PERFIL DAS MULHERES NEGRAS BRASILEIRAS 1992/2002
*Hildete Pereira de Melo♥
Cristiane Soares ♣
Resumo
Na última década o movimento de mulheres brasileiro assumiu a denúncia de que o poder é distribuído de forma diferente na sociedade, distinguindo a questão feminina sob o prisma de classes sociais, cor/raça, geracional e opção sexual. Esta perspectiva permitiu reconhecer que sob o olhar de “gênero” é possível analisar os diferentes impactos das políticas públicas no contexto sócio-cultural da sociedade. Com essas preocupações o presente estudo tem como objetivo traçar um perfil da população brasileira por cor e sexo para os anos de 1992 e 2002 a partir dos microdados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios do IBGE. E assim analisar sob o prisma de gênero a condição racial da população brasileira. Esta pesquisa almeja contribuir para denúncia da desigualdade racial e ao mesmo tempo para a elaboração de políticas que promovam a equidade de gênero e racial na sociedade brasileira. Os principais indicadores analisados foram: a distribuição da população brasileira por cor ou raça, o acesso à educação, o acesso aos serviços básicos de água e saneamento, a inserção da população no mercado de trabalho, a condição na família e a questão da fecundidade entre as mulheres. O cruzamento dos dados mostra que alguns indicadores melhoraram, mas isso não permite ainda afirmar que a sociedade está avançando em termos de superação das desigualdades. Pelo contrário, elas existem e permanecem enraizadas, mostrando que políticas implantadas na última década não necessariamente levaram ao desenvolvimento social, porque elas não romperam com um quadro de acesso desigual às oportunidades. Na maioria dos indicadores analisados observou-se que os negros apresentam características sociodemográficas piores do que os brancos.
PERFIL DAS MULHERES NEGRAS BRASILEIRAS 1992/2002
*Hildete Pereira de Melo♥
Cristiane Soares ♣
1. Introdução
Na última década o movimento de mulheres nacional de forma mais contundente assumiu a denúncia de que o poder é distribuído de forma diferente na sociedade: e ao incorporar a análise à luz do conceito “gênero” ampliou o escopo analítico da problemática feminina, agora distinguindo esta questão sob o prisma de classes sociais, cor/raça, geracional e opção sexual. 1 Esta perspectiva também permitiu alargar o escopo teórico do feminismo. Através da valoração do trabalho doméstico e da denúncia da sua naturalização e finalmente reconhecer que sob o olhar de “gênero” é também possível avalizar os diferentes impactos das políticas públicas, E dessa forma contribuir para a construção de uma sociedade mais igualitária.
O desenvolvimento nacional ao longo do século XX foi incapaz de absorver toda a sua população e nas duas últimas décadas este processo foi condicionado pelos ajustes estruturais patrocinados pelas instituições financeiras e pelo mercado de capitais que aumentou consideravelmente a concentração de renda e agravou as situações de desigualdade social. Assim, as mulheres, os negros e os indígenas sofreram de forma mais contundente essas desigualdades. A questão foi que a crescente inserção produtiva das mulheres no mercado de trabalho nas duas últimas décadas, realizou-se num quadro tenso e conflituoso, no qual o mundo do trabalho vive e/ou (eu) profundas mudanças: tais como aumento do desemprego, novas formas de organização do trabalho, desestruturação dos sindicatos e precarização das relações de trabalho. Estas transformações foram utilizadas pelas forças capitalistas para incentivar a competição entre os (as) trabalhadores (as), permanecem as diferenças salariais entre homens e mulheres, embora estas tenham diminuído na década de 1990, mas teimosamente ainda persistem. O importante é que se mantém o padrão de divisão sexual e social do trabalho que segmenta atividades produtivas e reprodutivas na base do sexo. Os avanços e conquistas da luta das mulheres foram reconhecidos pela sociedade internacional e nacional com a criação de instrumentos de proteção, mas as desigualdades de gênero se mantêm continuadamente alimentadas pelo enxugamento e desestruturação das responsabilidades sociais do Estado.
Em paralelo a essa luta pela construção de uma sociedade igualitária entre mulheres e homens avulta a questão racial no Brasil. 2Organizações negras se multiplicaram no país nos últimos trinta anos e identificam a ideologia da democracia racial como tendo provocado uma despolitização da desigualdade racial por parte dos que sofrem com ela, bem como a
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Nesse trabalho o termo negras refere-se a população preta e parda. Artigo baseado numa pesquisa realizada para CRIOLA.
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Professora Doutora da Faculdade de Economia da Universidade Federal Fluminense (UFF). ♣
Técnica do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 1
O conceito gênero refere-se aos papéis sociais que são aprendidos pelas mulheres e homens durante o seu processo de socialização como membros de uma sociedade. Segundo este enfoque as diferenças que se observam nas relações entre mulheres e homens não são de origem biológica, mas de caráter social e cultural. Ver sobre este assunto Oakley (1972) e Soihet (1997).
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discriminação sistemática dos negros no mercado de trabalho e na educação. 3 Para as mulheres esta questão resulta numa dupla discriminação: mulher e negra. Claro, que isso tudo permeado pela penúria da distribuição de renda que de maneira sistemática se abate sobre a população preta e parda (Melo, 2004). Para melhor conhecer os mecanismos da desigualdade é necessário desagregar as informações sobre os atributos raça/cor numa perspectiva de gênero e assim poder explicitar de forma clara situações discriminatórias que ainda permanecem e mesmo se aprofundaram nos anos 1990 (SEADE, 2004, n.12).
Com essas preocupações o presente estudo tem como objetivo traçar um perfil da população brasileira por cor e sexo para os anos de 1992 e 2002. E assim analisar sob o prisma de gênero a condição racial da população. A base de dados utilizada foi os microdados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Há um reconhecimento social de que os indicadores produzidos a partir das pesquisas nacionais sobre mercado de trabalho vigentes no país são cada vez mais importantes como instrumentos no processo de formulação de políticas públicas. Por isso esta pesquisa almeja contribuir para denúncia da desigualdade racial e ao mesmo tempo para elaboração de políticas que promovam a equidade de gênero e racial na sociedade brasileira. Os principais indicadores analisados foram às características sociodemográficas básicas, tais como: a distribuição da população brasileira por cor ou raça, o acesso à educação, o acesso aos serviços básicos de água e saneamento, a inserção da população por cor no mercado de trabalho, a condição na família e a questão da fecundidade entre as mulheres.
2. Perfil sociodemográfico da população por cor 2.1. Distribuição da população por cor e sexo
A população brasileira em 2002 estava composta por 51,2% de mulheres e 48,8% de homens, há, portanto cerca de 4.227.138 mulheres a mais do que homens na sociedade brasileira (PNAD/IBGE, 2002). Os dados da tabela 1 mostram que se ampliou à presença feminina na população total. Em 1992 havia um excedente de mulheres de 2.718.751, e em 2002 este excedente em números absolutos praticamente dobrou. O interessante destes números é conhecer quem são estas mulheres?
De acordo com a distribuição da população por sexo e cor, é possível verificar que o excedente feminino já em 1992 era de mulheres brancas, num total de 2.909.481 mulheres. As negras (pretas e pardas) apresentavam um déficit de 183.530 mulheres diante da população masculina. Desagregando estes dados por grandes regiões nota-se a diáspora dos homens nordestinos. Vejam que em 1992 as mulheres pretas e pardas era a maioria nesta região e no Sul havia apenas um maior número para a população feminina de cor preta. Em 2002 (Tabela 2) há uma pequena alteração, as mulheres pardas apresentam um número um pouco maior, mas continua o déficit de mulheres pretas em relação aos homens de cor preta. Desta forma o grosso do excedente feminino é majoritariamente de mulheres brancas. De forma interessante nestes dezanos, no período compreendido entre 1992 e 2002, observa-se
A grande conclusão dessa análise revela que a distribuição da população por cor e sexo neste período é que em 1992 havia um contingente de quase 3 milhões de mulheres brancas superior ao número de homens brancos. Enquanto que para pretos e pardos praticamente não havia diferente entre o número de homens e mulheres, mas com uma pequena supremacia do número de homens. Em 2002, o excedente de população feminina de cor branca supera os 4 milhões de pessoas, enquanto que para os demais grupos de cor se observa uma tendência de igualdade entre homens e mulheres. Contudo, a população feminina de cor parda ultrapassa um pouco a população masculina da mesma cor.
Gráfico 1
Taxa de crescimento anual da população por cor Brasil -1992/2002 1,7 1,7 2,1 1,4 1,6 1,7 1,6 1,9
Total Branca Preta Parda
Homens Mulheres
Fonte: IBGE, PNAD 1992/ 2002. Elaboração própria a partir dos microdados.
Branca Preta Parda Branca Preta Parda
Brasil (1) 71 642 360 37 946 718 3 944 083 29 380 472 74 361 111 40 856 199 3 907 324 29 233 701 Norte (2) 3 021 517 885 793 90 281 2 235 086 3 171 381 1 062 825 75 301 2 203 382 Nordeste 21 100 763 5 626 658 1 296 228 14 162 286 22 221 716 6 432 584 1 307 073 14 460 008 Sudeste 31 374 696 19 957 981 2 120 938 9 050 386 32 547 120 21 343 846 2 085 717 8 874 383 Sul 11 075 886 9 271 447 289 929 1 456 370 11 386 056 9 667 316 303 615 1 365 693 Centro-Oeste 4 862 095 2 204 839 146 707 2 476 344 4 846 916 2 349 628 135 618 2 330 235
Fonte: IBGE, Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios 1992 (microdados).
(1) Exclusive a população rural de Rondônia, Acre, Amazonas, Roraima, Pará e Amapá. (2) Exclusive a população rural.
Tabela 1
População total e sua respectiva distribuição percentual, por cor e sexo - Grandes Regiões - 1992
Homens Mulheres
Cor
Total Total Cor
Grandes Regiões
Branca Preta Parda Branca Preta Parda
Brasil (1) 83 720 199 43 700 876 4 850 211 34 671 068 87947337 47 827 938 4 765 801 34 785 621 Norte (2) 4 793 105 1 299 129 246 873 3 385 176 5 002 056 1 477 326 221 559 3 390 928 Nordeste 24 000 724 6 947 931 1 385 462 15 570 266 24 968 172 7 871 207 1 275 911 15 701 116 Sudeste 36 108 215 22 421 486 2 481 305 10 940 105 38 567 553 24 744 635 2 540 949 11 010 505 Sul 12 651 811 10 426 586 460 785 1 707 223 13 152 735 10 920 170 484 358 1 665 986 Centro-Oeste 6 009 781 2 605 744 275 786 3 068 298 6 143 900 2 814 600 243 024 3 017 086
Fonte: IBGE, Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios 2002 (microdados).
(1) Exclusive a população rural de Rondônia, Acre, Amazonas, Roraima, Pará e Amapá. (2) Exclusive a população rural.
Cor
Tabela 2
População total e sua respectiva distribuição percentual, por cor e sexo - Grandes Regiões - 2002
Grandes Regiões
Homens Mulheres
1.2. Família
As mulheres brasileiras vivem transformações no âmbito da família, embora ainda predomine a chefia masculina, mas, dos domicílios com a tradicional dona-de-casa, surgem novas famílias cuja pessoa de referência, agora, é mulheres. Em dez anos o número de mulheres chefes de família sofreu uma variação em torno de 73%. Contudo, foram às mulheres pretas chefes de família que mais aumentaram sua participação, em 6,8 pontos percentuais em relação a 1992. Ao se comparar a proporção de mulheres chefes por cor observou-se que essa era uma característica mais presente entre as mulheres de cor preta. Em 1992, 17,8% das mulheres pretas era chefe de família, cujo percentual se eleva para 24,6% em 2002 (Tabelas 3 e 4).
Em 1992, 69% das mulheres chefes não possuíam cônjuge e tinham filhos. Em 2002, esse percentual reduziu para 63% (Tabelas 5 e 6). Isso é reflexo do aumento de mulheres que se declaram chefe mesmo com a presença de cônjuge. A entrada das mulheres no mercado de trabalho e a provisão do rendimento ou contribuição destas como provedoras de parte da renda familiar são características que apontam para uma tendência cada vez mais crescente que é o aumento da chefia feminina em domicílios com cônjuge. Isso reflete o aumento da taxa de atividade por sexo, como mostram Soares & Oliveira que, “embora à taxa masculina ainda seja consideravelmente maior que a feminina, a participação das mulheres no mercado de trabalho vem aumentando. Em 1992, a taxa feminina era de 47.2%; em 2001, esta aumentou para 48,9%. Em relação aos homens, ocorre o inverso: a taxa masculina sofre uma redução de 76,6% para 72,8%, no mesmo período.” ( Soares & Oliveira, 2004, 8/9)
As mulheres pretas e pardas chefes de domicílios com filhos tinham uma maior chance de não terem cônjuge do que as mulheres brancas na mesma condição. Em 1992, a diferença era de aproximadamente 9 pontos percentuais. Em 2002, essa diferença cai para cerca de 6 pontos percentuais. Mas ainda a ausência de cônjuge é uma característica mais expressiva nos lares chefiados por mulheres negras.
Branca Preta Parda Branca Preta Parda
Brasil (1) 8 466 198 4 527 716 695 816 3 236 603 11,4 11,1 17,8 11,1 Norte (2) 364 184 109 478 16 867 246 281 11,5 10,6 25,1 12,0 Nordeste 2 441 661 697 531 232 556 1 531 422 11,0 10,8 17,8 10,6 Sudeste 3 931 501 2 499 506 362 804 1 046 115 12,1 11,7 17,4 11,8 Sul 1 173 742 962 630 52 176 159 744 10,3 10,0 17,2 11,7 Centro-Oeste 545 247 258 571 31 413 253 041 11,2 11,0 23,2 10,9
Fonte: IBGE, Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios 1992 (microdados).
(1) Exclusive a população rural de Rondônia, Acre, Amazonas, Roraima, Pará e Amapá. (2) Exclusive a população rural.
Tabela 3
Mulheres chefes de família por cor, total e proporção em relação ao total de mulheres -
Grandes Regiões
Mulheres chefes de família Proporção de mulheres chefes de família
Total Cor Total Cor
Branca Preta Parda Branca Preta Parda Brasil (1) 14 660 538 7 849 507 1 171 130 5 524 529 16,7 16,4 24,6 15,9 Norte (2) 909 578 257 368 51 222 593 446 18,2 17,5 23,3 18,0 Nordeste 3 910 004 1 236 434 314 199 2 336 633 15,7 15,7 24,6 14,9 Sudeste 6 739 359 4 219 548 624 277 1 846 167 17,5 17,1 24,6 16,8 Sul 2 097 823 1 681 031 118 045 276 517 15,9 15,4 24,4 16,6 Centro-Oeste 1 003 774 455 126 63 387 471 766 16,3 16,2 26,1 15,6
Fonte: IBGE, Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios 2002 (microdados).
(1) Exclusive a população rural de Rondônia, Acre, Amazonas, Roraima, Pará e Amapá. (2) Exclusive a população rural.
Tabela 4
Mulheres chefes de família por cor, total e proporção em relação ao total de mulheres - Grandes Regiões - 2002
Grandes Regiões
Mulheres chefes de família Proporção de mulheres chefes de família
Total Cor Total Cor
Branca Preta e Parda Branca Preta e Parda Brasil (1) 5 818 346 2 910 021 2 870 574 68,7 64,3 73,0 Norte (2) 279 095 75 795 200 915 76,6 69,2 76,4 Nordeste 1 721 169 452 300 1 266 333 70,5 64,8 71,8 Sudeste 2 658 291 1 602 038 1 030 818 67,6 64,1 73,2 Sul 759 127 601 185 152 539 64,7 62,5 72,0 Centro-Oeste 393 354 177 722 213 287 72,1 68,7 75,0
Fonte: IBGE, Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios 1992 (microdados).
(1) Exclusive a população rural de Rondônia, Acre, Amazonas, Roraima, Pará e Amapá. (2) Exclusive a população rural.
Tabela 5
Mulheres chefes de famílía sem cônjuge com filhos por cor, total e proporção em relação ao total de mulheres chefes - Grandes Regiões - 1992
Grandes Regiões
Mulheres chefes de família sem cônjuge com filhos
Proporção de mulheres chefes sem cônjuge
Total
Cor
Total
Cor
Branca Preta Branca Preta
Brasil (1) 9 239 724 4 294 863 4 074 441 63,0 54,7 60,9 Norte (2) 587 756 136 235 386 769 64,6 52,9 60,0 Nordeste 2 625 549 646 953 1 661 640 67,1 52,3 62,7 Sudeste 4 208 917 2 376 495 1 500 487 62,5 56,3 60,7 Sul 1 182 868 904 024 216 457 56,4 53,8 54,9 Centro-Oeste 632 706 234 220 306 643 63,0 51,5 57,3
Fonte: IBGE, Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios 2002 (microdados).
(1) Exclusive a população rural de Rondônia, Acre, Amazonas, Roraima, Pará e Amapá. (2) Exclusive a população rural.
em relação ao total de mulheres chefes - Grandes Regiões - 2002
Grandes Regiões
Mulheres chefes de família sem cônjuge com filhos
Proporção de mulheres chefes sem cônjuge
Total Cor Total Cor
Tabela 6
Mulheres chefes de famílía sem cônjuge com filhos por cor, total e proporção
2.2.Fecundidade
Em 1992, a proporção da população feminina de 15 a 49 anos de idade com pelo menos 1 filho era de 63,6% para as mulheres brancas, valor muito próximo entre as mulheres pardas (63,5%) e de 61,3% para as pretas. Embora se verifique uma sobrepopulação de mulheres de
cor branca que se acentuou em 2002, as características de fecundidade sofreram uma pequena mudança. A proporção de mulheres pretas e pardas em idade reprodutiva com pelo menos 1 filho era superior do que as das mulheres brancas. Observou-se que 65% das mulheres pardas em idade reprodutiva tinham pelo menos 1 filho, contra 61,8% das mulheres brancas (Tabelas 7 e 8).
A gravidez entre as adolescentes negras se acentuou nos últimos anos. Quase não havia diferença em 1992 entre a proporção de adolescentes de 15 a 17 anos com pelo menos 1 filho por cor. A proporção de adolescentes brancas nesse grupo etário com pelo menos 1 filho reduziu de 6,4% para 5,7%, enquanto que entre as adolescentes negras essa proporção se elevou de 7,0% para 8,6% em 2002 (Tabelas 9 e 10).
Branca Preta Parda Branca Preta Parda
Brasil (1) 21 524 189 2 037 157 14 655 631 63,6 61,3 63,5 Norte (2) 521 249 39 042 1 021 658 65,0 62,0 66,4 Nordeste 3 135 294 613 998 6 843 561 60,1 60,0 62,4 Sudeste 11 416 296 1 141 338 4 745 405 62,7 62,2 62,7 Sul 5 147 527 166 271 709 692 67,2 59,8 66,5 Centro-Oeste 1 291 580 73 621 1 274 475 65,8 63,2 68,4
Fonte: IBGE, Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios 1992 (microdados).
(1) Exclusive a população rural de Rondônia, Acre, Amazonas, Roraima, Pará e Amapá. (2) Exclusive a população rural.
Proporção de mulheres de 15 a 49 anos de idade com filhos nascidos vivos filhos nascidos vivos - Grandes Regiões - 1992
Tabela 7
Mulheres de 15 a 49 anos de idade por cor, total e proporção das que tiveram
Grandes
Regiões Cor Cor
Mulheres de 15 a 49 anos de idade
Branca Preta Parda Branca Preta Parda
Brasil (1) 25 841 112 2 684 701 18 765 844 61,8 64,0 65,0 Norte (2) 807 329 120 820 1 804 321 64,8 69,2 66,3 Nordeste 3 985 938 698 072 8 175 146 59,7 61,1 64,1 Sudeste 13 477 325 1 449 299 6 125 656 60,6 63,6 64,6 Sul 5 969 184 267 646 893 642 64,8 67,5 68,1 Centro-Oeste 1 597 689 148 005 1 727 077 64,1 70,4 67,8
Fonte: IBGE, Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios 2002 (microdados).
(1) Exclusive a população rural de Rondônia, Acre, Amazonas, Roraima, Pará e Amapá. (2) Exclusive a população rural.
Grandes Regiões
Mulheres de 15 a 49 anos de idade Proporção de mulheres de 15 a 49 anos de
idade com filhos nascidos vivos
Cor Cor Mulheres de 15 a 49 anos de idade por cor, total e proporção das que tiveram
filhos nascidos vivos - Grandes Regiões - 2002 Tabela 8
Branca Preta ou Parda Branca Preta ou parda Brasil (1) 2 318 164 2 231 874 6,4 7,0 Norte (2) 67 199 153 840 7,6 7,7 Nordeste 402 895 1 099 816 7,9 7,3 Sudeste 1 201 747 700 544 5,7 6,0 Sul 498 346 106 385 7,0 7,5 Centro-Oeste 145 391 161 938 4,8 8,1
Fonte: IBGE, Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios 1992 (microdados).
(1) Exclusive a população rural de Rondônia, Acre, Amazonas, Roraima, Pará e Amapá. (2) Exclusive a população rural.
Tabela 9
Adolescentes de 15 a 17 anos de idade por cor, total e proporção das que tiveram pelo menos 1 filho nascido vivo - Grandes Regiões - 1992
Grandes Regiões
Adolescentes de 15 a 17 anos de idade
Proporção de Adolescentes de 15 a 17 anos de idade com pelo menos
1filho nascido vivo
Cor Cor
Branca Preta ou Parda Branca Preta ou Parda
Brasil (1) 2 563 057 2 539 939 5,7 8,6 Norte (2) 98 332 241 595 9,0 9,3 Nordeste 485 986 1 184 719 7,2 9,4 Sudeste 1 238 079 769 280 5,2 7,3 Sul 578 030 129 598 4,9 7,7 Centro-Oeste 162 281 209 134 5,7 8,8
Fonte: IBGE, Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios 2002 (microdados).
(1) Exclusive a população rural de Rondônia, Acre, Amazonas, Roraima, Pará e Amapá. (2) Exclusive a população rural.
Tabela 10
Adolescentes de 15 a 17 anos de idade por cor, total e proporção das que tiveram pelo menos 1 filho nascido vivo - Grandes Regiões - 2002
Grandes Regiões
Adolescentes de 15 a 17 anos de idade
Proporção de Adolescentes de 15 a 17 anos de idade com pelo menos
1filho nascido vivo
Cor Cor
2.3. Acesso à Educação
A educação é um dos atributos mais importantes para avaliar a desigualdade racial existente na sociedade. Desta forma o analfabetismo é o primeiro dos indicadores utilizados para mensurar a exclusão social. Os dados demonstram que os analfabetos estão mais fortemente representados na população preta e parda do que na população branca sejam homens ou mulheres. O país nos últimos anos sofreu grande mudança no que se refere ao analfabetismo. Além da redução do analfabetismo se observou uma mudança no perfil da população brasileira analfabeta. Em 1992, a taxa de analfabetismo era de 17,2% e atingia principalmente a população feminina e preta. As mulheres pretas apresentavam a maior taxa de analfabetismo (30,8%), que se acentuava ainda mais no Nordeste (46,4%) (Tabela 11).
Em 2002, a taxa de analfabetismo reduziu para 11,8% da população e passou a ser uma característica da população masculina e da cor parda. A população negra (preta e parda), no entanto apresentou valores mais próximos e mais que o dobro da taxa verificada para a
população branca. Entre as regiões brasileiras a redução foi significativa, mas a região Nordeste do país apresentou a mais elevada taxa de analfabetismo (28,4% para homens e 27,2% para as mulheres) (Tabela 12).
A população feminina de cor preta foi a que mais avançou em relação à redução do analfabetismo, em 2002 esta taxa era cerca de 1 ponto percentual superior a dos homens. Entre a população branca quase não havia diferença, mas entre os pardos, a taxa de analfabetismo masculina era 1,2 ponto percentual acima da taxa feminina.
Com relação ao indicador de analfabetismo as mudanças ocorridas nos últimos 10 anos apontam não somente para uma reversão de sexo (em 2002, as mulheres passaram a ter a menor taxa), mas também um avanço do ponto de vista da desigualdade racial. Apesar de a população negra possuir uma taxa de analfabetismo significativamente maior daquela observada para a população branca, houve uma redução nessa gap entre as taxas de analfabetismo por cor. Em 1992, a taxa de analfabetismo da população negra era praticamente o triplo da taxa entre os brancos, enquanto que em 2002 a diferença é cerca de o dobro (Gráficos 2 e 3). -27,3 -34,3 -25,6 -32,7 -39,2 -44,0 -28,0 -34,7
Total Branca Preta Parda
Gráfico 2
Variação da taxa de analfabetismo por cor e sexo - Brasil - 1992/2002
Homens Mulheres
Fonte: IBGE, PNAD 1992/ 2002. Elaboração própria a partir dos microdados.
-1,3 0,3 -1,8 -0,6 -4,2 -1,1 -0,7 1,2
Total Branca Preta Parda Gráfico 3
Brecha da taxa de analfabetismo entre homens e mulheres por cor - 1992/2002
Branca Preta Parda Branca Preta Parda Brasil (1) 16,5 9,6 26,6 24,9 17,8 11,5 30,8 25,6 Norte (2) 11,3 8,5 21,6 15,5 12,7 8,8 24,2 17,3 Nordeste 34,8 27,0 45,0 37,0 30,9 22,1 46,4 33,5 Sudeste 9,0 6,3 16,9 13,5 12,6 9,5 22,7 18,1 Sul 8,8 7,3 16,2 17,5 11,5 9,6 23,9 23,2 Centro-Oeste 14,1 10,1 33,0 16,4 14,9 11,1 35,0 17,4
Fonte: IBGE, Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios 1992 (microdados).
(1) Exclusive a população rural de Rondônia, Acre, Amazonas, Roraima, Pará e Amapá. (2) Exclusive a população rural.
Tabela 11
Taxa de analfabetismo das pessoas de 15 anos ou mais de idade por cor e sexo
Grandes Regiões
Homens Mulheres
Total Cor Total Cor
Grandes Regiões - 1992
Branca Preta Parda Branca Preta Parda
Brasil (1) 12,0 7,2 16,2 17,9 11,7 7,7 17,2 16,7 Norte (2) 9,8 7,6 13,2 11,2 9,9 6,9 18,8 11,3 Nordeste 25,5 20,3 28,4 27,4 21,4 16,7 27,2 23,3 Sudeste 6,5 4,6 10,5 9,8 7,8 5,9 13,0 11,0 Sul 6,0 4,9 10,4 11,4 7,4 6,1 13,8 14,8 Centro-Oeste 9,6 6,4 17,3 11,7 9,7 7,6 15,8 11,1
Fonte: IBGE, Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios 2002 (microdados).
(1) Exclusive a população rural de Rondônia, Acre, Amazonas, Roraima, Pará e Amapá. (2) Exclusive a população rural.
Tabela 12
Taxa de analfabetismo das pessoas de 15 anos ou mais de idade por cor e sexo Grandes Regiões - 2002
Grandes Regiões
Homens Mulheres
Total Cor Total Cor
A taxa de defasagem escolar e a média de anos de estudo são indicadores que ajudam a entender as transformações no perfil educacional brasileiro nos últimos 10 anos. As mulheres tendem a apresentarem uma taxa de defasagem escolar menor do que a dos homens, o que se reflete na média de anos de estudo. As mulheres possuem em média cerca de 1 ano a mais de estudo que os homens.
A defasagem escolar das crianças e adolescente de 7 a 17 anos aumenta com a idade, contudo é entre os meninos de cor preta que o problema é mais acentuado. No primeiro ano do ensino fundamental 20,7% dos meninos estão defasados e no final do ciclo fundamental essa taxa é de cerca de 75%, chegando a 87% nos meninos pretos de 17 anos que já deveriam estar concluindo o ensino médio (Tabela 13).
Entre as meninas a taxa de defasagem escolar é significativamente maior entre as negras comparativamente as brancas. No início do ciclo fundamental e no ensino médio as meninas pardas tendem a apresentarem uma maior taxa de defasagem escolar. As diferenças por cor da taxa de defasagem são expressivas seja para meninas ou meninos, o que revela que as crianças e adolescentes de cor branca têm um maior acesso à escola do que à população negra.
Em 1992, a média de anos de estudo entre homens e mulheres era praticamente a mesma entre homens e mulheres por cor, mas a média de anos de estudo da população branca era superior em mais de 2 anos a média da população negra. Do ponto de vista regional o Sudeste apresentava a maior média e o Nordeste a menor. As políticas educacionais na área
de educação elevaram a média de anos de estudo da população de 10 anos ou mais de idade de 4,9 para 6,2 anos em 2002. As mulheres tendem a apresentar uma maior média e a brecha da média entre brancos e negros ainda aponta para uma vantagem educacional da população branca, mas esta sofreu uma redução para algo em média de quase 2 anos de estudo (Tabelas 14 e 15).
Apesar da redução da taxa de analfabetismo da população negra é importante destacar que não houve políticas explícitas de redução das desigualdades educacionais entre brancos e negros. Em 10 anos a diferença em média de anos de estudos entre brancos e negros permaneceu em torno de 2 anos, o que permite inferir que o abandono escolar tende a ser maior para os negros. Quando não há abandono, o elevado atraso escolar observado para os negros, é um aspecto que interfere na média de anos de estudo. Isso, em muitos casos, é reflexo de uma inserção mais precoce no mercado de trabalho. A taxa de atividades entre os negros (principalmente entre os pretos) tende a ser maior do que a dos brancos.
Homens Mulheres
Cor (%) Cor (%)
Branca Preta Parda Branca Preta Parda
7 anos 12,6 20,7 17,6 11,2 14,2 15,8 8 anos 25,7 41,2 34,9 18,6 26,3 30,4 9 anos 29,5 43,3 50,8 22,3 42,7 39,8 10 anos 32,8 55,5 57,9 27,0 49,2 46,6 11 anos 40,7 64,1 62,5 33,3 66,1 55,1 12 anos 46,7 67,2 70,5 39,4 66,6 60,6 13 anos 51,7 74,7 74,6 41,8 60,7 66,1 14 anos 59,0 75,4 81,1 49,7 68,4 73,5 15 anos 54,4 73,6 81,0 46,4 62,9 72,2 16 anos 59,6 78,5 80,3 47,6 74,1 73,4 17 anos 63,7 87,1 83,7 53,6 66,1 75,1
Fonte: IBGE, Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios 2002 (microdados).
(1) Exclusive a população rural de Rondônia, Acre, Amazonas, Roraima, Pará e Amapá. (2) Exclusive a população rural.
Tabela 13
Idade
Taxa de defasagem escolar das pessoas de 7 a 17 anos de idade, por cor e sexo Brasil - 2002
Branca Preta Parda Branca Preta Parda
Brasil (1) 5,8 3,5 3,6 5,8 3,5 3,9 Norte (2) 6,1 4,0 4,4 6,1 4,2 4,7 Nordeste 4,2 2,3 2,9 4,9 2,5 3,4 Sudeste 6,2 4,1 4,4 6,1 4,0 4,4 Sul 5,6 4,2 3,9 5,6 3,8 3,7 Centro-Oeste 5,8 3,3 4,3 6,0 3,5 4,6 Tabela 14
Média de anos de estudo das pessoas de 10 anos ou mais de idade, por cor e sexo Grandes Regiões - 1992
Grandes Regiões
Homens Mulheres
Branca Preta Parda Branca Preta Parda Brasil (1) 7,0 5,3 5,0 7,2 5,5 5,4 Norte (2) 6,8 5,0 5,6 7,2 5,2 6,1 Nordeste 5,4 4,4 4,1 6,1 4,9 4,8 Sudeste 7,5 5,8 5,8 7,5 5,8 5,9 Sul 6,9 5,6 5,3 7,0 5,7 5,3 Centro-Oeste 7,1 5,4 5,6 7,4 5,6 6,0
Fonte: IBGE, Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios 2002 (microdados).
(1) Exclusive a população rural de Rondônia, Acre, Amazonas, Roraima, Pará e Amapá. (2) Exclusive a população rural.
Tabela 15
Média de anos de estudo das pessoas de 10 anos ou mais de idade, por cor e sexo Grandes Regiões - 2002
Grandes Regiões
Homens Mulheres
Cor Cor
2.4. Acesso ao mercado de trabalho
Com relação à inserção de homens e mulheres no mercado de trabalho se destaca a crescente participação das mulheres nos últimos anos, mas ainda significativamente menor do que a dos homens. Ao analisar a taxa de atividade da população por cor e sexo, chamam atenção que as taxas de atividade masculina são praticamente as mesmas independentes da cor; no entanto, no caso da população feminina, as mulheres de cor preta apresentam uma maior taxa de participação no mercado de trabalho de cerca de 3 pontos percentuais em relação as demais mulheres. Provavelmente as maiores dificuldades para sobreviver explique esta maior atividade das mulheres pretas (Tabelas 16 e 17).
Contudo, essa maior inserção das mulheres no mercado de trabalho não se traduziu na redução de desigualdades. As mulheres tendem a se concentrarem nas classes de salário mínimo mais baixas em contraposição aos homens que se concentram nas classes mais elevados de salário mínimo. As desigualdades se acentuam quando se utiliza o recorte de cor. As mulheres de cor branca que recebem 1 salário mínimo são 39% da população ocupada, enquanto entre as mulheres de cor preta esse percentual é de 52% e eleva para 62% ao considerar a população feminina de cor parda.
A desigualdade por cor tende a ser mais forte que a desigualdade de sexo. A proporção de homens ocupados com rendimento até 1 salário mínimo é menor do que a proporção observada para as mulheres, mas também aumenta entre a população negra: cerca de 23% dos homens brancos ocupados recebem 1 salário mínimo; esse percentual se eleva para 34% entre os homens de cor preta e atinge quase 44% entre pardos (Tabela 20).
Ao analisar a proporção do rendimento médio da população ocupada feminina em relação ao rendimento da população ocupada masculina verificou-se um aumento no rendimento feminino comparativamente aos homens, mas são as mulheres negras que recebem um salário mais próximo do auferido pelos homens (70,9%) em 2002. Entre as mulheres brancas esse percentual foi de 67,8% (Gráfico 6). A partir de outra forma de análise se verificou que tanto homens quanto mulheres de origem negra recebem o equivalente a 50% do rendimento auferido pelos brancos. Para as mulheres negras a diferença é um pouco maior (51,4%), que se manteve no período de 1992 e 2002 (Gráfico 5).
A variação do rendimento médio entre 1992 e 2002 foi de 26% para a população ocupada de cor branca e de 27,4% para a população negra. Foram as mulheres que mais
aumentaram o rendimento no período, em proporções iguais tanto para as brancas quanto para as negras (40%). Os homens negros apresentaram um aumento de rendimento ligeiramente maior que os homens de cor branca, 24,8% e 24,0% respectivamente. Esse aumento no rendimento das mulheres reduziu um pouco as disparidades em relação à comparação de rendimento entre homens e mulheres, mas não foi suficiente para superar as desigualdades de gênero no que diz respeito ao rendimento e à inserção ocupacional no mercado de trabalho. Em 1992 as mulheres recebiam cerca de 60% do rendimento auferido pelos homens e em 2002 esse percentual se elevou para 70%. O que chama atenção é que os ganhos de rendimento não foram discriminatórios em relação à cor ou raça, brancos e negros aumentaram seu rendimento em proporções praticamente iguais. Isso revela, portanto que não houve uma redistribuição dos rendimentos nesses 10 anos, permanecendo uma diferença em torno de 50% no rendimento médio dos negros em relação ao dos brancos (Tabelas 18 e 19).
Em relação à distribuição da população por posição na ocupação, algumas características podem ser destacadas. A participação em atividades não remuneradas são significativamente maiores entre as mulheres e entre as mulheres pardas o percentual atinge cerca de 21% da população feminina ocupada. O empreendedorismo é característica dos homens e dos brancos. Apenas 3,7% das mulheres brancas são empregadoras, percentual acima do verificado para homens e mulheres nas demais cores. O trabalho doméstico é praticamente exclusivo das mulheres, principalmente se esta for negra. Dado a heterogeneidade da categoria ‘empregados’ é possível afirmar que a ocupação que mais emprega mulheres é o trabalho doméstico. Aspecto que explica em parte as desigualdades de rendimento entre homens e mulheres de um modo geral, mas que não é suficiente para responder porque as diferenças salariais por posição na ocupação, sexo e cor existem (Tabela 21 e Gráfico 4).
Branca Preta Parda Branca Preta Parda Brasil (1) 76,6 76,3 76,7 77,2 47,2 46,7 49,8 47,5 Norte (2) 73,1 75,3 74,9 73,3 44,4 44,8 56,6 43,9 Nordeste 77,0 76,1 77,4 77,3 46,8 45,7 47,4 47,3 Sudeste 74,8 74,2 75,4 76,1 44,8 43,2 49,3 47,5 Sul 80,5 80,3 80,2 81,8 54,7 54,8 57,3 53,3 Centro-Oeste 80,3 79,0 83,8 81,2 49,6 49,7 58,5 48,9
Fonte: IBGE, Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios 1992 (microdados).
(1) Exclusive a população rural de Rondônia, Acre, Amazonas, Roraima, Pará e Amapá. (2) Exclusive a população rural.
Taxa de atividade das pessoas de 10 anos ou mais de idade, por cor e sexo Grandes Regiões - 1992 Tabela 16 Grandes Regiões Homens Mulheres Cor (%) Cor (%) Total Total
Branca Preta Parda Branca Preta Parda
Brasil (1) 73,2 73,0 74,6 73,2 50,3 50,4 53,6 49,5
Grandes Regiões - 2002
Grandes Regiões
Homens Mulheres
Total Cor (%) Total Cor (%)
Tabela 17
Branca Preta e Parda Branca Preta e Parda Branca Preta e Parda Brasil (1) 644,70 321,30 753,30 367,80 452,20 232,70 Norte (2) 586,30 381,10 679,40 438,00 441,60 278,50 Nordeste 434,10 243,70 494,70 280,80 332,50 173,20 Sudeste 712,10 388,20 834,60 447,10 496,60 278,30 Sul 601,10 324,10 700,40 359,20 414,80 253,50 Centro-Oeste 686,30 363,00 811,10 406,40 470,10 273,40
Fonte: IBGE, Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios 1992 (microdados).
(1) Exclusive a população rural de Rondônia, Acre, Amazonas, Roraima, Pará e Amapá. (2) Exclusive a população rural. Nota: Valores inflacionados para setembro de 2002.
Tabela 18
Rendimento médio da população ocupada, por cor e sexo Grandes Regiões - 1992
Total Homens Mulheres
Grandes Regiões Branca Preta e Parda Branca Preta e Parda Branca Preta e Parda Brasil (1) 812,30 409,50 934,40 458,90 633,30 325,40 Norte (2) 764,60 454,50 883,80 508,50 600,80 364,80 Nordeste 543,60 308,10 584,90 339,00 479,50 251,20 Sudeste 910,50 476,80 1056,40 545,30 704,20 370,60 Sul 723,00 411,80 842,40 467,80 539,00 314,30 Centro-Oeste 944,30 533,60 1093,90 605,10 723,80 406,80 Fonte: IBGE, Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios 1992 (microdados).
(1) Exclusive a população rural de Rondônia, Acre, Amazonas, Roraima, Pará e Amapá. (2) Exclusive a população rural.
Tabela 19
Rendimento médio da população ocupada, por cor e sexo Grandes Regiões - 2002
Grandes Regiões
Total Homens Mulheres
Gráfico 4
Rendimento médio por sexo, cor e posição na ocupação - Brasil - 2002
0,00 500,00 1000,00 1500,00 2000,00 2500,00 3000,00 Empregado com carteira Empregado sem carteira
Militares e Estatutários Trabalhadores Domésticos
Trabalhadores por conta-própria
Empregadores
Homens_Branca Mulheres_Branca Homens_Preta Mulheres_Preta Homens_Parda Mulheres_Parda Fonte: IBGE, PNAD 1992/ 2002. Elaboração própria a partir dos microdados.
Gráfico 5
Proporção do rendimento recebido pela população ocupada negra em relação ao rendimento auferido pela população
ocupada branca por sexo - Brasil - 1992/2002
49,8 48,8 51,5 50,4 49,1 51,4
Total Homens Mulheres
1992 2002
Fonte: IBGE, PNAD 1992/ 2002. Elaboração própria a partir dos microdados.
Gráfico 6
Proporção do rendimento recebido pela população ocupada feminina em relação ao rendimento auferido pela população
ocupada masculina por cor - Brasil - 1992/2002 63,3
60,0 67,8 70,9
Branco Preta e parda
1992 2002
Até 1/2 Mais de 1/2 a 1 Mais de 1 a 2 Mais de 2 a 3 Mais de 3 a 5 Mais de 5 Até 1/2 Mais de 1/2 a 1 Mais de 1 a 2 Mais de 2 a 3 Mais de 3 a 5 Mais de 5 Brasil (1) 24 298 930 11,2 11,4 25,2 15,9 14,9 19,7 18 101 448 23,2 16,1 26,7 11,3 9,6 11,9 Norte (2) 625 017 9,3 17,6 27,3 14,3 11,5 19,1 474 566 19,5 25,4 23,5 10,8 7,9 12,7 Nordeste 3 615 604 27,6 23,6 22,8 8,5 6,9 9,4 2 655 187 41,3 21,3 18,3 6,0 5,2 7,4 Sudeste 12 245 868 5,7 8,4 24,5 17,6 17,5 23,9 9 045 913 14,4 15,0 28,7 13,3 11,6 15,2 Sul 6 313 101 13,1 9,5 27,2 17,2 15,0 17,1 4 851 086 31,1 13,6 28,2 10,6 8,3 7,8 Centro-Oeste 1 484 845 8,0 12,4 27,6 15,2 13,2 22,3 1 070 017 18,8 19,4 25,6 10,8 10,2 14,6 Homens Mulheres Até 1/2 Mais de 1/2 a 1 Mais de 1 a 2 Mais de 2 a 3 Mais de 3 a 5 Mais de 5 Até 1/2 Mais de 1/2 a 1 Mais de 1 a 2 Mais de 2 a 3 Mais de 3 a 5 Mais de 5 Brasil (1) 2 768 214 13,4 20,5 32,8 14,7 10,2 7,0 1 845 891 25,8 26,4 28,9 8,6 5,6 3,7 Norte (2) 137 519 13,1 22,6 35,8 13,3 7,2 7,6 72 213 28,2 30,3 27,2 5,7 5,2 2,9 Nordeste 784 112 25,6 29,9 26,0 7,7 5,3 4,5 489 333 44,4 30,3 15,6 3,6 3,7 1,7 Sudeste 1 397 927 7,2 16,4 35,3 18,5 13,0 8,0 980 095 16,9 25,4 33,4 11,8 6,9 4,3 Sul 267 618 11,7 16,1 36,3 17,5 10,9 6,4 205 153 24,1 19,4 41,0 6,9 3,5 4,6 Centro-Oeste 177 771 11,1 16,6 36,6 13,2 10,7 11,2 98 165 22,2 29,7 27,4 6,8 6,9 7,0 Homens Mulheres Até 1/2 Mais de 1/2 a 1 Mais de 1 a 2 Mais de 2 a 3 Mais de 3 a 5 Mais de 5 Até 1/2 Mais de 1/2 a 1 Mais de 1 a 2 Mais de 2 a 3 Mais de 3 a 5 Mais de 5 Brasil (1) 18 515 006 21,6 22,1 28,4 12,3 8,2 6,3 12 106 485 38,8 23,5 23,0 6,8 4,1 3,2 Norte (2) 1 597 437 13,3 21,4 33,2 14,2 9,0 8,1 1 026 580 26,5 31,8 23,5 7,3 5,5 5,2 Nordeste 8 345 885 33,8 28,8 21,9 6,3 4,4 3,7 5 348 804 54,2 23,1 14,2 3,5 2,5 2,1 Sudeste 5 792 547 10,3 15,1 33,1 18,8 12,6 8,6 3 990 376 24,1 21,6 33,3 10,8 5,4 3,9 Sul 969 113 14,7 14,2 37,6 16,4 10,5 5,8 627 149 39,1 20,6 28,0 6,8 3,5 1,8 Centro-Oeste 1 726 305 10,2 17,8 35,2 15,7 9,9 10,5 1 071 773 26,6 26,6 26,2 7,8 6,6 5,8
Fonte: IBGE, Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios 2002 (microdados).
(1) Exclusive a população rural de Rondônia, Acre, Amazonas, Roraima, Pará e Amapá. (2) Exclusive a população rural.
Distribuição da população ocupada por cor, sexo e classes de rendimento de todos os trabalhos Tabela 20
Grandes Regiões - 2002
Classes de rendimento de todos os trabalhos, em salário mínimo
Classes de rendimento de todos os trabalhos, em salário mínimo
Grandes
Regiões Pardos
Classes de rendimento de todos os trabalhos, em salário mínimo
Pardos
Classes de rendimento de todos os trabalhos, em salário mínimo
Grandes
Regiões Pretos Pretos
Brancos
Classes de rendimento de todos os trabalhos, em salário mínimo
Grandes
Regiões Brancos
Classes de rendimento de todos os trabalhos, em salário mínimo
Emprega dos Militares e Estatutári os Trabalha dores Doméstic os Trabalhado res por conta-própria Emprega dores Não remunera dos Emprega dos Militares e Estatutár ios Trabalha dores Domésti cos Trabalha dores por conta-própria Emprega dores Não remune rados Brasil (1) 24 257 962 54.6 5.4 0.8 25.7 7.2 6.3 18 085 481 42.6 9.7 13.6 15.7 3.7 14.7 Norte (2) 623 346 49.4 10.1 0.8 26.7 8.5 4.6 474 028 39.0 15.0 15.3 18.5 3.2 9.0 Nordeste 3 600 882 42.5 5.3 0.8 32.8 5.8 12.8 2 649 636 32.7 12.0 9.8 18.3 3.0 24.1 Sudeste 12 238 205 60.2 5.5 1.0 22.8 7.5 3.1 9 042 542 47.9 9.5 14.8 16.0 4.1 7.7 Sul 6 298 105 51.2 4.3 0.7 27.5 6.9 9.3 4 844 579 39.2 7.5 12.7 13.5 3.2 23.9 Centro-Oeste 1 482 914 54.7 7.1 0.5 24.1 9.3 4.2 1 070 017 40.0 13.3 15.8 15.5 4.8 10.6 Homens Mulheres Emprega dos Militares e Estatutári os Trabalha dores Doméstic os Trabalhado res por conta-própria Emprega dores Não remunera dos Emprega dos Militares e Estatutár ios Trabalha dores Domésti cos Trabalha dores por conta-própria Emprega dores Não remune rados Brasil (1) 2 765 138 61.6 4.8 1.7 24.3 2.5 5.1 1 843 789 35.7 7.3 31.0 15.4 0.7 9.9 Norte (2) 137 280 54.1 7.8 1.0 30.6 3.4 2.9 71 817 31.7 10.0 26.5 22.3 1.5 8.0 Nordeste 781 720 53.7 3.8 2.0 29.3 2.1 9.0 487 627 28.5 7.0 23.5 24.3 0.8 15.8 Sudeste 1 397 466 66.1 4.7 1.7 22.3 2.5 2.8 980 095 39.0 6.8 34.7 12.1 0.7 6.7 Sul 267 618 66.1 4.9 0.8 19.2 2.5 6.5 205 153 40.7 6.8 30.9 8.1 0.5 13.1 Centro-Oeste 177 771 60.0 8.0 2.0 20.6 4.0 5.4 98 165 31.1 12.8 34.5 13.8 0.7 7.0 Homens Mulheres Emprega dos Militares e Estatutári os Trabalha dores Doméstic os Trabalhado res por conta-própria Emprega dores Não remunera dos Emprega dos Militares e Estatutár ios Trabalha dores Domésti cos Trabalha dores por conta-própria Emprega dores Não remune rados Brasil (1) 18 447 527 53.9 4.1 1.0 28.0 3.2 9.7 12 079 714 32.6 7.2 21.2 17.1 1.3 20.6 Norte (2) 1 593 578 52.5 6.8 0.8 30.6 3.8 5.5 1 023 204 33.4 11.5 22.5 20.5 1.7 10.5 Nordeste 8 295 412 44.4 3.4 0.9 33.4 3.0 14.9 5 331 196 26.6 6.7 15.9 20.0 1.4 29.3 Sudeste 5 785 244 65.2 4.0 1.1 21.4 3.2 5.0 3 986 115 40.1 6.3 25.9 14.0 1.2 12.5 Sul 967 732 60.5 3.0 1.3 25.0 2.4 7.7 625 779 33.2 4.3 26.1 12.0 0.6 23.9 Centro-Oeste 1 722 953 60.2 6.0 1.1 23.6 4.2 4.9 1 071 570 34.0 10.7 26.6 13.5 1.5 13.6 Fonte: IBGE, Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios 2002 (microdados).
(1) Exclusive a população rural de Rondônia, Acre, Amazonas, Roraima, Pará e Amapá. (2) Exclusive a população rural.
Homens Mulheres
Posição na ocupação
Posição na ocupação Posição na ocupação
Posição na ocupação Grandes
Regiões Pretos Pretos
Posição na ocupação Grandes
Regiões Pardos Pardos
Distribuição da população ocupada por cor, sexo e posição na ocupação Tabela 21 Grandes Regiões - 2002 Brancos Grandes Regiões Brancos Posição na ocupação
2.4. Acesso aos serviços básicos de água e esgotamento sanitário
O acesso aos serviços de água tratada e esgotamento sanitário são fundamentais para o desenvolvimento humano e à prevenção de doenças. Neste sentido, buscou-se verificar se os domicílios estavam sendo servidos por estes serviços de um modo geral ou se havia diferenciações de acordo com os atributos de sexo e cor dos chefes de domicílio.
Quanto ao acesso a água canalizada por rede geral ou poço ou nascente observou-se que praticamente não havia diferença entre os domicílios seja chefiados por homens ou por mulheres. Uma pequena mudança põde ser observada no período de 1992 e 2002. Os domicílios chefiados por mulheres negras apresentavam características melhores do que os domicílios chefiados por homens de cor negra. Por outro lado, as desigualdades por cor eram mais acentuadas, independente do sexo. Em 1992, o gap, em termos absolutos, entre as proporções de domílios com água canalizada era de cerca de 25%. Em 2002, apesar do avanço nas características dos domicílios de maneira geral, 22% dos domicílios chefiados por homens pardos não dispunham de água canalizada. A ampliação dos serviços básicos reduziu a distância nas taxas de acesso à água canalizada por negros e brancos, que em termos absolutos reduziu para algo em torno de 10%, mas não permitiu um acesso igualitário da população (Tabelas 22 e 23).
Nos indicadores de esgotamento sanitário essa mesma tendência pôde ser verificada. Os domicílios chefiados por mulheres apresentaram características um pouco melhores, contudo as desigualdades entre brancos e negros no acesso aos serviços básicos são reforçadas pelo indicador de esgotamento sanitário. Da mesma forma do que foi observado para o acesso a água canalizada, houve uma redução na magnitude da desigualdade por cor de cerca de 23% em 1992 para 10% em 2002. A região Nordeste foi a que mais avançou nas características de saneamento, principalmente para a chefia de cor preta que chega superar a branca (Tabelas 24 e 25).
Branca Preta Parda Branca Preta Parda
Brasil (1) 87,5 64,9 62,1 88,8 63,9 64,3 Norte (2) 71,4 55,0 55,8 79,5 39,9 54,5 Nordeste 58,8 38,9 44,9 67,0 38,8 51,9 Sudeste 94,5 80,6 83,3 95,0 78,6 80,7 Sul 90,5 70,5 76,2 89,6 77,0 74,0 Centro-Oeste 82,1 54,5 69,7 86,8 69,7 75,5
Fonte: IBGE, Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios 1992 (microdados).
(1) Exclusive a população rural de Rondônia, Acre, Amazonas, Roraima, Pará e Amapá. (2) Exclusive a população rural. Nota: Domicílios particulares permanentes.
Tabela 22
Proporção de domicílios com água canalizada, por cor e sexo da pessoa de referência - Grandes Regiões - 1992
Homens Mulheres
Branca Preta Parda Branca Preta Parda Brasil (1) 94,2 85,6 78,5 96,2 89,1 85,0 Norte (2) 81,7 71,0 71,7 84,7 76,1 76,7 Nordeste 73,1 66,4 63,0 85,6 76,3 76,0 Sudeste 98,6 95,3 94,6 98,9 94,8 95,0 Sul 97,7 96,2 94,9 98,2 94,9 95,3 Centro-Oeste 94,5 86,6 89,4 97,2 96,2 92,4
Fonte: IBGE, Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios 2002 (microdados).
(1) Exclusive a população rural de Rondônia, Acre, Amazonas, Roraima, Pará e Amapá. (2) Exclusive a população rural. Nota: Domicílios particulares permanentes.
Tabela 23
Proporção de domicílios com água canalizada, por cor e sexo da pessoa de referência - Grandes Regiões - 2002
Grandes Regiões
Homens Mulheres
Cor (%) Cor (%)
Branca Preta Parda Branca Preta Parda
Brasil (1) 66,9 47,3 39,2 73,9 50,6 44,2 Norte (2) 49,1 34,8 32,8 55,9 37,2 34,7 Nordeste 37,7 22,3 25,8 44,8 19,8 29,7 Sudeste 81,1 64,1 63,6 87,6 69,9 68,7 Sul 60,9 48,1 35,3 67,0 62,7 41,3 Centro-Oeste 35,0 26,7 27,0 49,7 39,4 41,5
Fonte: IBGE, Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios 1992 (microdados).
(1) Exclusive a população rural de Rondônia, Acre, Amazonas, Roraima, Pará e Amapá. (2) Exclusive a população rural. Nota: Domicílios particulares permanentes.
Tabela 24
Proporção de domicílios com esgotamento sanitário por rede geral ou fossa séptica, por cor e sexo da pessoa de referência - Grandes Regiões - 1992
Grandes Regiões
Homens Mulheres
Cor (%) Cor (%)
Branca Preta Parda Branca Preta Parda
Brasil (1) 78,8 74,2 65,5 84,0 78,2 70,8 Norte (2) 66,4 61,6 60,7 71,1 60,0 65,8 Nordeste 61,9 67,7 61,1 66,8 73,0 64,8 Sudeste 89,0 81,4 79,8 93,0 83,0 84,6 Sul 75,0 74,9 61,8 82,5 85,9 67,0 Centro-Oeste 48,1 53,9 41,6 57,8 57,7 53,6 Homens Mulheres Tabela 25
Proporção de domicílios com esgotamento sanitário por rede geral ou fossa séptica,
Cor (%) Cor (%)
por cor e sexo da pessoa de referência - Grandes Regiões - 2002 Grandes
Conclusões
Não querendo entrar na discussão acerca das políticas afirmativas, por que este não era o objetivo desse trabalho, mas é importante chamar a atenção que a ausência de políticas discricionárias ou focalizadas não foi capaz de reduzir as desigualdades de gênero e de raça na década. A melhora observada em alguns indicadores não significa afirmar que a sociedade está avançando em termos de superação das desigualdades. Pelo contrário, elas existem e permanecem enraizadas, mostrando que políticas universalistas não necessariamente levam ao desenvolvimento social, porque não rompe com um quadro de acesso desigual às oportunidades. Seja na educação, no mercado de trabalho ou no acesso aos serviços básicos de água e saneamento, observou-se que os negros apresentam características sociodemográficas piores do que os brancos.
Em termos de políticas públicas não se observa um viés de superação das desigualdades de gênero e cor ou de caráter distributivo. Os avanços e retrocessos desses indicadores básicos não são inovadores quanto à apresentação de uma realidade social desigual anunciada, nem mesmo como instrumentos de superação de desigualdades. Eles têm papel fundamental de revelar a ausência de igualdade de oportunidades entre dois grupos na sociedade: brancos e negros e servir de subsídio no processo de formulação, implementação e monitoramento das políticas públicas de enfrentamento das desigualdades de gênero e raça.
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