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Relatório de Estágio Profissional - A AÇÃO COMO ELEMENTO CENTRAL DO SABER SER PROFESSOR DE EDUCAÇÃO FÍSICA

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A AÇÃO COMO ELEMENTO CENTRAL DO SABER SER PROFESSOR DE EDUCAÇÃO FÍSICA

RELATÓRIO DE ESTÁGIO PROFISSIONAL

Relatório de Estágio Profissional apresentado à Faculdade de Desporto da Universidade do Porto com vista à obtenção do 2º Ciclo de estudos conducente ao grau de Mestre em Ensino de Educação Física nos Ensinos Básico e Secundário conforme o Decreto-lei nº 74/2006 de 24 de Março e o Decreto-lei 43/2007 de 22 de Fevereiro.

Orientador:

Dr. Tiago Manuel Tavares de Sousa

JOAQUIM RICARDO COSTA MONTEIRO Porto, setembro de 2014

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FICHA DE CATALOGAÇÃO

Monteiro, J.R.C. (2014) A Ação como Elemento Central do Saber Ser Professor de Educação Física. Relatório de Estágio Profissional, Porto: R. Monteiro. Relatório de Estágio Profissionalizante para a obtenção do grau de Mestre em Ensino de Educação Física nos Ensinos Básico e Secundário, apresentado à Faculdade de Desporto da Universidade do Porto.

Palavras-chave: EDUCAÇÃO FÍSICA, ESTAGIÁRIO PROFISSIONAL, ESTÁGIO PROFISSIONAL, TUTORIA, COMUNIDADE EDUCATIVA

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III AGRADECIMENTOS

À minha Mãe, Maria da Conceição, e a minha avó Maria de Fátima, as mulheres da minha vida, devo-lhes tudo.

À minha namorada, pelo apoio incondicional.

Aos meus grandes amigos Luís Moreira e Tiago Nunes.

Ao professor cooperante de estágio, professor Fernando Vaz, um obrigado por tudo, agradeço-lhe alguma parte adulta que me incutiu, hoje sei como dar valor á vida.

Ao orientador Tiago Sousa! Encarar os desafios, entregar-nos aos compromissos, lutar para conseguir, fazer para crer, confronto e honestidade...Um obrigado, pelas dicas, pelos caminhos a seguir e a forma simples como me ensinou. Admiro a sua entrega ao seu trabalho, um profissional.

À Direção da Escola Básica 2,3 de Sobreira.

Ao meu colega, companheiro, motivador e amigo Paulo Sousa que me acompanhou desde o início até ao fim deste estágio, aprendi muitas coisas contigo.

A todos os meus amigos que me apoiam.

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ÍNDICE GERAL

AGRADECIMENTOS ... III ÍNDICE GERAL ... IV ÍNDICE DE ANEXOS ... VI ÍNDICE DE FIGURAS ... VII RESUMO... VIII ABSTRACT ... X ABREVIATURAS ... XI 1. INTRODUÇÃO ... 1 2. ENQUADRAMENTO PESSOAL ... 5 2.1. O meu trajeto ... 7

2.2 Oportunidades e Expetativas em relação ao Estágio Profissional ... 10

3. ENQUADRAMENTO DA PRÁTICA PROFISSIONAL ... 13

3.1 A Enquadramento Legal e Institucional ... 15

3.2 Enquadramento funcional ... 16

3.2.1 A Escola Básica 2,3 de Sobreira ... 16

3.2.2 O Grupo de Educação Física e Diversos Intervenientes ... 18

3.2.3 A minha turma ... 22

4. REALIZAÇÃO DA PRÁTICA PROFISSIONAL ... 25

4.1. Organização e Gestão do Ensino e da Aprendizagem ... 27

4.1.1 O professor de Educação Física em Estágio Profissional ... 27

4.1.2. Planeamento em 3 escalas ... 29

4.1.3 Realização ... 34

4.1.3.1 Evolução do processo pedagógico ... 35

4.1.3.2 Técnicas e estilos de ensino ... 36

4.1.3.4 Desenvolvimento de Capacidade Físicas – o Fitnessgram® ... 42

4.1.4. Comunicação em contexto escolar ... 44

4.1.5. Diferenciação pedagógica ... 48

4.1.6. A tutoria na aula de Educação Física na intervenção sobre comportamentos de um aluno com Necessidades Educativas Especiais: um estudo de caso. ... 52

4.1.7. Avaliação e Controlo ... 75

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4.2. Participação na Escola e Relações com a Comunidade ... 77

4.2.1 Atividades Desenvolvidas ... 78

4.2.1.1 Desporto Escolar ... 79

4.2.1.2 Feira de São Martinho e Trikes ... 82

4.2.1.3 Atividades do Atletismo ... 84

4.2.1.4. Atividades de final de período ... 88

4.2.1.4.1. 1º Período ... 88

4.2.1.4.2. 2º Período ... 90

4.2.1.4.3. 3º Período ... 92

4.2.1.5.Construção, reparação e aperfeiçoamento de material desportivo 92 4.2.1.6. Hóquei em Campo ... 94

4.3 Desenvolvimento Profissional ... 99

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS ... 105

6. REFERÊNCIAS ... 109 ANEXOS ... XIII

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VI

ÍNDICE DE ANEXOS

Anexo 1 – Plano de Aula ... XV Anexo 2 – Folheto informativo ... XVI Anexo 3 – Grelha valorativa ... XVII Anexo 4 – Flyer Torneio Wii® Games, Matraquilhos e Ténis de Mesa ...

XVIII

Anexo 5 – Rede de voleibol ... XIX Anexo 6 – Execução da modalidade Hóquei em Campo ... XX Anexo 7 – Sticks de Hóquei ... XXI

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ÍNDICE DE FIGURAS

Figura 1 – Matérias de ensino abordadas ao longo do ano letivo, por períodos ... 30 Figura 2 –Estilos de ensino ... 37 Figura 3 Exemplo de Trike ... 81

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VIII RESUMO

O Estágio Profissional representa para o futuro professor um momento de especial importância no seu processo de formação. É neste momento que desenvolve o verdadeiro sentimento de pertença profissional, desenvolvendo competências apenas possíveis de serem alcançadas em contextos reais de prática. De referir que as vivências apresentadas neste documento são fruto da prática de ensino supervisionada na Escola Básica 2\3 de Sobreira situada na freguesia de Sobreira, concelho de Paredes e teve como plano central uma turma do 9°ano. Decorreu sob a orientação e cooperação distribuídas por dois professores, no período compreendido entre 17 de Setembro de 2013 e 5 de junho de 201, numa articulação entre a Faculdade de Desporto e a escola cooperante. Sendo este um relatório que aborda temáticas subordinadas à prática profissional que proporciona ao estudante-estagiário a possibilidade de ampliar o seu campo de experiências e conhecimentos, articulando os conhecimentos teóricos à prática e estimulando a sua emancipação e autonomia, bem como a possibilidade de desenvolver um leque variado de competências profissionais inerentes à prática de um ensino de qualidade, o presente relatório abrangerá todas as temáticas inerentes à explicitação teórico-prática do estágio profissional por 3 áreas de abrangência: área 1 – “Organização e Gestão do Ensino e da Aprendizagem”, área 2 – “Participação na Escola” e “Relações com a Comunidade” e área 3 – “Desenvolvimento Profissional”. Após uma abordagem ao meu percurso e à contextualização do cenário da prática, abordar-se-ão pontos relativos às vivências neste estágio profissional. É igualmente apresentado o estudo de caso de intervenção com um aluno com necessidades educativas especiais. Por fim, concluir-se-á o relatório tecendo considerações sobre os assuntos abordados ao longo do mesmo, destacando ainda opiniões, características, competências e valências desenvolvidas ao longo do estágio profissional. O presente documento pretende ser, assim, uma exposição escrita, minuciosa e circunstanciada da prática do estágio curricular acima referida.

Palavras-chave: EDUCAÇÃO FÍSICA, ESTAGIÁRIO PROFISSIONAL, ESTÁGIO PROFISSIONAL, TUTORIA, COMUNIDADE EDUCATIVA

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X ABSTRACT

Practicum training is, for the future teacher, a moment of particular importance in his learning process. It is in this moment that he develops the true feeling of belonging, developing skills only able to be achieved in real contexts of practice. It is to be noted that the experiences discriminated in this document are the result of supervised teaching practice and took place at Escola Básica 2/3 of Sobreira, located in Sobreira, a parish belonging to the city of Paredes, in a liaison between FADEUP and the cooperative school. Since this is a report that addresses themes subordinated to professional practice that provides the pre-service teacher the possibility to expand his field of experience and expertise, combining the theoretical knowledge in practice and stimulating his emancipation and autonomy issues, as well as the possibility of developing a varied range of professional skills necessary to the practice of quality education, this report will cover all issues related to the theoretical and practical explanation of internship in three areas of coverage: area 1, organization and management of teaching and learning; area 2, participation in school and relations with the educational community and area 3, professional development. After an approach to my course and contextualizing the practice scenario, points addressing to this practicum experience will be approached too. It also presented a case study developed with a student with special educational needs. Finally, the report will be concluded with considerations on the topics discussed along the same, highlighting opinions, characteristics, skills and

valences developed over this practicum training.

Thus, the present document seeks to be a written, detailed and thorough exposition of the professional practice

.Keywords: PHYSICAL EDUCATION, PRE-SERVICE TEACHER, PRACTICUM TRAINING, TUTORING, EDUCATIONAL COMMUNITY

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XI

ABREVIATURAS

EF Educação Física EP Estágio Profissional

FADEUP Faculdade de Desporto da Universidade do Porto PC Professor Cooperante

PE Professor Estagiário PO Professor Orientador

MEC Modelo de Estrutura de Conhecimento UD Unidade Didática

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Ao iniciar este relatório, é certo e sabido que a minha prática letiva já terminou, pelo que pude vivenciar experiências e adquirir conhecimentos que considero úteis para o meu futuro profissional. De facto, a obtenção de conhecimentos teóricos no âmbito da disciplina de Educação Física é tida como necessária e útil para o desenvolvimento profissional do professor, mas tal como veremos adiante, o conhecimento dirige a prática; no entanto, a prática aumenta o conhecimento.

O estágio profissional (EP) revela-se uma prática elementar para que o estagiário possa desenvolver competências a todos os níveis em contexto real de trabalho. Durante a frequência do EP muita coisa mudou: também eu, aluno, professor, homem e filho, mudei. Mas foi a nível profissional que expus os meus anseios, ideias, e conhecimentos e que permitiu a maior evolução. Foi no decorrer desta prática que me superei, enfrentando medos e barreiras, atingindo as metas a que me predispus mas que tantas vezes duvidei e outras tantas quase desisti de alcançar. Foi, de facto, um esforço diário, contínuo e de entrega total, ser professor. O processo de ensino aprendizagem chegou, por vezes, a ser desgastante, no entanto, a missão de ensinar fez renovar a energia a cada acordar.

No final tudo valeu tamanha dedicação.

Diariamente foram alguns os estudantes a que tentei proporcionar novas aprendizagens. Aprendizagens essas que pretendi que fossem sólidas, tal como a que levo em troca, para a vida. Melhor do que este sentimento de dever cumprido, não há, certamente.

O certo é que continuarei a desenvolver competências e a absorver conhecimentos, com vista a um ensino qualitativo e de referência, promovendo práticas de cidadania e integração. Mas por agora abordarei as valências absorvidas em contexto de EP.

Sendo assim, é relevante informar que este relatório é um documento estruturado em que, inicialmente há uma apresentação minha e a expressão de expectativas e preocupações, dos intervenientes e da escola em que fui inserido e a sua ligação com a faculdade, sintetizadas no enquadramento pessoal e da prática profissional. Depois, apresenta-se a realização da prática, tema dividido em três áreas. Na primeira, “Organização e gestão do ensino aprendizagem”, onde se abordam assuntos relativos ao ensino e

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aprendizagem, desde as conceções até à avaliação, passando pelo planeamento e pela ação. Apresentarei ainda o estudo de caso sobre um aluno com Necessidade Educativas Especiais (NEE), numa tentativa de substanciar os programas de tutoria como elemento pedagógico de grande relevância. Na segunda área encontrar-se-ão os temas que dizem respeito á participação na escola e relações com a comunidade, como por exemplo, atividades desportivas desenvolvidas pelo núcleo de estágio e pelo grupo de Educação Física, ou a construção de material para a prática desportiva e as ações de formação desenvolvidas.

Por último na terceira parte deste capítulo estarão os dados relativos ao desenvolvimento profissional, focando todos os aspetos que contribuíram para o meu desenvolvimento enquanto futuro professor de Educação Física.

Finalmente, a conclusão do relatório com considerações sobre temas e assuntos abordados, opiniões, competências e valências desenvolvidas ao longo do mesmo culminarão esta viagem retrospetiva sobre o EP.

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7 2.1. O meu trajeto

Ao 4º mês do ano 1988, na freguesia de Castelões de Cepeda, atual freguesia e Concelho de Paredes, a família Costa Monteiro tinha razões para sorrir: Nascia o seu mais novo membro, a quem foi dado o nome de Joaquim Ricardo.

Foi desde cedo que o pequenote iniciou as suas experiências pela natureza e ruralidade, partindo à descoberta do seu próprio mundo por entre campos e riachos, sempre sob o comando atento dos avós maternos, que o criaram desde sempre na aldeia de Bustelo, concelho de Penafiel. Aqui, apesar da escassez de recursos, Ricardo era feliz: embora proveniente de uma família pobre, vivia envolto de afeto, num ambiente natural, onde qualquer motivo era desculpa para fugir de casa e vivenciar pequenas aventuras de criança: muitas vezes foi marinheiro, saltando de rocha em rocha e nadando rio acima; outras vezes era trapezista e equilibrista e debruçava-se nos carvalhos gigantes onde quase tocava o céu, que ambicionava também percorrer, e sonhava muito: todos os dias era ciclista, jogador de futebol ou nadador, piloto, paraquedista, atleta.

E um dia, fez-se luz: o ricardo começa a ficar com os pais na cidade e passa a fazer parte de uma realidade muito diferente da que estava habituado: de repente estava ali, com muitas possibilidades diante dos seus olhos, apesar da dificuldade em adaptar-se a uma realidade que nunca tinha sido a sua. Mas agora tinha tudo que sempre ouvira falar e nunca pôde usufruir: pavilhão gimnodesportivo, campo de futebol, piscina, imensas atividades e recursos. E quis ficar ali para sempre.

Foi neste período transitório que ricardo viveu e sentiu maiores mudanças pessoais: a iniciar-se na adolescência, cedo reparou que afinal a cidade também tinha coisas más: habituado a viver livre, rodeado de amigos e atividades que mesmo rurais lhe ocupavam tempo e o faziam feliz, começa a sentir-se sozinho, irritado e perturbado pela prisão que era viver na cidade, “muito perigosa para crianças andarem por aí a vaguear”, como lhe dizia a avó. E foi quando os pais tomaram a decisão de colocar o Ricardo em diversas atividades.

Na Associação Cultural Desportiva e Recreativa Olá Mouriz a liberdade era a palavra de ordem: ali podia-se jogar futebol no ringue, pegar numa bola

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de basquetebol, experimentar atividades diferentes. Até poder usufruir de um balneário era considerado especial! Com a crescente aderência de miúdos na associação criou-se uma nova modalidade, o Hóquei em patins, atividade que o Ricardo abraçou desde logo e que surtiu um grande impacto na sua vida. Aprendeu, cresceu, caiu muitas vezes mas levantou-se sempre. E depois da passagem dos patins de fivela para os de bota respirou o ar do pavilhão durante dezasseis anos, praticando afincadamente a modalidade.

Se o gosto pelo desporto já era notório, a entrega e dedicação ao Hóquei foi incansável e transformou-se numa verdadeira paixão que nutriu muitos efeitos na sua vida. Ricardo chegou inclusivamente a deixar os amigos da escola primária e frequentar outra escola básica para ficar mais perto do local de treinos e foi esta atividade que lhe deu forças para enfrentar os desafios que a mudança campo-cidade lhe trouxe.

Desde o 1º ciclo do Ensino básico passado na Escola Básica 2,3 de Paredes até ao término do ensino secundário na Escola Secundária da mesma localidade, Ricardo esteve sempre ligado ao desporto, nomeadamente ao hóquei, onde fez amigos para toda a vida. O seu percurso desportivo levou-o a federar-se na modalidade, tendo ganho um campeonato distrital em juvenis e um torneio de encerramento em juniores, as melhores épocas do hóquei no Olá Mouriz. Ao longo de 16 anos, Ricardo pôde conhecer muitas cidades, vivenciar experiências desportivas carregadas de adrenalina e ampliar o leque de conhecimentos nesta área, quer a nível de contactos, quer através na absorção de técnicas e métodos desportivos, facilitados através de estágios com os melhores hoquistas de Portugal e de conversas com treinadores e dirigentes que seguiam de perto o sonho de um dia o Ricardo poder dar ainda mais cartas no meio desportivo.

E se no início foi um sonho, rapidamente se tornou realidade: Tendo escolhido a área científico-natural para poder mais facilmente ingressar numa universidade que tivesse desporto como área, três anos passaram a voar e em 2007 entra para o Instituto Superior de Ciências da Saúde – Norte, no curso de Educação Física, Saúde e Desporto que frequentou apenas durante três semestres devido a problemas familiares. Mas o sonho não terminou aqui e algum tempo depois ingressa no Instituto Superior da Maia onde conclui a licenciatura em Educação Física e Desporto num ano letivo e um semestre,

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semestre esse em que aproveitou para prestar o seu contributo à comunidade e dar continuidade à aprendizagem, através do Banco Local de Voluntariado da Câmara Municipal de Paredes que o colocou no infantário da Estrebuela, uma experiência que se revelou única e enriquecedora, principalmente pela aquisição de conhecimentos que adquiriu sobre psicomotricidade.

Sabendo e sentindo que a vida é feita de altos e baixos, Ricardo não baixou a cabeça quando dois quistos o impediram de voltar a competir no hóquei. O sabor do desporto era-lhe já intrínseco e a direção do clube sabia-o tão bem que lhe concedeu a possibilidade de treinar as equipas de bambis, bejamins e infantis, ato que se transformou numa satisfação imensa e a constatação de que era aquilo que queria fazer para o resto da vida.

26 Anos se passaram desde aquele dia, em que a família Costa Monteiro sorriu ao olhar para o seu mais pequeno rebento. Olho hoje para trás e felicito-me por ser esta criança descrita nos parágrafos acima, estar hoje a um passo de terminar um grande capitulo da minha vida, que é a conclusão do mestrado em Ensino da Educação Física nos Ensinos Básico e Secundário, na FADEUP e perceber que, afinal, todo o meu percurso estava já como que traçado: Desde a ruralidade dos campos que me trouxeram a apetência para a orientação e desporto em geral, passando pelas dificuldades de adaptação à cidade que recordo hoje nas aulas que leciono, procurando ajudar os alunos neste âmbito, desde o amor ao hóquei à ambição de um dia ser um excelente professor, como os que tive a honra de conhecer e conversar pelo país fora, nada aconteceu por acaso.

Hoje sou Professor, Treinador de hóquei das camadas jovens e Personal Trainer, formação que executei no CEFAD- Formação Profissional Lda. (entidade acreditada pela DGERT - Direção Geral do Emprego e Relações de Trabalho e autorizado pelo Ministério da Educação e Ministério da Administração Interna), que se revelou uma experiência muito marcante na minha vida, tendo-me permitido passar de um desporto com competição para outro que pretende melhorias de performance e cuidados para a saúde, e reter outros conhecimentos técnicos e organizativos.

Hoje, continuo a não poder passar sem jogar hóquei. Posso não fazer jogos, nem jogar com tanta consistência ou garra como outrora, mas sempre que posso treino com a equipa de seniores do clube para matar saudades e

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não esquecer este desporto que me dá muita satisfação No entanto, a possibilidade de poder gerir o treino dos mais jovens e assistir à sua evolução e crescimento é algo muito gratificante e não menos motivador, que espero fazer durante muitos anos.

Hoje, sou treinador e professor e faço-o com gosto, garra e sorriso no rosto. Gosto que os alunos consigam os seus objetivos e alcancem as suas etapas, e todos os dias, ao olhá-los, lembro-me sempre por aquilo que passei, o quanto cresci e o tanto que aprendi. Não há, de facto, nada melhor do que fazermos o que realmente gostamos e sentirmo-nos parte integrante de algo, que se intensifica com uma boa dose de motivação e espírito de equipa, práticas que sempre incutirei aos meus alunos.

2.2 Oportunidades e Expetativas em relação ao Estágio Profissional

O EP é uma oportunidade de aprender com a experiência, com as decisões perante problemas que surgem diariamente, uma conveniência que resulta na aquisição de variadíssimos conhecimentos que serão retidos ao longo da vida. Esta, sem dúvida, uma fase marcante, dado que é o primeiro ano que lido com a profissão de forma totalitária. Um ano que testa os meus conhecimentos mais do que qualquer prova até hoje realizada, uma vez que se resume ao desenvolvimento de valências que venho exercitando e consequente aquisição de conhecimentos e competências por mim aprendidos e apreendidos até aos dias de hoje.

O EP na área de Educação Física (EF) permite a conjugação de diferentes áreas do conhecimento, disciplinas como a anatomia e a fisiologia, cadeiras mais direcionadas ao saber, com a área desportiva direcionada aos mais pequenos, permitindo desta forma a adaptação da teoria à prática no contexto escolar, tendo em conta a realidade da instituição.

Outro dos principais benefícios da execução de um EP vem com o facto de proporcionar ao estagiário a possibilidade de observação de diferentes métodos de ensino por parte dos professores da escola, bem como o confronto de ideias, métodos e estratégias de ensino entre os colegas estagiários. Apesar de esta ser uma aprendizagem controlada, possibilita ao estagiário a tomada de decisões e reflexões moderadas pelo professor cooperante (PC),

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pelo professor orientador (PO) bem como pelo grupo de EF do estabelecimento de ensino, Escola EB 2/3 da Sobreira.

No início do EP supracitado, o primeiro grande desafio por mim percecionado residia no facto de me ter sido atribuída uma turma do 9º ano, cujas idades variam entre os 13 e os 16 anos. Dado que nestas idades os alunos estão em plena fase de adolescência, questionava-me se os alunos me iriam respeitar, se iria ter problemas de controlo da turma, se eles iriam confiar nos meus conhecimentos e competências. Um ano em que senti uma mudança de postura, passando a entregar-me totalmente a uma comunidade no sentido de promover melhorias a todos os níveis, transmitindo ideias e ideais e corrigindo comportamentos em prol da comunidade educativa, facto que me agradou desde sempre pois é assim que me vejo e me assumo na sociedade, a trabalhar em prol de todos.

À medida que o ano letivo ia progredindo senti-me mais confiante ao ver que as minhas questões/preocupações iam sendo clarificadas. De início foi difícil controlar bem a turma e fazer com que todos os alunos me respeitassem. Também não esperava que isso acontecesse logo no primeiro momento e de forma quase gratuita. Sendo assim, com observação e trabalho, adaptei o meu comportamento e foi conquistando o respeito dos alunos, o que esteve diretamente ligado com o controlo da turma e a capacidade desta confiar nas minhas competências. A respeito de uma mudança de postura e á minha integração nesta comunidade com o intuito de transmitir saberes, contribuindo positivamente para a sociedade educativa, está claro que é algo inevitável, visto que, isto constitui um objetivo importante neste ano de grandes aprendizagens.

Em suma o desafio inicial manteve-se o mesmo: conquistar e manter o respeito da comunidade educativa, nomeadamente da turma a lecionar bem como o seu controlo e credibilidade. Como nova expetativa, desejava aprender com a experiência do PC, assim como com os outros professores, com as minhas vivências e com as vivências dos meus colegas de estágio. Este foi, sem sombra de dúvidas, um ano rico em aprendizagens.

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15 3.1 A Enquadramento Legal e Institucional

No caso do EP realizado, deve referir-se que o mesmo proporcionou-se no âmbito da prática profissional do segundo ciclo de estudos conducente ao grau de Mestre em Ensino de EF da Faculdade de Desporto da Universidade do Porto (FADEUP) que tem a duração de quatro semestres (primeiro e segundo semestres direcionados para o sistema de ensino em contexto escolar e terceiro e quatro semestres relativos à prática de ensino supervisionada) e correspondente a cento e vinte ECTS (European Credit Transfer and Accumulation System) sendo composto pela Prática de Ensino Profissionalizada (PES) e consequente relatório de estágio (RE). Todo este processo è regido pelas normas da instituição universitária e pela legislação específica acerca da habilitação profissional para a docência. A estrutura e funcionamento do EP considera os princípios decorrentes das orientações legais nomeadamente as constantes do Decreto-lei nº 74/2006 de 24 de março e o Decreto-lei nº 43/2007 de 22 de fevereiro e têm em conta o Regulamento Geral dos segundos Ciclos da UP, o Regulamento geral dos segundos ciclos da FADEUP e o Regulamento do Curso de Mestrado em Ensino de EF.

O EP permite ao estagiário atuar num ambiente autêntico apenas possível devido aos protocolos de cooperação com estabelecimentos de educação, nomeadamente de ensino básico e secundário, conforme referido no artigo 18º do Decreto-Lei nº43/2007 de 22 de Fevereiro.

Segundo Piéron (1996, p. 37), o estágio profissional “ (...) assume particular interesse na formação dos professores por ser uma etapa de confrontação entre os saberes teóricos da formação inicial e os saberes práticos da experiência profissional e da realidade social do ensino”. Assim, poder-se-á referir que este é um projeto de formação que tem como objetivo o desenvolvimento de competências do professor enquanto profissional, com vista à melhoria do ensino, que alia o conhecimento teórico à componente prática, contextualizada com o espaço escolar.

O EP permite ao estagiário a prática do ensino em contexto real de forma progressiva e orientada sob a supervisão de professores que deverão ter em conta variadas competências profissionais do estagiário, com vista ao ensino da EF de melhor qualidade que serão analisadas em contexto escolar

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sob forma avaliativa. Estas competências organizam-se em 3 grandes áreas de desempenho, nomeadamente “Organização e Gestão do Ensino e da Aprendizagem”, “Participação na Escola e Relações com a Comunidade” e “Desenvolvimento Profissional”, respetivamente.

Assim, neste primeiro contacto com a realidade complexa em que se desenvolvem as atividades educativas, o professor estagiário (PE) assume as responsabilidades de um profissional, numa situação pouco familiar e insegura, tendo oportunidade de aceder a um conjunto de saberes e experiências facilitados pelos supervisores, a quem cabe o papel de selecionar meios e estratégias de ensino/aprendizagem tendo em conta o nível de desenvolvimento e expetativas do candidato. Desta forma, os supervisores deverão reconhecer e analisar as perceções e dificuldades do PE assim como assegurar todo o apoio, aconselhamento e orientações necessárias ao entendimento e solução de problemas que o mesmo possa ter.

Em suma, e de acordo com Metzlder (1990), esta supervisão deve proporcionar aos professores estagiários ajuda de modo a que se tornem cada vez mais independentes na tentativa de melhorar as suas competências profissionais.

3.2 Enquadramento funcional

3.2.1 A Escola Básica 2,3 de Sobreira

Após termos tido um primeiro contacto com todo o processo pelo qual o nosso Estágio passaria e como seria orientado, uma das primeiras ações realizadas foi procurar conhecer a escola em que iriamos desempenhar a nossa função, de forma a saber a realidade com que nos iriamos deparar, em relação aos diferentes recursos disponíveis, grupo de professores de EF a que passaríamos a pertencer e as atividades a desenvolver ao longo do ano letivo.

Para a elaboração da caracterização da escola, foram utilizados os vários documentos á existentes, nomeadamente, o Projeto Curricular de agrupamento, o Projeto Educativo de Escola e outros documentos que contribuíram, de uma forma ou outra, para a recolha das informações que consideramos de maior relevância. O site da Escola também foi um instrumento útil para a recolha de informação.

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A escola que nos acolheu para a realização do estágio pedagógico foi a Escola Básica 2,3 de Sobreira, que está situada no lugar da estação, freguesia de Sobreira, concelho de Paredes. Esta escola acolhe alunos com diferentes características e diferentes necessidades educativas, tendo, na estruturação da sua organização curricular, um conjunto de componentes de formação bem como uma oferta formativa diversificadas, o que permite dar resposta a essas necessidades, tendo sempre em vista o desenvolvimento multilateral do aluno. De realçar que estas turmas, pelas suas características e especificidades, representaram um desafio um pouco diferente daquele que habitualmente os estagiários encontram na sua prática de estágio, mas a nossa escolha desta escola em particular, teve em conta este fator, sendo que considerámos que o leccionamento a este tipo de turmas conduziria grandes vantagens para a nossa futura atuação como docentes de EF, através das competências que iriamos adquirir com as experiências que a ser vivenciadas.

Sendo esta uma escola de referência para alunos com Necessidades Educativas Especiais, nomeadamente deficiência motora e perturbações mentais, pudemos aferir que a mesma procura garantir as condições necessárias para que estes possam ter uma educação e formação adequadas às suas condições físicas, que carecem de aprendizagens e de desenvolvimento de competências diferentes. Estes alunos estão integrados no curr culo normal, apesar de possu rem necessidades educativas, o ue implica ue a organização das aulas se a adaptada s suas caracter sticas, para ue se a poss vel a sua inclusão. Esta inclusão tamb m garantida através da existência de um quadro de recursos humanos específico para estes alunos, havendo um acompanhamento específico feito por auxiliares educativos e professores do ensino especial.

A escola acolhe, para além de alunos com perturbações mentais nomeadamente da personalidade, dois alunos com deficiência motora, para os quais foram efetuadas adaptações na estrutura física e nos recursos humanos que a escola possui, para garantir que os mesmos tenham um desenvolvimento educativo adequado.

No que diz respeito ao meio envolvente, a escola de Sobreira recebe alunos provenientes, maioritariamente, das freguesias de Parada e Recarei, zonas essas que se encontram mais próximas da instalação escolar. No

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entanto também a frequentam alunos de outras freguesias, tais como da Santa Comba e Trancoso.

Deve ser referido que os encarregados de educação trabalham, na sua maioria, na indústria e nos serviços pouco qualificados, dificultando a sua participação no acompanhamento da vida escolar dos seus educandos. Estão associadas a estes dados dificuldades socioeconómicas e a um ambiente familiar instável, fatores que podem ser nocivos para o sucesso escolar.

Relativamente às condições materiais e espaciais disponíveis para a disciplina de EF, a escola dispõe de um pavilhão gimnodesportivo, onde estão reconhecidas as marcações de linhas de vários jogos desportivos de carácter coletivo, de um ginásio, utilizado principalmente para a modalidade de ginástica, de um espaço desportivo exterior dividido em dois campos (com marcações de campos de Futebol, Andebol e Basquetebol), com uma pista de atletismo e uma caixa de areia, possuindo também um gabinete pertencente ao grupo de EF. Para abordagem da modalidade de Natação a escola utiliza a piscina Municipal Rota dos Móveis do Município de Paredes, existente nas imediações da escola.

Estas condições, apesar de não serem as ideais, não foram impeditivas de realizar um trabalho com qualidade, e foram potenciadas em prol do desenvolvimento dos alunos, o que exigiu uma grande capacidade de adaptação dos materiais existentes, e at a construção de novos materiais da nossa parte, podendo este fator ser visto como algo positivo, visto que nos levou a procurar criar as condições necessárias para que os alunos tivessem o maior número de experiências possíveis, de forma a atingir os objetivos que pretendíamos.

A Escola Básica 2,3 de Sobreira, apesar de ser uma escola relativamente recente apresenta já um Projeto Educativo bem definido, oferecendo um leque de atividades bastante abrangente, o que permite incluir alunos com diferentes interesses em projetos que lhes despertem curiosidade, adquirindo ao mesmo tempo conhecimentos que sejam úteis para o futuro.

3.2.2 O Grupo de Educação Física e Diversos Intervenientes

O primeiro contato com o grupo de EF ocorreu na primeira reunião do ano letivo. Este grupo, constituído por 5 elementos é coordenado pelo PC

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sendo que todos os seus elementos detêm formação na área da EF. A grande maioria dos elementos constituintes deste grupo possui já bastante experiência e formação na área e lecionam neste estabelecimento de ensino há mais de 9 anos, pelo que possuem já um conhecimento aprimorado da comunidade educativa daquela localidade, facto que resulta numa mais-valia para mim, que detenho num núcleo duro como este, todas as informações necessárias para a devida interação com o contexto escolar.

No decurso do primeiro contacto com os elementos do grupo acima referido, houve um manifesto de boas-vindas ao Núcleo de Estagiários, facto que contribuiu para a nossa integração no estabelecimento de ensino, criando desde logo boas relações criadas com todos os elementos do grupo, não só ao nível da nossa inclusão nas reuniões e outras tarefas ligadas à disciplina de Educação Física, mas também através de atividades de convívio que saiam do contexto formal da escola. Desta forma a inclusão escolar tentou potenciar da melhor forma essa adaptação, fazendo-nos sentir parte integrante desse grupo. O trabalho executado junto do PC e do PO considerou-se fulcral para o melhor desempenho das tarefas propostas e melhoria da qualidade de ensino.

Ao longo de todo o ano, o PC deteve um papel primordial junto do núcleo de estagiários. De forma diária prestou-me todo o apoio necessário face a questões e decisões por mim consideradas mais difíceis de abordar, promovendo a reflexão e colocando-me desafios diários, que vejo agora como uma das principais fontes de motivação retidas.

Sendo também responsável pelo Grupo de Educação Física da Escola EB 2/3 de Sobreira, a interação com o PC resultou numa melhoria comunicativa quer entre os estagiários quer entre os restantes membros do grupo, promovendo a comunicação e realização de atividades extracurriculares entre todos (como é o caso de almoços e momentos de lazer) que proporcionaram um contacto mais pessoal entre os membros do grupo, promovendo desta forma um maior à-vontade entre todos.

Em suma, e de uma forma mais pessoal, enalteço o papel do PC que durante o ano me mostrou como um grande homem pensa e trabalha em todos os sentidos, companheiro que me surpreendeu e um exemplo a seguir. Todas as diretrizes, chamadas de atenção, conselhos contribuíram em massa para o

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meu percurso neste estágio, se sou mais autónomo, adulto e responsável agradeço com todas as palavras ao PC.

O PO teve também um papel importante para a melhoria da frequência do EP.

Através de reuniões presenciais periódicas no contexto escolar, bem como através de reuniões gerais com todos os estagiários ao seu encargo, o PO efetuou as suas funções de forma excelente, orientando os estagiários segundo uma perspetiva de colaboração. Esta perspetiva, conforme refere Wallace (cit. por Vieira, 1993), é denominada de "colaborativa" já que o supervisor surge como um colega, que com mais experiência, ajuda os colegas (i.e., estagiários) a organizarem matrizes e provas. Como orientador, o Professor supervisionou o trabalho dos estagiários no 1º,2º e 3º período da prática profissional, tendo em conta os objetivos de um professor supervisor, alavancados por Alarcão e Tavares (1987, p. 34), ue afirmam ue “"ensinar os professores a ensinar deve ser o objetivo principal de toda a supervisão pedagógica".

Assim, foi preocupação do PO promover a reflexão entre e aos estagiários, proporcionando feedbacks sem nunca referir diretamente o caminho a seguir, facto que se mostrou bastante pertinente, uma vez que, a título pessoal, me ajudou a refletir de forma profunda e particular sobre decisões a tomar.

Pelas abordagens presenciais acima referidas, o PO no 1º período curricular abordou o controlo da turma, no 2º período debruçou o seu interesse sobre a gestão e organização das aulas (ressalvando aspetos como o tempo de instrução), sendo que no 3º período teve principal interesse na área da comunicação dos estagiários com a turma, como o volume da mensagem e métodos a aplicar para atrair o interesse dos alunos.

Em cada um dos períodos curriculares o PE acompanhou uma aula de cada estagiário, sendo que no meu caso, no 1º período observou uma aula de basquetebol, no 2º período este presente numa aula de natação e no 3º período acompanhou uma aula de voleibol. Este acompanhamento foi bastante enriquecedor, uma vez que permitiu uma melhor abordagem na aquisição de novas estratégias a tomar e o fornecimento de opiniões pertinentes no que refere a diferentes métodos de ensino.

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Desta forma, dizer que tanto o PO como o PC procuraram constantemente potenciar a nossa evolução como professores, através de troca de ideias e debate foram sempre ocorrendo ao longo do ano letivo, não só nas reuniões tomadas a cabo como outras formas de contato indireto.

Quanto ao núcleo de estágio, o mesmo foi constituído por três estagiários que nunca tinham tido uma experiência de trabalho conjunta a nível académico, o que logo à partida se apresentou como um desafio, pelo desconhecimento das qualidades e fraquezas que cada um possuía. Contudo, este núcleo foi demonstrando ao longo do ano letivo uma grande relação de amizade e dedicação, sem nunca descurar a qualidade do trabalho que realizou, tentando sempre procurar potenciar o melhor de cada um dos elementos com o intuito de desenvolver um trabalho sério e competente.

Ao longo deste processo, houve sempre compreensão entre os estagiários mesmo quando ocorriam divergências de opiniões. Pois, estávamos conscientes que esta será a realidade da nossa vida profissional, procurámos então, encontrar um meio de entendimentos, de modo que os objetivos dos projetos/atividades fossem ajustados e superados.

Em relação aos colegas de estágio, desde o primeiro dia que foi uma surpresa agradável, companheirismo partilha de informação, dicas e resolução de problemas era notório a proximidade e entre ajuda dentro do seio do núcleo, o facto de vivermos perto uns dos outros ajudou a que o companheirismo fosse igual durante todo o ano, muito útil em todos os sentidos, troca de ideias constante onde teríamos de adaptar a informação á realidade de cada turma, portanto é de salientar o auxilio e apoio entre PC e Estagiários, mais um ponto positivo neste bom ano.

A total disponibilidade e recetividade demonstradas pela direção executiva, não só da parte do diretor mas também de todos os seus membros, no apoio a todas as tarefas e atividades que realizámos no âmbito escolar, contribuíram de igual modo para um inclusão rápida e positiva na instituição, sendo que nunca nos sentimos constrangidos em solicitar auxilio a esse órgão diretivo. Para além disso, deve ser aqui referido o apoio e recetividade constantes que os restantes elementos da comunidade educativa demonstraram, nomeadamente os auxiliares educativos e docentes.

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Em suma, toda a comunidade escolar potenciou a melhoria das capacidades profissionais de todos os estagiários, fomentando a integração dos mesmos na comunidade educativa. A título pessoal, devo referir o sentimento de pertença àquela comunidade, apenas possível através do excelente trabalho cooperativo da instituição pública.

3.2.3 A minha turma

Após um processo de seleção constituído por um sorteio de três das cinco turmas lecionadas pelo PC a distribuir pelos três professores estagiários, coube-me a tutoria de uma turma do 9º ano da escola supracitada. Esta turma é constituída por 20 alunos, 10 raparigas e 10 rapazes, sendo que um deles com necessidades educativas especiais uma vez que possui um transtorno de personalidade antissocial (sociopatia).

De acordo com o PC, esta é uma turma de classificações medianas que não detém qualquer característica particular que a distinga de outras turmas do mesmo nível de ensino.

Faladores, sociáveis e por vezes problemáticos, esta turma em tudo representava as características dos adolescentes da atualidade, com grande apetência para as redes sociais e subdividida em grupos evidentemente distribuídos por interesses comuns e género (raparigas/rapazes).

Tendo em conta que o melhor e maior conhecimento dos alunos é determinante para um melhor e maior desenvolvimento do processo de ensino e aprendizagem, tive de imediato a preocupação em gerir a minha comunicação verbal e não-verbal em função das necessidades e características dos alunos, que foram desde a primeira hora bastante recetivos e relativamente bem comportados, embora em caso de comportamentos abusivos as raparigas fossem as protagonistas, facto que me deixou de certa forma surpreendido.

O meu relacionamento com a turma foi um dos fatores mais significativos de todo o estágio. De referir que no início houve algumas falhas que tive dificuldade em gerir, nomeadamente por conversas paralelas, barulho e consecutivas interrupções, mas no decorrer do processo os alunos compensaram com empenho e motivação na execução das tarefas propostas e evoluíram para níveis razoáveis de consideração pelo trabalho feito, dado que

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valorizaram a abordagem de várias modalidades e reconheceram a riqueza a nível motor das experiências proporcionadas.

No dia-a-dia, os alunos demonstraram interesse e desenvolveram capacidades que nunca tinham experimentado, como o Hóquei em Campo, aumentando desta forma a nossa união e dinâmica de grupo. Durante o processo de ensino/aprendizagem no decurso do EP, devo realçar momentos muito positivos, nos quais houve interação quer entre a turma quer entre a comunidade escolar, como o caso do conv vio proporcionado na Atividade de Integração no Meio (Feira do São Martinho, Raid BTT, Dia da Dança e Wii® Games).

Assim, ao longo do Ano Letivo foram desenvolvidos climas de afetividade, interajuda e amizade entre todos os alunos e entre estes e o respetivo docente.

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4.1. Organização e Gestão do Ensino e da Aprendizagem 4.1.1 O professor de Educação Física em Estágio Profissional

Não existirá, certamente, melhor forma de iniciar este capítulo como com uma citação que tão bem explica o papel do professor na atualidade. De facto, a “maneira significante” de ensino anexa esp cie humana deverá ser levada em conta de uma forma também ela significante por todos aqueles que exercem a prática educativa.

Um professor não se deve, portanto, cingir à debitação de conteúdos, mas deverá, de forma sistemática, estimular a capacidade critica e autonómica dos seus educandos, utilizando o conhecimento como um instrumento e não como uma finalidade, conforme revelam Almada et al. (2008). O professor deverá ainda ser um espelho de formação de carácter dos seus educandos, conforme refere Torres et al. (2007, p. 1047), realçando que a postura do professor serve de espelho para a postura e comportamento dos alunos.

Desta forma, o docente de Educação Física deve assumir essa preocupação nas suas aulas: para além de ensinar, deverá educar, construir conhecimento, gostar do que faz. Tudo isto mesclado com a preocupação de que, de facto, será um espelho para os alunos, detento no seu imo um amplo objetivo - transformar a sociedade.

Na área da EF, o professor deverá reter todas as valências referidas acima, mas terá também muitas mais exigências. Para além de possuir competências a nível técnico, deverá ser criativo, imaginativo e saber inovar, uma vez que, conforme revela Seiça (2003), esta é uma profissão que possui uma relevância social e ética crescente devido à complexidade dos problemas sociais e interculturais que caracterizam o quotidiano escolar.

Posto isto, deve referir-se que o professor de educação física deverá, portanto, formar os alunos não apenas ao nível técnico das modalidades desportivas como também ao nível de desenvolvimento integral dos alunos.

Mas nem tudo é tarefa fácil. Se o facto de ensinar é por si só, uma tarefa que requer uma boa dose de vocação, motivação e paciência, aliar as componentes sociais, éticas e de integração é um trabalho ainda mais consistente, difícil e trabalhoso, apenas possível através da prática e aquisição

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de experiência em campo, potenciada na maioria das vezes primariamente através da frequência de um EP.

Assim, no decurso do segundo ciclo de estudos conducente ao grau de Mestre em Ensino de Educação Física da Faculdade de Desporto da Universidade do Porto (FADEUP), foi-me proporcionada uma prática profissional com a duração de quatro semestres na Escola E.B. 2/3 da Sobreira.

9 de setembro de 2013: o início da prática profissional

Com data agendada para 2 de setembro como o início formal do EP, foi dada a possibilidade aos três estagiários de EF de se integrarem uma semana antes no grupo docente da escola, nomeadamente pela participação na 1ª reunião geral de professores e na 1ª reunião do Grupo de Educação Física. Nesta data, surgiu ainda a possibilidade dos estagiários ficarem a conhecer as instalações escolares através de uma visita encabeçada pelo PC dos mesmos, que apresentou igualmente o corpo estagiário ao núcleo diretivo da escola.

Nesta primeira abordagem escolar, surgiu de imediato o sentimento gradual de integração no meio envolvente, proporcionado através do conhecimento interpessoal do grupo docente e diretivo, que desde logo ofereceu a sua disponibilidade para o auxílio nas mais diversas situações a ocorrer, bem como através do conhecimento do meio físico, que se considerou essencial para iniciar um consequente sentimento de pertença àquela comunidade educativa.

A 1ª reunião com o grupo de educação física da escola considerou-se fulcral para a melhor perceção das diretrizes de regência da disciplina de educação física no contexto daquela escola em particular, bem como para a obtenção de valiosas informações quanto à turma a lecionar, escolhida tendo como base a seleção por sorteio das três das cinco turmas lecionadas pelo PC (conforme referido no ponto 3.3. deste relatório), sorteio esse que me atribuiu o leccionamento de uma turma do 9º ano (também descrita no ponto 3.3.) da escola EB 2/3 da Sobreira.

A reunião do grupo de EF permitiu também perceber em que moldes é efetuada a avaliação da turma a lecionar: regida por dois grandes domínios de aprendizagem, o domínio socioafetivo e o domínio psicomotor, a aula de educação física deteria um horário semanal limitado a 135 minutos. Estes

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factos contribuíram desde a primeira hora para a imediata consideração sobre os aspetos ligados à forma como iria conduzir o processo de lecionação bem aprendizagem apresentados.

Para além das considerações a reter sobre as turmas a lecionar, os três estagiários deveriam ter em conta que, com uma frequência quinzenal, teriam ainda de lecionar uma aula turmas pertencentes aos Cursos de Educação e Formação (CEF) e a turmas do Plano Integrado de Educação e Formação (PIEF).

Quanto a este assunto, importa referir desde já que, no entanto, ao longo deste relatório a minha principal abordagem far-se-á abrangendo de forma particular a turma que mais frequentemente lecionei.

O Programa Nacional de Educação Física foi um dos documentos mais importantes adotados como instrumento-guia para a execução da prática pedagógica, uma vez que permitiu a facilitação da definição de objetivos a atingir ao longo do ano letivo, bem como nos procedimentos metodológicos a ter em conta, embora de uma forma modelada e flexível, sendo adaptado ao longo da prática pedagógica no sentido de atingir da forma mais eficaz os objetivos definidos, tanto a curto como a médio e longo prazo.

Também os estilos de ensino a utilizar foram igualmente adaptados e ajustados à medida da turma a lecionar de forma frequente, nomeadamente devido ao facto desta turma possuir um elemento com necessidades educativas especiais. Esta adaptação foi encarada como um tremendo desafio visto depender de inúmeras variáveis que tinham influência no seu funcionamento, analisado e explicado adiante, no ponto 4.1.5. do presente relatório.

4.1.2. Planeamento em 3 escalas Planeamento anual

Depois de um conhecimento primário da turma a lecionar, considerou-se pertinente definir e planear um conjunto de fatores, de modo a organizar as nossas ações durante o ano letivo, denominado como planeamento anual que, segundo Faria (1972), passa pela “ (...) previsão de todas as etapas do trabalho escolar (...) bem como pela (...) programação de todas as atividades de forma que o ensino se torne eficaz, seguro e económico (...) ”, facto que, segundo

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Januário (1984), possibilita a viabilidades do planeamento de acordo com a realidade presente.

A importância da execução de um planeamento anual é ainda referida por Bento (1998, p.8) uma vez ue traz ao docente “ (...) uma reflexão pormenorizada acerca da duração e do controlo do processo de ensino numa determinada disciplina (...) ”, facto considerado de extrema importância no âmbito de disciplinas como a educação física devido às inúmeras variáveis que podem ocorrer nas aulas, por ser esta uma área de ensino bastante característica.

Assim, as matérias de ensino foram selecionadas tendo em conta o Programa Nacional de Educação Física e distribuídas de acordo com as condições espaciais disponíveis. Desta forma, o estagiário pôde selecionar 7 das 10 matérias de ensino triadas pelo grupo de EF, dirigido pelo PC, tendo em conta os parâmetros e variáveis apresentadas acima, apresentadas seguidamente:

Figura 1-Matérias de ensino abordadas ao longo do ano letivo, por períodos

Nesta perspetiva, foi definido que no espaço polidesportivo exterior seriam abordadas as matérias de ensino como o futebol, o basquetebol e o voleibol. No ginásio interior, lecionar-se-ia ginástica, badminton e hóquei em campo, sendo que esta atividade não integrou desde logo o plano anual de atividades, conforme será referido e explicado mais adiante. Por fim, de referir

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que as aulas de natação realizar-se-iam na Piscina Municipal Rota dos Móveis, localizada na Sobreira.

Importa mencionar que a ocupação dos espaços disponíveis foi distribuída de forma racional pelas várias turmas existentes na escola.

Unidade Didática

Após o planeamento anual das matérias de ensino e atividades, importou organizar os diferentes conteúdos de acordo com os objetivos a atingir. Desta forma, referir que a organização dos conteúdos foi realizada através de unidades didáticas, documentos de apoio de coerência estrutural que se centram nos conteúdos e nos objetivos previstos. Este planeamento faz parte do Modelo de Estrutura do Conhecimento (Vickers, 1990), modelo esse que se revelou fundamental para a delineação do processo de ensino e aprendizagem.

O Modelo de Estrutura de Conhecimento (MEC), com os seus oito módulos, demonstra como se pode criar um corpo de conhecimento estruturado e interdisciplinar para um desporto específico e depois usá-lo como uma base para estruturar um modelo de ensino (Vickers, 1990).

Os MEC´s funcionaram como uma linha orientadora para a lecionação de cada modalidade, e com a preparação de cada um fui desenvolvendo e consolidando as bases essenciais para uma lecionação fundamentada e específica.

Ao longo do EP foram vários os aspetos que tive a necessidade de reformular e melhorar. Um desses aspetos esteve relacionado com as progressões pedagógicas dos conteúdos de ensino, já que as mesmas devem ser criadas, sempre, em função dos nossos alunos, onde sublinho a importância da Unidade Didática (UD), pois pretendia-se que as mesmas apresentassem etapas claras e bem distintas de ensino e aprendizagem.

Deve ser salientado que a construção de UD com várias matérias de ensino, apesar de à posteriori demonstrar trazer grandes benefícios no que concerne ao processo de ensino-aprendizagem dos alunos, é um processo moroso e que nos trouxe algumas dificuldades. Não obstante, consideramos que, apesar de a construção de UD com várias matérias de ensino ser um processo mais complexo e por conseguinte suscitar mais dúvidas ao longo da

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sua construção, as mesmas trazem imensos benefícios na potenciação do sucesso dos alunos nas aulas, tornando-se desta forma um meio motivacional bastante útil.

As UD passaram a ter uma nova estruturação, contendo os conteúdos a ensinar em cada aula e a forma como os pretendia abordar, o que se revelou fundamental para o terceiro nível de planeamento (aula).

Nesse sentido, após nos consciencializarmos de todos os pressupostos afetos ao planeamento dos exercícios, temos que o saber interligar da melhor forma com as partes que compõem um objetivo de aprendizagem (comportamento esperado, situação, e critério de êxito) e ter a capacidade de saber distinguir os objetivos a que nos propomos, nós enquanto professores, dos objetivos a atingir pelos alunos.

Podemos então afirmar que as tarefas motoras realizadas pelos alunos ao longo das aulas não serviram como um fim em si mesmas, mas sim como um meio para alcançar uma finalidade, ou seja, para atingir os objetivos definidos na UD.

A presença de um aluno com necessidades educativas especiais, nomeadamente ao nível da sociopatia, levou igualmente a que fosse dada importância a valores como a igualdade e integração, a cooperação, empatia e o espírito de equipa, fatores decisivos para a promoção de relações de amizade e respeito entre todos bem como para a melhoria do transtorno de personalidade apresentado pelo aluno.

Para finalizar, apesar da intencionalidade na construção das UD ser a de criar um documento operacional, cuja aplicabilidade passava por facilitar o processo de planeamento e organização da disciplina, através das orientações metodológicas que compunham a sua estrutura. Dessa forma, as UD propriamente ditas passam a ser constituídas apenas pelos objetivos e competências a desenvolver nos alunos, os conteúdos e sua estruturação nas aulas e justificação dessa estruturação, criando-se assim documentos mais operacionais para consulta.

Em suma, importa referir que os objetivos inerentes às unidades didáticas foram o motivo para que as tarefas realizadas ao longo do ano letivo pelos alunos não fossem por si só como uma finalidade, mas sim como um meio para atingir os ideais propostos.

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33 Planos de aula

A criação de planos de aula é um dos pontos primários e também mais importantes, para que o professor possa ter uma melhor organização e gestão das aulas. Este foi usado desde o início do ano letivo, uma vez que contém informações relevantes que auxiliam o professor na melhor operacionalidade das aulas, servindo de guião da aula a lecionar.

Embora o seu design e gestão de conteúdos possa ser organizado de diferente forma dependendo do professor que o cria, segundo Aranha (2004) a elaboração dos planos de aula deverá conter o nome da escola de lecionação bem como o nome do professor responsável e data, hora e local da aula, identificando também o ano e a turma a lecionar, o número da aula em questão de acordo com a respetiva unidade didática (UD), devendo conter também os objetivos específicos a atingir na aula e a sua função didática. O plano de aula deverá conter ainda a explanação dos conteúdos a lecionar bem como os objetivos operacionais e o material necessário para a execução das práticas letivas a executar.

Num contexto particular, todas as informações acima referidas foram contidas nos planos de aula, sendo que às informações citadas foram adicionadas muitas outras, que se consideraram úteis para uma melhor gestão e organização das aulas.

Assim, foram adicionados diversos conteúdos, tais como a representação gráfica dos exercícios e os critérios de êxito bem como o tempo útil de cada exercício e respetivas estratégias bem como a criação de um espaço para observações consideradas pertinentes (Ver Anexo 1).

Ainda quanto aos planos de aula, importa referir que os mesmos foram formatados tendo em conta o modelo tripartido que prevê a abordagem da fase inicial, que corresponde à revisão dos conteúdos lecionados na aula anterior apresentando também os conteúdos a abordar na aula a lecionar definindo ainda a interligação estratégica daquela aula com as aulas anteriores e/ou futuras, da fase fundamental, que corresponde à explicação das tarefas motoras e consequentes objetivos a realizar e atingir bem como a indicação de instrumentos necessários para o seu alcance e da fase final, onde se

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desenvolve um balanço final da aula bem como dos alunos.

Importa referir também, que a elaboração dos planos de aula tornou-se desde a primeira hora uma tarefa simples de executar, uma vez que os mesmos estavam já referenciados e organizados pelo grupo de educação física que, dada a experiência dos professores do grupo, detinham já uma organização do plano de aula de forma por mim percecionada como correta e explicíta, uma vez que julgo conter todos os dados pertinentes para a melhoria organizativa da aula e consequente alcance dos objetivos propostos para as aulas.

Os planos de aula foram, no entanto, variadas vezes reajustados às situações ocorrentes nas aulas, uma vez que, e como já fora referido, o ensino da disciplina de educação física depende de várias variáveis que devem ser tidas em conta, nomeadamente o facto do espaço de aula ser um sistema aberto, suscetível à ocorrência de inúmeros fatores que influenciam o seu funcionamento, pelo que muitas vezes existe a necessidade de adaptação do professor às situações que não podem ser previstas, devendo assim haver um equilíbrio entre a utilização dos planos de aula e a capacidade de nos adaptarmos aos vários contextos.

4.1.3 Realização

Na área de Educação Física, ensinar revela-se um processo pedagógico complexo, uma vez que existem inúmeras variáveis que poderão alterar o processo das aulas. O planeamento surge como o grande mecanismo para uma melhor intervenção contudo, existem outras preocupações a ter em consideração: controlo de turma, clima de aula, gestão e instrução.

Por isso, mesmo sabendo que apenas na prática letiva se poderá verificar o sucesso pedagógico do planeamento, deverá ter-se em conta que o mesmo tenderá a sofrer algumas alterações ao longo do ano, dado que, e tal como refere Carreiro da Costa et al. (1996) o sucesso do processo pedagógico na disciplina de Educação Física só é possível se o professor se incumbir e tiver a preocupação de interligar as suas capacidades de diagnóstico à correta transmissão de instruções aos alunos, juntamente com a preocupação de uma boa gestão a aula e constante correção de comportamentos, (re)adaptando o

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seu estilo de ensino aos diferentes contextos e necessidades formativas dos alunos, de modo a possibilitar a melhoria do processo de ensino-aprendizagem.

Assim, serão apresentadas no presente, as várias contextualizações do planeamento e sua consequente readaptação/evolução levadas a cabo ao longo do ano letivo, sempre tendo em vista um ensino de maior e melhor qualidade, tal como objetivei desde o primeiro momento em que decidi seguir esta carreira profissional.

4.1.3.1 Evolução do processo pedagógico

Para a evolução pedagógica quer da turma, quer do professor, surge a necessidade de refletir e avaliar, no final de cada aula, os diferentes aspetos e ocorrências das aulas que mais se verificaram, pelo seu sucesso ou insucesso. Esta análise tem como objetivo principal a melhoria da intervenção pedagógica, através das elações retiradas ao longo das aulas que serviram de base para a melhoria das aulas futuras.

Assim, o balanço das aulas foi executado tendo em conta a sua subdivisão em duas grandes áreas: os aspetos relacionados com as aulas, que integram o cumprimento ou incumprimentos dos objetivos definidos para as mesmas, bem como a eficácia dos exercícios e a motivação dos alunos e respetivos comportamentos assumidos por eles fora das tarefas realizadas bem como razões que levaram a determinado comportamento; E os aspetos relacionados com a atuação do professor nas aulas, que se prendem com a análise de questões relacionadas com a transmissão do feedback pedagógico, gestão de espaços e relação do mesmo com os alunos, bem como com o controlo da turma e capacidade de adaptação a diversas circunstâncias.

Esta avaliação revelou-se de absoluta pertinência desde o início do ano letivo, pois permitiu desde logo assumir a necessidade da implementação de diversos estilos de ensino a utilizar.

Esta necessidade prendeu-se com o facto de ter presente na turma um aluno com necessidades educativas especiais bem como os níveis de motivação da turma, que variavam conforme o gosto já estabelecido pelas diferentes desportos lecionados modalidades desportivas lecionadas e os comportamentos desviantes que os alunos por vezes adotavam aquando da

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realização das tarefas.

4.1.3.2 Técnicas e estilos de ensino

Segundo Mosston e Ashworth (cit. por Sena Lino,1994), os estilos de ensino estão associados às relações entre o professor e os seus alunos, às tarefas solicitadas nas aulas, e as suas consequências no desenvolvimento dos alunos.

Neste sentido, e dado que no início do ano a relação do professor com os alunos é ainda curta e pouco desenvolvida, tive de imediato em conta que teria certamente dificuldades no domínio da turma. Devido a este facto estipulei previamente que a técnica de ensino primariamente utilizada seria a que promoveria um maior poder de comando da minha parte.

Assim, optei, desde a primeira abordagem com os alunos, por adotar o estilo de ensino por comando, que pode ser associado ao modelo de instrução direta revisto por Mesquita e Graça (2006).Este estilo de ensino permite, para além de uma maior subordinação dos alunos, uma melhor gestão e orientação da aula, assim como uma resposta mais eficaz por parte destes.

Recorrendo a um estímulo sonoro simulado através de um apito, instrumento frequentemente utilizado neste estilo de ensino, rapidamente se observou que os alunos prestavam uma resposta imediata ao pedido solicitado pelo professor, permitindo também controlar de uma forma mais eficaz o ritmo das tarefas, facto evidenciado, por exemplo, nas aulas de natação.

Contudo, e conforme relatado já neste relatório, o professor de educação física deverá utilizar técnicas que o auxiliem no sentido de melhoria do ensino, apelando à criatividade para desenvolver os níveis motivacionais da turma e alcançar com maior eficácia os objetivos propostos. Posto isto, não me bastou, portanto, assumir um comando eficaz da turma, mas também encontrar estilos de ensino mais ligados à importância avaliativa que retêm os domínios socioafetivo nos alunos e que, ao mesmo tempo, possibilitassem uma maior autonomia, permitindo aos alunos assumir determinadas decisões dentro de cada uma das situações de aprendizagem. Em atenção tive também o facto de perceber que poderia, assumindo outros estilos de ensino, concentrar a minha atenção em diferentes aspetos, como a transmissão de feedbacks

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pedagógicos, que começaram a traduzir-se de forma mais constante e eficaz, e preocupar-me com uma melhor gestão do espaço, facto que inicialmente tive certas dificuldades em manobrar.

Figura 2- Estilos de Ensino

Os estilos de ensino (figura 2), que foram analisados aquando da escolha de estilos de ensino a utilizar e que pudessem ser úteis para cumprir os objetivos propostos e também que se revelam mais frequentemente selecionados pelos professores do núcleo de educação física do local de estágio. Estes estilos de ensino são provenientes do espectro de estilos de ensino de Mosston (1966) e permite uma escolha menos tendenciosa, uma vez que não tende a definir um estilo como melhor ou pior que outro.

Os estilos de ensino de Mosston (1966) são classificados em seis tipos, tendo a estes seis sido agregados mais quatro. No entanto, o foco vai para os três estilos referidos acima, uma vez que foram, portanto, os mais utilizados na frequência letiva.

O estilo de ensino por tarefa, o qual podemos associar ao modelo desenvolvimental, revisto por Mesquita e Graça (2006) foi, por isso, utilizado

Estilos de

ensino

Inclusiv

o

- Permite adequar tarefas às capacidades individuais do aluno

- Promove a inclusão - Permite uma maior individualização do ensino

Comando

-tem como principal caracteristica a interação estimulo-resposta - o professor assume um papel

central - ao aluno cabe seguir realizar e

obedecer

Tarefa

- Permite realizar tarefas com mais sucesso;

- Permite facilitação de feedbacks individuais;

Referências

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