• Nenhum resultado encontrado

Fatal years: analyzing determinants of child mortality in two developing countries from retrospective reports of mothers

N/A
N/A
Protected

Academic year: 2021

Share "Fatal years: analyzing determinants of child mortality in two developing countries from retrospective reports of mothers"

Copied!
17
0
0

Texto

(1)

Diferenças espaciais e socioeconômicas do risco de mortalidade de jovens utilizando informações da amostra dos Censos Demográficos no Município do Rio de Janeiro.

Mario Francisco Giani MonteiroAlba Zaluar ♦ Palavras-chave: Censo Demográfico; Estimativas indiretas de mortalidade; Mortalidade em idades jovens.

Resumo

Uma das mais impressionantes e trágicas faces do quadro da saúde pública no Brasil é o número de mortes violentas que hoje ocupa o primeiro lugar como causa de mortalidade entre homens e mulheres jovens (de 15 a 29 anos).

As amostras dos Censos Demográficos de 2000 e 2010 produzem indicadores que podem subsidiar a formulação de políticas públicas para melhorar as condições de vida e reduzir as violências. Permitem também estimar diversas funções de mortalidade como 15q15, a probabilidade de um adolescente de 15 anos morrer antes de completar 30 anos, grupo etário que concentra a maior parte dos óbitos que ocorrem por causas violentas.

Objetivos. Estimar o risco de mortalidade da população de 15 a 29 anos (15q15) em áreas de favela e não favela e por Regiões Administrativas no Município do Rio de Janeiro, e evidenciar diferenças deste risco por condições socioeconômicas (raça e condição conjuga), e avaliar as mudanças entre 2000 e 2010.

Método. As fontes de dados são os Censos Demográficos de 2000 e 2010 sobre número de filhos tidos nascidos vivos (FTNV) e filhos sobreviventes (FS), categorizados segundo a condição de risco que queremos comparar. As estimativas de 15q15 foram realizadas com o programa Mortpak em dois estágios. No primeiro estágio, com o procedimento CEBCS do Mortpak geramos estimativas de 20q0 e de l(20). No segundo estágio, com estimativas de l(20), utilizando o procedimento MATCH do Mortpak, estimamos l(15) e l(30), e podemos estimar 15q15 = (l(15) – l(30))/ l(15) .

Os resultados mostram uma tendência geral de redução de riscos de 15q15 no Município do Rio de Janeiro entre 2000 e 2010, provavelmente por uma diminuição das condições de violências. Mesmo com diferentes intensidades, em todas as categorias observadas houve diminuição de 15q15 de 2000 para 2010, sendo a maior redução de risco observada para jovens cujas mães eram brancas (de 18.5/1000 para 5,3/1000). As condições de risco mais vulneráveis apresentaram as seguintes reduções de 15q15 entre 2000 e 2010:

- RAs de Renda menor: de 21,3/ 1000 para 12,8/ 1000, uma redução de 40% - Filhos de mulheres Negras: de 22,6/ 1000 para 8,7/ 1000, uma redução de 62%.

- Filhos de mulheres que não vivem com o cônjuge: de 19,0 para 8,1/1000, uma redução de 57%. Agradecemos o apoio: CNPq e FAPERJ

Trabalho apresentado no XVIII Encontro Nacional de Estudos Populacionais, ABEP, realizado em Águas de Lindóia/SP – Brasil, de 19 a 23 de novembro de 2012.

Instituto de Medicina Social da UERJ. ♦

(2)

Diferenças espaciais e socioeconômicas do risco de mortalidade de jovens utilizando informações da amostra dos Censos Demográficos no Município do Rio de Janeiro.

Mario Francisco Giani MonteiroAlba Zaluar

I – INTRODUÇÃO

Uma das mais impressionantes e trágicas faces do quadro da saúde pública no Brasil é o número de mortes violentas que hoje ocupa o primeiro lugar como causa de mortalidade entre homens e mulheres jovens (de 15 a 29 anos).

A relevância do tema já era reconhecida por Ferreira, Vasconcelos e Penna (2008) em trabalho sobre "Violência urbana: a vulnerabilidade dos jovens da periferia das cidades”:

“A mortalidade dos jovens entre 15 e 29 anos, vítimas de homicídios, nas cidades, no Brasil e no mundo, torna-se uma das questões mais preocupantes da atualidade. O homicídio como uma das principais causas de morte dos jovens coloca–se como uma verdadeira endemia. Violência sempre existiu em todas as sociedades e em todos os tempos como forma de resolver conflitos entre pessoas, na família, na comunidade e entre os países. Atualmente, no entanto, convive-se com as formas tradicionais de violência e as novas, para as quais ainda há uma certa perplexidade. A mortalidade dos jovens coloca-se como um desafio não apenas pelo aspecto quantitativo, mas principalmente pela complexidade da problemática e suas consequências de ordem demográfica, econômica, social e de saúde."

No Brasil, a utilização de indicadores demográficos e epidemiológicos para a área de saúde, baseados em estimativas de mortalidade, justifica-se por terem tradicionalmente uma participação fundamental no planejamento e gestão dos recursos de saúde e segurança, tanto em nível nacional como em nível local (Almeida, 1998).

O Censo Demográfico de 2010 produz informações que permitem estimar diversas funções de mortalidade e sobrevivência: e(0) = esperança de vida ao nascer, l(20) = ele vinte = sobreviventes à idade de 20 anos por 100.000 nascidos vivos, 15q15 = probabilidade de um adolescente de 15 anos morrer antes de completar 30 anos, e outras funções da tábua de vida, para pequenas unidades espaciais como os setores censitários, que podem gerar mapas detalhados destas funções de mortalidade e sobrevivência. Além disso, estes setores podem ser agregados para áreas de favela e não favela (asfalto); podem ser agregados também por Bairros, Regiões Administrativas (RA) e por Áreas Programáticas (AP) do Município do Rio de Janeiro e por Municípios, Microrregiões e Regionais de Saúde do Estado do Rio de Janeiro.

Por terem sua fonte de dados no Censo Demográfico 2010, é possível estimar, além de diferenças espaciais, diferenças por grupos populacionais segundo condições socioeconômicas. Também a comparação com dados do Censo Demográfico de 2000 permite uma avaliação das mudanças intercensitárias, no período de 2000 a 2010.

Trabalho apresentado no XVIII Encontro Nacional de Estudos Populacionais, ABEP, realizado em Águas de Lindóia/SP – Brasil, de 19 a 23 de novembro de 2012.

(3)

A contribuição de informações e indicadores populacionais para melhorar as condições de vida de populações vulneráveis já é conhecida há algum tempo e foi destacada por Barney Cohen, em 2001 na XXIV Conferência Geral de População da União Internacional para o Estudo Científico da População - IUSSP, ao conceituar o tema de sua sessão (The demography of vulnerable populations - La démographie des populations vulnérables):

“populações vulneráveis são constituídas por pessoas menos capazes do que outras para garantir suas próprias necessidades e interesses, devido à situação econômica, local de residência, condição de saúde, idade, nível educacional ou outra característica pessoal como raça, etnia ou sexo. A primeira etapa para desenvolver programas de apoio a estes grupos é aumentar a compreensão da magnitude e dimensões do problema, incluindo um reconhecimento maior das causas que determinam suas condições sociais e de saúde, e outras conseqüências de pertencer a um destes grupos, e um entendimento maior de como as políticas públicas podem afetá-los” (Cohen, 2001).

A vinculação entre o espaço urbano e o crime abre um intenso debate, e alguns autores se detiveram nas teses ecológicas que colocam grande peso no controle social informal dos jovens, especialmente na família, sendo a família chefiada por mulheres considerada como indicativo de desorganização, e na vizinhança, onde as associações locais têm grande importância (Sampson et al., 2002), outros sublinhando os fatores institucionais, tais como serviços públicos precários ou ineficientes, além de uma polícia mais violenta nas áreas mais pobres da cidade.

Nas favelas, onde os moradores contavam menos com os controles informais de jovens, inclusive o exercido pelas mães que trabalham fora e os exercidos por vizinhos, tais controles foram enfraquecidos no processo de militarização dos traficantes. Com estes últimos sempre disputando o controle dos pontos de venda e de poder local, a Polícia entrava nelas, até 2008, quando já estavam conflagradas pelo conflito armado entre os traficantes. Em um círculo vicioso infindável, esta situação só fazia reforçar aquelas práticas policiais baseadas no poder de fogo e na perspectiva das práticas repressivas da “guerra contra os inimigos internos” ou da “caça aos bandidos”, estabelecidas nas últimas décadas. A idéia da guerra contra outro poder armado “paralelo”, com alta capacidade de corromper, dificultava enormemente a adesão às normas legais que deveriam orientar a ação policial, já dificultada pelo alto poder de corrupção dos ricos traficantes de drogas ilegais (Zaluar, 1998, 2004).

Nosso interesse em estimar os riscos de mortalidade em idades jovens é conseqüência da concentração de causas externas entre 15 e 29 anos, sobretudo as mortes por agressão que representam em torno de 75% das causas de óbito nesta faixa de idade.

Além disso, como podemos observar na tabela 1 e nos gráficos 1 e 2, há uma redução no número de óbitos por agressão na população de 15 a 29 anos registrados pelo Sistema de Informações de Mortalidade do Ministério da Saúde, diminuindo de 1779 óbitos em 2000 para 831 óbitos em 2010. Com isso, nesse período, a percentagem de óbitos por agressão sobre o total de óbitos de 15 a 29 anos diminuiu de 55% em 2000 para 35% em 2010, e a percentagem de óbitos por agressão sobre o total de causas externas diminuiu de 76% em 2000 para 55% em 2010.

(4)

Em 2010, além da diminuição expressiva da mortalidade infantil, pode-se constatar uma notável diminuição dos óbitos por agressão na faixa de idade dos 15 a 29 anos.

Apesar disso, o pico das mortes por agressão continua sendo observado na faixa dos 15 aos 29 anos. Com números bem menores nesta faixa de idade, os acidentes continuam a não ser tão significativos entre os jovens quanto os homicídios, apesar da porcentagem menor destes entre as mortes violentas.

TABELA 1

Óbitos por agressão na população com menos de 50 anos por grupo etário para o Município do Rio de Janeiro em 2000 e 2010.

Município do Rio de Janeiro. 2000 0 a 9 anos 10 a 14 anos 15 a 29 anos 30 a 39 anos 40 a 49 anos TOTAL DE ÓBITOS 2.027 181 3223 2.463 4.429 104-113 TOTAL DE CAUSAS EXTERNAS 120 107 2352 891 701 . 110 Agressões 4 42 1779 526 317 . 104 Acidentes de transporte 26 31 239 150 149

Município do Rio de Janeiro. 2010 0 a 9 anos 10 a 14 anos 15 a 29 anos 30 a 39 anos 40 a 49 anos TOTAL DE ÓBITOS 1.425 178 2362 2.051 3.446 104-113 TOTAL DE CAUSAS EXTERNAS 124 73 1518 671 549 . 110 Agressões 5 29 831 347 199 . 104 Acidentes de transporte 13 15 274 137 135

(5)

GRÁFICO 1

Óbitos por agressão na população com menos de 50 anos por grupo etário para o Município do Rio de Janeiro em 2000.

0 1.000 2.000 3.000 4.000 5.000

0 a 9 anos 10 a 14 anos 15 a 29 anos 30 a 39 anos 40 a 49 anos

Grupo etário Núm er o de ó bi to s TOTAL DE ÓBITOS

104-113 TOTAL DE CAUSAS EXTERNAS . 110 Agressões

. 104 Acidentes de transporte

Fonte dos dados primários: MS/SVS/DASIS - Sistema de Informações sobre Mortalidade – SIM

GRÁFICO 2

Óbitos por agressão na população com menos de 50 anos por grupo etário para o Município do Rio de Janeiro em 2010.

0 1.000 2.000 3.000 4.000 5.000

0 a 9 anos 10 a 14 anos 15 a 29 anos 30 a 39 anos 40 a 49 anos Grupo etário N úm er o de ó bi to s TOTAL DE ÓBITOS

104-113 TOTAL DE CAUSAS EXTERNAS . 110 Agressões

. 104 Acidentes de transporte

(6)

Esta tendência de redução da mortalidade de jovens em consequência de agressões foi

observada também no estudo do SEADE (2007) no Município de São Paulo denominado ”Evolução do índice de vulnerabilidade juvenil – IVJ. 2000/2005” :

“Entre 2000 e 2005, a taxa de mortalidade por agressões entre os jovens de 15 a 19 anos do sexo masculino decresceu 35%, passando de 215,9 para 140,5 óbitos por 100 mil jovens, no município de São Paulo. Nas regiões mais periféricas da cidade, onde historicamente se registram taxas de mortalidade mais elevadas, as reduções foram ainda mais expressivas. Nas áreas pobres, passaram de 303,0 para 189,4 óbitos por 100 mil, correspondendo a uma queda de 38% no período. Os decréscimos também foram importantes nas áreas de classe média baixa e de classe média. Nesta última, as taxas aproximaram-se das observadas nas áreas ricas, onde se mantiveram estáveis e em níveis mais baixos. Apesar dessa aproximação, o indicador observado nas áreas pobres supera em 3,3 vezes o das regiões ricas. A redução do IVJ nas áreas mais pobres revela a diminuição das disparidades sociais intraurbanas na capital, embora as diferenças entre alguns dos componentes do índice permaneçam muito elevadas, como os casos dos indicadores de violência e de maternidade precoce. No primeiro caso, enquanto nas áreas ricas, a cada 100 mil jovens de 15 a 19 anos, 57 foram mortos devido a algum tipo de agressão em 2005, nos distritos mais pobres esse número chegou a 189.” (Seade, 2007)

(7)

II. – OBJETIVO.

O objetivo deste trabalho é utilizar dados dos Censos Demográficos de 2000 e 2010 para construir, analisar e desenvolver indicadores baseados em funções de mortalidade e sobrevivência para analisar as mudanças nos riscos de morrer jovem na última década, considerando as diferenças espaciais por Região Administrativa e por áreas de favela, as associações destes riscos com condições socioeconômicas, como renda e raça/cor da mãe, além da posição dela na família, identificando populações mais vulneráveis e contribuindo para a formulação de políticas públicas que visem à redução dos riscos de morte por agressão a jovens.

III – METODOLOGIA III.1 - Fonte do dados.

As estimativas indiretas de funções de mortalidade e sobrevivência (Brass, 1964; Trussel, 1975) utilizam como fontes de dados as informações dos Censos Demográficos de 2000 e 2010 sobre numero de filhos tidos nascidos vivos (FTNV) e filhos sobreviventes (FS) para 7 grupos etários qüinqüenais da mãe (United Nations, 1983a e 1983b): 15 a 19 anos, 20 a 24 anos, 25 a 29 anos, 30 a 34 anos, 35 a 39 anos, 40 a 44 anos e 45 a 49 anos, categorizadas segundo a condição de risco que queremos comparar (moradoras de favela com não moradoras de favela, ou categorias de renda familiar, ou raça/cor etc.). Para cada grupo etário qüinqüenal das mães é calculada a razão de mortalidade (RMORT) dos filhos tidos nascidos vivos através de um simples cálculo:

RMORT = (FTNV – FS)/FTNV.

Com o programa Mortpak (United Nations, 1988), a razão de mortalidade para estes sete grupos de idade da mãe, gera estimativas da probabilidade de morrer antes da idade x (nqx, onde n é o intervalo e x a idade inicial do intervalo).

III.2 - Procedimentos do Mortpak para gerar estas estimativas As estimativas dessas funções são realizadas em dois estágios.

No primeiro estágio, com o procedimento CEBCS (Children Ever Born/Children Surviving) do programa Mortpak, estimamos 20q0 (probabilidade de um recém-nascido morrer antes de completar 20 anos), que é aplicada sobre uma base populacional de 100.000 nascidos vivos, resultando na estimativa de l(20) x 100.000 = sobreviventes à idade 20 de uma coorte de 100.000 nascidos vivos. Assim se o valor de 20q0 for 0,012 (de acordo com a tábua de sobrevivência do Modelo Latino Americano) significa que, destes 100.000 nascidos vivos, 1200 morrem antes dos vinte anos, e o valor de l(20) (ele vinte = sobreviventes à idade de 20 anos) é = 100.000-1200= 98.200 sobreviventes à idade de vinte anos.

No segundo estágio, a partir de l(20), utilizamos o procedimento MATCH do Mortpak para estimar l(15) (sobreviventes à idade 15) e l(30) (sobreviventes à idade 30), de acordo com a tábua de sobrevivência do Modelo Latino Americano. Conseqüentemente podemos estimar 15q15 (probabilidade de um adolescente de 15 anos morrer antes de completar 30 anos) com a equação: 15q15 = (l(15) – l(30))/ l(15).

(8)

Com estas estimativas calculamos também o Risco Relativo (RR), que é a razão entre duas estimativas de 15q15; uma estimativa correspondendo à categoria de risco mais elevado (a) e outra à categoria de risco mais baixo (b), considerada como categoria de referência, à qual atribuímos o valor 1.

RR = 15q15a / 15q15b.

III.3 - Unidades espaciais e agregados especiais de setores censitários.

Para obter maior consistência nas estimativas, algumas RAs selecionadas foram agregadas em duas categorias. Uma, denominada “Renda menor”, na qual predominam as áreas de favela e a média mensal da renda principal das mulheres em idade fértil (15 a 49 anos) em 2010 era de 677,45 reais, ou seja um salário mínimo (SM), é composta pelas seguintes RAs: XXVII Rocinha, XXVIII Jacarezinho, XXIX Complexo do Alemão, XXX Maré e XXXIV Cidade de Deus.

A outra categoria, denominada “Renda maior” tinha uma média mensal de renda principal das mulheres em idade fértil (15 a 49 anos) em 2010 igual a 2.808,18 reais, é composta pelas seguintes RAs: IV Botafogo,V Copacabana,VI Lagoa,VIII Tijuca e IX Vila Isabel.

III.4 - Outras condições consideradas como determinantes de vulnerabilidade

As outras condições, a serem consideradas como determinantes de vulnerabilidade, foram subdividas em duas categorias para obter mais representatividade estatística nas comparações por local de moradia. São elas:

Raça, subdividida em duas categorias: Branca e Negra (Pretos mais Pardos, segundo denominação do IBGE)

Condição familiar, considerando apenas se a mãe vive com um cônjuge ou não, portanto apenas duas categorias: Sim e Não.

(9)

IV – RESULTADOS

IV.1 – Diferenças de 15q15 entre agregados de RAs em renda maior e renda menor. A comparação entre os dados agregados de mortes prematuras entre as RAs de Renda maior e as de Renda menor também revelaram uma melhora substancial na proteção aos mais vulneráveis, como se pode notar no gráfico 3. Essa melhora se deu nos dois grupos selecionados de RAs, tal como explicado no item anterior (Metodologia), mas ela foi muito mais marcante nas RAs de baixa renda, onde o decréscimo foi de 40% ( de 21,3/ 1000 para 12,8/ 1000, enquanto que nas de renda alta, a diminuição foi da ordem de 20%.

GRÁFICO 3

Estimativas de 15q15 (por mil) para agregados de RAs categorizados em “renda maior“ e “renda menor“ no Município do Rio de Janeiro. Censos de 2000 e 2010.

8,2 21,3 6,6 12,8 0 5 10 15 20 25

Renda maior Renda menor

Agregados de RAS

15q

15 x 1.

000

2000 2010

Fonte dos dados primários: IBGE – Amostra dos Censos Demográficos de 2000 e 2010. Nas RAs de renda maior houve uma redução de 1,6 mortes na probabilidade de mil adolescentes de 15 anos morrerem antes de completar 30 anos (de 8,2/1000 para 6,6/1000). Isto corresponde a uma diminuição de 19,5% na estimativa de 15q15 no agregado de ”Renda maior” entre os Censos de 2000 e 2010. Já nas RAs de ”Renda menor”, onde predominam as áreas de favela, a redução foi de 8,5 mortes na probabilidade de mil adolescentes de 15 anos morrerem antes de completar 30 anos (de 21,3 para 12,8), ou seja, uma redução de 40,0% na estimativa de 15q15 entre 2000 e 2010, indicando uma redução significativamente maior nas áreas de favela.

Isto quer dizer que a desigualdade, no que se refere às mortes prematuras, 75% das quais ocorrendo devido a óbitos por agressão (Tabela 1), também diminuiu. Enquanto em 2000, essas mortes nas áreas de favelas selecionadas ou RAs mais pobres eram 2,6 vezes maior do que as

(10)

ocorridas nas RAs de Renda maior (Risco Relativo = 2,6), em 2010 as mortes de jovens entre 15 e 30 anos nas áreas selecionadas de favelas não chegavam ao dobro (RR=1,9) deste risco nas RAs selecionadas de renda maior. Mesmo assim, o risco de morrer entre os 15 e os 30 anos é significativamente maior nas áreas de favela observadas em 2010. Ainda há uma marcante desigualdade, mas a diminuição foi grande, o que sugere que as políticas públicas adotadas para redução da violência no Município do Rio de Janeiro tiveram bastante eficácia.

IV.2 – Diferenças de 15q15 entre jovens de mães brancas e negras.

Quando consideramos a raça/cor da mãe nessa comparação inter-censitária, verificamos que, embora a desigualdade entre a probabilidade de que os filhos tidos de mães negras morram prematuramente entre 15 e 30 anos continue bem maior do que entre os filhos tidos de mães brancas, as diferenças entre essas probabilidades de 2000 para 2010 diminuíram substancialmente, sem importar a raça/cor da pela da mãe.

GRÁFICO 4

Estimativas de 15q15 (por mil) para filhos de mulheres brancas e negras no Município do Rio de Janeiro. Censos de 2000 e 2010.

15q15 18,5 5,3 22,6 8,7 0 10 20 30 2000 2010

Mulheres brancas Mulheres negras

Fonte dos dados primários: IBGE – Amostra dos Censos Demográficos de 2000 e 2010. Comparando os riscos de 15q15 de filhos de mulheres brancas com os filhos de mulheres negras (pretas+pardas) observamos uma diferença desfavorável aos filhos de mulheres negras

(11)

tanto em 2000 como em 2010, mas houve uma redução evidente deste risco nos dois grupos de jovens (Gráfico 4).

Para filhos de mulheres brancas o risco estimado por 15q15 diminuiu de 18,5/1000 para 5,3/1000, uma redução de 13,2 óbitos entre 15 e 30 anos por mil adolescentes de 15 anos. Para filhos de mulheres negras esta redução foi um pouco maior, foi de 13,9/1000, passando de 22,6/1000 no Censo 2000 para 8,7/1000 em 2010. No entanto, percentualmente, o risco diminuiu mais para os filhos de mães brancas: de 2000 para 2010 o risco de 15q15 caiu 39,1% para filhos de mães brancas e de 18,1% para o grupo de adolescentes cujas mães eram negras.

Em consequência disso, a razão de riscos que em 2000 era 1,2 vezes maior para filhos de mulheres negras aumentou para 1,6 vezes maior em 2010.

IV.3 – Diferenças de 15q15 entre jovens de mães que não vivem com o cônjuge. Tanto em 2000 como em 2010, há um risco adicional para os adolescentes de 15 anos de morrerem antes de completar 30 anos quando as mães não viviam com o cônjuge (Gráfico 5).

GRÁFICO 5

Estimativas de 15q15 (por mil) para filhos de mulheres que não vivem com o cônjuge no Município do Rio de Janeiro. Censos de 2000 e 2010.

19,0 8,1 14,0 6,5 0 5 10 15 20 25 2000 2010 15q 15 x 1000

Mulher que não vive com o cônjuge

Mulher que vive com o cônjuge

Em 2000 este risco estimado por 15q15 era de 19,0/1000 se as mães não viviam com o cônjuge e bem menor (14,0/1000), quando as mães viviam com o cônjuge.

Isto dá uma razão de 1,4 vezes maior para o risco de 15q15 de jovens de 15 anos cujas mães não viviam com o cônjuge em 2000.

As estimativas com dados do Censo 2010 mostram uma clara redução de 15q15 para os filhos dos dois grupos de mães. De 2000 a 2010 o risco de um adolescente de 15 anos cujas mães

(12)

vivem com o cônjuge diminuiu 19,8%. Para o grupo de maior risco, adolescentes e jovens cujas mães não viviam com o cônjuge, a redução de risco foi maior, diminuiu 26,3% entre os Censos de 2000 e 2010. No entanto a relação entre riscos não se alterou significativamente, passando de RR = 1,4 em 2000 para um risco relativo (RR) 1,3 vezes maior em 2010 no grupo de jovens cujas mães não moravam com o cônjuge comparado com o grupo de jovens cujas mães moravam com o cônjuge.

V – DISCUSSÃO DOS RESULTADOS

Para entender a redução de riscos por homicídio na população de 15 a 29 anos entre 2000 e 2010 é preciso retomar algumas das teorias que vinculam as várias dimensões do espaço urbano à manifestação da violência e da criminalidade. Já havia certo consenso entre os estudiosos de que as variáveis macro-sociais relativas às pessoas (idade, gênero, escolaridade, renda familiar, etc.) não eram suficientes para explicar as diferentes taxas de criminalidade entre bairros, socialmente semelhantes, dentro da mesma cidade. Isto por que as variáveis pessoais e familiares indicadoras da pobreza não explicam totalmente a arregimentação de jovens para as atividades do tráfico onde ficam vulneráveis à morte prematura por agressão via arma de fogo.

No entanto, autores como Gottfredson e Hirschi, (op.cit) apelam para a socialização infantil na família, o que demonstra a necessidade de interagir diversas variáveis, entre as quais a família. Para socializar os filhos, o pai ou mãe devem estar atentos para os comportamentos desviantes das filhos, punindo-os quando ocorrem. Quando a socialização é falha por causa do descuido ou indiferença materna e paterna, ou quando o responsável está ausente por causa do trabalho, a criança pode vir a agir com violência para obter o que deseja (McLoyd, 1990; Hackman et.al. 2010).

Porém, isto quer dizer que os pais deveriam ser capazes de reconhecer quando regras sociais de respeito aos demais participantes dos jogos sociais foram quebradas. Participar de jogos da sociabilidade, conviver em locais públicos, portanto fora da família, são modos imprescindíveis para se conhecer as regras da civilidade e do respeito aos outros, adquirindo noções “informais”, “básicas” ou “populares” do que é justo ou injusto nas relações pessoais, usualmente regidas pelas regras da reciprocidade.

Proporcionar a convivência social em espaços públicos e a socialização na ordem pública (Hunter, 1985; Zaluar e Ribeiro, 2009) vem a ser, portanto, parte da dinâmica que vai permitir romper o círculo vicioso da violência que também ocorre na família, mas não apenas nela. A mãe chefe de família que trabalha fora de casa tem dificuldades maiores para exercer seu papel de socializadora visto que fica ausente durante quase todo o dia. Se não conta com a ajuda da família extensa ou de vizinhos, e se não há creches e escolas, além de projetos esportivos e culturais para os jovens no local onde moram, a longa ausência dela tornará seus filhos mais vulneráveis à atração exercida pelas quadrilhas de traficantes

Não se nega, portanto, que a pobreza, conjugada às falhas do Estado na criação de possibilidades de ascensão social ou aquisição de respeito, às quais se deve adicionar o hedonismo de novas culturas jovens, estimula a adesão de jovens ao uso de drogas ilícitas e às práticas violentas do tráfico delas, aumentando a exposição aos riscos. Também a urbanização muito rápida, além de não garantir emprego para todos os migrantes e, depois, para os seus filhos que não adquirem o nível de escolaridade suficiente para sair da faixa de alto desemprego entre jovens (Schwartzman e Cossío, 2007), não permite que as práticas sociais urbanas da tolerância e

(13)

O próprio crescimento das favelas na cidade tem que ser considerado em articulação com a migração desordenada e a informalidade dos negócios imobiliários nas “aglomerações subnormais”, assim definidas pelo IBGE, que se tornaram um novo mercado para muitos bens, inclusive os imobiliários. A falta de controle legal sobre tais negócios, a dificuldade de acesso ao sistema de justiça pelos seus habitantes, assim como os obstáculos urbanos criados pela construção densa de tais aglomerados fizeram das favelas alvos do crime organizado ou “santuários”, alguns inexpugnáveis, para traficantes armados do varejo das drogas. A rivalidade tornada mortal entre os comandos do tráfico que se organizaram desde a prisão tornaram necessário dominar territorialmente as favelas, o que começou a ocorrer ainda no final dos anos 1980. Disso decorreu uma corrida armamentista entre os comandos, como forma de amedrontar os adversários e inibir invasões e beligerâncias, aumentando a taxa de homicídios entre os jovens, recrutados como soldados do tráfico (Zaluar, 1994 e 2004).

Mas há que considerar outras dimensões que ultrapassam os limites da cidade e do país. O surgimento e crescimento do crime organizado ou crime-negócio deve ser entendido no pano de fundo de grandes mudanças macro-sociais no mundo e no Brasil. Sem considerar as estratégias eficazes de corrupção dos agentes da lei, não seria possível compreender a facilidade com que armas e drogas chegam até as favelas e bairros populares do Rio de Janeiro (Zaluar, 1994), nem como as mercadorias roubadas - automóveis, caminhões, jóias, eletrodomésticos -, usadas como valor de troca na compra de drogas ilegais, chegam com facilidade ao seu destino em outros estados e países vizinhos que precisam de escoadouros desimpedidos (Geffray, 2002). Os mecanismos e fluxos institucionais do sistema de Justiça, ineficaz no combate ao crime organizado, criam ao mesmo tempo ilhas de impunidade e focos de cumplicidade para garantir a continuidade do negócio, diminuindo as perdas dos envolvidos nele.

De uma dinâmica da economia informal transfigurada em ilegal, cristaliza-se a “cultura de rua” violenta. Segundo um autor que estudou esta cultura nos Estados Unidos da América (Bourgois, 1996) os milhões de dólares dos negócios na rua, não bem estimados, tornaram-se “a estratégia masculina mais visível publicamente” ou uma “alternativa para a dignidade pessoal autônoma”.

As favelas e seus arredores tornaram-se assim parte das áreas quentes da ecologia do perigo, socializando os jovens vulneráveis no desejo e no manejo das armas de fogo, elementos-chave da nova “cultura de rua”, criando as áreas quentes da morte prematura deles. O porte de armas de fogo, por sua vez, se explica pelo contexto sócio-cultural dos pequenos grupos a que pertencem os jovens que seguem os valores e práticas desta cultura de rua.

Alguns estudos, sobretudo os feitos nos Estados Unidos, apontam o grupo de pares como o maior preditivo de delinqüência entre homens jovens, especialmente os crimes violentos mais graves e o hábito de portar armas (Myers et. all, 1997) . A família poderia influir direta ou indiretamente, mas é a rede de relações do jovem com outros jovens de sua idade ou com jovens de idade superior que aparecem como mais importantes para se entender o seu comportamento. Outros estudos afirmam que, entre os preditores da violência, carregar arma e repetência na escola são os mais importantes para jovens (Ellickson et. all., 1997; Resnick et. all, 2004). Mais do que uma inclinação natural dos homens jovens pobres à violência, o que explica o aumento da taxa de homicídios nos locais onde vivem é a alta concentração de armas nestes locais. É isso que cria o que o criminologista Jeffrey Fagan (2005) chamou "ecology of danger". Depois de entrevistar 400 jovens nas vizinhanças mais perigosas de Nova Iorque, o autor descobriu que a violência se expandiu entre 1985 e 1995 pelo contágio de idéias e posturas entre colegas e vizinhos. Nas várias pesquisas de campo realizadas pela equipe do NUPEVI no Rio de Janeiro,

(14)

sempre foi assinalada, desde 1980, a facilidade e a quantidade de armas disponíveis para os jovens moradores das favelas tidas como perigosas.

VI – CONCLUSÕES

Os resultados mostram uma tendência geral de redução de riscos de 15q15 no Município do Rio de Janeiro entre 2000 e 2010, provavelmente por uma diminuição das condições de violências.

Para entender as diferenças observadas entre algumas Regiões Administrativas (RAs) que englobam favelas e outras, que embora tenham algumas áreas de ocupação “subnormal” são predominantemente de renda mais alta no asfalto, é necessário levar em conta não só o contexto socioeconômico, mas também o institucional, desde a perspectiva da complexidade, que focaliza a interação entre múltiplas variáveis. É preciso, pois, entender como as mudanças na política de segurança pública e demais políticas públicas afetaram diferencialmente os filhos de mães negras, chefes de família e moradoras de certas áreas da cidade, levando em consideração o que já foi apurado em pesquisas anteriores sobre o contexto social e político das áreas respectivas.

Por isso tudo a diminuição nas taxas de homicídio entre os jovens, ocorrida entre 2000 e 2010, não é explicada apenas pela diminuição da pobreza e da desigualdade. O processo de pacificação ocorrido em três das cinco maiores favelas do Rio de Janeiro que são regiões administrativas da cidade (Cidade de Deus, Complexo do Alemão e Rocinha) teve como objetivo principal desmantelar os domínios exercidos pelos traficantes armados, prendendo ou expulsando os chefes e apreendendo as armas e as drogas ilegais. Por isso mesmo a diminuição naquelas taxas foi mais marcante nas áreas de favela ou de renda mais baixa.

Mesmo com diferentes intensidades, em todas as categorias observadas houve diminuição de 15q15 de 2000 para 2010, sendo a maior redução de risco observada para jovens cujas mães eram brancas:

RAs de Renda maior: de 8,2/ 1000 para 6,6/ 1000, uma redução de 20% RAs de Renda menor: de 21,3/ 1000 para 12,8/ 1000, uma redução de 40% Filhos de mulheres Brancas de: 18,5/ 1000 para 5,3/ 1000, uma redução de 71% Filhos de mulheres Negras: de 22,6/ 1000 para 8,7/ 1000, uma redução de 62%

Filhos de mulheres que vivem com o cônjuge: de 18.5/1000 para 5,3/1000, uma redução de 54% Filhos de mulheres que não vivem com o cônjuge: de 18.5 para 5,3/1000, uma redução de 57%.

As mudanças, de 2000 para 2010, dos riscos relativos de 15q15 comparando a categoria de maior risco com a categoria de menor risco foram as seguintes:

- os RR de 15q15 comparando RAs de renda menor (áreas de favela) com as RAs de renda maior diminuíram as diferenças, com um Risco Relativo = 2,6 em 2000 caindo para RR=1,9 em 2010; - já comparando o risco de filhos de mulheres negras com filhos de mulheres brancas, observa-se um aumento na diferença relativa de risco: de uma estimativa de RR = 1,2 em 2000 passa para RR= 1,6 em 2010, mesmo com a redução significativa de risco para filhos de mulheres negras. - para o grupo de jovens cujas mães não moravam com o cônjuge comparado com o grupo de jovens cujas mães não moravam com o cônjuge, o Risco Relativo quase não mudou, passando de RR = 1,4 em 2000 para um RR = 1,3 em 2010.

Apesar de eventuais erros amostrais e limitações metodológicas das técnicas para estimativas indiretas de mortalidade, os resultados mostraram-se consistentes, apontando diferenças espaciais e socioeconômicas significativas e refletindo também a redução dos riscos de morte por agressão na população jovem no Município do Rio de Janeiro entre 2000 e 2010.

(15)

ALMEIDA, M.F. Descentralização de sistemas de informação e o uso das informações a nível municipal. Informe Epidemiológico do SUS, v. VIII, n. 3, p. 27-34, 1998.

BOURGOIS, P. In Search of Respect, selling crack in el barrio. Cambridge e New York: Cambridge University Press; 1996.

BRASS, W. 1964. Uses of census or survey data for the estimation of the vital rates. (E/CN.14/CAS.4/V57), paper prepared for the African Seminar on Vital Statistics, Addis Ababa. 14- 19 December 1964.

COHEN, B. 2001. Outlines of section 48 – Vulnerable populations. In: sessão 48 – The demography of vulnerable populations. XXIV Conferência Geral de População da União Internacional para o Estudo Científico da População (IUSSP), 2001.

Disponível em http://www.iussp.org/Brazil2001/Outlines/S48.htm

ELLICKSON, P.; SANER, H. & MCGUIGAN, K. Profiles of violent youth: Substance use and other concurrent problems. American Journal of Public Health, 87(6), 985-991. 1997.

Disponível em http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC1380935/

FAGAN, Jeffrey. Policing Guns and Youth Violence. Children, Youth, and Gun Violence, Volume 12, Number 2; 2005.

Disponível em http://www.futureofchildren.org/futureofchildren/publications/docs/12_02_09.pdf FERREIRA, Ignez Costa Barbosa; VASCONCELOS, Ana Maria Nogales ; PENNA, Nelba Azevedo . Violência urbana: a vulnerabilidade dos jovens da periferia das cidades. In: XI Encontro Nacional de Estudos Populacionais, 2008, Caxambu. XI Encontro Nacional de Estudos Populacionais, 2008. disponível em

http://www.abep.nepo.unicamp.br/encontro2008/docsPDF/ABEP2008_1188.pdf

GEFFRAY C. Social, economic and political impacts of drug trafficking in the state of Rondônia. In: the Brazilian Amazon. In: Geffray C, Fabre G, Schiray M, organizadores. Globalization, Drugs and Criminalization, Paris: UNODCCP; 2002. vol 1.

GOTTFREDSON, Michael R. & HIRSCHI, Travis. “In Defense Of Self-Control. Theoretical Criminology, Vol. 4, Nº 1, (2000) Pp. 55-69.

HACKMAN, Daniel A.; FARAH, Martha J. and MEANEY, Michael J. Socioeconomic status and the brain: mechanistic insights from human and animal research. Nature Reviews Neuroscience. Volume 11, September 2010.

HUNTER, Albert. “Private, Parochial and Public Social Orders: The Problem of Crime and Incivility in Urban Communities”, in G. Suttles e M. Zald (eds.). The Challenge of Social Control. Norwood, NJ, Ablex Publishers;1985.

(16)

psychological distress, parenting, and socioemotional development. Child Development. 61, 311– 346; 1990.

MYERS GP, MCGRADY GA, MARROW C, Mueller CW. Weapon carrying among Black adolescents: A social network perspective. American Journal of Public Health, American Public Health Association; 1997.

RESNICK M, IRELAND M, BOROWSKY I. Youth Violence Perpetration: What Protects? What Predicts? Findings from the National Longitudinal Study of Adolescent Health. Journal of Adolescent Health 2004; 35:424.

SAMPSON, Robert J., MORENOFF, Jeffrey D. e GANNON-ROWLEY, Thomas. “Assessing Neighborhood Effects: Social Processes and New Directions in Research”. Annual Reviews Sociology, vol. 28, pp. 443-78; 2002.

SEADE. Evolução do Índice de Vulnerabilidade Juvenil – IVJ. 2000/2005. São Paulo, Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados. 2007.

TRUSSEL, J. T. A re-estimation of the multiplying factors for the Brass technique for determining childhood survivorship rates. Population Studies, vol. XXIX . No. I (March 1975). pp. 97-108

UNITED NATIONS. Manual X. Indirect techniques for demographic estimation. A collaboration of the Population Division of the Department of International Economic and Social Affairs of the United Nations Secretariat with the Committee on Population and Demography of the National Research Council, United States National Academy of Sciences. Department of International Economic and Social Affairs. Population Studies, No. 81. UNITED NATIONS, New York, 1983a. Disponível em

http://www.un.org/esa/population/publications/Manual_X/Manual_X_Preface_TOContents.pdf UNITED NATIONS. Chapter III: Estimation of child mortality from information on children ever born and children surviving. In Manual X. 1983b.

Disponível em http://www.un.org/esa/population/publications/Manual_X/Manual_X_Chapter_3. UNITED NATIONS, Department of International Economic and Social Affairs. MortPak. The United Nations Software Package for Mortality Measurement. 1988. (Manual). Disponível em http://www.un.org/esa/population/publications/MortPak_SoftwarePkg/MortPak_CH1.pdf ZALUAR, Alba & MONTEIRO, Mario F. G. “Desigualdades regionais do risco de

mortalidade de jovens: Raça, renda e/ou escolaridade da mãe?” Dilemas: Revista de Estudos de Conflito e Controle Social - Vol. 5 - no 3 - JUL/AGO/SET 2012 - pp. 369-386.

ZALUAR, Alba & RIBEIRO, Ana Paula A. Teoria da Eficácia Coletiva e Violência: O Paradoxo do Subúrbio Carioca. Novos Estudos CEBRAP, nº 84, São Paulo; 2009. Disponível em

(17)

ZALUAR, Alba. Condomínio do Diabo. Rio de Janeiro, Revan. 1994.

______. Para Não Dizer que Não Falei de Samba. In: L. M. SCHWARCZ (org.), História da Vida Privada no Brasil. São Paulo: Companhia das Letras. v. 4. 1998.

Referências

Documentos relacionados