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Relatório Final de Estágio Profissional

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Academic year: 2021

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Universidade do Porto

Faculdade de Desporto

Relatório de Estágio Profissional

Relatório de Estágio Profissional apresentado à

Faculdade de Desporto da Universidade do

Porto com vista à obtenção do 2º ciclo de

Estudos conducente ao grau de Mestre em

Ensino de Educação Física nos Ensinos Básico e

Secundário (Decreto-lei nº 74/2006 de 24 de

Março e o Decreto-lei nº 43/2007 de 22 de

Fevereiro).

Orientadora: Professora Mariana de Sena Amaral da Cunha

Manuel Pedro Figueiredo Marques dos Santos

Porto, 1 de Julho de 2011

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II

Ficha de Catalogação

Santos, M. (2011). Relatório de Estágio Profissional. Porto: M. Santos. Relatório de Estágio Profissional para a obtenção do Grau de Mestre em Ensino de Educação Física nos Ensinos Básico e Secundário, apresentado à Faculdade de Desporto da Universidade do Porto.

PALAVRAS CHAVE: ESTÁGIO PROFISSIONAL, EDUCAÇÃO FÍSICA, REFLEXÃO, NUCLEO DE

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III

À Professora Cooperante – a Professora Felismina, que de uma forma genial nos guiou ao longo de todo o ano, criando connosco uma fantástica relação e que simultaneamente foi possivelmente a peça mais importante de todo o puzzle que este ano lectivo representou.

À Professora Orientadora – a Professora Mariana, que manteve uma relação bastante próxima sem no entanto descurar na relação Professora-Aluno, apoiando-nos de forma incondicional e em todos os momentos. Obrigado pelos ensinamentos e pela ajuda constante que representou.

Ao núcleo de estágio – não fomos apenas um grupo de estudantes estagiários, fomos como uma equipa que juntos crescemos em todos os aspectos: quer pessoal como Profissional. Obrigado pela ajuda e pela amizade.

Aos “novos” e “velhos” amigos, que proporcionaram grandes momentos de descontracção, necessários ao longo de um ano tão duro.

Ao meu Pai e à minha Mãe pelo suporte e apoio constantes, independentemente das decisões por mim tomadas, sejam certas ou erradas.

Á minha irmã, que apesar da distância mantém como “voz da consciência” que está invariavelmente correcta.

Aqueles que se afastam, mas que mantêm uma importância inegável no nosso percurso e que, apesar da distância estão de uma forma ou outra sempre presentes.

Aos presentes e aos ausentes

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V

Agradecimentos……….. III Índice Geral ……….………..…… V Índice de Figuras ……… VII Índice de Quadros……….………. X Resumo……….………. XII Abstract………. XIV Índice de Abreviaturas……….……….. XVI

1 – Introdução ……….……… 1

2 – Enquadramento Biográfico ……….. 7

2.1 – A Minha Formação Enquanto Formador ……… 10

2.2 - Expectativas Enquanto Estagiário: o Primeiro Impacto na Escola e as Dúvidas que o Mesmo Traz ………. 11

3 – Enquadramento de Prática Profissional………. 15

3.1 - Enquadramento Legal ……….. 17 3.2 - Enquadramento Institucional ……….. 18 3.3 - Enquadramento Funcional………. 19 4 – Realização da Prática……….. 21 4.1 – Concepção………. 23 Caracterização do “Público-Alvo” ………. 23 Ser Professor………. 24 4.2 – Planeamento……… 27

O Planeamento no Contexto de Ensino ……… 27

Relação Programas-Planeamento………..……… 30

O Planeamento Enquanto Estratégia ………..………….. 30

Concentrar no Essencial……… 31

Dicotomia Ensino vs. Formação ………. 32

Macro Planeamento – O Planeamento Anual e da UD ……….. 32

4.3 – Realização ………. 35

A Segurança da Profissionalidade Docente ……… 35

Controlo da Turma – Uma Batalha Constante ………. 36

Os Tempos Disponibilizados – Uma Ferramenta Para o Desenvolvimento Profissional ……… 37

A Instrução – O Principal Canal de Comunicação e Transmissão da Informação Para os Alunos ………. 38

1 – Introdução e Pertinência do Estudo ……… 38

2 – Revisão de Literatura/Contextualização/Enquadramento Teórico ……… 39

2.1 – Da Comunicação à Instrução ………. 39

2.2 – Instrução ………. 40

A informação no início das sessões ……… 41

Apresentação das tarefas motoras ……… 42

O feedback pedagógico ……….. 43

O diagnóstico de erros e uso do feedback ……… 43

Potenciar o feedback ……… 44

O encerramento das sessões ………. 46

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VI

O recurso a palavras-chave ………. 50

O questionamento ………. 51

2.4 – Os Tipos de Feedback Analisados ……….. 52

Forma do feedback ……… 52

Referencial do feedback ……… 52

Natureza do feedback ………. 53

O Carácter Avaliativo do Feedback ………. 53

O Carácter Descritivo do Feedback ………. 53

O Carácter Prescritivo do Feedback ……… 54

O Carácter Interrogativo do Feedback ………. 54

A Informação de Atenção no Feedback ……….. 54

Direcção do Feedback ………. 54

3 – Metodologia ………. 55

3.1 – Participantes ………. 55

3.2 – Instrumentos de Recolha de Dados ………. 55

3.3 – Análise de Dados ……… 55

3.4 – A Análise da Instrução Inicial ……… 56

3.5 – A Análise do Feedback ……….. 56

4 – Apresentação dos Resultados ……….. 57

4.1 – Análise do Conteúdo ……….. 57

4.2 – Análise do Feedback ……… 61

4.3 – Taxa de Emissão de Feedbacks ……… 64

5 – Discussão de Resultados ……….. 66

4.4 – Avaliação ……….. 71

A Responsabilidade da Avaliação ………..………... 71

Diferentes Formas de Avaliar ……… 72

A Avaliação Diagnóstica/Prognóstica/Inicial ……….. 72

A Avaliação Formativa ……… 73

A Avaliação Sumativa ……….. 74

A Avaliação Implementada ………. 75

5 – Integração na Escola e na Comunidade Escolar ……….. 77

5.1 – Clube ……… 79

5.2 – Artigos………. 80

5.3 – Saídas ……….. 80

5.4 – Reuniões ……… 80

5.5 – O Papel da Directora de Turma ………. 81

6 – Desenvolvimento Profissional ………. 83

6.1 – Modelo Reflexivo e a Sua Presença no Estágio ………. 85

Noção de Supervisão ………. 85

Importância da Reflexividade ……….. 85

A Reflexividade Dentro do Estágio Profissional ……… 89

6.2 - Resultados e Principais Conclusões do Estágio ……… 91

6.3 – O Professor Competente ……… 93

Conceito de Competência ……….. 93

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VII

Pessoal e Profissional ……… 100 Conclusões ………. 101 Bibliografia ……… 106

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IX

Índice de Figuras

Figura1 – Análise da natureza dos feedbacks emitidos ………. 60

Figura 2 – Análise da forma dos feedbacks emitidos………. 61

Figura 3 – Análise do referencial dos feedbacks emitidos ………. 62

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XI

Quadro 1 – Categorias de análise da instrução inicial ……….. 50

Quadro 2 – Categorias de análise do feedback ………. 50

Quadro 3 – Resultados da análise do conteúdo ……… 51

Quadro 4 – Resultados da análise do conteúdo em função da Função Didáctica ………. 53

Quadro 5 – Comparação entre a instrução inicial e feedbacks fornecidos ……… 54

Quadro 6 – Resultados da análise do feedback ……… 55

Quadro 7 – Resultados da análise do feedback em função da Função Didáctica ………. 57

Quadro 8 – Taxa de emissão de feedback ……… 58

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XIII

O Estágio Profissional (EP) foi realizado no 2º ano do 2º ciclo de estudos em ensino de Educação Física (EF) aos 2º e 3º ciclos. Este decorreu sob a batuta da Professora Orientadora (PO) da Faculdade de Desporto da Universidade do Porto (FADEUP) e da Professora Cooperante (PC) da Escola. O EP decorreu na escola EB 2,3 de Rio Tinto, concelho de Gondomar.

A prática pedagógica num contexto real de ensino tem ao longo dos anos sido provado como uma das mais eficazes formas de aquisição de conhecimentos por parte dos Professores em formação. Desta forma, o Relatório de Estágio condensa todo um conjunto de conhecimentos e saberes adquiridos ao longo de um ano lectivo.

O Relatório de Estágio divide-se em cinco grandes capítulos. O primeiro reporta-se ao Enquadramento Biográfico, onde é realizado uma reflexão em torno das minhas vivências passadas e a influência das mesmas sobre a minha acção presente enquanto Professor e educador. O segundo, descreve o enquadramento em que o estágio decorre, em três níveis diferentes: legal, institucional e funcional. O terceiro e, possivelmente, mais importante parte é aquela onde está explanada toda a Realização

da Prática. Nesta decorrem diferentes aspectos, tais como a concepção da prática,

onde é efectuada uma descrição da turma; a forma como o planeamento deverá ser efectuado, cruzando as perspectivas de diferentes autores com aquilo que foi efectuado ao longo do ano e a realização, onde é projectada a forma como o controlo da turma foi assegurado, além da forma como foram realizadas e as observações efectuadas às aulas de todos os elementos do núcleo de estágio. Ainda neste capítulo enquadra-se o estudo de investigação-acção efectuado sobre a forma como eu efectuo a instrução inicial de cada exercício, analisando também os tipos de feedbacks emitidos na aula, acompanhado de um largo suporte teórico relacionado com o tema. O quarto grande capítulo do relatório descreve a forma como foi efectuada a minha

relação e integração na restante comunidade educativa. A última parte realça a forma

como a construção profissional foi efectuada ao longo do ano, com principal destaque na importância da reflexividade para o desenvolvimento da actuação como Professor, assim como descreve aquele que deve ser o Professor competente.

PALAVRAS CHAVE: ESTÁGIO PROFISSIONAL, EDUCAÇÃO FÍSICA, REFLEXÃO, NÚCLEO DE

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XV

The teaching practicum relates to the 2nd year of the 2nd cycle of the Masters degree on Physical Education. This was carried under the baton of the Supervisor Teacher from FADEUP and the Cooperanting Teacher from the School. The period of training was made in a School denominated of EB 2,3 of Rio Tinto, Gondomar.

Teaching in a real context of education has throughout the years been proven as one of the most efficient forms of acquisition of knowledge to pre-service teachers. So, this Report condenses a set of knowledge all acquired throughout one year.

The Report is divided in five great chapters. The first one refers to a Biographical

Framing, where a reflection around my past experiences and their influence on my

present, while being a Professor and educator. The second one describes the framing where the period of training elapses, in three different levels: legal, institutional and

functional. The third and more important part is, possibly, the one where the Realization of the Practice is all explained. In this, different aspects elapse, such as the

conception of the practice environment, more specifically the description of the class; the form as the planning should be done, crossing the perspectives of different authors with what it was made throughout the year and accomplished, where a perspective from the form as the control of the group was assured, beyond the observations been carried through and comments to the lessons of all the elements of the community of practice. Still in this chapter, the study of action-research relates the form as I do the initial instruction of each exercise, and also analyzes the emitted types of feedback’s in the class, followed of a wide related theoretical support within the subject. The fourth great chapter of the report describes the form as my relation and integration in the remaining educative community was constructed. The last chapter enhances the form as my professional dimension throughout the year was developed, with main prominence towards the importance of the reflectivity for my training as a Professor. It also describes how must be the competent Professor.

KEY WORDS: INTERSHIP, PHYSICAL EDUCATION, REFLECTION, COMMUNITY OF

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XVII CP – Conhecimento do Processo CR – Conhecimento do Resultado EE – Estudante Estagiário EF – Educação Física EP – Estágio Profissional FB – Feedback PC – Professora Cooperante PO – Professora Orientadora

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Introdução

As situações de prática pedagógica supervisionada representam um espaço fundamental para os Professores aplicarem os conhecimentos acumulados ao longo da sua formação (Siedentop, 1991; Rodrigues, 2001; Silva, 2009; Rodrigues, 2009). Aliás, Alarcão e Tavares (2003) defendem que a prática na fase inicial da aprendizagem do Professor representa um meio fundamental para o desenvolvimento das capacidades do docente.

Freire (2001), reitera que o envolvimento do Professor numa situação real de aprendizagem promove a tomada de decisão do mesmo, em termos pedagógicos e didácticos, tornando-o mais apto para tomar as mesmas numa situação real de ensino. Desta forma, se integra o conceito de reflexividade no estágio, onde a possibilidade de tomar determinadas decisões obriga o Professor a reflectir acerca das mesmas, perceber onde errou, procurar novas soluções assim resolver problemas levantados pela prática, desenvolvendo capacidades didácticas e pedagógicas. Relativamente a esta temática, Fernandes (2000) defende que o Professor deve ser capaz de reflectir sobre os conteúdos, questionar criticamente as práticas aplicadas, as estratégias estabelecidas, com o intuito de produzir novos conhecimentos. Apenas desta forma o docente será capaz de se adaptar às permanentes mudanças sociais, acompanhando as alterações à conjectura actual, permitindo que o processo de ensino se desenvolva sem diminuir a sua qualidade.

Silva (2009, p. 39) refere a reflexão como uma “arma” primordial na no desenvolvimento da profissionalidade docente, ao referir que “(…) é fundamental que

o formando, futuro professor, além da necessidade de possuir um conhecimento académico de base, seja capaz de questionar a sua prática e consiga estabelecer uma relação teoria-prática construindo através da reflexão novos saberes”. Assim, a

elaboração deste Relatório de Estágio, neste contexto, deve ser entendido como um documento reflexivo, sobre a mesma reflexividade, produzido com o intuito de proporcionar a constante renovação de conhecimentos por parte do Professor.

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O Estágio Profissional (EP) desenvolveu-se durante o ano lectivo 2010/2011, no segundo ano do 2º ciclo de estudos conducente ao grau de Mestre em ensino de Educação Física (EF) aos 2º e 3º ciclos da FADEUP.

O estágio decorreu em Rio Tinto, concelho de Gondomar, na escola EB 2,3 de Rio Tinto, escola-sede do Agrupamento Vertical das Escolas de Rio Tinto. Sendo esta uma das escolas mais antigas da cidade, tem-se destacado pela permanente qualidade do ensino evidenciada ao longo dos anos, apesar do meio socio-económico e das condições bastante desfavoráveis no qual se enquadra.

O percurso que este ano representou não foi percorrido sozinho. Estive integrado num núcleo de estágio, constituído por mais dois Professores que se encontravam na mesma situação de aprendizagem que eu. Todo o processo foi guiado pela Professora Cooperante (PC), que lecciona EF na escola e pela Professora Orientadora (PO), designada pela faculdade para supervisionar e avaliar o trabalho efectuado pelos Estudantes Estagiários (EE). O estágio foi efectuado em turmas de 7º ano, turma que dividi com a PC, ou seja, em conjunto realizamos todas as tarefas de planeamento, realização e avaliação necessárias. Todo o núcleo e grupo de Professores de EF revelaram-se fundamentais nesta caminhada. A troca saudável de ideias e soluções, aos problemas resultantes da prática que se foram levantando ao longo do ano revelaram-se fundamentais para o nosso crescimento enquanto profissionais em EF. De referir também todo o apoio conferido pelo restante corpo docente, quer em termos de organização e planeamento de todo o processo, como na forma como nos integraram no meio educativo. Dentro deste espírito cooperativo e agradável foi possível evoluir e desenvolver as minhas capacidades, percorrer um caminho que se estimava como sinuoso e difícil de uma forma mais fácil e suave.

O Relatório de Estágio divide-se em cinco grandes capítulos ou áreas. O primeiro refere-se ao Enquadramento Biográfico, onde está explanado todo o meu percurso até chegar ao presente. Este capítulo é de extrema importância porque reflecte a forma como as vivências desportivas e a minha educação e todos os intervenientes na mesma influenciam a minha identidade como docente. Neste estão reflectidos os meus medos, receios e o impacto inicial na escola, visto que neste momento, revejo

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aquilo que fui e a forma como consegui ultrapassar os referidos receios que tinha no começo do ano. O segundo capítulo reflecte a forma, como e onde, é o que o estágio se contextualiza, quer em termos legais, institucionais e funcionais. Sem querer relegar a importância dos pontos analisados neste capítulo, a análise do enquadramento funcional do estágio foi de primordial importância para conhecer o meio social em que a escola se encontra, além de explicar também a influência e importância de todos os intervenientes neste processo. A terceira parte, Realização da Prática, demonstra a importância de bem conhecermos a nossa turma, o nosso “publico-alvo”, visto que tal tem um forte impacto na forma como agimos e actuamos com os nossos alunos. Dentro deste capítulo encontram-se, ainda, diversas reflexões teóricas, sobre aquilo que define o “ser professor”, cruzam-se perspectivas de diferentes autores relativamente ao planeamento, e o reflexo das mesmas sobre a forma como o planeamento foi realizado ao longo do ano. Relativamente à realização do controlo da turma, está explícito neste capítulo a forma como o mesmo foi atingido e o reflexo que esta vivência poderá ter no futuro. O mesmo foi efectuado com a importância e influência das observações que foram realizadas, quer às aulas dos membros do núcleo quer às aulas do restante corpo docente. Ainda integrado nesta área está o estudo desenvolvido em torno da forma como realizo a instrução inicial, os FB emitidos aos alunos ao longo das aulas estudadas além de todo o acompanhamento teórico sobre o tema. Deste estudo retiro ilações fundamentais para toda a minha actuação enquanto Professor e treinador. No final deste capítulo desenvolvi todo um contexto teórico sobre as diferentes formas de avaliação e as diferentes perspectivas existentes na literatura. A quarta área descreve a Integração na Comunidade Educativa, a forma como a mesma decorreu e quais as estratégias e formas implementadas para atingir a mesma. Finalmente, a última grande área deste relatório, Desenvolvimento

Profissional, efectua um enquadramento teórico sobre a reflexividade, a importância

da mesma no desenvolvimento da competência docente e a presença da reflexividade no estágio. Este capítulo integra um conjunto teórico sobre aquele que deve ser o Professor competente, ou seja, quais as características que devo almejar atingir para ser considerado como tal, e por fim é efectuada uma reflexão sobre a importância da PC no meu desenvolvimento enquanto docente. Aqui, é ainda, efectuada uma análise

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dos principais resultados do estudo efectuado, e a influência dos mesmos no desenvolvimento da competência e da profissionalidade docente.

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2 - Enquadramento Biográfico

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2 - Enquadramento Biográfico

Todo o nosso passado e as nossas vivências representam uma influência muito forte naquilo que somos e nos tornamos. O meu passado desportivo tem uma forte preponderância naquilo que eu sou hoje. Foi graças à prática desportiva que aprendi valores e princípios como a perseverança, a disciplina, a necessidade de ser empenhado, o esforço, a dedicação, entre muitos outros. Em casa sempre me instigaram para a prática desportiva e fui bastante acompanhado pelos meus pais ao longo do meu crescimento enquanto atleta e, mais recentemente, como treinador.

O meu percurso inicia-se no Porto, cidade onde nasci, a 26 de Abril de 1988. Neste momento moro em Gondomar, onde vivo desde 1994. O meu percurso académico ficou marcado pela minha passagem na Escola Francesa do Porto, onde a língua oficial ainda é o Francês, que frequentei durante a primária. Aqui a disciplina e a exigência eram constantes durante todas as actividades diárias, valores que procuro relembrar na minha acção enquanto educador, junto dos meus alunos e atletas. Por morar em Gondomar, continuei os estudos no Colégio Paulo VI, que frequentei desde o 2º ciclo até ao ensino secundário. Até ao 9º ano, as minhas classificações eram maioritariamente de 4 e 5 valores. Terminei o ensino secundário com média de 16 valores, sendo que concorri à faculdade com média de 14,45 valores.

Como já referi anteriormente, o desporto sempre esteve presente na minha vida. Comecei a prática desportiva com 3 anos, com a prática de Natação nas piscinas do Foco, no Porto. Em 1994, quando o local da minha residência se alterou para Gondomar, iniciei a prática desportiva no Voleibol, que desde os 6 anos me acompanha. Joguei Voleibol até atingir os 19 anos, durante a qual venci 3 Campeonatos Regionais e um Campeonato Nacional. A nível de Desporto Escolar, venci 3 Campeonatos Distritais, dois Campeonatos Regionais e por duas vezes fui Vice-Campeão Nacional, em representação do Colégio Paulo VI.

Enquanto treinador, terminei o Curso de Treinador (Nível I) em Agosto de 2005. Comecei então na época 2005/2006 a minha actividade como treinador na Ala Nun’Alvares de Gondomar, onde permaneci até à época 2007/2008. Na época seguinte passei para o Castêlo da Maia Ginásio Clube, onde realizei o Centro de Treino (que

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terminei com a nota de 20 valores) e onde me mantenho até à actualidade. Embora em contextos diferentes, estas experiências e actividades enquanto treinador representam uma grande influência naquelas que são as minhas principais características como Professor, visto que a função educativa está presente tanto numa como noutra actividade. Com isto quero dizer que toda a exigência que eu demando dos meus atletas, toda a dedicação e empenho, são transferidos para a minha prática enquanto professor.

É neste panorama que inicio a minha actividade, sendo este o ponto de partida de onde espero evoluir e melhorar as minhas qualidades enquanto Professor.

Agora que está patente a influência das minhas vivências na minha formação, no próximo capítulo irei reflectir acerca do reflexo da minha formação e educação sobre a minha actuação enquanto Professor.

2.1 - A Minha Formação Enquanto Formador

Toda a formação e educação que recebi são tão ou mais importantes que todo o meu passado e histórico enquanto atleta e treinador. Tanto os meus pais como a minha irmã tiveram uma influência muito grande naquilo que sou.

A relação com os meus pais foi desde muito cedo construída à base da confiança. Sempre ouvi em casa que é extremamente importante confiarmos e sermos honestos, porque a partir do momento que quebramos a confiança, dificilmente a restabelecemos. O processo de ensino (independentemente do contexto) deve ter como base a confiança. Os alunos/atletas devem confiar no Professor/treinador, para perceberem que aquilo que o professor exige, pede, planeia é para o bem dos alunos. O docente tem de ser uma figura credível, na qual os discentes confiam e acreditam na sua palavra para poder liderar realmente o processo de ensino. Este foi possivelmente um dos mais importantes ensinamentos da minha mãe, que sempre pregou a importância de não mentir, de ser verdadeiro e frontal.

Desde muito cedo que o meu pai começou a trabalhar. Antes de atingir a idade adulta que trabalha e assim, acredita que, com muito trabalho, empenho, dedicação e fundamentalmente disciplina conseguimos atingir os objectivos a que nos propomos,

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ultrapassar barreiras que se levantam. Este é um principio pelo qual procuro reger a minha actuação enquanto educador, procuro envolver-me nas tarefas que proponho durante a aula/treino, para servir de modelo para os meus alunos e atletas, esperando que, tal como eu, eles também se envolvam nas tarefas. Se um dia mais tarde, os meus educandos perceberem a importância destes valores, se eu os conseguir transmitir, então irei considerar que a minha acção enquanto agente educativo está completa. Outro importante e brilhante ensinamento que o meu pai me transmitiu foi a importância e necessidade de cumprirmos os vínculos a que nos propomos. A partir do momento em que assumimos um compromisso, uma responsabilidade, temos de a cumprir, da melhor maneira possível. Este é um ensinamento precioso para quem, tal como eu, cumpre o papel de educador. Isto porque, nós somos responsáveis pelo crescimento e aprendizagem de muitos jovens e esta é uma enorme responsabilidade. Para tal temos de nos comprometer em dar sempre o nosso melhor, lutando para afastar a má imagem que têm dos Professores de Educação Física (EF).

Muito daquilo que me caracteriza como Professor e treinador é inspirado na minha irmã. A época em que fui adjunto dela, a mesma em que efectuei o centro de treino, foi extremamente produtiva, no que toca à liderança do processo de treino. A forma como ela lida com os problemas diários, encara os atletas; revejo-me muito nela. Uma das maiores lições que ela transmitiu às nossas atletas nesse ano foi a seguinte máxima: “quanto maior a liberdade, maior a responsabilidade”. Todas as crianças deveriam ter sempre presente este princípio, para qualquer tarefa que desempenhem sem a supervisão do Professor a realizem com afinco, cuidado, empenho e especialmente dedicação.

Agora que estão descritas quais as minhas influencias, que me tornaram naquilo que eu sou, no próximo capitulo irei discorrer sobre qual o Professor que pretendo tornar-me, visto que a formação é uma constante ao longo da carreira.

2.2 - Expectativas Enquanto Estagiário: O Primeiro Impacto na Escola e as Dúvidas que o Mesmo Traz

O estágio é encarado como um ponto marcante na minha formação e aprendizagem. Não será um fim de um ciclo, visto que a aprendizagem não tem fim.

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Mas marca o início da aplicação de todos os conceitos e aprendizagens anteriores que neste momento serão aplicadas em situação real de aprendizagem.

Muitas questões e dúvidas se levantaram antes do estágio. Muitas das dúvidas e incertezas que surgiram prendiam-se com a falta de confiança e provavelmente conhecimento das minhas capacidades. Seria eu capaz de conduzir o processo de ensino? Assumir essa responsabilidade? Estaria eu pronto para tomar as decisões correctas?

Antes do início do estágio, as minhas maiores dúvidas relacionavam-se com a forma como seria capaz de liderar o processo de ensino. Com o início do ano fui percebendo que sou capaz assumir o controlo da turma, apesar de ser ainda um professor estagiário. O meu receio de ser rotulado como inexperiente foi ultrapassado ao optar por uma postura séria, na qual fui intransigente com o cumprimento das regras. Acho que nos próximos anos, se conseguir leccionar em algum local, por ser novo ainda, vou ser rotulado como um professor inexperiente e tirei de optar por esta postura para conseguir assumir o controlo da turma.

No entanto, tenho perfeita noção de que enquanto Professor e treinador existem algumas lacunas no meu comportamento que sei que terei de trabalhar e melhorar. O Estágio Profissional (EP) será o espaço ideal para trabalhar estas minhas dificuldades. Assim, o controlo e a gestão da turma, será um dos aspectos a melhorar, sendo que este é fundamental para que o processo de ensino-aprendizagem ocorra de forma tranquila e eficaz, independentemente do contexto em que aconteça. Outro aspecto com que conto melhorar é na gestão do tempo. Nas aulas práticas das diferentes didácticas específicas que frequentamos no ano transacto, a gestão correcta e eficaz do tempo, era uma das maiores dificuldades e lacunas que nos era frequentemente apontada. Nessa altura, sendo as aulas leccionadas em grupo, era mais fácil fazer uma divisão de tarefas, responsabilizando um dos colegas pela gestão do tempo de cada exercício. Neste contexto, (assim como no treino), estou tão centrado no controlo da turma, na emissão de FB e na direcção dos exercícios que relego para segundo plano o controlo do tempo que tenho de ter mais atenção e cuidado com este aspecto.

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Da minha experiência enquanto atleta e treinador, trago uma cultura de empenho, sacrifício e dedicação. Se enquanto atleta me orientei por estes princípios, enquanto treinador exijo dos meus atletas uma atitude semelhante. Tal como já referi anteriormente, em contexto escolar terei de efectuar diversas adaptações, comparativamente com o treino, não posso esperar que este espírito seja compatível com o das aulas de EF. Este será mais um “objectivo” ou meta a cumprir durante este ano.

Relativamente aos meus alunos espero, sinceramente, conseguir assumir o controlo da turma, de forma harmoniosa e eficaz, ou seja, ser líder e controlar os alunos sem ser de forma autoritária e agressiva, visto que na escola tenho de acentuar, como já referi anteriormente, a componente lúdica e recreativa, para manter os meus alunos motivados para a prática das actividades propostas nas aulas e também para lhes incutir o gosto pela Actividade Física de uma forma mais geral e abrangente. Quanto aos meus colegas de estágio e até os restantes professores do grupo, conto que o ambiente e a convivência entre todos seja agradável, de entreajuda e cooperação.

As expectativas relativamente ao meu núcleo de estágio, já tinham sido criadas anteriormente, visto que já conhecia os meus colegas de estágio e inclusivamente já tinha trabalhado em grupo com eles noutras ocasiões. Na escola todo o corpo docente nos recebeu de forma acolhedora e compreenderam o nosso papel na escola e a importância do EP na nossa formação. Por isso, todo o apoio necessário foi nos fornecido pelos restantes professores. Quanto à Professora Cooperante (PC), esta foi no ano transacto nossa Professora de Didáctica de Voleibol e por isso não foi este o nosso primeiro contacto com ela. Contudo, desde o início que a mesma criou uma excelente relação connosco, de tutora e de colega. Os primeiros contactos com a Professora Orientadora (PO) da faculdade foram extremamente positivos, dada a sua disponibilidade constante para nos ajudar.

Finalmente, sobre a minha formação, espero neste EP criar uma identidade enquanto Professor. Naturalmente que as minhas vivências enquanto treinador influenciam a criação da referida identidade. No entanto, tenho de procurar criar

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hábitos na minha actuação enquanto professor, ou seja, rotinar-me com algumas preocupações que o professor tem de ter e que o treinador não, por exemplo: as questões burocráticas, as rotinas que os alunos têm de ter e que os meus atletas não necessitam.

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3- Enquadramento da Prática Profissional

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3- Enquadramento da Prática Profissional

3.1 - Enquadramento Legal

No que toca ao contexto legal e jurídico, o Estágio Profissional (EP) está delimitado pelas suas Normas Orientadoras, pelo Regulamento da Unidade Curricular do Estágio Profissional e pelo Documento da Avaliação da Prática Supervisionada.

O 1º artigo do Regulamento da Unidade Curricular do EP indica que o mesmo está integrado no 2º ciclo de estudos em ensino de educação física nos ensinos básico e secundário. O mesmo rege-se pelas normas da instituição universitária e pela legislação específica acerca da Habilitação Profissional para a Docência. A estrutura e funcionamento do EP consideram os princípios decorrentes das orientações legais que constam no Decreto-lei n.º 74/2006 de 24 de Março e o Decreto-Lei n.º 43/2007 de 22 de Fevereiro e têm em conta o Regulamento Geral dos segundos Ciclos da UO, o Regulamento Geral dos Segundos ciclos da FADEUP e o Regulamento do Curso de Mestrado em Ensino de Educação Física. O EP é uma unidade curricular do segundo ciclo de estudos que atribui o grau de Mestre em Ensino de Educação Física (EF) da FADEUP e decorre no terceiro e quarto semestres do ciclo de estudos.

O 2º artigo do regulamento do EP procura a integração do Professor em todas as áreas em que este se actua. Isto significa que durante a realização do mesmo, o Professor tem de intervir em todas as áreas que no futuro, durante a realização da sua profissão, estarão presentes na sua actividade diária. Citando o Artigo 2º do Regulamento da Unidade Curricular Estágio Profissional: “(…) a integração no exercício da vida profissional de forma progressiva e orientada, através da prática de ensino supervisionada em contexto real, desenvolvendo as competências profissionais que promovam nos futuros docentes um desempenho crítico e reflexivo, capaz de responder aos desafios e exigências da profissão. Estas competências profissionais, associadas a um ensino da EF e Desporto de qualidade, reportam-se ao Perfil Geral de Desempenho do Educador e do Professor (Decreto-lei nº 240/2001 de 17 de Agosto) e organizam-se nas seguintes áreas de desempenho”:

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II. Participação na Escola

III. Relação com a comunidade

IV. Desenvolvimento profissional (pp. 2)

Ainda tendo como o base o mesmo documento, o 4º artigo deste indica que a orientação da prática de Ensino Supervisionada é realizada por um docente da FADEUP, denominado por Professor Orientador (PO) que é nomeado pelo órgão competente e pelo Professor Cooperante (PC), escolhido pela comissão científica, ouvido o professor regente da unidade curricular do EP.

3.2 - Enquadramento Institucional

O EP realiza-se no segundo ano do 2º ciclo de estudos em ensino de EF no ensino básico e secundário, conducente ao grau de mestre. No primeiro ano do mestrado constam no currículo disciplinas relacionadas com a profissionalidade pedagógica, com o ser professor e a psicologia na área de ensino. No 2º semestre do primeiro ano estão todas as didácticas das diferentes modalidades incluindo a didáctica geral.

As tarefas enquanto Professor iniciam-se no primeiro dia de Setembro e terminam com o final das aulas. Neste ano, nas principais tarefas do Estudante Estagiário (EE) estão a construção do Relatório de Estágio e o Estudo de Investigação-Acção, além da condução do processo de ensino da turma.

À PO da FADEUP são atribuídas inúmeras funções, entre as quais: 1) Dar cumprimento ao Regulamento da FADEUP; 2) Apoiar o EE na construção do Projecto de Formação Individual em todas as fases da concepção deste documento; 3) Observar as aulas leccionadas pelo EE e reunir com o núcleo de estágio; 4) Orientar o Relatório de Estágio e integrar o júri das provas.

A PC tem tarefas bem diferentes da PO, complementando as funções desta, visto que tem um contacto mais próximo com os EE. Assim, a acção da PC está essencialmente nas seguintes funções: 1) Programar as actividades do núcleo de EP, ao longo do ano escolar, de acordo com as orientações definidas pela regência e comunica-lo à FADEUP, através do PC; 2) Orientar os EE em cooperação com a PO; 3)

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Apoiar, supervisionar e orientar os EE na elaboração de todas as actividades desenvolvidas em contexto escolar; 4) Dinamizar sessões com o núcleo de estágio através de seminários e reuniões, de cariz didáctico e pedagógico; 5) Avaliar os EE.

3.3 - Enquadramento Funcional

Todo o processo de ensino, independentemente do contexto em que o mesmo decorra e do objectivo (ou seja, em contexto escolar ou num processo de treino) tem de ser adaptado ao contexto estrutural e funcional em que o mesmo decorre.

O EP decorre na Escola EB 2,3 de Rio Tinto n.º 2, inserida no Agrupamento Vertical das Escolas de Rio Tinto. A mesma localiza-se na freguesia de Rio Tinto, concelho de Gondomar. Em termos desportivos, a freguesia é bastante activa, sendo dinamizados inúmeros torneios, pelas muitas escolas, associações e colectividades onde o futebol é o desporto eleito pela grande parte das mesmas. Contudo, o voleibol, a natação, o andebol e o pólo aquático também estão representados. A escola é das mais antigas da freguesia. Assume-se assim como uma forte referência nas escolas locais. Sempre foi bastante bem equipada, com excelentes instalações, contudo, para melhorar as mesmas neste ano lectivo a escola encontra-se em obras. Todos os módulos que constituem a escola foram demolidos (exceptuando um, onde funcionam a sala dos professores, o bar e cantina e os serviços administrativos) e as aulas decorrerão em edifícios modulares. Estes foram colocados sobre o espaço destino à prática de EF ao ar livre, o que restringe o nosso espaço, tendo por isso de restringir os nossos espaços ao pavilhão.

O pavilhão sofreu obras de remodelação no tecto, estando este em bom estado, contudo, o piso encontra-se bastante degradado. Em termos materiais, a escola encontra-se muito bem equipada, não faltando qualquer material para leccionarmos as modalidades planeadas.

O núcleo de estágio já se demonstrou solidário e prestável para a realização de todas as tarefas que nos são propostas. Conheci os meus colegas de núcleo na faculdade e já provaram os dois que são capazes de trabalhar e cooperar comigo. Penso que sendo todos responsáveis e prestáveis na realização dos trabalhos,

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enquadram-se perfeitamente comigo, na forma como gosto de trabalhar. Assim como uma equipa funciona, o nosso núcleo funciona da mesma forma, coesa, unida, junta e cooperante.

Tanto a PC e PO já se revelaram extremamente prestáveis e próximas do nosso trabalho. Relativamente à primeira, tem se revelado muito presente e sempre pronta para ajudar. Tal não me parece negativo, aliás parece-me extremamente positivo, visto que se trata de um trabalho longo, cansativo, tanto para nós como para quem nos orienta. Assim a comunicação o contacto com a Professora são bem mais fáceis e práticos, facilitando o desenvolvimento do trabalho de uma forma saudável. Relativamente à PC, esta já tinha sido nossa professora na disciplina de Didáctica de Voleibol e no meu caso, em Metodologia de Voleibol. Sendo assim, já a conhecia antes de iniciar o estágio e as primeiras impressões já tinham sido criadas mais cedo. O facto da Professora ter sido durante alguns anos docente na FADEUP, conhece muito bem a forma como o EP decorre e ainda lhe atribui um cunho, um “selo de qualidade” não apenas na forma como altera ou corrige todo o nosso trabalho e produção escrita como também na forma como nos aconselha, ao longo das reflexões diárias realizadas. Aproveito para referir, que esta tem sido uma excelente fonte de aprendizagem, de informação, visto que somos muito bem “guiados” e orientados pela PC na busca das melhores estratégias.

É neste contexto que o EP se vai desenrolar e é dentro deste esquema, deste desenho que um grande ano, cheio de aprendizagem e de novas experiências vão decorrer.

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4 - Realização da Prática

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4 - Realização da Prática

4.1 - Concepção

Caracterização do “público-alvo”

O processo de ensino não pode decorrer de forma normal e natural sem que o professor conheça profundamente o seu “público alvo”, ou seja, a sua turma. Os seguintes parágrafos têm como objectivo efectuar uma caracterização das principais características da turma, sendo analisadas pormenorizadamente as particularidades referentes à Educação Física (EF), com uma forte transferência e reflexão sobre a prática e o reflexo das principais características apontadas à turma na realização do processo.

Não faria sentido planearmos o método de ensino sem conhecermos os nossos alunos, visto que tal condiciona não apenas o nosso planeamento, como também a forma de actuar perante os nossos alunos.

A realização no início do ano de um documento onde é efectuada a caracterização da turma segundo diferentes parâmetros e aspectos revelou-se fundamental, para a realização de todo o processo de ensino. O conhecimento do historial desportivo, médico e escolar dos alunos é bastante relevante no momento do planeamento, visto que qualquer um destes parâmetros influenciam a forma como o mesmo é realizado. Caso evidente deste aspecto é uma aluna que, devido a problemas que ela tem na coluna lombar, comprometera a sua participação em muitas aulas de ginástica e a sua avaliação nas respectivas unidades didácticas.

Por outro lado, o conhecimento do contexto e do enquadramento social, económico, familiar em que os alunos se enquadram é primordial para a realização de todo o trabalho efectuado. A forma como actuamos junto dos alunos, como lidamos com problemas disciplinares e punimos e castigamos os nossos discentes, tem de ser sempre efectuada tendo em conta o contexto em que os alunos crescem. Na turma existem diversos alunos provenientes de meios difíceis, com dificuldades económicas evidentes e fundamentalmente com um enorme défice em termos educativos e sociais que se reflectiram diversas vezes nas aulas. Assim, enquanto Professor, tenho de saber

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equilibrar e moderar a minha actuação, visto que alguns dos comportamentos dos alunos encontram justificação no contexto onde estes crescem.

Neste momento, percebo e compreendo a importância e relevância na realização deste género de documentos e na caracterização da turma e dos alunos. Conhecer os alunos não apenas dentro do contexto escolar e especialmente fora do mesmo é evidentemente bastante importante visto que condiciona em diversos planos o nosso contacto com os alunos

Ser Professor

Os seguintes parágrafos procuram espelhar um pouco daquilo que é a actuação do Professor, qual o papel do mesmo no meio escolar e a forma como ele se relaciona com os seus alunos. Se é fundamental em termos práticos conhecer as características de forma aprofundada da turma, tal como ficou explícito no tema anterior tratado, parece-me importante conhecer o “espaço” e a forma como o Professor pode actuar dentro do espaço escolar.

O Aluno: o centro de todo o processo

Ser Professor de EF difere em muito de ser Professor de outra qualquer disciplina. Se o Professor de Ciências Físico-químicas procura evidenciar e explicar aos alunos as leis que justificam determinados acontecimentos, o Professor de EF não tem apenas o seu foco de atenção nos factos mas também no alvo de todo o processo educativo: os alunos. O aluno ou o atleta são parte da “experiência”, isto porque o aluno é que sofre as alterações, a nível psicológico, morfológico, fisiológico, etc. Nesta experiência que este ano representou, colocar os alunos no centro foi mais do que uma hipótese; foi uma obrigação. Da minha perspectiva faz parte do trabalho do docente colocar o aluno no centro do trabalho, visto que este é efectuado em função e para a turma.

Compreendida a actuação do Professor junto do aluno e do papel do mesmo quando o docente pretende liderar o acto educativo, qual o espaço destinado ao Professor? Como consegue este colocar-se no topo hierárquico do processo de ensino?

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O próximo sub-capítulo pretende explicar como deve este posicionar-se no topo da hierarquia.

O Estatuto do Professor

Cousinet (1958) defende que o docente está num estrato hierárquico superior comparativamente ao aluno. O mesmo autor argumenta que o Professor tem de forçosamente se posicionar numa posição superior relativamente ao aluno, caso contrário, o encontro escolar não se produz. Ferry (1969) argumenta que as diferenças de estatuto entre Professor e aluno estão implícitas a partir do momento que os conhecimentos do docente se suplantam aos dos seus discentes, visto que o Professor tem como intuito leccionar: ensinar, transmitir conhecimentos e classificar os seus alunos. Isto é suficiente para que o Professor se encontre num patamar acima do dos seus alunos.

A dúvida está na possibilidade do Professor conseguir escapar ao seu estatuto. Tem este de ser imposto por alguém que está do lado de fora a forçar essa relação? A autoridade ligada ao papel é um produto das relações e não uma condição prévia. O estatuto do docente é reconhecido pelos alunos, derivado das suas qualidades técnicas e humanas.

Contudo, não basta o Professor ter a sua posição hierárquica apoiada pelos órgãos escolares superiores para ser aceite pelos alunos como condutor principal do processo de ensino. No sistema escolar tradicional, se o docente não se encontra à altura do seu estatuto, torna-se objecto de chacota, manifestação colectiva de uma grande tensão gerada por um grupo inteiro. Assim e novamente, o aluno volta a ser o centro de todo o processo, visto que é este quem confere ao Professor o seu estatuto, é o aluno quem o aceita como líder a consequentemente é este que possibilita que o mesmo decorra naturalmente.

O formador só consegue atingir esse estatuto quando for aceite pelo grupo como tal. Mesmo que este tenha sido imposto por um órgão superior, o grupo só o aceitará realmente quando este criar um laço educativo com os seus alunos, tendo assim uma posição privilegiada no seio do grupo de educandos. Deste modo se define a

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autoridade educativa do formador, quando este consegue impor-se perante um grupo, não graças a poderes externos mas sim de forma natural, graças à eficácia do mesmo na consecução das suas tarefas. O bom Professor consegue assim com naturalidade impor-se perante um grupo, graças aos seus bons resultados e eficiência na condução do processo, onde os bons resultados obtidos são facilmente visíveis.

Se os estatutos se estruturam de uma maneira bipolar quando o grupo educativo se constitui, é por causa dos papéis atribuídos inicialmente a cada um e do papel particular do docente, mas desde que este de aos membros dos grupos a possibilidade de assumirem papéis diversificados, para prosseguirem os objectivos, a estrutura dos grupos modifica-se. O estatuto é adquirido com base nos papéis assumidos e é relativo à situação vivida.

Neste ano, o assumir das rédeas foi para mim um processo natural. Acredito que a minha experiência enquanto treinador facilitou este impacto. Para tal, aquando do primeiro contacto com os alunos, onde assumi desde logo uma postura autoritária e a bastante forte, colocou-me no topo da hierarquia. Ao longo do ano, não considero que essa hierarquia tenha sido quebrada, contudo, acho que em momentos foi necessário “expor-me” e “humanizar-me” perante os meus alunos, e em termos hierárquicos, não me diminuiu ou alterou a ordem da mesma mas sim diminuiu as distancias que me separavam da turma.

Concluindo, poderá o docente na situação educativa escapar à sua posição central e ao estatuto que daí resulta? O docente não se estabelece pelo seu estatuto, ainda que conserve uma posição privilegiada para dar o estímulo e animar a organização; é pelos papéis que assume que ele adquire um estatuto junto dos alunos. Assim, tudo depende da maneira como o docente concebe o seu estatuto e, sobretudo, como entende o do aluno.

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4.2 – Planeamento

O Planeamento no Contexto de Ensino

A aplicação na prática dos conhecimentos teóricos torna-se no ponto fundamental da acção enquanto Professor. Esta transferência de conhecimentos acaba por acontecer, do meu ponto de vista, na altura de realizarmos o planeamento.

A construção dos Modelos de Estrutura do Conhecimento (Vickers, 1989) foi a principal ferramenta na resolução de todo o puzzle que é a realização do planeamento. Isto porque, a elaboração dos referidos documentos permitiram aglomerar de uma forma bastante sucinta toda a informação necessária para a realização e organização do processo de ensino. Regressando à alegoria do puzzle, compreendo que os Modelos de Estrutura do Conhecimento representam um puzzle completo, as Unidades Didácticas partes do puzzle já montados, e os planos de aula as pequenas peças constituintes do mesmo. As restantes informações integrantes destes documentos elaborados ao longo do ano, as avaliações iniciais ou a descrição do contexto de ensino representam ajudas fundamentais para construir a imagem final – o planeamento. Desta forma reconheço a importância destes documentos e a sua relevância para a realização desta tarefa fundamental para o Professor.

Acho que a minha experiência enquanto treinador facilitou todo o processo de planeamento. O facto de já ter realizado o “centro de treino”, inserido na disciplina de Metodologia de Voleibol no 3º ano do 1º ciclo de estudos, já me deu alguma experiência em planear, de forma regular e sistemática, as aulas. Daqui devo retirar uma ilação preciosa para o futuro, para quando exercer a minha actividade docente: visto que a actividade do professor não se limita ao planeamento e execução das aulas, deverei manter-me o mais metódico e organizado possível, para nunca deixar que a qualidade das aulas leccionadas baixe, assegurando que irei manter a competência do processo de ensino sem deixar que as restantes tarefas interfiram no mesmo.

Contudo, planear sem conhecer de forma aprofundada o conteúdo tornou-se numa barreira e num obstáculo que, por vezes, foi difícil ultrapassar. A falta de conhecimento tornou o planeamento mais demorado, obrigou a pesquisar e a

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informar-me sobre a matéria em questão e esta foi a maior diferença quando comparando com a realização do “centro de treino”. No entanto, assim é que comecei a construir alguns conhecimentos de forma aprofundada e consolidada sobre as matérias a leccionar. Esta foi uma diferença que só me apercebi quando leccionei Voleibol no terceiro período, matéria que domino com alguma profundidade. Tenho noção que, com o acumular de experiencia enquanto docente, as diferentes matérias de ensino começarão a estar mais assimiladas, contudo, nunca poderei deixar de actualizar os meus conhecimentos relativos aos conteúdos, para assegurar o nível do processo de ensino.

Na construção dos planos de aula, apercebi-me que existiam alguns pontos fundamentais para assegurar que a mesma decorresse sem qualquer problema. Esses pontos fulcrais são: a escolha e definição atempada do material, a correcta definição e organização do exercício e os critérios de êxito definidos. Começando pelo primeiro ponto, a falta ou desorganização com o material pode ter consequências graves para o decorrer da sessão. Apesar de ser importante a capacidade de improviso do Professor, caso alguma actividade necessária, se no momento de planear o docente for capaz de prever tudo aquilo que irá acontecer, então não necessita de improvisar. Aliás, qualquer quebra na aula irá certamente destabilizar o controlo da turma, o que no meu caso, iria tornar complicado o reencontro com as regras normais da mesma. Passando ao segundo ponto, a descrição e organização das situações de aprendizagem planeadas são fulcrais para o funcionamento normal da aula. Isto porque, tal como a capacidade de prever qual o material necessário é um factor determinante para manter e estabilizar o controlo da aula, prever ao pormenor como serão as situações de aprendizagem tornou-se num factor determinante para assegurar que nada irá sair “dos eixos”; desde o comportamento dos alunos até ao decorrer da aula para assegurar que o exercício decorre da forma pretendida e que os objectivos propostos são atingidos.

No que toca às palavras-chave, antes de mais parece-me importante distingui-las dos critérios de êxito anteriormente referidos. Enquanto estes são os pontos fulcrais para cada um dos exercícios, as palavras-chave são a forma mais rápida, curta e eficaz que o Professor possui para explicar esses mesmos aspectos. Relativamente à

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utilização das palavras-chave, parece-me de primordial importância que as mesmas sejam estudadas a pormenor antes do início das aulas pelo Professor. As palavras-chave revelaram-se fundamentais nas minhas aulas, visto que representam uma ferramenta óptima para os alunos compreenderem os pontos fundamentais da matéria e o reforço dos mesmos no decorrer do exercício é um meio para corrigir os alunos de forma rápida, curta e eficaz.

Toda a teoria recolhida e apresentada de seguida representam um suporte teórico que é, e será fundamental, enriquecendo o meu conhecimento sobre este tema, sobre esta tarefa de importância fulcral na tarefa do Professor.

Deste modo, o planeamento representa uma das partes fulcrais e fundamentais do processo de ensino. Representa a base de todo o processo, aliás, Bento (2003) considera que o ponto de partida do planeamento deve estar na concepção dos programas ou normas programáticas de ensino. O mesmo autor reitera que o objectivo da planificação não se prende unicamente no desenvolvimento de meios e processos para pôr em prática o processo de ensino mas também, na descoberta de contextos reguláveis do processo. Assim, a revisão ao longo do ano dos currículos e normas programáticas, assim como as adaptações que a escola realiza aos mesmos revelaram-se indispensáveis ao longo do ano de Estágio Profissional (EP). Contudo, para planear não basta ter um conhecimento dos conteúdos a leccionar e transmitir, tal como no próximo tópico está espelhado.

O mesmo autor (2003) referiu ainda que o plano tem um papel determinante na condução dos processos de formação e educação, tal como já havia mencionado, nomeadamente:

Na orientação do processo de aprendizagem;

Na apropriação de conhecimentos e habilidades, na formação e desenvolvimento de capacidades;

Na activação do comportamento de aprendizagem;

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Relação Programas - Planeamento

Por outro lado, a planificação também significa ligar a própria qualificação e formação permanente do professor ao processo de ensino, à procura de melhores resultados no ensino, como resultante do confronto diário com problemas práticos e teóricos. A análise dos programas de ensino afigura-se fundamental, isto porque a planificação acaba por se tornar numa interpretação dos objectivos programados pelo ministério (Bento, 2003). Isto significa que, planear representa a concretização dos objectivos propostos nos programas de ensino, relacionando os mesmos com os conteúdos programáticos e as necessidades dos alunos. Por isso, a planificação orienta-se para a aprendizagem segura e eficaz, para a apropriação por todos os alunos de conhecimentos e capacidades, sempre à luz do programa.

O Planeamento Enquanto Estratégia

O termo plano, personifica uma estratégia, alegorizando, pode representar uma táctica para atingir o objectivo do jogo. Apesar de significar apenas uma estratégia, não significa que tenha de ser cumprida à risca, visto que é exactamente isso que significa, um plano, muitas vezes pode ser alterado. Aliás, a minha experiência enquanto treinador, qualifica a maleabilidade e flexibilidade do plano de treino ou plano a longo prazo, como uma das suas maiores qualidades. Isto porque, diferentes factores interferem na forma como a aula e o processo de ensino decorrem, desde a evolução dos estudantes até ao contexto em que decorre todo o ensino. Tal vai de encontro ao ponto de vista defendido por Bento (2003), onde o autor refere que a planificação é o elo de ligação entre as pretensões e os objectivos planificados para a realização da prática. Isto porque, tal pode ser necessário alterar-se, para cumprir os objectivos, ou seja, a realização prática do processo de ensino. Aliás, citando o mesmo autor, este defende que o ensino é criado duas vezes, no momento da concepção e do planeamento e depois na realidade, visto que muitas vezes existem as referidas alterações (Bento, 2003).

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Concentrar No Essencial

Tal como “um jogo de setas”, o lançador tem de ser concentrar no alvo, no centro, no objectivo. O planeamento passa por nos centrarmos no essencial. Se pretendemos ensinar com eficácia, se queremos que no pouco espaço de tempo disponível os alunos assimilem algum tipo de conteúdos, então o ensino passará por nos concentrarmos nos pontos fulcrais e essenciais. Para tal temos que definir o que é realmente essencial e concentrar aí a nossa actividade e a dos alunos. Isto significa que a concentração no essencial acaba por ser uma exigência didáctica extremamente relevante (Bento, 2003). Ao longo do ano compreendi que a preparação do Professor para cada uma das aulas é fulcral para atingir esta ideia defendida pelo autor. Isto porque, se o Professor tiver uma ideia superficial daqueles que serão os conteúdos a leccionar na aula, não se conseguirá centrar naquilo que é realmente importante. A experiência recolhida ao longo deste ano demonstrou que a utilização de palavras-chave representa uma forma pedagógica e didáctica extremamente útil para que o docente foque os seus alunos naqueles que são os pontos mais importantes da matéria de ensino. O mesmo autor refere ainda a simplificação didáctica como uma forma importante para reduzir nos pormenores e focar no que realmente importa. Contudo, levanta algumas questões ao sublinhar que “não pode porém significar uma atitude simplista de renúncia ou de abandono de determinados elementos ou exercícios” (Bento, 2003).

Seguindo esta premissa, o Professor consegue (Bento, 2003):

Obtenção de resultados sólidos para todos os alunos;

Escolha e emprego do procedimento didáctico e metodológico mais favorável; Utilização racional e eficaz do tempo de ensino.

Concluindo, para o Professor, “concentrar no essencial” significa manipular o conteúdo do programa à situação pedagógica concreta, concretizando os objectivos delineados previamente.

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Dicotomia Ensino Vs. Formação

O ensino não se resume à transmissão e apropriação da matéria programática. Isto porque ao ensinar, a personalidade dos alunos acaba por ser moldada, dada a quantidade de valores que ensino tem implícito. Por exemplo: o ensino acaba por alterar o comportamento moral, forjando o pensamento do aluno, influenciando a sua vontade, os seus sentimentos, actuação e a sua disponibilidade para empenhamento nas tarefas diárias (Bento, 2003). De uma forma mais específica, o ensino da EF torna-se num espaço privilegiado para a transmissão destorna-ses valores, dada a forma como estão profundamente ligados à prática desportiva, ou seja, na nossa disciplina ao fomentarmos o fair-play, a cooperação, o trabalho de equipa, o respeito pelas regras, o empenho, a exigência, a dedicação estamos a moldar definitivamente a personalidade dos alunos. Neste ano lectivo a batalha pelo controlo da turma, pela manutenção da ordem e da disciplina foram uma constante. A indisciplina foi alterada pelas regras, pela aquisição de normas e hábitos para que o processo de ensino decorresse normalmente e que a aprendizagem fosse possível. Isto deve-se ao facto referido pelo autor, ou seja, pelos valores e normas que estão implícitos ao ensino do desporto. Bento (2003) defende, ainda, que é possível fomentar a autonomia, a auto-educação do aluno, utilizando algumas estratégias como a inclusão dos alunos na preparação das aulas e organização das mesmas, na manutenção da ordem e disciplina e também no controlo e avaliação dos resultados.

Resumindo, um bom ensino é o caso do desenvolvimento de capacidades motoras e de relações sociais, da formação de espírito crítico e criativo (Bento, 2003).

Macro Planeamento – o Planeamento Anual e da UD vs. Os MEC

A principal dificuldade sentida na realização do planeamento anual e de qualquer tipo de planeamento a longo prazo reside na dificuldade de perspectivar aquilo que irá realmente acontecer. Como conseguir fazer com que o plano desde o início seja coerente com a realidade?

Bento (2003) considera o plano anual como uma perspectiva global daquilo que será o ano. Assim, representa uma tentativa de sintetizar e concretizar o programa no

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contexto em que o processo de ensino vai decorrer. Este nível de planeamento constitui segundo o mesmo autor, o primeiro passo do planeamento e da preparação do ensino. Contém, ainda, objectivos relativos ao desenvolvimento pessoal e humano do aluno assim como algumas formas de organização do ensino ao longo do ano lectivo.

Relativamente ao planeamento das Unidades Didácticas, Bento (2003) considera que este nível de planeamento não se deve dirigir unicamente para a matéria, mas também para o desenvolvimento humano e pessoal dos alunos. Neste aspecto, o autor considera que as funções didácticas devem ser bem definidas para o desenvolvimento da personalidade dos alunos, para cada aula.

Por seu turno, os Modelos de Estrutura e Conhecimento (Vickers, 1989) representam uma forma de planeamento que se afasta do ponto de vista apresentado pelo autor anterior. Isto porque, a autora apresenta o planeamento de uma perspectiva mais global, envolvendo outras variáveis, visto que integra o conhecimento do contexto em que o ensino irá decorrer, assim como o conhecimento da turma, da modalidade e da forma de avaliação. Apesar de integrar a UD e os planos de aula, o planeamento segundo esta autora revela-se como mais global e integrante do que as restantes perspectivas apresentadas.

Ficam as ideias base do planeamento e preparação da unidade temática (Bento, 2003):

 Através deste planeamento é ultrapassada a visão parcial e isolada do conteúdo, do processo e da função do ensino, sendo realçadas as tarefas globais de desenvolvimento da personalidade;

 Determina a função de cada aula e dispõe vias da sua preparação;

 A reflexão profunda, inscrita neste nível, possibilita a descoberta atempada de ligações e relações de reciprocidade com outras disciplinas e formas de actividade extralectiva e extra-escolar;

 A “concentração no essencial” deve orientar a abordagem da preparação da matéria de ensino pois este trabalho pressupõe uma profunda análise

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científica e pedagógico-didáctica da matéria de ensino, considerada como conteúdo e meio do desenvolvimento da personalidade dos alunos.

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4.3 - Realização

A Segurança da Profissionalidade Docente

A segurança da Profissão do Professor está dependente, como em todas as profissões, do seu sucesso. Normalmente, o sucesso do processo de ensino depende tanto da actividade do Professor como das actividades de aprendizagem dos alunos. Todo o processo de ensino é conduzido e mediado pelo Professor, contudo, os alunos também têm um papel a cumprir no desenvolvimento de todo o processo e, desta forma, o seu papel torna-se fundamental. Caso os alunos “batalhem” contra as intenções do Professor representarão um grande entrave ao desenvolvimento do método de ensino. Ao longo do ano este foi um problema constante, dada a grande quantidade de preconceitos que os alunos têm com determinadas modalidades. Estes preconceitos criam barreiras para que os alunos assimilem e compreendam aquilo que é necessário para dominar as matérias de ensino. Aliás, muitos foram os alunos que não tiveram um melhor desempenho dada a sua “recusa” em aprender as modalidades que menos lhes agradam ou que têm mais dificuldades. Neste caso, castigar os alunos nunca foi uma solução, visto que só iria aumentar a barreira que separa os alunos da modalidade. Assim, conversar com alunos para explicar a importância das modalidades, que desistir perante as adversidades não constitui uma solução, foi uma das formas de dissuadir os alunos para cumprirem as tarefas propostas. Esta é uma ideia que vai de acordo com o que Bento (2003) refere anteriormente: o ensino altera o comportamento moral do aluno, forja os seus sentimentos, influencia as suas vontades e a sua disponibilidade para a concretização das tarefas motoras.

Neste sentido, Bento (2003), considera que existem três pressupostos para a segurança da profissão do Professor: 1) Domínio profundo do conceito da essência do

ensino: formação integral do aluno; 2) Conhecimento exacto das linhas de direcção de cada disciplina e da educação: conhecimento acerca do que norteia os princípios da

disciplina; 3) Conhecimento exacto da turma.

Para garantir a apropriação da matéria, o controlo e avaliação do rendimento dos alunos revela-se como uma tarefa fundamental do Professor, para perceber se o

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