Prova de Proficiência em Língua Portuguesa 2013/1

Texto

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Prova de Proficiência em Língua Portuguesa 2013/1

Gabaritos e Questões Comentadas

INSTRUÇÃO: Responder às questões de 1 a 9 com base no texto a seguir.

01 02 03 04 05 06 07 08 09 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31

No primeiro ano da faculdade aprendi um truque que muito me auxiliou na hora de obter notas melhores. Descobri que, no caso de uma prova _______ cai um tema que você não estudou, _______ o pegou de surpresa, _______ você não sabe nada, o melhor é não entregá-la em branco. Escreva sempre alguma coisa, preencha o papel com abobrinhas, e quanto maior o número de páginas, melhor. Isso porque existem dois tipos de professores no Brasil: um deles é formado pelos que corrigem de acordo com o que é certo e errado. Escrever que dois mais dois podem ser três ou doze, dependendo “da interpretação lógica do seu contexto histórico desconstruído das forças inerentes”, não comove este tipo de professor. Ele dá nota dependendo do resultado, e fim de papo.

Mas, para minha alegria, e agora também para a sua, existe outro tipo de professor, mais humano e mais socialmente engajado, que dá nota segundo o esforço despendido pelo aluno, e não apenas pelo resultado. Se você escreveu dez páginas e disse coisas interessantes, mesmo que não pertinentes ao tema, ficou as duas horas de prova até o fim, mostrou esforço, ganhará uns pontinhos, digamos uma nota 3 ou até 3,5. O que pode ser a sua salvação. Na próxima prova você só precisará tirar um 6,5 para compensar, e não uma impossível nota 10. Se você estudar um mínimo e usar este truque, vai tirar um 5.

Uma vez formados, os alunos deste tipo de professor são muito fáceis de identificar. Seus textos são permeados de abobrinhas, cheios de platitudes e chavões. Defendem que a renda deve ser distribuída pelo esforço, e não pelo resultado, e que toda criança que compete deve ganhar uma medalha. Defendem que todo professor de universidade deve ganhar o mesmo salário, independentemente da qualidade de suas aulas, e que a solução para a educação é mais e mais verbas do governo, sem nenhuma avaliação de desempenho.

Esses dois tipos de professor obviamente não se bicam. É a famosa briga da turma da filosofia contra a da engenharia. São as duas grandes visões do mundo, é a diferença entre administração pública e privada. O que é mais justo, remunerar pelo esforço ou pelos resultados alcançados? O que é mais correto, remunerar pela obediência e cumprimento de horário ou pelas realizações efetivas com que cada um contribui para a sociedade? Que sociedade é mais justa, aquela que valoriza as boas intenções e o esforço ou aquela que valoriza os resultados?

Podemos até optar pelo meio-termo, mas qual será a ênfase que daremos na educação de nossos filhos e na avaliação de nossos trabalhadores? Ao esforço ou ao resultado? ( )

Como aluno, eu tive de me esforçar muito mais para as provas daqueles professores carrascos, que avaliavam resultados, do que para as provas dos professores mais bonzinhos. Quero agradecer publicamente aos professores “carrascos” pela postura ética que adotaram, apesar das nossas amargas críticas na época. Agora entendo ______ somos o último país do mundo em termos de patentes, ______ tantos brasileiros recebem sem contribuir absolutamente nada para a sociedade e ______ nossos políticos falam, falam e não realizam nada.

KANITZ, Stephen. Por uma sociedade justa e eficiente. Disponível em: http://www.kanitz.com/veja/sociedade.asp. Acesso em: 27/09/2012 (com adaptações).

QUESTÃO 1

INSTRUÇÃO: Resolver a questão 1 analisando o contexto em que se encontra cada lacuna no texto e as afirmativas.

Sobre as palavras/expressões que devem preencher as lacunas do texto, afirma-se:

1. Na linha 02, a primeira lacuna deve ser preenchida por “na qual” ou por “em que”, devido à relação de regência entre “cai” e “uma prova”.

2. A segunda lacuna da mesma linha deve ser preenchida pelo pronome relativo “cujo”, porque este concorda em gênero com “tema”, ao qual se refere.

3. A terceira lacuna (linha 03) pode ser preenchida com expressões tais como “sobre o qual”, “acerca do qual”, “a respeito do qual”, todas compatíveis com a relação entre “você não sabe nada” (linha 03) e “um tema” (linha 02).

4. As três lacunas do último parágrafo (linhas 30 e 31) devem ser preenchidas por “por que”, os quais iniciam perguntas indiretas que complementam o verbo “entendo” (linha 30).

1) Estão corretas apenas as afirmativas

A) 1 e 2. B) 1 e 4. C) 2 e 3.

D) 1, 3 e 4.

(2)

Comentário:

Estão corretas apenas as afirmativas 1, 3 e 4 pelas seguintes razões:

1 – O espaço deve ser preenchido por um pronome relativo, o qual deve se submeter à regência do verbo que consta na oração adjetiva (a que o referido pronome introduz). Como o verbo é “cai” (em uma prova), é necessária a presença da preposição “em”, que pode estar na expressão “em que” ou na combinação “em + a qual = na qual”.

2 – O pronome relativo “cujo” indica sempre uma relação de pertencimento entre dois nomes ligados por ele. Assim, por exemplo, se unirmos “Vi um senhor” com “O rosto do senhor era familiar”, teremos “Vi um senhor cujo rosto (o rosto dele) me era familiar”. Na passagem da linha 02 do texto, não há esta condição, portanto caberia apenas o pronome “que”.

3 – O verbo “saber” pode relacionar-se a seu complemento por meio de várias preposições (“saber sobre um tema, de um tema, acerca de um tema, a respeito de um tema”. Portanto, essas expressões podem, no contexto da frase, anteceder “o qual”.

4 – Para confirmar a correção da afirmativa, basta tornarmos cada segmento iniciado por “por que” em pergunta direta: “Por que somos o país...?”, “Por que tantos brasileiros...?”, “Por que nossos políticos...?”. Em perguntas diretas desse tipo, assim como nas indiretas, a grafia correta é “por + que”.

QUESTÃO 2

2) Com base na leitura, conclui-se corretamente que o texto

A) relaciona formação acadêmica com atuação profissional.

B) apresenta soluções pedagógicas baseadas em especialistas.

C) sugere que a intransigência dos professores nas avaliações é um problema para a educação atual. D) coloca em oposição alunos interessados e professores permissivos.

E) categoriza facilmente vários tipos de alunos do passado e do presente.

Comentário:

O autor relaciona inicialmente os dois tipos de professor às diferenças de pensamento entre a “turma da filosofia” e a “da engenharia”, bem como entre a administração pública e a privada. Além disso, nos dois últimos parágrafos, percebe-se que o dilema atinge outros níveis, relacionados a trabalhadores e, mais amplamente, à atuação, na sociedade, de indivíduos já formados. Está, portanto, correta a alternativa A.

Não há menção a especialistas em educação no texto (B incorreta).

O autor sugere que a falta de “rigidez” é o problema na educação, e não o contrário. Além disso, rigidez não se confunde com “intransigência”, que sequer é mencionada no texto (C incorreta).

O texto deixa a entender que havia uma certa resistência de alunos – imaturos na época, mas, em relação a hoje, pode-se concluir pelo posicionamento do autor favorável aos “carrascos”. Não há, no entanto, uma oposição entre professores permissivos e alunos interessados (D incorreta).

A referência aos alunos, principalmente no terceiro parágrafo, não distingue passado de presente, tampouco menciona vários tipos de alunos (E incorreta).

INSTRUÇÃO: Para resolver as questões 3 e 4, considere o que é solicitado e preencha os parênteses com V (verdadeiro) e F (falso).

QUESTÃO 3

Na apresentação de suas ideias, o autor vale-se de vários recursos retóricos, dentre os quais (V ) comparações.

(F ) dados da História. (V ) afirmativas irônicas.

(V ) relato de experiências pessoais. (F) referência explícita a outros autores.

3) A ordem correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é

A) F – V – F – V – V

B) V – F – V – V – F

C) V – F – V – F – V D) F – V – F – F – V E) F – F – V – F – F

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Comentário:

Recursos retóricos são ferramentas utilizadas para tornar a argumentação mais efetiva. No texto, além de outros, identificam-se os seguintes:

• Comparações.

Uma primeira comparação coloca em contraponto dois tipos de professor existentes no Brasil: “um deles é formado pelos que corrigem de acordo com o que é certo e errado. Escrever que dois mais dois podem ser três ou doze, dependendo da interpretação lógica do seu contexto histórico desconstruído das forças inerentes, não comove este tipo de professor. Ele dá nota dependendo do resultado, e fim de papo.

Mas, para minha alegria, e agora também para a sua, existe outro tipo de professor, mais humano e mais socialmente engajado, que dá nota segundo o esforço despendido pelo aluno, e não apenas pelo resultado. Se você escreveu dez páginas e disse coisas interessantes, mesmo que não pertinentes ao tema, ficou as duas horas de prova até o fim, mostrou esforço, ganhará uns pontinhos, digamos uma nota 3 ou até 3,5.” (linhas 04 a 11).

Outra se localiza entre as linhas 19 e 24, nas quais se questionam visões de mundo desses professores. Ainda outra, mais sutil, é encontrada entre as linhas 27 a 31, trecho em que os efeitos da ação dos dois tipos de professor são colocados em contraponto.

• Relato de experiências pessoais

Para introduzir o problema discutido no texto, estabelecendo um vínculo mais próximo com o leitor, Stephan Kanitz relata vivências de seu tempo de estudante, mencionando o truque empregado para tentar obter notas satisfatórias mesmo sem ter estudado. Isso ocorre nos vários momentos do texto em que o autor fala de si, empregando a primeira pessoa do discurso (“aprendi um truque” – 1º parágrafo, “para minha alegria” – 2º parágrafo, “eu tive de me esforçar” – parágrafo final).

• Afirmativas irônicas.

Todo o texto é perpassado por um tom fortemente irônico. É esse tom que assegura o adequado entendimento dos elogios ao professor “bonzinho” e das críticas ao professor “carrasco”, que devem ser compreendidos “pelo avesso”. Ou seja, as “qualidades” deformam o aluno e a rigidez forma cidadãos corretos.

Não há, no texto, apresentação de dados históricos nem referências a outros autores.

QUESTÃO 4

Com base na leitura do texto, é correto afirmar que o autor (F ) confessa não ter sido um bom aluno.

(F ) garante que não há mais professores “carrascos” hoje em dia. (F ) critica as avaliações escolares em geral, por serem facilitadoras. (V ) desafia o leitor a posicionar-se sobre as indagações que apresenta.

(V ) admite que relutava diante da rigidez de seus professores em seu tempo de faculdade.

4) A ordem correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é

A) V – F – V – V – F B) V – F – V – F – F C) F – V – F – F – V D) F – F – V – V – V E) F – F – F – V – V

Comentário:

Stephan Kanitz lembra algumas experiências de seu tempo de formação, mencionando a rigidez de alguns professores em seu tempo de faculdade. Refere um expediente utilizado para esquivar-se de notas baixas, mas reconhece que aprendeu muito com os professores mais exigentes, e até agradece a estes por sua boa formação. Ou seja: não sugere ter sido mau aluno.

Outro ponto a considerar é que, ao distinguir dois tipos de professores e suas avaliações, afasta generalizações, donde se conclui que ele não “critica as avaliações escolares em geral”.

Ao utilizar o tempo presente em “existem dois tipos de professores no Brasil: um deles é formado pelos que corrigem de acordo com o que é certo e errado (...)”, o autor descarta a possibilidade de o leitor concluir que “não há mais professores ‘carrascos’ hoje em dia”.

Por fim, o autor desafia claramente o leitor a posicionar-se sobre a tese que defende, o que ocorre no terceiro parágrafo: “O que é mais justo, remunerar pelo esforço ou pelos resultados alcançados? O que é mais correto,

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remunerar pela obediência e cumprimento de horário ou pelas realizações efetivas com que cada um contribui para a sociedade? Que sociedade é mais justa, aquela que valoriza as boas intenções e o esforço ou aquela que valoriza os resultados?” (linhas 20 a 24). Em seguida, no último parágrafo, o autor conclui o seu raciocínio admitindo que, mesmo tendo relutado diante da rigidez dos “professores carrascos” quando era jovem, mas, com o tempo, passou a valorizá-los por ter aprendido muito com eles.

INSTRUÇÃO: Resolver as questões 5 e 6 com base no que é solicitado e nos itens numerados.

QUESTÃO 5

Considerando sua linguagem, estrutura, conteúdo e finalidade, afirma-se que o texto

1. parte de um dado particular para sustentar o ponto de vista principal.

2. caracteriza-se como predominantemente informativo, pois apresenta muitos dados.

3. inicia o parágrafo conclusivo retomando a ideia inicial, à qual acrescenta uma avaliação pessimista.

4. utiliza diferentes pessoas verbais, como “eu”, “você”, “nós” e “eles”, dificultando a compreensão do texto.

5) As afirmativas corretas estão reunidas em

A) 1 e 2. B) 1 e 3. C) 3 e 4. D) 1, 2 e 4. E) 2, 3 e 4.

Comentário:

As características composicionais do texto corretamente apontadas são: 1. Parte de um dado particular para sustentar o ponto de vista principal.

O dado particular é a experiência pessoal do autor, que serve como recurso para chegar à discussão entre dois tipos de formação e à defesa de mais seriedade na educação.

3. Inicia o parágrafo conclusivo retomando a ideia inicial, à qual acrescenta uma avaliação pessimista.

O retorno à própria experiência no início do último parágrafo (“Como aluno, eu tive de me esforçar muito mais para as provas daqueles professores carrascos, que avaliavam resultados, do que para as provas dos professores mais bonzinhos. Quero agradecer publicamente aos professores “carrascos” pela postura ética que adotaram, apesar das nossas amargas críticas na época.”) não apenas encaminha a conclusão do texto como também faz a ponte com a realidade brasileira, atrasada, pouco ética, politicamente ineficiente: “somos o último país do mundo em termos de patentes (...) tantos brasileiros recebem sem contribuir absolutamente nada para a sociedade (...) nossos políticos falam, falam e não realizam nada”.

Por outro lado, não há no texto o predomínio da informação, e o uso de diferentes pessoas verbais está perfeitamente adequado ao contexto, em nada prejudicando a compreensão.

QUESTÃO 6

Sobre algumas relações entre partes do texto, afirma-se:

1. Se o “muito” da linha 01 fosse deslocado para depois de “notas”, na mesma linha, a estrutura permaneceria correta, mas o sentido ficaria alterado.

2. O trecho “Escreva (...) melhor” (linhas 03 e 04) explicita uma ideia apresentada na frase anterior. 3. “não comove” e “fim de papo” (linha 07) pertencem ao mesmo campo de significação.

4. “Uma vez formados” (linha 14) equivale a “Formados uma vez”, já que a ordem das palavras não altera o sentido da expressão.

5. Os “professores bonzinhos” estão para os “professores carrascos” assim como o “esforço” está para o “resultado”.

6) Estão corretas apenas as afirmativas

A) 1 e 4. B) 1 e 5. C) 2, 3 e 4. D) 2, 3 e 5.

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Comentário:

As afirmativas corretas sobre relações no texto são:

1. Na posição que ocupa no texto, “muito” está intensificando o sentido do verbo “auxiliou”, ao passo que, se deslocado para depois de “notas”, na mesma linha, passaria a intensificar o adjetivo “melhores”. Como advérbios de intensidade podem modificar verbos, adjetivos ou outros advérbios, a estrutura permaneceria correta. O sentido, entretanto, ficaria alterado.

2. A ideia “o melhor é não entregá-la em branco” (linha 02) é complementada pela recomendação que a segue: “Escreva sempre alguma coisa, preencha o papel com abobrinhas, e quanto maior o número de páginas, melhor”.

3. Dentre as características do professor “carrasco” está a objetividade na avaliação: “corrige de acordo com o que é certo e errado”, não se comove nem dá muita conversa (“e fim de papo”).

5. “professores bonzinhos” levam em conta, em sua avaliação, o caminho percorrido pelo aluno, valorizando o seu esforço nesta trajetória; quanto aos “professores carrascos”, o que importa são dados objetivos, ou seja, o resultado.

A afirmativa 4 está incorreta porque “Uma vez formados” (linha 14) é uma expressão adverbial que significa “Depois de formados”; já em “formados uma vez”, a expressão “uma vez” define o número de vezes que alguém se formou. Os sentidos são claramente distintos.

QUESTÃO 7

7) Sem considerar o uso de maiúsculas/minúsculas, seria adequado, correto e coerente fazer as alterações que

seguem, EXCETO

A) substituir o ponto da linha 01 por ponto e vírgula.

B) eliminar a vírgula da linha 06.

C) eliminar a vírgula que segue “alegria”, na linha 08.

D) substituir as vírgulas que seguem “Mas” e “sua”, na linha 08, por travessões. E) substituir as duas vírgulas da linha 21 e a da linha 23 por dois pontos.

Comentário:

A vírgula utilizada na linha 06 sinaliza, juntamente com a vírgula da linha 07 (após a palavra “inerentes”), uma intercalação no fluxo do período: “Escrever que dois mais dois podem ser três ou doze, dependendo “da interpretação lógica do seu contexto histórico desconstruído das forças inerentes”, não comove este tipo de professor.” Caso se retire aquela vírgula, a organização do período ficará prejudicada, passando o trecho “Escrever que dois mais dois podem ser três ou doze, dependendo “da interpretação lógica do seu contexto histórico desconstruído das forças inerentes” a exercer o papel de sujeito do trecho iniciado por “não comove”, o que é inaceitável. A eliminação da primeira vírgula só seria adequada caso a segunda também o fosse.

As demais possibilidades de alteração não prejudicariam os segmentos em que se encontram

.

QUESTÃO 8

INSTRUÇÃO: Para responder à questão 8, analise o uso, no texto, dos verbos da Coluna 1 e relacione-os às possibilidades da Coluna 2, numerando os parênteses.

Coluna 1 Coluna 2

( 5 ) “preencha” (linha 03) 1. Refere-se a uma ação anterior a outra também pretérita. ( 6 ) “digamos” (linha 11) 2. Integra uma ideia de condição.

( 2 ) “estudar” (linha 13) 3. Demonstra uma intenção no presente. ( 4 ) “avaliavam” (linha 28) 4. Denota ação habitual ocorrida no passado. ( 3 ) “Quero agradecer” (linha 28) 5. Apresenta uma orientação.

6. Indica uma possibilidade.

8) A numeração correta dos parênteses, de cima para baixo, é

A) 5 – 6 – 2 – 4 – 3

B) 1 – 2 – 4 – 5 – 2 C) 6 – 2 – 1 – 5 – 4 D) 6 – 6 – 4 – 1 – 2 E) 5 – 2 – 3 – 6 – 3

(6)

Comentário:

Os verbos podem expressar, além de seu sentido intrínseco e das noções de presente, passado e futuro, muitas outras informações e conotações.

Das possibilidades listadas na coluna 2, a única que não está contemplada por nenhum dos verbos da coluna 1 é a de numero 1 (“Refere-se a uma ação anterior a outra também pretérita”), o que geralmente acontece com formas como “tinha/havia cantado” ou “cantara”.

Assim, no texto,“preencha” (linha 03) faz parte da sequência de orientações dadas pelo autor; “digamos” (linha 11) sugere que as notas 3 até 3,5 são possibilidades; “estudar” (linha 13) integra uma idéia de condição (caso você estude); “avaliavam” (linha 28) refere algo que ocorria costumeiramente no passado; “Quero agradecer” (linha 28) demonstra o desejo, a intenção do autor de agradecer, hoje, a seus mestres do passado.

QUESTÃO 9

9) De acordo com o sentido que algumas palavras têm no texto, em que caso as duas palavras são sinônimas?

A) “inerentes” (linha 07) – ocultas B) “pertinentes” (linha 10) – positivas

C) “chavões” (linha 15) – lugares-comuns

D) “permeados” (linha 15) – enfeitados E) “de patentes” (linha 30) – militares

Comentário:

“Chavões”, assim como “lugares-comuns”, é a denominação dada a palavras, expressões, frases muito repetidas, que ficam esvaziadas de importância por serem previsíveis, ou por caberem em muitos contextos.

As demais palavras destacadas têm, no texto, respectivamente, os sentidos seguintes: A) “inerentes” (linha 07) – intrínsecas, próprias;

B) “pertinentes” (linha 10) – compatíveis (com), relacionadas (ao); D) “permeados” (linha 15) – recheados, repletos;

E) “de patentes” (linha 30) – registro de invenção, de criação que visa a proteger o uso desse bem.

Ser o “último país do mundo em termos de patentes” significa ter um número reduzido de invenções,criações, em geral produzidas pela pesquisa científica.

As palavras indicadas como sinônimas em A, B, D e E estão, portanto, erradas.

QUESTÃO 10

10) O período redigido de modo, claro, coeso e coerente, seguindo o padrão culto da língua portuguesa é:

A) Divida a matéria em pequenas partes, leia duas vezes cada parte e tenta fazer um resumo da parte estudada e depois você junta todos os resumos e com isso você tem toda a matéria em mão, pois escrevendo os resumos você terá uma melhor assimilação do conteudo.

B) Estabeleça uma rotina diária: duas a três horas para estudar e o resto do tempo livre. Nesse período de estudo, além de fazer as lições de casa, você dedicará um tempo para revisar os conteúdos que os professores abordaram nas aulas daquele dia.

C) Preste atenção durante à aula pois, quanto mais você prestar atenção mais bem irá nas provas. Além disso, faça resumos para estudo. Quando for estudar para uma prova, resuma as matérias com canetas coloridas e palavras-chave, isso ajuda muito a memorizar.

D) A proximidade das provas faz que muitos estudantes se desesperem em relação as matérias que tem maior dificuldade. Para te ajudar neste momento tenso, saiba que a melhor forma para se dar bem nas provas é prestares atenção nas aulas, realizar tarefas no prazo e estudar pelo menos alguns minutos todos os dias. E) Lembre-se que uma prova não é o fim do mundo, sendo que existe muitas pessoas que ficam nervosas no

momento da prova e consequentemente não conseguem entender as questões e/ou sofrem do momento denominado de ‘branco’. É preciso assim, manter a calma, sendo que se você entendeu a matéria, saiba que não há motivos para temer.

(7)

Comentário:

Os problemas presentes nas demais opções estão apontados a seguir.

A) Divida a matéria em pequenas partes, leia duas vezes cada parte e tenta (1) fazer um resumo da parte estudada e depois você junta (2) todos os resumos e com isso (3) você tem toda a matéria em mão, pois escrevendo os resumos você terá uma melhor assimilação do conteúdo.

(1) Pessoa verbal inadequada. O correto seria “tente”;

(2) Paralelismo estrutural prejudicado. Se o período iniciou com “Divida”, “tente, deveria continuar com “depois junte”.

(3) Ambiguidade. “isso” tanto pode referir-se ao trecho “Divida ... estudada” ou ao que inicia com “depois”.

Além disso, ocorrem repetições desnecessárias, que prejudicam o texto.

C) Preste atenção durante à (1) aula pois, quanto mais você prestar atenção mais bem (2) irá nas provas. Além disso, faça resumos para estudo. Quando for estudar para uma prova, resuma as matérias com canetas coloridas e palavras-chave, isso ajuda muito a memorizar.

(1) O “a” é apenas artigo, não aceitando sinal indicativo de crase;

(2) “mais bem” não cabe no contexto, devendo ser substituído por “melhor”.

Observa-se, ainda, falta de vírgula após “aula”; inadequação na relação entre o segundo e o terceiro período e entre as ideias do último período.

D) A proximidade das provas faz que (1) muitos estudantes se desesperem em relação as (2) matérias que

tem (3) maior dificuldade. Para te (4) ajudar neste momento tenso, saiba (4) que a melhor forma para se dar bem nas

provas é prestares (4) atenção nas aulas, realizar tarefas no prazo (5) e estudar pelo menos alguns minutos todos os dias.

(1) A forma correta é “fazer com que”; falta, pois, a preposição;

(2) A expressão “em relação a”, reunida com “as matérias” provoca crase, que deve ser identificada pelo acento grave;

(3) O verbo “ter” deve concordar com o sujeito “matérias”, assumindo a forma plural “têm”;

(4) Ocorre aqui falta de paralelismo de pessoa verbal “te”, “prestares” acompanha “tu”, segunda pessoa, e “saiba” corresponde a “você”, terceira. Também as formas de infinitivo deveriam seguir um padrão: “prestar”, “realizar”, estudar.

E) Lembre-se que (1) uma prova não é o fim do mundo, sendo que (2) existe (3) muitas pessoas que ficam nervosas no momento da prova (4) e consequentemente não conseguem entender as questões e/ou sofrem do momento denominado de ‘branco’. É preciso assim, (5) manter a calma, sendo que (2) se você entendeu a matéria,

saiba que (6) não há motivos para temer.

(1) O verbo reflexivo “lembrar-se” deve relacionar-se com seu complemento por meio da preposição “de”; portanto, o correto seria “Lembre-se de que...”;

(2) “sendo que” é uma expressão que deve ser evitada, pois nada acrescenta à ideia, podendo ser eliminada;

(3) o verbo “existir” deve concordar com seu sujeito, “muitas pessoas”; portanto, o correto seria “existem muitas pessoas...”;

(4) a repetição de “prova” empobrece o texto;

(5) “assim”, estando em posição intercalada, deve estar entre vírgulas; (6) outra expressão desnecessária, “saiba que”, não cabe no contexto.

REDAÇÃO

Em qualquer situação formal de ensino-aprendizagem, professor e aluno desempenham papeis de igual importância. Na Universidade, especialmente, a construção do conhecimento depende, sobretudo, do modo como o aluno se posiciona academicamente. Nesse contexto, e com base em suas experiências e/ou nos exemplos de seus colegas, desenvolva o tema a seguir:

Como um estudante do curso de Direito deve atuar durante sua formação acadêmica

para constituir-se como cidadão e profissional competente?

(8)

Você deve elaborar um texto opinativo; portanto, apresente e descreva poucas características, reservando maior espaço para suas reflexões. O título não é obrigatório, mas constitui importante indicador do ponto de vista apresentado.

Comentário:

Em geral, a responsabilidade do processo educativo recai com mais ênfase sobre o professor, como sugere o texto da prova, que parte da atuação dos professores para depois referir as reações dos alunos aos métodos docentes e as repercussões futuras.

A proposta de redação, por outro lado, tematiza o papel do discente na própria aprendizagem, considerando-o agente efetivo na construção do próprio conhecimento e na preparação para intervir como cidadão e como profissional na sociedade.

Nessa medida, a redação pode apresentar, por exemplo, uma ou mais características que o autor considera importantes para um aluno do curso Direito, evidenciando seus efeitos na vida acadêmica e relacionando-a(s) à atuação do bacharel na sociedade.

Alguns pontos importantes:

• A atuação acadêmica em foco é a de um aluno do curso de Direito, portanto é interessante destacar características relevantes para o futuro bacharel;

• Devem ser destacadas atitudes e iniciativas que levem ao aprendizado, podendo haver uma crítica a atitudes de alunos que se preocupam apenas em ser aprovados de qualquer maneira;

• O redator pode enriquecer seu texto com referência a alguma ideia de Stephan Kanitz, mas é imprescindível identificar a origem dessas ideias.

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Referências

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