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Infraescavação em pilares de pontes

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Academic year: 2021

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palavras-chave Erosão localizada, pilar, fundação, cheias, patologias, cavidade de erosão, profundidade de erosão.

resumo Pretende-se com este texto fornecer ao projectista de pontes uma identificação do fenómeno em causa, assim como dos aspectos de natureza hidráulica e estrutural que são relevantes na concepção, dimensionamento e reabilitação destas estruturas.

São focados aos factores que influenciam a formação e a dimensão da profundidade de erosão localizada junto dos pilares de pontes.

São apresentados métodos de cálculo de estimativa de profundidade das cavidades de erosão, e testam-se sensibilidades às variáveis presentes nos mesmos métodos.

Apresentam-se por último, soluções de prevenção e reabilitação de pontes, assim como, os respectivos critérios de dimensionamento das mesmas.

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keywords Local scour, pier, foundation, floods, pathologies, scour hole, local scour depth.

abstract This text is intended to assist bridge engineer by outlining the local scour process and its hydraulic and structural aspects in design and rehabilitation of structures. Special care should be addressed when using temporary

construction facilities.

Special importance is given to the influence of the local scour factors. Different methods to estimate local scour are presented and a test on the parameters is performed to acquire sensitiveness on the most important variables.

Finally, countermeasures for local scour at bridges piers and his design methods are presented.

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ÍNDICE  A INFRAESCAVAÇÃO EM PILARES DE PONTES ... 1  1.1  Fenómeno e Suas Tipologias ... 1  1.2  Consequências no País e no Mundo ... 5  1.3  Objectivos e Estrutura da Tese ... 7  FACTORES QUE INFLUENCIAM  A EROSÃO LOCALIZADA ... 9  2.1  Efeito da Intensidade de Escoamento ... 9  2.2  Efeito da Altura de Escoamento ... 15  2.3  Efeito da Dimensão dos Sedimentos do Leito ... 17 

2.4  Efeito  da  Uniformidade  dos  Sedimentos  traduzida  pelo  Coeficiente  de  Graduação 

σ

g   19  2.5  Efeito da Forma dos Pilares ... 19  2.6  Efeito da Direcção do Escoamento ... 25  2.7  Efeito da Geometria do Canal de Aproximação ... 26  2.8  Efeito do Tempo ... 27  2.9  Efeito do Número de Froude Fr ... 30  MÉTODOS DE CÁLCULO DA PROFUNDIDADE DE EROSÃO ... 31  3.1  Generalidades ... 31  3.2  Método presente em Melville e Coleman (2000) ... 33  3.3  Método presente em Richardson e Davis (2001) ... 40  ANÁLISE PARAMÉTRICA DOS FACTORES QUE INFLUENCIAM A PROFUNDIDADE DE EROSÃO   43  4.1  Generalidades ... 43  4.2  Ferramenta Informática ... 43  4.3  Análise Paramétrica... 45 

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4.3.1  Problema A ... 46  4.3.2  Problema B ... 54  4.4  Considerações Finais ... 61  SOLUÇÕES DE PREVENÇÃO E REABILITAÇÃO ... 63  5.1  Generalidades ... 63  5.2  Tapetes de Enrocamento ... 65  5.2.1  dimensionamento... 67  5.3  Tapetes de Colchões Reno ... 72  5.3.1  dimensionamento... 73  5.4  Tapetes de Blocos Artificiais ligados por Cabos ... 74  5.4.1  dimensionamento... 76  5.5  Filtros ... 77  5.5.1  dimensionamento... 78  5.6  Ensacados de Argamassa ... 80  5.6.1  dimensionamento... 81  5.7  Blocos de Betão com Geometrias complexas ... 83  5.7.1  dimensionamento... 84  5.8  Estacas não Estruturais (Sacrificial Piles) ... 85  5.9  Colares ... 87  5.10  Pás Deflectoras (Iowa Vanes) ... 88  5.11  Considerações Finais ... 89  CONCLUSÕES ... 91  6.1  Considerações finais ... 91  6.2  Desenvolvimentos Futuros ... 92  BIBLIOGRAFIA ... 95  ANEXOS ... 97   

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ÍNDICE DE TABELAS  Tabela 2.1 ‐ Factores para pilares uniformes (pilares alinhados com o escoamento)... 22  Tabela 3.1 – Características e condições iniciais. ... 34  Tabela 3.2 – Velocidades críticas em Melville e Coleman (2000). ... 35  Tabela 3.3 – 

b

de cálculo, 

b

e. ... 36  Tabela 3.4 – Tempo para a obtenção da profundidade de equilíbrio da cavidade de erosão. ... 37  Tabela 3.5 – Parâmetros K. ... 38  Tabela 3.6 – Parâmetros K para pilares fundados em grupos de estacas. ... 39  Tabela 3.7 – Velocidades críticas em Richardson e Davis (2001). ... 41  Tabela 3.8 – Parâmetros K. ... 42  Tabela 4.1 – Características iniciais geométricas, granulométricas e de escoamento dos problemas  A e B. ... 44 

Tabela  4.2  –  Características  iniciais  do  leito,  do  pilar  e  sua  fundação  e  presença  de  detritos  dos  problemas A e B. ... 44 

Tabela 4.3– Testes efectuados para o problema A. ... 46 

Tabela 4.4 – Testes efectuados para o problema B. ... 54 

Tabela  5.1  –  Dimensões  de  um  tapete  de  enrocamento  em  torno  de  um  pilar  rectangular  e  do  correspondente filtro geotêxtil (adaptada de Cardoso et al., 2004). ... 70 

Tabela  5.2  –  Percentagem  de  redução  da  profundidade  de  erosão  (adaptada  de  Melville  e  Coleman, 2000). ... 87  Tabela I.1 ‐ Factores que influenciam a erosão localizada (adaptada de Melville e Coleman,2000)  ……… Anexo I  Tabela II.1 ‐ Cálculo de uma solução de enrocamento……….……….….…..……Anexo II 

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ÍNDICE DE FIGURAS 

Figura 1.1 ‐ Tipos de erosão nas pontes (adaptada de Melville e Coleman, 2000). ... 2 

Figura 1.2 ‐ Erosão Localizada junto de Pilares de Pontes (adaptada de Melville e Coleman, 2000).3  Figura 1.3 ‐ Evolução temporal das profundidades de erosão com e sem transporte generalizado  (adaptada de Couto, 2005). ... 4 

Figura  1.4  ‐  Causas  de  danos  em  pontes  na  África  do  Sul,  EUA  e  Nova  Zelândia  (adaptada  de  Annandale, 2006). ... 5 

Figura 1.5 ‐ Ponte José Luciano de Castro, 1979 (Estradas de Portugal, 2007). ... 6 

Figura 1.6 ‐ Ponte Hintze Ribeiro, 2001 (ANMP – Associação Nacional de Municípios Portugueses,  2007). ... 7 

Figura  2.1  ‐  Curvas  granulométricas  que  caracterizam  os  sedimentos  do  leito  (adaptada  de  Melville e Coleman, 2000). ... 11 

Figura 2.2 ‐ Variações da profundidade de erosão devidas à intensidade de escoamento (adaptada  de Melville e Coleman, 2000). ... 12 

Figura 2.3 ‐ Configurações de Fundo (adaptada de Melville e Coleman, 2000). ... 13 

Figura  2.4  ‐  Evolução  da  profundidade  de  erosão  no  tempo  e  nas  condições  de  escoamento  (adaptada de Melville e Coleman, 2000). ... 14 

Figura  2.5  ‐  Variação  das  profundidades  de  erosão  para  alturas  de  escoamento  intermédias  (adaptada de Melville e Coleman, 2000). ... 16  Figura 2.6 ‐ Erosão junto de um pilar largo (adaptada de Melville e Coleman, 2000). ... 17  Figura 2.7 ‐ Variação da profundidade de erosão com a granulometria dos sedimentos (adaptada  de Melville e Coleman, 2000). ... 18  Figura 2.8 ‐ Formas de pilares usuais (adaptada de Melville e Coleman, 2000). ... 20  Figura 2.9 ‐ Tipos de pilares (adaptado de Melville & Coleman, 2000). ... 20  Figura 2.10 ‐ Exemplos de pilares não uniformes (adaptada de Melville e Coleman, 2000). ... 21 

Figura  2.11  ‐  Variação  da  profundidade  de  erosão  para  pilares  não  uniformes  (adaptada  de  Melville e Coleman, 2000). ... 23 

Figura  2.12  –  Influência  da  não  uniformidade  dos  pilares  na  profundidade  de  erosão  localizada  (adaptada de Melville e Coleman, 2000). ... 24 

Figura 2.13 ‐ Variação da profundidade de erosão devido ao alinhamento do pilar em relação ao  escoamento (adaptada de Melville e Coleman, 2000). ... 25  Figura 2.14 ‐ Evolução da profundidade de erosão junto dos pilares, sob condições sem transporte 

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Figura  2.15  ‐  Relações  entre  o  factor  tempo  e  a  espessura  de  escoamento,  a  intensidade  de  escoamento e a granulometria (adaptada de Melville e Coleman, 2000). ... 29  Figura 3.1 ‐ Os diferentes casos pilar/fundação, adaptada de Melville e Coleman (2000). ... 36  Figura 3.2 – Presença de detritos (adaptada de Melville e Coleman, 2000). ... 37  Figura 4.1 – Representação gráfica do problema A. ... 44  Figura 4.2 – Representação gráfica do problema B. ... 45  Figura 4.3 – Evolução da profundidade de erosão para cada variável no caso I do problema A. ... 47  Figura 4.4 – Evolução da profundidade de erosão para cada variável no caso II do problema A. .. 47  Figura 4.5 – Evolução da profundidade de erosão para cada variável no caso III do problema A. . 48  Figura 4.6 – Evolução da profundidade de erosão para cada variável no caso IV do problema A. . 48 

Figura  4.7  –  Evolução  da  profundidade  de  erosão  devida  à  variação  de 

d

50,  para  cada  caso  do  problema A. ... 50 

Figura  4.8  –  Evolução  da  profundidade  de  erosão  devida  à  variação  de 

V

,  para  cada  caso  do  problema A. ... 50 

Figura  4.9  –  Evolução  da  profundidade  de  erosão  devida  à  variação  de  y,  para  cada  caso  do  problema A. ... 51 

Figura  4.10  –  Evolução  da  profundidade  de  erosão  devida  à  variação  de

b

,  para  cada  caso  do  problema A. ... 52 

Figura  4.11  –  Evolução  da  profundidade  de  erosão  devida  à  variação  de b*,  para  cada  caso  do  problema A. ... 52 

Figura  4.12  –  Evolução  da  profundidade  de  erosão  devida  à  variação  de Y,  para  cada  caso  do  problema A. ... 53 

Figura  4.13  –  Evolução  da  profundidade  de  erosão  devida  à  variação  de 

θ

,  para  cada  caso  do  problema A. ... 54  Figura 4.14 – Evolução da profundidade de erosão para cada variável no caso I do problema B. . 55  Figura 4.15 – Evolução da profundidade de erosão para cada variável no caso II do problema B.  56  Figura 4.16 – Evolução da profundidade de erosão para cada variável no caso III do problema B. 56  Figura 4.17 – Evolução da profundidade de erosão para cada variável no caso IV do problema B. 57  Figura 4.18 – Evolução da profundidade de erosão devida à variação de  50

d

, para cada caso do  problema B. ... 58 

Figura  4.19  –  Evolução  da  profundidade  de  erosão  devida  à  variação  de 

V

,  para  cada  caso  do  problema B. ... 58 

(15)

Figura  4.20  –  Evolução  da  profundidade  de  erosão  devida  à  variação  de  y,  para  cada  caso  do  problema B. ... 59  Figura  4.21  –  Evolução  da  profundidade  de  erosão  devida  à  variação  de

b

,  para  cada  caso  do  problema B. ... 60  Figura  4.22  –  Evolução  da  profundidade  de  erosão  devida  à  variação  de b*  para  cada  caso  do  problema B. ... 60  Figura  4.23  –  Evolução  da  profundidade  de  erosão  devida  à  variação  de

θ

,  para  cada  caso  do  problema B. ... 61  Figura 5.1 ‐ Colector de detritos (Melville e Coleman 2000). ... 65  Figura 5.2 ‐ Planta tipo de um tapete de enrocamento sobre um filtro de geotêxtil (adaptada de  Cardoso et al., 2004). ... 69  Figura 5.3 ‐ Corte tipo de um tapete de enrocamento em escavação e sobre um filtro de geotêxtil  (adaptada de Cardoso et al., 2004). ... 71  Figura 5.4 ‐ Corte tipo de um tapete de enrocamento sem escavação e assente em filtro geotêxtil  (adaptada de Cardoso et al., 2004). ... 71  Figura 5.5 – Colchões Reno (adaptada de www.maccaferri.com, 2008). ... 73  Figura 5.6 ‐ Blocos ligado por cabos associados a outras soluções (adaptada de Richardson e Davis  2001). ... 75  Figura 5.7 ‐ Tapetes de blocos ligados por cabos (Richardson e Davis, 2001). ... 76  Figura 5.8 ‐ Planta tipo de um tapete de blocos artificiais ligados por cabos assente em filtro de  geotêxtil (adaptada de Cardoso et al., 2004). ... 77  Figura  5.9  ‐  Secção  transversal  com  ensacados  de  argamassa  (adaptada  de  Richardson  e  Davis,  2001). ... 81  Figura 5.10 ‐ Secção transversal com ensacados de argamassa e utilização de grout para reforço  da sapata (adaptada de Richardson e Davis, 2001). ... 82  Figura 5.11 ‐ Secção em planta com ensacados de argamassa assentes sobre a sapata (adaptada  de Richardson e Davis, 2001). ... 82  Figura  5.12  ‐  Secção  em  planta  com  ensacados  de  argamassa  à  volta  da  sapata  (adaptada  de  Richardson e Davis, 2001). ... 83  Figura 5.13 ‐ Blocos de geometrias complexas. ... 84  Figura 5.14 ‐ Ponte em Graves County (adaptada de Richardson e Davis, 2001). ... 85  Figura 5.15 – Posicionamento de estacas não estruturais (adaptada de Melville e Coleman, 2000).

(16)

Figura  5.16  ‐  Evolução  da  profundidade  de  erosão  utilizando  colar  como  solução  de  protecção  (adaptada de Melville e Coleman, 2000). ... 88  Figura 5.17 ‐ Pás Iowa como protecção de pilares (adaptada de Melville e Coleman, 2000). ... 89  Figura 5.18 ‐ Ponte em Schoharie Creek (www.timesunion.com). ... 90 

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LISTA DE SÍMBOLOS  B  Largura transversal do tapete de enrocamento; Largura do tapete de blocos ligados por  cabos 

b

  Largura transversal do pilar, igual ao diâmetro quando o pilar é circular  d

b

  Largura transversal do conjunto de detritos  e

b

  Largura equivalente do pilar (b de cálculo)  * b   Largura da fundação 

C

  Coesão; Largura longitudinal do colchão Reno  D  Diâmetro do pilar circular  c

D

  Diâmetro do colar  p D   Diâmetro das estacas 

d

  Espessura do tapete de enrocamento  s

d

  Profundidade da cavidade de erosão  se

d

  Profundidade de equilíbrio da cavidade de erosão  max

d

  Diâmetro máximo dos sedimentos  sm

d

  Profundidade máxima da cavidade de erosão  x

d

  Diâmetro dos sedimentos para x % passados no peneiro  50a

d

  Diâmetro médio de cálculo para sedimentos não uniformes 

e

  Distância longitudinal entre os centros das pás deflectoras  Fr  Número de Froude 

G

  Peso  g  Aceleração gravítica  H  Altura de duna; Altura do colchão Reno; Altura das pás deflectoras  ba

H

  Altura do tapete de blocos ligados por cabos 

h

  Largura longitudinal do tapete de enrocamento; Largura longitudinal do tapete de  blocos ligados por cabos  v

i

  Índice de vazios  K  Parâmetro de cálculo  L    Largura transversal do colchão Reno; Comprimento do tapete de blocos ligados por  cabos; Comprimento longitudinal das pás deflectoras 

(18)

l

  Comprimento longitudinal do pilar  Q  Caudal de escoamento  s

Q

  Caudal sólido  h

S

  Forma do pilar  p S   Espaçamento entre estacas 

s

  Densidade  T   Duração da cheia; Altura entre o topo das pás deflectoras e a superfície de escoamento  d

T

  Espessura do conjunto de detritos 

t

  Tempo  e

t

  Tempo de desenvolvimento da profundidade de erosão de equilíbrio  * c u   Velocidade de atrito junto ao fundo para sedimentos uniformes  * ca u   Velocidade de atrito junto ao fundo para sedimentos não uniformes 

V

  Velocidade de escoamento  a

V

  Velocidade crítica para sedimentos não uniformes (armour velocity)  c

V

  Velocidade crítica para sedimentos uniformes (threshold velocity)  ca

V

  Velocidade crítica média para sedimentos não uniformes  icdx

V

  Velocidade crítica de aproximação de início de erosão para material com diâmetro  característico dx  cdx

V

 

Velocidade crítica de início de erosão para material com diâmetro característico dx  R

V

  Velocidade de cálculo (parâmetro) 

W

  Largura do canal em estudo (distância entre pilares)  Y   Distância entre o topo da fundação e a cota do leito  y  Altura de escoamento  X   Distância das pás deflectoras mais afastadas até ao pilar 

α

  Ângulo de variação vertical da secção do pilar; Ângulo de direcção das pás deflectoras  em relação à direcção do escoamento 

θ

  Ângulo de ataque do escoamento em relação ao pilar  ba

ρ

  Massa volúmica  g

σ

  Coeficiente de graduação  V  Volume do colchão Reno 

(19)
(20)
(21)

1 A INFRAESCAVAÇÃO EM PILARES DE PONTES   

1.1 Fenómeno e Suas Tipologias 

A designação “infraescavação” é utilizada neste trabalho como sinónimo de erosão localizada  junto  dos  pilares  de  pontes,  que  por  vezes  descalça  as  sapatas  de  fundação  originando  assentamentos exagerados ou expõe estacas que acabam por se deteriorar perdendo capacidade  de sustentação. 

A erosão, designada na literatura em língua inglesa por “scour”, reflecte‐se na alteração dos  fundos  dos  cursos  de  água  devido  aos  escoamentos  que  sobre  eles  se  movem.  Esta  acção  por  parte dos escoamentos acontece aquando do aumento do seu poder erosivo devido às alterações  no domínio das velocidades, intensidades de turbulência e tensões de Reynolds (Couto 2005).  A erosão concretiza‐se pela formação de cavidades, denominadas cavidades de erosão. Estas  formam‐se essencialmente junto a obstáculos presentes nos cursos de água tais como, esporões  fluviais, detritos de alguma dimensão física e encontros e pilares de pontes (objectivo principal de  análise neste trabalho).  Os obstáculos presentes no curso de água modificam o mecanismo de escoamento presente,  pois  fazem  com  que  as  linhas  de  corrente  se  aproximem  entre  si,  aumentando  desta  forma  a  velocidade, a vorticidade e a turbulência em toda a altura de escoamento (Couto 2005). 

Junto  das  pontes  podem  formar‐se  três  tipos  distintos  de  erosões,  com  possibilidade  de  existirem em simultâneo (Figura 1.1): 

a) Erosões generalizadas que acontecem  por razões estranhas à existência  de obstáculos e  podem grosseiramente dividir‐se em dois tipos: as de curta duração e as de longa duração. As de  curta duração, caracterizam‐se por se gerarem durante cheias pontuais de curta duração e com  tempos de retorno associados reduzidos. Já as erosões generalizadas de longa duração, formam‐ se aquando de cheias com tempos de retorno na ordem de vários anos. 

b) Erosões  por  contracção  que  se  devem  de  uma  forma  indirecta  à  presença  dos  pilares  e  encontros  das  pontes.  Isto  porque,  a  presença  destes  elementos  estruturais  provoca  um  estreitamento  das  secções  de  escoamento,  aumentando  assim  a  velocidade  do  mesmo  e  consequentemente as tensões de arrastamento nos fundos das novas secções geradas.  

(22)

c) Erosões localizadas que se desenvolvem junto dos pilares e encontros das pontes (Figura  1.2) e que se devem somente à presença destes. 

 

Figura 1.1 ‐ Tipos de erosão nas pontes (adaptada de Melville e Coleman, 2000). 

 

Sendo  assim,  para  uma  análise  completa  das  infraescavações  em  pilares  de  pontes  deve  fazer‐se  um  estudo  que  englobe  uma  análise  à  erosão  por  contracção  e  também  uma  análise  à  erosão localizada. Acontece no entanto, que a componente da profundidade de erosão devida à  erosão  por  contracção  é  normalmente  bem  mais  reduzida  em  relação  à  componente  devida  à  erosão  localizada.  Assim,  neste  trabalho,  e  somente  devido  a  esta  razão,  vai  dar‐se  atenção  à  erosão  localizada  em  detrimento  da  erosão  por  contracção.  Mas,  sempre  que  necessário  irá  complementar‐se a informação e a inter‐relação entre estes dois tipos de erosão. 

Na  Figura  1.2  mostram‐se  os  diferentes  movimentos  que  o  escoamento  efectua  junto  ao  pilar, seja a montante ou a jusante e no interior da cavidade de erosão. De notar que nem sempre  as  condições  in  situ  permitem  o  desenvolvimento  de  todos  os  diferentes  movimentos,  denominados  por  vórtices,  assim  como  as  intensidades  implícitas  na  figura.  Destacam‐se  a  montante  do  pilar,  o  vórtice  de  superfície  e  o  escoamento  descendente.  Já  a  jusante  do  pilar  evidencia‐se o vórtice de esteira que tem origem a nível longitudinal na face a jusante do pilar e a  nível  vertical  na  cavidade  de  erosão.  No  interior  da  cavidade  de  erosão  cria‐se  o  vórtice  em 

(23)

ferradura e que irá ter sempre uma acção pejorativa no que respeita à profundidade da cavidade  de  erosão  e  na  sua  dimensão  em  planta.  As  intensidades  de  cada  um  destes  vórtices  e  do  escoamento descendente, dependem directamente da altura e da velocidade de escoamento.       Figura 1.2 ‐ Erosão Localizada junto de Pilares de Pontes (adaptada de Melville e Coleman,  2000).   

De  acordo  com  Ramos  (1990),  as  erosões  localizadas  podem  desenvolver‐se  segundo  dois  tipos diferentes de condições de transporte sólido (Figura 1.3): 

i) Erosão sem transporte sedimentar, designada na literatura em língua inglesa por “clear‐

water scour”, que acontece quando não se verifica a reposição do material erudido, atingindo‐se 

um  valor  máximo  quando  já  não  houver  capacidade  de  remoção,  sendo  este  denominado  por  Couto (2005), como o valor de equilíbrio estático.  

ii) Erosão com transporte sedimentar, designada na literatura em língua inglesa por “live‐bed 

scour”,  que  se  caracteriza  pela  contínua  alimentação  da  cavidade  de  erosão  com  sedimentos 

provenientes  de  montante  do  leito  por  arrastamento  ou  em  suspensão.  Neste  tipo  de  erosão,  atinge‐se  um  equilíbrio  quando  a  capacidade  de  remoção  de  material  é  igual  à  capacidade  de  material  transportado  para  o  seu  interior  e  esta  situação  toma  a  denominação  de  equilíbrio  dinâmico. 

(24)

Ainda  na  Figura  1.3,  mostra‐se  a  evolução  temporal  da  profundidade  das  cavidades  de  erosão,  Couto  (2005).Ambas  as  situações  distinguem‐se  no  que  respeita  à  velocidade  de  atrito  junto ao fundo do escoamento não perturbado, tendo‐se no caso da figura da esquerda um valor  dessa  velocidade  inferior  à  velocidade  de  atrito  crítica  junto  ao  fundo  e  no  caso  da  figura  da  direita  o  inverso.  A  velocidade  de  atrito  crítica  caracteriza‐se  pelo  início  do  movimento  dos  sedimentos. O escoamento não perturbado é referido neste contexto como sendo o escoamento  de aproximação, ou seja, o escoamento no trecho do canal situado imediatamente a montante do  obstáculo.      Figura 1.3 ‐ Evolução temporal das profundidades de erosão com e sem transporte  generalizado (adaptada de Couto, 2005).   

  Do  ponto  de  vista  de  erudibilidade,  Ramos  (1990)  enuncia  também  que,  os  sedimentos  destes leitos podem ser classificados como coesivos ou não coesivos. Assim, nos sedimentos não  coesivos a resistência ao movimento depende não apenas das propriedades das partículas que o  constituem, tais como a forma, a granulometria e a densidade,mas também da posição relativa de  cada partícula em relação às que a rodeiam. No entanto, nos sedimentos coesivos essa resistência  depende também das forças de coesão entre partículas.   

(25)

1.2 A erosã na en F Anna respo África paíse   a 21% Consequê A  grande  qu ão fluvial e r ngenharia civ Fazendo  um dale  em  199 onsável máxi

a  do  Sul,  po es também p a) África do  Figura 1.4 ‐ 21% ências no Pa uantidade  de amificações  vil a nível mu ma  análise  d 93  e  aprese ima no que r dendo  mesm resentes no  Sul   Causas de d 30% 8% 20% 20% aís e no Mun e  trabalhos  d desta, reflec undial.  dos  gráficos ntado  (Anna respeita à ru mo,  como  di mesmo estu danos em po % % Erosão d Taludes Detritos Submers Estrutur Erosão 25% % 15% ndo  de  investiga cte bem a im s  objecto  de andale  2006 uína total ou 

iz  o  autor,  e udo.    c) Nova Ze ntes na Áfric de  são ral 40 16%

ção  que  se  mportância d e  conclusão )  na  Figura  parcial das  extrapolar‐se b) Estado elândia  ca do Sul, EU 19 0% 24% Erosã Talud Detri Subm Estru Erosã encontram  deste proble

  de  um  est 1.4,  conclui‐ pontes nos E e  essa  conclu

s Unidos da    UA e Nova Ze 22% 9% ão de  des itos mersão utural ão na  bibliogra ema e a sua  tudo  execut ‐se  que  a  er EUA, Nova Z usão  a  muito

América  elândia (adap % 5% 14% Erosã Talud Detrit Subm Estrut Erosã fia  sobre  presença  tado  por  rosão  é  a  elândia e  os  outros    ptada de  ão de  des tos mersão tural ão

(26)

Melville  e Coleman  (2000), referem que num  estudo realizado nos EUA sobre os danos em  pontes  devidos  a  cheias  ocorridas  entre  1964  e  1972,  se  apontava  em  cada  cheia  para  um  montante médio de 1 milhão de euros em danos. Referem ainda que na Nova Zelândia entre 1960  e 1984 se verificaram estragos significativos em 29 pontes, devido às erosões localizadas junto de  encontros de pontes.  Em Portugal, Couto (2005) menciona diversas situações consequentes da erosão, das quais se  destacam, a ruína da Ponte sobre o rio Alva junto à confluência com o rio Mondego e em 1994  problemas junto dos pilares da ponte da Gafanha.   Refira‐se também e em particular a Ponte José Luciano de Castro, sobre o Rio Mondego, em  Penacova,  que  teve  assentamentos  em  1979  no  pilar  central  e  em  1995  no  pilar  da  margem  esquerda  como  se  mostra  na  Figura  1.5.  Devido  a  estes  assentamentos,  sofreu  por  parte  das  entidades  responsáveis  grandes  alterações  a  nível  de  solução  estrutural  e  comportamento  estrutural (Estradas de Portugal 2007).  

 

 

Figura 1.5 ‐ Ponte José Luciano de Castro, 1979 (Estradas de Portugal, 2007).   

 Já  em  2001  assistiu‐se  à  ruína  total  da  ponte  Hintze  Ribeiro  sobre  o  rio  Paiva,  da  qual  resultaram 59 vítimas mortais fazendo com que as entidades competentes tomassem consciência  das possíveis consequências da erosão em pontes (ver Figura 1.6). 

(27)

 

Figura 1.6 ‐ Ponte Hintze Ribeiro, 2001 (ANMP – Associação Nacional de Municípios  Portugueses, 2007). 

 

1.3 Objectivos e Estrutura da Tese  

Os  objectivos  principais  deste  trabalho  são  conhecer  o  fenómeno  e  as  condicionantes  do  mesmo  através  da  análise  de  bibliografia  internacional  e  nacional.  Reunir  informação  no  que  respeita às soluções utilizadas na abordagem do dimensionamento de pontes ou na reabilitação  das  mesmas.  É  também  um  objectivo  deste  trabalho  trazer  para  Portugal  o  conhecimento  mais  recente  no  que  respeita  à  erosão  localizada  em  pilares  de  pontes  como  causa  principal  da  infraescavação dos mesmos.  

Como  estrutura  do  trabalho,  além  deste  capítulo  introdutório  onde  se  faz  a  síntese  de  conhecimentos  relativos  à  erosão  localizada  em  pilares  de  pontes,  é  constituída  por  mais  5  capítulos. 

No  capítulo  2  faz‐se  a  apresentação  dos  factores  que  têm  influência  na  profundidade  de  erosão junto dos pilares de pontes, assim como os desenvolvimentos nos mesmos até aos dias de  hoje. 

No capítulo 3 expõem‐se dois métodos de cálculo de profundidades de cavidades de erosão  que estão presentes na bibliografia e que são utilizados nos Estados Unidos da América e na Nova  Zelândia. 

No  capítulo  4  exibe‐se  uma  análise  paramétrica  de  sensibilidades  através  da  utilização  de  uma ferramenta informática, Excel que se traduz em variações de valores respeitantes a variáveis 

(28)

de  cálculo  de  profundidade  de  erosão  aplicadas  a  dois  problemas  distintos  existentes  na  bibliografia. Ainda no mesmo capítulo faz‐se a discussão dos resultados obtidos. 

No  capítulo  5  apresentam‐se  as  soluções  utilizadas  na  prevenção  de  erosões  localizadas,  assim como nas reabilitações de pontes, tanto no mundo como em Portugal. 

No  capítulo  6  apontam‐se  os  objectivos  conseguidos,  a  discussão  sucinta  dos  resultados  obtidos,  as  considerações  finais  deste  trabalho  e  a  delineação  das  directrizes  para  futuros  desenvolvimentos do tema. 

A dissertação inclui dois anexos onde se inclui uma tabela que mostra os factores influentes  na erosão localizada e um dimensionamento de uma solução de tapete de enrocamento. 

(29)

2 FACTORES QUE INFLUENCIAM  A EROSÃO LOCALIZADA   

Neste  capítulo  apresentam‐se  de  forma  mais  pormenorizada  os  efeitos  que  os  diferentes  factores  têm  na  erosão  localizada  de  pilares,  mais  directamente  na  profundidade  das  cavidades  de erosão junto dos pilares das pontes.  

Os  processos  erosivos  têm  normalmente  lugar  aquando  das  cheias,  visto  haver  aumentos  significativos dos caudais e das velocidades de escoamento, assim como, maior probabilidade de  transporte de sedimentos e detritos.   Segundo Ramos (1990), a erosão localizada é um fenómeno muito complexo e dependente  de muitos factores com naturezas distintas, tais como, hidráulica, sedimentológica, topográfica e  geométrica.   Em Melville e Coleman (2000), exibe‐se uma tabela que mostra de forma sintética os factores  de  que  depende  a  erosão  localizada,  Tabela  I.1  presente  no  anexo  I.  De  salientar  que  estes  factores são aceites e referenciados pela generalidade dos autores que estudam este fenómeno.  Contudo,  denotam‐se  grandes  dificuldades  em  isolar  e  dar  as  relativas  importâncias  aos  efeitos  dos diversos factores neste tipo de erosão. 

Como  complemento  da  Tabela  I.1,  não  se  pode  desprezar  o  homem  como  factor,  pois  a  acção  deste  na  construção  de  barragens  para  produção  de  energias,  nas  práticas  culturais  nas  bacias  hidrográficas,  nas  dragagens,  nas  derivações  de  caudais  para  fins  agrícolas,  domésticos,  industriais  e  nas  modificações  de  traçado  dos  leitos  e  mesmo  quando  efectua  acções  de  manutenção  e reparação das estruturas, influencia  em grande escala a ocorrência de erosão ao  longo dos cursos de água dos rios ou junto às diferentes infra‐estruturas já referenciadas.      2.1 Efeito da Intensidade de Escoamento  A erosão como já referido na parte inicial deste trabalho pode existir em escoamentos com  e sem transporte sedimentar e em leitos constituídos por sedimentos uniformes (

σ

g <1, 3 1, 5− ) 

(30)

e sedimentos não uniformes (

σ

g >1, 3). De notar que não existe uma fronteira bem “delineada”  entre sedimentos uniformes e não uniformes. 

A  erosão  em  escoamentos  sem  transporte  sedimentar  e  com  leitos  constituídos  por  sedimentos  uniformes  ocorre  quando 

V V

c

<

1

,  em  que 

V

  representa  a  velocidade  de  escoamento e 

c

V

 a velocidade de início de transporte para este tipo de sedimentos (velocidade  crítica),  designada  na  literatura  em  língua  inglesa  por  “Threshold  velocity”.  Visto  não  existir  transporte  sedimentar,  neste  tipo  de  escoamentos,  não  há  fornecimento  de  sedimentos  provenientes  de  montante  para  preenchimento  da  cavidade  de  erosão.  Estas  condições  de  escoamento  verificam‐se  normalmente  junto  ao  fundo  dos  leitos  de  cheia  do  rio  (zonas  com  menores alturas de escoamento e por isso com menores tensões de arrastamento e consequente  menor capacidade de transporte).  

A  erosão  em  escoamentos  com  transporte  sedimentar  e  com  leito  constituído  por  sedimentos  uniformes  ocorre  quando 

V V

c

>

1

.  Neste  tipo  de  escoamentos,  verifica‐se  a  constante “alimentação” da cavidade de erosão por sedimentos em movimento provenientes de  montante. 

A  erosão  em  escoamentos  sem  transporte  sedimentar  e  com  leito  constituído  por  sedimentos não uniformes ocorre quando 

V V

a

<

1

, em que 

V

arepresenta a velocidade de início  de  transporte  para  este  tipo  de  sedimentos  e  é  designada  na  literatura  em  língua  inglesa  por  “Armour velocity”.  

Assim, 

V

c e 

V

a têm significados equivalentes correspondentes a velocidades críticas, visto  ambas serem velocidades de início de transporte mas aplicam‐se para granulometrias diferentes  de sedimentos. 

O cálculo de 

V

a requer o conhecimento do 

d

max (diâmetro máximo dos sedimentos). Em 

prática, 

d

90  (ou  um  diâmetro  similar)  pode  ser  utilizado  no  lugar  de 

d

max,  visto  que  este  em  condições normais é desconhecido (Figura 2.1).  

(31)

 

Figura 2.1 ‐ Curvas granulométricas que caracterizam os sedimentos do leito (adaptada de  Melville e Coleman, 2000). 

 

Em  escoamentos  sem  transporte  sedimentar  com  sedimentos  uniformes,  a  profundidade  de erosão aumenta quase linearmente com a velocidade de escoamento, V até ao valor limite de 

threshold velocity. Para esta velocidade, verifica‐se a profundidade máxima de erosão, sendo esta 

denominada na literatura em língua inglesa por “threshold peak”, Figura 2.2. Quando a velocidade  excede a threshold velocity, o escoamento passa a ter transporte sedimentar e a profundidade de  erosão  decresce  numa  primeira  fase  e  volta  a  aumentar  até  um  segundo  pico  denominado  na  literatura  em  língua  inglesa  por  “live‐bed  peak”.  De  salientar  que  estas  alterações  na  profundidade  de  erosão  são  relativamente  pequenas,  mas  a  profundidade  máxima  já  obtida  (threshold peak) não é excedida. 

Como se deduz da Figura 2.2, quando os sedimentos são não uniformes o threshold peak  baixa  de  valor  passando  a  denominar‐se  na  literatura  em  língua  inglesa  por  “armour  peak”  e  o 

live‐bed peak passa a ser a profundidade máxima de erosão. Esta redução do valor de threshold  peak para o armour peak deve‐se à redução de sedimentos finos em relação aos grossos quando 

o escoamento é sem transporte sedimentar (

V V

a

<

1

) e este efeito é designado na literatura em  língua  inglesa  por  “armouring”.  Este  corresponde  aos  sedimentos  mais  grosseiros  que  permanecem  sem  ser  transportados,  formando‐se  no  topo  do  leito  e  por  vezes  também  no  interior  da  cavidade  de  erosão,  tendo  um  comportamento  similar  ao  de  uma  camada  de  enrocamento natural. Daí a redução da profundidade de erosão. 

(32)

 

Figura 2.2 ‐ Variações da profundidade de erosão devidas à intensidade de escoamento (adaptada  de Melville e Coleman, 2000). 

 

O  live‐bed  peak  é  sensivelmente  o  mesmo,  seja  para  sedimentos  uniformes  ou  não  uniformes  e  é  atingido  aquando  da  evolução  das  configurações  de  fundo  que  resultam  do  transporte sedimentar que está directamente dependente da intensidade de escoamento. 

Coelho (2006) diz que, uma vez iniciado o transporte sólido, o escoamento da água sobre  um fundo móvel interactua com ele, alterando‐o e evoluindo‐o sob diferentes configurações do  fundo. É possível relacionar as configurações de fundo com a relação entre as forças de inércia e  as forças de gravidade, ou seja, com o número de Froude (

Fr

) do escoamento. 

(33)

  Figura 2.3 ‐ Configurações de Fundo (adaptada de Melville e Coleman, 2000).    Diz também que, alguns dos tipos de configurações de fundo só ocorrem para escoamentos  em que o Fr toma valores inferiores a cerca de 1, ou seja, escoamentos em regime lento. Outros  só são compatíveis com escoamentos em regime rápido ou próximo do regime crítico. 

Considerando  um  escoamento  com  profundidade  constante  e  com  velocidades  sucessivamente  crescentes,  sobre  um  fundo  de  areia  inicialmente  plano,  e  admitindo  que  o  tempo  de  permanência  do  escoamento  com  determinada  velocidade  é  suficiente  para  se  desenvolverem as correspondentes configurações de fundo, estas teriam a seguinte sucessão:  i) Leito Plano Inferior  ii) Rugas  iii) Dunas   iv) Leito Plano Superior  v) Antidunas 

Coelho  (2006)  refere  ainda  que  o  caudal  sólido  é  previsivelmente  maior  à  medida  que  se  desenvolve a sequência de configurações do fundo apresentada. Não se conhece nenhuma teoria  genericamente aceite no que respeita aos mecanismos de formação das configurações do fundo.  

(34)

A  dimensão  das  configurações  de  fundo  também  tem  sido  estudada,  com  o  principal  objectivo de caracterizar a resistência ao escoamento. Principalmente no que se refere à altura de  dunas e antidunas (porque podem ser da ordem de grandeza da altura do escoamento, y), sendo  que  a  dimensão  destas  formas  pode  afectar  aumentando  as  profundidades  das  cavidades  de  erosão junto a pilares de pontes.      Figura 2.4 ‐ Evolução da profundidade de erosão no tempo e nas condições de escoamento  (adaptada de Melville e Coleman, 2000).   

Como  se  pode  constatar  na  Figura  2.4,  o  equilíbrio  é  atingido  mais  rapidamente  sob  condições  de  presença  de  transporte  sedimentar  do  que  sem  transporte  sedimentar.  Assim, o 

(35)

escoamentos sem transporte sedimentar com duração suficiente de forma a se atingir o threshold  peak.      2.2 Efeito da Altura de Escoamento  Este efeito é representado pela influência que a relação entre a altura de escoamento y  e  a largura do pilar 

b

 tem na profundidade da cavidade de erosão. Isto porque, esta relação 

y b

  permite a classificação dos processos erosivos que se irão desenvolver.  Para grandes alturas de escoamento comparadas com a largura do pilar, a profundidade de  erosão aumenta proporcionalmente com a largura do pilar e é independente de y . Isto porque, a  energia  do  vórtice  em  ferradura  e  o  escoamento  descendente  associado  ao  vórtice,  estão  relacionados com a largura do pilar e não com a altura de escoamento (Figura 2.5.). 

Inversamente,  para  baixas  alturas  de  escoamentos  comparadas  com  a  largura  do  pilar,  a  profundidade de erosão, aumenta proporcionalmente com o valor de yindependentemente do  valor  de 

b

.  Já  para  alturas  de  escoamento  intermédias,  a  profundidade  de  erosão  depende  de  ambos os valores (

b

 e y ) (Figura 2.5.). 

Por exemplo, o valor máximo da profundidade de erosão junto de um pilar circular fino é  aproximadamente  igual  a  2, 4b  (em  que 

b

  representa  neste  caso  o  diâmetro  do  pilar)  independentemente  da  altura  de  escoamento  (Melville  e  Coleman,  2000).  Contudo,  com  a  diminuição  da  altura  de  escoamento  (para  pilares  largos),  a  profundidade  de  erosão  poderá  eventualmente tornar‐se independente de 

b

 

(36)

 

Figura 2.5 ‐ Variação das profundidades de erosão para alturas de escoamento intermédias  (adaptada de Melville e Coleman, 2000). 

 

Em  pilares  largos,  no  centro  da  face  virada  a  jusante,  onde  o  movimento  do  fluido  é  reduzido,  a  erosão  também  é  reduzida  e  esta  zona  torna‐se  ineficaz  na  formação  de  processos  erosivos.  A  Figura  2.6,  resultante  de  ensaios  laboratoriais  em  paredes  finas  que  podem  ser  equipadas a pilares largos, mostra um estado avançado da erosão localizada. Nesta mesma figura,  pode visualizar‐se a formação de duas cavidades de erosão junto a cada face lateral e cantos do  pilar. 

(37)

  Figura 2.6 ‐ Erosão junto de um pilar largo (adaptada de Melville e Coleman, 2000).    Para pilares de larguras médias (ou alturas de escoamento médias) a altura de escoamento  influencia a profundidade de erosão quando o vórtice em ferradura ou o vórtice descendente são  afectados pela formação de um vórtice de superfície designado na literatura em língua inglesa por 

“surface  roller”.  Os  vórtices  têm  direcções  opostas  à  rotação.  Em  princípio,  enquanto  não 

interagem mutuamente, a profundidade de erosão é independente da altura de escoamento, isto  é, a erosão desenvolve‐se junto de pilares menos largos ou finos. Com a diminuição da altura de  escoamento, o vórtice de superfície torna‐se mais dominante e  os vórtices que se desenvolvem  na base do pilar, tornam‐se incapazes de mover sedimentos. Assim, a profundidade de erosão é  reduzida para baixas alturas de escoamento.       2.3 Efeito da Dimensão dos Sedimentos do Leito 

Para  sedimentos  uniformes,  a  profundidade  de  erosão  localizada  não  é  afectada  pela  variação  da  dimensão  dos  mesmos  a  não  ser  que  os  sedimentos  sejam  constituídos  por  grãos  muito  grossos.  Muitos  investigadores  que  efectuaram  ensaios  em  laboratório  afirmam  que  os  dados obtidos mostram que existe influência na profundidade de erosão aquando da variação da 

(38)

dimensão  dos  sedimentos  se 

b d

/

50

<

50

  (sedimentos  grosseiros)  como  se  pode  visualizar  na  Figura 2.7.  

Para erosão localizada em pilares, Ettema referiu em 1980 que para pequenos valores da  relação 

b d

/

50,  os  grãos  são  grandes  relativamente  à  escavação  efectuada  pelo  escoamento  descendente e a erosão é impedida porque o leito poroso dissipa parte da energia do escoamento  descendente. Quando 

b d

50

<

8

, os grãos são tão grandes relativamente aos pilares que a erosão  é acima de tudo devida à erosão nas partes laterais do pilar, fazendo  com que a erosão no seu  global seja reduzida.      Figura 2.7 ‐ Variação da profundidade de erosão com a granulometria dos sedimentos (adaptada  de Melville e Coleman, 2000).   

(39)

2.4 Efeito da Uniformidade dos Sedimentos traduzida pelo Coeficiente de Graduação 

σ

g   A  Figura  2.2  mostra  a  evolução  do  estudo  feito  até  aos  dias  de  hoje  relativamente  à  influência da uniformidade ou não uniformidade dos sedimentos na profundidade de erosão. 

Junto  das  condições  de  threshold  (

V V

c

1

),  o  armouring  ocorre  sobre  o  leito  de  escoamento  de aproximação e na  base da  cavidade de  erosão. Este enrocamento  natural reduz  significativamente  a  profundidade  de  erosão.  De  modo  inverso,  para  valores  grandes  de 

V V

c,  quando  o  escoamento  é  capaz  de  deslocar  os  maiores  grãos  dentro  de  um  conjunto  de  sedimentos não uniformes, a não uniformidade de sedimentos tem sempre um menor efeito na  profundidade  de  erosão.  Já  para  valores  intermédios  de 

V V

c,  o  efeito  do  coeficiente  de  graduação  reduz  progressivamente  com  o  aumento  da  velocidade  de  escoamento,  enquanto  a  quantidade de grãos transportados pelo escoamento aumenta.      2.5 Efeito da Forma dos Pilares  Os apoios que podem suportar os tabuleiros das pontes podem ser de vários tipos sendo  que nesta síntese de conhecimentos se analisam os pilares com variadíssimas formas e tipologias,  como se mostra na Figura 2.8 e na Figura 2.9. 

As  profundidades  de  erosão  dependem  da  obstrução  que  os  diferentes  obstáculos  fazem  ao  escoamento.  Para  se  poder  fazer  qualquer  comparação  de  dados  de  diferentes  trabalhos  laboratoriais  referentes  a  diferentes  formas  de  pilares,  considerou‐se  uma  forma  de  pilar  standard,  sendo  esta  a  forma  circular.  Os  efeitos  das  outras  formas  são  tidos  em  conta  multiplicando diferentes factores de forma em relação à forma standard. 

(40)

 

Figura 2.8 ‐ Formas de pilares usuais (adaptada de Melville e Coleman, 2000).   

Os  factores  para  pilares  uniformes,  isto  é,  com  secção  constante  em  toda  a  sua  altura,  foram propostos por muitos autores de investigações nesta matéria (Tabela 2.1). No entanto, os  factores  de  forma  só  têm  significado  real  quando  o  escoamento  tem  a  direcção 

θ

=

0

o.  Isto  porque, uma pequena inclinação na direcção do escoamento irá eliminar qualquer efeito benéfico  que a hidrodinâmica da forma do pilar possa ter.      Figura 2.9 ‐ Tipos de pilares (adaptado de Melville & Coleman, 2000).     Os pilares não uniformes incluem pilares fundados em maciços e sapatas, assim como pilares  de secção variável como se mostra na Figura 2.10. Para os pilares não uniformes, as estimativas  de erosão são baseadas respectivamente na largura do pilar e das fundações, sendo que além da  largura  das  fundações  há  que  avaliar  também  a  altura  e  a  velocidade  do  escoamento  junto  do  topo da fundação.  

(41)

 

Figura 2.10 ‐ Exemplos de pilares não uniformes (adaptada de Melville e Coleman, 2000). 

 

Para pilares de secção variável, também estes não uniformes, a inclinação da variação tem  influência  na  erosão  localizada.  Com  a  secção  menor  como  base  do  pilar  ter‐se‐á  maiores  profundidades de erosão em relação a um pilar standard com a mesma largura (diâmetro) e vice‐ versa.  Os  factores  relativamente  a  estas  formas  de  pilares  (de  secção  variável)  foram  desenvolvidos  por  diferentes  investigadores  que  contribuíram  com  diferentes  ensaios  laboratoriais, dos quais se referem Neill em 1973, Chiew em 1984 e mais recentemente Breusers  e Raudkivi em 1991.         

(42)

Tabela 2.1 ‐ Factores para pilares uniformes (pilares alinhados com o escoamento). 

 

 

Para  pilares  fundados  em  sapata,  maciço  ou  estacas,  com  o  topo  da  fundação  abaixo  do  nível do leito, a fundação pode ser determinante na redução da erosão localizada. No entanto, se  o  topo  destas  fundações  se  encontrar  à  mesma  cota  do  leito  ou  ainda  acima  deste,  a  presença  destas fundações terá um efeito pejorativo na profundidade de erosão. Então, a não ser que se  possa  prever,  é  perigoso  confiar  que  estas  fundações  se  mantenham  abaixo  do  nível  do  leito  durante o tempo de vida da ponte. 

Assim,  podem  descrever‐se  diferentes  casos  de  fundação  como  se  mostra  na  Figura  2.11,  sendo que serão abordados e analisados variadas vezes ao longo deste trabalho:  ¾ Caso I, onde o topo das fundações se mantém abaixo da cota do leito;  ¾ Caso II, onde o topo das fundações se encontra exposto na cavidade de erosão;  ¾ Caso III, onde as fundações e o topo destas se encontram acima da cavidade de erosão  mas abaixo do nível do escoamento; e  ¾ Caso IV, onde o topo das fundações se encontra acima do nível do escoamento. 

(43)

 

Figura 2.11 ‐ Variação da profundidade de erosão para pilares não uniformes (adaptada de  Melville e Coleman, 2000). 

 

Para o Caso I, a profundidade de erosão é inalterada pela presença das fundações enquanto  para  o  Caso  II,  a  erosão  localizada  é  reduzida  devido  a  estas  interceptarem  o  escoamento  descendente oferecendo um efeito benéfico. Já no Caso III, existe um aumento da erosão com a 

(44)

Na  Figura  2.11, Y representa  a  distância  entre  o  topo  da  fundação  e  a  cota  do  leito,  sendo  que este valor é positivo em sentido ascendente e negativo em sentido contrário.  Melville e Raudkivi em 1996 elaboraram um estudo detalhado de erosão localizada para um  pilar circular não uniforme, de diâmetro D e com uma fundação também circular e de diâmetro  * D , Figura 2.12. A relação 

D D

*variava entre 0,12 e 1 em relação aos quatro diferentes casos  de  posição  do  topo  da  fundação  atrás  referidos.  A  conclusão  deste  estudo  diz  que,  a  erosão  induzida  pelo  pilar  uniforme  equivalente  (com  largura  ou  diâmetro, 

b

e)  ao  pilar  não  uniforme  induz no mínimo a mesma profundidade de erosão que o pilar não uniforme.      Figura 2.12 – Influência da não uniformidade dos pilares na profundidade de erosão localizada  (adaptada de Melville e Coleman, 2000).   

Para  o  estudo  da  erosão  localizada  junto  a  pilares  fundados  em  estacas  e  onde  o  topo  do  maciço de encabeçamento está claramente acima do nível do escoamento (Caso V), Hannah em  1978  descobriu  que  a  máxima  profundidade  de  erosão  estava  relacionada  com  a  dimensão  do  grupo de estacas como um todo. Assim, recomenda‐se preferencialmente a utilização de uma fila  de  estacas  no  lugar  de  pilares  para  escoamentos  com  ângulos  de  aproximação  aos  mesmos  superiores a 

(45)

2.6 Efeito da Direcção do Escoamento  

A  profundidade  de  erosão,  para  todas  as  diferentes  formas  excepto  a  circular,  é  muito  dependente  da  direcção  do  escoamento  traduzida  pelo  ângulo  de  ataque  do  mesmo, 

θ

  (Figura  2.13). Esta dependência aumenta com o incrementar da largura efectiva do pilar.  

Laursen e Toch’s em 1956 desenvolveram o gráfico que se mostra na Figura 2.13 e este é  utilizado na maior parte dos métodos de cálculo de profundidades de erosão. Os valores de 

K

θ ,  correspondente  ao  factor  de  alinhamento  do  pilar  em  relação  à  direcção  do  escoamento,  são  obtidos  normalizando  os  valores  para 

θ

=

.  O  gráfico  refere‐se  a  pilares  rectangulares,  no  entanto, com bom senso pode ser utilizado para outras formas de pilares.      Figura 2.13 ‐ Variação da profundidade de erosão devido ao alinhamento do pilar em relação ao  escoamento (adaptada de Melville e Coleman, 2000).   

A  Figura  2.13 representa  bem  a  importância  que  a  direcção  do  escoamento  tem  na  profundidade  de  erosão.  Por  exemplo,  a  profundidade  de  erosão  junto  a  pilares  rectangulares  com 

l b

=

8

 é aproximadamente o triplo para um ângulo de ataque (ângulo que o escoamento 

faz com a linha que define a simetria do pilar) ao pilar de 

30º

 do que para o mesmo pilar mas 

(46)

para  canais  com  alguma  sinuosidade.  O  uso  de  pilares  circulares,  estacas  alinhadas  ou  outras  formas  de  baixa  relação  comprimento‐altura  onde  são  possíveis  alterações  na  direcção  de  escoamento, é benéfico. 

 

 

2.7 Efeito da Geometria do Canal de Aproximação 

O  efeito  da  geometria  do  canal  de  aproximação  (secção  do  canal  imediatamente  a  montante do pilar em estudo) assenta nas várias influências que as características do canal têm  na  profundidade  de  erosão  localizada,  especialmente  se  este  diferir  muito  de  um  canal  rectangular, normalmente utilizado em testes laboratoriais.  

Os canais utilizados nos ensaios laboratoriais são rectangulares, por isso, a maior parte dos  resultados  desses  ensaios  relativamente  a  profundidades  de  erosão  localizada  referem‐se  a  secções transversais com essa geometria. No entanto, os canais dos rios, não são rectangulares,  isto é, são constituídos por diferentes formas.   Este parâmetro é considerado por incorporar os efeitos das características seguintes:  ¾ A secção transversal no canal de aproximação;  ¾ A distribuição transversal da velocidade de escoamento a montante do pilar;  ¾ A distribuição da rugosidade das margens e fundos do canal a montante do pilar;  ¾ O  efeito  da  forma  da  secção  do  canal  de  aproximação  no  parâmetro 

V V

c

considerando um escoamento uniforme em secção rectangular. 

A  geometria  do  canal  não  é  muito  importante  para  o  estudo  da  profundidade  de  erosão  junto a pilares desde que as velocidades e as alturas de escoamento utilizadas nos cálculos para  estimar a profundidade representem o escoamento de aproximação do pilar. 

 

(47)

2.8 Efeito do Tempo 

Em  escoamentos  sem  transporte  sedimentar,  a  profundidade  de  erosão  desenvolve‐se  assimptóticamente em direcção à profundidade de erosão de equilíbrio. Já em escoamentos com  transporte  sedimentar,  a  profundidade  de  erosão  de  equilíbrio  é  atingida  mais  rapidamente  e  depois  disso  oscila  devido  à  constante  e  dinâmica  entrada‐saída  de  sedimentos  da  cavidade  de  erosão, Figura 2.4. 

Para  que  se  possam  obter  condições  de  equilíbrio  em  pequena  escala,  em  ensaios  laboratoriais  com  escoamentos  sem  transporte  sedimentar,  é  necessário  desenvolver  testes  durante  muitos  dias.  Resultados  obtidos  para  tempos  inferiores  a  10  ou  12  dias,  podem  exibir  profundidades  em  valores  50%  inferiores  ao  valor  da  profundidade  de  equilíbrio  (Melville  e  Coleman, 2000). 

A maior parte das equações para o cálculo da profundidade de erosão determinam o valor  da  profundidade  de  equilíbrio  considerando  o  efeito  conservativo  do  tempo.  No  entanto,  onde  existam  escoamentos  sem  transporte  sedimentar,  a  profundidade  de  equilíbrio  poderá  ser  demasiadamente conservativa. 

A evolução da cheia e seu comportamento é tão importante quanto o tempo de duração da  mesma.  Normalmente,  a  duração  da  cheia  determina  se  a  profundidade  de  equilíbrio  em  escoamentos com transporte sedimentar se irá atingir. 

Após  o  pico  de  cheia  o  escoamento  retrocede.  A  duração  desta  recessão  é  também  ela  muito importante, pois com esta, escoamentos com transporte sedimentar podem imperar o que  poderá induzir erosões adicionais, especialmente se as condições próximas do limite de threshold  se mantiverem durante demasiado tempo. 

Na Figura 2.14 exibe‐se o aumento assimptótico para 

d

se (profundidade de equilíbrio) da  profundidade  de  erosão  em  escoamentos  sem  transporte  sedimentar.  As  curvas  presentes  na  mesma figura, revelam que a profundidade de erosão para os mesmos valores de 

t t

e(onde 

t

e é  o  tempo  de  desenvolvimento  da  profundidade  de  equilíbrio)  são  reduzidos  para  valores  mais  baixos de 

V V

c

(48)

 

Figura 2.14 ‐ Evolução da profundidade de erosão junto dos pilares, sob condições sem transporte  sedimentar (adaptada de Melville e Coleman, 2000). 

 

Em 1997, Melville e Chiew descobriram que ambos 

t

e e 

d

se estão sujeitos a influências por  parte do escoamento e das propriedades dos sedimentos. Os resultados deste estudo consistiram  em revelar as dependências adimensionais de tempos de equilíbrio  *

e

t =Vt D, de espessuras de  escoamento 

y D

,  de  intensidades  de  escoamento 

V V

c  e  da  granulometria  dos  sedimentos 

presentes no leito 

D d

50 e podem observar‐se na Figura 2.15. 

Assim,  o  tempo  de  equilíbrio  aumenta  para  baixos  valores  de  altura  de  escoamento,  mas  torna‐se independente desta para valores superiores da mesma. O aparente limite da influência  da  espessura  de  escoamento  em  *

t acontece  para 

y D

6

.  O  valor  máximo  de  *

t   é  sensivelmente  5 25 10× . O diagrama intermédio presente na mesma figura mostra que o tempo  de equilibro aumenta rapidamente em escoamentos sem transporte sedimentar, atingindo o seu  valor máximo para escoamentos limite de transporte sedimentar. Com o aumento do transporte  sedimentar, espera‐se que rapidamente decresça  * t . Já o último diagrama apresenta a evolução  assimptótica do valor de t* com o aumento de 

D d

50. O limite da influencia da granulometria 

(49)

 

(50)

2.9 Efeito do Número de Froude Fr  

O  efeito  do  número  de  Froude  apresenta‐se  nesta  fase  do  trabalho  como  referência  aos  efeitos de escala nos estudos em laboratório. 

Em 1998, Ettema entre outros apresentou alguns dados que sugeriam que a profundidade  de erosão junto aos pilares não é linearmente dependente da largura dos mesmos a não ser que  haja  uma  ligeira  semelhança  geométrica  do  pilar,  escoamento  e  sedimentos  do  leito.  A  não  linearidade  pode  acontecer  nos  estudos  laboratoriais  levando  a  valores  da  relação  da  profundidade de erosão como a largura do pilar muito superiores, ao que normalmente acontece 

in situ. 

Muitos  destes  estudos  laboratoriais  foram  efectuados  utilizando  areias  para  modelar  os  leitos  dos  rios.  Consequentemente,  o  material  do  modelo  relativamente  ao  tamanho  do  pilar  é  maior  do  que  seria  in  situ.  Para  se  assegurar  a  semelhança  do  estado  de  mobilidade  dos  sedimentos do leito é necessário que se mantenha no modelo em laboratório e no protótipo in 

situ,  o  valor  de 

V V

c  constante,  implicando  deste  modo,  que  a  velocidade  utilizada  em  laboratório  possa  ser  maior  do  que  a  resultante  da  semelhança  de  Froude.  Daí,  o  número  de  Froude para o modelo em laboratório ser maior do que corresponderia ao número de Froude do  protótipo, ou seja, a semelhança de Froude não é respeitada. 

Semelhanças de escoamento, requerem que se mantenham condições de tal forma que as  pressões  a  jusante  variem  directamente  com  a  geometria  do  pilar  modelo  em  laboratório,  em  relação ao pilar in situ. Um pilar fino irá induzir um valor inferior de 

d b

s  quando comparado a  um pilar largo no mesmo escoamento in situ.  

Mas,  são  insuficientes  os  resultados  apresentados  por  Ettema  em  1998  que  visavam  quantificar a influência do número de Froude na erosão localizada junto de pilares. Mesmo assim,  estes  mostraram  que  utilizar  2, 4b  como  valor  máximo  da  profundidade  de  erosão  junto  de  pilares é conservativo, para todos os pilares que sejam mais largos que 0,1 m. 

(51)

3 MÉTODOS DE CÁLCULO DA PROFUNDIDADE DE EROSÃO   

3.1 Generalidades 

O dimensionamento das pontes com vista à prevenção da erosão localizada junto aos pilares  das  mesmas  assim  como,  o  dimensionamento  das  soluções  de  reabilitação,  deve  ser  sempre  acompanhado do cálculo da profundidade máxima das cavidades de erosão para as condições in 

situ.  Assim,  complementam‐se  informações  sobre  as  condições  existentes,  podendo  determinar 

de uma forma ainda mais completa qual a melhor solução a escolher.  

Existem variadíssimas formulações empíricas para estimativas da profundidade das cavidades  de  erosão,  sustentadas  por  modelos  numéricos  e  dados  de  campo  (não  muito  frequentes  para  todo o tipo de pilares) com diferentes aplicabilidades. As discrepâncias verificadas nos resultados  obtidos  por  estas  formulações  devem‐se  à  difícil  reprodução  na  modelação  física  (efeitos  de  escala)  em  laboratório  dos  movimentos  de  escoamento,  da  densidade  e  dimensão  dos  sedimentos do leito, da localização da ponte entre outros factores que condicionam a existência e  o tipo de erosão presente ou de provável ocorrência.  

Tem‐se  denotado  uma  crescente  preocupação  na  aplicabilidade  destas  formulações,  visto  que  se  verificam  por  vezes,  subestimações  de  profundidades  máximas  de  cavidades  de  erosão  (Couto  2005).  Isto  deve‐se  muito  ao  facto  de  haver  dificuldades  na  recolha  de  dados  para  calibração  dos  modelos  de  análise  numérica.  Estas  recolhas  efectuam‐se  durante  as  cheias  e  nestas,  não  só  os  caudais  de  ponta  são  muito  curtos,  não  permitindo  facilmente  a  criação  de  cavidades de erosão, como se verifica nas fases finais das mesmas cheias, um preenchimento das  cavidades  de  erosão  com  sedimentos  presentes  no  escoamento.  Ou  seja,  existe  formação  de  cavidades durante a cheia, mas a própria cheia no seu final preenche as cavidades, fazendo com  que não seja possível uma análise das profundidades dessas mesmas cavidades.  

Contudo,  há  que  notar  que  foi  graças  à  utilização  destes  modelos  de  análise  numérica  e  devido também aos acidentes com pilares de pontes (mais comuns e mais gravosos que do que os  acidentes  com  encontros),  que  se  verificaram  nos  últimos  anos,  grandes  passos  no  sentido  da  evolução na análise e compreensão do fenómeno da erosão junto dos pilares. 

Referências

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