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Curso/Disciplina: Direito Constitucional
Aula: Separação dos Poderes: CPI e Prerrogativas dos Parlamentares.
Professor (a): Marcelo Tavares
Monitor (a): Lívia Cardoso Leite
Aula 26
SEPARAÇÃO DOS PODERES - Poder Legislativo
CPI: comissão temporária com trabalho diferenciado.
CF, art. 58 - O Congresso Nacional e suas Casas terão comissões permanentes e temporárias, constituídas na forma e com as atribuições previstas no respectivo regimento ou no ato de que resultar sua criação.
§1º Na constituição das Mesas e de cada Comissão, é assegurada, tanto quanto possível, a representação proporcional dos partidos ou dos blocos parlamentares que participam da respectiva Casa.
§2º Às comissões, em razão da matéria de sua competência, cabe:
I - discutir e votar projeto de lei que dispensar, na forma do regimento, a competência do Plenário, salvo se houver recurso de um décimo dos membros da Casa;
II - realizar audiências públicas com entidades da sociedade civil;
III - convocar Ministros de Estado para prestar informações sobre assuntos inerentes a suas atribuições; IV - receber petições, reclamações, representações ou queixas de qualquer pessoa contra atos ou omissões das autoridades ou entidades públicas;
V - solicitar depoimento de qualquer autoridade ou cidadão;
VI - apreciar programas de obras, planos nacionais, regionais e setoriais de desenvolvimento e sobre eles emitir parecer.
§3º As comissões parlamentares de inquérito, que terão poderes de investigação próprios das autoridades judiciais, além de outros previstos nos regimentos das respectivas Casas, serão criadas pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal, em conjunto ou separadamente, mediante requerimento de um terço de seus membros, para a apuração de fato determinado e por prazo certo, sendo suas conclusões, se for o caso, encaminhadas ao Ministério Público, para que promova a responsabilidade civil ou criminal dos infratores.
§4º Durante o recesso, haverá uma Comissão representativa do Congresso Nacional, eleita por suas Casas na última sessão ordinária do período legislativo, com atribuições definidas no regimento comum, cuja composição reproduzirá, quanto possível, a proporcionalidade da representação partidária.
A CPI pode ser integrada por Deputados e funcionar na CD; pode ser integrada por Senadores e funcionar no SF. Também pode haver a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito, que é formada por Deputados e Senadores. Esta funciona de acordo com o Regimento do CN.
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A CPI funciona por prazo certo. Este pode ser renovado, desde que não ultrapasse 1 legislatura. Deve ter por objeto uma investigação, um inquérito feito por parlamentares sobre um assunto certo, determinado e de interesse público, não servindo para fazer investigação de fatos de interesse privado. A CPI tem todos os poderes de investigação judiciais, ou seja, um poder maior do que o da polícia. Passa a funcionar pelo requerimento de 1/3 dos membros da Casa.
Obs: a CPI tem poderes de instrução como um juiz, exceto o previsto no art. 5º, XII, da CF. CF, art. 5º - Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:
XII - é inviolável o sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas, de dados e das comunicações telefônicas, salvo, no último caso, por ordem judicial, nas hipóteses e na forma que a lei estabelecer para fins de investigação criminal ou instrução processual penal;
CPI não pode instruir o procedimento com o objeto de escuta telefônica, de interceptação telefônica ou ambiental. Os únicos poderes de instrução que a CPI não tem são os poderes de interceptação telefônica e ambiental. Esses casos dependem de ordem de juiz e só servem à instrução de inquérito policial e de ação penal. A CF dá competência exclusivamente ao Poder Judiciário, afastando a da CPI.
A CPI pode requisitar documentos, mesmo os sigilosos. Ela pode decretar quebra de sigilo bancário sem ordem de juiz; quebra de sigilo de dados telefônicos, ou seja, da conta telefônica, para ter acesso ao seu extrato, sabendo quem ligou para quem e por quais nºs; quebra do sigilo fiscal; pode realizar inspeções; pode realizar audiências; pode determinar a realização de perícias etc.
A CPI não tem poder cautelar sobre o patrimônio ou a liberdade das pessoas, não podendo decretar prisão temporária. Nesse caso, tem de oficiar ao juízo competente para que o faça. Também não pode decretar prisão preventiva, determinar busca e apreensão em domicílios de particulares ou decretar sequestro ou arresto de bens. Nenhuma medida cautelar constritiva do patrimônio ou da liberdade pode ser determinada pela CPI. Esta não pode decretar prisão domiciliar ou uso de tornozeleira eletrônica.
A CPI não pode investigar fatos pessoais, como o motivo de uma separação, de um divórcio. Ela pode examinar entidades privadas. Ex: CPI da CBF. Porém, a CBF tem pontos de contato com o interesse público, pois eventualmente pode receber isenções e ajuda do Poder Público.
A CPI tem o ônus de respeitar determinados limites de atuação. Da mesma forma que um juiz tem de garantir o devido processo legal, ela também tem. O mesmo ocorre com o direito constitucional a não autoincriminação. Quando ela interroga um investigado, tem de garantir a ele o direito de permanecer calado. O fato de um investigado ser perguntado sobre algo que contraria seu interesse em permanecer calado não pode autorizar que a CPI decrete sua prisão em flagrante.
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Obs: qualquer cidadão pode prender em flagrante. Logo, a CPI também pode. A CF garante ao investigado o direito ao silêncio.
CPI não pode atuar de forma desviada. Ex: convidar ou convocar uma pessoa a prestar depoimento na qualidade de testemunha, tomando seu compromisso de dizer a verdade, e fazer uma pergunta pessoal. Formalmente a pessoa foi convocada como testemunha. Mas ao se fazer uma pergunta pessoal, ela está sendo tratada como interrogada. Assim, tem de ter as prerrogativas que um interrogado tem, dentre elas a de ficar em silêncio, calado.
A CPI é um instrumento de investigação democrático. É muito poderoso, pois pode ser manuseado por minorias na investigação de atos do governo, da maioria. Ela exerce um papel importante na Democracia, dentro dos direitos da minoria no jogo democrático. A maioria não pode frustrar o funcionamento da CPI não indicando seus representantes. Como qualquer Comissão, a CPI também tem uma representação proporcional à importância dos partidos. Os partidos da maioria, que possuem direito a maior quantidade, têm assentos privilegiados nas CPIs. Havendo requerimento de 1/3 dos membros da Casa, os partidos majoritários não podem frustrar a instalação de uma CPI por não indicarem seus representantes. Isso ocorreu e foi objeto de exame do STF através de MS. Os partidos da maioria se negaram a apresentar seus representantes à CPI, obstando o funcionamento desta. Os partidos de oposição provocaram o Presidente do SF a forçar os partidos da maioria a apresentarem seus representantes. O Presidente do SF disse que não tinha o que fazer. Os partidos de oposição foram ao STF. Este disse que havendo requerimento de 1/3 dos parlamentares, há direito ao funcionamento da CPI. O Presidente do SF foi notificado para dar mais uma oportunidade aos partidos políticos de apresentarem seus representantes. Se eles não o fizessem, caberia ao Presidente do SF escolhê-los. Isso não foi preciso, pois os partidos apresentaram seus representantes.
A CPI é um instrumento poderoso de manifestação democrática através do qual a minoria pode investigar os atos praticados pela maioria, pelo governo.
CF, art. 53 - Os Deputados e Senadores são invioláveis, civil e penalmente, por quaisquer de suas opiniões, palavras e votos.
§1º Os Deputados e Senadores, desde a expedição do diploma, serão submetidos a julgamento perante o Supremo Tribunal Federal.
§2º Desde a expedição do diploma, os membros do Congresso Nacional não poderão ser presos, salvo em flagrante de crime inafiançável. Nesse caso, os autos serão remetidos dentro de vinte e quatro horas à Casa respectiva, para que, pelo voto da maioria de seus membros, resolva sobre a prisão.
§3º Recebida a denúncia contra o Senador ou Deputado, por crime ocorrido após a diplomação, o Supremo Tribunal Federal dará ciência à Casa respectiva, que, por iniciativa de partido político nela representado e pelo voto da maioria de seus membros, poderá, até a decisão final, sustar o andamento da ação.
§4º O pedido de sustação será apreciado pela Casa respectiva no prazo improrrogável de quarenta e cinco dias do seu recebimento pela Mesa Diretora.
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§6º Os Deputados e Senadores não serão obrigados a testemunhar sobre informações recebidas ou prestadas em razão do exercício do mandato, nem sobre as pessoas que lhes confiaram ou deles receberam informações.
§7º A incorporação às Forças Armadas de Deputados e Senadores, embora militares e ainda que em tempo de guerra, dependerá de prévia licença da Casa respectiva.
§8º As imunidades de Deputados ou Senadores subsistirão durante o estado de sítio, só podendo ser suspensas mediante o voto de dois terços dos membros da Casa respectiva, nos casos de atos praticados fora do recinto do Congresso Nacional, que sejam incompatíveis com a execução da medida.
CF, art. 54 - Os Deputados e Senadores não poderão: I - desde a expedição do diploma:
a) firmar ou manter contrato com pessoa jurídica de direito público, autarquia, empresa pública, sociedade de economia mista ou empresa concessionária de serviço público, salvo quando o contrato obedecer a cláusulas uniformes;
b) aceitar ou exercer cargo, função ou emprego remunerado, inclusive os de que sejam demissíveis "ad nutum", nas entidades constantes da alínea anterior;
II - desde a posse:
a) ser proprietários, controladores ou diretores de empresa que goze de favor decorrente de contrato com pessoa jurídica de direito público, ou nela exercer função remunerada;
b) ocupar cargo ou função de que sejam demissíveis "ad nutum", nas entidades referidas no inciso I, "a";
c) patrocinar causa em que seja interessada qualquer das entidades a que se refere o inciso I, "a"; d) ser titulares de mais de um cargo ou mandato público eletivo.
CF, art. 55 - Perderá o mandato o Deputado ou Senador:
I - que infringir qualquer das proibições estabelecidas no artigo anterior; II - cujo procedimento for declarado incompatível com o decoro parlamentar;
III - que deixar de comparecer, em cada sessão legislativa, à terça parte das sessões ordinárias da Casa a que pertencer, salvo licença ou missão por esta autorizada;
IV - que perder ou tiver suspensos os direitos políticos;
V - quando o decretar a Justiça Eleitoral, nos casos previstos nesta Constituição; VI - que sofrer condenação criminal em sentença transitada em julgado.
§1º - É incompatível com o decoro parlamentar, além dos casos definidos no regimento interno, o abuso das prerrogativas asseguradas a membro do Congresso Nacional ou a percepção de vantagens indevidas.
§2º Nos casos dos incisos I, II e VI, a perda do mandato será decidida pela Câmara dos Deputados ou pelo Senado Federal, por maioria absoluta, mediante provocação da respectiva Mesa ou de partido político representado no Congresso Nacional, assegurada ampla defesa.
§3º - Nos casos previstos nos incisos III a V, a perda será declarada pela Mesa da Casa respectiva, de ofício ou mediante provocação de qualquer de seus membros, ou de partido político representado no Congresso Nacional, assegurada ampla defesa.
§4º A renúncia de parlamentar submetido a processo que vise ou possa levar à perda do mandato, nos termos deste artigo, terá seus efeitos suspensos até as deliberações finais de que tratam os §§2º e 3º.
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Prerrogativas parlamentares: as que serão indicadas valem para Deputados Federais, Senadores e Deputados Estaduais e do DF, por força do art. 27 da CF.
CF, art. 27 - O número de Deputados à Assembleia Legislativa corresponderá ao triplo da representação do Estado na Câmara dos Deputados e, atingido o número de trinta e seis, será acrescido de tantos quantos forem os Deputados Federais acima de doze.
§1º Será de quatro anos o mandato dos Deputados Estaduais, aplicando-se-lhes as regras desta Constituição sobre sistema eleitoral, inviolabilidade, imunidades, remuneração, perda de mandato, licença, impedimentos e incorporação às Forças Armadas.
§2º O subsídio dos Deputados Estaduais será fixado por lei de iniciativa da Assembleia Legislativa, na razão de, no máximo, setenta e cinco por cento daquele estabelecido, em espécie, para os Deputados Federais, observado o que dispõem os arts. 39, §4º, 57, §7º, 150, II, 153, III, e 153, §2º, I.
§3º Compete às Assembleias Legislativas dispor sobre seu regimento interno, polícia e serviços administrativos de sua secretaria, e prover os respectivos cargos.
§4º A lei disporá sobre a iniciativa popular no processo legislativo estadual.
- Foro por prerrogativa de função: se houver cometimento de crime, anteriormente ou posteriormente à diplomação, os parlamentares federais, Deputados Federais e Senadores, são julgados pelo STF. Através de ato regimental o STF dá competência às Turmas para o julgamento dos parlamentares e dos Ministros de Estado.
São julgados pelo Plenário o Presidente e o Vice-Presidente da República, os Presidentes da CD e do SF, os Ministros do STF e o PGR.
Os Deputados Estaduais não têm foro por prerrogativa de função no STF.
- Imunidade de incorporação às Forças Armadas: os parlamentares só podem ser incorporados às Forças Armadas se houver autorização pelo voto da maioria absoluta da Casa, mesmo em época de guerra. A imunidade não é absoluta, mas relativa.
- Imunidade do dever de testemunhar sobre fatos de que tenham tomado conhecimento pelo exercício do mandato: o parlamentar não pode ser convocado a depor compromissado com a verdade para a entrega da fonte. Ele tem de proteger suas fontes. Isso é feito para o fortalecimento da Democracia e para que o próprio parlamentar possa exercer com desenvoltura as suas atribuições. Essa prerrogativa tem de efetivamente ser protegida, mesmo depois do mandato, diferentemente do que ocorre com o foro por prerrogativa de função. Terminado o mandato o parlamentar perde o foro e passa a ser julgado pelo juiz natural. Já a imunidade em questão não protege diretamente o parlamentar, mas a fonte. O fato de o parlamentar não exercer mais o mandato não é relevante para a manutenção da prerrogativa.
- Imunidade formal quanto à prisão: os parlamentares não podem ser presos, a não ser em flagrante delito de crime inafiançável. Nesse caso, a manutenção do flagrante é deliberada pela Casa, que é convocada para o exame em 24 horas. O prazo de manifestação é de 5 dias. A autoridade policial tem de comunicar a Casa no prazo de 24 horas. Caso contrário, tem de haver relaxamento da prisão por falta de cumprimento de requisito formal.
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Recebido o ofício da autoridade policial, cabe ao Presidente da Casa convocá-la para a apreciação da prisão em flagrante.
Obs: apesar de o STF ter determinado a prisão do Senador Delcídio do Amaral, recentemente o Plenário da Corte, por 6 X 5, decidiu que a Casa Legislativa pode apreciar uma determinação de afastamento do parlamentar, que é uma medida cautelar não prisional.
No caso Delcídio do Amaral o STF entendeu que havia estado de flagrância, determinando a prisão. O Senado apreciou o caso e manteve a prisão.
Recentemente no caso do Senador Aécio Neves, o STF aplicou medida restritiva de liberdade, e não prisão. Foi aplicado o afastamento das atividades da Casa como medida constritiva de liberdade. Houve um debate no STF sobre se, não sendo caso de prisão, o Senado tinha atribuição para examinar o ato. Pelo voto de 6 X 5, o STF entendeu que o Senado tinha essa atribuição. Examinado o ato, o Senador não foi afastado, podendo continuar o exercício de suas atribuições, em que pese o STF ter aplicado a ele medida constritiva diferente da prisão.
Preso em flagrante um parlamentar, sem sombra de dúvidas a CF determina que cabe à Casa deliberar sobre a manutenção da prisão. A CF não determina diretamente a manifestação da Casa quando é aplicada medida que não seja de prisão. O STF entendeu, pelo voto de 6 X 5, que sendo a medida constritiva de liberdade, deve ser observado o mesmo procedimento do caso de prisão. O STF entendeu, então, que a Casa tem atribuição para determinar a efetividade ou não da decisão judicial. No caso do Senador Aécio Neves, o SF impediu os efeitos da decisão do STF.
- Prerrogativa de suspensão de ação penal: o crime tem de ter ocorrido após a diplomação. Se ocorreu antes e o parlamentar foi diplomado e tomou posse, a competência para julgamento passa a ser do STF devido ao foro por prerrogativa de função.
Quando o crime ocorre após a diplomação, o STF recebe a denúncia, continua o processamento e comunica a Casa, local em que há a leitura do ofício do STF. Um partido político com assento na Casa pode requerer a suspensão da ação penal, pedido que tem de ter a aprovação da maioria absoluta. Logo, não é algo simples de ser obtido. Depois que o art. 53 da CF passou a ter essa previsão, não houve registro de nenhum caso em que uma das Casas tenha suspendido ação penal no STF.
Se a Casa não enviar determinação de suspensão ao STF, o processamento continua. O STF não para o procedimento em momento algum. Se não houver resposta da Casa, não há previsão para a suspensão da prescrição da pretensão punitiva. Se a Casa determinar a suspensão da ação penal, fica suspensa a prescrição da pretensão punitiva. O STF recebe a denúncia, oficia e continua a processar, a instruir o processo. Recebido o ofício do STF na Casa, seu Presidente faz a leitura. Um partido político, que não precisa ser o do parlamentar, até porque ele pode estar sem partido, pode requerer a suspensão da ação penal. O pedido será votado. Se forem obtidos os votos da maioria absoluta, fica suspensa a ação penal no STF. Ficando suspensa a ação penal, fica suspensa também a prescrição da pretensão punitiva.
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- Imunidade material ou Inviolabilidade: se refere ao uso da palavra, do voto e da opinião. Os parlamentares não podem ser responsabilizados civil ou criminalmente. Isso não impede a apreciação ética da conduta pela Comissão de Ética da Casa e a responsabilidade da União, com base no art. 37, §6º da CF.
CF, art. 37, §6º - As pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado prestadoras de serviços públicos responderão pelos danos que seus agentes, nessa qualidade, causarem a terceiros, assegurado o direito de regresso contra o responsável nos casos de dolo ou culpa.
O ofendido pode propor uma ação de indenização por danos morais em face da União.
A Comissão de Ética pode apreciar a conduta do parlamentar para verificar se ele faltou com decoro.
O STF dá uma interpretação constante a essa cláusula. Esta protege o parlamentar no exercício de suas atribuições. Se ele não estiver nesse exercício, não pode invocar a cláusula de inviolabilidade, pois isso seria um ato antirrepublicano. A República preserva as prerrogativas mas não aceita privilégios. Não cabe imunidade, inviolabilidade, para matéria que não tem nada a ver com o exercício da função parlamentar. Ex: parlamentar ofende a honra de alguém em uma batida de carro. Se ele for acionado em um pedido de indenização por danos morais, não pode invocar imunidade. Há o mesmo resultado se isso ocorrer em uma reunião de condomínio em seu prédio residencial.
Há uma tendência do STF de afirmar que há uma presunção de relação do uso da palavra com a atividade parlamentar quando as palavras forem proferidas no ambiente da Casa Legislativa. Não há essa presunção quando as palavras forem proferidas fora do ambiente parlamentar. Nesse caso tem de haver demonstração de que há relação entre o uso da palavra e o exercício da função parlamentar.
Há um caso notório em que o STF entendeu que havia proteção. Ocorreu com o Senador Romário durante a CPI da CBF. Dando uma entrevista, ele proferiu palavras que, em tese, ofenderiam a honra do Presidente da CBF, Ricardo Teixeira. Este acionou o Senador judicialmente. Romário invocou a imunidade parlamentar material, a inviolabilidade, o que foi acolhido pelo STF. O STF entendeu que a entrevista foi dada por um representante da CPI, nesse assunto específico. Logo, ele estava efetivamente no exercício de sua função parlamentar, não podendo ser atingido por usar da palavra.
Caso em que o STF não acolheu a tese ocorreu com o Senador Requião. Como candidato ao governo do Paraná ele teria, em tese, proferido palavras ofensivas a outro candidato em um programa de rádio. Acionado, o Senador invocou a imunidade parlamentar. O STF afirmou que ele não estava no exercício da função parlamentar, mas como candidato, dando entrevista a uma rádio, participando de um debate. Nesse caso, tem de haver igualdade de armas. O Senador não poderia ir a um debate para convencer as pessoas a votarem nele para Governador e ter uma prerrogativa que desequilibraria a relação com outros candidatos. Proferida a palavra fora do ambiente da Casa, nesse caso não houve pertinência temática, relação entre o conteúdo da palavra que foi produzida e o exercício da função parlamentar.
Outro caso interessante ocorreu com o Deputado Jair Bolsonaro, que deu uma entrevista dentro do ambiente da Casa, mas destinada ao público externo. O STF não aplicou sua jurisprudência tradicional de presunção de relação do uso da palavra com a imunidade, com o exercício da atividade
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parlamentar. O tratamento foi o de quando o parlamentar utiliza a palavra fora do ambiente da Casa, sem presunção.
CF, art. 54 – Impedimentos dos parlamentares. São divididos em 2 grupos: alguns começam a valer a partir da diplomação e outros a partir da posse. São as proibições.
CF, art. 55 – Hipóteses de perda de cargo, de perda de mandato. Os incisos podem ser divididos em 2 grandes grupos:
- Ato declaratório da perda do mandato pelo Presidente da Casa – incisos III, IV e V. Não há julgamento político do parlamentar pelos pares. O Presidente da Casa notifica o parlamentar para que se pronuncie e declara a perda do cargo;
- Julgamento do parlamentar pelos pares com perda do mandato dependente do voto da maioria absoluta – incisos I, II e VI. Há realmente um processo político. O parlamentar tem direito à ampla defesa, podendo ouvir testemunhas.
CF, art. 55, §2º - A votação é aberta.
CF, art. 55, §3º - A ampla defesa decorre de mera notificação. Não há processo.
Condenação criminal de parlamentar, transitada em julgado: tem como efeito secundário a suspensão dos direitos políticos. No caso da ação penal do Mensalão, o STF determinou a suspensão dos direitos políticos e o afastamento de parlamentares. Depois houve o caso Donadon, em que o STF entendeu que apesar de ter havido condenação criminal, caberia aos pares o julgamento do parlamentar, o que ocorreu. Há uma tendência ainda não firmada do STF no sentido de que no caso da decisão criminal, o parlamentar deve ter uma apreciação ampla e um julgamento político pelos seus pares.
CF, art. 56 - Não perderá o mandato o Deputado ou Senador:
I - investido no cargo de Ministro de Estado, Governador de Território, Secretário de Estado, do Distrito Federal, de Território, de Prefeitura de Capital ou chefe de missão diplomática temporária;
II - licenciado pela respectiva Casa por motivo de doença, ou para tratar, sem remuneração, de interesse particular, desde que, neste caso, o afastamento não ultrapasse cento e vinte dias por sessão legislativa.
§1º O suplente será convocado nos casos de vaga, de investidura em funções previstas neste artigo ou de licença superior a cento e vinte dias.
§2º Ocorrendo vaga e não havendo suplente, far-se-á eleição para preenchê-la se faltarem mais de quinze meses para o término do mandato.
§3º Na hipótese do inciso I, o Deputado ou Senador poderá optar pela remuneração do mandato.
Para o professor, a previsão do inciso I do art. acima é incompatível com o sistema de governo presidencialista. Nesse sistema deve haver uma maior separação entre o exercício de cargos do Poder Executivo e do Poder Legislativo. Permitir que o parlamentar se afaste, mantendo seu mandato, para que seja Ministro, cria uma confusão. Isso é típico de sistemas parlamentaristas.
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Suplente que não assume mandato tem prerrogativas parlamentares? Ele foi diplomado como suplente.
O STF entende que não. Quando ele assume, passa a exercer o mandato, tem direito às prerrogativas. Enquanto o suplente não está no exercício da atividade, não tem prerrogativas.
Caso José Dirceu: quando acontecerem os fatos relacionados ao Mensalão, José Dirceu era Deputado Federal afastado para o exercício do cargo de Chefe da Casa Civil da Presidência da República, que é equiparado ao cargo de Ministro. Quando ele foi exonerado e reassumiu o mandato, foi aberto um procedimento pela Comissão de Ética. Este foi levado ao Plenário, resultando na cassação de seu mandato. O parlamentar impetrou um MS no STF argumentando que como os fatos ocorreram na época em que ele era Chefe da Casa Civil e estava afastado do mandato parlamentar, não poderia ser julgado por quebra de decoro parlamentar por tais fatos, pois na época não estava no exercício concreto do mandato. O STF rejeitou essa argumentação sustentando que o parlamentar que se afasta para exercer cargo admitido pelo inciso I do art. 56 da CF tem de manter o decoro parlamentar, pois continua sendo parlamentar. Um dos argumentos utilizados pelo STF abrange o §3º do art. 56 da CF. Se o parlamentar pode optar pela remuneração ao se afastar, é porque parlamentar ele continua sendo. Assim, tem de manter o decoro parlamentar. Portanto, a Câmara dos Deputados tinha atribuição para examinar eventual quebra de decoro parlamentar.