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As formas de uso e apropriação dos espaços públicos: análises e discussões sobre a área central da cidade de Caicó/RN

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Academic year: 2021

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CURSO DE BACHARELADO EM GEOGRAFIA

ANA CLÁUDIA DIAS DOS SANTOS

AS FORMAS DE USO E APROPRIAÇÃO DOS ESPAÇOS PÚBLICOS: ANÁLISES E DISCUSSÕES SOBRE A ÁREA CENTRAL DA CIDADE DE CAICÓ/RN

CAICÓ-RN 2017

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ANA CLÁUDIA DIAS DOS SANTOS

AS FORMAS DE USO E APROPRIAÇÃO DOS ESPAÇOS PÚBLICOS: ANÁLISES E DISCUSSÕES SOBRE A ÁREA CENTRAL DA CIDADE DE CAICÓ/RN

Monografia apresentada ao Curso de Bacharelado em Geografia da Universidade do Rio Grande do Norte, como requisito parcial para obtenção do título em Bacharel em Geografia.

Orientador: Prof. Dr. João Manoel de Vasconcelos Filho.

CAICÓ-RN 2017

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AS FORMAS DE USO E APROPRIAÇÃO DOS ESPAÇOS PÚBLICOS: ANÁLISES E DISCUSSÕES SOBRE A ÁREA CENTRAL DA CIDADE DE CAICÓ/RN

Monografia apresentada ao Curso de Bacharelado em Geografia da Universidade do Rio Grande do Norte, como requisito parcial para obtenção do título em Bacharel em Geografia.

Aprovado em ____/____/____

BANCA EXAMINADORA

Prof. Dr. João Manoel de Vasconcelos Filho Orientador

___________________________________________________________________________ Profª. Ms. Isabel Cristina dos Santos

Examinadora

___________________________________________________________________________ Prof. Dr. Diego Salomão C. O. Salvador

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Dedico este trabalho as minhas filhas Isadora e Manuela, para ter como exemplo a perseverança e batalha, que para se alcançar o conhecimento todo sacrifício é válido.

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AGRADECIMENTOS

Toda a trajetória do curso e o trabalho para a conclusão do mesmo agradeço inicialmente a Deus que foi minha fortaleza para enfrentar todos os obstáculos e seguir em frente.

Ao meu esposo Francisco e as minhas filhas Isadora e Manuela pela compreensão da minha ausência para me dedicar a essa batalha por novos conhecimentos e novos caminhos.

A meus pais João e Ana Maria e minha irmã Andréa que me acompanharam aos quatro anos de curso me dando suporte a medida do possível.

Ao meu querido orientador Prof. Dr. João Manoel de Vasconcelos Filho, na qual, estimo grande admiração desde os nossos primeiros contatos em sala de aula, por seus conhecimentos intelectuais e postura correta, pela paciência e orientação no meu trabalho de conclusão. Muito obrigada.

As minhas queridas cunhadas Helora e Ângela que cuidaram das minhas filhas sempre que precisei, me ajudando e proporcionando chances para executar em meu trabalho.

A minha turma Geodina pelos nossos momentos juntos nessa caminhada com muito aprendizado, alegrias e divergências.

As minhas amigas da Elite, Carla Natalí, Débora Raquel e Francisca Uberlândia presentes de Deus e da Geografia, muito obrigada pelo companheirismo, pelos ótimos momentos em sala, pelas aventuras em campo, risos e broncas, pelas peripérsias, por fazer parte das vossas famílias, muito obrigada pela amizade.

Agradeço em especial a Carla Natalí pelo seu grande desprendimento e amizade que mesmo em meio a tanta pressão e correria que também compartilhava estendia as mãos sempre que percebia dificuldades, lhe sou muito grata por todo seu apoio.

A minha amiga e irmã Dalrione que sempre me deu apoio e incentivo para seguir em frente.

E aos que direta ou indiretamente contribuíram para a finalização desse trabalho, meu muito obrigada.

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“Devemos nos preparar para estabelecer o alicerce de um espaço verdadeiramente humano, de um espaço que possa unir os homens para e por seu trabalho, mas não para em seguida dividi-los em classes, exploradores e explorados; um espaço matéria inerte que seja trabalhada pelo homem, mas não se volte contra ele; um espaço Natureza social aberta a contemplação direta dos seres humanos, e não um fetiche; um espaço instrumento de reprodução da vida, e não uma mercadoria trabalhada por outra mercadoria, o homem fetichizado”.

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RESUMO

A importância desse estudo pauta-se na necessidade de estabelecermos diretrizes para compreendermos mais claramente o quadro geral presente nos espaços públicos da área investigada, objetivando investigar as diferentes formas de apropriação e uso dos espaços públicos na Área Central da cidade de Caicó para compreendermos melhor as relações construídas por diferentes agentes e atores sociais com essas áreas e assim mostrar uma maneira mais igualitária de utilizar esses ambientes. Isto trará como consequência um uso mais democrático ao mesmo tempo em que também acarretará uma melhor qualidade de vida à sociedade que reside próximo ou mesmo distante desses espaços. O espaço urbano é produzido por diversos atores e agentes que motivam diferentes usos da terra influenciando ações e organizações compondo marcas passadas e atuais no espaço. Objetos dessas organizações estão os espaços públicos que caracteriza local qualificado que a população dinamicamente circula e interage. Os espaços públicos da Área Central da Caicó passaram por modificações em suas utilizações que acompanharam a dinâmica de modernização conforme as apropriações ocorreram, percebendo a influência do capital em sua grande maioria e as transformações de sociabilidade decorrentes disso. Sendo assim, analisamos a falta de aproveitamento e de ação com políticas públicas para melhor desfrute dos espaços públicos.

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ABSTRACT

The importance of this study is based on the need to establish guidelines to understand more clearly the general framework present in the public spaces of the area investigated, aiming to investigate the different forms of appropriation and use of public spaces in the Central Area of the city of Caicó to better understand the relationships built by different agents and social actors with these areas and thus show a more egalitarian way of using these environments. This will result in a more democratic use while also bringing a better quality of life to the society that resides near or even far from these spaces. The urban space is produced by several actors and agents that motivate different uses of land influencing actions and organizations composing past and current brands in space. Objects of these organizations are the public spaces that characterizes qualified place that the population dynamically circulates and interacts. The public spaces of the Central Area of Caicó underwent modifications in their uses that accompanied the dynamics of modernization as the appropriations occurred, perceiving the influence of capital in its great majority and the transformations of sociability resulting therefrom. Thus, we analyze the lack of use and action with public policies to better enjoy the public spaces.

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LISTA DE FIGURAS

Figura 01 – Praça de Sant’Ana... 33

Figura 02 – Praça da Igreja do Rosário... 34

Figura 03 – Dança dos Negros do Rosário... 34

Figura 04 – Praça do Coreto... 35

Figura 05 – Praça da Alimentação... 36

Figura 06 – Primeira parte do calçadão, cruzamento da Av. Cel Martiniano com a Av. Senador J. Bernardo... 38

Figura 07 – Segunda parte do calçadão, Av. Senador J. Bernardo... 38

Figura 08 – Terceira parte do calçadão, Av. Senador J. Bernardo... 39

Figura09 – Quarta parte do calçadão, Av. Senador J. Bernardo... 39

Figura 10 – Vista aérea da Ilha de Sant’Ana... 40

Figura 11 – Mercado público... 41 Figura 12 – Açougue público...

Figura 13 – Biblioteca pública de Caicó... Figura 14 – Banco da Praça de Sant’Ana sujo com dejetos de aves... Figura 15 – Banco quebrado na Ilha de Sant’Ana... Figura 16 – Banco da Praça do Rosário quebrado com dejetos de animais... Figura 17 – Banco do Calçadão quebrado... Figura 18 – Piso de uma das passarelas da Ilha de Sant’Ana... Figura 19 – Telhado quebrado na entrada da Ilha de Sant’Ana... Figura 20 – Pichação por trás dos quiosques da parte norte da Ilha de Sant’Ana... Figura 21 – Fonte luminosa desativada da Praça do Rosário... Figura 22 – Lixos em todo o entorno da Praça da Alimentação... Figura 23 – Lixos na Praça da Liberdade... Figura 24 – Lixos na Ilha de Sant’Ana... Figura 25 – Falta de arborização na Praça da Alimentação... Figura 26 – Solo exposto por descuido na vegetação na Praça da Liberdade... Figura 27 – Solo exposto por descuido na vegetação na Ilha de Sant’Ana... Figura 28 – Podas drásticas realizadas na Praça de Sant’Ana... Figura 29 – Passagem em frente ao Arco do Triunfo com as palmeiras... Figura 30 – Passagem em frente ao Arco do Triunfo sem as palmeiras... Figura 31 – Dejetos de animais na Ilha...

42 43 52 52 52 52 53 53 53 53 54 54 54 54 54 54 55 56 56 56

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Figura 32 – Concentração de gatos na Ilha... Figura 33 – Estrutura deteriorada do Açougue...

56 56

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LISTAS DE GRÁFICOS

Gráfico 1 – Os que frequentam os espaços públicos abertos... 60

Gráfico 2 – Os horários frequentados... 61

Gráfico 3 – Frequência nos espaços públicos abertos... 61

Gráfico 4 – Que frequentam os espaços públicos fechados... 62

Gráfico 5 – Frequência dos espaços públicos fechados... 63

Gráfico 6 – Frequência nos espaços públicos fechados... 63

Gráfico 7 – Problemas citados pelos entrevistados... 64

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LISTA DE MAPAS

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LISTAS DE QUADROS

Quadro 1 – Espaços públicos, sua fundação e finalidades... 31 Quadro 2 – Evolução dos programas de usos... 44 Quadro 3 – Espaços públicos relacionando seus problemas com suas

potencialidades...

50

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LISTA DE SIGLAS

IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística

SIG – Sistema de Informações Geográficas

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SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO... 15

2 ANÁLISE, CONCEITOS E REFLEXÕES SOBRE OS ESPAÇOS PÚBLICOS: UMA ABORDAGEM GEOGRÁFICA... 18

2.1 Compreensão sobre espaço urbano... 18

2.2 Reflexões e entendimento sobre espaço público... 22

2.3 Localização da área de estudo... 27

3 ESPAÇOS PÚBLICOS DA ÁREA CENTRAL DE CAICÓ-RN... 31

3.1 As multifuncionalidades presentes na dinâmica dos espaços públicos... 44

3.2 Perfil dos atores sociais que frequentam os espaços públicos da Área Central de Caicó... 47

3.3 Delineando nos espaços públicos: carências, problemas e necessidades... 50

4 SOCIABILIDADE E POSSIBILIDADES DE ESPAÇOS PÚBLICOS DEMOCRÁTICOS... 58

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS... 66

REFERÊNCIAS... 67

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1 INTRODUÇÃO

O espaço urbano é resultado das ações humanas que são responsáveis por moldá-lo por meio das relações e interações existentes no mesmo, portanto, é provido de complexidade e alvo de discussão ao longo do tempo. O espaço é em si dotado de funcionalidades, uma vez que fragmentado e articulado conforme é modificado pela sociedade.

Entendemos que o espaço urbano é criado e recriado pelos agentes sociais que são responsáveis por dar forma e materialidade ao espaço. Entres esses agentes sociais destacamos alguns responsáveis por dar dinamicidade ao espaço, são eles: “1) Os proprietários dos meios de produção, sobretudo, os grandes industriais; 2) Os proprietários fundiários; 3) Os promotores imobiliários; 4) O Estado; 5) Os grupos sociais excluídos” (CORRÊA, 2002, p.36).

Dessa forma, são os agentes sociais os principais responsáveis pelo ordenamento e organização das cidades, contribuindo para redefinição dos processos que caracterizam tal espaço. Nesse contexto, o espaço público está inserido no espaço urbano como sendo destinado para uso comum, é, portanto, produto da coletividade.

No Brasil é notável que o espaço público sempre foi alvo de disputa, somente é a partir do século XVIII que o espaço público se apropria das relações culturais e sociais, que passaram a modificar esse espaço. No entanto, o espaço público por vezes é desigual, quando indevidamente apropriado por classes sociais que reproduzem esse espaço de forma inadequada, muitas vezes segregando a sociedade de fazer uso desses espaços.

Sob essa perspectiva buscamos com a presente pesquisa apresentar as mudanças que ocorreram na forma de produção e reprodução dos espaços públicos decorrentes das transformações na utilização e no comportamento da sociedade.

Inicialmente a escolha desse estudo surge devido a uma empatia com o tema, uma vez que a vivência, a observação e o entendimento do local escolhido proporcionou um maior interesse em conhecer as formas de uso e ocupação dos espaços públicos na Área Central de Caicó.

A pesquisa teve como objetivo geral investigar as diferentes formas de apropriação e uso dos espaços públicos na Área Central da cidade de Caicó para compreendermos melhor as relações construídas por diferentes agentes e atores sociais com essas áreas e assim propor ações que possibilitem uma maneira mais democrática de utilizar esses ambientes.

E dentre os objetivos específicos:

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b) Conhecer carências encontradas e suas necessidades, problemas e potencialidades nos espaços denominados públicos;

c) Verificar se há por parte dos agentes públicos programas e políticas públicas para incentivar de maneira mais consciente e humana o uso desses espaços;

d) Identificar o estado de conservação desses espaços.

Para o prosseguimento do nosso estudo, que teve como temática: as formas de uso e apropriação dos espaços públicos: análises e discussões sobre a área central da cidade de Caicó-RN. Buscamos realizar pesquisas científicas e bibliográficas, e utilizamos também textos concentrados com pensamentos de autores que relatassem o espaço público, sua dinâmica e sua funcionalidade, as fontes consultadas foram artigos, obras, sites de pesquisa, além de dissertações que possibilitaram um maior arcabouço teórico no estudo.

O material bibliográfico selecionado foi importante para uma maior compressão do tema proposto e para atender os objetivos da pesquisa. Diante disso, a pesquisa e seus devidos instrumentos possibilitaram a fomentação do trabalho.

Caracterizamos o presente estudo enquanto uma pesquisa exploratória descritiva, utilizamos dados quantitativos, e também qualitativos, em relação aos procedimentos metodológicos buscamos de início selecionar o material bibliográfico, que dividimos da seguinte forma: no primeiro capítulo para fazer uma análise do espaço urbano utilizamos das contribuições de Dolfuss (1978) e Santos (1978, 2009 e 2012), que tratam da compreensão desde o espaço físico com suas características como as forças de organização do espaço urbano que evoluíram de forma desigual para sociedade, com Vasconcelos Filho (2003), Corrêa (2002) e Carlos (2004), apresentamos que as formas de apropriação e uso do espaço e seus agentes de produção espacial acarretaram segregações socioespaciais. Para entendermos sobre espaço público desde seus primeiros traços buscamos autores como Teixeira (2009), Cerqueira (2013), Reis Filho (1968), Serpa (2009), Arendt (2007), Gomes (2010), Lamas (2004) e Souza (2008).

No segundo capítulo tratamos dos espaços públicos da Área Central de Caicó, procuramos referências com conteúdos relacionados aos espaços citados delineando suas características e transformações, para tanto as reflexões desses autores foram de muita importância como Robba e Macedo (2002), Caldeira (2007), Araújo (2011), Lima (2013), Fonseca (2012), Maness (2007), Macedo (2011), Melo e Romanini (2008), tratamos sobre os atores sociais que atuam nos espaços urbanos, para conceituar e entender o papel dos atores na sociedade a compreensão de Alain Touraine (1984 e 1998) foi bastante relevante.

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No terceiro capítulo Simmel (2006) aponta a relação dos atores sociais na sociedade influenciando no seu desenvolvimento e Gomes (2010) cita o espaço estabelecendo todos os requisitos que organiza de forma a unir ou fragmentar a sociedade.

Utilizamos também o conhecimento do local, as observações da dinâmica desses espaços, realizando diversos registros fotográficos que proporcionaram evidenciar a atual situação dos espaços selecionados e aplicação de questionários.

No que se refere à localização da área de estudos, utilizamos ferramentas do Sistema de Informações Geográficas (SIGS) onde a imagem foi georeferenciada no sistema de coordenadas geográfica SIRGAS 2000, utilizando o software ArcGIS v. 10.3 (Versão Acadêmica).

No primeiro capítulo denominado “Análise, conceitos e reflexões sobre os espaços públicos: uma abordagem geográfica”,buscamos mostrar diferentes reflexões no conceito de vários autores acerca do tema espaço público, mostrando que seu surgimento está diretamente relacionado com o espaço urbano e que o desenvolvimento é uma troca de interações dos indivíduos entre si e com o espaço.

No segundo capítulo intitulado “Espaços públicos da Área Central de Caicó-RN”, evidenciamos caracteristicamente os espaços públicos abertos como as praças, complexo turístico e calçadão e os espaços públicos fechados como mercado, açougue e biblioteca percebendo seus problemas e suas potencialidades, na qual estão sendo desperdiçadas tanto pela gestão pública como pela sociedade.

E por fim, no último capítulo denominado “Sociabilidade e possibilidadades de espaços públicos democráticos”, apresentamos o processo de sociabilidade através da obtenção de dados em entrevistas que confirmaram a consciência que a sociedade tem a respeito dos problemas relacionados com os espaços públicos.

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2 ANÁLISE, CONCEITOS E REFLEXÕES SOBRE OS ESPAÇOS PÚBLICOS: UMA ABORDAGEM GEOGRÁFICA

É primordial que antes de adentrarmos no assunto espaço público, mencionemos sobre espaço urbano que é o agente que abriga a formação desses espaços públicos determinados pela organização da cidade que é condicionada por diferentes agentes e atores sociais, que compõem o conjunto da sociedade.

2.1 Compreensão sobre espaço urbano

O espaço consiste não somente em uma área com suas composições naturais e edificadas, mas toda relação do lugar é moldada com e pela sociedade. Então deter-se-á definições ligadas ao visível e concreto é preciso, mas não suficiente, para distinguir os espaços e especificamente o espaço urbano, no qual estamos tratando.

Caracteristicamente, o espaço urbano é constituído por aglomerações de indivíduos concentrados em edificações e estruturas pertencentes às cidades, que proporcionam funcionalidades como ruas, transportes, pontos industriais e comerciais entre outros, de acesso ao citadino. Sendo essas aglomerações consideradas cidades a partir da junção de 2.000 habitantes.

Dentro de sua diversidade, o espaço urbano é susceptível de ser definido quase que em toda parte do mundo por um certo número de dados. Caracteriza-se pela concentração do habitat numa área limitada e com o frequente acúmulo da população em imóveis de diversos andares. É um espaço completamente equipado que, devido à forte densidade das instalações e da pronúnciada concorrência para a utilização do terreno, atinge um preço muito elevado; esta circunstância, devido às exigências da rentabilidade, leva à concentração de atividades altamente produtivas por metro quadrado (DOLFUSS, 1978, p.80).

Assim, Dolfuss expressa acima dados físicos da cidade e sua dinâmica na estrutura e na forma de utilização da área urbana. De modo que trabalhar a cidade é compreender todos os fatores que contribuíram para seu surgimento, pois a cidade é reflexo da história de desenvolvimento social e econômico, é um elemento vivo, sujeita a constantes transformações. O espaço urbano é o resultado das ações humanas, historicamente definidas, que reflete bem as relações/interações entre os indivíduos e destes com o ambiente que está a sua volta. No momento contemporâneo, tanto os indivíduos, quanto os espaços produzidos pela natureza, estão inseridos na lógica do modo de produção vigente, que reorganiza e

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reordena o conjunto da sociedade e seu espaço em uma configuração que tende a construir relações, na maioria das vezes assimétricas, de subordinação, o que condiciona a localização e o padrão das moradias. Estas são, essencialmente, definidas pelo modo de produção vigente,

via mercado imobiliário. Santos (2012) diz que o espaço não pode ser explicado pelos objetos materiais que

compõem a paisagem, mas pela forma na qual, esse espaço é produzido “a produção do espaço é resultado de múltiplas determinações, cuja origem se situa em níveis diferentes e em escalas variáveis, indo do simples lugar à dimensão internacional” (SANTOS, 2012, p.58).

Com a introdução da sociedade é que o espaço vai sendo modificado lentamente de acordo com sua estrutura social que é distribuída de forma seletiva conforme as suas necessidades, que demonstra que a funcionalidade do espaço é produzida pela sociedade com as possibilidades preexistente anteriormente.

O espaço urbano não se resume somente a extensão territorial, o meio físico, mas o ambiente que reproduz ação de trabalho se constitui antes mesmo do capitalismo, pois o processo de urbanização está diretamente ligado às relações sociais e espaciais que são indissociáveis na produção e reprodução do espaço, ou seja, o espaço urbano como um produtor e reprodutor social constitui a caracterização de sua fisionomia.

Desse modo, o desenvolvimento é um processo que percorre por muitos critérios que são apropriados de acordo com o uso da terra, conforme o capital se insere o espaço urbano vai sendo articulado de forma desigual. “O espaço é um campo de forças cuja formação é desigual. Eis a razão pela qual a evolução espacial não se apresenta de igual forma em todos os lugares” (SANTOS, 1978, p.122), o autor fala de uma organização de posse de agentes formadores da estrutura social onde o espaço é um produto gerado e consumido. Enfatizando a ideia Vasconcelos Filho (2003) diz “no espaço urbano, encontram-se áreas, cujo conteúdo de modernidade, informação e técnica é bem acentuado, demonstrando uma forte participação dos agentes hegemônicos na produção do espaço” (VASCONCELOS FILHO, 2003, p.29).

O espaço urbano para Corrêa (2002) não é uniforme ao apresentar o uso das terras em diferentes áreas definindo-as com o conteúdo social e forma na qual são organizados espacialmente, o autor demonstra que os diferentes usos do solo, seja para moradia, lazer, comércio, indústria, entre outros, caracteriza o espaço urbano fragmentado e que é condicionado pelas formações sociais relacionadas com o poder aquisitivo deferidos a cada um. “O espaço urbano é simultaneamente fragmentado e articulado: cada uma de suas partes mantém relações espaciais com as demais, ainda que de intensidade muito variável”

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(CORRÊA, 2002, p.07). Estabelecendo que o espaço é produzido por agentes e atores sociais que impulsionam as representações e segregações do espaço urbano.

A cidade como recorte espacial urbano é a forma concreta da intervenção humana na natureza, essa ação vai sendo articulada através da apropriação do solo de maneiras desiguais atingindo os interesses da sociedade e do capital, como aponta Carlos (2004), “São os diversos modos de apropriação do espaço que vão pressupor as diferenciações de uso do solo e a competição que será criada pelos usos, e no interior do mesmo uso” (CARLOS, 2004, p.127).

Sendo assim, podemos dizer que a apropriação do solo para usos diversos é a forma como a cidade é organizada, determinada por áreas centrais e áreas descentralizadas. A Área Central é onde concentram as principais atividades econômicas, prestações de serviços, comércio, transportes públicos, administração pública e privada, enquanto as Áreas Descentralizadas caracterizam o crescimento da cidade onde concentram em maior parte moradias e setores industriais. Para Corrêa (2002), o surgimento da Área Central:

... foi percebido de forma nítida com a Revolução Industrial. O grande aumento de produtos industrializados gerou a necessidade de uma malha de transportes que suprisse a crescente demanda, dando ensejo à construção das grandes ferrovias. A partir de então se verifica um processo de aglutinação em torno das estações ferroviárias, pelo grande fluxo de pessoas que circulavam destas estações. Os empresários buscavam se estabelecer próximos às massas de pretensos consumidores. Com isto, iniciou-se a aglutinação de investimentos e estabelecimentos em torno destas estações de transportes, delimitando a área central da cidade (CORRÊA, 2002, p.37).

Contudo, enquanto os agentes sociais exercem o papel de criar e recriar o espaço urbano distinguindo por áreas, é grupos que detém o poder em certas áreas da cidade que determinam a dinâmica de organização social. Corrêa (2002) cita cinco grupos de agentes sociais que articulam o espaço urbano, são “1) Os proprietários dos meios de produção, sobretudo, os grandes industriais; 2) Os proprietários fundiários; 3) Os promotores imobiliários; 4) O Estado; 5) Os grupos sociais excluídos” (CORRÊA, 2002, p.36).

Os proprietários dos meios de produção – são produtores que consomem uma boa parcela do espaço adquirindo terrenos a baixos custos em pontos estratégicos de boa acessibilidade para suas atividades sejam comerciais ou industriais, em Caicó as empresas comerciais em específico possuem esse pertencimento de forma considerável, tendo em vista a quantidade de estabelecimentos existentes na cidade e principalmente na Área Central.

Os proprietários fundiários – esses proprietários buscam mais renda fundiária para suas terras com pretensões lucrativas para seu uso tanto comercial como de residências de alto

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padrão, atuam produzindo seu próprio espaço e modelando a cidade de acordo com as classes sociais, pois dependendo da área determina qual será urbanização de status e a urbanização popular.

Produtores imobiliários – atuam realizando a comercialização de imóveis, determinando o espaço de forma mais viável para o lucro, geralmente bairros mais estruturados são correlacionados para essas produções que tem como alvo uma população com mais poder aquisitivo, ou seja, que podem adquirir tais imóveis com as estruturas nas condições físicas de auto status.

Em nossa cidade podemos citar alguns projetos aperfeiçoados para atingir classes estabelecidas pelo poder do capital como o loteamento Serrote Branco que impulsionou o bairro de mesmo nome, com todo aparato estrutural de calçamento, encanação e iluminação e o outro exemplo é o projeto de maior proporção o condomínio Mirante da Serra, onde trouxe possibilidades de moradia de alto padrão com conforto, segurança, lazer e entretenimento para uma camada mais seletiva da população.

Esse tipo de especulação age como uma segregação residencial, o que consequentemente contribui para segregação e fragmentação da cidade, pois camadas populares não são de interesses desses produtores, causando a exclusão e o direcionamento dessa camada para habitações mais simples em bairros com menos infraestrutura.

O Estado – é um produtor do espaço que utiliza de sua autoridade e autonomia para promover a organização da dinâmica socioespacial, usa seu poder para desapropriar, comprar, regulamentar e limitar o uso do solo, atuando como promotor imobiliário que determina os preços da terra através de diversos investimentos de infraestrutura que lhes são possíveis, influenciando assim quais grupos sociais ocuparão cada espaço.

Grupos sociais excluídos – são formados por pessoas de baixa renda, excluídas por suas condições limitadas que não permitem moradias em localizações mais estruturadas, os levando a habitações em favelas e cortiços, geralmente construídos em terrenos públicos e privados modificando o espaço e sobrevivendo a segregação socioespacial.

Para entendermos, podemos enfatizar o bairro João Paulo II que é conhecido popularmente como a favela de Caicó, pois nessa área reside a camada mais pobre da população em um espaço com infraestrutura deficitária e não possui calçamentos em suas ruas, o grupo social excluído que integra essa parte da cidade incorpora visivelmente de todos os problemas impostos por suas condições como miséria, subnutrição, desemprego, violência e criminalidade. Muitos indivíduos, principalmente crianças, buscam os espaços públicos centrais da cidade para mendicância e pequenos atos infratores como furtos.

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Esses grupos de agentes sociais participam e caracterizam o modelo de organização da cidade, seus conflitos e as relações de poder que cada um exerce, configurando assim a segregação social e espacial. Por sua vez, criam-se relações que privilegiam alguns agentes em detrimento de outros, cujo caso emblemático é a situação de vulnerabilidade que se encontram os grupos sociais em estado de exclusão.

É com esse entendimento que pretendemos analisar a Área Central da cidade de Caicó-RN, focando em espaços públicos nela localizados, relacionando a dinâmica espacial com a procura e apropriação desses espaços.

2.2 Reflexões e entendimento sobre espaço público

Inicialmente uma abordagem sobre o surgimento de espaço público faz-se necessário para melhor definir de que se trata esse espaço. O termo público se refere a lugar comum, pertencente a todos, coletividade, então espaço público é um lugar aberto destinado para uso de todos, podendo apresentar restrições sociais quando se formam grupos sociais diferentes que não frequentam do mesmo modo um espaço público devido ao seu processo de interação compreendido nas relações que estabelecem as configurações espaciais, o espaço público surge junto ao crescimento das cidades se tornando características delas.

No Brasil, segundo Teixeira (2009) foram fundados no século XVI e XVII, aldeamentos1, missões, povoados, vilas e cidades como características de aglomerados que iniciaram a construção urbana. Para o autor, nas regiões potiguares da época a primeira construção se dava a capelas e em sua frente praças a abrigar eventos religiosos, referindo-se a esse tipo de apropriação como uma consagração de espaço público influenciada pela Igreja no período.

No período colonial, os espaços públicos representavam apropriação e disputa de território por parte da Igreja e do Estado, a partir das praças que se delimitavam a direção das ruas, o que reforça sua importância na formação do espaço público essencialmente usado para interesse da Igreja, pois o costume na época era de isolamento da sociedade dentro das casas.

As cidades coloniais apresentavam características essencialmente padronizadas em sua formação e muitas informações priorizando a modernidade foram perdidas ou destruídas na época, mesmo existindo diversas pesquisas sobre o assunto. Para Reis Filho (2000, p.63 apud

1

Aldeamento era uma localidade indígena onde recebiam a missão dos Jesuítas de catequizar os índios, as vilas concentravam instituições políticas como Casa de Câmara e as cidades eram fundadas com planejamento antecipado pelo poder real.

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CERQUEIRA, 2013, p.28) “os documentos se dispersaram, os padrões urbanísticos foram abandonados. Em Portugal e no Brasil urbano colonial”.

Santos (2009) aponta com base em Goulart Reis Filho (1968) que a urbanização é explicada por alguns elementos caracterizados como “o sistema social da Colônia”, constituídos pela “organização político-administrativa (capitanias, governo geral e a organização municipal); as atividades econômicas rurais (agricultura de exportação e de subsistência); atividades econômicas urbanas e seus atores (comércio, ofícios mecânicos, funcionalismo, mineração)” (REIS FILHO, 1968 apud SANTOS, 2009, p.20).

Esses elementos configuravam a dinâmica dos centros urbanos com fluxos descontínuos apresentados por Goulart Reis Filho (1968, p.97 apud SANTOS, 2009, p.20) “Os centros urbanos apresentavam então uma vida que pode ser caracterizada como intermitente. Cessado o movimento decorrente do afluxo de senhores de terra, tinham uma aparência de abandono e desolação [...]”.

Para um melhor entendimento é interessante compreendermos historicamente o surgimento do espaço público desde a cidade colonial que emerge como consequência da formação de aglomerados urbanos, onde algumas cidades ganham expressividade enquanto o campo perde espaço, isso ocorre com a mecanização inserida na produção causando grande parte da mão de obra humana desnecessária levando um crescimento na migração campo-cidade, juntamente com o poder atrativo do processo de industrialização ofertado pela cidade desencadeando disputa de território formado nos espaços urbanos pelos detentores de poder da época.

Tais fatores contribuíram para a aceleração da urbanização gerando expansão desmedida, surgindo assim periferias urbanas formadas por habitações irregulares e do emprego informal formado por pessoas com desqualificação profissional ou desempregados que não conseguiram voltar ao mercado de trabalho, compõe o circuito inferior da economia, vivendo de bicos e improvisos, atuando em atividades variadas para garantir o sustento. Fazem parte desse grupo social os camelôs, vendedores ambulantes, donos de fábricas de fundo de quintal, barraqueiros, prestadores de serviços em geral.

A partir do final do século XVIII, o espaço público começa a se modificar a medida que sua dinâmica ligada a relações culturais e sociais no período colonial passam por mudanças trazendo os passeios públicos como opção para distração com a construção de espaços diferentes como jardins.

Assim, as práticas urbanas vão transformando o uso do espaço público de forma diversificada, inicialmente por manifestações políticas e religiosas, sendo um espaço de

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encontro para sociedade, passando por uma reconfiguração que surge para suprir outras necessidades que contribuam para melhorar a qualidade urbana.

O espaço público para Serpa (2009) é uma representação de identidades sociais que definem a sua utilização através de formas de consumo desigual, manipulando sua apropriação por determinadas classes sociais causando disparidades em sua concepção de acessibilidade.

A identidade social se define e se afirma a partir de uma alteridade que expressa também uma dimensão de classe, uma alteridade ao mesmo tempo “desigual” e “diferente”. Desse modo, a acessibilidade ao espaço público da/na cidade contemporânea é, em última instância, “hierárquica” (SERPA, 2009, p.20).

Então, a acessibilidade posta por Serpa (2009) ao espaço público, é simbólica, pois é distinta entre as relações sociais, sendo condicionadas pela distribuição desigual do capital para diferentes usos de consumo do espaço. Sendo assim, entendemos o espaço tratado como mercadoria, consumido por uma pequena parcela da sociedade que consegue desfrutar de seus serviços estabelecidos pelo poder aquisitivo na qual, possuem.

Portanto, a acessibilidade aos espaços públicos apresenta restrição no que se refere ao acesso em seus espaços físicos, isso cabe tanto aos considerados espaços abertos como aos privados, na qual desconstrói a ideia principalmente nos abertos de que pode ser acessível sem distinções. A acessibilidade mostra seletividade por grupos sociais indiferente de o espaço ser público ou privado, sua utilização está vinculada há alguns fatores que desenham caracteristicamente os aspectos sociais que se configuram nos espaços públicos.

Gomes (2010), tratando da dinâmica composta pelos espaços públicos, considerou a importância de citar a existência de processos que influenciaram a conjuntura atual desses espaços. O capitalismo possui uma força onde a sociedade se faz visível através de uma imposição do capital, sejam por apropriação para comércio, por recriação de espaços delimitados e pagos como clubes, shoppings centers, parques e outros, crescente isolamento da sociedade em condomínios e até mesmo as utilizações territoriais por determinados grupos com propósito de se afirmarem com exemplo, cultos religiosos em praças.

Entendemos que os espaços deixam de possuir somente o papel de sociabilidade, lugar de participação, espaços comuns de convívio para um local de fragmentação territorial e social. O espaço público torna-se um indicador de passividade direcionado pelas regras que são postas no cotidiano do citadino que cada vez se retrai para uma opção de reclusão de convivência.

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Dando continuidade ao assunto, a contribuição da autora Hanna Arendt (2007) é muito pertinente sobre o espaço público, abrangendo a esfera pública e privada, oferece uma percepção que auxilia na identificação pertencente a essas esferas. “A distinção entre uma esfera de vida privada e uma esfera de vida pública corresponde à existência das esferas da família e da política como entidades diferentes e separadas [...]” (p.37). A autora trata que o termo público é composto de dois sentidos: público no sentido comunicacional, ligados a informações, a aparência, a transposição de experiências individuais, pouca importância ao encanto das ações que ocorrem na esfera privada elevando a grandeza de tornar-se público.

Público no outro sentido “significa o próprio mundo, na medida em que é comum a todos nós e diferente do lugar que nos cabe dentro dele” Arendt (2007, p.62), é um espaço de produção humana com efeito nos que habitam em comum, mas condicionados por interesses próprios, modificando a maneira de relacionar-se, mesmo sendo um espaço comum é possível reunir-se separadamente. A autora considera o individualismo como principal impulso nas ações de organização e regulamentos que regem a esfera pública, diretamente ligada à esfera política que manipulam os espaços como modo de exibição própria que transpasse sua própria existência.

Arendt (2007) reforça que o espaço como “produto de mãos mortais” deve ser durável para ser usufruído por outras gerações.

Só a existência de uma esfera pública e a subsequente transformação do mundo em uma comunidade de coisas que reúne os homens e estabelece uma relação entre eles depende inteiramente da permanência. Se o mundo deve conter um espaço público, não pode ser construído apenas para uma geração e planejado somente para os que estão vivos: deve transcender a duração da vida de homens mortais (ARENDT, 2007, p.64).

A autora remete a fatos históricos greco-romanos para definir as esferas públicas e a esfera privada tomando como base detalhes do comportamento humano, fazendo uma sobreposição até os dias atuais. A esfera privada é relacionada com resguardo de privação de relação humana. “A privação da privatividade reside na ausência de outros; para estes, o homem privado não se dá a conhecer, e, portanto, é como se não existisse” (ARENDT, 2007, p.68), como também se relaciona com propriedade, que apesar de possuir pertencimentos próprios pode exercer papel público, “[...] a propriedade possui certas qualificações que, embora situados na esfera privada, sempre foram tidas como absolutamente importantes para o corpo político” (ARENDT, 2007, p.70).

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Na percepção sobre o termo esfera pública Gomes (2010) aponta alguns sentidos diferenciados, mas que se relacionam diretamente com os espaços públicos, o autor cita esfera pública como domínio público da fala, arena pública para discussões de interesses de agentes sociais, como espaço público sendo espaço de convivência, como conversação civil e como sociabilidade.

No conceito de espaço público poderemos dizer que é um elemento do espaço urbano aberto e acessível à sociedade e de uso comum, ambiente passível da vivência humana que se espacializa no lugar, ponto de encontros de diferentes classes sociais, condicionados por peculiaridades associadas a pertencimentos e também desagregação social.

Ressaltando que o espaço público pode ser privado, na qual é um espaço imposto por muros ou limites com características de um espaço comum, mas de acesso restrito condicionado pelo capital, esse tipo de espaço aumentou consideravelmente com as mudanças sofridas na dinâmica das cidades, associadas a elementos como violência, segregação social, apropriação privada de espaços comuns. Constatando assim um enclausuramento da vida social imposta pelas adaptações que são condicionadas por esse modo de organização social.

Desse modo, alguns espaços privados apesar de serem uma representação do consumismo atuam como espaço público por concentrar pessoas no mesmo local a procura de serviços, segurança, conforto e lazer, como no caso podemos citar os shopping centers. Gomes (2010) e Lamas (2004) entendem que o espaço público é um lugar de convívio, onde representa a relação das pessoas com a cidade correlacionando com as dinâmicas urbanas, é um conceito complexo, que incorpora vários fatores que reproduz a construção social ligada às especificidades influenciadas pelas transformações através do tempo.

O espaço é público indiferente de serem comum ou coletivo, cada espaço possui suas características que exalta a essência da vida urbana, mesmo sendo perceptível que alguns espaços vêm perdendo a identidade na cidade contemporânea devido à globalização, tecnologia, insegurança, mercantilização, enfraquecendo a procura e permanência nesses espaços.

Como se percebe, a definição de espaço público é um tanto complexa, pois envolve uma compreensão da relação de mudanças na cidade, que influenciaram de forma gradativa, a conduta na qual as pessoas se relacionam com esses espaços.

Para a Geografia é através de uma análise espacial autêntica que podemos expressar uma compreensão das dinâmicas sociais interpretando todos os fenômenos relacionados aos movimentos de percepção e apropriação do lugar pela sociedade. Gomes (2010) ressalta que

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“a geografia tem, por intermédio de alguns autores, insistido nessa dimensão essencial do espaço na compreensão da vida social” (GOMES, 2010, p.137).

A análise do espaço público constitui vários segmentos definido por valores diferenciados as práticas sociais que constitui cada espaço. Podendo ser visto com um olhar que proporcione identificar seu papel mesmo com divergências em seu conceito.

Para Gomes (2010), têm segmentos sociais de convivência que devem ser respeitados por conter diferenças, portanto, “o espaço público é o lugar das indiferenças, ou seja, onde as afinidades sociais, os jogos de prestígio, as diferenças, quaisquer que sejam, devem se submeter às regras da civilidade” (GOMES, 2010, p.162).

Dessa forma, percebe-se que apesar da junção social no mesmo espaço, existe uma sociabilidade de comportamento onde é possível notar o individualismo transcender a relação de encontro, uma convivência imposta pelas regras de civilidade que exprimem as práticas de comportamentos de cada um dentro da mistura social.

Nessa mesma concepção, Souza (2008) diz que o espaço público “é aquele tipo de espaço que se constrói pela diferença entre os membros de uma sociedade, projetando a partir de então relações que envolvem a igualdade de direitos, através de leis e normas de conduta” (SOUZA, 2008, p.14).

Dentro de toda a abordagem apresentada sobre espaço público é notório perceber sua diversidade de características que atuam com a produção da vida social, condicionadas a fatores como conflitos, apropriação, exercício de convivência e sociabilidade, locais de encontro e permanência, de lazer, de desfrute seja de contemplação, esporte, brincadeiras, consumo comercial. O espaço público reflete a construção de uma esfera social.

Nessa perspectiva, trataremos a seguir da área de estudo tentando identificar os componentes que integram a existência dos espaços públicos da Área Central de Caicó em seus diversos parâmetros, tentando esclarecer como funciona a essência real de suas particularidades que cada um deles apresenta nos dias atuais, e assim compreendermos melhor como se produz e reproduz cada espaço.

2.3 Localização da área de estudo

Diante do exposto sobre a temática, o trabalho sobre espaço público acontecerá na Área Central do município de Caicó, cidade localizada na região do Seridó do Rio Grande do Norte, com população estimada (2017) em mais de 68.000 habitantes, apresentou no último Censo Demográfico de 2010 do IBGE uma população de 62.709 habitantes, sendo 57.461

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residentes na cidade e 5.248 no campo, seu território ocupa uma área de 1.228.583 km², colocando-o como o quinto município com maior extensão do Estado, localizada a 269 km da capital Natal, a cidade está situada na confluência entre os rios Barra Nova e Seridó. Caicó iniciou seu processo de urbanização a partir de construção de residências e estruturação das ruas no entorno da Igreja Matriz de Sant’Ana, por conseguinte os espaços públicos surgem dentre essas edificações configurando relações sociais entre a população.

O povoamento de Caicó segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) se deu por volta de 1700, quando a região começa a ser frequentada por batedores paraibanos em busca de caça para os índios Caicós, que habitavam nas proximidades dos rios Seridó e Barra Nova, após a expulsão dos índios, fazendeiros paraibanos, pernambucanos e portugueses tomam posse das terras seridoenses para criação de gado bovino influenciando os primeiros aglomerados demográficos que surge na perspectiva da riqueza que a terra provinha para pastagens, dando estímulo assim a atual economia no setor terciário, diretamente ligados ao comércio com a disposição de feiras em praças para comercializar produtos pecuários e agrícolas, na qual delineou um desenho econômico seguido até hoje.

Em 1788, Caicó foi denominada vila com o nome Vila Nova do Príncipe período onde conquistou autonomia política e administrativa, mas somente em 1868 é elevada à categoria de cidade, anos à frente por Decreto Estadual nº 12, data exata de 01-02-1890, a cidade passa a chamar-se Seridó e depois com mais um Decreto Estadual nº 33, em 07-07-1890, passa finalmente a denominar-se Caicó.

Após passar inicialmente pelo processo econômico da pecuária no século XIX e posteriormente da cotonicultura no século XX, que demonstraram vulnerabilidade por fatores respectivamente climáticos de estiagem e crise do algodão, a cidade de Caicó é influenciada em seu crescimento urbano, devido ao êxodo rural ocasionado pela crise da cotonicultura, modificando a dinâmica da sua estrutura espacial e econômica. Possui atualmente como principal atividade econômica a prestação de serviços.

Considerada uma das principais cidades do Seridó é um polo regional no fluxo intermitente de pessoas que buscam serviços, tanto de consumo associada a comércio, pousadas, lanchonetes, bares e restaurantes, estudos, saúde e lazer como de produção, ou seja, emprego pelas pessoas das cidades vizinhas.

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MAPA 1 - Mapa de localização da área de estudo

Fonte: BEZERRA DE MEDEIROS; SANTOS, 2017.

No mapa de localização mostra o perímetro urbano e a Área Central da cidade, os espaços públicos direcionados a praças, calçadão, complexo turístico, seu cotidiano e todas as formas de suas utilizações.

As praças são respectivamente Praça Monsenhor Walfredo Gurgel, Praça Senador Dinarte Mariz, Praça Eduardo Gurgel, Praça Dr. José Augusto Bezerra de Medeiros, Complexo Turístico Ilha de Sant’Ana, Calçadão Dr. Roldão Gurgel Diniz. E os prédios do Mercado Público, Biblioteca Pública Olegário Vale e o Açougue Público Augusto Frade.

A escolha desses pontos surgiu mediante a necessidade de conhecer a dinâmica dos espaços selecionados e as relações existentes, buscando entender o processo de urbanização, seus pontos positivos e também negativos para a sociedade que faz uso desses espaços em seu cotidiano.

Assim, podemos perceber em alguns pontos na qual, a maneira como foi produzido o processo de urbanização trouxe a tona problemas sociais como a violência, deterioração em suas estruturas como bancos quebrados, pichação, pisos soltos e com buracos, falta de iluminação, acúmulo de lixo, desgaste da vegetação, entre outros fatores diretamente ligados a falta de políticas públicas.

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Todos esses problemas são resultados do modo de planejamento na criação desses locais, falta de incentivos e condições estruturais para que os mesmos possam ser utilizados pela sociedade. Como consequência disso, os espaços não são aproveitados de forma adequada e passam a perder sua funcionalidade.

A sociedade que faz uso desses espaços no dia a dia faz uma relação de troca com os espaços que estão inseridos, contribuem de forma direta para que os locais desenvolvam relações econômicas e consequentemente desenvolvam-se também socialmente.

Tais espaços podem melhorar até mesmo a qualidade de vida das pessoas que os frequentam na busca por entretenimento ou mesmo para realização de alguma atividade. Desse modo, torna-se importante entender a importância que esses espaços desempenham para a cidade de Caicó e sua influência na dinâmica da Área Central da cidade.

Diante disso, observamos que os espaços delimitados para o presente estudo são dotados de diferentes funcionalidades, uma vez que a dinâmica dos mesmos varia de acordo com as relações sociais e também econômicas existentes. Dessa forma, esses espaços passaram e passam por processos de transformação ao longo do tempo, que fizeram com que os mesmos apresentem a configuração socioespacial existente hoje.

Mais adiante, discutiremos sobre cada um desses pontos delimitados, explicando como funciona a dinâmica dos mesmos, e expondo todos os problemas urbanos e sociais que apresentam esses espaços, propondo as possíveis formas de melhorar a funcionalização dessas áreas.

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3 ESPAÇOS PÚBLICOS DA ÁREA CENTRAL DE CAICÓ-RN

Os espaços públicos da Área Central da cidade de Caicó são instrumentos que compõem a dinâmica estrutural da construção da cidade, demonstram cada um suas especificidades, a importância em suas utilizações e no papel social que desempenham. Tais espaços foram surgindo de acordo com o crescimento urbano de Caicó para possibilitar a organização e atender as necessidades manifestadas com o aumento da sociedade. O quadro 1 apresenta uma síntese desses espaços numa perspectiva temporal.

Quadro 1- Espaços públicos, sua fundação e finalidades

ESPAÇOS PÚBLICOS ANO DE

FUNDAÇÃO

FINALIDADE

Praça Monsenhor

Walfredo Gurgel (Praça de Sant’Ana)

1748/ aprox..

Dar suporte aos eventos religiosos realizados na Igreja de Sant’Ana.

Praça Eduardo Gurgel

(Praça do Rosário) 1864/ remodelação

Dar suporte aos eventos religiosos realizados na Igreja do Rosário.

Praça Dr. José Augusto Bezerra de Medeiros (Praça da Alimentação)

1929

Para embelezamento da área onde está localizada, espaço de descontração.

Praça Senador Dinarte Mariz (Praça da Liberdade

ou Coreto) 1870/1918

Primeira versão como mercado; Segunda versão como espaço de contemplação, lazer e descontração.

Calçadão Dr. Roldão Gurgel Diniz

1998/aprox.

Auxiliar o fluxo de pedestres e dar suporte para eventos que ocorriam em frente ao antigo hotel Vila do Príncipe.

Complexo Turístico Ilha

de Sant’Ana 2008

Incentivar o turismo;

Espaço físico para as festas de grande porte como carnaval e festa de Sant’Ana.

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Biblioteca Pública Olegário Vale

1919

Espaço com elementos para complementar a educação e instrução para crianças, jovens e adultos caicoenses.

Mercado Público

1918

Estruturar a cidade retirando a comercialização de produtos antes realizada na Praça da Liberdade.

Açougue Público Augusto

Frade 1960/ aprox.

Desafogar a feira que aumentou desordenadamente no entorno do mercado público.

Fonte: SANTOS, 2017.

O quadro acima mostra uma estrutura dos espaços públicos trabalhados demonstrando o ano de fundação com suas finalidades para qual foram construídos, isso é relevante para compreendermos a importância e o papel que cada espaço possui na funcionalidade social da cidade.

Dentro da composição dos espaços estudados temos as praças que são representações do espaço urbano, com uma peculiaridade essencial, pois produzem em um mesmo espaço diversos fatores que exprimem a vida social, manifestando relações de encontro, troca de experiências, lazer, contemplação, convivência, características atuais e as que sofreram modificações com o decorrer do tempo.

As praças públicas têm uma função fundamental de integrar a sociabilidade, consistem em um espaço que proporciona interações sociais e culturais, mas essas interações se limitam com o surgimento de novas funcionalidades, sendo essas, sobretudo, comerciais. Também é possível perceber nesses espaços o descaso do poder público com a falta de incentivos para uma maior estruturação das praças no intuito de mantê-las como espaço de convívio social.

Como mencionado no capítulo anterior, à origem das praças públicas nos espaços urbanos surge inicialmente no entorno das igrejas, antes chamados também de largos, com propósitos de comportar as pessoas em manifestações religiosas e disputas políticas, onde eram frequentadas para essa finalidade, pois na época do Brasil Colonial não existia o hábito de conviver nesses espaços.

Para Robba e Macedo (2002), as praças serviam como espaço de exibição social com vários elementos da sociedade, “Era ali que a população da cidade colonial manifestava sua

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territorialidade, os fiéis demonstravam sua fé, os poderosos seu poder, e os pobres sua pobreza [...]” (p.22).

Dentro desse contexto de surgimento de praças temos em nossa área de estudo as praças de Sant’Ana e do Rosário, ambas construídas junto com as igrejas e com o intuito de utilização para interesses dos eventos religiosos realizados nas mesmas, são intituladas de Praça da Igreja.

A Praça Monsenhor Walfredo Gurgel, conhecida como Praça de Sant’Ana ou Praça da Matriz, possui um destaque histórico por está diretamente ligada a construção da Catedral de Sant’Ana, padroeira da cidade, possui em sua composição arquitetônica de uma réplica do Arco do Triunfo com a imagem de Nossa Senhora de Fátima, em homenagem pela passagem peregrina da imagem da santa pela cidade em 1953, como também é considerada das mais belas praças, com árvores frondosas e centenárias que projetam sombras durante o dia, espaço atrativo para sociabilizar e descontrair por transparecer em sua aparência aspecto de sossego, mas desfrutar dessa aparência tornou-se inviável pela atual conjuntura de violência da cidade, no espaço apresenta também alguns aspectos de depredação e descaso. Possui maior movimentação em eventos da Igreja como na Festa de Sant’Ana, eventos na Ilha de Sant’Ana e no centro da cidade.

Figura 1 - Praça de Sant’Ana Fonte: SANTOS, 2017

Da mesma forma a Praça Eduardo Gurgel, a Praça do Rosário como é mais conhecida, tem sua construção relacionada com a construção da Igreja Nossa Senhora do Rosário, e serve de palco para as realizações festivas da igreja que são mais restritas a população da cidade como também os rituais da Irmandade dos Negros do Rosário, apresentação cultural que faz

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parte da festa da padroeira, onde se percebe no espaço encontro de cidadãos, vida e práticas sociais que representam uma identidade singular (Figs. 2 e 3).

Essa praça possui a peculiaridade de espaço subutilizado ou de abandono por apresentar esvaziamento urbano praticamente durante todo o ano, caracterizando as mudanças do comportamento social em relação a espaços sem atrativos estruturais que estimulem a procura e a permanência da sociedade no local.

Figura 2 - Praça da Igreja do Rosário Figura 3 - Dança dos Negros do Rosário Fonte: SANTOS, 2017 Fonte: Site kurtição, 2016

Cultivando as características de interação social as praças no geral, posteriormente passam a ter finalidade de mercado atribuída com a urbanização colonial do Brasil, as praças deixam de possuir somente a função de sociabilização religiosa e passam a ser utilizadas para vendas de mercadorias pelas burguesias, as praças de mercado abrigavam diversas pessoas que buscavam suprimentos para suas necessidades, tornando um local de encontro obrigatório.

Essas definições são evidências de modelos de praças medievais, onde ocorriam manifestações populares de diversos âmbitos, aconteciam feiras, cultos, discursos, apresentações artísticas teatrais da época, procissões e também aplicação das leis como julgamentos e execução pública, ou seja, a praça da Idade Média singularizava a liberdade popular de se expressar. Nessa conjuntura são compostas as praças da igreja, praças cívicas, praças de mercado, praças centrais, enfim, todos os espaços livres com acessibilidade e exposição.

Com o formato de praça medieval temos a Praça Senador Dinarte Mariz construída após a demolição da Praça do Mercado onde existia o antigo Mercado Público, com um coreto no centro ficou conhecida como Praça do Coreto e também Praça da Liberdade por sua antiga estrutura ter sido sede de movimentos abolicionistas. Foi por muito tempo à base para

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movimentações comerciais, pois funcionava a feira livre, vital comércio para a população, posteriormente essa praça ficou conhecida como local de encontros de adolescentes e namorados, e espaço que dá suporte a Festa de Sant’Ana como ampliação da “feirinha de Sant’Ana” realizada na Praça da Catedral. Atualmente apresenta uma aparência de abandono, vegetação descuidada, bancos e estruturas danificadas.

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Figura 4 - Praça do Coreto Fonte: SANTOS, 2017

Para Caldeira (2007) com o crescimento urbano, reformas e intervenções vem mostrar mais imposição para a organização da cidade e dos espaços públicos necessários para uma ordenação espacial, pelas condições nas quais as transformações acontecem, atitudes e pensamentos surgem para inovar a estrutura do espaço urbano, e dessa forma que aflora a importância da estética e da civilização urbana. As praças recebem reformas que valorizam sua estética e suprem as exigências sociais desencadeadas.

Contudo, as praças contam a história da cidade à medida que, os papéis sociais estão demonstrados no espaço em forma de organização e adaptação, perceptível na maneira como são diferentemente ocupadas e apropriadas, então estruturalmente algumas praças recebem elementos que cumprem as tendências de assegurar permanência e/ou concentração da sociedade nesses espaços, reconfigurando parcial ou completamente suas estruturas iniciais.

Dentro dessas transformações temos a Praça Dr. José Augusto Bezerra de Medeiros, popularmente conhecida como Praça da Alimentação ou Praça dos Trailers já foi um espaço de diversas funcionalidades, antes um lugar de lazer para a sociedade, mas posteriormente foi sendo ocupada por barracas de alimentos e trailers ocasionando apropriação desordenada, impossibilitando à circulação dos transeuntes e a permanência de pessoas que buscavam o

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espaço a procura de lazer e descontração, passando a ser um espaço destinado à alimentação, se caracterizando um dos principais destinos para os moradores e visitantes que buscam esses serviços.

Esse fator contribuiu para que o governo do estado, objetivando proporcionar um suporte turístico, realizasse uma reforma com uma proposta de arquitetura moderna com 22 quiosques em formato de tendas, extinguindo todo seu formato original, configurando a ter uma funcionalidade noturna e durante o dia totalmente deserta por ter poucas características de espaço de convivência.

Figura - 5 Praça da Alimentação Fonte: SANTOS, 2017

Em geral, as praças da Área Central são pouco utilizadas pela sociedade como espaço de permanência como eram utilizadas anteriormente, foram acompanhando e moldando significativamente suas características, sua dinâmica foi se desenvolvendo com a absorção das transformações impostas pelos novos hábitos e comportamentos da sociedade, como mencionado por Araújo (2011, p.41).

[...] as praças públicas se constituíam em espaços singulares da tessitura de manifestações humanas diversificadas, desde as festas mais populares da urbe a aquelas práticas de namoros tecidas por moças e rapazes da cidade. Ademais, nas praças públicas outras práticas socioespaciais eram tecidas pelos habitantes em seus meandros [...].

No contexto, o autor ressalta que as praças mudaram suas dinâmicas, passando a compor um cenário que foi se adequando com as transformações, as mesmas possuem grande representatividade na história cultural de uma cidade. Contudo, as praças demonstram na

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atualidade um papel monumental com ênfase na apresentação paisagística da cidade e de espaços vazios, isso se tratando de suas novas utilizações. No mesmo pensamento, Lima (2013, p.37) diz:

Torna-se importante destacar que, as praças públicas passam por inúmeras modificações em suas morfologias, interferindo consequentemente nas suas formas de apropriações e usos. Deste modo, é preciso atentar-se para a presença destes espaços públicos no âmbito urbano, compreendendo a evolução de suas funções e as práticas que são mais recorrentes em seus territórios.

As praças públicas possuem uma dinamicidade própria, permanecendo no espaço urbano desde o desenvolvimento citadino, evidenciando o comportamento social diante as suas formas espaciais, acompanhando gradativamente as mudanças impostas pelo desenvolvimento e crescimento urbano atrelado a novos modos de apropriação e uso.

Associado ao crescimento urbano, as praças como espaço público e livre adquirem a importância de ordenar as manifestações urbanas direcionadas para esses espaços, que além de um local de passagem é também um local de concentração. Um dos fatores ocasionados pelo aumento do fluxo da malha urbana foi à insuficiência nos espaços de locomoção como as ruas, causados por problemas nas estruturas da cidade, esses problemas foram impulsionados devido à implantação da cidade-industrial que produziu desordenamento nos meios de circulação por não possuir preparo para comportar o crescimento urbano, o andamento do sistema viário com a regularização de ruas e vias contribuiu para a projeção de um desenho urbano diferente, e a praça mostra-se como proposta de suporte para abarcar os problemas urbanos de circulação.

Para tanto, alguns espaços públicos apresentam novos elementos estéticos no estilo de calçadões auxiliando o fluxo de circulação de pedestres, tornando-se locais de passagem sem pretensão de permanência, com intuito de ordenar a funcionalidade da cidade, alguns receberam elementos estéticos como canteiros e arborizações, como também a inserção de comércio para estimular a frequência e o hábito do deslocamento a pé.

Existem 4 classificações para os calçadões conforme Rubenstein (1992, p.21) e Brambilla & Longo (1977, p.09) citado por Fonseca (2012, p.82) sendo eles: calçadão pleno, o calçadão com trânsito, o semicalçadão e o calçadão coberto. Para o calçadão estudado se enquadra a primeira classificação de calçadão pleno, que define o espaço de utilização exclusiva para pedestres, implementado por uma calçada de pavimentação larga unindo ruas, bloqueando a passagem de veículos e com inserção de componentes urbanos como canteiros, bancos, esculturas e outros.

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O Calçadão de Caicó foi construído por volta de 1998, inicialmente um espaço para convivência social, por estar localizado na Avenida Senador José Bernardo próximo a Avenida Coronel Martiniano que possui um tráfego constante de veículos, foi pensado para melhor transição de pedestres como também para ser um suporte espacial para eventos realizados em frente ao antigo Hotel Vila do Príncipe que atualmente sedia o Centro Administrativo da cidade.

O Calçadão Dr. Roldão Gurgel Diniz assim denominado por lei municipal no ano de 2008, encontra-se hoje tomado pelo comércio dos camelôs durante o dia e serviços de bares e pizzarias à noite, perde suas funcionalidades por ser um espaço inacessível para o fluxo de pedestre e desagradável visualmente para uma permanência de lazer. O calçadão quando construído possuía uma extensão contínua que perpassava o cruzamento de três ruas, mas devido à perda na sua utilização e pretexto dos órgãos públicos para desafogar o trânsito foram reabertas as ruas deixando o calçadão atualmente como espaço fragmentado como mostra as figuras 6, 7, 8 e 9.

Figura 6 - Primeira parte do calçadão, cruzamento da Av. Cel Martiniano com a Avenida Senador J.

Bernardo. Fonte: SANTOS, 2017

Figura7 - Segunda parte do calçadão, Av. Senador J. Bernardo

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