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Contributo da Desfolha, monda de cachos e DMr na maturação e produção da casta Baga

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Contributo da

des-folha precoce,

monda de cachos e

DMR na maturação

e produção da

Casta BAGA

João Manuel Ferreira Martins

Dissertação para obtenção do Grau de Mestre em

Viticultura e Enologia

(2)

Contributo da

des-folha precoce,

monda de cachos e

DMR na maturação

e produção da

Casta BAGA

João Manuel Ferreira Martins

Dissertação para obtenção do Grau de Mestre em

Viticultura e Enologia

Departamento de Geociências, Ambiente e Ordenamento do Território

2018

Orientador

(3)

Todas as correções determinadas pelo júri, e só essas, foram efetuadas.

O Presidente do Júri,

(4)

“Por maiores que sejam as dificuldades, o teu empenho e vontade, é que determinam, o teu sucesso!”

(5)

Agradecimentos

A realização deste trabalho só foi possível graças à ajuda de várias pessoas, que por muito pequena que fosse, a sua contribuição foi importante, para o culminar desta etapa académica. A todos quero agradecer o apoio e ajuda que prestaram.

Em primeiro lugar um agradecimento muito especial para a minha família;

Aos meus pais, pela educação, pelos sacrifícios, pelos ensinamentos, pelo incentivo e apoio que me transmitiram em todos os momentos.

À Ana, que me acompanhou na minha vida académica desde os últimos, quase 30 anos de cumplicidade, obrigado por me “puxar as orelhas” nos momentos certos.

Aos meus filhos, Francisca e Afonso, companheiros com quem ainda tento “ombrear” nesta pro-cura de conhecimento.

Ao meu irmão pela sua amizade.

Ao professor Doutor Jorge Bernardo Lacerda de Queiroz, meu orientador, pela sua grande dis-ponibilidade e orientação prestada antes, com o seu incentivo, e durante, acompanhando a rea-lização deste trabalho, pelos ensinamentos e opiniões fornecidas.

Ao Engenheiro César Almeida pelo seu acompanhamento na realização deste trabalho e a sua disponibilidade, para discutir o “pensar alto”, na partilha dos seus conhecimentos e pela amizade consolidada ao longo destes últimos anos.

À Estação Vitivinícola da Bairrada por me ter proporcionado meios necessários, incluindo o ta-lhão para o estudo, em particular ao Sr. Eng.º José Paulo Dias, que na qualidade de Sub-Diretor regional, sempre se mostrou disponível para apoiar com os meios disponíveis nos serviços.

Ao pessoal do Laboratório de Analises da Estação Vitivinícola da Bairrada sempre prestáveis e amáveis quando era necessário realizar análises laboratoriais.

Aos trabalhadores da estação em especial a Dª Clara e Sr. Paulo que dentro do tempo e meios disponíveis deram o seu melhor.

Ao Sr. Eng. José Carvalheira, Enólogo reconhecido, pelas suas informações importantes e per-tinentes e pelos ensinamentos prestados.

(6)

Deixo também um agradecimento muito especial ao Sr. “AGENTE” Justino Nunes que sempre se mostrou disponível para os trabalhos de campo, mesmo quando as dores das “cruzes” nos apoquentavam, sempre presente desde a poda até à vinificação, em alguns dias de sol a sol, para que o trabalho não ficasse para outro dia.

À Mestre Inês Cabral pela sua grande ajuda na recolha dos dados e da sua paciência para me ajudar a trabalhar estatisticamente os mesmos, a quem desejo a maior sorte para o seu futuro nesta área da viticultura.

E a todos os que, de momento, não me vem à memória...

(7)

Resumo

Este trabalho teve como objetivo estudar a influência de três técnicas de poda em verde, desfolha precoce à floração (DSF), Monda de cachos a 50% (M50) e Doble Maturation Raisonnèe (DMR), no comportamento agronómico da Casta BAGA na Região Demarcada da Bairrada, os seus efeitos no rendimento, sanidade e qualidade dos mostos.

Este trabalho decorreu durante o ano de 2018, na vinha da Estação Vitivinícola da Bairrada, em Anadia, tendo sido começado em 2017 com a recolha dos primeiros dados.

Neste estudo foram distribuídas de forma aleatória, dentro de um talhão, quatro modalidades, a monda de cachos a 50%, a desfolha precoce à floração, a doble maturation raisonnée e uma testemunha (TEST.). A distribuição das modalidades foi feita pelas quatro repetições existentes na vinha, correspondendo cada uma a um binómio Porta Enxerto (PE) x Casta. Os porta enxertos existentes foram o 161-49, 101-14, Fercal e 3309-C, todos enxertados com casta BAGA, prove-nientes de garfos da seleção colonal da DRAP Centro/Estação de Vitivinícola da Bairrada (EVB).

Foram obtidos resultados que deixam em aberto novos trabalhos de investigação com o objetivo de testar os resultados apresentados nas modalidades experimentadas.

De todo o trabalho sobressai a grande influência do PE no desenvolvimento e produção do bionte utilizado. Se podemos aferir que o PE 3309-C é o que tendencialmente apresenta maiores teores de álcool, também se pode registar o seu pouco vigor vegetativo e menores produções. No es-tremo oposto nas modalidades e blocos estudados apresenta-se um bionte com base no PE Fercal que apresenta grandes produções e que permitiu aferir como previsivelmente era expec-tável a modalidade DMR seria a que maior acréscimo de teor alcoólico traria. A conjugação dos métodos testados em função do clima do ano e dos fatores agronómicos existentes nas vinhas poderão fornecer mais ferramentas ao viticultor para a melhoria do produto final, em função do seu objetivo produtivo, espumantes ou vinhos.

Devido às notórias alterações climáticas os resultados obtidos desviam-se do tradicional, graus de álcool baixos, maturações muito deficientes e tardias e grandes problemas fitossanitários, para a casta em estudo. No final deste trabalho pela análise dos resultados concluiu-se que houve melhorias do ponto de vista da sanidade, em especial no ano de 2017, maturações mais completas, mas registaram-se perdas de produção por desidratação dos cachos e maturações forçadas por aumento de concentração.

(8)

Abstract

The objective of this work was to study the influence of three green pruning techniques, early flowering defoliation (DSF), 50% of cluster must (M50) and Doble Maturation Raisonnèe (DMR), on the agronomic behavior of BAGA variety in the Demarcated Region. Bairrada, its effects on the yield, health and quality of musts.

In this study, four modalities were randomly distributed within a field: 50% bunch weeding, early flowering defoliation, Doble Maturation Raisonnèe (DMR) and a control (TEST.). The distribution of the modalities was made by the four existing repetitions in the vineyard, each one correspon-ding to a Graft Door (PE) x Grape binomial. The existing rootstocks were 161-49, 101-14, Fercal and 3309-C, all grafted with BAGA variety, from forks from the DRAP Colonial Selection Center / Bairrada Wine Station (EVB).

Results were obtained that leave new research work open in order to test the results presented in the experimental modalities.

From all the work stands out the great influence of PE on the development and production of the biont used. If we can see that PE 3309-C tends to have the highest alcohol content, its low vege-tative vigor and lower yields can also be recorded. On the opposite in the studied modalities and blocks, a PE Fercal-based biont is presented, which presents great productions and allowed to measure as expected the DMR modality would be the one that would increase the alcohol content the most. The combination of the methods tested according to the climate of the year and the agronomic factors in the vineyards could provide the grower with more tools to improve the final product, depending on his productive objective, sparkling wines or wines.

Due to the notorious climate change, the results obtained deviate from the traditional, low alcohol degrees, very poor and late maturation and major phytosanitary problems for the variable under study. At the end of this work, the result's analysis concluded that there were improvements from the point of view of health, especially in 2017, more complete maturation, but there was loss of production due to bunch dehydration and forced maturation due to increased concentration.

(9)

Índice

I. INTRODUÇÃO ... 20

II. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA ... 22

Sistemática e taxonomia ... 22

História da viticultura ... 23

II.2.1 Em Portugal e no Mundo ... 23

II.2.2 Enquadramento histórico da Região Vitivinícola da Bairrada ... 26

Intervenções em verde ... 31

II.3.1 Desfolha ... 36

II.3.1.1 Desfolha Precoce ... 37

II.3.2 Monda de cachos ... 40

II.3.3 Doble Maturation Raisonnée (DMR) ... 42

Material vegetal ... 43

II.4.1 Casta Baga (Vitis vinifera L.) ... 43

II.4.2 Porta enxertos... 46

III. MATERIAL E MÉTODOS ... 49

Caracterização do ensaio ... 49

III.1.1 Localização da parcela ... 49

III.1.2 Operações culturais ... 50

(10)

III.1.4 Objetivos ... 51

Metodologias ... 52

III.2.1 Carga à poda ... 52

III.2.2 Estados Fenológicos... 52

III.2.3 Determinações realizadas ... 53

III.2.3.1 Abrolhamento e Fertilidade ... 53

III.2.3.2 Amostragem de inflorescências e percentagem de vingamento ... 54

III.2.3.3 Estimativa da Área Foliar ... 54

III.2.3.4 Superfície Foliar Exposta (SFE) ... 56

III.2.3.5 Número de camadas de folhas ... 57

III.2.4 Medições de Atividade fisiológica ... 59

III.2.4.1 Potencial Hídrico Foliar () ... 59

III.2.4.2 Trocas Gasosas estomáticas “IRGA” ... 61

III.2.5 Evolução da Maturação ... 62

III.2.6 Vindima e Produção... 63

III.2.7 Vinificação ... 64

III.2.8 Lenha de poda ... 64

Análise Estatística ... 65

IV. RESULTADO E DISCUSSÃO ... 66

(11)

IV.1.1 Temperatura ... 66

IV.1.2 Precipitação ... 69

Evolução fenológica ... 71

Componentes de fertilidade ... 72

IV.3.1 Carga deixada à poda, número de pâmpanos e número de cachos ... 72

IV.3.2 Taxa de Abrolhamento (TA) ... 75

IV.3.3 Índice de Fertilidade Potencial (IFP) ... 76

Caracterização do coberto vegetal ... 77

IV.4.1 Área Foliar ... 77

IV.4.2 Densidade do coberto Vegetal ... 79

IV.4.2.1 Point Quadrat ... 79

IV.4.2.2 Número de camada de folhas (NCF) ... 80

IV.4.3 Superfície Foliar Exposta ... 82

Atividade fisiológica da videira ... 83

IV.5.1 Potencial hídrico foliar de Base () ... 83

IV.5.2 Evolução diurna dos potenciais hídricos (f) ... 84

Trocas gasosas ao nível dos estomas ... 86

IV.6.1 Fotossíntese Líquida (A)... 88

IV.6.2 Condutância Estomática (Gs) ... 89

(12)

Evolução da maturação ... 92

IV.7.1 Evolução do Álcool Provável ... 93

IV.7.2 Acidez Total ... 95

IV.7.3 pH ... 96

IV.7.4 Ácido Málico ... 97

IV.7.5 Ácido Tartárico ... 99

Produção ... 101

IV.8.1 Número de cachos ... 101

IV.8.2 Peso do Cacho ... 102

IV.8.3 Produção ... 104

V. CONCLUSÕES ... 106

VI. ANEXOS

VII. BIBLIOGRAFIA

(13)

Índice de figuras

Figura 1 - Cronologia das ocupações da península dos Tartessos até aos Bárbaros - Fonte

Infovini, 2018 ... 23

Figura 2 - Cronologia das invasões e conquistas da península até à fundação de Portugal - Fonte Infovini, 2018 ... 24

Figura 3 - Evolução da área da vinha em Portugal (ha) - Fonte IVV, 2016 ... 24

Figura 4 - Evolução da Produção Nacional (série 2) em Hectolitros - Fonte IVV, 2016 ... 25

Figura 5 - Variações de área plantada de vinha em alguns países - Fonte OIV, 2014 ... 26

Figura 6 - Países maiores produtores mundiais em 2013 - Fonte OIV, 2014 ... 26

Figura 7 - Regiões demarcadas portuguesas - IVV 2017 ... 27

Figura 8 - Mapa vitícola da Região da Bairrada – CVB (1991) ... 28

Figura 9 - Mapa geológico da região da Bairrada – CVB (1991) ... 29

Figura 10 - Mapa da IGP Beira Atlântico e DOP Bairrada – CVB (2011) ... 30

Figura 11 - Representação esquemática da movimentação dos fotoassimilados durante o ciclo vegetativo e reprodutivo da videira - Lopes, 2014. ... 38

Figura 12 - Cacho e folha caraterística da casta BAGA - EVB ... 44

Figura 13 - Distribuição da Baga pelo país - PROVID, 2018 ... 45

Figura 14 - Estação Vitivinícola da Bairrada - CM Anadia ... 49

Figura 15 - Localização e posicionamento da parcela - ISIP (acedido a 15-10-2018) ... 50

Figura 16 - Ciclo anual da Videira - Magalhães, 2015. ... 53

Figura 17 - Esquema da face superior de uma folha de videira (Vitis vinifera L.) - adaptado de Pinto, 2005. ... 55

(14)

Figura 18 - Esquema das medições da dimensão da sebe - Costa-Rodrigues, 2010. ... 57

Figura 19 - Esquema exemplificativo do método Point Quadrat Analysis - Costa-Rodrigues, 2010. ... 58

Figura 20 - Imagem da Câmara de Scholander ... 59

Figura 21 - Unidade de tratamento de dados e da câmara de Parkinson que integram o dispositivo IRGA ... 61

Figura 22 - Gráfico das temperaturas máximas, médias e mínimas na Bairrada em 2018 - DRAP Centro ... 67

Figura 23 - Média da temperatura máxima do ar nos meses de julho, agosto e setembro 2018 - IPMA. ... 68

Figura 24 - Mapa do desvio das temperaturas de 2018, em relação à média de 1971-2000 - IPMA. ... 68

Figura 25 - Percentagem da precipitação total em 2018, em relação à média de 1971-2000 - IPMA ... 69

Figura 26 - Precipitação total nos meses de julho, agosto e setembro de 2018 - IPMA. ... 70

Figura 27 - Gráfico da precipitação e temperaturas médias mensais na região em 2018 ... 70

Figura 28 - Carga média deixada à poda por Blocos ... 73

Figura 29 – Carga média deixada à poda por modalidade ... 74

Figura 30 - Número médio de pâmpanos por modalidade ... 75

Figura 31 -Índice de fertilidade Potencial Média ... 77

Figura 32 - Valores médios de Área Foliar Principal ... 78

Figura 33 - Determinação do Point Quadrat por modalidade, por % Buracos, % de folhas interiores, % Cachos Exteriores ... 79

(15)

Figura 35 - Caracterização do coberto vegetal em função do Bloco ... 81

Figura 36 - Caracterização do coberto vegetal em função da Modalidade ... 81

Figura 37 - Área foliar Exposta por Blocos ... 82

Figura 38 - Potencial Hídrico Foliar médio por modalidade ... 85

Figura 39 - Gráfico das temperaturas médias do ar e da folha (ºC) a diferentes horas. ... 87

Figura 40 - Evolução da Fotossíntese Líquida média por hora de medição ... 88

Figura 41 – Evolução da Condutância estomática média por hora de medição ... 90

Figura 42 - Gráfico da taxa de Transpiração (E) - (mmol.m-2.s-1) ... 92

Figura 43 - Gráfico da evolução do Teor de Álcool Provável na maturação ... 94

Figura 44 - Gráfico da evolução da Acidez total na maturação ... 96

Figura 45 - Evolução do pH na maturação ... 97

Figura 46 - Gráfico da evolução do ácido málico na maturação ... 98

Figura 47 - Gráfico da evolução do ácido tartárico na maturação. ... 100

Figura 48 - Gráfico da produção média de cachos por modalidade e Bloco ... 102

Figura 49 - Peso médio dos cachos por modalidade ... 103

(16)

Índice de tabelas

Tabela 1 - Percentagem de vinha plantada por continente 2000-2013 - Fonte Club vinhos, 2018

... 25

Tabela 2 - Área de Baga no Continente e incidência nos encepamentos nacionais - IVV, 2017 ... 46

Tabela 3 - Data da medição foliar e correspondente estado fenológico das videiras ... 54

Tabela 4 - Registo dos estados fenológicos e datas da sua verificação ano de 2018 - fonte EVB 2018. ... 72

Tabela 5 - Número de Olhos deixados à poda por Bloco ... 74

Tabela 6 - Numero de olhos deixados à poda por modalidade ... 75

Tabela 7 - Taxa de abrolhamento por Bloco ... 76

Tabela 8 - Taxa de Abrolhamento por modalidade ... 76

Tabela 9 - Potencial Hídrico de base para cada modalidade medição de 26-07-2017... 84

Tabela 10 - Potencial Hídrico Foliar Diurno por bloco medido às 9:30h ... 85

Tabela 11 -Potencial Hídrico Foliar Diurno por modalidade medido às 9:30h ... 85

Tabela 12 - Registo de dados da Temperatura média do ar e da folha (ºC) a diferentes horas do dia ... 87

Tabela 13 - Fotossíntese Líquida média nas diferentes modalidades ... 89

Tabela 14 - Fotossíntese Líquida média das diferentes Blocos. ... 89

Tabela 15 – Condutância Estomática média das diferentes modalidades. ... 90

Tabela 16 - Taxa de transpiração nas diferentes modalidades ... 91

(17)

Tabela 18 - Tratamento estatístico TAP ... 95

Tabela 19 - Tabela de análise estatística da ANOVA para o Ácido Málico ... 99

Tabela 20 - Tabela de análise estatística da ANOVA para o Ácido Tartárico ... 99

Tabela 21 - Tratamento estatístico do número de cachos por bloco ... 101

Tabela 22 - Tratamento estatístico do número de cachos por modalidade ... 102

Tabela 23 - Análise estatística do peso do cacho por bloco ... 103

Tabela 24 - Análise estatística do peso do cacho por modalidade ... 103

Tabela 25 - Análise estatística da produção em Kg por Bloco ... 105

(18)

Índice de Equações

Equação 1 - Taxa de Abrolhamento (TA) ... 53

Equação 2 - Índice de fertilidade Potencial ... 53

Equação 3 - Percentagem de Vingamento ... 54

Equação 4 - Área foliar Unitária (cm2) ... 55

Equação 5 - Área Foliar Principal do Sarmento (m2) ... 55

Equação 6 - Área Foliar secundária do sarmento (Netas) (m2) ... 56

Equação 7 - Área foliar total do Sarmento (m2) ... 56

Equação 8 - Área Foliar da Videira ... 56

Equação 9 - Superfície foliar exposta (m2/ha) ... 57

Equação 10 - Eficiência do Uso da Água (WUE) ... 62

Equação 11 - Cálculo do Índice de Maturação ... 63

(19)

Abreviaturas

DSF – Desfolha severa à Floração

M50 – Monda a 50% dos cachos

DMR – Doble Maturation Raisonnèe

TEST. – Testemunha

DRAP – Direção Regional da Agricultura e Pescas

EVB – Estação Vitivinícola da Bairrada

PE – Porta enxerto

IFP- Índice de Fertilidade Potencial

PV – Percentagem de vingamento

AFu – Área Foliar Unitária

AFP – Área Foliar Principal

AFS – Área Foliar secundária

AFT – Área foliar Total

SFE – Superfície Foliar Exposta

WUE – Eficiência do Uso da Água

IM – Índice de Maturação

PAR - Radiação Fotossinteticamente ativa

PPDF – Densidade do Fluxo fotónico fotossintético

(20)

I. Introdução

A cultura da vinha é em Portugal, económica e socialmente, de importância elevada, direta e indiretamente relacionada com o tecido produtivo da maioria das regiões do nosso país. Esta cultura, reveste-se hoje de grande investimento tanto em tecnologia como em estudos, na pro-cura constante de vinhos de qualidade superior e de renome mundial, com o intuito de obter o mais apreciado produto, conseguindo ao mesmo tempo as melhores taxas de rentabilidade para as empresas.

As alterações climáticas manifestam-se na cultura da vinha, sendo notórias as mudanças no ciclo de desenvolvimento da videira. Estas alterações são na sua maioria, da responsabilidade do microclima determinado ao nível da cepa, e não só do macroclima da região, isto tem sido pro-vado por inúmeros trabalhos realizados desde há vários anos (Chaves, 1986, Lopes, 1994, Schultz, 1995).

Ao longo dos tempos tem surgido muito interesse sobre os efeitos da manipulação do microclima das videiras, ao nível dos cachos, da sua produção, da qualidade dos vinhos obtidos desses mesmos cachos e muito importante na viticultura atual na sanidade dos encepamentos.

Aos dias de hoje as produções nacionais, notoriamente com maior qualidade, cifram-se por va-lores de 6,73 milhões de hectolitros no ano de 2017 (IVV, 2018).

A nível europeu e mundial Portugal tem-se mantido em valores que lhe permitem dizer que existe uma certa estabilização das produções. Na última década as perdas produtivas foram de 1% e 2 % para os valores de referência da Europa e Mundial respetivamente (IVV, 2018).

No panorama nacional, segundo os dados publicado pelo IVV no seu Anuário de 2017, Portugal continental regista uma área de 189 mil hectares de vinha a que se associam mais 1700 ha dos Açores e 1052 ha da Madeira. Estes valores correspondem sensivelmente a uma diminuição de 14% da área plantada com vinha, desde 2014.

A região de produção afeta à IGP Beira Atlântico compreende uma extensão total de vinha plan-tada de cerca de 15100 hectares, dos quais cabem à região bairradina, mais concretamente, à DOP Bairrada apenas 2067 hectares, inseridas numa superfície total de cerca de 108000 hecta-res, deste território (IVV, 2018), com uma área média aproximadamente de 1,2 ha por exploração (INE, 2009).

(21)

Nos últimos anos vários estudos têm relacionado a qualidade e quantidade dos vinhos obtidos, como consequência do coberto vegetal existente nas videiras.

É consensual que “de boas uvas se faz bom vinho”, e que as intervenções em verde, podem melhorar as características das uvas permitindo obter melhores resultados, sabendo também, que cada intervenção na vinha tem custos que é necessário ponderar, a garantia de uma melhor e mais apreciada produção poderá determinar a tão difícil decisão de intervir quando ainda se pode fazer a correção necessária para a obtenção de mais valias.

(22)

II. Revisão Bibliográfica

Sistemática e taxonomia

A videira, “Liana das Florestas”, é em si mesmo um ser selvagem, vigoroso e dominador, que quando em condições favoráveis de humidade, luz e temperatura, torna-se capaz de trepar por todos os suportes ao seu redor, recobrindo todo o solo na sua vizinhança (Araújo, 1987).

Sob o ponto de vista sistemático, todas as espécies de videiras pertencem à ordem das Ramna-les, família das Vitáceas ou Ampelídeas. Esta família de Vitáceas inclui cerca de 700 espécies, na maioria tropicais ou subtropicais, espontâneas na américa, Ásia e África, mas em geral sem valor agronómico (Magalhães, 2015).

O género Vitis é constituído por dois subgéneros: Muscadinia que possui 2n = 40 cromossomas, compreendendo três espécies espontâneas na costa meridional dos Estados Unidos da América e do México, nomeadamente a Vitis rotundifolia, a Vitis munssoniana e a Vitis popenoei e o sub-género Euvitis, 2n = 38 cromossomas (Badenes & Byrne, 2012). A quase totalidade das videiras cultivadas pertencem a este último subgénero, sendo possível a separação em quatro grupos: euro-asiático de climas temperados, asiático oriental, americano de zonas temperadas e ameri-cano de climas tropicais e equatoriais, em função da sua localização geográfica, adaptação cli-mática e aptidões agronómicas (Magalhães, 2015). As principais espécies de cada grupo são a Vitis vinifera (V. vinifera silvestris e V. vinifera sativa), que pertencem ao grupo euro-asiático; Vitis amurensis do grupo asiático central e Vitis labrusca, Vitis riparia, Vitis rupestris e Vitis berlandieri do grupo americano de zonas temperadas (Magalhães, 2015). A vinha cultivada é a espécie Vitis vinifera sativa, esta deriva da V. vinifera silvestris por mutações espontâneas, apresentando di-ferenças quer a nível morfológico quer a nível fisiológico e originando as atuais castas, após cruzamentos espontâneos ou induzidos (Huglin & Schneider, 1998).

A partir de restos fósseis de videira (grainhas, folhas, sarmentos e pólen), foi possível identificar espécies supostamente ancestrais às atuais do género Vitis, que habitaram a Terra na era Ter-ciária (Simon, 1978). O fóssil mais antigo seguramente pertencente a uma Vitis foi descoberto na região de Reims (champagne), com idade calculada entre os 54 a 55 milhões de anos, tendo-lhe sido atribuída a designação de Vitis sezannensis (Magalhães, 2015). Esta forma de Vitis foi igualmente assinalada na Alemanha (Amaral, 1994).

Segundo Antunes (2003), também em Portugal, datado do Eocénico Inferior, com cerca de 53 milhões de anos, foi identificado em Silveirinha, perto de Coimbra um fóssil (grainhas) de Vitis.

(23)

O testemunho da existência de Vitis atuais – Vitis silvestris (dióica), a Vitis caucásica (feminina) e a Vitis vinifera sativa por domesticação da silvestres pelos povos do Neolítico – é, contudo, muito mais recente, não excedendo os 8.000 anos, correspondendo já ao período Holocénico (Galet, 1993).

A evolução da Vitis vinifera sativa não cessou nos tempos históricos, sendo que a pressão da seleção humana continuou a acentuar-se, provocando o aparecimento de formas que eventual-mente deram origem às variedades atuais (Huglin & Schneider, 1998).

História da viticultura

II.2.1 Em Portugal e no Mundo

A videira tem assim, naturalmente, um lugar de destaque entre as plantas cultivadas desde tem-pos muito antigos, já nos primeiros mosaicos Egípcios surgiram ilustrações de videiras em siste-mas de condução (Wilkler, 1958), supondo-se que tenha surgido sob uma perspetiva agronómica há cerca de 2.000 anos a.C., pela mão dos povos Tartéssios e posteriormente pelos Felício, estando nessa altura, o vinho reservado apenas aos estratos sociais mais abastados (IVV, 2016), e é aos Gregos que são atribuídos os primeiros registos ampelográficos, tendo registado mais de 5000 variedades (Desseauve,1998), mas é ao império Romano que se atribui o maior impulso no seu cultivo, com aperfeiçoamento de técnicas vitícolas (poda e enxertia) e enológicas (Maga-lhães, 2015).

(24)

Após a queda do império Romano, 2000 anos a.C., (Figura 1), seguiram-se períodos de pouca dedicação e cultura da vinha, povos Bárbaros, até Séc. VII d.C., ou mesmo nenhuma dedicação e culto pela cultura, povos árabes que por questões culturais não consumiam vinho, do Sec. VIII até á reconquista Cristã Sec. XII (Figura 2). A viticultura nacional assenta assim em dois grandes períodos fundamentais, mesmo separado entre si por vários séculos (Magalhães, 2015).

A viticultura nacional tem sofrido ao longo dos anos grandes variações de áreas e de produção.

Estas variações devem-se a fatores de ordem económica e social bem como de pressões dos mercados nacional e internacional (IVV, 2018).

Com a adesão de Portugal à CEE em 1986 (Figura 3), foram criados mecanismos de abandono definitivo da cultura da vinha, que permitiram arrancar a vinha de locais menos propícios para a Figura 2 - Cronologia das invasões e conquistas da península até à fundação de Portugal - Fonte Infovini, 2018

(25)

cultura, a par da criação de instrumentos legais e financeiros que permitiram e facilitaram a re-plantação de importantes superfícies de vinha em zonas e áreas mais convenientes e de maior aptidão para a produção de vinhos de qualidade.

Portugal à semelhança de outras regiões vitícolas da europa e do mundo, tem experimentado ao longo de décadas, oscilações de produções. Para o caso nacional foi verificado um decréscimo

de produção desde o meado do século XX, depois de um aumento de produção continua até essa altura (Figura 4).

Mundialmente tem-se verificado uma redução da área de vinha plantada, distribuída pelos vários continentes, sendo em alguns deles, notória a descida de área desde 2000 até 2013 (Tabela 1).

Tabela 1 - Percentagem de vinha plantada por continente 2000-2013 - Fonte Club vinhos, 2018

Continente Área em 2000 Área em 2013

Europa 62,5 % 55,0 %

Ásia 19,4 % 24,0 %

América 12,0 % 14,0 %

África 4,3 % 5,0 %

Oceânia 2,0 % 3,0 %

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Segundo as informações veiculadas durante o 37º Congresso da Vinha e do Vinho sob chancela da OIV, realizado em Mendonza (2014), os países mais representativos da viticultura mundial destacam-se, por apresentarem uma tendência de descida Espanha, França, Itália e Turquia. Portugal não sendo relevante nas quebras também tende para um decréscimo embora menos acentuado. No ponto oposto está a China que lidera a subida quase triplicando a sua área entra 2000 e 2013 (Figura 5).

Na perspetiva da produção a maioria da produção, cerca de 80%, está concentrada em 10 países

a nível mundial (Figura 6). Portugal vem em 11º lugar no ranking com pouco mais de 6,0 milhões de litros, com uma evolução de 10% de 2016 para 2017, contrariando o ciclo de descida qua vinha apresentando (OIV, 2017).

II.2.2 Enquadramento histórico da Região Vitivinícola da

Bair-rada

O país vitícola, caracterizado pelos seus terroir, está dividido em 29 regiões homogéneas de produção designadas de “regiões demarcadas” (Figura 7).

Figura 6 - Países maiores produtores mundiais em 2013 - Fonte OIV, 2014 Figura 5 - Variações de área plantada de vinha em alguns países - Fonte OIV, 2014

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A Bairrada é uma região produtora de vinhos, plena de vitalidade e de história e que continua na procura de um lugar no futuro. Foi, no passado, uma terra de passagem e de conquistas, de lutas entre Cristãos e Árabes no tempo da formação de Portugal, quando a capital do reino era Coim-bra e o caminho da afirmação era para sul. Foi, também, terra de defesa da independência ame-açada pelos exércitos invasores de Napoleão, detidos na serra do Bussaco (C.V.B., 1991).

A comprovar, está a importante documentação medieval, que assinala a presença de vinhas em grande parte do seu território que hoje pertence à região demarcada. A documentação refere que D. Afonso Henriques autorizou a plantação de vinha pela região, em contrapartida de lhe ser dado em pagamento de uma quarta parte do vinho produzido (Laranjo, 2006).

Com o passar dos anos, o cultivo da vinha e a produção de vinho nesta região cresceram cada

vez mais, tornando-se uma atividade económica muito importante, sendo mesmo uma das prin-Figura 7 - Regiões demarcadas portuguesas - IVV 2017

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por Marquês de Pombal, afetam consideravelmente o potencial produtivo da região para benefí-cio da Companhia Geral de Agricultura do Alto Douro, por ele fundada em 1756 (Oliveira et al.,1994).

Entretanto, no reinado de D. Maria I, esta região voltou a projetar-se de forma importante tanto a nível nacional como internacional através dos seus nobres vinhos. Este efeito ficou a dever-se à revogação da medida tomada por Marquês de Pombal e a grandes níveis de exportação (IVV, 2004).

Apesar da sua longa história, o reconhecimento da região da Bairrada como Região vitivinícola demarcada tornou-se oficial apenas no ano de 1979, após cerca de 70 anos (C.V.B., 1991) (Fi-gura 8).

A DO Bairrada está geograficamente delimitada a sul pelo rio Mondego, a norte pelo rio Vouga, a este pelo Oceano Atlântico e a oeste pelas serras do Buçaco e Caramulo. Tal localização faz desta região um peculiar espaço, com um clima próprio e um terroir especial. Podemos encontrar neste território solos argilo-calcários de origem jurássica e triássica, solos arenosos oriundos do

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Na região da Bairrada, e para a obtenção do tipo de vinhos que caracterizam estas paragens, os solos mais adequados, são os típicos “barros”, solos argilosos com maior ou menor teor de cal-cário, que criam as melhores uvas para vinhos de superior qualidade.

O nome da região surge mesmo como referência aos solos barrentos (barros) que são os pre-dominantes na área vitícola da Bairrada.

A DO Bairrada, está hoje inserida numa mais vasta área de vinhedos que constituem a IGP Beira Atlântico, de onde se destaca a Sob zona Terras de Sicó (Figura 10).

Os vinhos da Bairrada, ricos e cheios de alma, retratam a terra farta de onde provêm numa variedade surpreendente para uma só região, onde a Baga, variedade que pode originar vinhos base espumante, brancos ou rosados ou tintos, e ainda vinhos tintos de guarda assume particular destaque.

As características ímpares da região ao nível do seu terroir e castas autóctones fizeram dos “Vinhos Bairrada” produtos singulares e únicos no mundo. Vinhos de personalidade forte e sabor genuíno.

A criação de Espumantes aconteceu há 128 anos (1890), pela mão do Eng. Tavares da Silva, primeiro diretor da então denominada Escola Prática de Viticultura e Pomologia da Bairrada, criada por Decreto real de 30 de junho de 1887, nas atuais instalações da Estação Vitivinícola

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da Bairrada, que "importou" para a Região os preceitos do método Champanhês (método clás-sico de fermentação em garrafa).

Hoje, em resultado da longa história do fabrico de espumantes, existe um projeto, implementado

pela CVB, destinado a uniformizar e valorizar a produção de espumante de Baga. Figura 10 - Mapa da IGP Beira Atlântico e DOP Bairrada – CVB (2011)

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Intervenções em verde

Segundo vários autores o elevado rendimento em uvas conduz a mostos e consequentemente a vinhos de menor qualidade, que segundo os mesmos se deve ao desequilíbrio existente entre a quantidade de folhas e a produção. Para Palliotti e Cartechini (2000) e Reynolds (1989), estas evidências são pouco consistentes pelo facto de muitos destes resultados serem recolhidos em estudos realizados em climas frios, onde as maturações são mais difíceis e onde se verificam produções mais elevadas. Por outro lado, existem outros autores que defendem, que uma redu-ção de rendimento em uva, leva a um incremento da qualidade dos vinhos obtidos (Ramos, 2006 e Renaud, 2002).

Ao longo do ciclo vegetativo de uma videira existem em simultâneo dois tipos de órgãos que regulam o balanço de produção e consumo de hidratos de carbono. Os órgãos que tem balanço negativo e que, por conseguinte, consomem mais do que produzem designados por “sinks”, e os órgãos que ao invés tem mais produção que consumo e apresentam balanço positivo defini-dos por “sources”. A interação entre este tipo de órgãos é dinâmica e alternada ao longo do ciclo vegetativo das videiras sendo por vezes os mesmos órgãos assumir posições contrárias em diferentes fases do seu desenvolvimento (Moriondo et al., 2000).

Por norma, numa videira, os bagos são prioritariamente recetores (sinks) de fotoassimilados e as folhas adultas apresentam-se principalmente como produtores (sources).

As intervenções em verde são técnicas culturais centenárias, mas a sua utilização foi durante muito tempo esquecida por viticultores e técnicos refletindo-se no aparecimento de poucas pu-blicações e estudos efetuados até há bem pouco tempo (Queiroz, 2002).

Segundo Laranjo (2006), já alguns autores do século XVII se referiam a estas práticas da se-guinte forma:

“Cosi s’hanno a staccare tutti quelli sarmenti che nascono nelle braccia, nona vendo uve, e che non s’abbiano perciò a lasciare all’anno a venire” – Soderini em 1600 (Manaresi, 1957). Figueiredo (1875), escreve sobre intervenções em verde e resume essas operações a três sim-ples “podas vivas” com a seguintes indicações:

“1ª Supprimir todos os novidios estéreis e adventícios, no decurso da primavera, logo que se poderem bem distinguir quaes as produções fructiferas.

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2ª Espontar os ramos fructiferos, deixando-lhes somente duas ou três folhas acima do ultimo cacho que apresentarem.

3ª Supprimir algumas folhas que assombrem demasiadamente os frutos. Esta úl-tima operação não se deverá fazer senão depois do fruto completamente desen-volvido.”

Como se pode verificar por estas citações, as intervenções em verde já eram práticas no pas-sado, sendo elas úteis, mas por vezes realizadas sem técnica ou conhecimento da fisiologia da planta. Devido a estes factos ou a resultados pouco apelativos para as produções e estado das videiras, estas intervenções foram deixadas esquecidas até ao início dos anos 80 do século XIX.

As intervenções em verde são o conjunto de operações sobre os órgãos herbáceos da videira capazes de modificar o seu número, peso, superfície e posição (Branas,1974). São operações indispensáveis para dar resposta à poda de inverno, com o objetivo de corrigir excessos de cres-cimento e a relação folhas/frutos. As realizações destas intervenções em verde processam-se ao longo de toda a fase vegetativa da videira, que decorre desde o abrolhamento até à vindima.

Trata-se, a par da vindima e da poda, das operações na vinha que se apresentam mais onerosas no que toca a custos de produção.

Segundo Queiroz (2002), citando vários autores, os principais objetivos destas intervenções são:

1. Atingir o equilíbrio entre vegetação e frutificação;

2. Melhorar o microclima da sebe ao nível dos cachos para garantir uma maturação perfeita dos mesmos;

3. Ajudar o vingamento, quer através da redução do ritmo de crescimento, quer pela me-lhoria do microclima na zona de frutificação;

4. Facilitar o controlo do vigor e da superfície foliar exposta, evitar o consumo de seiva com ramos que não tem interesse;

5. Facilitar a vindima e a circulação de máquinas;

6. Corrigir a poda de inverno e torná-la no ano seguinte mais fácil e barata, evitando tam-bém a realização de grandes feridas na planta;

7. Controlar a produção de cachos através da monda de cachos ou de inflorescências, ou mesmo o cinzelamento de bagos;

8. Impedir ou reduzir a incidência de doenças, como é o caso da podridão da uva (Botrytis cinerea, Pers.) e aumentar a eficácia dos tratamentos;

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10. Tentar ajudar a uma diminuição geral dos custos de produção, se possível com aumento de rendimento e ganhos na qualidade, ou pelo menos a sua manutenção.

Estas intervenções são mais importantes quando o vigor das plantas é excessivo, levando à aglomeração de lançamentos a à distribuição não uniforme da área foliar e, consequentemente, ao ensombramento exagerado das uvas. (Percival et al., 1994). Nestes casos, as técnicas de gestão do coberto vegetal, tornam-se uma ferramenta imprescindível para aumentar a qualidade das uvas (Smart e Robinson, 1991).

Segundo Mota (2005), a prática de intervir sobre a vegetação ao longo do ciclo anual, ganha cada vez mais importância pelas características favoráveis que imprime ao coberto vegetal.

De forma genérica e cronológica as intervenções em verde na atualidade, não foge muito da linha traçada por Figueiredo (1875). Com mais técnica e mais sentido de oportunidade, as inter-venções em verde iniciam-se com o desladroamento e despampa, ação de correção à poda, pouco tempo após o abrolhamento, ou seja, pela eliminação de lançamentos deslocalizados ou mesmo de lançamentos excedentes em relação à carga deixada na poda de inverno, seguida ou simultânea a uma orientação da vegetação, também designada por embardamento, que poderá ser mais difícil ou mais fácil se estivermos perante castas muito ou pouco retumbantes e conso-ante as características do sistema de condução e do material de suporte adotado. Por norma, segue-se uma desponta, com o objetivo de permitir facilitar a passagem de máquinas e pessoas nas entrelinhas. A desneta, a monda de inflorescências, monda de cachos e de bagos e a incisão anelar serão intervenções subsequentes, mas que não se apresentam com o mesmo caracter de permanência nos trabalhos das vinhas. Segundo Castro et al. (2002), as mais usuais são a orientação de vegetação, supressão de lançamentos (despampa e desladroamento), a desponta e a desfolha, sendo que as restantes são usadas esporadicamente e em casos especiais.

Na Bairrada a intervenção mais usada e com maior importância, por força das características da casta predominante, é a desfolha que não tendo período fixo de execução, devido a vários fato-res, pode ser feita uma ou mais vezes na campanha. Em regiões que tenham como objetivo a produção de vinhos qualidade superior à média é preconizada, por vezes, a monda de cachos, sendo esta intervenção também variada no tempo, em função da necessidade e dos objetivos finais a atingir.

Na região da Bairrada, caracterizada desde os seus primórdios, por apresentar um sistema de poda designado de misto (vara e talão), com enrolamento da vara e empa ao tutor vivo ou artifi-cial, formando na condução das partes anuais das videiras algumas “esculturas” de arquitetura diversa e curiosa por vezes consideradas verdadeiras “obras de arte”. Esta forma de tutorar as plantas é consequência da economia de meios, sendo utilizada para suporte, a cana (Phragmites

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australis), dos canaviais abundantes na região, em especial nas bordaduras das vinhas, valas e áreas húmidas. Este tipo de condução e empa foi adotado pelos viticultores da região, em virtude de se terem apercebido que, o vigor da casta era de tal forma notório que a poda que mais se adequava era sem duvida a poda longa (vara), comportando normalmente cinco a seis, ou em alguns casos mais, órgãos vegetativos (Gomos), e perpetuavam a videira deixando uma outra estrutura de menor dimensão (talão), a um nível inferior, normalmente com dois órgãos vegeta-tivos.

Estas estruturas produtivas, quando em plena produção, adquirem grande peso devido ao nú-mero de cachos que pendem dos gomos abrolhados, sendo imperioso a sua sustentação em estruturas menos flexíveis, logo a empa era realizada sobre a estrutura física da planta (tutor vivo) ou sobre as canas (material barato e abundante nas imediações das vinhas) por forma de alargar a superfície foliar exposta da videira melhorando o seu microclima, a produção de foto-assimilados e protegendo a produção das agressões do clima.

Devido a este tipo de condução, não foi sentido, na região, qualquer necessidade de intervenci-onar as vinhas com podas em verde pelo simples facto que empa era realizada de forma a que as frutificações ficassem ao abrigo da folhagem, protegendo do sol intenso do verão e das “chu-vas malditas”, de setembro e outubro.

As chuvas do equinócio têm sido, ao longo dos tempos, as grandes causadoras de algum aban-dono da casta Baga pelos viticultores da região.

Não podemos esquecer que esta região vitícola é caracterizada por ter no seu encepamento principalmente a casta baga, normalmente de película fina e delicada e a necessitar de “prote-ção”. Com o evoluir dos vários estudos de podas e conduções realizados ao longo dos vários anos, por vários autores, nesta região, a mentalidade dos viticultores, juntamente com a introdu-ção de outras castas e outras filosofias de produintrodu-ção e a, não menos importante, falta de mão-de-obra, obrigando a maior recurso à mecanização, levaram a que se sentisse necessidade de intervir a meio do ciclo vegetativo da videira permitindo assim mais e melhor uva no fim da cam-panha, quer por menos perdas devidas a questões de melhores polinizações, questões sanitárias por melhor controlo do microclima da planta, ou por questões de melhor maturação devido à incidência do sol nos cachos permitindo melhores maturações e consequentemente melhores vinhos.

Para uma utilização mais eficaz da mecanização, ou para a introdução de algumas operações mecanizadas, a condução, a tutoragem e abordagem técnica na cultura necessitou de modifica-ções e adaptamodifica-ções das práticas culturais.

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Segundo vários autores, e sendo de conhecimento geral, a redução da densidade do coberto vegetal permite um aumento da Radiação Fotossintética Ativa (PAR) que penetra no interior do coberto, em particular na zona dos cachos (Dokoozlian & Kliewer,1995). No entanto existem outros autores que defendem que dada a forte capacidade de adaptação das folhas ao ensom-bramento, que segundo Heuvel et al. (2004), se pode refletir num abaixamento do ponto de com-pensação para a luz de 61%, e a sua boa adaptabilidade à radiação intermitente (Kriedemann, 1968), a assimilação fotossintética no interior do coberto vegetal pode assumir um papel de re-levo, nomeadamente em regiões de clima mediterrânico onde a elevada temperatura das folhas expostas (Kriedemann, 1968), e o stress hídrico (Flexas et al. 1999 e Baeza et al. 2007), podem levar a reduções significativas da sua taxa fotossintética.

A fotossíntese é o processo pelo qual as plantas sintetizam compostos orgânicos (hidratos de carbono) a partir de matéria inorgânica, utilizando a luz, captada pelos pigmentos existentes nas folhas, como fonte de energia (Teixeira & Ricardo, 1983; Champagnol, 1984). Esta processo representa a base da produtividade das cepas tanto em quantidade como em qualidade dos frutos.

Um dos fatores de maior influência no processo fotossintético é a luz, mais objetivamente a ra-diação solar e mais especificamente a rara-diação útil, que é a que é convertida em energia química pelos cloroplastos que são as organelas, mais importantes, responsáveis pela realização da fo-tossíntese. Elas contêm o pigmento clorofila, que lhes confere a cor verde e absorve a radiação solar, permitindo que o processo ocorra com benefícios para a planta. Esta radiação é normal-mente conhecida por Radiação Fotossinteticanormal-mente Ativa (PAR) ou Densidade de Fluxo Fotó-nico Fotossintético (PPDF) que segundo estudos realizados por Champagnol (1984), se situa entre os 400 nm e os 700 nm de comprimento de onda. Segundo o mesmo autor apenas 1% da energia recebida pela folha é utilizada na fotossíntese embora para outros autores (Matthews, 2004), a quantidade de radiação utilizada na produção de hidratos de carbono através da fotos-síntese, pode ser superior, e atingir os 2 %.

Outro fator importante no decorrer dos processos vitais das plantas é a temperatura que dentro de limites, superior e inferior, pode apresentar pontos ótimos de funcionamento para cada casta.

Os valores ótimos de temperatura da folha para a fotossíntese situam-se entre os 24 ºC e os 30 ºC, não sendo estes valores consensuais por força dos vários estudos feitos por autores diferen-tes, com resultados finais variáveis e em função das castas usadas em estudo, a sua idade e coberto vegetal e as condições culturais em que se encontram as plantas. De um modo geral a partir dos 30 ºC, pode-se dizer que existe uma redução progressiva da atividade enzimática e um aumento da fotorrespiração, ou fecho estomático no caso de défice hídrico (Kriedmann &

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II.3.1 Desfolha

A desfolha consiste em retirar folhas dos sarmentos, geralmente no nível abaixo dos cachos (Branas,1974). É usada na redução do coberto vegetal ao longo da evolução da videira apresen-tando-se como um instrumento importante para melhorar o microclima da cepa, através da re-moção de número variável de folhas, aumentando a exposição dos cachos à luz solar e o seu arejamento, prevenindo doenças criptogâmicas e facilitando a vindima (Smart & Robinson, 1991). de uma forma usual esta operação é realizada no período de crescimento herbáceo dos bagos, de modo a melhorar as condições microclimáticas para o seu desenvolvimento. Particu-larmente, no estudo efetuado, podemos dizer que a desfolha pretende ser também um grande instrumento para o controlo de produção pelo momento em que se realiza, não obstante ser também importante, para o combate ou redução do aparecimento de pragas como o caso da traça da uva (Lobesia botrana Denis & Schiffermüller) bem como, redutor no aparecimento de Podridão cinzenta (Botrytis cinerea Pers.) numa fase mais tardia do ciclo (Andrade et al., 2003).

Por coberto vegetal entende-se o sistema de sarmentos e folhas de uma determinada vinha (Shaulis & Smart, 1974).

Microclima do coberto vegetal é definido como o clima no seu interior e nas suas imediações.

Quando se intervém no microclima é subjacente, que se quer manipular dois fatores determinan-tes neste meio, a temperatura e a radiação, no primeiro caso poderá não existir grande variação em escala gradual, mas será certamente um ambiente mais desprovido de humidade, que se obtém depois de uma desfolha, quanto ao segundo fator, a radiação, com influência direta nas condições de humidade, terá ainda um efeito de controlo de pragas e preparação da película do cacho para o período de maturação que se seguirá.

A redução da porção de folhas interiores relativamente às folhas expostas pode ser conseguida através da desfolha na zona basal dos sarmentos, conduzindo a maiores taxas de influência dos fotões na zona de frutificação (Bledsoe et al.,1988). Consegue-se assim uma maior exposição dos cachos e folhas que proporciona um melhor microclima luminoso e térmico (Payan, 1997).

A desfolha não será nunca uma intervenção em verde com efeitos totalmente controlados já que sofre a influência marcante de fatores exógenos, como são as castas envolvidas e as condições meteorológicas do ano.

A desfolha tem vários momentos para ser efetuado em função dos objetivos pretendidos com tal intervenção. Quando o objetivo é o arejamento e a retirada de folhas caducas em fim de vida

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centra em algo mais interventivo como por exemplo, no desenvolvimento da produção teremos que fazer essa operação no momento mais adequado para o resultado pretendido.

Os resultados obtidos com a desfolha são diversos e antagónicos, variando em função do local, intensidade e época de realização. Alguns desses estudos indicam uma quebra de produção, no ano de aplicação da desfolha e seguintes, uma redução na acumulação de reservas, bem como da qualidade de açucares, estabelecendo-se como causa a redução de área foliar (Butose, 1996; Kliewer, 1970; May et al.,1970; Kliewer & Anticliff, 1970; Kliewer & Lider, 1970; Afonso, 1996), enquanto que outros referem não existir qualquer perda de produção ou caraterísticas qualitati-vas (Kliewer & Bledsoe, 1987; Bledsoe et al., 1988; Barros, 1993; Afonso,1996) ou aumento de rendimento e qualidade (Hunter, 1991).

No caso deste estudo, a intervenção foi realizada no início da floração para poder interferir ou não no vingamento dos cachos, e assim interferir na estrutura física do cacho da casta Baga.

II.3.1.1 Desfolha Precoce

Como já referido a desfolha é a prática de gestão de coberto vegetal mais utilizada e preferenci-almente entre o bago de chumbo e o pintor, mas para proceder a uma desfolha precoce, neste trabalho, foi escolhido o momento do início da floração como sendo o momento em que pareceu obter o maior impacto.

A eliminação prematura de folhas, repercute-se desfavoravelmente, no crescimento e desenvol-vimento vegetativo, sobre o rendimento e acumulação de açucares nos bagos (Afonso, 1996).

As desfolhas severas proporcionam um aumento da radiação direta recebida pelos frutos e folhas e o aumento da temperatura pode reduzir, significativamente, o peso dos bagos e a taxa fotos-sintética (Hunter, 1991).

A atividade fotossintética das plantas tem um papel fundamental no crescimento e desenvolvi-mento das plantas, sendo esta responsável por cerca de 55% da matéria seca (Chaves, 1986).

Durante o crescimento primaveril assiste-se a um fluxo ascendente sendo as folhas basais as responsáveis pela produção de assimilados para as folhas apicais. Na floração ocorrem dois fluxos sendo o primeiro para as flores (ascendente e descendente) e o segundo fluxo é ascen-dente para as folhas apicais (Lopes, 2011) (Figura 11).

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Segundo Krirdemann (1970), uma folha aumenta de forma progressiva a sua atividade fotossin-tética até atingir o seu tamanho máximo, por volta dos 40 dias. Assim sendo, é facilmente acei-tável que numa primeira fase do desenvolvimento do ciclo das videiras sejam as folhas basais as responsáveis pela grande atividade fotossintéticas da planta, sendo isso mesmo verificado e documentado por Hunter & Visser (1988), Hunter (1995) & Petrie (2003), que referem que até ao estado de bago de ervilha os principais agentes produtores de fotoassimilados são as folhas

basais. Posteriormente a área foliar principal irá diminuir a sua importância relativa ao longo do ciclo, observando-se nas netas o inverso no que respeita à sua importância na atividade fotos-sintética (Afonso,1996).

A desfolha severa à floração origina uma redução da área foliar à custa da eliminação das folhas do terço basal dos sarmentos, folhas que estariam no seu auge de atividade fotossintética. Esta perda de área foliar poderá ter grandes implicações no equilíbrio da planta, dado que é feita no início de um estado vegetativo de grande exigência em fotoassimilados. Segundo Magalhães (2015), com exceção da situação em estudo, a desfolha é realizada em períodos posteriores ao do vingamento dos bagos, justificando-se, aliás, também por questões sanitárias, pois é a partir deste momento, crescimento herbáceo do bago, que se começam a notar os estragos provoca-dos pelo oídio (Botrytis cinerea Pers.).

O bom abastecimento de fotoassimilados à floração é um fator determinante no vingamento (Caspari & Lang, 1996) como tal, quando a desfolha é feita nesse período, a redução de órgãos produtor (source) permite reduzir a produção através de um decréscimo do vingamento (sinks),

Figura 11 - Representação esquemática da movimentação dos fotoassimilados durante o ciclo vegetativo e

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verificar devem-se a uma melhor exposição das uvas e um menor vingamento devido a um menor fluxo de fotoassimilados, permitindo assim uma diminuição da compacidade do cacho e conse-quente redução de produtividade.

Chaves (1986), considerou que do ponto de vista fisiológico, o comportamento da biomassa fo-tossintetizante e as relações source/sink, de fotoassimilados são fatores fundamentais da capa-cidade produtiva e da longevidade das videiras. Segundo o mesmo autor e reforçado pelos es-tudos de Hunter e Visser (1988) e Barros (1993), a taxa de fotossíntese nas folhas é influenciada pela presença de cachos, visto ocorrer um aumento da taxa fotossintética da videira consoante a exigência em fotoassimilados pela maturação dos frutos.

A perda de área foliar principal poderá mais tarde ser compensada por um aumento da área foliar secundária (Kliewer & Fuller, 1973, Poni, et al., 2006), pelo aparecimento de netas e novas folhas com trabalho de fotossíntese mais tardio, atingindo estas, o estado adulto ao pintor, altura em que se verifica a rápida acumulação de açucares nos bagos, que no caso da casta em estudo, a Baga, o resultado será notoriamente benéfico. A desfolha representa então naquele momento uma prática cultural valiosa para maximizar a proporção de folhas jovens e funcionais durante a maturação (Poni et al., 2009)

No entanto Candolfi-Vasconcelos & Koblet (1990), verificaram que a desfolha precoce reduz a fertilidade no ano seguinte, através do deficiente abastecimento de fotoassimilados aos gomos em diferenciação floral, sabendo-se que esta diferenciação floral se determina uma campanha antes de se evidenciar nos abrolhamentos do ano, dependendo da casta e do ano, sendo ainda uma questão que merece melhor atenção pois tem existido algumas contradições nos estudos realizados.

No que se refere à qualidade a influência da desfolha na qualidade dos mostos e vinhos, existe alguma contradição. Sabe-se bem que com a desfolha existe uma melhoria da qualidade de algumas castas no que diz respeito à maturação e sanidade que só por si leva a que exista possibilidade de melhores vinhos, mas por outro lado podemos encontrar, o reverso da medalha, vinhos desequilibrados do ponto de vista organolético, devido ao aumento da exposição dos cachos bem como da temperatura dos bagos, a acidez e o pH podem sofrer alterações, verificado por vários autores no decorrer de vários estudos.

Uma desfolha efetuada à floração poderá ser desvantajosa, pois o número de folhas remanes-cente e fotossinteticamente ativas poderá ser insuficiente e comprometer os processos de dife-renciação floral e vingamento (Barros, 1993), podendo assim ter impacto negativo na acumula-ção de hidratos de carbono e consequentemente nos componentes da produacumula-ção, podendo con-duzir a uma diminuição na fertilidade do ano seguinte (Lopes & Monteiro, 2003)

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Segundo Rosensquist e Morrison (1989), a exposição dos cachos precocemente a uma exposi-ção solar pode proporcionar um espessamento da película dos bagos, o que se poderá traduzir num aumento da concentração de taninos, originando assim vinhos com mais aromas, cor e taninos.

II.3.2 Monda de cachos

As produções excessivas provocam um atraso na maturação e reduzem a qualidade das uvas (Jackson & Lombard, 1993).

Atualmente existem alguns produtores que optam por realizar uma monda de cachos com o objetivo de melhorar a qualidade das uvas na vindima. Esta solução, por si só, não se advinha ser coroada de êxito, para que seja realmente benéfica existe uma série de aspetos a considerar. Dos aspetos mais importantes a ter em conta são a existência ou não de problemas sanitários e cargas existentes entre outros fatores.

Segundo Champagnol (1984), quando se realiza uma monda de cachos, e se promove a redução do número de sinks irá proporcionar um aumento da relação área foliar/fruto, o que poderá pos-sibilitar um excesso e uma maior disponibilidade de fotoassimilados, podendo isso causar um aumento de vigor, assim como da fertilidade, contrariando o objetivo inicial.

Queiroz et al., (2001), verificaram que o período ideal para a realização da monda é entre o vingamento/bago de ervilha e o Pintor, período em que, segundo os autores, foram encontrados ganhos que justificam a monda. Para Dumartin et al. (1990), a melhor altura para a monda, pela qualidade que aporta às uvas remanescentes é na fase inicial do pintor.

Para vários autores já citados neste trabalho e outros, os efeitos da monda na relação source/sink potenciam um aumento da qualidade tanto ao nível das uvas como do vinho resultante.

É consensual que a monda de cachos feita no momento certo leva normalmente a um aumento do teor alcoólico dos vinhos bem, como dos polifenóis e das antocianas. Também referido por vários autores verifica-se a diminuição da acidez e consequentemente aumento do pH, embora não seja essa a sua função.

RibéreGayon et al., (1998), ao realizarem uma monda de 30% após o pintor obtiveram au-mentos de cerca de 15% em açucares e redução de cerca de 5% na acidez do mosto. Não sendo esta uma temática que esteja livre de discussão, parece que é pacífica, junto dos vários estudi-osos, a utilização desta monda para obter vinhos com qualidade acrescida e mais harmoniosos.

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A monda de cachos pode ser realizada segundo três métodos, o manual, o químico e o mecânico. Para a escolha de um dos métodos em detrimento dos demais há que ponderar os vários fatores produtivos a atingir, os objetivos da exploração, bem como a viabilidade económica dos proces-sos, as vantagens e as desvantagens de cada um em relação aos demais em conjunto com a disponibilidade de mão de obra (Calhau, 2011).

A monda manual, a mais usual e que se processa manualmente, recorrendo a material de corte para fazer corte total ou parcial, cinzelamento (normalmente em uva de mesa) processo mais oneroso, mas mais rigoroso.

A monda química é realizada através da aplicação de reguladores de crescimento como exemplo refira-se, o Etefão (ácido 2-cloroetil fosfórico - CEPA), um derivado do etileno, produzido pelas plantas que atua sob a forma gasosa, e o ácido giberélico (GA3) que principalmente atua na redução da floração.

Monda mecânica é feita por utilização de máquinas, normalmente de vindimar, com adaptações. Segundo Pool et al. (1998) este método de monda deve ser realizado no período compreendido entre a floração e o fecho do cacho, para se obter os melhores resultados. Com este método reduz-se os custos da intervenção, mas perde-se o rigor da escolha manual.

Para, Queiroz (2010), por hectare esta operação quando realizada manualmente com recurso a tesoura, consome cerca de 40 a 80 horas de trabalho por hectare. Para os outros métodos de monda, químicos ou mecânicos, pode-se pensar que a poupança realizada em mão de obra será consumida ou nos produtos químicos ou em utilização de maquinaria, adquirida ou alugada. Também para o mesmo autor e nos mesmos estudos, basta uma má seleção de porta-enxertos (PE) e combinações inadequadas de castas X PE, para que as mondas se realizem pelas piores razões e de forma natural.

Podem ser apontadas como alternativas à monda, a realização de outras técnicas tais como a adequação do sistema de condução, adoção de práticas culturais conhecidas por diminuir forte-mente o potencial vegetativo, ou eventualforte-mente por limitação da carga e utilização de porta-enxertos menos vigorosos (Queiroz, 2001)

No trabalho realizado foi executada a monda manual de cachos a 50% garantindo sempre um cacho por lançamento. A monda manual é a mais usual, feita à mão, consistindo na eliminação de alguns cachos. Tem como grande desvantagem o custo, mas por outro lado tem a grande vantagem de ter o rigor e a sensibilidade de quem anda a mondar, para deixar o que está melhor e mais produtivo, retirando da cepa os cachos ou parte deles (cinzelamento) que apresentem

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deficiente crescimento, má localização para maturar corretamente ou apresentem focos de do-enças.

II.3.3 Doble Maturation Raisonnée (DMR)

A “Doble Maturation Raisonée” (DMR) ou Dupla Maturação Controlada (DMC) é uma das técnicas praticadas, no controlo de rendimento das videiras e a mais inovadora, embora que ainda pouco estudada. Consiste em cortar ou separar do corpo da videira um ou vários dos seus lançamentos anuais com gomos frutíferos evoluídos em fase final de maturação do cacho, para que este seja desidratado. Deixando estes lançamentos, na mesma junto da videira, mas sem ligação direta ao seu sistema de circulação de seiva, praticamente poderemos dizer que se está a proceder a uma poda, sem retirada de “madeira”, antes da vindima (Rusjan & Mikulic-Petkov-sek, 2017). Segundo Gargnello (1994), esta técnica destina-se a quem quer obter vinhos mais corados (vermelhos), harmoniosos e menos adstringentes e que tendem a envelhecer mais de-pressa.

Quando se intervém desta forma nas plantas, vamos interferir principalmente nas caraterísticas físicas, bioquímicas e sensoriais dos cachos e do vinho resultante.

No trabalho realizado por Silva (2018), conclui-se que a DMR tem interferência significativa ao nível da produção com redução notória no peso dos cachos e dos bagos e ainda na redução da compacidade dos cachos. Também segundo o mesmo autor a realização de sucessivas inter-venções em técnica de DMR, não interferiram na fertilidade das videiras testadas. Foi avaliado por Silva (2018), a alteração de distribuição dos componentes dos bagos, a película menos pe-sada, mas a polpa demonstrou ainda maior redução de peso, aumentando significativamente a relação película/polpa.

A DMR, não interfere significativamente no coberto vegetal da videira nem no controlo fitossani-tário.

Ao nível da constituição organolética, das uvas com uma redução da produção por perda de massas e concentração dos componentes da uva, a DMR produz uvas com grau provável maior que outras intervenções, o grau de acidez, verificado no método DMR, é superior aos restantes (Silva, 2018).

Segundo alguns estudos feitos pelos investigadores da Faculdade Biotécnica da Universidade de Ljubljana na Eslovénia, Rusjan & Mikulic-Petkovsek (2017), a prática da DMR na casta Merlot proporcionou um aumento no teor de sólidos solúveis em cerca de 1,2 vezes, azoto em cerca de

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peso dos cachos. Foram também registados o aumento de taninos não adstringentes e maior capacidade de extração de antocianas.

No estudo realizado durante 3 anos por Queiroz et al (2013), em cv. Baga, permitiu estudar as melhorias sofridas pela casta quando sujeita a este método. A casta Baga é propensa a podri-dões e a maturações pouco alcoólicas além de tardias pelo que este método apresentou melho-rias ao nível sanitário e alcoólico.

No estudo realizado, pretendeu-se aferir quais as melhorias obtidas pelos mostos quando as videiras são submetidas a uma intervenção desta índole.

Material vegetal

II.4.1 Casta Baga (Vitis vinifera L.)

A origem da baga desde muito cedo que é referenciada como característica da Bairrada, Aguiar (1867) e Vila Maior (1875) assim a posicionavam.

A Casta Baga (Vitis vinifera L.) é a casta tinta predominante na região da Bairrada, sendo também cultivada em outras Regiões, também conhecida por Tinta da Bairrada (Douro), Poeirinho (Bair-rada e Ribatejo), Carrasquenho (Tomar) e Baga de Louro (Dão e Bair(Bair-rada) (VWC, 2018) (Figura 10).

Em linguagem corrente esta casta chegava a ser apelidada de “Carrega Bestas” ou “Paga Dí-vidas”, pelo seu potencial quantitativo de produção.

A introdução da casta Baga na Bairrada dá-se em consequência do oídio, sendo esta casta re-sistente ao fungo (Matias, 2003).

Das características ampelográficas mais importantes destacam-se a extremidade do ramo jovem aberta, com orla ligeiramente carmim e elevada densidade de pelos prostrados. Folha jovem verde com zonas bronzeadas, página inferior com forte densidade de pelos prostrados. A flor hermafrodita, com pâmpano estriado de vermelho, média intensidade antociânica dos gomos.

Folha adulta de tamanho médio, pentagonal, com cinco lóbulos; limbo verde médio a escuro, ligeiramente revoluto, bolhosidade fraca; página inferior com elevada densidade de pelos pros-trados, aveludada, apresentando as nervuras principais fraca densidade de pelos eretos coloca-dos lateralmente; dentes curtos e convexo; seio peciolar pouco aberto, com a base em V, seios laterais fechados em U (Figura 12).

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Conforme o local onde se encontra plantada, uma mesma casta reage de forma diferente, origi-nando diferenças no produto final.

Esta casta, pela importância que tem no encepamento e participação dos vinhos da Bairrada tem sido alvo de vários estudos relativos às várias técnicas de cultivo como o tipo de poda, a condu-ção das vinhas, o tipo de porta-enxerto e as intervenções mais indicadas para melhorar a quali-dade do produto obtido, são exemplo disso os estudos de Prof. Rogério de Castro, Engª Anabela Andrade, Prof. Jorge Queiroz, visando estudar a condução a poda e as intervenções em verde respetivamente.

Sendo uma casta ingrata e difícil de trabalhar devido, à difícil maturação plena e problemas sa-nitários decorrentes dos fatores climáticos de cada ano agrícola, esta casta foi sendo preterida em prol de outras (Jaen, Tinta-Roriz, Touriga-Nacional, Cabernet-Sauvignon, Merlot e Syrah), que de forma mais constante foram garantindo os rendimentos dos produtores da região bairra-dina.

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A nível nacional, e como se pode ler na tabela 2, esta casta tem cativado alguns produtores que nos seus encepamentos incluem a casta Baga. De tal forma isto tem sido realizado que a partir do ano de 2014, ano de menor área de encepamento de Baga, até ao ano de 2017 a sua pre-sença nas vinhas nacionais quase que duplicou, estando no ano de 2017 a ocupar uma área de 8258 há distribuídos por todo o país, com maior incidência no litoral centro (Figura 13).

Enologicamente esta casta apresenta características de maturação e organoléticas especiais e adaptadas para produção dos mais variados vinhos, desde as bases de espumante até aos mais valiosos e apreciados vinhos de guarda. É uma casta, produtora de mostos ácidos e de vinhos com teores alcoólicos muito variáveis, dependentes das condições climáticas de mês de setem-bro serem mais ou menos favoráveis à sua completa maturação. Os vinhos são ricos em taninos, suportando bem o envelhecimento.

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Figura 1 - Cronologia das ocupações da península dos Tartessos até aos Bárbaros - Fonte Infovini, 2018
Tabela 1 - Percentagem de vinha plantada por continente 2000-2013 - Fonte Club vinhos, 2018
Figura 8 - Mapa vitícola da Região da Bairrada – CVB (1991)
Figura 10 - Mapa da IGP Beira Atlântico e DOP Bairrada – CVB (2011)
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Referências

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