Departamento de Estudos Económicos
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BOLETIM
ECONÓMICO
MENSAL
// ECONOMIA
CONJUNTURA ECONÓMICA MUNDIAL
Início da segunda vaga da pandemia na Europa e nos EUA dá sinais de que a recuperação económica será mais lenta do que o esperado.
FIGURA 1: TAXAS DE CRESCIMENTO
-15,0 -10,0 -5,0 0,0 5,0 10,0 15,0 1T 2T 3T 4T 1T 2T 3T 4T 1T 2T 3T 2018 2019 2020 Percentagem 2 -15,0 -10,0 -5,0 0,0 5,0 10,0 15,0 1T 2T 3T 4T 1T 2T 3T 4T 1T 2T 3T 2018 2019 2020 Percentagem 2 -40,0 -30,0 -20,0 -10,0 0,0 10,0 20,0 30,0 40,0 1T 2T 3T 4T 1T 2T 3T 4T 1T 2T 3T 2018 2019 2020 Percentagem 2
No mês de Outubro, os casos de contágio de COVID-19 na Europa mais do que duplicaram, tendo atingido os 8,1 milhões, dos quais 4,1 milhões foram novos casos. Os casos de óbitos chegaram à cifra de 235,4 mil óbitos, dos quais 33,3 mil óbitos registados no mês de Outubro.
Nos Estados Unidos da América (EUA), o número de casos atingiu os 8,2 milhões, com 220 mil óbitos, continuando a ser o país com mais casos de contágios confirmados. Já em África, o número de mortes chegou aos 41 mil óbitos, com 1,7 milhões de casos confirmados, sendo a África do Sul o país mais afectado com 716 mil casos e 19 mil óbitos. Com o aliviar das medidas durante o terceiro trimestre de 2020, observou-se uma melhoria da actividade económica na Europa, tendo-se registado um crescimento na ordem de 12,7%, após uma queda de 11,8% no trimestre anterior. A economia francesa foi a que mais cresceu, com uma taxa 18,2%, seguida da italiana com 17,7% e a alemã com 8,2%, suportada pela melhoria da procura agregada, com especial destaque, para o consumo privado destas economias.
Nos EUA, a economia cresceu a um nível nunca visto, tendo registado uma taxa de 33,1% no terceiro trimestre, com o consumo privado a ser o maior impulsionador. Apesar desta forte recuperação, estima-se que dos 22 milhões de empregos que se perderam na pandemia somente metade desse número foi recuperada.
A China continuou com um desempenho positivo, tendo o PIB crescido 2,7% no terceiro trimestre, mas abaixo dos 11,7% registados no trimestre anterior, resultado de uma fraca procura externa.
Fonte: Trading economics
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Com o aumento significativo dos casos de COVID-19 no mês de Outubro, voltou-se a assistir às medidas de restrições impostas pelos Governos de forma a conter a propagação da doença, numa altura que o Inverno, principalmente na Europa, começou no mês de Setembro.
Países como Alemanha, França e Espanha adoptaram medidas mais severas, tendo a Espanha decretado o estado de emergência impondo um recolher obrigatório e os demais países a decretarem o encerramento de restaurantes e bares a partir das 18 horas.
Neste contexto, começa-se a observar uma assimetria da recuperação económica, em que o desempenho do sector industrial será mais favorável do que o do sector dos serviços, conforme ilustra o gráfico abaixo, visto que este último irá ressentir de forma mais agressiva os efeitos das novas restrições impostas.
FIGURA 2: ÍNDICE GESTORES DE COMPRAS
Fonte: Trading economics
Com essas medidas já implementadas, no mês de Outubro, observou-se uma manutenção da taxa de inflação em valores negativos pelo terceiro mês consecutivo, ficando aquém dos objectivos do Banco Central Europeu (BCE), que espera que a mesma seja baixa, mas próximo de 2%.
0 10 20 30 40 50 60
jan/20 fev/20 mar/20 abr/20 mai/20 jun/20 jul/20 ago/20 set/20 out/20
Pontos
PMI industrial PMI Serviços
A nível mundial, com o reforço das medidas de restrições, espera-se um abrandamento económico para o quarto trimestre de 2020, evidenciado pela revisão em baixa da taxa de crescimento da economia mundial de acordo com as novas previsões feitas pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) para 2021 e divulgadas no seu World Outlook de Outubro. A revisão feita pelo FMI baseou-se nos seguintes fundamentos:
• A moderada melhoria da actividade económica no terceiro trimestre de 2020; • O perigo da segunda vaga de COVID-19 no quarto trimestre de 2020;
• As paralisações de algumas actividades já implementadas nas principais economias;
• A elevada taxa de desemprego que assola tanto as economias avançadas como as emergentes.
FIGURA 3: TAXA DE INFLAÇÃO ZONA EURO
Fonte: Trading economics
TABELA 1: PROJECÇÕES DO PIB Tabela 1: Projecções do PIB
PPaaíísseess//RReeggiiããoo 22002200 22002211 22002200 22002211 22002200 22002211 22002200 22002211
EEccoonnoommiiaa MMuunnddiiaall --33,,0000 55,,8800 --44,,9900 55,,4400 --44,,4400 55,,2200 00,,8800 --00,,2200
EEccoonnoommiiaass AAvvaannççaaddaass --66,,1100 44,,5500 --88,,0000 44,,8800 --55,,8800 33,,9900 22,,3300 --00,,9900
EUA -5,90 4,70 -8,00 4,50 -4,30 3,10 33,,7700 --11,,4400
Reino Unido -6,50 4,00 -10,20 6,30 -9,80 5,90 00,,4400 --00,,4400
Zona Euro -7,50 4,70 -10,20 6,00 -8,30 5,20 11,,9900 --00,,8800
Japão -5,20 3,00 -5,80 2,40 -5,30 2,30 00,,5500 --00,,1100
EEccoonnoommiiaass EEmmeerrggeenntteess ee eemm DDeesseennvvoollvviimmeennttoo --11,,0000 66,,6600 --33,,0000 55,,9900 --33,,3300 66,,0000 --00,,2200 00,,1100
China 1,20 9,20 1,00 8,20 1,90 8,20 00,,9900 00,,0000 Índia 1,90 7,40 -4,50 6,00 -10,30 8,80 --55,,8800 22,,8800 Brasil -5,30 2,90 -9,10 3,60 -5,80 2,80 33,,3300 --00,,8800 Rússia -5,50 3,50 -6,60 4,10 -4,10 2,80 22,,5500 --11,,3300 África Subsariana --11,,6600 44,,1100 --33,,2200 33,,4400 33,,0000 33,,1100 --66,,2200 00,,3300 África do Sul -5,80 4,00 -8,00 3,50 -8,00 3,00 00,,0000 --00,,5500 Nigéria -3,40 2,40 -5,40 2,60 -4,30 1,70 11,,1100 --00,,9900
Fonte: FMI, outlook, Outubro 2020
FFMMII((AAbbrr``2200)) FFMMII((JJuunn``2200)) FFMMII((OOuutt``2200)) DDiiffeerreenncciiaaiiss WOOuuttuubbrroo 22002200WEEOO eennttrree JJuunnhhoo ee
Fonte: Fundo monetário internacional, Outlook de Outubro de 2020
-0,4 -0,2 0 0,2 0,4 0,6 0,8 1 1,2 1,4 1,6
jan/20 fev/20 mar/20 abr/20 mai/20 jun/20 jul/20 ago/20 set/20 out/20
Percemtagem
jan/20 fev/20 mar/20 abr/20 mai/20 jun/20 jul/20 ago/20 set/20 out/20 Taxa de inflação da Zona Euro 1,4 1,2 0,7 0,3 0,1 0,3 0,4 -0,2 -0,3 -0,3
DEPARTAMENTO DE ESTUDOS ECONÓMICOS ANÁLISE MENSAL // OUTUBRO 2020
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No seu relatório, o FMI realça que, para 2021, muitos países africanos não voltarão para os níveis de crescimento económico observados em 2019, podendo esses valores vir a ser atingidos apenas em 2024. Além da problemática do crescimento económico, prognostica-se que o nível das dívidas externas dos países africanos torne-se insustentável, agravado pela necessidade de financiamento para enfrentar as dificuldades orçamentais provocadas pelo aumento das despesas públicas para fazer face à COVID-19 num cenário de redução substancial das receitas. No mercado cambial, o dólar dos Estados Unidos de América tornou-se a moeda mais preferida pelos investidores em detrimento da sua congénere europeia, tendo em conta as incertezas que pairam em torno da recuperação da economia europeia, por acreditarem que a retoma do crescimento económico deste bloco será mais lenta, visto que as previsões apontam o regresso aos níveis de crescimento anteriores apenas para o final de 2022.
Porém, o dólar dos EUA perdeu valor face às moedas asiáticas fundamentado pelos receios em voltam das eleições presidenciais que se realizam no mês de Novembro e do aumento significativo dos casos de COVID-19.
TABELA 2: VARIAÇÕES DE MOEDA SELECCIONADAS FACE AO DÓLAR NORTE- AMERICANO
D
DÓÓLLAARR//…… SSeetteemmbbrroo OOuuttuubbrroo VVaarriiaaççããoo mmeennssaall VVaarriiaaççããoo aaccuummuullaaddaa
EURO 1,90% 0,86 0,64% 3,73% LIBRA 3,61% 0,77 -0,30% -2,37% IENE -0,27% 104,66 -0,82% 3,75% RENMINBI -0,84% 6,69 -1,48% 4,06% REAL 2,12% 5,74 2,39% -29,93% RAND -1,43% 16,24 -2,65% -13,96% RUBLO 4,47% 79,40 2,28% -21,86% Fonte: Bloomberg
No que toca a política monetária, o Banco Central Europeu (BCE), manteve inalterada a sua taxa refi em 0% e o montante do programa de compras de emergência pandémica (PEPP) de aquisição de dívida em 1,35 bilião. No seu comunicado, a Presidente do BCE deu sinais de que a economia europeia está a perder força e que se encontra a caminhar para o sentido negativo, sendo necessário reavaliar as medidas até agora em curso. Assim, espera-se que na sua reunião de Dezembro se anuncie mais estímulos para a economia da Zona Euro.
Em termos regionais, na SADC, a taxa de inflação observou um aumento na maior parte dos países no mês de Outubro, com destaque para o trio composto por Zâmbia, Malawi e Angola cujas taxas de inflação têm sido acima da média da região.
Note-se que apesar do Zimbabwe ser o país com maior taxa de inflação na região, em Outubro observou uma desaceleração significativa da sua inflação homóloga que passou de 659,40% no mês de Setembro para 471,25% em Outubro de 2020, sendo este o valor mais baixo desde Fevereiro deste ano.
FIGURA 4: EVOLUÇÃO DAS TAXAS DE INFLAÇÃO HOMÓLOGAS DE ECONOMIAS SELECCIONADAS DA SADC
Fonte: Tradding economics
De salientar que continua a prevalecer o aumento das taxas de inflação nos países em que o peso da classe de alimentos no IPC é maior, excepto a Tanzânia, como se pode observar nos gráficos abaixo.
TABELA 2: PROJECÇÕES DOS INDICADORES ECONÓMICOS ZONA EURO E EUA
FIGURA 5: EVOLUÇÃO DAS TAXAS DE INFLAÇÃO HOMÓLOGAS DOS ALIMENTOS E O SEU PESO
Fonte: Tradding economics 0,0% 5,0% 10,0% 15,0% 20,0% 25,0% 30,0% Áfric a do S ul Angola Botswa na Ilhas Mau rícias Ilhas S eiche les Malaw i Moça mbiqu e Namíb ia Tanzâ nia Zâmbia set/20 out/20 0 100 200 300 400 500 600 700 800 900 1000
out/18 fev/19 jun/19 out/19 fev/20 jun/20 out/20
Percentagem (%) Zimbabwe 0 2 4 6 8 10 12 14 16 Áf rica do S ul Bot sw ana M al aw i M aur íci as M oçam bi que N amíb ia Sei chel es Tanz âni a Zâm bi a Percentagem (%) Outubro
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Os Estados Unidos são uma grande potência económica e política no mundo, sendo que representam cerca de 15% do PIB mundial, e são a segunda maior economia mundial em termos do PIB em Paridade do Poder de Compra.
CAIXA 1: Potenciais efeitos das Eleições americanas sobre a economia mundial
FIGURA 6: PIB MUNDIAL VS PIB EUA
- 10 000,00 20 000,00 30 000,00 França Reino Unido Brasil Indonésia Rússia Alemanha Japão Índia Estados Unidos China
11.. PPIIBB 22001199 eemm PPPPPP ((EEmm bbiillhhõõeess UUSSDD))
0 10 20 30 40 50 60 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018 2019 EEmm pp eerr ccee nntt aagg eemm
33.. PPaarrttiicciippaaççããoo nnoo PPIIBB MMuunnddiiaall ((eemm PPPPPP))
China Japão EUA Zona Euro
1199%% 44%% 1155%%
1166%% 4466%%
22.. PPrroodduuttoo IInntteerrnnoo BBrruuttoo MMuunnddiiaall
China Japão EUA Zona Euro Resto do Mundo Fonte: FMI
As eleições americanas ocorreram num ano caracterizado por um conjunto de incertezas: (i) a evolução da pandemia e a necessidade de novos confinamentos, (ii) as relações comerciais menos saudáveis entre a China e os EUA, (iii) a disponibilidade das vacinas contra a COVID-19.
Com a eleição de Joe Biden, o 46º presidente dos Estados Unidos das Américas em Novembro de 2020, a política económica e internacional defendida pelo novo presidente pode influenciar o curso da recuperação económica que se espera em 2021 a nível mundial. De uma forma geral, as acções da nova administração poderão ter os seguintes impactos na economia mundial:
• Médio e longo prazo
Forte crescimento dos investimentos em energias renováveis com efeito negativo sobre o mercado de commodities energéticas, principalmente o mercado petrolífero, por ser um defensor do investimento em energias renováveis e ter assumido uma certa aversão à indústria de petróleo por considerá-la danosa ao meio ambiente;
Espera-se que esta nova administração repare e reestruture as relações com o continente africano, que tem vindo a assistir a uma redução do comércio de bens e serviços nos últimos 10 anos.
O novo presidente possui um historial de apoio ao multiculturismo. Uma América menos virada para si mesmo, pode significar mais investimentos em África, em áreas até ao momento pouco beneficiadas pelos interesses americanos.
Assim, os rumos da política nos EUA poderão ter impacto sobre Angola, uma vez que o petróleo ainda continuará a ser a principal commodity de exportação do país, no médio prazo.
• No curto prazo
Aumento dos preços do petróleo resultante das implicações positivas sobre o comércio mundial do potencial atenuar da tensão com a China assim como a redução do proteccionismo e o estabelecimento de acordos que sejam favoráveis ao crescimento económico mundial.
• Redução da volatilidade nos mercados financeiros, com repercussões sobre a taxa de juro exigida pelos investidores, a ser impulsionada pela recuperação de confiança na economia, tendo em conta o perfil do novo presidente e o equilíbrio de forças partidárias no senado americano, que deverá contribuir para a eliminação de riscos como um aumento significativo dos impostos;
Depreciação do dólar em relação as principais congéneres, excepto em países com fortes constrangimentos internos como o Brasil por exemplo, alavancada pela redução da incerteza na economia dos EUA, o que deverá estimular a procura por activos de maior retorno, como acções, e diminuir a procura por activos considerados reservas estratégicas, como o ouro e o dólar.
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MERCADO DAS COMMODITIES
De acordo com os dados do Banco Mundial, em Outubro, os preços das commodities energéticas aumentaram em 0,39%, liderados pela subida dos preços do gás natural (23,80%). De igual modo, as commodities não energéticas registaram um acréscimo de 1,14% com os preços dos alimentos a aumentar em 3,30% e dos metais em 3,14%.
FIGURA 7: EVOLUÇÃO DOS ÍNDICES DAS COMMOTIDIES NÃO ENERGÉTICAS
No mercado das commodities, os preços do petróleo retomaram a trajectória descendente.
O aumento de preços dos produtos alimentares ocorreu, essencialmente, por causa do incremento dos preços dos óleos vegetais em 6,94%, seguido do preço dos cereais que teve uma variação positiva de 3,43%.
De notar que o preço do Brent recuou em 0,83% para 41,52 USD/barril e o do WTI em 10,77% para 39,55 USD/barril, de acordo com os dados da Bloomberg.
FIGURA 8: EVOLUÇÃO DOS PREÇOS DIÁRIOS DO PETRÓLEO
Fonte: Bloomberg
Fonte: World Bank Commodity Price Data (The Pink Sheet) 65,0 70,0 75,0 80,0 85,0 90,0 95,0 100,0
jun/17 fev/19 out/20
Pontos
Índice de commodities excluindo metais preciosos
Índice total bebidas alimentos Fertilizantes Metais básicos
0 10 20 30 40 50 60 70 80 fev /1 9 abr /1 9 jun /1 9 ago /1 9 out /1 9 dez /1 9 fev /2 0 abr /2 0 jun /2 0 ago /2 0 out /2 0 USD/barril Preços internacionais Brent WTI -3,22% -12,73% -35,24% -30,22% 32,18% 24,50% 5,92% 5,06% -5,15% 0,49% -0,40 -0,30 -0,20 -0,10 0,00 0,10 0,20 0,30 0,40 jan/20 fev/20 mar/20 abr/20 mai/20 jun/20 jul/20 ago/20 set/20 out/20 Variação mensal (%)
O comportamento dos preços do petróleo está relacionado com as preocupações em torno do aumento de casos de COVID-19 nos EUA e na Europa, que já começaram a encetar restrições, levando a um abrandamento das economias. Não se observou uma queda mais acentuada, devido à expectativa em torno das vacinas que estão a ser anunciadas para combater a COVID-19, que durante o mês em análise alavancaram os preços nos mercados internacionais.
No que concerne à procura mundial de petróleo para 2020, a OPEP reviu em baixa a sua previsão para 90,29 milhões de barris por dia (mb/d), o que representa menos 9,47 milhões de barris por dia (mb/d) em relação ao ano anterior. A revisão em baixa justifica-se pela perspectiva de menor crescimento da procura numa altura que se tem observado o aumento de casos de COVID-19, esperando que os Governos voltem a impor restrições de forma a conter os contágios. Para 2021, as previsões são mais optimistas, com uma procura mundial de 96,84 milhões de barris por dia (mb/d), tendo em conta as notícias sobre as potenciais vacinas que serão comercializadas para combater a COVID-19 e assim ocorrer a retoma da procura de combustível acima do que foi no ano de 2020.
FIGURA 9: EVOLUÇÃO DA PROCURA DE PETRÓLEO MUNDIAL
Fonte: Relatório da OPEP de Novembro de 2020
Do lado da oferta, para o ano de 2020, mantêm-se os 62,73 milhões de barris por dia (mb/d) para os países fora da OPEP, abaixo dos 65,16 milhões de barris por dia (mb/d) que foram registados no ano de 2019, com todos os países a reduzirem a sua produção. Já para o ano de 2021, espera-se um aumento da produção para os 63,68 milhões de barris por dia (mb/d), resultado do aumento da dos países da OCDE, com destaque para os EUA (25,22 milhões de barris por dia).
Segundo fontes secundárias da organização, em Outubro, a produção total preliminar de petróleo bruto da OPEP-13 atingiu uma média de 24,39 milhões de barris por dia (mb/d), um aumento de 322 milhares de barris face ao mês de Setembro, devido, sobretudo, ao incremento da produção do Iraque e da Líbia. Em termos homólogos, a produção da OPEP reduziu em 4,95 milhões de barris por dia (mb/d).
// ECONOMIA
NACIONAL
ECONOMIA NACIONAL
Comércio Externo entre Angola e o Resto do Mundo
Após um aumento no mês de Setembro, em Outubro, o saldo da conta de bens retomou a trajectória descendente que trazia desde o início do ano, ao registar uma redução de 29,12% em relação ao mês anterior, passando de USD 981,23 milhões para USD 695,49 milhões.
No mês de Outubro, registou-se uma redução do superavit do saldo da conta de bens.
FIGURA 10: EVOLUÇÃO DA CONTA DE BENS
Fonte: Relatório da OPEP de Novembro de 2020
O comportamento desta conta foi influenciado pela evolução negativa do valor das exportações e pelo aumento do valor das importações. A diminuição do valor das exportações angolanas foi de 3,51% para USD 1,59 mil milhões, influenciada pela redução da quantidade exportada e do preço do petróleo. Quanto ao valor das importações, este aumentou em 34,11% para USD 895,71 milhões.
Os dados preliminares indicam que o valor das exportações petrolíferas se situou em USD 1,33 mil milhões, menos 11,23% em relação ao mês anterior, condicionado à redução das quantidades exportadas em 8,71% relativamente ao mês anterior para 33,71 milhões de barris, e ao preço das ramas angolanas que caiu em cerca de 2,76% para 39,57 USD/barril.
FIGURA 7: EVOLUÇÃO MENSAL DOS PREÇOS DO PETRÓLEO
0,0 500,0 1 000,0 1 500,0 2 000,0 2 500,0 3 000,0 fe v/1 8 jun/ 18 ou t/1 8 fe v/1 9 jun/ 19 ou t/1 9 fe v/2 0 jun/ 20 ou t/2 0 USD Milhões
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É de notar, entretanto, que o valor das exportações não petrolíferas aumentou em 169,65%, passando de USD 60,54 milhões em Setembro para USD 163,25 milhões em Outubro de 2020. Concretamente, o valor das exportações de diamantes aumentou em 227,39% em termos mensais passando de USD 43,49 milhões em Setembro para USD 142,39 milhões em Outubro, sendo estas por sua vez, influenciadas pelo aumento das quantidades exportadas em 1021,14%. O valor das exportações dos outros produtos não petrolíferos registou um incremento de 22,38%, atingindo o montante de USD 20,87 milhões, dos quais destaca-se o aumento do pescado e da madeira em 26,51% e 25,03%, respectivamente.
Em termos acumulados, o valor das exportações reduziu em 43,60% face a 2019, em resultado do efeito combinado do declínio da quantidade de petróleo exportada em 8,43% e do preço das ramas angolanas em 38,40% e do valor das exportações de diamantes que reduziu 29,85%, devido à queda da quantidade exportada em 23,54%.
Quanto ao valor das importações, este aumentou em termos mensais, devido ao incremento do valor da importação dos combustíveis em 81,08% para USD 97,82 milhões, dos alimentos em 17,44% para USD 157,78 milhões e do valor da importação dos outros produtos em 33,49%, situando-se em USD 640,11 milhões. No mês em análise, o peso das importações dos outros produtos foi de 71,46%, dos alimentos de 17,61% e dos combustíveis de 10,92%.
Importa frisar que o valor acumulado das importações desde o início do ano reduziu em 37,06% quando comparado com o valor acumulado do igual período de 2019, tendo a importação de combustíveis reduzido em 55,45%, dos outros produtos importados em 37,98% e dos alimentos em 19,01%.
Note-se que até ao final de Outubro de 2020, o saldo superavitário da conta de bens foi de USD 8,63 mil milhões, ficando 47,56% abaixo do valor observado no período homólogo de 2019 (USD 16,46 mil milhões).
FIGURA 7: EVOLUÇÃO MENSAL DOS PREÇOS DO PETRÓLEO
Fonte: BNA
FIGURA 11: EVOLUÇÃO DAS EXPORTAÇÕES PETROLÍFERAS E NÃO PETROLÍFERAS ANOS 2020
0,0 500,0 1 000,0 1 500,0 2 000,0 2 500,0 3 000,0
jan/20 abr/20 jul/20 out/20
USD milhões
Sector petrolífero
LNG Gás Refinados de Petróleo Petróleo Bruto
0,0 20,0 40,0 60,0 80,0 100,0 120,0 140,0 160,0 180,0 200,0
jan/20 abr/20 jul/20 out/20
USD milhões
Sector Não petrolífero
Sector Real
Em Outubro de 2020, a contracção homóloga do indicador de actividade económica (IAE) atingiu o nível mais baixo desde que o Banco Nacional de Angola (BNA) iniciou a sua compilação, fixando-se em -8,54%, mais profunda face ao período anterior (-8,06%) e ao igual período de 2019 (-3,16%), em decorrência sobretudo da contribuição negativa da actividade petrolífera, passando de -3,81 p.p. (pontos percentuais) em Setembro para os -4,30 p.p.
A Actividade Económica cada vez mais contraída.
FIGURA 12: EVOLUÇÃO DA VARIAÇÃO HOMÓLOGA DO IAE E CONTRIBUIÇÃO DOS SECTORES DE ACTIVIDADE
Fonte: BNA
No mês em análise, a actividade petrolífera foi desfavorável, tendo recuado em termos homólogos cerca de 6,83%, face à contracção de 2,57% do mês correspondente de 2019, devido à contribuição negativa do petróleo e gás (-5,13 p.p.) e da fabricação de produtos petrolíferos refinados (-1,70 p.p.).
Na mesma senda, o sector não petrolífero recuou em termos homólogos em 11,46%, cerca de 3 vezes mais do que o mesmo período do ano precedente (-4,16%), resultante, fundamentalmente, da contribuição negativa do sector do comércio (-7,62 p.p.), fabricação de cimento e clinkers (-3,07 p.p.) e do sector diamantífero (-1,74 p.p.).
O balanço de execução da actividade administrativa do Ministério dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás (MIREM-PET), referente ao mês de Outubro de 2020, reporta uma diminuição da produção diária de petróleo bruto em torno de 1,83%, saindo de 1,35 milhão de barris por dia em Setembro para os 1,33 milhão de barris por dia. No acumulado dos dez meses do ano corrente, a produção diária, em média, fixou-se em 1,44 milhão de barris por dia, abaixo dos níveis apurados no seu período homólogo de 2019 (1,54 milhão de barris por dia).
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FIGURA 12: EVOLUÇÃO DA VARIAÇÃO HOMÓLOGA DO IAE E CONTRIBUIÇÃO DOS SECTORES DE ACTIVIDADE -16,0 -14,0 -12,0 -10,0 -8,0 -6,0 -4,0 -2,0 0,0 2,0 4,0 jan /1 9 fev /1 9 m ar /1 9 abr /1 9 m ai /19 jun /1 9 ju l/19 ago /1 9 set /1 9 out /1 9 nov /1 9 dez /1 9 jan /2 0 fev /2 0 m ar /2 0 abr /2 0 m ai /20 jun /2 0 ju l/20 ago /2 0 set /2 0 out /2 0 %
IAE Petrolífero IAE não Petrolífero IAE Agregado
-10 -8 -6 -4 -2 0 2 jan /1 9 fev /1 9 m ar /1 9 abr /1 9 m ai /19 jun /1 9 ju l/19 ago /1 9 set /1 9 out /1 9 nov /1 9 dez /1 9 jan /2 0 fev /2 0 m ar /2 0 abr /2 0 m ai /20 jun /2 0 ju l/20 ago /2 0 set /2 0 out /2 0 pp.. pp..
16
Dados sobre o indicador de clima económico (ICE), publicado pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), mostram para o terceiro trimestre de 2020, uma conjuntura económica mais deteriorada no curto prazo, ao apresentar um recuo de -24 saldo de respostas, maior em relação ao período anterior (-21 saldo de respostas) e ao mesmo trimestre de 2019 (-7 saldo de respostas).
Constata-se que o indicador neste trimestre situou-se abaixo da mediana da série (-15 saldo de respostas), reflexo da avaliação pessimista dos empresários quanto aos indicadores de confiança dos sete sectores não financeiros da economia.
Fonte: MIREMPET
FIGURA 13: EVOLUÇÃO DA PRODUÇÃO PETROLÍFERA (MILHÕES DE BARRIS/DIA)
Fonte: INE
FIGURA 14: EVOLUÇÃO DO INDICADOR DE CLIMA ECONÓMICO (SALDO DE RESPOSTAS)
1,53 1,39 1,51 1,54 1,54 1,53 1,52 1,38 1,39 1,43 1,42 1,35 1,33 out /1 9 nov /1 9 dez /1 9 jan /2 0 fev /2 0 m ar /2 0 abr /2 0 m ai /20 jun /2 0 ju l/20 ago /2 0 set /2 0 out /2 0 -40 -35 -30 -25 -20 -15 -10 -5 0 5 10 15 20 15 T1 20 15 T2 20 15 T3 20 15 T4 20 16 T1 20 16 T2 20 16 T3 20 16 T4 20 17 T1 20 17 T2 20 17 T3 20 17 T4 20 18 T1 20 18 T2 20 18 T3 20 18 T4 20 19 T1 20 19 T2 20 19 T3 20 19 T4 20 20 T1 20 20 T2 20 20 T3
A avaliação desfavorável generalizou-se para todos os sectores, com destaque para: i) Sector de transporte influenciado pelo agravamento da insuficiência da procura, dificuldades financeiras e dificuldades de obtenção de crédito junto das instituições bancárias; e ii) Sector da construção afectado pelo nível elevado da taxa de juro, insuficiência da procura e a falta de materiais.
Segundo o inquérito ao emprego divulgado pelo INE referente ao terceiro trimestre de 2020, a taxa de emprego da população total (15 ou mais anos) subiu para 59,70%, face os 58,9% do trimestre anterior, contudo, uma queda em relação aos 60,90% do trimestre homólogo. Este aumento decorre essencialmente do incremento da população empregada do sexo feminino (de 56,6,1% no segundo trimestre para 76,10%) e da região urbana (de 43,70% para 62,20%).
Porém, em termos de faixa etária, a taxa de emprego da população juvenil (15-24 anos) deteriorou-se, tendo se fixado em 36,90% contra os 37,0% do período anterior, em consequência da redução do emprego informal na actividade não agrícola (de 76,60% no segundo trimestre para 74,60% no terceiro trimestre).
Por seu turno, a taxa de desemprego da população com 15 ou mais anos aumentou em 1,3 p.p., atingindo 34%, com realce para o género feminino (36,10% quando no trimestre precedente foi de 35,10%), e para área rural (de 30,00% no segundo trimestre para 31,70%). A faixa dos jovens (15-24 anos) é a mais afectada com este fenómeno, tendo um incremento trimestral de 5,6 p.p., atingindo uma taxa estimada de 56,40%, evidências do impacto da pandemia de COVID-19.
Fonte: INE
FIGURA 15: EVOLUÇÃO DO EMPREGO E DESEMPREGO EM ALGOLA (%)
Em termos de sectores, destaca-se os que usam mão de obra intensivamente, entre outros, os sectores da “agricultura, produção animal, caça, floresta e pesca” com uma taxa de 55,60% (+5 622 774 pessoas) e “comércio”
com 19,40% (+1 959 444 pessoas)1.
61,60 61,80 60,90 60,30 60,70
58,90 59,70
36,90 35,90 35,80 35,50 35,10 37,00 36,90
1Trim.19 2Trim.19 3Trim.19 4Trim.19 1Trim.20 2Trim.20 3Trim.20
Taxa de Emprego
População com 15 ou mais anos População com 15-24 anos
28,80 29,00 30,10 31,80 32,00 32,70 34,00 52,40 53,80 54,20 56,50 57,80 50,80 56,40
1Trim.19 2Trim.19 3Trim.19 4Trim.19 1Trim.20 2Trim.20 3Trim.20
Taxa de Desemprego
18
Mercado da Dívida Pública
Em Outubro, o Tesouro emitiu títulos no mercado primário num total de Kz 163,33 mil milhões, corresponde a 1,96% e 2 403,59% acima do mês anterior e ao mesmo período do ano passado, respectivamente. Esta emissão foi cons-tituída por cerca de dois terços (69,17%) em Bilhetes do Tesouro (BT), nas maturidades de 91, 182 e 364 dias e o remanescente em Obrigações do Tesouro não Reajustáveis (OT-NR), nas maturidades de 1,5 a 4 anos.
Destaca-se o aumento das taxas de juro dos BT nas maturidades de 91 e 182 dias, ao fixar-se em 17,09% e 17,90%, respectivamente, contrastando com a diminuição observada na maturidade de 364 dias, situando-se em 18,38%. Por seu turno, as taxas de juro das OT-NR registaram aumento nas maturidades de 1,5; 2 e 3 anos, ao atingir os níveis dos 23,50%, 24,00% e 24,25%, respectivamente.
No decimo mês do ano, foram resgatados (amortização da dívida e juros) um montante de Kz 569,60 mil milhões, equivalente a um aumento face ao mês anterior (+132,88%) e ao período homólogo (+160,94%). A maior parte cor-respondeu aos pagamentos de OT (90,26%).
O nível de resgates acima das emissões resultou numa captação líquida negativa de Kz 406,47 mil milhões, o que se traduz por um lado numa diminuição da dívida interna titulada e por outro lado num aumento da liquidez na mesma magnitude.
Em termos acumulados do ano, o Tesouro nacional já amortizou a dívida interna titulada (incluindo juros) num total de Kz 3,15 biliões, correspondendo a Kz 1,99 bilião a mais do que as emissões que atingiram Kz 1,16 bilião. Desde o princípio do ano, as operações tituladas geraram um efeito expansionista acumulado sobre a liquidez em cerca de Kz 1,99 bilião.
Aumento das transacções no mercado primário e secundário.
Fonte: Unidade de Gestão da Dívida (emissão) e BNA (resgates)
FIGURA 16 : EMISSÃO E RESGATE DE TÍTULOS (KZ MIL MILHÕES)
6,52 14,76 6,04 87,24 52,31 180,57 102,43108,53 304,08 159,99 163,12 ou t/ 19 no v/ 19 dez /1 9 ja n/ 20 fe v/ 20 m ar /2 0 ab r/ 20 m ai /2 0 jun/ 20 ju l/2 0 ag o/ 20 se t/2 0 ou t/ 20 Emissão BT OT 218,29 71,18 304,84 69,59 345,10 141,79 172,00 397,71 424,74 321,90 463,85 244,59 569,60 ou t/ 19 no v/ 19 dez /1 9 ja n/ 20 fe v/ 20 m ar /2 0 ab r/ 20 m ai /2 0 jun/ 20 ju l/2 0 ag o/ 20 se t/2 0 ou t/ 20 Resgate BT OT
out/19 set/20 out/20 tvm (%) tvh (%)
Montante transaccionado 76,97 88,26 113,10 28,13 46,94
Mercado de Bolsa de Título do Tesouro (MBTT) 75,70 87,13 86,21 -1,05 13,89
Bilhetes do Tesouro 1,73 0,00 0,00 - -100,00
Obrigações do Tesouro 73,96 87,13 86,21 -1,05 16,56
Mercado de Registo de Operações s Valores Mobiliário (MROV) 0,97 1,14 26,88 2 267,19 2 664,02
Unidades de Participação (UP) 0,00 0,00 0,03 983,96
-Bilhetes do Tesouro 0,00 0,00 0,00 - -Obrigações do Tesouro 0,97 1,13 26,85 2 270,38 2 660,88 UP 0,00 0,00 0,03 983,96 -BT 1,73 0,00 0,00 - -100,00 OT 74,94 88,26 113,06 28,10 50,88 Descrição (Kz mil milhões)
O stock de títulos públicos, maioritariamente constituído por OT com peso de 96,18%, situou-se em Kz 11,75 biliões (36,84% do PIB), representando um aumento mensal de 1,53%.
No mercado secundário, o volume de títulos negociados aumentou, cifrando-se em Kz 113,10 mil milhões, justificado pelo acréscimo constatado nas negociações do Mercado de Registo de Valores Mobiliários (MROV) em Kz 25,74 mil milhões, sendo que, no Mercado de Bolsa de Títulos do Tesouro (MBTT), verificou-se uma redução de Kz 916,57 milhões (1,05%). Nos dois segmentos do mercado, foram transaccionados maioritariamente OT (99,97%).
Fonte: BODIVA
20
No mês de Outubro de 2020, a base monetária em moeda nacional, variável operacional da política monetária, registou uma expansão de 9,85%, face à contracção de 6,96% observada no mês anterior, elevando a expansão acumulada para 2,67%.
Em relação às contrapartes da base monetária em moeda nacional, observou-se uma expansão mensal dos Acti-vos Externos Líquidos em 5,07% (contracção de 2,27% quando retirado o efeito cambial), influenciada pelo aumento das Reservas Internacionais Líquidas expressas em kwanza em 5,10% (diminuição de 2,24% retirando o efeito cam-bial) e dos Outros Activos Externos Líquidos em 2,35% (contracção de 4,80% retirando o efeito camcam-bial).
Por seu turno, os Activos Internos Líquidos contraíram em 0,24%, tendo sido influenciados pela diminuição dos Outros Activos Líquidos em 7,96%, sendo que o Crédito à Administração Central Líquido, o Crédito às Outras Ins-tituições Financeiras Monetárias e do Crédito a Outros Sectores residentes aumentaram em 117,47%, 0,79% e 8,93%, respectivamente. A expansão verificada no Crédito à Administração Central Líquido foi influenciada pela diminuição das Responsabilidades face à Administração Central em moeda nacional em 15,69% (em resultado dos resgates de títulos e pagamentos de despesas, salários e outras finalidades) numa proporção maior à redução observada no Crédito à Administração de 0,70%.
A expansão da base monetária em moeda nacional reflectiu-se no aumento das reservas obrigatórias e reservas livres em moeda nacional em 16,59% e 10,63%, respectivamente, sendo que a circulação monetária diminuiu em 1,97%.
A expansão das reservas livres dos bancos comerciais foi influenciada pelo efeito expansionista das operações fiscais e pelas operações do BNA, como se pode observar na figura abaixo.
A LUIBOR overnight registou uma redução de 0,57 p.p., situando-se em 11,93%.
Fonte: BNA
FIGURA 17 : CONTRIBUTO DAS OPERAÇÕES SOBRE A LIQUIDEZ DOS SISTEMA BANCÁRIO
-450,0 -350,0 -250,0 -150,0 -50,0 50,0 150,0 250,0 350,0 450,0 550,0
dez/19 jan/20 fev/20 mar/20 abr/20 mai/20 jun/20 jul/20 ago/20 set/20 out/20
Kz Mil Milhões Operações do BNA Operações Cambiais Operações Monetárias Operações Fiscais
Fonte: BNA
FIGURA 18 : MERCADO MONETÁRIO INTERBANCÁRIO E LIQUIDEZ DO SISTEMA BANCÁRIO
A interacção entre os intervenientes deste mercado resultou na diminuição da taxa LUIBOR overnight de 0,57 p.p. em relação ao mês anterior, situando-se em 11,93%, mantendo-se dentro do corredor da política monetária.
Fonte: BNA
FIGURA 19 : TAXAS DE REFERÊNCIA VS LUIBOR
No mercado de crédito, as taxas de juro activas em moeda nacional praticadas pelas instituições bancárias na tipologia do crédito ao sector empresarial registou aumento na maturidade de até 180 dias passando de 21,74% para 24,98%, e diminuições nas restantes maturidades, isto é, de 16,92% para 16,62% na maturidade de 181 dias a 1 ano e de 14,09% para 9,50% na maturidade de mais de 1 ano.
0,0 200,0 400,0 600,0 800,0 1 000,0 1 200,0 1 400,0 1 600,0
out/19 nov/19 dez/19 jan/20 fev/20 mar/20 abr/20 mai/20 jun/20 jul/20 ago/20 set/20 out/20
Kz mil milhões
Montante transaccionado MMI Liquidez MN
(5) 5 10 15 20 25 30 dez /1 8 jan/ 19 fe v/ 19 m ar /1 9 abr /1 9 ma i/1 9 jun/ 19 ju l/1 9 ago/ 19 se t/19 out /1 9 nov /1 9 dez /1 9 jan/ 20 fe v/ 20 m ar /2 0 abr /2 0 ma i/2 0 jun/ 20 ju l/2 0 ago/ 20 se t/20 out /2 0 %
FAO LUIBOR Overnight Tx. BNA FAL 7 Dias
No mercado monetário interbancário (MMI), foi transaccionado Kz 1,37 bilião, o que representou um aumento de 5,68% face ao mês anterior (Kz 1,30 bilião).
22
No segmento de particulares, observou-se diminuições nas maturidades de 181 dias a 1 ano e mais de 1 ano, passando de 19,70% para 19,40% e de 17,14% para 16,92%, respectivamente, sendo que na maturidade de até 180 dias registou-se aumento, passando de 16,53% para 22,68%.
O stock de crédito a outros sectores residentes (crédito à economia) expandiu em 2,73%, comparativamente ao
mês de Setembro de 2020. O stock de crédito a outros sectores residentes em moeda nacional variou positivamente em 4,43%, em relação ao stock do mês anterior (expansão de 2,74%). Este comportamento foi influenciado pela variação positiva do crédito ao sector publico, excluindo a Administração Central, bem como do crédito a outros sectores residentes. A estrutura do crédito mantém padrão, estando o seu peso concentrado em sectores como Comércio por Grosso e a Retalho, Particulares, Sector de Actividade Imobiliária, Alugueres e Serviços Prestados às Empresas, Sector da Construção e Sector de Outras Actividades de Serviços Colectivos, Sociais e Pessoais, que congregam cerca de 71% do total do crédito à economia. Por sua vez, os sectores de actividade produtiva e transformadora, nomeadamente, Agricultura, Produção Animal, Caça e Silvicultura, Pescas, Indústria Extractiva e Indústrias Transformadoras, juntos continuam a representar menos de 20% do stock de crédito à economia.
Fonte: BNA
FIGURA 20 : EVOLUÇÃO DOS CINCO SECTORES DE ACTIVIDADE ECONÓMICA COM MAIOR PESO
No mês de Outubro, o sistema bancário angolano concedeu novos créditos no valor total equivalente a Kz 74,30 mil milhões, representando uma diminuição de 11,91% face ao montante concedido no mês de Setembro (Kz 84,36 mil milhões). Deste total, Kz 57,26 mil milhões foram concedidos em moeda nacional (Kz 75,65 mil milhões em Setembro). Do total concedido, 58,50% foi destinado a Particulares, 11,38% ao sector de Actividades Imobiliárias, Alugueres e Serviços Prestados às Empresas, 11,31% ao sector da Construção, 8,89% ao sector das Indústrias Transforadoras e 3,69% ao sector do Comércio por Grosso e a Retalho.
FIGURA 7: EVOLUÇÃO MENSAL DOS PREÇOS DO PETRÓLEO
0,00 5,00 10,00 15,00 20,00 25,00
G - Comércio por Grosso e a Retalho Z - Particulares k - Activ. Imob.,Alugueres e Serv.Prest. as Empresas F- Construção O - Outras Activ.de Serv. Colect., Sociais e Pessoais
Peso no crédito total (%)
Fonte: BNA
FIGURA 21 : EVOLUÇÃO DO NOVO CRÉDITO CONCEDIDO POR MOEDAS (KZ MILHÕES)
Relativamente às taxas de juro praticadas nas operações passivas em moeda nacional (remuneração dos depósitos), estas registaram aumentos em todas as maturidades, isto é, de até 90 dias, de 91 a 180 dias e de 181 dias a 1 ano, passando de 5,83% para 6,96% e de 9,83% para 9,94% e de 8,30% para 9,06%, respectivamente. Para a maturidade de mais de 1 ano registou-se redução, passando de 15,09% para 12,35%.
O agregado monetário M2 situou-se em Kz 12,15 biliões, correspondendo a um aumento de 3,92% face ao mês anterior (aumento de 18,57% em termos homólogos), por outro lado, as suas contrapartes, os activos externos (líquido) expandiram em 5,02% (contracção de 2,32% quando retirado o efeito cambial) e os activos internos líquidos expandiram em 2,17%. Quanto ao agregado monetário M2 em moeda nacional, o mesmo expandiu em 2,95% face ao mês precedente (aumento de 13,87% em termos homólogos), reflectindo-se na expansão dos depósitos à ordem em moeda nacional, dos depósitos a prazo em moeda nacional e das notas e moedas em poder do público em 2,25%, 4,51% e 0,51%, respectivamente. 0,0 20 000,0 40 000,0 60 000,0 80 000,0 100 000,0 120 000,0 140 000,0 abr /1 9 m ai /19 jun /1 9 ju l/19 ago /1 9 set /1 9 out /1 9 nov /1 9 dez /1 9 jan /2 0 fev /2 0 m ar /2 0 abr /2 0 m ai /20 jun /2 0 ju l/20 ago /2 0 set /2 0 out /2 0 Kz Milhões ME MN
24
Mercado Cambial
No mês de Outubro de 2020, o BNA vendeu ao mercado um montante total de USD 269,83 milhões, o que representa uma redução de 30,63% em relação ao valor vendido em Setembro (USD 388,95 milhões). Todavia, o montante comprado pelos bancos ao mercado aumentou em 78,28% para USD 424,66 milhões, dos quais o montante de USD 191,78 milhões adquirido ao sector petrolífero o que representa um aumento de 33,56% face ao mês anterior (USD 143,59 milhões). No total (ao BNA e a outros), os bancos comerciais compraram o montante de USD 649,49 milhões, um aumento de 10,74% em relação ao mês de Setembro.
As Reservas Internacionais Brutas reduziram no período em análise.
Fonte: BNA
FIGURA 22 : EVOLUÇÃO DA OFERTA DE DIVÍSAS EM 2020
Em termos acumulados, durante os dez meses de 2020, os bancos compraram ao mercado (a todos os seus clientes), o montante de USD 3,44 mil milhões e USD 4,10 mil milhões ao BNA, quando no período homólogo do ano anterior havia sido comprado USD 1,61 milhões (mais 114,05%) e USD 7,65 mil milhões (menos 46,46%), o que evidencia a redução gradual do papel do BNA como principal provedor dos recursos em moeda estrangeira no mercado cambial, resultante das reformas implementadas para a liberalização deste mercado.
No mercado primário, o kwanza depreciou-se face ao dólar norte-americano em 6,99%, em Outubro fixando-se em USD/Kz 666,79 ante os USD/Kz 620,21 observados em Setembro. Em relação ao euro, a taxa de câmbio aumentou em 6,73% passando de EUR/Kz 726,18 em Setembro para EUR/Kz 778,614 em Outubro. Em termos acumulados, registou-se uma depreciação do kwanza face ao dólar norte-americano e ao euro em cerca de 27,68% e de 30,54%, respectivamente. 100,0 300,0 500,0 700,0 900,0 1 100,0 1 300,0
jan/20 fev/20 mar/20 abr/20 mai/20 jun/20 jul/20 ago/20 set/20 out/20
USD Milhões
No mercado secundário, assistiu-se a um aumento da taxa de câmbio praticada pelos bancos aos seus clientes, tendo a cotação do euro em relação ao Kwanza se situado em EUR/Kz 783,41, uma depreciação de 5,65%. Relativamente à cotação do dólar dos EUA em relação ao Kwanza, esta fixou-se em US/Kz 630,64 em Setembro para US/Kz 668,84 em Outubro, ou seja, uma depreciação 5,71% da moeda nacional em relação à sua congénere norte-americana.
Por seu turno, as Reservas Internacionais Brutas (RIB) reduziram ligeiramente em 0,91% em termos mensais, situando-se em USD 15,25 mil milhões, contra USD 15,39 mil milhões no mês anterior, representando um grau de cobertura de importações de bens e serviços de 11,45 meses, contra 10,54 meses em Setembro. As Reservas Internacionais Líquidas (RIL) situaram-se em USD 9,17 mil milhões no mês em análise, o que representa uma redução de 1,60% face ao mês anterior.
Fonte: BNA
FIGURA 23 : EVOLUÇÃO RESERVAS INTERNACIONAIS BRUTAS
15,44 15,25 0,0 2,0 4,0 6,0 8,0 10,0 12,0 14,0 16,0 18,0 20,0
out/19 dez/19 fev/20 abr/20 jun/20 ago/20 out/20
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O Banco Nacional de Angola (BNA) implementou, desde Outubro de 2019, o regime de taxa de câmbio flutuante, onde a taxa de câmbio é determinada pelas forças de mercado mediante a lei da procura e da oferta, visando a eliminação de distorções ao normal funcionamento da economia, o restabelecimento da confiança e a garantia de um crescimento económico sustentável, uma vez que a disponibilidade limitada de recursos em moeda estrangeira observada nos últimos anos, provocou grandes desequilíbrios no mercado cambial.
Adicionalmente, ainda em 2019, procedeu-se à desburocratização dos procedimentos para as operações de invisíveis correntes, à flexibilização dos limites aplicáveis aos vários instrumentos de pagamento para a importação de mercadoria e também à abertura parcial da conta de capital2, tornando o mercado cambial ainda mais eficiente.
De Outubro de 2019 a Outubro de 2020, observou-se uma depreciação da moeda nacional face ao Dólar dos EUA na ordem dos 25,52%. Por sua vez, o diferencial entre as Taxas de Câmbio de Referência e do Mercado Informal que passou de 24,14% em Outubro de 2019 para 15,25% em Outubro de 2020.
CAIXA 2: Um ano de Flexibilização Cambial
FIGURA 24: TAXAS DE CÂMBIO E DIFERENCIAL CAMBIAL
Fonte: BNA
De notar que no período de Outubro de 2019 a Março de 2020, antes da economia nacional ressentir os efeitos negativos da pandemia COVID-19, a moeda nacional depreciou 7,46% e o diferencial cambial havia apresentado uma redução de cerca de 13 pontos percentuais, o que evidenciava uma relativa estabilidade da moeda nacional em relação ao dólar dos EUA, visto que de forma linear neste período de 7 meses a depreciação média foi de 1,06% por mês. Em outras palavras, pode-se afirmar que o mercado estaria em processo de correcção do efeito do overshoot, ocorrido em Outubro de 2019, infelizmente o mesmo foi interrompido com o choque externo.
2Avisos 08 a 14/2019 e Instrutivos 16 e 18/2019.
E partir aqui é que se consegue enxergar os benefícios da liberalização cambial, uma vez que permitiu a absorção do choque externo (COVID-19) pela taxa de câmbio, contrariamente a aquilo que se observava nos anteriores (2010, 2014 e 2016). E esta absorção contribuiu positivamente nas contas externas, através da redução das importações de bens e serviços e consequentemente a manutenção das Reservas Internacionais a nível que garante a sustentabilidade externa do País.
Fonte: BNA
FIGURA 25 : VARIAÇÃO DAS RESERVAS INTERNACIONAIS
-8 000,0 -7 000,0 -6 000,0 -5 000,0 -4 000,0 -3 000,0 -2 000,0 -1 000,0 0,0 1 000,0 2 000,0 2014 2015 2016 2017 2018 2019 2020 Em Milhões de dólares RIB RIL
Assiste-se também neste novo regime cambial a uma alocação cada vez mais eficiente dos recursos escassos de moeda estrangeira, que se reflecte na satisfação de grande parte da procura por moeda estrangeira.
As consequências geralmente apontadas de uma flexibilização cambial, nomeadamente o aumento da volatilidade cambial e um repasse significativo destes aos preços, não foi acentuada, visto que em 2019 a tendência de desaceleração da inflação na economia foi factual, apesar da forte depreciação registada resultante do efeito overshoot.
Fonte: BNA
TABELA 4 : VARIAÇÃO ACUMULADA ATÉ 30/10/2020 DO KWANZA, EURO E DAS MOEDAS EMERGÊNCIAS EM RELAÇÃO AO DÓLAR
31/12/19 30/10/20 KWANZA 482,23 666,787 -27,68% EURO 0,89 0,859 3,68% LIBRA 0,75 0,77 -1,67% IENE 108,58 104,66 3,75% RENMINBI 6,96 6,69 4,13% REAL 4,02 5,77 -30,24% RAND 14,44 16,46 -12,27% RUBLO 62,05 79,40 -21,86%
28
liberalização do mercado cambial como o aumento de participantes no mercado de câmbio, o desenvolvimento de um mercado de câmbio mais profundo e líquido, além de transformações macroeconómicas e estruturais relevantes.
Neste sentido, o BNA tem reduzido a sua actuação como principal provedor dos recursos em moeda estrangeira no mercado cambial, tendo implementado várias iniciativas com destaque para:
• Venda directa de recursos em moeda estrangeira das companhias petrolíferas aos bancos comerciais ao
abrigo do Aviso nº 13/2019, de 11 de Dezembro; •
•
Fonte: BNA
FIGURA 26: COMPRA DE DIVISAS DOS BANCOS COMERCIAIS
Entrada em funcionamento da plataforma de negociação electrónica da Bloomberg, denominada FXGO, à luz do Instrutivo nº02/2020, de 30 de Março), para a realização das transacções de compra e venda de moeda estrangeira entre os bancos comerciais e as sociedades do sector petrolífero e gás, conferindo uma maior transparência no mercado cambial, e a adequação do sistema financeiro angolano às boas práticas internacionais;
Participação do sector diamantífero na plataforma de negociação de operações de compra e venda de divisas com os bancos comerciais ao abrigo do Aviso nº13/2020;
• Entrada do Tesouro Nacional na plataforma de negociação da Bloomberg.
0,0 200,0 400,0 600,0 800,0 1 000,0 1 200,0 1 400,0
ago/19 set/19 out/19 nov/19 dez/19 jan/20 fev/20 mar/2 0
abr/20 mai/2 0
jun/20 jul/20 ago/20 set/20 out/20
Outros Sectores Sector Diamantífero Setor Petrolífero BNA
Em um ano de flexibilização cambial assistiu-se por um lado, o restabelecimento da competitividade externa da economia nacional, factor determinante para a diversificação da mesma e, por outro lado, a criação de condições essenciais (robustez económica) para a absorvência dos choques externos, através da taxa de câmbio.
Contudo, o processo de liberalização cambial é gradual, uma vez que mais relevantes condições, sobretudo de ponto de vista de estrutura do sector real da economia, precisam de ser criadas de maneira a evitar que grandes volatilidades da taxa de câmbio por força de choques como o vivenciado em 2020 com a COVID-19, venham a exercer um impacto significativamente adverso na dinâmica de preços internos e consequentemente no funcionamento normal da actividade económica.
Preços
A taxa de inflação mensal do Índice de Preços no Consumidor Nacional (IPCN), divulgado pelo INE, no mês de Outubro de 2020, aumentou ligeiramente em 0,02 p.p. fixando-se em 1,81%. A taxa de crescimento homólogo situou-se em 24,34%, uma acele-ração de 8,27 p.p. em compaacele-ração com os níveis de 16,07% registados no mesmo mês de 2019.
O incremento mensal verificado, deveu-se ao aumento da contribuição da metade das doze classes do IPCN, com realce para a classe 01. “Alimentação e Bebidas não Alcoólicas”, cuja contribuição passou de 0,98 p.p. em Setembro para 1,02 p.p. no mês de Outubro. O aumento de preço desta classe poderá estar associado ao período sazonal caracterizado pelo aumento da procura deste tipo de bens, pela implementação do Imposto sobre Valor Acrescentado (IVA) aos nove (9) produtos alimentares
que integram a cesta básica3, bem como a depreciação do kwanza em relação ao dólar norte-americano e o euro observado
durante o período em análise.
A inflação homóloga nacional manteve a sua trajectória ascendente, situando-se em Outubro de 2020, em 24,34%.
Fonte: INE
FIGURA 27 : EVOLUÇÃO DA VARIAÇÃO DO IPCN
1,14 1,04 1,09 1,05 1,09 1,08 1,52 1,44 1,45 1,38 1,53 1,91 2,05 1,72 1,85 2,05 1,94 1,74 1,78 1,83 1,79 1,81 0,0 0,5 1,0 1,5 2,0 2,5 jan /1 9 fev /1 9 m ar /1 9 abr /1 9 m ai /19 jun /1 9 ju l/19 ago /1 9 set /1 9 out /1 9 nov /1 9 dez /1 9 jan /2 0 fev /2 0 m ar /2 0 abr /2 0 m ai /20 jun /2 0 ju l/20 ago /2 0 set /2 0 out /2 0 % Inflação Mensal 18,22 17,96 17,56 17,36 17,14 16,94 17,24 17,50 16,08 16,07 16,32 16,89 17,95 18,74 19,62 20,81 21,82 22,62 22,93 23,41 23,82 24,34 0,0 5,0 10,0 15,0 20,0 25,0 30,0 jan /1 9 fev /1 9 m ar /1 9 abr /1 9 m ai /19 jun /1 9 ju l/19 ago /1 9 set /1 9 out /1 9 nov /1 9 dez /1 9 jan /2 0 fev /2 0 m ar /2 0 abr /2 0 m ai /20 jun /2 0 ju l/20 ago /2 0 set /2 0 out /2 0 % Inflação Homóloga
No período em análise, os maiores aumentos de preços foram registados nas seguintes classes: i) 01. “Alimentação e Bebidas não Alcoólicas”; ii) 02. “Bebidas Alcoólicas e Tabaco” e iii) 11. “Hotéis, Cafés e Restaurantes”. Quanto à contribuição para a inflação total, destaca-se as classes 01. “Alimentação e Bebidas não Alcoólicas”, 12. “Bens e Serviços Diversos” e a classe 03. “Vestuário e Calçado”, enquanto as menores contribuições registaram-se na classe 09. “Lazer, Recreação e Cultura” seguida das classes 02. “Bebidas Alcoólicas e Tabaco” e 04. “Habitação, Água, Electricidade e Combustíveis”.
30
Classes out/19 ago/20 set/20 out/20 Contribuição acumulada (Jan.20 - Out.20) Contribuição mensal média
01. Alimentação e bebidas não alcoólicas 0,88 0,99 0,98 1,02 11,76 1,08
12. Bens e serviços diversos 0,07 0,21 0,17 0,14 1,49 0,14
05. Mobiliário, equip. doméstico e manutenção 0,10 0,13 0,12 0,13 1,26 0,12
03. Vestuário e calçado 0,10 0,15 0,13 0,14 1,26 0,12
06. Saúde 0,05 0,09 0,08 0,08 0,89 0,08
07. Transportes 0,06 0,07 0,09 0,09 0,79 0,07
11. Hotéis cafés e restaurantes 0,05 0,06 0,05 0,06 0,62 0,06
10. Educação 0,00 0,00 0,00 0,00 0,62 0,06
02. Bebidas alcoólicas e tabaco 0,04 0,06 0,04 0,05 0,56 0,05
04. Habitação, água, electricidade e combustíveis 0,01 0,05 0,06 0,05 0,55 0,05
09. Lazer, recreação e cultura 0,03 0,02 0,07 0,04 0,34 0,03
08. Comunicações 0,00 0,00 0,00 0,00 0,03 0,00
Inflação geral 1,38 1,83 1,79 1,81 20,18 1,86
Fonte:INE
TABELA 5 : CONTRIBUIÇÃO DAS CLASSES NA INFLAÇÃO (P.P)
A nível provincial, a maior taxa de inflação mensal foi observada na província da Lunda Norte (2,13%), Luanda (1,99%) e do Moxico (1,83%), e a menor taxa foi registada nas seguintes províncias: i) Cunene (1,27%), ii) Lunda Sul (1,38%) e iii) Namibe (1,40%). A inflação da província da Lunda Norte, ao longo dos dez meses fixou-se em média nos patamares de 2%, justificada, principalmente, pela aceleração dos preços da classe dos alimentos (+2,63%), suportada pela variação média dos preços da coxa de frango, milho em grão e frango congelado.
Quanto à contribuição, a província de Luanda foi a que mais incidiu na variação do IPCN com 1,23 p.p., equivalente 67,96%. As menores contribuições foram apuradas nas províncias do Bengo, Zaire, Lunda Sul e Cuanza Norte (com o mesmo valor 0,01 p.p.).
No mês de Outubro de 2020, a taxa de variação da medida de núcleo de exclusão referente à inflação nacional, fixou-se em 1,91%, uma aceleração quando comparada com o mês de Setembro (1,83%), elevando a uma taxa de crescimento homólogo de 24,91%, níveis superiores aos verificados no mês transacto (24,39%). A aceleração verificada no mês, foi impulsionada pelo incremento da contribuição das suas componentes, nomeadamente:
Fonte: INE
FIGURA 28 : EVOLUÇÃO DA VARIAÇÃO DO NÚCLEO DE INFLAÇÃO
Em Outubro de 2020, a taxa de variação mensal do Índice de Preços Grossita (IPG) aumentou ligeiramente em 0,05 p.p. ao atingir os 2,15%, nível mais alto desde o mês de Novembro de 2016, suportado, maioritariamente, pelo aumento da contribuição dos produtos importados e comercializados internamente, que responderam por 74,41%. No acumulado dos dez meses do ano de 2020, a variação do IPG atingiu os 21,49%, um incremento de 6,38 p.p. em relação a igual período do ano passado, suportada pela contribuição acumulada dos produtos importados que representam 74,55% da inflação total.
ii) “Outros5”, explicado pelo aumento da contribuição do serviço de transporte aéreo, abastecimento de água
no mercado paralelo e das refeições em restaurantes e similares. O aumento da contribuição da passagem aérea doméstica pode estar relacionado ao aumento da procura face à limitação dos voos às províncias e a indexação cambial das tarifas dos voos.
De salientar que a inflação do núcleo dos alimentos situou-se em 2,26%, ligeiramente acima os patamares observados no período anterior (2,12%) e no mês equivalente de 2019 (2,22%).
i) “Núcleo de inflação de alimentos” (com 0,93 p.p. face aos 0,87 p.p. de Setembro), devido ao acréscimo da
contribuição de alguns bens, com destaque para o Pão e Cereais e Açúcar e similares. Este aumento evidencia o impacto da entrada em vigor do IVA para os produtos da cesta básica, a depreciação da moeda nacional em relação dólar dos EUA e o Euro. Adicionalmente, destaca-se a redução da oferta de farinha de trigo reflexo da diminuição da capacidade produtiva resultante dos efeitos perversos da Covid-19.
0,00 5,00 10,00 15,00 20,00 25,00 30,00 0,00 0,50 1,00 1,50 2,00 2,50 jan /1 9 fev /1 9 m ar /1 9 abr /1 9 m ai /19 jun /1 9 ju l/19 ago /1 9 set /1 9 out /1 9 nov /1 9 dez /1 9 jan /2 0 fev /2 0 m ar /2 0 abr /2 0 m ai /20 jun /2 0 ju l/20 ago /2 0 set /2 0 out /2 0 % %
Variação Mensal do Núcleo (eixo à esquerda) Variação Homóloga do Núcleo (eixo à direita)
15 17 19 21 23 25 27 jan /1 9 fev /1 9 m ar /1 9 abr /1 9 m ai /19 jun /1 9 ju l/19 ago /1 9 set /1 9 out /1 9 nov /1 9 dez /1 9 jan /2 0 fev /2 0 m ar /2 0 abr /2 0 m ai /20 jun /2 0 ju l/20 ago /2 0 set /2 0 out /2 0 %
32
Em termos homólogos, os preços grossistas registaram um aumento de 25,51%, acima dos 24,82% e 18,10% apurados no mês passado e no mesmo período de 2019, respectivamente. O principal responsável por este aumento, foi a contribuição dos produtos importados de 19,02 p.p., o equivalente a 74,56%, tendo em conta o seu peso na matriz dos produtos que compõem o IPG.
Fonte: INE
TABELA 6 : EVOLUÇÃO DO IPG
No mês em referência, os produtos nacionais registaram uma ligeira aceleração mensal (0,03 p.p.), ao atingir uma taxa de variação de 2,47%, valor mais elevado desde o final de 2016, demonstrando pelo décimo mês consecutivo, uma rigidez no ritmo de crescimento dos seus preços acima dos 2%, correspondendo a uma taxa de crescimento médio do ano corrente de 2,27% ante os níveis de 1,62% evidenciados no mesmo período de 2019. No que tange às secções, a maior aceleração de preços foi verificada na secção A – “Agricultura, Produção Animal, Caça e Silvicultura” com 2,83% (2,82% de Setembro).
Por sua vez, o conjunto dos 134 produtos importados e comercializados no mercado nacional apresentaram uma aceleração de preços menos acentuada, com uma taxa de variação mensal de 2,06%, e média de 1,88%. A evolução desta componente foi explicada, maioritariamente, pela contribuição dos seguintes produtos: gado abatido, carne de ave e leite e derivados.
out/19 set/20 out/20 out/19 set/20 out/20 IIPPGG 11,,5588 22,,1100 22,,1155 11,,5588 22,,1100 22,,1155 Nacional 1,88 2,44 2,47 0,41 0,54 0,55 Importado 1,50 2,00 2,06 1,18 1,55 1,60
A tendência de aumento dos produtos importados, poderá estar associada à dinâmica dos preços de bens alimentares no mercado internacional, reflectida no comportamento do seu índice de preços, que tem acelerado desde o mês de Junho do ano corrente, tendo alcançado no período em análise uma taxa de variação de 3,12% contra os 2,02% do igual mês de 2019.
Vale sublinhar também o efeito da depreciação da taxa de câmbio do kwanza em relação ao dólar dos EUA e ao Euro, observada observado nestes períodos em análise.
É notório que o ritmo de crescimento dos preços nos estabelecimentos grossistas continua a ser mais célere que nos estabelecimentos retalhistas, tendo a discrepância entre a variação do IPG (2,15%) e do IPCN (1,81%) aumentado de 0,31 p.p. em Setembro para 0,34 p.p. no mês em referência.
Fonte: INE
FIGURA 29 : EVOLUÇÃO DA VARIAÇÃO DO IPG
1,1 1,3 1,5 1,7 1,9 2,1 2,3 2,5 2,7 jan /1 9 fe v/1 9 m ar/ 19 abr /1 9 m ai/ 19 jun /1 9 ju l/1 9 ag o/ 19 se t/19 ou t/1 9 no v/ 19 dez /1 9 jan /2 0 fe v/2 0 m ar/ 20 abr /2 0 m ai/ 20 jun /2 0 ju l/2 0 ag o/ 20 se t/20 ou t/2 0 t.v.m. (% )
Produtos Nacionais Produtos Importados IPG
15,0 17,0 19,0 21,0 23,0 25,0 27,0 29,0 31,0 ja n/ 19 fe v/ 19 m ar/ 19 ab r/1 9 m ai/ 19 jun/ 19 ju l/1 9 ag o/ 19 se t/1 9 ou t/1 9 no v/ 19 de z/1 9 ja n/ 20 fe v/ 20 m ar/ 20 ab r/2 0 m ai/ 20 jun/ 20 ju l/2 0 ag o/ 20 se t/2 0 ou t/2 0 t.v .h . ( % )
Produtos Nacionais Produtos Importados IPG
1,1 6,1 11,1 16,1 21,1 26,1 31,1 jan /2 0 fe v/2 0 m ar/ 20 abr /2 0 m ai/ 20 jun /2 0 ju l/2 0 ag o/ 20 se t/20 ou t/2 0 t.v.a. (%)
GLOSSÁRIO
Activo: Activo: Recursos disponíveis.
Agregados monetários: são medidas quantitativas para a oferta de moeda classificadas de acordo com o seu grau de liquidez. O agregado M1 inclui as notas e moedas em poder do público e os depósitos transferíveis. O agregado M2 inclui o M1 e outros depósitos. O agregado M3 inclui o M2 mais outros instrumentos financeiros.
Base monetária: passivo do Banco Central, e é constituída pelas reservas bancárias (livres e obrigatórias) e pela circulação monetária.
Bilhetes do Tesouro (BT): instrumentos de dívida pública de curto prazo em moeda nacional com prazos de 91, 182 e 364 dias. Bolsa de Dívida e Valores de Angola (BODIVA): mercado secundário onde são transaccionados títulos da dívida pública entre intermediários financeiros (IF’s). Classificam-se como IF’s as instituições bancárias, as sociedades correctoras e as sociedades distribuidoras, devidamente licenciados pela Comissão do Mercado de Capitais.
Bolsa de Títulos do Tesouro (MBTT): mercados onde são admitidos unicamente valores mobiliários escriturais que estejam integrados no sistema centralizado e que cujos requisitos mínimos são regulados por lei e determinados pelo organismo de supervisão do mercado de valores mobiliários.
Conta Única do Tesouro (CUT): depósito do Tesouro no Banco Central, a partir da qual são registados os movimentos de receitas e despesas governamentais. A CUT está dividida em CUT ME, onde são registados os movimentos em moeda estrangeira, e CUT MN, onde são registados os movimentos em moeda nacional.
Coeficiente de reservas obrigatórias: percentagem dos depósitos que os bancos comerciais são obrigados a depositar no Banco Central sob pena de serem penalizados. O coeficiente de reservas obrigatórias é um instrumento de gestão da liquidez bancária utilizada pelos Bancos Centrais, tanto em moeda nacional como em moeda estrangeira. No caso de uma redução do coeficiente, os bancos comerciais têm maior capacidade de utilizar a sua liquidez e vice-versa.
Depreciação (apreciação): variação cambial negativa (positiva) que surge da interacção entre os mercados, ocorrendo assim em economias com câmbios flexíveis.
Desvalorização (valorização): variação cambial negativa (positiva) que surge da decisão da autoridade monetária, podendo ser o Governo e/ou o Banco Central.
Eurobonds: títulos de dívida denominados numa moeda diferente da moeda nacional do país. Estes títulos geralmente possuem um pagamento de cupão fixo, sendo totalmente reembolsadas no vencimento.
Facilidade permanente de cedência de liquidez (overnight): é estabelecida com um spread sobre a taxa básica e serve para fornecer liquidez diária aos bancos que prefiram recorrer ao BNA em vez do mercado interbancário. Estas são operações reversíveis suportadas por Títulos Públicos em moeda nacional (BT, OT) de qualquer maturidade.
Facilidade permanente de absorção de liquidez (overnight): é estabelecida retirando um spread à taxa básica, sendo que esta funciona como uma opção que os bancos com liquidez excedentária poderão usar no caso de não quererem emprestar no mercado interbancário. Não existe limites para os montantes depositados.
Indicador de Actividade Económica (IAE): ferramenta destinada a medir a evolução da actividade económica no curto prazo. Matematicamente é um índice de quantidade de Laspeyres que mede as mudanças na actividade económica, descrevendo o comportamento dos diferentes ramos os sectores da economia. Este indicador é do uso exclusivo do BNA.
Indicador de Clima Económico (ICE): instrumento de avaliação das expectativas dos empresários sobre a evolução da econo-mia no curto prazo. Este indicador é resultado da média aritmética simples dos saldos das respostas extremas (SER) das variá-veis que compõem os diferentes indicadores de confiança (IC) sectoriais após a sua normalização e aplicada uma média móvel. LUIBOR (Luanda Interbank Offered Rate): os bancos que têm excesso de liquidez emprestam aos bancos que não a têm no mercado interbancário. A taxa LUIBOR é calculada como a taxa média ponderada das operações de cedência de liquidez, em moeda nacional, entre bancos, de fundos não garantidos no mercado interbancário, para maturidades desde overnight e por consulta ao mercado para maturidades de 1, 3, 6, 9 a 12 meses, excluídas as ofertas “fora de mercado” (outliers). Acrónimo inglês de taxa interbancária de oferta de fundos do mercado de Luanda.
Mercado Monetário Interbancário (MMI): sistema através do qual as instituições bancárias transaccionam liquidez entre si, mediante operações sem exigência de garantia. Permite às instituições com excesso de liquidez obter um retorno superior à taxa praticada pelo BNA (facilidade permanente de absorção de liquidez), e permite às instituições com défice de liquidez obter financiamento a uma taxa inferior à praticada pelo BNA (facilidade permanente de cedência de liquidez), ou de forma não colateralizada.
Mercado de Registo de Operações sobre Valores Imobiliários (MROV): mercado destinado exclusivamente ao registo de operações previamente realizadas, mas não liquidadas, de quaisquer tipos de valores mobiliários, que não estejam admitidos à negociação no mercado de bolsa.
Obrigações do Tesouro (OT): instrumentos de dívida pública de médio e longo prazo em moeda nacional com prazos superiores a 364 dias, cujo objectivo consiste em obtenção de recursos para satisfação das necessidades de financiamento e investimento do Estado. Estas podem ser: OT não reajustáveis; OT indexadas à taxa de câmbio; OT em moeda externa. Prazos entre 2 a 7 anos. Operação de Mercado Aberto (OMA): operações realizadas por iniciativa do BNA, com o objectivo de gerir a liquidez existente no sistema bancário envolvendo a compra/venda de títulos do tesouro para levar à cedência/absorção de liquidez. Podem ser divididas em três categorias: operações de refinanciamento; operações ocasionais de regularização; operações estruturais. Overnight: operação cujo prazo se estende de um dia útil ao seguinte.
Passivo: obrigações para com terceiros.
Reservas Brutas ou Activo de Reservas: são aqueles que estão prontamente disponíveis e controlados por instituições monetárias para atender a balança de pagamentos, necessidades de financiamento, para intervenção nos mercados de câmbio para afectar a taxa de câmbio e para outras finalidades relacionadas (MBP6).
Taxa BNA (taxa de referência): taxa básica definida pelo Banco Nacional de Angola, no seu Comité de Política que sinaliza a orientação da política monetária. Uma subida da taxa BNA indica um curso mais restritivo da política monetária, em que, por exemplo, o BNA prevê um cenário de aumento geral dos preços, no curto prazo.
Taxas de juro activas: são as taxas de juro que os bancos cobram aos clientes pela concessão de crédito. Taxas de juro passivas: são as taxas de juro a que os bancos remuneram os clientes pelos seus depósitos.