SERVIÇOS DE AGENCIAMENTO DE
TRANSPORTES DE CARGAS INTERNACIONAIS:
ESTUDO DE CASO EM UM AGENTE DE CARGAS
INTERNACIONAIS NO CEARÁ
Luiz Carlos Policarpo da Silva (FANOR) [email protected]O crescimento no comércio internacional no Brasil supera expectativas e faz com quem o setor cresça diariamente e surgindo a necessidade de novos analistas e operadores do Comércio Exterior. As negociações internacionais entre importadores e exportadores dependem gradativamente de operadores logísticos de transporte internacional e de operações portuárias. Essa dependência faz com que o mercado de agenciamento de cargas internacionais amplie o seu quadro de atendimento e ao mesmo tempo o seu networking, nas principais cidades e principais terminais portuários e aeroportuários. O estudo de caso consiste no desenvolvimento de indicadores e sua interdependência para análise do desempenho organizacional e planejamento para o aumento da produtividade nos serviços de agenciamento de embarques internacionais aéreos e marítimos de importação em uma companhia de agenciamento de cargas com a matriz localizada em Fortaleza - Ceará e que atua nos portos e aeroportos de várias regiões do mundo. A partir da análise do estudo de caso, verifica-se que existem diversas diretrizes de quantificação para desenvolver alguns indicadores e, portanto, a possibilidade de alcançar o desejável aumento na produtividade estabelecendo metas com a análise da correlação dos dados verificados.
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1. INTRODUÇÃO
O comércio exterior tem expandido no Brasilcom os métodos de compra e venda de produtos e serviços entre empresas e governos de diferentes países. Os acordos econômicos e políticos internacionais caracterizam e possibilitam melhores condições de negociações entre os mercados consumidores (importadores) e empresas fornecedoras (fabricantes/exportadores). As tendências do mercado internacional identifica as necessidades dos exportadores/fornecedores com as oportunidades de compra ou venda, elabora estratégias de negócios e marketing e define os procedimentos logísticos como frete, armazenagem e liberação em alfândegas dos produtos importados ou exportados. O comércio exterior inclui empresas importadoras e operadores logísticos, empresas privadas dos mais diversos setores que auxiliam nos processos de importação e exportação, instituições financeiras, agências governamentais de desenvolvimento econômico, órgãos federais e empresas de câmbio e de seguro. O agenciamento de cargas internacionais é um serviço realizado pelo operador logístico de transportes internacionais e prioriza a otimização dos custos, cumprimento dos prazos programados e a prevenção de problemas na logística internacional. Os serviços de agenciamento de cargas internacionais fornecem melhor otimização dos custos, cumprimento dos prazos programados e a prevenção de problemas na área de logística internacional. O transporte de cargas de projetos de grande porte e o planejamento logístico surgem a partir da logística integrada que envolve diversos processos como a exportação, importação, armazenagem e a assessoria em comércio exterior no controle aduaneiro dos processos. No estudo de caso, será analisada uma companhia de agenciamento de transportes de cargas internacionais habilitada a orientar e buscar soluções para os críticos processos de logística de mercadorias de qualquer origem para qualquer destino no mundo com embarques internacionais marítimos e aéreos. Será realizado o desenvolvimento de indicadores com interdependência entre si a partir da análise dos dados coletados dos serviços e processos para a melhor visualização da perspectiva dos processos internos na organização. O objetivo principal do estudo é verificar a interdependência entre alguns indicadores que possam permitir a análise e o desenvolvimento organizacional para tomada de decisões dos operadores logísticos
2. METODOLOGIA
2.1 Medição de Desempenho Organizacional
Verificou-se que a companhia possuía um sistema de informação que realiza a operação e controle interno dos processos gerados pelo departamento do pricing (comercial) após a venda dos serviços de agenciamento de cargas até a confirmação de chegada das cargas nos portos ou aeroportos de destino final que são enviadas aos clientes após o desembarque nos respectivos meios de transporte. Esse sistema é denominado de Netship e possibilita a informatização em base de dados através da sistematização dos processos, que proporciona a melhor performance na coleta dos dados para a verificação do desempenho organizacional. Os clientes têm acesso às informações de situação dos embarques através do sistema ou notificações da companhia por correio eletrônico, proporcionando, ao cliente, o acompanhamento dos prazos de lead-times dos serviços da companhia.
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compreensão do seu estudo, mas de acordo com Cunha (1968) o método estatístico atual, bem como a estatística, devem o seu desenvolvimento a Quetelet, que abriu o cálculo de probabilidades aplicado à estatística para os campos de investigações demográficas, econômicas e sociais, e aos estudos de Gauss, Pearson entre outros. A estatística descritiva “compreende o manejo dos dados para resumi-los ou descrevê-los, sem ir além, isto é, sem procurar inferir qualquer coisa que ultrapasse os próprios dados”. A estatística descritiva estará presente sempre que a coleta, o processamento, a interpretação e a apresentação de dados numéricos se fizerem necessárias (FREUND & SIMON, 2000). Para atingir o objetivo principal do estudo de caso, será necessária a aplicação da estatística descritiva bem como a aplicação do coeficiente linear de Pearson para a verificação do correlação linear entre os indicadores desenvolvidos no estudo.
3. REFERENCIAL TEÓRICO 3.1 Produtividade
Definimos a produtividade como o conceito que relaciona o desenvolvimento da produção e os recursos utilizados para a produção. Considera-se que produtividade seja a eficiência em se transformar entradas em saídas num processo produtivo (SOUZA, 1998). Tradicionalmente, a produtividade vem sendo percebida mais como uma medida de eficiência do processo de produção em relação ao processo produtivo de uma empresa. É ainda comum a visão de que o processo produtivo de uma empresa se restringe ao seu processo de produção (MACEDO, 2012). A questão da evolução da produtividade vem ganhando cada vez mais espaço no debate econômico em razão da necessidade de os países assegurarem sua competitividade dentro de um cenário globalizado. Países que desejam garantir seu espaço no cenário internacional e assegurar seu crescimento econômico devem estar atentos aos seus ganhos de produtividade (JÚNIOR & FERREIRA, 1999). Nas organizações não ocorre diferente, ou seja, se as companhias de setor privado desejarem afiançar o seu crescimento econômico devem estar aplicadas diretamente ao seu desempenho da produtividade. Para que a organização tenha um aumento desejável na produtividade, deve ser realizado um controle do desempenho organizacional através de indicadores e a análise do dados quantificados periodicamente. Ganga et al. (2003) afirmam que a produtividade é outra medida de desempenho organizacional. É uma relação (taxa ou índice) entre o resultado (serviços ou produtos) utilizados pelo sistema para gerar esse resultado. Dentre as medidas de desempenho de produtividade logística, destacam-se: unidades expedidas por funcionários, unidades por dólar de mão de obra, pedidos por representantes de vendas, comparação com padrões históricos, programas de metas, índice de produtividade, entre outros. Com base nesse conceito de produtividade, os aspectos mais relevantes para o desempenho empresarial tornam-se centrados no processo de produção e, portanto, a eficiência do processo produtivo passa a ser determinada e medida fundamentalmente pelos seus aspectos operacionais (MACEDO, 2012).
4. ESTUDO DE CASO
O estudo de caso foi realizado na CTI Cargo, uma agência de cargas internacionais com sua matriz localizada em Fortaleza – Ceará, com filiais em diversas regiões do Brasil e com um networking que possibilita o seu atendimento nos principais portos e aeroportos em todo o mundo.
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4.1 Definindo os indicadores
Os indicadores devem possuir características do que deve ser medido e de um padrão de referência de comparação. Para que fosse possível realizar a correlação linear teve-se de obter os indicadores de produtividade através dos dados coletados no banco de dados do operador logístico, CTI Cargo. Os dados coletados com o agente de cargas forneceram os seguintes indicadores:
• Data de Embarque;
• Número da Consolidação (Processo do Agente de Cargas; • Local de origem;
• Local de destino;
• Número de Contêineres 20”; • Número de Contêineres 40”;
• Número de embarques (Bookings) realizados/fechados por mês;
4.1 Calculando o Indicador de Produtividade
Após a coleta e análise dos dados dos processos da companhia em estudo de caso, o indicador desenvolvido para medir a produtividade nos serviços de agenciamento de transportes de cargas internacionais foi denominado de Índice de crescimento de produtividade, porém antes de falar da utilização do indicador no estudo de caso, é importante entender que a produtividade nada mais é que a relação entre produção e os fatores de produção utilizados, ou seja, podemos afirmar que é produzir cada vez mais e melhor com os mesmos recursos ou até mesmo cada vez menos. Algumas estratégias para aumentar a produtividade em uma organização é a maior utilização dos recursos com maior taxa de saída, redução dos recursos com a mesma taxa de saída e aumento das saídas com a mesma quantidade de recursos, ou seja, se a empresa introduz qualidade no seu processo, logo, haverá aumento de produtividade agregando valor ao seu produto ou serviço, a medição de produtividade está relacionada a qual tipo de serviço que a organização exerce e devemos ressaltar que existem diversas variáveis que afetam a produtividade, alguns exemplos seriam as habilidades e motivação do trabalhador, defeitos e retrabalho, ambiente físico do trabalho entre outras. No estudo de caso, a medição do indicador de produtividade de nível intermediário foi calculada através da seguinte forma:
onde,
PTS = Produtividade Total dos serviços;
output = Número de embarques (Bookings) realizados/fechados por mês
Podemos visualizar a aplicação da fórmula para o cálculo do Índice de crescimento da produtividade no estudo de caso de acordo com a tabela 1. É possível também a identificação do número adequado de analistas (operadores) necessários para os serviços de agenciamento das cargas através da visualização do teste de hipóteses no painel de controle, com a finalidade de redução de custos fixos na organização.
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Período Número de Analistas
(Operadores) Resultado PTS Janeiro 6 75 12,50 Fevereiro 6 59 9,83 Março 6 62 10,33 Abril 6 65 10,83 Maio 6 75 12,50 Junho 6 72 12,00 Julho 6 70 11,67 Agosto 6 65 10,83
Fonte: Adaptado de CTI Cargo, 2014
É interessante ressaltar que o indicador não diz o que fazer para melhorar, ele apenas oferece relações numéricas que refletem a situação atual do que se está sendo medido, onde, a partir dessas informações poderá ser tomada uma decisão. Através do indicador de produtividade obtemos um índice do determinado momento onde fazemos comparações ou descobrimos se foi possível alcançar o índice desejado, neste caso a meta. Essa medição serve para que possamos monitorar e controlar o desempenho dos três níveis no desenvolvimento da organização, são eles o organizacional, o de processos e do trabalho ou execução dos serviços.
Os indicadores de produtividade permitem uma avaliação precisa do esforço empregado para gerar os produtos e serviços. Contudo, esses indicadores devem ser medidos lado a lado com os indicadores de qualidade, formando, assim, o equilíbrio necessário ao desempenho global da organização.
Gráfico 1: Índice da produtividade total dos serviços
Fonte: Adaptado de CTI Cargo, 2014
4.2 Calculando o Indicador de Eficácia
Aplicando também ao painel de controle de indicadores, os autores deste artigo acordaram na aplicação de um indicador de resultado, ou seja, resultados obtidos x resultados esperados ou desejados. Esse novo indicador refere-se aos indicadores de eficácia, considerando a consecução dos objetivos e metas fixados. Denominou-se como Índice de crescimento dos processos. Esse indicador busca o foco no produto ou serviço, realizar as operações
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corretamente, obter resultados e aumentar o lucro. É a relação das saídas geradas com as metas estabelecidas. Uma definição para eficácia seria a característica do processo de planejamento relacionada à aderência das ações executadas, em relação ao universo de ações de planejamento, ela também é um indicador de nível intermediário que é mensurado da seguinte forma:
onde,
Gap = Índice de aprovação de embarque (%);
output = Número de embarques (Bookings) realizados/fechados por mês
Meta = Valor mínimo de embarques por mês
Gaps geralmente indicam que algo importante mudou nos fundamentos da organização. No estudo de caso o Gap é medido em percentual e apresenta o quanto a organização foi eficaz no desempenho dos serviços mensalmente. As metas para o atual foco da análise do ponto de vista são estabelecidas de acordo com a média dos dados dos indicadores coletados no ano anterior acrescidos de 25% do valor da média, visando, dessa forma, o crescimento da organização em relação aos anos antecessores.
Tabela 2: Dados dos números de embarques/processos confirmados por mês com a meta.
Período Meta Resultado Gap
Janeiro 65 75 15,38% Fevereiro 65 59 -9,23% Março 65 62 -4,62% Abril 65 65 0,00% Maio 65 75 15,38% Junho 65 72 10,77% Julho 65 70 7,69% Agosto 65 65 0,00%
Fonte: Adaptado de CTI Cargo, 2014
Note que o parâmetro “Meta” estipulado na tabela é equivalente a porcentagem de valor 0,00% no gráfico. Com isso, podemos estipular, de forma mais adequada, os pontos de mínimos e máximos, possibilitando um apontamento de pontos a melhorar e pontos modelos a serem seguidos, sempre considerando as análises internas e externas da organização.
Diante disso, o índice de aprovação de embarque serve como um indicador de eficácia quantificado que serve para o atingimento das metas e para a promoção do auxílio a tomada de decisão por parte do gestor.
7 Fonte: Adaptado de CTI Cargo, 2014
4.3 Analisando a Interdependência dos Indicadores
A força, a intensidade ou o grau de relação linear, entre duas variáveis aleatórias, pode ser medida por meio do coeficiente de correlação linear de Pearson (r) (BARBETTA et al., 2004; FERREIRA, 2009). O coeficiente de correlação linear de Pearson, obtido a partir de amostras pequenas, precisa ter elevada magnitude (próximo de |1|) para ser significativo.
Gráfico 3: Interdependência entre os indicadores do índice de crescimento do número de embarques/processos e a produtividade total dos serviços
8 Fonte: SILVA, L.C.P.; 2014
Neste caso, embora o valor do coeficiente apresente significância estatística, a amostra, pode não ser representativa da população, e consequentemente, o coeficiente pode não representar a verdadeira relação entre os caracteres. Por outro lado, quando o tamanho de amostra for excessivamente grande, um pequeno valor do coeficiente de correlação de Pearson (próximo de zero) pode ser considerado significativo, porém não necessariamente, seja uma relação importante entre os caracteres, do ponto de vista prático (HAIR et al., 2009).
Portanto, podemos ver no Gráfico 3, gráfico de dispersão xy, a reta e a equação da reta apresentando o coeficiente de correlação linear rxy = 1, uma correlação perfeita positiva, e consequentemente o coeficiente de determinação, que indica a proporção de variação da variável independente que é explicada pela variável dependente, ou seja, um dado que avalia a qualidade do ajuste entre os indicadores de índice de crescimento do número de embarques/processos e a produtividade total dos serviços com o valor r²xy = 1.
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Portanto, tornam-se evidentes as facetas que mencionam o processo acerca da produtividade referente ao transporte de cargas internacionais. O projeto de pesquisa embasado através do estudo de caso e pelo referencial teórico buscaram explorar e elucidar questões e dados referentes aos tramites de informações nos serviços de transportes internacionais, pois com o desenvolvimento e análise dos dois indicadores, produtividade e eficácia, que apresentam interdependência entre eles de tal forma que promovam um melhor uso dos recursos disponíveis pela organização em questão para a medição do desempenho organizacional. Por ser criado um paralelo entre a produtividade dos serviços e o índice de crescimento do número de processos, este compreendido no período de 8 (oito) meses, notou-se que os indicadores são diretamente proporcionais, pois quanto maior o número de processos maior será a
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organização. Entretanto, podemos visualizar a interdependência através do gráfico 3, ilustrado no tópico 4.3, que mostrou a relação direta entre esses dois índices gerados no estudo de caso, conforme o coeficiente linear de Pearson. Dessa forma, conclui-se que a produtividade, tão procurada por diretores e gestores em organizações, pode ser bem estratégica diante de um planejamento bem estruturado baseando-se, sempre, em um histórico produtivo auxiliado por indicadores que possam direcionar o tático e estratégico de maneira racional e não somente de maneira emocional para tomadas de decisões com foco no crescimento sólido e estável da organização.
6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BARBETTA, P. A. et al.; Estatística para cursos de engenharia e informática. São Paulo:
Atlas, 2004. 410 p.
CUNHA, S. E.; Estatística descritiva: na psicologia e na educação. Rio de Janeiro: Forense,
1968.
FERREIRA, D. F.; Estatística básica. 2. ed. Lavras: UFLA, 2009. 664 p.
FREUND, J. E.; SIMON, G. A.; Estatística aplicada. 9. ed. Porto Alegre: Bookman, 2000. GANGA, G.M.D. et al.; Medindo o desempenho logístico: a perspectiva do nível de serviço
logístico. Escola de Engenharia de São Carlos - USP. In: X SIMPEP, Anais do X SIMPEP, Bauru – São Paulo, 2003.
HAIR, J. F. et al.; Análise multivariada de dados. 6. ed. Porto Alegre: Bookman, 2009. 688
p.
JÚNIOR, J. L. R.; FERREIRA, P. C.; Evolução da produtividade industrial brasileira e
abertura comercial. IPEA – Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada. Rio de Janeiro, 1999.
MACEDO, M. de M.; Gestão da produtividade nas empresas. UNICAMP - Universidade
Estadual de Campinas. Revista Organização Sistêmica |vol.1 – nº 1| São Paulo, Janeiro/Junho de 2012.
SOUZA, U.E.L.; Produtividade e custos dos sistemas de vedação vertical. Tecnologia e
gestão na produção de edifícios: vedações verticais. PCC-EPUSP, São Paulo, pp. 237-48, 1998.