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tESTADO DE GOIÁS

TRIBUN;\L DE ÇONTAS DOS MUNICÍPIOS

.. MINISTERIO PUBLICO

EXCELENTlssíMA SENHORA CONSELHEIRA PRESIDENTE DO

TRIBUNAL DE CONTAS DOS MUNiCípIOS DO ESTADO DE GOIÁS

06999/13

TRIBUNAL DE CONTAS DOS M

MINI5TERIO PUBLICO JUNTO AO TCM

REPRESENTA NO SENTIDO DE REQUERER QUE O TCM EDITE ATO NORMATIVO PROPRIO, PARA ORIENTAR OS MUNICIPIOS GOIANOS A REGULAMENTAREM SEUS SISTEMAS DE CONTROLE

INTERNO.

:;::13 08:18:00 1111111I11111111111111111111111111

o Ministério Público junto ao Tribunal de Contas dos Município$ do

Estado de Goiás, no uso das atribuições que lhe são conferidas pelo art. 94, I, da

Lei Orgânica do TCM/GO (Lei Estadual n.O 15.958/07) e pelo art. 115, I, do

Regimento Interno do TCM/GO (Resolução Administrativa n. o 73/09), vem à

presença de Vossa Excelência, oferecer a presente REPRESENTAÇÃO, nos termos

dos artigos 207 e seguintes do Regimento Interno do TCM/GO, pelos fundamentos

de fato e de direito a seguir expostos:

1- DOS FATOS E FUNDAMENTOS DE MÉRITO.

A Constituição Federal, em seu artigo 31, determina que "a fiscalização do

Municipio será exercida pelo Poder Legislativo, mediante controle externo, e pelos

sistemas de controle interno do Poder Executivo, na forma da Let".

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tESTADO DE GOIÁS

TRIBUNAL DE CONTAS DOS MUNICÍPIOS

..

MINISTÉRIO PÚBLICO

A Lei de Responsabilidade Fiscal (LC nO 101/2000), por sua vez, dispõe o

seguinte em seu art. 59:

Art. 59. o Poder Legislativo, diretamente ou com o auxílio dos Tribunais de

Contas, e o sistema de controle Interno de cada Poder e do Ministério

Público, fiscalizarão o cumprimento das normas desta Lei Complementar, com ênfase no que se refere a:

I - atingimento das metas estabelecidas na lei de diretrizes orçamentárias; 11 - limites e condições para realização de operações de crédito e inscrição em Restos a Pagar;

111 - medidas adotadas para o retorno da despesa total com pessoal ao respectivo limite, nos termos dos arts. 22 e 23;

IV - providências tomadas, conforme o disposto no art. 31, para recondução dos montantes das dividas consolidada e mobiliária aos respectivos limites; V - destinação de recursos obtidos com a alienação de ativos, tendo em vista as restrições constitucionais e as desta Lei Complementar;

VI - cumprimento do limite de gastos totais dos legislativos municipais, quando houver. ( ... )

o papel do controle interno é, portanto, fazer cumprir as exigências contidas

na LRF (LC101/2000), a fim de que os atos de gestão sejam realizados com

responsabilidade e atendimento ao interesse público.

Sobre o tema, urge trazer à baila o entendimento do Tribunal de Contas do

Estado de Roraima:

( ... ) A existência do Sistema de Controle Interno é um dos pressupostos da Lei de Responsabilidade Fiscal (art. 1°, fi 1°). para assegurar a gestão

fiscal responsável. pois pela sua efetiva acão é que poderá ser feita a prevenção de riscos e a correção de desvios capazes de afetar o

equilibrlo das contas públicas. Em vista disso, a Câmara deve implementar

e aperfeiçoar os mecanismos de controle a serem praticados por toda

Administração.

Neste sentido, acompanho a sugestão da Equipe Técnica, bem como, do

Ministério Público de Contas, no sentido de recomendar à atual Gestão do

Poder Legislativo que adote medidas no sentido de criar procedimentos de

gestão e controle de despesas, de registro, guarda e proteção de património

público, nos moldes do artigo 76 da Lei nO 4.320/64 e do artigo 74 e

respectivos incisos da Constituição Federal Brasileira.(... ) - ACÓRDÃO N°

0191201o-rCERR-2B CÂMARA, PROCESSO N°. 021412005 - rCElRR ­

Não há grifo no original.

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t

.

ESTADO DE GOlAS

'

TRIBUN;\L DE ÇONTAS DOS MUNICÍPIOS

,. MINISTERIO PUBLICO

Este Órgão Ministerial, no cumprimento de seu mister, verificou que o controle

interno dos municipios de Goiás têm sido exercido por servidores comissionados ou

contratados temporariamente, o que vai de encontro à finalidade da norma

constitucional e da LRF, qual seja, a de garantir a segurança e a continuidade dos

controles ao próprio chefe do Poder Executivo.

o posicionamento dos diversos Tribunais de Contas do país é de que os

órgãos de controle interno sejam compostos por servidores efetivos que exerçam

exclusivamente as funções de controladores internos.

Veja-se o que diz o Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais:

Os membros integrantes da Unidade Central do Sistema de Controle Interno:

( ... )

Devem ser servidores titulares de cargo efetivo e estáveis, designados pelo prefeito, pelo Presidente da Câmara, ou pelo dirigente máximo do órgão ou entidade correspondente, conforme seja o caso, para exercerem exclusivamente as atividades de controlador Interno. Esta medida visa garantir a segurança, a continuidade dos controles e bom andamento dos processos ao próprio chefe do Poder, ao Legislativo e ao Tribunal de Contas, pois a rotatividade de pessoas nas funções, ainda que os procedimentos estejam disciplinados por escrito, é prejudicial e causa transtornos à eficiência das operaçôes. • Cartilha de Orientações sobre Controle Interno - Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (Junho de 2012), Disponlvel em: www.tce.mg.gov.br/img site/Cartilha Contro/e%20Interno. pdf

No mesmo sentido dispõe o Tribunal de Contas do Estado de São Paulo:

O TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO DE SÃO PAULO ressalta que, a

mando dos artigos 31,70 e 74 da Constituição Federal, bem assim do artigo 54, parágrafo único, e artigo 59, ambos da Lei de Responsabilidade Fiscal e, também, do artigo 38, parágrafo único, da Lei Orgânica desta Corte, a Prefeitura e a Câmara Municipal devem possuir seus próprios sistemas de controle interno, que atuarão de forma integrada.

Sob aquele fundamento constitucional e legal, é dever dos Municípios, por meio de normas e instruções, instituir, se inexistentes, e regulamentar a

operação do controle interno, de molde que o dirigente municipal disponha de

informações qualificadas para a tomada de decisões, além de obter mais segurança sobre a legalidade, legitimidade, eficiência e publicidade dos atos financeiros chancelados, sem que hajam razões para alegar desconhecimento.

Apenas servidores do quadro efetivo deverão compor o sistema de

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ESTADO DE GOIÁS

TRIBUNAL DE CONTAS DOS MUNICÍPIOS

MINISTÉRIO PÚBLICO

COMUNICADO SDG N° 3212012 de 2910912012. Dísponfvel em: http://www4.tce.sp.gov.brlcomunicado-sdg-n-322012

A Resolução nO 936/2012, do TCE do Rio Grande do Sul, que trata das

diretrizes a serem observadas na estruturação e funcionamento do sistema de

controle interno municipal, determina o seguinte:

Art. 5°: A UCCI (Unidade Central de Controle Interno) deverá ser composta unicamente por servidores Investidos em cargos de provimento efetivo. recrutados entre categorias profissionais distintas. cuja habilitaçao seja compatível com a natureza das respectivas atribuições. os quais terao atuaçao exclusiva na unidade.

De acordo com o entendimento firmado no Acórdão 97/08 do Tribunal Pleno

do TCE/PR, o cargo de controlador interno deve ser obrigatoriamente preenchido por

servidor efetivo, vedada a nomeação de servidores comissionados. 1 Na avaliação

do relator do processo, Conselheiro Hermas Brandão, a precariedade da nomeação

para o exercício do cargo em comissão não condiz com a estabilidade e segurança

necessárias ao exercício do controle interno.

O referido Acórdão 97/08, proferido em processo de Consulta (449824/07),

formulado pela Câmara de Vereadores de Londrina, decidiu que a natureza do cargo

em comissão, de livre nomeação e exoneração, pode comprometer a necessidade

de absoluta imparcialidade nas análises e processos decisórios.

e

Vale destacar que a nomeação de servidores comissionados para os cargos

de Controladores Internos só deve ocorrer diante da impossibilidade de nomeação

de servidor efetivo, devendo, neste caso, serem adotadas providências imediatas

para a deflagração de concurso público destinado ao provimento dos cargos em

comento.

Por fim, insta salientar que a Resolução Normativa nO 04/2001 deste TCM,

que estabelece normas e procedimentos visando a implantação dos Sistemas de

I A 28 Câmara de Julgamento do Tribunal de Contas do Estado do Paraná (TCE/PR). por unanimidade. julgou irregulares as contas de 2010 apresentadas pela Câmara de Vereadores do Município de Araucária em razão da nomeação de. servidor comissionado para exercer o cargo de controlador interno. passível de ser preenchido apenas por servidor efetivo. - Processo nO 155449/11

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ESTADO DE GOIÁS

TRIBUNAL DE CONTAS DOS MUNICÍPIOS

MINISTÉRIO PÚBLICO

Controle Interno pelos Poderes Municipais, é omissa quanto à questão dos

servidores que deverão compor os órgãos de controle.

Assim, faz-se necessário que esta Corte de Contas edite uma norma no

sentido de orientar os Municípios de Goiás a regulamentarem seus Sistemas de

Controle Interno, de modo que estes sejam compostos por servidores efetivos,

conforme já exposto alhures.

11 - DOS FUNDAMENTOS PROCESSUAIS.

a) Competência do TCM/GO.

A Lei Orgânica do TCM/GO dispõe que compete a esta Corte de Contas

"exercer a fiscalização contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial

das prefeituras e câmaras municipais demais entidades instituldas e mantidas pelo

Poder Público Municipaf' (Art. 1°, inciso 11, da Lei Estadual n.o 15.958/07).

Além disso, o referido diploma legal, ao tratar sobre a possibilidade desta

Corte realizar fiscalização por sua própria iniciativa, estabelece o seguinte:

Art. 19. o Tribunal exercerá a fiscalização contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial das unidades dos Poderes Municipais e das entidades da administração indireta, inclusive das fundações e sociedades instituídas e mantidas pelo Poder Público Municipal, na forma estabelecida no Regimento Interno, para verificar a legalidade, a legitimidade e a economicidade de atos, contratos, convênios, termos de parceria e outros ajustes, das aplicações das subvenções e renúncias de receitas, com vistas a assegurar a eficácia do controle que lhe compete e a instruir o julgamento de contas de gestão.

b) Legitimidade do Ministério Público junto ao TCM/GO.

O artigo 94, inciso I, da Lei Orgânica do TCM/GO (Lei Estadual n.o 15.958/07)

dispõe sobre a atribuição dos Procuradores de Contas para promoverem a defesa

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-...,lIO".---

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ESTADO DE GOIÁS

TRIBUNAL DE CONTAS DOS MUNICÍPIOS

MINISTÉRIO PÚBLICO

da ordem juridica, requerendo perante o Tribunal de Contas dos Municipios, as

medidas de interesse da Justiça, da Administração e do Erário.

Já o artigo 208, inciso 11, do Regimento Interno do TCM/GO, ao tratar

especificamente sobre os legitimados para representarem perante o TCM/GO,

estabelece que:

"Art. 208. Têm legitimidade para representar ao Tribunal de Contas dos Municipios:

( ... )

11- Membros do Ministério Público de Contas junto a este Tribunal;"

( ... )

111 - DOS REQUERIMENTOS.

Ante o exposto, a Procuradoria de Contas requer que esta Corte de Contas

edite ato normativo próprio, no sentido de orientar os Municipios goianos a

regulamentarem seus Sistemas de Controle Interno, de modo que estes sejam

compostos por servidores efetivos, com a finalidade de se evitar a perniciosa

alternância de pessoas nestas funções.

Termos em que

Pede deferimento.

Goiânia, 6 e março de 2013.

REGIS

Procurador-Geral de Contas

Victor Luiz 6

Referências

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