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Jacira Leite DEIXA FLUIR A SUA IMAGINAÇÃO

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Academic year: 2021

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Jacira Leite

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Agradecimentos

Uns agradecem por terem uma mente criativa, outros pela bênção que Deus deu-lhes, outros simplesmente por saber criar um texto, ninguém diz se foi uma bênção ou uma maldição.

Antes que o mundo aplaude são apenas rabiscos, palavras que fazem muito barulho. Chega a ser poético e dramático comparar com o nascimento de um bebé, mas é sim. Começa como um embrião cada palavra que carregamos durante horas para criar um texto, texto que ganha vida a cada leitura. Como contar que estou com um embrião dentro do meu ventre, que reacção o mundo terá? Quem vai ajudar a cuidar? Estranho comparar um livro com um embrião, mas é a mesma coisa, basta ter imaginação, esse livro é o meu embrião, eu tive medo de contar, tive medo de criar e acima de tudo tive medo do mundo o rejeitar.

Nove meses passaram-se, finalmente veio ao mundo com o sorriso mais lindo, percorrendo pelo mundo, espalhando sorrisos e admirações do homem, invadindo cada pedaço de um coração agitado e uma mente cheia de imaginação.

Agradeço à Deus pelo talento, pela bênção. Agradeço meus pais por cuidarem de mim, minha família por serem meu refúgio, meus amigos por serem as melhores cobaias de sempre, as minhas duas irmãs. Acima de tudo agradeço a mim mesma por não deixar adormecido esse talento.

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«Um bom livro dá muito trabalho a escrever como um bom;

vem, com a mesma sinceridade, da alma do seu autor.»

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«Não orgulhasse em pensar igual aos outros, não orgulhasse

em ser igual. O mundo é diferente, divergências tornam as coisas

mais interessantes. Seja exclusividade, seja novidade, seja o sol que

reflecte todas as manhãs, madrugadas barulhentas não tornam-se

dias calmos.»

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Índice

 Quando Muda  Primeira Vitima  Alma  Mente Doentia  Labirinto Molhado  O Meu Vício  A Rua Contida  Rei

 Morrer Para Viver  A Cobrança  A Venda Sem Valor  Uma Despedida Digna  O Desabafo

 Era Uma Vez  A Conversa  O Silêncio  A Pergunta

 O Poder da Paixão  O Sábio de 4 Patas  Se Esta Rua Falasse  A Guerra Pacífica  A Mente

 Crise Existencial  O Prisioneiro  O jogo Violento

 O Recado Para o Meu Amor  Palavras de Uma Prostituta  Asas Arrancadas

 Um Rosto Mascarado  Homem do Mundo  Século XXI

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“Quando Muda”

Quando as cortinas fecham-se e as luzes apagam-se, tudo é diferente, olhar muda, os elogios não reanimam uma alma amedrontada. Quando as luzes apagam-se, os sentimentos invadem a casa, loucuras acontecem, sonhos discutem quem será o primeiro a ser concretizado. Quando as cortinas fecham, a trajectória cobra o protagonismo recusado, a poeira debaixo do tapete forma um remoinho. Quando as cortinas fecham, os bastidores ficam vazios ao ponto do silêncio ganhar voz e começar a cantar a OPERAH. Quando tudo e mais nada acontece o espectáculo continua no dia seguinte ao nascer do sol. Mas, quando tudo ficar escuro a cobrança aparece e o medo ganha vida.

(10)

“A Primeira Vítima”

Sempre fui ignorado, o que não chama atenção, ninguém preocupa-se em notar. Meu amor foi rejeitado, meu buquê jogado fora, minhas rosas resistiram melhor que eu. De mim só sobrou o olhar cinzento no meio da calçada apreciando casais amando-se. Todos os dias parado no meio da multidão sem ser notado. Parecia um manequim, mas até o manequim é notado, quando está atrás da vitrina. Não fui notado mesmo passando mal, o mundo ignorou-me, então eu matei a minha primeira vítima, mesmo assim o mundo ignorou, por não ter sangue escorrendo no chão, ou um cadáver para a família chorar, ou uma notícia para todo mundo comentar. Mas, foi a minha primeira vitima e foi o homicídio mais violento que alguma vez cometi em toda a minha vida.

(11)

“Alma”

Minhas qualidades são apreciadas, meus defeitos maltratados, meus olhos cheios de lágrimas imploram para não ser humilhada, falo tudo que sinto no último minuto que me resta. Declamando sem piedade meus poemas sem sentido, procurando agradar um pouco sem ouvido. Cegos não vêm minhas lágrimas caindo. Sem piedade o homem condena-me, se minha vida não for arrancada ei de gritar, sem medo de errar, de minha alma foi arrancada o sentimento de esperança. De morte matada fui morta, retirando-me o privilégio da morte morrida. Seres irracionais levantam-me e limpam minhas feridas sem entender, como entender! Se lobos sem conforto choram vendo a lua, avestruzes colocam a cabeça na terra para esconder-se do mundo, se o racional é vulnerável ao desconhecido. Se minha prisão for maior que minha imaginação, ei de morrer sem deixar semente alguma nesta terra injusta.

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“Mente Doentia”

Tenho todos os nomes gravados na minha mente, não sei o que dizer, apenas sei. Deve ser por ter sido a última pessoa vendo elas vivas. O mais interessante é ouvir suas vozes implorando para viver. Todas as noites uma gravação repetida. Nas últimas 10 horas foi mais que um sonho, deitei-me na cama e as imagens saíram do baú e ganharam vida. O pior de sonhar com um monstro é tornar-se um. Agora pergunto-me, será que sempre fui assim? Será que tenho um lado sereno? Meu pior medo tornou-se realidade, qual será o meu maior medo?

Procuro respostas tirando vidas, minha percepção da vida muda a cada grito, a cada suplico, rendo-me ao poder da dor. Eu não odeio ninguém, espera ai existe sim um ser que odeio tanto, odeio muito mais, muito ao ponto de matar, mas não consigo matar ele, não consigo tirar a vida do meu maior inimigo, sinto-me fraco, inútil por não fazer o que mais desejo.

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“Labirinto Molhado”

Sua língua percorre esse labirinto Com enigma para decifra

Com barreiras para ultrapassar

Sua língua percorre o labirinto menos complexo

Não te importas com a mata, vás em frente sem sequer questionar Então vem, podes vir que o fruto não é proibido

Do pecado nasceu o desejo, eu não sei se consigo viver

Queres ajuda para segurar sua cabeça enquanto entras mais fundo? Ou preferes segurar a minha?

Suas mãos apalpam essas paredes para reconhecer o caminho Seus dedos tornam-se o melhor guia

Apertas fortemente as mãos contra o chão Puxas os troncos sem qualquer compaixão

Queima só de sentir seus pés pisando neste vulcão

Minha boca diz para parar,

Embora minha mente implora para continuar Então vem, vem passar por esse labirinto molhado Vem ganhar o prémio amaldiçoado.

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“O meu Vício”

Janela com cortinas de rendas brancas, a mulher quer perfeição para agradar o marido e a família. A luz do candeeiro direito é apagada, a do esquerdo não. Beija todas as noites sua filha dizendo que ama e que cuidará dela sempre. Em seguida vai para o quarto dos fundos, onde puxa os pés da criança inocente tentando massacra dizendo que é apenas uma consulta para saber se está tudo bem, cama ensanguentada parece um homicídio, em seu rosto um sorriso estampado, gargalhadas de satisfação tomou conta dele. A criança deixou de ser inocente e passou a ser paciente da madrugada.

Anos passaram-se e as consultas eram intensas, sem descanso, finalmente a paciente redeu-se aos cuidados do seu doutor, sua mente rejeitou o plano de fuga e caiu nas mãos da medicina em explicação.

Viciei-me tanto mais tanto que meu traficante morreu, engraçado como pode ser possível? Como viverei? Ele ensinou-me a usar máscara, pintei meu corpo com cores do arco-íris, levei minha alma para conhecer o inferno.

Como viver sem a droga, minha mente recusasse em aceitar um destino cruel e miserável, vou a procura do meu novo traficante.

Procurei e encontrei meu outro vício, a casa era igualzinha, cortinas de rendas brancas, a chamada perfeição, coincidência não existe, é a minha velha e linda casa.

Cheguei conquistando o carinho dele, cuidei da sua família, foi a quebra cabeça mais complexo de todos, conheci cada peça desse jogo. Foi o jogo mais viciante de todos, levei tempo, mais uma máscara perfeita delicadamente criada e bem tratada para mais uma das minhas actuações, infelizmente aquele aroma viciante drogou-me mais uma vez. Você foi o meu maior vício destruir essa droga por completo não foi a melhor opção. Então eu procurei até encontrar você, procurei seu aroma e encontrei, ela é tão frágil tão doce, em noites de trovoadas torna-se o alvo mais fácil. Chego paulatinamente puxando seu pé, conheço esse aroma, então ataco sem piedade, é apenas uma criança diz meu subconsciente fazendo um barulho enorme, para por favor, ela é um doce. Mesmo assim não paro, vou em frente e acabo com ela, essa sensação é fantástica, ela não perdeu o aroma do pai mesmo morta, eu tomei a droga e preciso de mais.

Andando pelo corredor escolho uma porta, não pela sua beleza, escolho pelo aroma deixado na maçaneta dourada, que perfeição até parece um conto não real digo, em seguida dou sorriso meio doentio.

Foi tão rápido a discussão, demorou pouco tempo, deu-me as costas e ataquei-o, com uma força superior a minha leva tempo para superar, foi rápido minha mascara caio e quebrou, machuquei bastante seu corpo, meu olhar transformou-se, meu passado, meu

(15)

presente e o meu futuro, meu subconsciente não sabe distinguir a realidade e a fantasia. Doente? Não, toda noite meu fantasma puxava meu lençol pegando meus pés, debaixo da cama era o meu lugar favorito, meu mundo era pequeno, meu desejo de liberdade era maior… Sim eu sou louca, por guardar a arma do crime no meu armário, por limpa-la com álcool e água, sim eu golpeei mais de 15 vezes sem dor, sem piedade, minha lixeira é suja o suficiente para jogar fora realidades absurdas.

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“A Rua Contida”

Na rua contida, via-lhe passar, no princípio tinha o imbondeiro grande e velho, passando por ele ouvia-se os sussurros, os velhos diziam que eram os pedidos de socorro dos desejos que a terra engoliu de crianças sonhadoras e adultos cansados. Mais além ouvia-se os assobios que contavam as novidades do beco cheio de calor do amor, que guardava os momentos sem pudor, quem conhece aquela rua sabe que o bairro tinha mil histórias com versões alteradas e outras exageradas. Perto da árvore ficava o jardim das flores perto da curva onde foi baleado o jardineiro de coração bom. Dentro do parque os poetas escreviam poemas fortes e calorosos, bonitos e românticos, alguns eram tristes mais perto dos girassóis tudo era possível.

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“Rei”

Sou rei, não pela coroa, muito menos pelo estatuto, sou rei pelo meu coração. Sinto algo quente saindo dos meus olhos descendo devagar molhando meu rosto chegando a minha boca tem um gostinho amargo salgado doce não sei explicar. Meus olhos abrem-se para o mundo todo ver, meus olhos são a minha coroa, vivo ignorando o preconceito vou a luta sem ver a luz, minha mente idealizou meu mundo colorido, sou rei pela coroa que Deus me deu, não pela coroa que o homem almeja, olho para o mundo sem cor e coloco mais amor. Sou rei por ser o único que enxerga a realidade, questiona a racionalidade e glorifica a divindade. Sinto o olhar impiedoso da humanidade sobre mim, o que devo fazer se minha coroa foi dada pelo ser da Fé, minha coroa é tão grande que meus olhos conseguiram enxergar a sua beleza e cor. Eu sou Rei por usar a coroa que tem o poder de nomeia-me Rei dos olhos pretos.

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“Morrer Para Viver”

Hoje morri mais rápido do que ontem, hoje vivi menos que ontem. Hoje mil almas pedem meu corpo por um minuto, mil vidas pedem minha vida por meia eternidade. Hoje morri por deixar de acreditar. Hoje não vivi por causa de um sonho escondido no armário de cor, vidas sem cor deixam de ser vividas por causa de um olhar sem amor. Hoje eu morri doze vezes, ressuscitei doze vezes, sonhei duas vezes no meio de cada doze vezes.

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“A Cobrança”

Voltei para cobrar todas as promessas, voltei para ler as vossas cartas, cheirar os vossos buquês, desculpa pela demora queria ter a certeza por quanto tempo durasse essa vossa dor. Família linda obrigada por estar comigo sempre, não fiquem entusiasmados, não ficarei por muito tempo, vim apenas pegar tudo que ofereceram-me. Onde estou não estou bem, não estou mal, simplesmente estou por estar não sei como voltar, apenas como ir.

Quem prometeu dar a vida para ver-me viver por favor pode fazer chegar preciso, meus sonhos ficaram no corredor da morte tenho que ir pegar para poder concretizar. Para quem comprou buquês caros e grandes pode trazer agora, faz tempo que não sinto o cheiro gostoso das flores. As cartas molharam-se por causa da chuva, alguém gravou as palavras? Não tive oportunidade de ler.

Podem encostar, podem pegar, sou a mesma pessoa, ouvi tudinho dentro dessa caixa de madeira, ouvi mentiras, ouvi verdades, ouvi até coisas que nunca fiz ou falei, senti dores verdadeiras e também as falsas, ouvi cochichos de curiosos, senti a risada dos mentirosos, então podem chegar perto conheço todos. Mas, eu tenho uma simples questão, “Vocês fazem tudo isso por mim ou por vocês?”

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“A Venda Sem Valor”

Vendi a minha alma em um acordo miserável. Vendi a minha alma por uma riqueza amaldiçoada. Vendi minha alma no pacto cheio de vida. Meus companheiros tinham aroma de poder, seus bens eram de ouro, suas casas eram de prata. Vendi minha alma por dinheiro, por talento que vai com vento, por respeito, até por amor. Esse pacto custou-me: A honra, a vida, a razão, a aceitação, a verdade, a liberdade, a lealdade, a fé e a esperança. Vendi minha alma por nada.

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“Uma Despedida Digna”

É desse jeito que despeço-me Da forma mais dramática e poética

Dessa forma vou dizendo adeus usando versos, Do poeta brilhante

Terá música, sinos tocando Flores voando

E vocês me abraçando

Eu vou, para não voltar Ficarei nas vossas memórias Como uma tatuagem,

Levarei um pedaço de vocês quando eu for Minha salvação não está em vossas mãos

Minha alma viveu mais que o previsto Então eu vou louvando

Dizer que foi bom Na verdade foi bom

Por estar vivo, eu conhece o valor da vida

Não chorem, quem disse que essa despedida teria lágrimas? Quem contou que um dia fui ao fundo do poço?

Quem está cantando a música da salvação? Quem tirou o melhor de mim?

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Tenho a certeza de um dia voltar a ver-vos

Se isso não for uma bênção, o que estou fazendo aqui? Vivo para morrer, morro para viver

Melhor de mim

Vocês ficaram com a minha melhor parte Então não culpem a divindade

Ou a lei natural

Alegram-se e puxem uma cadeira Tenho mais uma hora para contar-vos Que isso não é um para sempre Apenas um até já

Voltarei!

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“O Desabafo”

Todos os homens são iguais, fazem sempre as mesmas merdas, disse enquanto olhava para minha amiga, ela perguntou-me com quantos eu já fiquei, olhei para ela e não respondi. Então como assim todos os homens são iguais se não provou metade deles, você sabe quantos homens existem no mundo? Se todos os homens fossem iguais imagina como ele seria, não procura qualidades, tenta procurar os defeitos, você sabia que a gente encontra as melhores qualidades no defeito? Agora diz como fica? Fica bom acho eu.

Minha confiança foi quebrada, meu orgulho ferido, minha razão enganada. Ainda bem que foi tudo tirado de ti, sua confiança tinha que ser quebrada para ser reconstruída, mesmo que o mundo te tire o chão você deve confiar que existe um outro chão para pisar, sem ele tu não vais conseguir andar, porque voar você não vai

conseguir mesmo. Sobre o orgulho, ele é vidrado e sempre foi, vidros a prova de bala existem sim, porém, são quebrados sim e feridos para quando reconstruir-se voltar a ser forte como sempre. Sua razão deixou o coração afrente de tudo, então não reclama e deixa as consequências falarem por si. Sua dor tem que ser sentida e ouvida, olha para ti sempre escondendo a dor dos outros, olha para ti construindo muralhas contra tudo e todos, você pode ser tão doce para qualquer um e não esbanja essa doçura.

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“Era Uma Vez”

Era uma vez O teu sorriso,

Me fez voltar a ver o mundo de outro jeito Ele é discreto,

Meio sincero, Meio mentiroso, Ele é verdadeiro.

Ela é atenciosa,

Ela é dele completamente, E a mais linda que ela já viu

Parece miragem, Poucos tocam, Muitos apreciam

Uns admiram, Outros odeiam

Só ele vive nela,

Por isso à admira mais, Só ele toca,

Só ele beija sua boca

Ele cuida, Ele ama,

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Ele abusa, Ele provoca,

Ele é dela.

Um amor diferente…

Só ele sente,

Só ela sente, juntos, Colado é mais quente,

E quando estão longe estão juntos na mente

Um amor para matar Um amor para morrer Isolados do mundo, Junta dois corpos nus

Melhor pessoa para abraçar, Mais só nós sem ninguém, Sem calças para testemunhar, Só ela consegue excitar, Segredo nosso e gostoso,

O mundo só imagina, Porque nunca vamos contar.

Vai ser o nosso segredo, Não vamos nos cobrir,

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Na minha imaginação você encontra-se nu, Apenas com a mão para cobrir,

O resto deixa comigo.

Somos só nós, Nada precisa cobrir,

Gostas quando assim estou,

E olhas para mim tenho de admitir, Vem para cima de mim vem sentir,

Mas preciso ver de baixo o meu mundo a rir.

Preciso de 2 minutos,

Apenas 2 minutos para apreciar meu mundo, Desejo insaciado aumenta a cada segundo, Sem lençóis,

Apenas seu corpo,

Apenas meu mundo por cima de mim.

@Patrick Drroy

(27)

“A conversa”

Desabafo…

⁃Eu sei que sou o culpado das tuas lágrimas, a cada pensamento teu por mim, matas algo dentro de ti...choras por pensares que seria eterno entre nós, choras por eu já não estar aí e ser tudo como antes, a te fazer sorrir, com o meu jeito louco e diferente e choras pelo teu egoísmo ser maior do que a tua vontade de estares perto de mim, e a cada foto minha "postada" vai te escorregar um sorriso e uma lágrima, mas tanto faz, isso vai te gerar ódio...será que é amor ?! Já nem tanto, vais estar coberta de incertezas e dores por perderes a única razão te sentir especial e única, e isso sem objecções...

⁃Mas a tua Alma (está mutilada) o teu coração está queimando a cada dia, estás a morrer em teus próprios pensamentos aleatórios...mas me diz uma coisa?! Foste embora pra te sentires livres porque a incerteza dava cabo de ti! Mas porque que ainda continuas presa em mim, dentro de ti? Mas pra quê esse todo orgulho?! Se só tu ganhas dor e sofrimento...pra quê se afastar se podes estar perto?! E tens medo? Todos nós temos principalmente quando amamos, e eu sinceramente tenho e muitos...e sobre a tua nova relação, nem digo muito e se dizer algo, será tudo e o suficiente pra te fazer chorar e te torturares mais em teus próprios pensamentos, porque eu sei que é isso que tu mais temes em ouvir de mim, a verdade, sim a verdade daquilo que eu sinto por ti, e isto vai muito além de desejos e prazeres, e ainda queres saber qual é o meu fetiche? Amor … ⁃ E dar amor por amor...

Resposta…

-A cada pensamento eu reúno os cacos que ainda aleijam minha alma, deixei de chorar pelo eterno e comecei a chorar pelas lembranças que ocupa minha mente todas as noites, toda vez que deixo meus sentimentos a solta eles levam-me até ti. Meu orgulho foi ferido pela sua falta de atenção, pela negligência que carregas dentro de ti, lágrimas que caiem dos meus olhos são de alegrias por sentir o seu cheiro mesmo que for no meu subconsciente, amor? Ódio? Não, minha vontade de não sentir você é bem mais forte que minha vontade de estar perto de você.

-A culpa é minha, por pensar em ti, a culpa é minha por carregar esse orgulho que mata minha alma e leva-me ao fundo do poço, meus olhos enchem-se de lágrimas, minha liberdade foi arrancada pelo amor que muito almejo ao mesmo tempo desprezo. Diz-me como odiar-te sem me odiar? Como culpar-te sem me culpar? Nunca vai entender essa

(28)

Carrego você em cada canto, seu pedaço, seu calor que colocou dentro de mim, suas palavras deixaram de doer quando concordou com a minha ida, quando respeitou o meu adeus, sempre pedi para ignorar o livre arbítrio, infelizmente nem isso fez. Eu ainda te desejo, além da saudade das noites de prazer, eu ainda te amo, mais isso não é o suficiente para te ter, não é o suficiente para te rever. Depois dessa conversa só resta a gente se esquecer.

@Edson Scoman

(29)

“O Silêncio”

O silêncio que percorre neste quarto toca uma música doce. O silêncio que minha alma deseja, tem o volume muito alto. O silêncio que meu amor-próprio implora grita comigo, usa palavras duras e cruas. O silêncio que percorre pela rua contida revela mistérios, acusa inocentes, e encobre os culpados. O silêncio da madrugada ajuda na concentração de uma mente desorientada, um coração em chamas, uma alma amedrontada. Esse silêncio é tão desejado e procurado, ele não aparece quando você chama, ele foge quando o barulho abafa a sua música. O silêncio que percorre neste quarto apaga a luz antes de sair.

(30)

“A Pergunta”

Tinha que ser diferente

Tinha que ter menos encanto, Poucos relatos

Tinha que ser menos amoroso

Com um pouco de realidade, uma pitada do amargo, Com o beijo da dor, ou um tom de temor

Tinha que ter um narrador, Um Comentarista, um locutor Tinha que ter pássaros voando

Peixes nadando, borboletas pousando, E flores murchando

O plano traçado e o mundo admirando

Tinha que ter um casal se amando Para a história causar um outro impacto Para o incremento da existência o superar Assim a vida o admirar

E os dois amantes se amar E a lua descansar

Tinha que ser desse jeito Mas do que uma imaginação, Parada no tempo sem direcção

(31)

Olhando para um horizonte com apreciação, Desejando uma miragem ou um looped temporal Para que o dia não termine e a dúvida não germine

(32)

“O Poder da Paixão”

Estava sempre ai para ele, observando seu jeito de duram, sua linguagem rude e de malcriadez. Mas ai eu vi, eu vi o que ninguém viu, notei o que ninguém notou, peguei o que mais ninguém pegou. Seu olhar amedrontado, o cinzento finalmente ficou preto, a chama que queimava seu corpo transbordando em seu olhar apagou-se, tão rápido o seu mundo branco desapareceu em um piscar de olhos. Tão frágil, não indefeso nem parece o homem tenebroso, nem parece o homem que ressuscitou o diabo em um piscar de olhos. Eu não fugi, sentei-me e ouvi suas reclamações da vida, desabafo se assim posso dizer! Sua boca abriu-se como nunca, começamos da infância, parecia linda pela mudança radical dos seus semblantes, no canto da boca um sorriso infantil (cheio de inocência), aventuras incríveis. Em seguida a adolescência rebelde não paro por muito tempo e avanço logo para a juventude perigosa, seus detalhes eram arrepiantes, história encantadora e meio assustadora, como um ser assim tão bipolar e ansioso conseguiu tornar-se nesta escuridão? Quanto mais longa a história ficava, mais a sua chama apagava-se.

Voltei a notar a mudança de semblante, tem uma arma? Perguntou-me. Eu-Não! Uma arma o que vai fazer com ela? Pergunto

Ele- Vou matar você no fim dessa história Eu- Porquê?

Ele- você conheceu a história proibida, você viu o que não devia, sua curiosidade e bondade levar-te-á a desejar, cuidar e amar-me.

Por incrível que pareça não senti medo dele, não tive medo do momento, quanto mais ele falava mais incrível ele tornava-se.

Continuando respondo sem mais demora, seu olhar de espanto motivou-me a ouvir.

Deixe para lá, fim da história, sua curiosidade é incontrolável, seu desejo e o seu amor por mim levar-te-ão a morte. Você é o branco no preto, você é a água perto do fogo, quanto mais próximo, mais rápido arrefeço, quanto mais se aproxima mais fraco eu me sinto, fico indefeso, baixo a guarda. Sua chama acende a minha, seu mundo cor-de-rosa da cor ao meu. O que será de mim se viver, sua morte é o meu renascimento.

(33)

“ O Sabio de 4 Patas ”

Talvez o mais Justo seria chamar a razão naquele que se Chama de Gato que ele não é um Gato mas sim Pessoa. Isso é que é uma Ideologia do Género.

Talvez a razão não basta para te sentires bem; Talvez nem a sabedoria te faz bem;

O mais próximo que o gato tem de uma pessoa é a influência que ele carrega no seu ser, um ser influenciado e influente.

Talvez seja na Tentativa de se Apartar do Velho Homem que a nossa Imagem a procura de outra Imagem que de certa forma nos Compromete.

Imagem essa, que depois é vulgarizada e humilhada por outro homem que não entende nem compreende a procura da aceitação.

Imagem É Essa de Gato que nos deitámos nos Deliciamos mas Com Pensamentos Infames. Do Jeito Nenhum que o Homem Seja Homem e Animal seja Animal.

Talvez a ligação do homem e do animal é bem mais fácil de compreender do que do homem com homem, com ou sem ciência a essência é mostrada e divulgada.

Depois.

O Que Diremos uma Sociedade Distorcida com Títulos, que Depois Passa a ser a nossa Identidade. Vivendo uma Vida sobre o Relativismo então será Justo que te Trate com um Animal e não com Homem. Isso que ser Participante do Seu Pensamento.

(34)

Se Pensamos de modo que somos o que pensamos. Então como iremos definir a Família?

Se eu Quiser ser o Super-homem serei? E Todos Têm que lidar o com este Facto

Trate me Como Rico sem Pedir me nada em Troca

De Agora em Diante Todos somos Ricos todos Gatos. Voltamos nós no Relativismo.

@ Jacira Leite

(35)

Se esta rua falasse”

Mil palavras saiam outras fugiam Se ela falasse o mundo não entenderia As pessoas nos julgariam

Se ela falasse os assobios contariam

O nosso chamado, banhando-nos em um mar de sussurros de amor No beco cheio de calor, guardando nossos momentos sem pudor

Se esta rua falasse

Esses becos riam-se das nossas palavras Das juras de amor e as fugas sem temor Essa rua estúpida não revelou o nosso amor Admiro ela por não ter lugar melhor

Foi naquela rua que fiz a minha primeira jura de amor Se você ouvisse já mais desconfiarias desse calor O amor verdadeiro está no meio das nossas juras Perto da árvore torta

Onde escrevi o poema de promessas

Nela gritei o primeiro eu te amo, quando você abandonou o amor Quando você desistiu de nós

Nela coloquei fogo com rancor Julgando-me um ser sem amor

(36)

O tiroteio com balas de fogos não mataria ninguém As cápsulas nas paredes,

E o sangue no chão, não seria o suficiente

Para esconder o resíduo de pólvora na mão do inocente que nos magoou E do culpado que nos poupou.

(37)

“A Guerra Pacífica”

Conheço a morte, mas não o seu significado. Conheço a vida, mas não o seu significado. Deixei de sentir medo da verdade, aprendi que a verdade não amedronta, o medo é a consequência que a verdade carrega. Tenho medo de perder o poder de dizer a verdade por causa do medo. Não tenho medo do medo porque ele anda de mãos dadas com a verdade. Medo teria dos olhares vazios, das palavras frias, do peso de

consciência, da desilusão, nunca por falta da razão.

Percebi que a lua não tem medo do sol, que a disputa deles não passa de uma ilusão. No fundo os guerrilheiros são as nuvens por lutar com os dois, por conseguir ofusca-los. Diferente deles, as nuvens andam de mãos dadas, nunca estão sozinhas, sempre juntas, mas o sol e a lua nunca estão, e quando estão, o mundo curva-se para aplaude um acontecimento histórico.

O mais lindo é que a guerra não termina tão cedo, são horas de lutas, mesmo não sendo fácil os dois astros aparecem para dizer olá aos seus admiradores, eu estou aqui basta acreditar em mim. A única testemunha é o oceano, ele assiste sem questionar o porquê da guerra, sem se importar com quem é o mais forte ou quem será o vencedor, o oceano fica em silêncio vigiando quem será o primeiro a desistir. Uma luta incrível. O oceano vive apelando pela paz, paz? Como alguém tão violento pede paz, ignora guerra, ao mesmo tempo incentiva a guerra, com seu silêncio perverso e calmo, grita vamos lutar enquanto é cedo, mentes desorientadas merecem ser piões neste tabuleiro desajeitado.

(38)

“A Mente”

Vai lá, faz o que estou a dizer-te, acaba com ela, eu sou o seu único aliado e cúmplice, ninguém vai saber de nada, da minha boca não sairá nada.

Eu não posso fazer isso você é louco, ela é tão doce, tão delicada, se o fizer posso acabar comigo mesmo, você é a minha perdição vai embora e deixa-me em paz por favor.

Paz? Você quer paz, por que isso agora? Sua vida faz sentido comigo por perto, vamos olhar-nos ao espelho e veras quem somos, somos a mesma pessoa, dois seres que se completam, agarra ela e mata-a agora, ninguém vai sentir a falta dela, sai do espelho e vem agarra-la no pescoço e sente o seu corpo mudando de cor, a temperatura muda em questão de segundo, sente o sabor do poder que tens.

Minha mão apertava duramente o seu pescoço, senti um desejo nascendo lentamente, que sensação fascinante. Foi tão rápido, custou-me tanto para aceitar esse ser impiedoso, volta a lutar por favor volta.

Bom menino, é assim mesmo que deves fazer agora deixa o corpo ai e vai dormir você precisa descansar, cuidarei de tudo agora. Parou de lutar contra o destino, porquê parou? Pergunto a ele, estava tão bom ver-te a lutar contra ti mesma, afogando-se em um mar sem fim, mergulhando em medo e desespero. Ra ra ra ra solto gargalhadas vendo-te implorando para me calar, entrar na jaula e a chave deitar, ra ra ra ra. Dorme meu rapaz, vai precisar descansar bastante para poder executar outros trabalhos.

(39)

“Crise Existencial”

Mais uma noite fria, quarto escuro. Mais uma vez sou eu isolado, nessas quatro paredes, sozinho somente eu mais uma outra pessoa, eu.

Repentinamente um turbilhões de pensamentos se apoderam da minha mente acompanhados de questões.

Questões como:

Quem realmente sou eu? O quê faço eu aqui?

Qual o meu real propósito?

O quê acontecerá se não alcançar os meus objectivos? Qual o real preço para alcançá-los?

Perguntas sem respostas, quanto mais penso mais fundo eu estou, nesse sentimento que causa dor, apenas eu, eu, e mais eu, sozinho neste mundo.

Será que isso um dia passará? Resposta para essas perguntas onde devem estar? Não sei, infelizmente tenho medo de perder o medo que alimenta os meus medos, sem ele não sei quem sou e o que realmente faço aqui.

Para onde eu vou? Sei de onde vim, mas não sei para onde vou, em alguns momentos sinto-me perdido nessa imensidão, eu não quero ser apenas mais um nessa imensidão, mas também não quero ser o centro das atenções. Eu simplesmente desejo saber qual o meu real propósito. Pois cada pessoa tem um, o sol nasce para servir através da sua intensa luz, as estrelas despertam para no escuro brilharem e assim iluminarem a noite. Será que nasci para servir? Pois dizem que: “Quem não nasce para servir, não serve.”

@ Jacira Leite

(40)

“O Prisioneiro”

Podes sair, eu liberto-te, nada mais importa. Sai logo, preciso ver você destruindo tudo. Tudo que construí com coração e fé, tudo que fiz para mostrar-te que do outro lado da moeda existe um coração. Sai e vem pisar minha bondade, minha humildade, meu amor-próprio e minha razão. Vem ser o idiota fracassado que meu subconsciente acorrentou durante muito tempo. Minha promessa de enjaular-te foi fracassada. Vigiei-te a minha vida toda e você nem notou, meu olhar percorreu o interior mais obscuro para poder te entender. Matei meu ânimo, para mostrar-te o que não sou. Agora sai e vem ver, mesmo com mil vidas destruídas já mais vou ser como você.

(41)

“O Jogo Violento”

Lentamente pode possuir meu corpo Juntar as almas

Chega bem mais perto e sente-me Usarei danças sensuais

Usarei palavras anormais Sem compromisso eu aceito Vamos, será apenas físico Ou não!

Que nem um jogo Eu danço, tu paras Eu mexo, tu perdes

Podes achar-me uma louca pelo sexo sem explicação Pela falta da razão

Ou pela minha forte vontade no envolvimento Então vem, vamos ser felizes

Podes achar-me um demónio com tanta loucura envolvida Chama-me nomes, calma é apenas um jogo!

Jogo violento, jogo sem juízo Jogo abusado, jogo malvado Batalhas sem titãs

(42)

STOP

Sente cada gota de suor saindo do meu corpo Sente esse fogo que queima minha alma Tornando-me um vulcão

Não aguento meu corpo parece uma lava Tanta chicotada torna-me sua escrava

Não importa o local, basta sentir esse fogo e seu corpo Quero sentir minha cabeça presa no travesseiro Sua mão enrolando meu cabelo

Não conta a ninguém Deixa comigo!

Já mais o mundo vai entender essa nossa forma de jogar Somos apenas dois humildes jogadores

Com uma vontade louca de mover as nossas peças, interliga-las Transformando-as em um momento especial

Sem regra, sem trapaça Jogo limpo, jogo envolvente

(43)

“O Recado Para O Meu Amor”

Mil palavras deviam surgir para explicar esse sentimento, essa cumplicidade, essa falta de pressão, essa falta de obrigação apenas esse sentimento de cumprir tudo e deixar tudo da forma mais certa e correcta. Devia surgir mais palavras para poder dizer ao mundo o quanto isso é bom, devia surgir mais palavras para eu poder continuar com a história, perder o medo de errar. Devia surgir mais palavras para contar a verdadeira morte da rosa, para contar apenas a ti como as pétalas dela são delicadas tal como os teus beijos, palavras fogem quando entrego-te o buquê de rosas secas, mesmo não entendendo você recebe sem questionar. Devia existir mais palavras que possam agradecer-te pelo tempo e paciência, pelo carinho e atenção, dedicação e amor, se por acaso eu estiver errada palavras essas podem desaparecer, se a dor tem que ser sentida eu prefiro sentir ela tal como a rosa sentiu quando o jardineiro morreu e quando o beija-flor se foi, murcharei da forma mais linda para um dia renascer. Devia existir palavras de agradecimento à Deus por colocar em nossas vidas pessoas que a gente merece, não aquela que a gente precisa.

(44)

“Palavras de Uma Prostituta”

Minha coroa não caiu Sou mulher

Manchada

Humilhada e vulgarizada

Sou mulher

Desprezada, malfalada

Aquela que bate ponto no meio da calçada Aquele que recebe por noites notas de dinheiro Por ser amaçada

Sou prostituta com P maiúsculo Com P de poder

Com P de poderosa

A minha coroa não cai

Meu corpo é abusado fisicamente Por homens sádicos e masoquistas

Por homens que entregariam a vida por esse batom vermelho Não sei o que é ruim

Se é a falta de medo de morrer na mão de um cliente, Se é a coroa que não cai

Ou o salto que quebrou enquanto fugia de uma esposa enfurecida Que culpa eu tenho se minha vida é dar prazer aos desprazerados

(45)

Sou prostituta sim

Aquela que não tem a cara no chão Aquela que deixou de viver pelo coração Aquela que segue a razão

Aquela que é fodida na calçada ou no cadeirão Aquela que o sentimento é ignorado

Sou aquela vadia que arruma a gravata dos engravatados Não tem preferência de homens

Se não me fazer gozar não goza comigo

Não posso gastar meu batom vermelho com mendigo Meu coração perdeu o sentido

Minha moral está guardada no quarto sozinho

Meu corpo foi vendido Minha história mal contada Minha vida arrancada Sim, sou bandida sim Bandida com B de bondade

Bondade de receber reclamações de clientes chorões Vadia com V de vaidade

Sim claro que sou bandida Durmo com homens casados Em hotéis baratos

(46)

Meus clientes não falam de trabalho Não falam de amor

Muito menos mostram valor

Escondida dentro dessas paredes

Tentada ser exilada, apedrejada pela multidão Sim e daí?

E agora?

Eu sou prostituta sim

Minha dor o mundo desconhece

Choro por causa de um salto quebrado e um coração maltratado Por um batom mal tirado

De minha alma só sobrou uma fé escondida Sim, eu sou aquela prostituta

Que é procurada quando a noite cai E quando o sol nasce sou rejeitada Sim, olha para mim

Eu não escondo

(47)

“Asas Arrancadas”

Minhas asas foram cruelmente cortadas Minhas costas quente

Meu coração não acredita

Que maldade fiz eu para merecer isso? De minha alma foi arrancada a fé

Com facas grandes e afiadas fui cortejada Não aguento nem andar

Que pecado é esse que minha mente se recusa em lembra Que pecado foi esse que mesmo rastejando não compensa

Sangue que corre nas minhas costas não são o suficiente para merecer o perdão Não preciso nem implorar, não preciso nem lacrimejar

Piedade nesses olhos frios e negros não derreteram e nem curaram minhas feridas

Minhas asas eram inocente

Mal nenhum fazia, mal nenhum trazia Mesmo assim minha punição foi dura e cruel Agora não sei onde pertenço

Não quem sou

Afinal, quem eu sou? Sou anjo?

(48)

Não mais tenho lugar.

Não sinto nem sequer a leveza do céu, O que era doce tornou-se amargo e sombrio,

Deixei de sentir a pureza para caminhar, nessa terra quente, Meu peito não suporta

Não sei se é a dor do corte ou a dor da inexistência

Afinal quem sou? Aonde vou?

Sem asas para voar

Que nem um mortal que eu achava insignificante Hoje eu sou, aquilo que nunca quis ser

Anjo ou mortal, hoje nada sou

Se nem as minhas pobres e inocente asas eu protege Quem sou?

@ Jacira Leite

(49)

“Um rosto mascarado”

Decorei meu rosto com uma perfeição já mais vista.

Meu sorriso brilha em dias cinzentos, em cada dia crio uma nova mascara. O que há por trás do meu rosto mascarado será uma culpa?

Um monstro? Ou um segredo?

Por baixo de uma maquiagem linda e deslumbrante existe um rosto mal hidratado pela verdade, por baixo de uma máscara radiante existe um ser solitário e infeliz com

segredos e culpas. Segredos esses guardados em um cofre sem chaveiro, uma culpa sem perdão aprisionando um ser sem razão, o monstro de um conto real, conto sem final, quem será o bicho papão? Quem será o dono da razão?

Eu sou o monstro que a máscara oculta do mundo, ao mesmo tempo revela; Eu sou o pesadelo sombrio que a madrugada recusasse em esconder;

Eu sou a máscara maquiada com branco e dourado, com falhas cinzentas e prateadas; Eu sou a máscara de porcelana;

(50)

“ Homem do Mundo”

Não tenho nada, nada Sou um homem sem nada

Com um cigarro na boca, vagando nesta rua iluminada

Quem sou? Aonde vou?

Nada, nada, sou um homem sem nada

Sou um homem do mundo Menino mau, vivo do desejo

Desejo saciado pelo dinheiro e o poder Por isso não tenho nada, eu sou o nada

Minha melhor companhia é a garrafa

Meu aroma sabe a dinheiro, sou um homem com poder Minha mulher é a vadia que vive de notas caras

Vivo negligenciando o sabor do amor

Meu carro tornou-se mais caro que minha alma

Eu sou nada

Um nada que vale por mil almas, Condenadas a riqueza sem preço

(51)

“Século XXI”

“Seja bem-vindo ao século onde o mais torna-se menos, onde o orgulho vence o carácter pelo simples facto de não existir um pouco de sensibilidade no coração que não bate por nada, nem por um assalto que coloca a sua vida em risco, onde orgulho é alimentado por um ego fracassado e inútil.

Seja bem-vindo ao século onde o amor tornou-se motivo de competição, quem dá mais fica com ele. Onde o tráfico vadia nas ruas com carteira assinada, onde o passado tornou-se uma rocha perto de um riacho que quem sentar-se é um sobrevivente e não o mais inteligente. Onde o futuro está perto ao mesmo tempo longe, onde apelar tornou-se sinónimo de humilhação, onde o velho torna-se feiticeiro pelas rugas e pela sua sabedoria, onde o não faz isso, não vai tornou-se uma afronta ao futuro sem esperança.

Seja bem-vindo nesta selva onde a vida só tem valor quando a morte passa e dá um Oi. Onde o amo-te é menos verdadeiro que um eu já depositei. Onde o encanto do conto mal contado torna-se bem apreciado do que o conto bem contado pelo narrador que busca a perfeição longe desse lago cheio de emoção.

Bem-vindo ao mundo onde a mulher ganha voz quando nada mais cobre o seu corpo, onde as suas palavras são desdenhadas pelo seu tom de voz. Onde o corpo é vendido por nota sem valor, alimentando uma vaidade e o ego de um credor, invadindo um coração cheio de amor e pouca esperança. Onde a humildade é posta a prova todos os dias carregando-te ao fundo dos fundos do vazio sem compreensão.

Seja bem-vindo ao século que carrega o peso da descriminação nas costas, onde homens com fixas sujas chamam-se de irmãos, não pelo laço de parentesco ou de sangue, é pelo tom de pele. Onde a cobrança encontra-se em olhares amedrontados, sem esperança por uma pele indefesa. Onde os olhares de crianças sem sonhos orquestrados afrontam um futuro desconhecido. Onde nascer sem escolha, ou por escolher sem opção. Onde a surdez e a mudez da pele, não consegue um esconderijo digno de uma raça rica, por isso que usa o silêncio exagerado para calar sua boca.

Seja bem-vindo ao século que tornou-se um concurso de miss, só ganha aquela que diz paz para o mundo inteiro, mas no final não sente nada. Onde a fé é abstracta, só ganha força quando nada faz sentido, tudo prejudica, nada importa, nada resulta.”

(52)

“Desculpa”

Desculpa por não demonstrar medo no momento do disparo. Desculpa por não

demonstrar pena no momento de humilhação, não sei como reagir o chamado de irmão, com esse tom de voz o que dizer se a parede não quer sentir meu calor. Que vida sem possibilidade que impossibilita os desejos indesejados de seres amaldiçoados. Desculpa! Desculpa pelo amor rejeitado, ou pela culpa mal cumprida, desculpa pela falta de

respeito, desrespeito pela diferença, pela ingratidão ou pela suposta razão, por isso desculpa por blasfemar, fazer jogo de pedras com pedreiros que procuram a vida em obras sem concerto. Desculpa por tudo.

(53)

«Deixa fluir seus pensamentos, use e desfrute da sua

imaginação. Nada melhor que imaginar um horizonte por trás das

grades de uma cela.»

Referências

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