimento escolar dos alunos do 3º ciclo e ensino secundário, do Agrupamento de Escolas da Sé – Lamego.

A amostra foi constituída por 195 participantes do sexo feminino e 231 do sexo masculino, totalizando 426 participantes. As idades estavam compreendidas entre os 12 e os 20 anos e os anos escolares em estudo foram: 7º, 8º, 9, 10º, 11º e 12º anos de escolaridade.

Os níveis de excesso de peso foram identificados através de curvas de índice de massa corporal ajustadas para o sexo e idade, enquanto o rendimento escolar foi relativo às avaliações finais do 2º período nas disciplinas de Educação Física, Português e Matemática. Os principais resultados indicaram que 3 em cada 10 adolescentes possuíam excesso de peso, existindo uma prevalência total de excesso de peso encontrada de 31,8% (M – 33,6%; F – 29,7%). Não encontramos diferenças significativas de índice de massa corporal e prevalência de excesso de peso em função do sexo e prática desportiva. A prevalência de sucesso do teste do vaivém (zona saudável da aptidão física) foi de 52,3% (M – 55,5%; F – 48,4%). Nos alunos que praticam desporto escolar, verificou-se uma aptidão física aeróbia mais elevada do que nos não praticantes. A zona saudável da aptidão física aeróbia foi alcançada por 71,4% dos praticantes e 48,4% dos não praticantes. Nos alunos que praticavam desporto federado, verificou-se uma aptidão física aeróbia mais elevada do que nos não praticantes. Atingiram a zona saudável da aptidão física 75,5% dos praticantes e 49,2% dos não praticantes; Verificamos que as variáveis sexo, prática de desporto escolar e prática de desporto federado exerceram efeitos significativos no número de percursos do vaivém. O rendimento escolar na disciplina de Educação Física em alunos do 3º ciclo com excesso de peso foi inferior ao dos normoponderais. A aptidão física aeróbia

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Efeitos do índice de massa corporal e aptidão aeróbia no rendimento escolar

xx Miguel Fernandes

foi superior nos alunos do 3º ciclo normoponderais em relação aos alunos do 3º ciclo com excesso de peso. O rendimento escolar nas disciplinas de Português e Matemática foi superior nos alunos do 3º ciclo com aptidão física aeróbia mais elevada. O rendimento escolar na disciplina de Educação Física, em alunos do ensino secundário, foi superior nos que apresentaram aptidão física aeróbia mais elevada. O rendimento escolar nas disciplinas de Português e Matemática foi inferior nos alunos do 3º ciclo e ensino secundário com mais retenções. Por sua vez, alunos do 3º ciclo com um índice de satisfação com a escola mais elevado apresentaram melhor rendimento escolar nas disciplinas de Português, Matemática e Educação Física.

Palavras-chave: Obesidade, índice de massa corporal, vaivém, aptidão física aeróbia,

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Efeitos do índice de massa corporal e aptidão aeróbia no rendimento escolar

Miguel Fernandes xxi

Abstract

Title: Effects of body mass index and aerobic fitness with academic achievement in students

of 3rd cycle and secondary education.

Author: Miguel Fernandes

This study, developed for a master's thesis in Teaching Physical Education in Primary and Secondary Education, aimed to analyze the association of obesity with aerobic endurance (shuttle test) and academic performance of students of the 3rd cycle and secondary education, of the Agrupamento de Escolas da Sé - Lamego.

The sample consisted of 195 female participants and 231 male, totaling 426 participants. Ages were between 12 and 20 years and school years in the study ranged between 7th and 12th grades.

The overweight levels were identified through body mass index curves adjusted for sex and age, while school performance was based on final evaluations of the 2nd period in the disciplines of Physical Education, Portuguese and Mathematics.

Main results revealed that 3 in 10 teens were overweight, and that the overall prevalence of overweight found was 31.8% (M - 33.6%; F - 29.7%). We found no significant differences in body mass index and in the prevalence of overweight by gender and sports practice. The prevalence of success in the shuttle test (physical fitness healthy zone) was 52.3% (F - 55.5%, F - 48.4%). Students who practiced school sports showed higher levels of aerobic physical fitness than non-practitioners. Physical fitness healthy zone levels were achieved by 71.4% of practitioners and 48.4% of the non-practicing. Students who practiced organized sports showed higher levels of aerobic physical fitness than non practitioners. physical fitness healthy zone levels were achieved by 75.5% of practitioners and 49.2% of non-practicing. We found that gender, school sports practice and organized sports practice had a significant effect on the number of shuttles performed. We verified that the variables age, school sports practice and organized sports practice influenced significantly the prevalence of success in the shuttle test. The academic performance in Physical Education in the 3rd cycle students with overweight was lower than that of normal weight; The aerobic physical fitness was higher in normal weight students of the 3rd cycle in comparison to the overweight students of the 3rd cycle. The academic performance in the disciplines of Portuguese and Mathematics was higher in students of the 3rd cycle with higher Aerobic Physical Fitness. The academic performance in Physical Education in secondary school

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Efeitos do índice de massa corporal e aptidão aeróbia no rendimento escolar

xxii Miguel Fernandes

students was higher in students with better Aerobic Physical Fitness. The academic performance in the disciplines of Portuguese and Mathematics was lower in students of the 3rd cycle and secondary education with more retentions. Students of 3rd cycle with higher levels of school satisfaction reported better academic performance in Portuguese, Mathematics and Physical Education.

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INTRODUÇÃO

Miguel Fernandes 1

1. INTRODUÇÃO

1.1. Enquadramento do tema e justificação

Segundo a World Health Organization (WHO, 2000), a obesidade é uma patologia crónica que requer estratégias a longo prazo para a sua prevenção e tratamento. Esta doença afeta todos os grupos etários, sendo sugerido que o tratamento efetivo da obesidade adulta requere a prevenção enquanto criança. A obesidade é um problema global e o seu aumento tem vindo a prevalecer nos países com um desenvolvimento económico mais acentuado. Assim, torna-se emergente a definição de estratégias globais para o seu combate dado que se projeta a frequência de 2,3 biliões de indivíduos com sobrepeso e 700 milhões de obesos no mundo em 2015 (Oliveira & Martins, 2013).

No 2º estudo da prevalência de obesidade em Portugal, realizado entre 2003 e 2005, por Carmo et al. (2008), foram recolhidos dados antropométricos para calcular o índice de massa corporal (IMC) de 8116 indivíduos com idades entre os 18 e 64 anos. As principais conclusões desse estudo foram que 2,4% da amostra apresentava IMC<18,5 , situando-se abaixo do peso normal, 39,4% apresentava sobrepeso (IMC entre 25,0 e 29,9), e 14,2% obesidade (IMC

30).

Num estudo transversal onde foram avaliadas vinte e seis das quarenta e oito escolas públicas do terceiro ciclo e secundário do distrito de Viseu, frequentadas por um total de 23 895 alunos, do 7º ao 12º ano, com uma amostra final de 7563 adolescentes, Amaral et al. (2007) chegaram às seguintes conclusões relativas à prevalência de obesidade: no total da amostra, a prevalência de excesso de peso foi de 13,7%, sendo superior no sexo masculino (16,0% vs. 11,6%). A prevalência de obesidade foi de 3,4%, sendo superior no sexo masculino (4,2% vs. 2,8%). A prevalência conjunta de excesso de peso e obesidade foi de 17,1%, sendo igualmente superior no sexo masculino (20,2% vs. 14,4%). O concelho que apresentou a maior prevalência de excesso de peso e obesidade foi Lamego com 22,8%, o que parece assim justificar uma maior relevância no estudo da população escolar desta cidade.

Aires (2009) sugeriu também a importância de estudar outros possíveis fatores associados à obesidade durante a adolescência, indicando a relevância de analisar a relação da aptidão física (AptF) com o excesso de peso e obesidade. Os resultados foram previsíveis tendo em conta estudos anteriores (Mota et al., 2006; Moller et al., 2007) mostrando que indivíduos com excesso de peso/obesidade eram na generalidade menos

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INTRODUÇÃO

2 Miguel Fernandes

aptos que os seus pares não obesos, com um destaque para a associação negativa entre a aptidão cardiorrespiratória (ACR) e o excesso de peso/obesidade.

Um estudo recente de Vaz (2013) também demonstrou que, indivíduos com IMC mais baixo, tendem a obter melhores resultados em termos de aptidão aeróbia. Pinto (2009) corroborou esta afirmação na medida em que observou uma correlação entre as duas variáveis, na qual ficou expressa que existe uma relação significativamente inversa entre o IMC e a ACR dos adolescentes, sendo esta associação observável em ambos os sexos.

Mais recentemente, um conjunto de estudos tem sugerido a possibilidade do excesso de peso e da AptF terem um efeito significativo em dimensões do rendimento académico de escolares. Por exemplo, Salgueiro (2013), indicou que o RE tem uma relação positiva com a aptidão física aeróbia (AptFA). No seu estudo, onde utilizou o vaivém como instrumento de medida da AptFA, observou que: “sujeitos com notas Suficiente, para o mesmo intervalo de tempo, conseguiam executar menos percursos de 20m a correr, que sujeitos com notas Bom e Muito Bom”.

Por sua vez, Sardinha et al. (2014), concluíram que, alunos de peso normal são mais propensos a ter um melhor desempenho na escola, num estudo com 1531 participantes com idades entre os 12 e os 14 anos, no qual pretenderam verificar a associação entre a ACR medida através do vaivém e o RE nas disciplinas de Português, Matemática e Inglês.

Num estudo de revisão sistemática, onde analisaram as associações da AptFA, ActF e estrutura e atividade cerebral em crianças, Chaddock et al. (2011) referem que, no geral, a literatura existente sugere que a AptFA está associada com níveis mais elevados de funcionamento cognitivo. Com efeito, foi recentemente descoberto que o nível de AptFA ainda prevê a cognição ao longo do tempo. Dada a escassez de trabalho nesta área, os autores preveem novos caminhos para futuras investigações.

Com base nestes resultados propusemo-nos averiguar a prevalência do excesso de peso e obesidade atual numa amostra de uma região do interior, desde o 7º ao 12º ano, e verificar como o RE nas disciplinas de Educação Física (EF), Português e Matemática, se pode associar com os valores de AptFA, medidos através do teste do vaivém da bateria

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INTRODUÇÃO

Miguel Fernandes 3

1.2. Objetivos do trabalho

O estudo tem como objetivos gerais investigar a associação entre a obesidade, a AptFA e o RE nas disciplinas de EF, Português e Matemática, em alunos do 3º ciclo e Ensino Secundário.

Os objetivos específicos são:

 Avaliar o IMC e prevalência de excesso de peso/obesidade, em função do sexo, idade e prática de desporto escolar e desporto federado;

 Avaliar os níveis de prestação relativos à AptFA, no teste do vaivém da bateria

Fitnessgram® em função do sexo, idade e prática de desporto escolar e desporto

federado;

 Comparar RE em função dos níveis de IMC e resultados do teste do vaivém;  Correlacionar o RE com o número de retenções e satisfação com a escola.

1.3. Estrutura do estudo

Para o efeito, optámos por apresentar a estrutura deste estudo segundo uma divisão em 8 capítulos:

 capítulo I – é composto pela introdução, o enquadramento do tema e justificação, os objetivos gerais e específicos e estrutura do estudo.

 capítulo II - é composto pela revisão da literatura.

 capítulo III - é composto pela metodologia de investigação (caraterização da amostra, materiais a utilizar, tarefas e os procedimentos operacionais e estatísticos.  capítulo IV – é composto pela análise estatística dos resultados.

 capítulo V – é composto pela discussão dos resultados.  capítulo VI – é composto pelas conclusões.

 capítulo VII – é composto pelas referências bibliográficas.  capítulo VIII – é composto pelos anexos.

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REVISÃO DA LITERATURA

Miguel Fernandes 5

2. REVISÃO DA LITERATURA

2.1 Aptidão física e atividade física

A definição de AptF em 1958, quando o primeiro teste de aptidão nacional da juventude norte americana foi desenvolvido, é consideravelmente diferente da nossa definição atual. Além disso, novos termos foram desenvolvidos, tais como a aptidão metabólica e o bem-estar (Corbin et al., 2000).

Harrison Clarke foi um dos primeiros a escrever extensivamente sobre a AptF relacionada à saúde. Em 1971, quando o President’s Council on Physical Fitness and Sport (PCPFS) publicou a primeira edição de Physical Fitness Research Digest, trimestralmente editada pelo investigador, ele definiu a AptF como “A capacidade de realizar tarefas diárias com vigor e em estado de alerta, sem fadiga e com energia suficiente para desfrutar de atividades de lazer e responder às emergências” (Clarke, 1967; cit. por Anderson, 1980).

O relatório de investigação do PCPFS (2000), elaborado por Corbin et al. (2000), refere que esta definição foi considerada por Caspersen et al. (1985) e foi posteriormente amplamente utilizada por Pate et al. (1994) e Howley e Franks (1997). Uma outra definição alternativa que fornece informações descritivas adicionais, refere que a AptF pode ser definida como um estado de bem-estar com baixo risco de problemas de saúde prematuros e baixos níveis de dispêndio de energia, para participar numa variedade de atividades físicas (Corbin et al., 2000).

Tendo em consideração esta última definição, a maioria dos especialistas concorda que a AptF é tanto multidimensional, como hierárquica (Corbin, 1991). Para o efeito, Bouchard, Shephard, e Stephens (1994) apresentaram um modelo holístico e abrangente para a AptF, que incluiu a adequação morfológica, a integridade óssea, a aptidão muscular (AptM), flexibilidade, aptidão motora, aptidão cardiovascular, e aptidão metabólica (Corbin et al., 2000).

Para Caspersen et al. (1985) a atividade física (ActF) pode ser definida como qualquer movimento corporal produzido pelos músculos esqueléticos, que resulta em gasto energético. O gasto energético pode ser medido em quilocalorias, enquanto a ActF no dia-a-dia pode ser categorizada nas vertentes ocupacional, desportos, condicionada, tarefas de casa, ou outras atividades.

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REVISÃO DA LITERATURA

6 Miguel Fernandes

Para os mesmos autores, exercício físico é um subconjunto de ActF que é planeado, estruturado e repetitivo e tem como finalidade ou objetivo intermédio, a melhoria ou manutenção da AptF.

Em contraste com a ActF, que está relacionada com os movimentos que as pessoas fazem, a AptF é um conjunto de atributos que as pessoas têm ou tentam alcançar, relacionados com a saúde e com as habilidades, e que podem ser medidos com testes adequados (Caspersen et al., 1985).

A definição de AptF, numa abordagem geral aceite por muitos autores, traduz-se na capacidade de realizar tarefas diárias com vigor e agilidade, sem fadiga extrema, e com ampla energia para desfrutar de atividades de lazer e atender a imprevistos ou emergências (ACSM, 2008; USDHHS, 2008).

Garber et al. (2011) propõem as quantidades de exercício semanal recomendado, no âmbito da saúde, sugerida pelo American College of Sports Medicine, ACSM (2006), exercícios estes fundamentais para a manutenção da AptFA (cardiovascular), AptM esquelética e neuromuscular, chegando às seguintes conclusões:

1- Aptidão cardiorrespiratória – 3 a 5 dias ou mais por semana, dependendo da intensidade. Exercícios contínuos e rítmicos, envolvendo grandes grupos musculares (marcha, corrida, ciclismo, natação, desportos de raquete ou desportos coletivos), perfazendo um mínimo de 150min semanais de exercícios de intensidade moderada, ou 75min de exercícios de intensidade vigorosa. Pode ser feito uma alternância destes dois tipos de exercício, com o devido ajuste do tempo de execução.

2- Força e Resistência muscular – 2 a 3 dias por semana (pesos livres, máquinas de pesos, bandas elásticas, exercícios com o peso corporal). Para quem está a iniciar o treino, 10-15 repetições (uma série) são recomendadas. Posteriormente 8-12 repetições (2 a 4 séries) dos principais grupos musculares, para desenvolver a força e potência muscular.

3- Exercícios de flexibilidade – 2 a 3 dias por semana ou diariamente, se possível. Podem ser utilizados os modos estático, dinâmico e balístico, sendo estes últimos utilizados em situações mais competitivas. O trabalho propriocetivo neuromuscular deve também ser exercitado. O alongamento para cada unidade

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REVISÃO DA LITERATURA

Miguel Fernandes 7

músculo/tendão, deverá ser de 60 segundos (ex: 4 repetições de 15 segundos para cada um).

4- Exercícios neuro motores – 2 a 3 dias por semana, ou mais. Exercícios que envolvam equilíbrio, agilidade, coordenação e marcha são recomendados para indivíduos mais velhos. No entanto, adultos de meia-idade e jovens também podem beneficiar destas atividades. Recomenda-se, também, atividades multifacetadas como o tai chi e yoga para melhorar a aptidão funcional.

O programa de exercícios deve ser modificado de acordo com a ActF habitual do indivíduo, AptF, estado de saúde, respostas aos exercícios e objetivos preconizados. Adultos que são incapazes ou não querem cumprir os objetivos dos exercícios descritos aqui, podem ainda beneficiar de quantidades de exercício menores do que o recomendado (Garber et al., 2011).

A evidência científica demonstra que os efeitos benéficos do exercício são indiscutíveis, e os benefícios do exercício superam os seus riscos, na maioria dos adultos. Um programa de exercício físico regular, que inclui exercícios cardiorrespiratórios, de resistência, flexibilidade e treino neuro motor, além das atividades de vida diária, podem melhorar ou manter a AptF relacionada à saúde, sendo essencial para a maioria dos adultos (Garber et al., 2011).

Do mesmo modo, em crianças e adolescentes, os efeitos da ActF são benéficos e defendidos na literatura. Buscemi et al. (2014) numa declaração de posição da Society of

Behavioral Medicine, referiram que a escola deve proporcionar às crianças e adolescentes

amplas oportunidades para se envolverem em ActF. Além de promover a saúde geral das crianças, melhora o desempenho académico; além de melhorar a AptFA, melhora a função cognitiva; melhor AptFA e maior quantidade de ActF também tendem a estar associados ao aumento de médias de notas e resultados em testes padronizados. Assim sendo, a Society

of Behavioral Medicine recomenda que as escolas promovam para as crianças, 60 minutos

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REVISÃO DA LITERATURA

8 Miguel Fernandes

2.1.1 Componentes da aptidão física

Uma das principais dificuldades em estabelecer a validade de uma medida para a ActF é a falta de um padrão adequado para comparação. Na ausência de uma medida critério globalizante, a ACR tem sido muitas vezes usada como um padrão de validação para estudos sobre a ActF. Embora a ActF habitual seja um importante determinante da ACR, outros fatores, como a herança genética, também desempenham um papel significativo (ACSM, 2008).

Para que se possa contabilizar e avaliar a AptF, torna-se necessário dividi-la em componentes mensuráveis. Neste âmbito, a Tabela 1 apresenta uma divisão proposta pelo

U.S. Department of Health and Human Services (2008).

Tabela 1 – Componentes da aptidão física (U.S. Department of Health and Human Services, 2008)

Componentes da aptidão física

Fisiológica Metabólica Morfológica Integridade Óssea Saúde Composição corporal Aptidão Cardiovascular Flexibilidade Resistência muscular Força muscular Habilidades / Aptidões Agilidade Equilíbrio Coordenação Potência Velocidade Tempo de reação

Baseados no Surgeon General's Report on Physical Activity and Health, USDHHS (1996), apresentamos, seguidamente, um glossário das componentes da AptF relacionadas à saúde, às habilidades/aptidões e fisiológicas.

Componentes relacionadas à saúde: são aquelas que nos indicam o funcionamento dos

sistemas do nosso corpo e estão relacionadas com a saúde e bem-estar.

Aptidão Cardiovascular: é a capacidade dos sistemas circulatório e respiratório de

fornecer oxigénio aos músculos durante o exercício físico.

Composição Corporal: é a percentagem relativa de gordura corporal em relação à

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REVISÃO DA LITERATURA

Miguel Fernandes 9

Flexibilidade: é a amplitude de movimento possível numa articulação.

Força muscular: é a quantidade de força que pode ser produzida por uma única

contração de um músculo.

Resistência muscular: é a capacidade que um grupo de músculos tem, para

continuar o seu movimento, no decorrer de um longo período de tempo, sem fadiga.

Componentes relacionadas com habilidades/aptidões: são aspetos da aptidão que formam a base para o sucesso no desporto ou participação em atividades.

Velocidade: é a capacidade de executar um movimento num período curto de tempo.

Agilidade: é a capacidade do corpo para mudar de direção rapidamente, com

velocidade e acurácia.

Equilíbrio: é a capacidade de manter uma postura ereta, parado ou em movimento.

Coordenação: é a capacidade de usar os sentidos, como a visão e audição,

juntamente com o movimento dos segmentos corporais, para executar tarefas com precisão e suavidade.

Tempo de Reação: é a quantidade de tempo entre a estimulação e a reação

muscular.

Potência: é a capacidade de fazer um trabalho de força num ritmo explosivo.

Componentes fisiológicas: são aspetos da aptidão que se relacionam com funções biológicas e são influenciadas pela quantidade habitual de ActF.

Aptidão metabólica: é o estado do sistema metabólico e das variáveis preditivas do

risco de diabetes e patologias cardiovasculares, que podem ser favoravelmente alteradas pelo aumento da ActF ou exercícios regulares de endurance, sem a exigência do aumento do VO2máx.

Aptidão morfológica: é uma componente relacionada com a composição corporal

(perímetros), quantidade de gordura corporal e sua distribuição.

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REVISÃO DA LITERATURA

10 Miguel Fernandes

2.2 Fitnessgram

O conceito Fitnessgram® teve o seu início em 1977, quando Charles L. Sterling, reconheceu o interesse dos administradores da escola Richardson - Texas e dos pais dos alunos, de criar relatórios resultantes da avaliação da AptF dos alunos, à semelhança de outros relatórios existentes noutras áreas de ensino. Reconheceu, também, um potencial no uso de computadores para imprimir relatórios e manter registos dos alunos (Plowman et al., 2006).

Atualmente, o Fitnessgram® é um software educativo de avaliação e registo da AptF para a saúde e quantidade de ActF realizada, usado por milhares de professores em milhões de alunos das escolas de todo o mundo, produzindo relatórios personalizados para crianças, pais e diretores escolares (Plowman et al., 2013).

O programa Fitnessgram® avalia três componentes da AptF consideradas importantes pela sua estreita relação com a saúde em geral e com o bom funcionamento do organismo. As três componentes são a aptidão aeróbia, a composição corporal e a AptM (força muscular, resistência e flexibilidade).

Apresentamos em baixo um quadro resumo dos testes.

Tabela 2 – Itens do Teste Fitnessgram® (adaptado de Sardinha & Santa Clara, 2002) Itens do Teste Fitnessgram®

Aptidão Aeróbia:

 Vaivém

 Corrida 1 milha

 Marcha (alunos do secundário)

Composição Corporal:

 Medição das Pregas Adiposas  Índice de Massa Corporal

Aptidão Muscular (Força, Resistência Muscular e Flexibilidade)

Força Abdominal e Resistência  Abdominais

Força e Flexibilidade do Tronco  Extensão do Tronco Força Superior

 Extensão de Braços

 Flexões de Braços Modificado  Flexões de Braços em Suspensão  Flexão de Braços

Flexibilidade

 Senta e Alcança

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Miguel Fernandes 11

2.2.1 Objetivos do Fitnessgram®

O Fitnessgram® representa uma importante inovação no campo da EF e na avaliação da AptF dos jovens em idade escolar. Além deste objetivo de avaliação, procura a promoção da ActF e surge como um sistema de feedback para os alunos, professores e pais para incentivar a ActF ao longo da vida e a AptF relacionada à saúde. Os materiais incluídos no Manual de Administração e Guia de Referência Técnica são constantemente atualizados com base histológica, epidemiológica, comportamental e na investigação pedagógica. O

Fitnessgram® está constantemente num processo de evolução, apoiado nas mais

sofisticadas tecnologias e será sempre alvo de novas adaptações (Plowman et al., 2006).

2.2.2 Zona saudável da aptidão física

Definir pontos de corte referenciados por critérios, é uma combinação de arte e ciência. A chave para definir um ponto de corte para um teste de aptidão relacionada à saúde é a identificação de um único valor (ponto de corte) que separa os que estão em risco para a saúde daqueles que correm menos riscos. O critério surge quando os investigadores determinam a melhor medida de campo ou laboratorial, que prevê a categoria de risco em que uma provável amostra, ou sujeito, iria aparecer. Genericamente, pode ser categorizado como “saudável” ou “doente”. Este estado de saúde serve como critério para os resultados empíricos. Os investigadores, então, determinam o ponto de corte em que a maioria valida uma medida de campo (Plowman et al., 2013).

Num estudo recente, elaborado por Santos et al. (2014), onde foram avaliados 22048 crianças e adolescentes portugueses, através dos testes do Fitnessgram®, os investigadores chegaram à conclusão que o percentil 50 de todos os testes de AptF apresentou a maior acurácia para verificar se os participantes se encontravam fora da zona saudável da aptidão física (ZSAF) ou dentro da ZSAF do Fitnessgram®. Referem ainda que as escolas portuguesas e professores de EF podem considerar o percentil 50 para idade e sexo, como pontos de corte aceitáveis, acima dos quais os jovens devem ser considerados aptos no Fitnessgram®. Estes valores de referência podem ser usados como dados normativos e como valores de base para a vigilância subsequente da AptF dos jovens portugueses.

Apresentamos seguidamente, as tabelas adaptadas de Sardinha e Santa Clara (2002) referentes aos intervalos de valores do Fitnessgram® para a ZSAF em rapazes e raparigas, nos diversos testes.

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12 Miguel Fernandes

Tabela 3 – Valores do Fitnessgram® para a ZSAF em rapazes (adaptado de Sardinha & Santa Clara, 2002) Idade Corrida 1milha (min:s) Vaivém (nº percursos) Marcha e VO2máx (mL/kg/min) MG (%) IMC (kg/m2) Abdominais (nº exec.) 12 10:30 – 8:00 32 – 72 42 – 52 25 – 10 22,0 – 16,0 18 – 36 13 10:00 – 7:30 41 – 72 42 – 52 25 – 10 23,0 – 16,6 21 – 40 14 9:30 – 7:00 41 – 83 42 – 52 25 – 10 24,5 – 17,5 24 – 45 15 9:00 – 7:00 51 – 94 42 – 52 25 – 10 25,0 – 18,1 24 – 47 16 8:30 – 7:00 61 – 94 42 – 52 25 – 10 26,5 – 18,5 24 – 47 17 8:30 – 7:00 61 – 94 42 – 52 25 – 10 27,0 – 18,8 24 – 47 17+ 8:30 – 7:00 61 – 94 42 – 52 25 – 10 27,8 – 19,0 24 – 47

Tabela 4 – Valores do Fitnessgram® para a ZSAF em rapazes (adaptado de Sardinha & Santa Clara, 2002)

*Teste cotado como positivo/negativo; é necessário atingir a distância indicada para ser positivo

Idade Extensão do Tronco (cm) Extensões de Braços (nº exec.) Flexões de Braços Modificado (nº exec.) Flexões de Braços em Suspensão (nº exec.) Flexão de Braços (s) Senta e Alcança (cm)* Flexibilidade Dos Ombros 12 23 – 30 10 – 20 7 – 20 1 – 3 6 – 13 20 P os it iv o = c on tac to d as po nt as do s d ed os a tr ás da s c os tas 13 23 – 30 12 – 25 8 – 22 1 – 4 12 – 17 20 14 23 – 30 14 – 30 9 – 25 2 – 5 15 – 20 20 15 23 – 30 16 – 35 10 – 27 3 – 7 15 – 20 20 16 23 – 30 18 – 35 12 – 30 5 – 8 15 – 20 20 17 23 – 30 18 – 35 14 – 30 5 – 8 15 – 20 20 17+ 23 – 30 18 – 35 14 – 30 5 – 8 15 – 20 20

Tabela 5 – Valores do Fitnessgram® para a ZSAF em raparigas (adaptado de Sardinha & Santa Clara, 2002) Idade Corrida 1milha (min:s) Vaivém (nº percursos) Marcha e VO2máx (mL/kg/min) MG (%) IMC (kg/m2) Abdominais (nº exec.) 12 12:00 – 9:00 23 – 41 38 – 46 32 – 17 24,5 – 16,9 18 – 32 13 11:30 – 9:00 23 – 51 37 – 45 32 – 17 24,5 – 17,5 18 – 32 14 11:00 – 8:30 23 – 51 36 – 44 32 – 17 25,0 – 17,5 18 – 32 15 10:30 – 8:00 23 – 51 35 – 43 32 – 17 25,0 – 17,5 18 – 35 16 10:00 – 8:00 32 – 51 35 – 43 32 – 17 25,0 – 17,5 18 – 35 17 10:00 – 8:00 41 – 51 35 – 43 32 – 17 26,0 – 17,5 18 – 35 17+ 10:00 – 8:00 41 – 51 35 – 43 32 – 17 27,3 – 18,0 18 – 35

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Tabela 6 – Valores do Fitnessgram® para a ZSAF em raparigas (adaptado de Sardinha & Santa Clara, 2002)

*Teste cotado como positivo/negativo; é necessário atingir a distância indicada para ser positivo

Idade Extensão do Tronco (cm) Extensões de Braços (nº exec.) Flexões de Braços Modificado (nº exec.) Flexões de Braços em Suspensão (nº exec.) Flexão de Braços (s) Senta e Alcança (cm)* Flexibilidade Dos Ombros 12 23 – 30 7 – 15 4 – 13 1 – 2 7 – 12 25,5 P os it iv o = c on tac to d as po nt as do s d ed os a tr ás da s c os tas 13 23 – 30 7 – 15 4 – 13 1 – 2 8 – 12 25,5 14 23 – 30 7 – 15 4 – 13 1 – 2 8 – 12 25,5 15 23 – 30 7 – 15 4 – 13 1 – 2 8 – 12 30,5 16 23 – 30 7 – 15 4 – 13 1 – 2 8 – 12 30,5 17 23 – 30 7 – 15 4 – 13 1 – 2 8 – 12 30,5 17+ 23 – 30 7 – 15 4 – 13 1 – 2 8 – 12 30,5 2.2.3 Os testes do Fitnessgram®

A principal função, na execução dos testes do Fitnessgram®, é permitir ao professor/avaliador, a produção de relatórios individualizados para cada aluno. Estes relatórios fornecem um feedback sustentado e validado, para determinar se a criança se encontra dentro da ZSAF, e se esta atingiu os padrões referenciados, através da comparação dos valores obtidos, com tabelas testadas e devidamente validadas, baseadas em critérios de AptF e quantidade de ActF para a saúde, em detrimento das metas com base no desempenho (The Cooper Institute, 2010).

Resumidamente, apresentamos de seguida os testes adotados pelo The Cooper

Institute que permitem uma avaliação da AptF relacionada com a saúde.

2.2.3.1 Aptidão aeróbia

Vaivém

O vaivém é um teste de patamares de esforço progressivo, adaptado do teste de corrida de 20 metros publicado por Leger e Lambert (1982) e revisto em 1988 (Leger, Mercier, Gadoury, & Lambert, 1988). Este envolve correr para trás e para frente num percurso de 20 metros, ao som de uma cadência de sinais sonoros de uma gravação de áudio. O teste começa a um ritmo lento, e em cada patamar o ritmo aumenta. Os participantes iniciam o percurso com um sinal sonoro (Bip) devendo percorrer os 20m antes

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do próximo sinal (Bip), que representa a partida para o segundo percurso. A prova termina quando este ritmo não pode mais ser mantido. O número máximo de voltas deste teste é depois convertido numa equivalência ao teste da milha, sendo estes valores usados para predizer o VO2máx (Plowman et al., 2013).

Num estudo realizado por McClain, Welk, Ihmels, e Schaben, (2006), onde foi comparado o nível de significância dos resultados obtidos no consumo de VO2máx em duas provas de vaivém de 15m e 20m, os autores não encontraram diferenças significativas, sobre a aptidão aeróbia dos jovens. Para eles, o teste de 20m é recomendado quando possível, mas o teste de 15m oferece uma alternativa útil para as escolas com ginásios menores, bem como para crianças do ensino básico.

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Teste de 1 milha

No teste da milha, o objetivo é correr essa mesma distância num ritmo tão rápido quanto possível. Uma vez que a taxa de consumo de oxigénio está, de alguma forma, relacionada com o ritmo de corrida adquirido, é possível estimar a taxa máxima de captação de oxigénio a partir do ritmo médio da corrida. A idade, género e gordura corporal, também afetam a previsão da capacidade aeróbica (Plowman et al., 2013).

Portanto, no software Fitnessgram®, a capacidade aeróbia é avaliada a partir do tempo gasto na milha, idade, sexo e IMC, utilizando uma equação de Cureton et al. (1995) desenvolvida num estudo onde aplicaram o teste a uma grande amostra de crianças e adolescentes (Plowman et al., 2013)

.

Figura 2 – Aluno a correr (The Cooper Institute, 2010)

Marcha

No teste de marcha de uma milha, o objetivo é equivalente ao da corrida da milha: executar a prova no mínimo tempo possível. Neste teste, a frequência cardíaca é determinada imediatamente após a marcha. Conhecendo o peso corporal e a velocidade média da marcha, considerados os principais determinantes do consumo de oxigénio durante a prova, juntamente com o ritmo cardíaco apurado, é possível estimar a capacidade aeróbia dos sujeitos.

No software Fitnessgram®, a capacidade aeróbia é estimada a partir da idade, sexo, peso, tempo gasto na marcha da milha e frequência cardíaca no final da marcha usando a

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16 Miguel Fernandes

equação de Kline et al. (1987), que mostrou ser confiável para a medição desta capacidade em estudantes do ensino secundário, num estudo realizado por McSwegin, Plowman, Wolff, e Guttenburg (1998). Este teste da marcha tem a vantagem de não necessitar de um esforço máximo como é exigido nos dois testes anteriores (Plowman et al., 2013).

Figura 3 – Aluna a andar (The Cooper Institute, 2010).

2.2.3.2 Composição corporal

Índice de Massa Corporal

Plowman et al., (2013) referem que a relação peso/altura (IMC) fornece informações sobre as quantidades de vários tecidos que, juntos, compõem a massa corporal. Daqui podem surgir erros de medição, pois os avaliados podem ter uma altura abaixo do percentil para a idade e uma densidade muscular e óssea grandes, que no final da avaliação poderiam enquadrá-los no intervalo de excesso de peso das tabelas de IMC. No entanto, como o IMC se relaciona moderadamente com a percentagem de gordura, este teste pode ser usado como uma medida substituta da composição corporal aferida por outros métodos. Estes autores referem ainda que o IMC é oferecido como uma alternativa porque os professores podem não estar suficientemente bem treinados para medir pregas cutâneas e, em algumas regiões, podem haver regulamentos/restrições que limitam a avaliação através das medidas das pregas cutâneas.

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Segundo Going e Lohman (1998), o erro de predição deste teste é de 5-6% superior à medição das pregas adiposas, o que demonstra ser um dos métodos mais eficazes de campo, para estimar a gordura corporal, com erros padrões de estimativa de 3 a 4% de gordura corporal (nas mãos de um técnico bem treinado).

Por ser o método escolhido neste este estudo, para avaliar a composição corporal da amostra, previamente justificado, será aprofundado no ponto 2.4 para referência futura.

Medição das pregas adiposas

O Fitnessgram® aconselha, preferencialmente, os métodos de medição das pregas adiposas e a bioimpedância elétrica (BIA) para calcular a gordura corporal. Através da medição das pregas dos tricípites e gémeos, consegue-se estimar a percentagem de gordura corporal com bastante precisão em crianças de todas as idades. Os erros associados com estes dois métodos são muito semelhantes, assumindo que os participantes se encontram hidratados (Plowman et al., 2013).

Para estes investigadores, a melhor maneira de obter medições válidas das pregas adiposas, baseia-se no treino, com especialistas ou vídeos de demonstração, não devendo diferir mais de 15% para cada medição individual da prega, nem mais de 20% no total das medições do indivíduo. O número médio de indivíduos a testar nunca deverá ser inferior a 30 para resultados consistentes.

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2.2.3.3 Aptidão muscular (Força, Resistência Muscular e Flexibilidade)

Abdominais

A utilização do teste de abdominais para medir a AptM de indivíduos é comummente aceite por muitos investigadores (Plowman et al., 2013).

Este teste consiste na realização de abdominais, respeitando uma cadência de 20 por minuto, até ao máximo de 75 repetições, partindo o avaliado da posição de decúbito dorsal, com as pernas fletidas a 140º e os braços em extensão junto ao tronco, com as palmas das mãos viradas para baixo e a cabeça apoiada no solo (colchão). Através da elevação do tronco, as extremidades das mãos deverão percorrer uma distância de 11,5 cm, medidos pelo seu deslizar numa faixa criada para o efeito, em cada execução, voltando depois à posição inicial. O teste termina quando forem detetados 2 erros, quando o avaliado atingir as 75 execuções ou quando houver desistência (The Cooper Institute, 2010).

Segundo Plowman et al. (2013), a utilização da cadência de 3 segundos para cada abdominal elimina os desequilíbrios dos movimentos balísticos originados por testes baseados no maior número de execuções num intervalo de tempo, que refletem mais a potência muscular do que a força e resistência muscular. Com a cadência do teste, uniformizam-se os movimentos dos avaliados e torna-se mais fácil a sua avaliação, fazendo com que estes se concentrem na sua performance.

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Extensão do tronco

O teste de extensão do tronco pretende avaliar uma relação entre a força dos extensores e a flexibilidade lombar (Plowman et al., 2013).

O teste começa com o avaliado em posição de decúbito ventral, corpo em extensão total dos membros superiores e inferiores, estando as mãos colocadas por baixo das coxas, com as palmas viradas para estas. Ao sinal do avaliador, o avaliado tenta fazer a extensão máxima do tronco, com uma velocidade moderada (não balística) sem que haja extensão do pescoço. A altura do solo ao queixo determina o valor, em centímetros, para comparação nas tabelas indicadoras da ZSAF deste teste. O valor máximo a atingir será de 30cm, tendo o avaliado duas tentativas para o alcançar (The Cooper Institute, 2010).

Figura 6 – Esquema do teste de extensão do tronco (The Cooper Institute, 2010)

Extensão de braços

O número de extensões de braços num determinado tempo, tem vindo a ser utilizado em muitas baterias de testes. O teste de extensões de braços a 90º, foi selecionado e recomendado pelo Fitnessgram®, pois tem vantagens sobre o teste de flexões de braços. As duas principais vantagens residem no fato de não ser necessário nenhum material específico e de não se registarem testes com “zero” repetições (Plowman et al., 2013).

O objetivo deste teste é o de completar o maior número de extensões de braços, respeitando uma cadência rítmica. O avaliado assume uma posição de decúbito ventral, colocando as mãos por baixo dos ombros com os dedos em extensão, e os membros inferiores também em extensão, apoiados nas pontas dos pés que se devem encontrar ligeiramente afastadas.

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Existem algumas preocupações com a execução deste teste: na extensão dos membros superiores, a articulação do cotovelo deve alcançar os 90º; o corpo do avaliado deve formar uma linha reta da cabeça aos pés durante o teste; a cadência será de uma extensão/flexão num intervalo de 3 segundos (20 por minuto). O teste termina quando o avaliador identificar 2 execuções incorretas ou quando houver desistência (The Cooper Institute, 2010).

Figura 7 – Esquema do teste de extensões de braços (The Cooper Institute, 2010)

Flexões de braços modificado

A validade deste teste assenta em princípios anatómicos. A sua principal vantagem reside na pouca possibilidade de obtenção de resultados nulos, e na obtenção de resultados consistentes (The Cooper Institute, 2010).

O objetivo do teste é executar o maior número de flexões de braços possível, numa posição modificada/invertida. O avaliado deve ser colocado por baixo de uma barra fixa, em decúbito dorsal, com os ombros alinhados verticalmente com esta. Através da extensão vertical dos braços, deve ficar entre 1 a 2 polegadas do seu alcance. Coloca-se uma banda elástica, paralela à barra e por baixo desta, a uma distância compreendida entre 7 e 8 polegadas. De seguida, o avaliado suspende-se na barra, mantendo o corpo em prancha, apoiado apenas nos calcanhares e executa as flexões, devendo o queixo ultrapassar a

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banda elástica. A execução das flexões deve ser contínua e o teste terminará ao segundo erro registado. Este teste é recomendado para crianças desde o 1º ciclo até ao ensino secundário (The Cooper Institute, 2010).

Figura 8 – Esquema do teste de flexões de braços modificado (The Cooper Institute, 2010)

Flexões de braços

Este não é um teste recomendado para alunos de todas as idades, pois é comum a existência de resultados nulos. Não deve ser usado em alunos que não consigam fazer uma flexão.

O objetivo do teste é executar o maior número de flexões de braços possível. O avaliado coloca-se em suspensão numa barra horizontal, com a pega em pronação, e executa a flexão dos braços até que o queixo ultrapasse a barra, baixando de seguida para a posição inicial. O corpo deve manter-se em extensão, sem balanços exagerados, subindo suavemente em direção à barra. Ao segundo erro, o teste dá-se por terminado (The Cooper Institute, 2010).

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Figura 9 – Esquema do teste de extensão do tronco (The Cooper Institute, 2010)

Flexão de braços em suspensão

Uma terceira alternativa ao teste de extensão de braços a 90º é a flexão de braços em suspensão. A consistência deste teste foi verificada para alunos do 2º e 3º ciclos.

O objetivo do teste é a execução de uma suspensão, em pronação, numa barra horizontal, mantendo o queixo acima desta, durante o máximo tempo possível. Os membros superiores encontram-se em flexão e o peito próximo da barra. O teste termina quando o queixo descer para um nível inferior ao da barra, quando o avaliado fizer a extensão da cabeça para manter o queixo acima desta ou quando o queixo tocar a barra. Será registado o número de segundos que o avaliado aguentar nesta posição (The Cooper Institute, 2010).

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Figura 10 – Esquema do teste de flexão de braços em suspensão (The Cooper Institute, 2010)

Senta e alcança

O teste recomendado pelo Fitnessgram® para avaliar a flexibilidade inferior do corpo é o senta e alcança. Uma das vantagens deste teste, em relação a outros, reside na possibilidade de avaliar a flexibilidade dos membros inferiores separadamente. Isto permite verificar a simetria ou assimetria da flexibilidade dos músculos posteriores da coxa - isquiotibiais (Plowman et al., 2013).

O objetivo do teste é alcançar a ZSAF de flexibilidade em ambos os lados do corpo, tendo em conta a idade e o sexo do avaliado. Este coloca-se sentado, com um dos membros inferiores fletidos e o outro em extensão, apoiando a planta do pé deste último na caixa de medição utilizada e conhecida deste teste. De seguida, coloca-se uma mão por cima da outra e, em 4 tentativas graduais, tenta-se alcançar o máximo da distância através da flexão do tronco para a frente. Será registado o valor da última tentativa que deverá ser mantida durante, pelo menos, 1 segundo. Seguidamente será executado o mesmo procedimento para o membro inferior contrário. Logo que seja alcançada a marca dos 30cm, o teste finalizará (The Cooper Institute, 2010).

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Figura 11 – Esquema do teste senta e alcança (The Cooper Institute, 2010)

Flexibilidade de ombros

O teste para medição da flexibilidade dos ombros, tem como objetivo tocar os dedos de ambas as mãos na parte posterior do corpo, colocando um dos membros superiores por cima do ombro e o outro por baixo do cotovelo. Usado alternadamente com o senta e alcança, este teste permite alertar os jovens que cada articulação tem a sua flexibilidade caraterística, e que a flexibilidade dos músculos posteriores da coxa não é a única importante, nem a única que representa a flexibilidade total do corpo (The Cooper Institute, 2010).

Para testar a flexibilidade do ombro direito, o avaliado deve deslizar a mão deste membro pelas vertebras da coluna em direção ao solo, movimentando-se a outra em sentido contrário partindo da região lombar em direção à cervical. A ZSAF deste teste é atingida se o avaliado conseguir tocar os dedos em ambos os testes (The Cooper Institute, 2010).

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2.3 A Obesidade durante a adolescência

Ao longo de quase toda a história da humanidade, o sobrepeso e a obesidade foram vistos como um sinal de saúde e prosperidade. Em tempos de trabalho árduo e de frequente armazenamento de colheitas, assegurar um armazenamento de reservas de energia através da alimentação, sempre foi um dos principais objetivos nutricionais das sociedades (WHO, 2000).

Atualmente, a obesidade é um dos principais problemas de saúde pública no mundo inteiro. Pelo número de pessoas que atinge, pelas doenças que aparecem ao seu redor (comorbidades) e que são claramente influenciadas pelo excesso de gordura corporal, pelo facto de atingir cada vez mais os desprotegidos socialmente e ainda, por ser tão difícil de tratar (ACSS, 2012).

No período da adolescência, além das transformações fisiológicas, o indivíduo sofre importantes mudanças psicossociais, associadas aos processos de construção da identidade, o que contribui para uma certa vulnerabilidade característica desse grupo populacional. Os adolescentes podem ser considerados um grupo de risco nutricional, devido à inadequação de sua dieta decorrente do aumento das necessidades energéticas e de nutrientes para atender às exigências e necessidades do crescimento, assim como, devido às alterações de disponibilidade de alimentos e recentes recursos tecnológicos promotores de atividades sedentárias (Enes & Slater, 2010).

Dos 11 aos 13 anos de idade, o número de crianças com excesso de peso e obesidade tende a variar entre 5 e 25% na UE (EUGLOREH, 2009), o que constitui um fator de risco de doença crónica associado à mortalidade prematura (DGS, 2011).

Para termos uma referência relativamente ao excesso de peso e à obesidade na população adolescente portuguesa (IMC≥ 25), Padez (2006) num estudo transversal onde utilizou uma amostra de 850081 indivíduos, correspondente aos dados de todos aqueles nascidos entre 1966 e 1981, em Portugal, com 18 anos, os quais foram examinados entre 1986 e 2000, obteve os seguintes resultados: a prevalência de excesso de peso aumentou de 10,5% em 1986 para 21,3% em 2000 e a prevalência de obesidade aumentou de 0,9% para 4,2% no mesmo período. Concluiu que, apesar da baixa prevalência de obesidade nos rapazes portugueses, comparada com outros países europeus, o seu aumento significativo nos últimos anos requere um plano estratégico de prevenção da obesidade.

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Mais recentemente, o Observatório Nacional da Atividade Física e do Desporto (2011) procedeu, entre 2007 e 2009, à avaliação da AptF e dos valores de excesso de peso e de obesidade (IMC) em 34 488 portugueses de 10 ou mais anos de idade, de ambos os sexos, em 18 distritos de 5 zonas de Portugal Continental. Os resultados dos valores de excesso de peso e obesidade estão expressos na figura 1.

Figura 13 – Curvas percentílicas para a amostra nacional do índice de massa corporal (kg/m2 ), por grupo etário, nos jovens (ONAFD, 2011).

Num estudo realizado por Ferreira, Mota, e Duarte (2012), desenvolvido junto de uma amostra de 1084 adolescentes de Castelo Branco, com idades compreendidas entre os 12 e os 17 anos, e com o objetivo de verificar a prevalência de excesso de peso e obesidade através de 3 métodos diferentes, no que diz respeito ao IMC obtiveram valores de prevalência de 19,8% no sexo feminino e 22,1% no sexo masculino.

Utilizando os pontos de corte da OMS para verificar a prevalência do excesso de peso e obesidade, em 22048 adolescentes portugueses, com idades compreendidas entre os 10 e os 18 anos, Sardinha et al. (2011) realizaram um estudo onde verificaram 32,7% de prevalência de excesso de peso e obesidade no sexo feminino e 30,7% no sexo masculino. Concluíram que nas idades superiores da amostra esta prevalência é mais baixa, e atinge valores mais altos entre os 10 e os 12 anos de idade em ambos os sexos, decrescendo desde os 13 até aos 18 anos.

A prevalência de sobrepeso / obesidade entre crianças e adolescentes portugueses tende a variar de acordo com os pontos de corte utilizados e são também motivo de

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Miguel Fernandes 27

preocupação pública, o que sugere a necessidade de promoção de estratégias para manter ou obter um peso saudável entre as crianças e adolescentes (Sardinha et al., 2011).

2.4 Índice de massa corporal - IMC

O IMC é uma medida estandardizada internacionalmente para verificar se um indivíduo se encontra com o seu peso ideal. Este conceito, desenvolvido no séc. XIX por Lambert Quételet, é, atualmente, o método preditor de obesidade adotado pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

Este índice surgiu da necessidade da busca do “homem médio”, concluindo o autor que a partir da identificação da regularidade e distribuição de diferentes segmentos corporais, como o crânio, membros superiores e inferiores, se conseguia chegar a valores representativos do “homem ideal” (Quételet, 1835).

Neste âmbito, Pich (2013, p. 855) indica que “como exemplo, podemos citar o índice de massa corporal, que é a resultante da relação entre altura e peso ao quadrado. Contudo, o que identifica o homem médio não é o caráter universal do valor obtido em situações reais de mensuração, mas a relação com um valor de referência para uma determinada população. Portanto, o homem médio é relativo a um conjunto populacional considerado homogéneo, e não à natureza humana de forma geral, embora, para calcular esse valor, tenha que ser utilizada uma fórmula geral, o que garante a comparabilidade das populações e permite identificar o diferente estado da sua evolução”. Esta citação anterior revela que o IMC, sendo universal, deverá ser ajustado a determinadas populações com antropometrias muito próprias. A título de exemplo, Gray et al. (2011), num estudo para definir os pontos de corte de obesidade da população sul-asiática imigrante no Reino Unido, com uma amostra de 4688 europeus e 1333 sul-asiáticos entre os 40 e 75 anos, chegaram à conclusão que estes deveriam ser inferiores aos da população europeia.

Mais recentemente, Bodicoat et al. (2014), corroboraram o estudo anterior, concluindo que os resultados reforçam a evidência de que as intervenções de saúde são obrigatórias para um menor IMC e perímetro abdominal em indivíduos do sul da Ásia. Com base nos seus dados e da literatura existente, sugerem um limite de obesidade de 25 kg/m2 para os indivíduos do sul da Ásia, e um limiar de risco elevado do PA de 90 cm para os homens, e 77 cm para as mulheres.

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REVISÃO DA LITERATURA

28 Miguel Fernandes

Em 2013, na edição de 5 de janeiro da revista Economist, Nick Trefethen, professor na Universidade de Oxford, propôs uma nova fórmula para o cálculo do IMC: trocou o expoente 2 por 2,5, e introduziu um fator “k” de 1,3, para manter a média dos resultados próxima à média do método em adotado pela OMS. O resultado da aplicação desta fórmula pode garantir aos indivíduos mais baixos 1 ponto mais de IMC e aos mais altos 1 ponto menos. A fórmula seria: IMC=1,3 x kg/m2,5.

No entanto, Junior (2008), depois de analisar o artigo de Nick Trefethen, alerta o mundo científico que, no seu livro “IMC Na Balança”, está consagrado o estudo de uma fórmula, sem os erros decorrentes das duas fórmulas anteriores. Para ele, a mais correta seria IMC=1,67xKg/m3, que proporciona resultados mais acurados, utilizando os mesmos pontos de corte da fórmula em vigor IMC=Kg/m2.

Para a medição da massa corporal e suas componentes, existem outros métodos, tais como: O LBW (Lean Body Weight), que produz erros maiores do que o IMC; o uso do adipómetro; o método hidrostático, infravermelho e impedância elétrica; mas não são suficientemente práticos para a sua aplicação, nem são adequados para o uso de tabelas por faixa etária (Junior, 2008).

A abordagem ao IMC neste estudo incidiu no método de cálculo instituído atualmente pela OMS, pelo fato de ser o mais extensamente utilizado, pelo baixo custo e pela facilidade da sua aplicação na escola. Os pontos de corte internacionais do IMC para a classificação do excesso de peso e obesidade e a sua distribuição por sexo e idade, dos 12 aos 18 anos, foi adaptado de Cole et al. (2000).

2.5 Aptidão aeróbia e os seus fatores influenciadores

A AptFA, segundo a bateria de testes do Fitnessgram®, enquadra-se como sendo uma das componentes da AptF. As outras componentes classificam-se como AptM, flexibilidade e composição corporal, onde, através dos seus testes, permite-nos saber se um indivíduo se encontra numa “zona saudável da aptidão física”.

Como referido anteriormente, o Observatório Nacional da Atividade Física e do Desporto (2011) procedeu, também, entre 2007 e 2009, à avaliação da AptF em 34 488 portugueses de 10 ou mais anos de idade, de ambos os sexos, em 18 distritos de 5 zonas de Portugal Continental. Os resultados dos valores da ACR estão expressos na figura 2.

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Tabela  1  –  Componentes  da  aptidão  física  (U.S.  Department  of  Health  and  Human  Services,  2008)
Tabela 5 – Valores do Fitnessgram® para a ZSAF em raparigas (adaptado de Sardinha &amp; Santa  Clara, 2002)  Idade  Corrida  1milha  (min:s)  Vaivém  (nº percursos)  Marcha e VO2máx  (mL/kg/min)  MG (%)  IMC (kg/m 2 )  Abdominais (nº exec.)  12  12:00 – 9:
Tabela 6 – Valores do Fitnessgram® para a ZSAF em raparigas (adaptado de Sardinha &amp; Santa  Clara, 2002)
Figura 1 – Esquema do teste do vaivém (The Cooper Institute, 2010)
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Referências

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