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Diagnóstico-flash ao mercado

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Academic year: 2021

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Diagnóstico-flash ao mercado

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Âmbito

O que se pretende com este artigo é, de forma muito resumida, apresentar alguns dados do mercado do BRASIL num formato flash, que ajude ou facilite a tomada de decisão de quem tem este mercado como destino e/ou prioridade. Salientando que como premissa a sua dimensão continental e que não é apenas um mercado, são efectivamente vários mercados, pelas especificidades que caracterizam cada estado da federação.

Na imagem acima podemos observar os 10 principais clientes das exportações portuguesas em 2015 e 2016 (com enfoque para valores de Janeiro a Junho). O BRASIL

representou em 2016 um valor de 1.540,1 milhões de euros em compras a Portugal - 538,8Meur em mercadorias e 1001,3Meur em serviços - com a balança notavelmente superavitária para Portugal. Sendo que o peso dos “Outros”, aonde se inclui o mercado em análise, vale 22,8% sobre o total – a relevância no comércio internacional de bens com Portugal é muito relevante e notável, ou seja, 5º maior destino extra UE e 12º globalmente.

Breve resenha histórica

• No ano de 1500, Pedro Álvares Cabral, capitão expedição portuguesa a caminho das Índias, chegou ao litoral sul da Bahia (Porto Seguro), tornando a região uma colónia do Reino de Portugal

• Em 1548 é criado o Estado do Brasil, com instalação de um governo-geral, e no ano seguinte é fundada a primeira sede colonial, Salvador

• A economia da colónia passou a ser dominada pelo cultivo da cana-de-açúcar para fins de exportação, tendo em Pernambuco o seu principal centro produtor, região que chegou a atingir o posto de maior e mais rica área de produção de açúcar do mundo

• No fim do século XVII foram descobertas importantes jazidas de ouro no interior

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do chamado Ciclo do ouro, período que marca a ascensão do atual estado de Minas Gerais na economia colonial; Em 1763, a sede do Estado do Brasil foi transferida para o Rio de Janeiro

• Em 1808 deu-se transferência da corte portuguesa para o Brasil (França,

Bonaparte); o Príncipe-regente Dom João de Bragança, filho da Rainha Dona Maria I, abriu os portos da então colónia, permitindo o funcionamento de fábricas e fundou o Banco do Brasil

• Em 1815, o então Estado do Brasil foi elevado à condição de reino; A 7 de

setembro de 1822, Dom Pedro de Alcântara proclamou a Independência do Brasil, sendo coroado imperador como Dom Pedro I

• A 15 de Novembro de 1889, ocorreu a Proclamação da

República pelo Marechal Deodoro da Fonseca e teve início a República Velha, que só veio terminar em 1930 com a chegada de Getúlio Vargas ao poder

• Durante a primeira década do Século XXI, o Brasil foi classificado no grupo dos BRICS (China, Rússia, Índia e África do Sul)

Situação económica e perspectivas em resumo

• O Brasil é a 9ª economia mundial e a 1ª da América Latina e tem uma dimensão

continental; 220 milhões habitantes; República Federativa; Capital: Brasília com

2,5 milhões habitantes; Cidades mais importantes: São Paulo (12M); Rio de Janeiro (6M); Belo Horizonte (2,4M); Fortaleza (2,6M) ; Salvador (3M)

• Porta de entrada para os vários mercados do MERCOSUL - Argentina, Brasil, Paraguai, Uruguai, Venezuela, Bolívia, Chile, Peru, Colômbia e Equador; e dois Estados Observadores, Nova Zelândia e México

• A maioria da população professa a religião Católica Romana (73,6%), embora a Constituição consagre a livre prática de todas as religiões; Moeda: Real do Brasil (BRL) 1 EUR = 3,7004 BRL (Banco de Portugal – média anual 2016)

• Risco Geral - BB (AAA = risco menor; D = risco maior) - EIU, Novembro 2016; Risco Político – BB; Risco de Estrutura Económica – BB; Risco de Crédito;: 4 (1 = risco menor; 7 = risco maior) – COSEC, Novembro de 2016; Politica de cobertura de risco: Operações de Curto prazo – Aberta sem condições restritivas; Operações de Médio / Longo prazo – Clientes soberanos: Aberta sem condições restritivas.; Outros clientes públicos e privados: Aberta, caso a caso, com eventual exigência de garantia soberana ou bancária – COSEC – Novembro 2016

• Na área do investimento e do comércio internacional, o país tem ocupado

posições de destaque nos últimos anos: 8º recetor mundial de investimento

direto estrangeiro em 2015; 25º importador de bens (quota de 1,1% do total em 2015) e 19º de serviços (1,5% do total); e 25º exportador de bens (1,2% do total mundial). No setor do turismo, ocupou a posição de 17º emissor mundial, em termos de gastos turísticos realizados no estrangeiro em 2015

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• A economia do Brasil tem por base sectores como o agrícola, o extrativo, o industrial e o de serviços; composição do produto interno bruto (PIB): serviços, com 71,9% do total em 2015, ocupando mais de três quartos da população ativa indústria, com 22,2%, e o sector agrícola com 5,9%, mas com forte peso em termos das exportações do país

• Fruto do progresso alcançado com as reformas económicas, das condições favoráveis a nível internacional até 2008/2009, aliadas ao desenvolvimento de políticas sociais, fizeram com que a economia brasileira registasse taxas de

crescimento até 2010, muito superiores às verificadas nas décadas anteriores – alcançando o 6º lugar das economias mundiais

• Após um crescimento notável da economia em 2010 (+7,5%), em 2011 registou-se um abrandamento (3,9%); Em 2012 o PIB cresceu 1,9%, apesar de um novo pacote de estímulos, a vigorar desde meados de 2011, esta evolução mais do que

consequência da envolvente externa, esteve diretamente ligada ao ambiente doméstico (no período 2000-2010, o consumo das famílias registou um

crescimento médio anual de 3,7%, impulsionado pelo forte aumento do crédito e que se veio a traduzir num forte endividamento das famílias); Em 2013 a

economia cresceu 3%, tendo praticamente estagnado em 2014

• Em 2015, a economia brasileira contraiu 3,8% (comparando com uma quebra de 0,1% verificada no conjunto das economias da América Latina e Caraíbas). Para essa evolução contribuiu a forte quebra do investimento (-14,1% face ao ano anterior), bem como do consumo privado e público (-4,0% e -1%, respetivamente). As tentativas de ajustamento orçamental e de controle da inflação não

resultaram, tendo o défice orçamental agravado (-10,5% do PIB), atingindo a dívida pública cerca de 67% do PIB

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• O Brasil consegue reunir num só território um pouco dos vários estádios de desenvolvimento humano: uma parte semelhante a um país do Terceiro Mundo, outra em vias de desenvolvimento, outra pouco industrializada e ainda uma parte pós-industrial - consiste portanto numa mistura de realidades distintas, com várias facetas

• Os desenvolvimentos da Operação Lava Jato, a instabilidade social e política não contribuem para uma saída rápida do Brasil desta zona de turbulência económica • Desde o final de 2015 que aumentou a pressão sobre a Presidente Dilma Rousseff,

que culminou, em maio de 2016, com o seu afastamento do poder, após o Senado ter votado a favor da abertura de um processo de “impeachment”, tendo Dilma Rousseff sido suspensa das suas funções

• O novo Presidente interino, Michel Temer, tomou posse a 12 de Maio de 2016, chefiando um governo considerado de perfil liberal e conservador. Diversos analistas esperam que este prossiga políticas mais favoráveis ao ambiente de negócios, visando recuperar a confiança dos investidores internacionais na economia brasileira. Por outro lado, esperam-se alterações em termos da política externa do Brasil, prevendo-se uma maior focalização nas negociações comerciais, nomeadamente com a União Europeia, com os EUA e com a Ásia

• Apesar de Michel Temer ter iniciado o mandato com maioria no Congresso, facto que poderá facilitar a implementação de algumas reformas fiscais, conseguir garantir que esse apoio se mantenha a prazo, será um dos desafios que irá enfrentar; O Governo anunciou, muito recentemente, o interesse em

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Perspetivas de evolução da economia brasileira para 2017, de acordo com o The

Economist Intelligence Unit (EIU):

• Uma contração da economia em 2016, da ordem de 3,7%, seguindo-se uma retoma modesta a partir de 2017 (+0,9%); Consumo privado - manteve uma forte quebra em 2016 (-4,2%), estagnando em 2017, enquanto o consumo público estagnará no corrente e próximo ano; Investimento - teve, pelo terceiro ano consecutivo, uma forte contração em 2016 (-12,5%), retomando o crescimento a partir de 2017 (+3,5%)

• Importações de bens e serviços - continuaram a contrair em 2016 (-2,9%), prevendo-se que aumentem em 2017 (+5%); do lado das exportações, em 2017, espera-se crescimentos da ordem dos 3%; Défice da balança corrente - reduziu para 39,8 mil milhões de USD em 2016, representando 2,5% do PIB (compara com um défice de 104,2 mil milhões de USD verificado em 2014, 4,3% do PIB)

• Taxa de desemprego irá continuar a agravar-se, 10% em 2016 e 12% em 2017;

inflação - deverá descer em 2017, para taxas da ordem dos 3,8%; moeda - deverá

continuar a desvalorizar face ao USD e ao Euro

• Défice do setor público - diminuição para 7,1% em 2017, invertendo a tendência de agravamento dos últimos anos; Peso da dívida do setor público total deverá subir para 81% do PIB em 2017; Dívida externa - atingiu um valor próximo de 544 mil milhões de USD em 2016 (representando perto de 33,6% do PIB); Investimento direto estrangeiro (líquido) - continuará a diminuir, tal como no último ano

Curiosidades que nos fazem pensar

 O grupo dos 10% com renda mais baixa é 69 vezes mais numeroso que o dos 10%

de alta renda

20 milhões de ricos; 80 milhões de classe média emergente; 50 milhões de pobres (150 milhões de não pobres)

 2º maior mercado consumidor de jatos executivos e helicópteros (1º EUA)

 2º maior mercado consumidor de microondas; 2º maior mercado consumidor

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 2º maior mercado para o Botox e o Viagra; maior crescimento mundial em

alimentos diet / light; 4º maior mercado de consumo da Mont Blanc; 6º país do mundo em softwares; 6º maior mercado de consumo da Ferrari

2º mercado de moda mundial – participação PIB; 1º país do mundo em registros

marcas INPI; 2º maior crescimento do mercado do luxo

 10.000 famílias “muito ricas” = 0,002% do total de famílias no país; 3% da renda

total do Brasil; patrimônio = aproximadamente 46% do PIB

Principais Clientes

Em termos de parceiros comerciais e no que se refere ao ranking dos principais clientes do Brasil, a China lidera de forma destacada, mantendo uma quota de

mercado próxima dos 19% do total das exportações em 2015; Estes cinco principais

mercados clientes concentraram 45% do total das vendas de bens ao exterior (os valores das exportações brasileiras para estes mercados registaram quebras acentuadas no último ano, da ordem dos 10% a 23%). Portugal foi o 40º cliente do Brasil (8º da UE), absorvendo 0,4% das exportações brasileiras em 2015 (comparando com 0,8% cinco anos antes)

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A China ocupa a 1ª posição do ranking tendo vindo a reforçar a sua quota de mercado nos últimos anos (17,9% do total das importações em 2015 contra 15,6%

em 2013); Estes cinco fornecedores representaram 48,8% do total das compras de bens do Brasil ao exterior em 2015. O valor das importações provenientes destes mercados registou uma fortíssima quebra no último ano, em particular no caso da Coreia do Sul (-36%), da Argentina, da Alemanha e dos EUA (com quebras na ordem dos 27% e 24%)

Operadores portugueses em número

De acordo com os dados publicados pelo INE, o número de empresas portuguesas

exportadoras para o BRASIL foi de 1520 em 2015. Número este que regressou a valores de

2011. A sua empresa já é ou será uma das +1520 empresas?; “Se não formos nós a exportar para o BRASIL uma coisa é certa - serão outros!”

Análise SWOT ao mercado simplificada

Pontos Fortes

Mercado de 200 milhões de consumidores, e adeptos de produtos europeus; Porta de entrada para os vários mercados do MERCOSUL - Argentina, Brasil, Paraguai,

Uruguai, Venezuela, Bolívia, Chile, Peru, Colômbia e Equador; e dois Estados Observadores, Nova Zelândia e México; Vasto potencial ao nível de recursos minerais e naturais; Língua e uma imagem empresarial portuguesa que mudou nos últimos anos; 9ª maior economia mundial e com um papel de destaque no relacionamento internacional (pertence ao G20 e ex BRICS); Primeira economia da américa latina, a mais atrativa, estando entre as economias do continente mais apetecíveis para os investidores; Última década - melhoria das condições de vida dos brasileiros; classe média em crescimento com aumento do poder de compra; Setor agroindustrial e do turismo têm uma posição de destaque ao nível nacional e internacional; Facilidade de

entrada no país para portugueses – não necessidade de visto prévio; A TAP possui 77

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Pontos Fracos

Sistema tributário complexo, legislação laboral rígida e uma burocracia pesada;

Mercado extremamente protecionista, sobretudo nos setores onde a indústria

brasileira é forte; Sistema fiscal complexo, com impostos à importação calculados em cascata; Riqueza por habitante muito desigual por estado; Persistência de níveis elevados de pobreza em diversas regiões do país; Alguns problemas que o país ainda enfrenta, tais como: pobreza, aperfeiçoamento da formação e educação, infraestruturas e o reconhecimento da marca nacional; Setor dos transportes e das infraestruturas pouco desenvolvidos; Corrupção, fraude e falta de segurança do país

e do próprio mercado; Custo de vida elevado; mão de obra pouco qualificada;

elevados custos operacionais e de logística; taxas de juro elevadas; baixa produtividade; elevada carga tributária na importação; Nível de poupança, cerca de 20% do PIB, dos mais baixos da américa do sul

Oportunidades

Maior economia da América Latina; Classe média de grande dimensão e com poder

aquisitivo; 50% do PIB na zona Sudeste, fogo gravítico em São Paulo; Percepção actual

de Portugal - produtos e das soluções tecnológicas e de engenharia; Expectativas de

crescimento depois de dois anos “negros”; O Governo anunciou, muito

recentemente, o interesse em implementar alterações em áreas consideradas sensíveis; Maturação dos projetos relacionados com nova política industrial; Plano de

Aceleração do Crescimento (PAC) entretanto lançado; Principais sectores a explorar como oportunidade: Alimentar; Materiais de construção; Máquinas e equipamentos;

Infraestruturas; TIC’s; e Energia

Ameaças

Mercado muito competitivo, de difícil penetração e com elevadas barreiras entrada

(protecção exagerada da industria nacional); Dimensão continental, sofisticado e exigente e, como tal, obriga a uma preparação constante em termos de estratégia e abordagem; Fortes relações comerciais já existentes com as principais economias de proximidade no MERCOSUL; Mercado presencial (com custos inerentes); Forma negocial demorada, instável, exigente e dura, com uma discussão muito protecionista dos seus interesses; Ter que se ponderar a parceria local, a subcontratação ou a compra total ou parcial duma empresa brasileira para entrar no mercado; Ter em

atenção que existem inúmeras diferenças entre Portugal e o Brasil, quer a nível empresarial, quer a nível cultural; O Brasil não é um mercado, são vários

Esperamos que esta breve síntese, esteja em que grau de maturidade estiver no mercado, facilite a tomada de decisão seja ela de maior aposta/prioridade ou não. A economia do BRASIL tem um valor de importações muito interessante, com tendência para crescer (baixo comparativamente ao valor do PIB), e encerra várias oportunidades para as empresas portuguesas. Foque-se nos seus objetivos de negócio como bem o faria em qualquer outro

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lugar. Faça previamente o seu trabalho de casa, analisando o mercado (os vários estados e

as sus especificidades) e selecionando de antemão potenciais parceiros. Os resultados surgirão de uma boa estratégia de entrada.

As empresas portuguesas devem continuar a estar na primeira linha de aproveitar o crescimento económico que o BRASIL vai ter nas próximas décadas, embora necessitem de

alguma capacidade financeira para aguentar pelo menos mais 2 anos de restrições e de crescimentos não tão significativos como tivemos na última década.

Se olharmos para a crise como oportunidade, esta é uma oportunidade interessante para quem possa e tenha a capacidade para o fazer o médio/longo prazo.

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Referências

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