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GEOGRAFIA E HISTÓRIA DE RONDÔNIA

O moderno Estado de Rondônia, cuja capital é Porto Velho, surgiu da cisão de terras que, no passado, pertenciam aos seguintes Estados: Mato Grosso e Amazonas. Ao ser criado, em 1943, foi denominado de “território de Guaporé”. Em 17 de fevereiro de 1956, passou a ser chamado de Rondônia, mas só foi integrado à Federação em 1981. Seu nome é uma homenagem ao explorador dos sertões do Amazonas e do Mato Grosso, Cândido Mariano da Silva Rondon, o conhecido marechal Rondon.

Em busca de novas terras e riquezas, franceses, ingleses, portugueses, holandeses e espanhóis entraram no Estado do Amazonas, por volta do século 17, período em que teve início a ocupação européia em terras amazonenses. Mas essa invasão passou a ser controlada, especialmente, pelo Tratado de Tordesilhas (importante documento que regulou a expansão e descobertas de Portugal e Espanha por meio de medidas limítrofes) e pelo Tratado de Madri (documento que gerou novas definições de limites, concedendo a Portugal o direito de proteger e de se apropriar definitivamente da região).

Seu povoamento foi efetivado com a exploração dos seringais, no século 19, por ocasião da etapa do ciclo da borracha. Nesse período, a construção da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré (EFMM) foi importantíssima.

Bacias hidrográficas

As três bacias principais:

Bacia do Rio Madeira

O principal rio dessa bacia se chama Madeira. É muito importante, pois converge do rio Amazonas (margem direita), juntamente com seus afluentes. As expedições estrangeiras navegaram muito por suas águas e os jesuítas estabeleceram uma base missionária em sua foz.

As proporções do rio Madeira são interessantes. Sua profundidade pode ir além dos 13 metros e sua largura varia entre 440 e 9.900 metros. Por causa disso, é natural que grandes navios naveguem por suas águas. Segundo a Enciclopédia Britânica, o rio Madeira, apesar de ser extenso: 3.370 km, só pode ser navegado num percurso total de 1.500 km. Devido ao seu tamanho, percorre os Estados do Amazonas e Rondônia.

Bacia dos rios Guaporé e Mamoré

O rio Guaporé está situado entre o Brasil e a Bolívia. Seu percurso total é de 1.716 km. Nasce a 1.800 m de altitude na

Chapada dos Parecis, em Mato Grosso. Ao entrar em área rondoniense, encontra-se com o rio Mamoré, cuja largura varia entre 150 e 710 metros, com cerca de 2 a 10 metros de profundidade.

O rio Guaporé “presenciou” grandes lutas, travadas entre os portugueses e os espanhóis.

O rio Mamoré, por sua vez, é proveniente da Cordilheira dos Andes (na Bolívia), onde é conhecido pelo nome de Grande de La Plata. Ao receber as águas do rio Guaporé, que se unem ao rio Beni (também na Bolívia), passa a ser designado de Mamoré, formando a nascente do rio Madeira.

Bacia do rio Ji-Paraná

O rio Ji-Paraná é o mais destacado afluente do rio Madeira, em Rondônia, devido à longa extensão do seu curso, que cruza todo o Estado no sentido Sudeste/Nordeste. Sua complexidade hidrográfica atinge uma superfície de 92.500 km², aproximadamente.

Os principais rios que formam estas Bacias hidrográficas:

Rio Guaporé Nasce na serra dos Parecis, região de Mato Grosso. Ao alcançar a cidade de Vila Bela, toma a direção norte-oeste entrando em terras rondonienses na cidade de Pimenteiras do Oeste, passando por Cabixi, Cerejeiras, São Miguel do Guaporé até Costa Marques. A 12o de latitude sul recebe as águas do rio Mamoré. Seu trecho navegável é de 1.500 quilômetros e se constitui em fronteira natural entre o Brasil e a Bolívia. Seus afluentes brasileiros são os rios Cabixi, Corumbiara, Mequéns, Colorado, São Miguel, Cautário e Cautarinho, todos com nascentes na Chapada dos Parecis; Rio Mamoré Nasce na Cordilheira dos Andes, em território boliviano com o nome Grande de La Plata, passando a ser designado Mamoré quando alcança a Serra dos Pacaás Novos, região de Guajará-Mirim. Constituindo-se em fronteira natural entre o Brasil e a Bolívia, recebe as águas do rio Guaporé e, ao juntar-se ao Beni, outro rio boliviano, recebe a designação Mamoré e passa a formar a nascente do rio Madeira. Seu curso possui uma extensão de 1.100 quilômetros e é totalmente navegável. Tem como principais afluentes brasileiros os rios Sotério, pacaás Novos, Bananeiras e Ribeirão ou Lajes. Seus acidentes hidrográficos são as corredeiras Lages, Bananeiras, Acu e Guajará-Mirim; Rio Ji-Paraná ou Machado Nasce da junção dos rios Barão de Melgaço, também chamado de Comemoração de Floriano, e Apediá, chamado de Pimenta Bueno, na chapada dos Parecis. Seu curso tem uma extensão de 800 quilômetros, atravessando a região central do Estado até desembocar no rio Madeira, região de Calama, no município de Porto Velho. Tem como afluentes pela margem direita os rios Riozinho, Lourdes, São João e Tarumã. Pela margem esquerda os afluentes são os rios Luiz de Albuquerque, Rolim

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de Moura, Ricardo Franco, Preto, Jaru, Boa Vista, Urupá e Machadinho. Seu principal acidente hidrográfico, dentre os vários existentes e que dificultam a navegação, é a cachoeira 02 de Novembro, localizada no município de Machadinho do Oeste. Rio Madeira ou Caiary Nasce na junção dos rios Beni e Mamoré, sendo o maior afluente do rio Amazonas pela margem direita. Sua extensão é de 3.240 quilômetros, sendo 1.700 em território brasileiro. Mas, devido aos diversos acidentes hidrográficos, seu curso navegável é de 1.116 quilômetros, a partir da cachoeira de Santo Antonio, em Porto Velho até Itacoatiara,AM. Seus afluentes pela margem direita são os rios Ribeirão, Mutum-Paraná, Jacy-Paraná, Jamari e Machado. Pela margem esquerda os afluentes são os rios Abunã, Ferreiros, José Alves, São Simão e o igarapé Cuniã. - Os acidentes hidrográficos existentes no rio Madeira são os seguintes: (trecho Porto Velho/Guajará-Mirim) Corredeiras: Periquitos, Três Irmãos, Macaco, Morrinhos, Pederneiras, Chocolatal, Araras e Lages. Guajará-Açu e Guajará-Mirim; Cachoeiras: Santo Antonio, Caldeirão do Inferno, Paredão, Misericórdia, Madeira, Pau Grande e Bananeiras; Saltos: Teotônio, Girau e Ribeirão. As principais Ilhas do Estado: No Rio Madeira, Santana, Jacy-Paraná, Três Irmãos, 7 de Setembro, Misericórdia, 15 de Novembro, Marina e Anús ou da Confluência: No Rrio Mamoré, Soares e Saldanha: No Rio Guaporé, Comprida.

PLANÍCIE AMAZÔNICA (vale do Madeira), serra

dos Parecis e serra dos Pacaás Novos (vale do Guaporé). Nesta serra localiza-se o ponto mais elevado de Rondônia, o Pico do Tracuá. Principais rios Rios Machado ou Ji-Paraná; Guaporé, Mamoré, Madeira, Jacy-Paraná, Mutum-Paraná, Aripuanã ou Roosevelt, e Jamary.

A planície Amazônica situada nos estados de Rondônia, apresenta a altitude de 90 a 200 metros acima do nível do mar, estende-se desde o extremo norte nos limites deste com o Estado do Amazonas, se prolongando nas direções sul e sudeste até encontrar as primeiras ramificações da chapada dos Parecis e da Encosta Setentrional.Esta Planície se constitui em sua superfície aplainada morfoclimática típica de floresta, resultante das oscilações climáticas do período quaternário com climas mais secos sucedidos por climas mais úmidos, atuando para o seu aplainamento e compartimentação da superfície revestida por seixos, laterito, sedimentos areno-argilosos nas áreas de terra firme, de acumulação areno-argilosos recentes nas áreas de várzea e de constituição argilo-ferruginosa nos barrancos.

ENCOSTA SETENTRIONAL DO PLANALTO BRASILEIRO

Este acidente do relevo do Estado é correspondente a uma faixa de terreno arqueano, constituída de restos de uma

superfície de aplainamento rebaixada pelas sucessivas fases erosivas, subdivididas em patamares de altitude entre mais de 100 metros e menos de 600 metros formando detritos residuais espersas, colinas de topos plainados, colinas com inselbergs, pontões, afilamentos de granitos, lateritos e matacões de tamanhos variados, morros isolados e esporões de cristas agudas.

Sobre as superfícies plainadas surgem rochas sedimentares (pleistocenas) e depósitos em conseqüência da erosão provocada por violentas enxurradas, ocorridas em períodos remotos, em decorrência do clima mais seco e por falta da cobertura florestal.

CHAPADA DOS PARECIS - PACAÁS NOVOS

A chapada dos Parecis-Pacaás Novos constitui a superfície cimeira do Estado, desenvolvendo-se na direção Noroeste - Sudeste é pertencente ao sistema mato-grossense do Maciço Central Brasileiro com altitude acima de 300, e entre 600 a 900 metros, com pontos culminantes acima de 1.000 m.

A Chapada é originária de uma antiga área de deposição, soerguida e entalhada pela erosão por intenso processo de movimentos diastróficos de caráter epirogenético, originando falhamento e diaclasamento do relevo, como: superfície cimeira entalhada de rochas correspondentes às partes mais elevadas; restos de antigas superfícies deformadas por desdobramentos de grandes raios de curvaturas bastante dissecada e delimitadas por falhas; e patamares de erosão antiga glacial escalonadas.

Vários rios nascem em suas encostas Sul e Oeste descendo na direção do rio Guaporé. A Chapada serve de divisória de águas entre as bacias do rio Jaci - Paraná e dos rios Guaporé - Mamoré, do rio Jí-Paraná e do Roosevelt.

VALE DO GUAPORÉ-MAMORÉ

Vale do Guaporé-Mamoré é uma vasta planície dissimétrica de forma tabular, formada por terrenos sedimentares recentes, cuja altitude média fica entre 100 a 200 metros. Estende-se desde o sopé das chapadas dos Parecis e Pacaás Novos no Estado de Rondônia, até atingir os primeiros contrafortes dos Andes, na República da Bolívia; na direção Sudeste se prolonga pelo Estado de Mato Grosso. A porção pertencente ao Estado é restrita, fica limitada na direção Leste - Oeste entre a Chapada dos Parecis e rios Guaporé e Mamoré, ambos linhas de limite entre o Brasil e a Bolívia; na direção Norte - Sul, entre a Encosta Setentrional e rio Cabixi, nos limites com o Estado de Mato Grosso.

Esta região é constituída por terrenos alagadiços, associados a platôs mais elevados. É drenada pelas águas dos rios Guaporé, Mamoré e pelos baixos cursos de seus afluentes. As enchentes dos rios inundam dezenas de quilômetros das áreas mais baixas, formando lagos temporários e amplos meandros divagantes de escoamento bastante complexo.

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ASPECTOS GEOGRÁFICOS

Área Geográfica: 238.512,8 km2, representando 6,19% da região Norte e 2,80% do País. Rondônia é 3º Estado em extensão territorial da região Norte. No contexto nacional, constitui-se o 15º em extensão territorial e o 23º em termos populacionais. Limites: ao Norte e Nordeste, estado do Amazonas; ao Sul e Oeste, República da Bolívia; a Leste e Sudeste, estado de Mato Grosso; a Noroeste, os estados do Acre e do Amazonas. A extensão da fronteira do Estado de Rondônia com a república da Bolívia é de 1.342 quilômetros.

Setor Primário do Estado –

Agricultura, pecuária, piscicultura, apicultura, extrativismo vegetal e mineral. - O extrativismo mineral destaca-se pela ocorrência de ouro, cassiterita, diamante, nióbio, quartzo, granito e água mineral. - O extrativismo vegetal destaca-se pela produção de cacau, madeira em toras, castanha-do-pará e borracha silvestre. - O setor agrícola destaca-se nacionalmente por produzir cereais, café, soja, milho, banana, mandioca e algodão, além de hortifrutigranjeiros. - O efetivo pecuário é composto, principalmente, de rebanhos bovinos de corte e de leite, com mais de cinco milhões de cabeças e uma Bacia leiteira em franca expansão, notadamente nas regiões de Porto Velho, Jaru e Ouro Preto do Oeste.

Setor secundário

Prevalece a agroindústria, notadamente na produção de laticínios, na região central do Estado. Mas crescem as indústrias de transformação destinadas aos setores moveleiro, de confecções, couro e calçados.

Setor terciário

Envolve comércio e serviços, é o que mais cresce no Estado, tendo em vista a evolução urbana, a exemplo de municípios como Vilhena, Pimenta Bueno, Rolim de Moura, Cacoal, Ji-Paraná, Jaru, Ouro Preto e Ariquemes.

Principais grupos indígenas existentes –

Suruí, Gavião, Cinta Larga, Karipuna, Pakaas Nova, Arara, Kaxarari, Eu-Uru-Uau-Uau, Nhanbiquara e Karitiana.

Clima Predominante: - Equatorial quente-úmido ou

tropical úmido, variando de acordo com a altitude, com a temperatura variando entre 18o e 33o centígrados. A variação mínima ocorre no município de Vilhena e região, e a máxima no de Porto Velho e região. A estação chuvosa vai de outubro a março e o período de seca, de maio a setembro. Localização Geográfica: Região Norte, ao sul da Amazônia Ocidental. A região amazônica abrange os seguintes países: Bolívia, Colômbia, Equador, Guiana, Suriname, Peru, Venezuela e Brasil. No Brasil, onde fica localizada a Amazônia Ocidental, a Amazônia corresponde a 50% do território nacional e abrange os estados do Pará, Amazonas, Acre, Amapá, Roraima, Rondônia, Tocantins, parte do Maranhão e do Mato Grosso.

Poder Político A representação política do Estado de

Rondônia é constituída por três senadores e oito deputados federais que atuam no Congresso Nacional. Em nível estadual, a Assembléia Legislativa é composta por 24 deputados estaduais. No plano municipal, existem 537 vereadores, 52 prefeitos e 52 vice-prefeitos. O Poder Executivo Estadual é exercido pelo governador e, nos seus impedimentos, pelo vice-governador.

Formação Étnica É semelhante ao restante do país,

formada por brancos, negros e índios. Mas em virtude das fases de atração imigratória e migratória ocorrentes durante os ciclos de produção econômica, diversos povos dessas raças deram sua contribuição para o elemento humano rondoniense, cuja identidade regional ainda está em formação.

Ocupação humana O processo de povoamento do

espaço físico que constitui o estado de Rondônia começa no século XVIII, durante o ciclo do Ouro, quando mineradores, comercializadores, militares e padres jesuítas fundam os primeiros arraiais e vilas nos vales Guaporé-Madeira. A decadência desse ciclo de produção aurífera causa a involução populacional desses arraiais, vilas e cidades surgidas no auge do ciclo do Ouro, com o êxodo dos portugueses e paulistas que formavam o topo da sociedade da época. Mas ficam os negros remanescentes do escravismo, os mulatos e os índios já aculturados. No século XIX, o primeiro ciclo da Borracha, em sua fase primária, atraiu basicamente nordestinos e bolivianos para o trabalho nos seringais, mas não gerou núcleos de povoamento nesse espaço geográfico tendo em vista o conceito econômico, que não produzia riquezas locais, por tratar-se de uma economia de exportação, cujos principais núcleos localizavam-se Manaus e Belém. No entanto, os sub-ciclos gerados em decorrência da construção e funcionamento da Ferrovia Madeira-Mamoré, o Ferroviário, e das Estações Telegráficas da Comissão Rondon, o do Telégrafo, atraíram povoadores para as terras rondonienses originários de várias regiões brasileiras e de outros países, que se fixaram e formaram núcleos urbanos. As estações telegráficas da Comissão Rondon atraíram, principalmente, matogrossenses, paulistas e nordestinos, que trabalhavam nos serviços de telegrafia, e acomodavam-se em suas cercanias gerando pequenos núcleos urbanos, como Ariquemes, Presidente Pena ou Urupá, Pimenta Bueno e Vilhena. A Madeira-Mamoré atraiu vários contingentes imigratórios destinados ao trabalho nas obras da ferrovia, nos setores técnicos e administrativos da empresa com seus diversos ramos de exploração, comercialização e serviços, e ao comércio que se formava ao redor. Nesta fase de imigrações instalaram-se em terras rondonienses, notadamente nos núcleos urbanos de Porto Velho, Jacy-Paraná, Mutum-Jacy-Paraná, Abunã, Guajará-Mirim e Costa Marques, imigrantes turcos, sírios, judeus, gregos, libaneses, italianos, bolivianos, indianos, cubanos, panamenhos,

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porto-riquenhos, italianos, barbadianos, tobaguenses, jamaicanos e bolivianos. A migração ocorreu com a fixação de nordestinos procedentes dos estados do Ceará, Bahia, Rio Grande do Norte e Paraíba, além de amazonenses, paraenses e matogrossenses. O segundo ciclo da Borracha, iniciado em 1942, funcionou completamente diferenciado do primeiro e encontrou a região com sua infra-estrutura em fase de consolidação. Os povoadores dos seringais eram nordestinos, mas divididos em duas categorias, os seringueiros civis e os soldados da borracha, estes, incorporados ao Batalhão da Borracha. Os núcleos urbanos desenvolveram-se. O sistema de saúde pública melhorou consideravelmente e as ações de governo estenderam-se para o interior. A geopolítica regional passa por total transformação tendo em vista a criação do Território Federal do Guaporé em terras desmembradas dos estados de Mato Grosso e do Amazonas. Nesse período, as estações telegráficas da Comissão Rondon funcionavam como receptores de uma ocupação humana rural-rural, procedente do Mato Grosso, destinada á pecuária, formando grandes latifúndios onde funcionavam antigos seringais. O ciclo do Diamante promoveu mudanças substanciais na ocupação humana e desenvolvimento dos povoados de Rondônia (hoje Ji-Paraná) e Pimenta Bueno, enquanto o ciclo da Cassiterita expandiu a ocupação humana no espaço físico que compreende as microrregiões de Porto Velho e Ariquemes. O ciclo da Agricultura, cuja atração migratória começou desordenadamente em 1964, fixou em Rondônia contingentes migratórios procedentes do Mato Grosso, Goiás, Paraná, São Paulo, Santa Catarina, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Amazonas, Pará, Acre e do Nordeste, destacando-se os estados do Ceará, Bahia, Piauí, Paraíba e Sergipe. As microrregiões formadas pelos municípios de Vilhena, Pimenta Bueno e Rolim de Moura, receberam migrantes mato-grossenses, gaúchos e paranaenses, em sua maioria. As microrregiões formadas pelos municípios de Cacoal, Presidente Médice e Ji-Paraná, recebem gaúchos, paranaenses, paulistas, e nordestinos, em sua maioria. Migrantes capixabas, paranaenses, mineiros e baianos formam a maioria dos que se fixaram nas microrregiões de Ouro Preto, Jaru e Ariquemes. As regiões de Porto Velho e Guajará-Mirim receberam povoadores, mas em menor escala e de categorias diferentes, considerando-se que o ciclo da Agricultura atraiu, em princípio, uma migração rural-rural, para, em seguida, fixarem-se migrantes de características rural-urbana

- Os municípios rondonienses localizados na faixa da fronteira boliviana são: Guajará-Mirim, Nova Mamoré, Costa Marques, Alta Floresta do Oeste, São Francisco do Guaporé, Alto Alegre dos Parecis, , Pimenteiras do Oeste e Cabixi.

Divisão geopolítica: o estado de Rondônia é formado por 52 municípios e 57 distritos.

Municípios Rondonienses Guajará-Mirim, Nova Mamoré, Porto Velho, Candeias do Jamary, Itapuã do Oeste, Alto Paraíso, Monte Negro, Buritis, Campo Novo de Rondônia, Rio Crespo, Cujubim, Ariquemes, Cacaulândia,

Machadinho do Oeste, Vale do Anari, Theobroma, Governador Jorge Teixeira, Jaru, Vale do Paraíso, Nova União, Mirante da Serra, Teixeirópolis, Ouro Preto do Oeste, Ji-Paraná, Presidente Médice, Urupá, Alvorada do Oeste, São Miguel do Guaporé, Seringueiras, São Francisco do Guaporé, Costa Marques, Nova Brasilândia do Oeste, Novo Horizonte do Oeste, Castanheiras, Alta Floresta do Oeste, Alto Alegre dos Parecis, Santa Luzia do Oeste, Rolim de Moura, Ministro Andreazza, Cacoal, Espigão do Oeste, Primavera de Rondônia, São Felipe d’Oeste, Parecis, Pimenta Bueno, Chupinguaia, Colorado do Oeste, Corumbiara, Cerejeiras, Pimenteiras do Oeste, Cabixi e Vilhena.

Dois municípios rondonienses estão entre os 15 municípios brasileiros que obtiveram as maiores taxas nacionais de médias de crescimento populacional. Buritis, com 29,09% e Campo Novo de Rondônia com 23,20%.

CRIAÇÃO DO ESTADO DE RONDÔNIA E PROCESSOS DE POVOAMENTO. NÚCLEOS DE POVOAMENTO

Entre as fases de desenvolvimento do estado de Rondônia podemos destacar a descoberta de ouro no rio Corumbiara, no século XVIII; a conquista e o povoamento dos vales do Guaporé, Mamoré e Madeira; a construção do Real Forte do Príncipe da Beira, no período colonial; o Primeiro e o Segundo Ciclos da Extração de Látex; a construção da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré e a descoberta de minério de estanho (cassiterita) em 1952. O período mais expressivo do desenvolvimento regional ocorreu a partir da abertura da BR 364, e com implantação de projetos de colonização, pelo Governo Federal, através do INCRA.

Buscamos, de forma simples, apresentar como ocorreu a ocupação do espaço regional, que tem início no século XVIII, com a fundação da aldeia de Santo Antônio, pelo padre jesuíta João Sampaio, na primeira cachoeira do rio Madeira, sentido foz-nascente. Posteriormente as descobertas de ouro nos afluentes da margem direita do rio Guaporé despertaram interesses na Coroa Portuguesa pela posse da terra, portanto, em 1748, funda a capitania de Mato Grosso, cujos limites abrangiam a maior parte das terras do atual estado de Rondônia.

Dom Antônio Rolim de Moura Tavares, considerado o primeiro governador da capitania de Mato Grosso (1751-1764), iniciou uma política de povoamento e fundação de feitorias ao longo dos rios Guaporé e Madeira e construiu o Forte de Conceição que foi substituído pelo Real Forte do Príncipe da Beira. Nesse mesmo período, iniciou-se a exploração fluvial do rio Madeira e seus afluentes Mamoré e Guaporé, pela Companhia Geral do Comércio do Grão-Pará e Maranhão, que utilizava essa rota fluvial com exclusividade para o abastecimento das minas de ouro dos afluentes do rio Guaporé e da capital da capitania de Mato Grosso (Vila Bela da Santíssima Trindade).

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Com a decadência da mineração, no vale guaporeano, no final do século XVIII, a região foi abandonada por um período aproximado de 100 anos. A partir de 1877, com o desenvolvimento da indústria de produtos derivados de látex o vale do Madeira e seus afluentes foram ocupados pelos seringueiros que, na sua maioria, eram retirantes que fugiam da seca que assolava o nordeste Brasileiro.

A construção da Ferrovia Madeira Mamoré marcou um mportante ponto nas relações diplomáticas entre Brasil e Bolívia. Constitui-se também num elemento definidor da ação Imperialista de potências estrangeiras na região amazônica. A Madeira Mamoré representa um dos marcos da modernidade capitalista liberal nos confins da selva do Madeira.

A construção da EFMM objetivava atender as necessidades de transporte de mercadorias e cargas pelo trecho encachoeirado do Madeira e Mamoré. Deveria facilitar o escoamento da produção de borracha e das exportações bolivianas. A construção da ferrovia atende também ao que foi previsto pelo Tratado de Petrópolis e constituiu-se em um dos elementos decisivos para o impulso do recente processo de migração para a região desencadeada a partir do século XX. Ao longo da ferrovia surgiram diversos núcleos de povoamento e dois munícipios; Porto Velho e Guaiará-Mirim.

‘Trabalharam em suas obras mais de 20.000 operários de diversas nacionalidades. Calcula-se que 6.500 trabalhadores tenham morrido vitimas das doenças tropicais. A obra custou o equivalente a vinte e oito toneladas de ouro pelo câmbio de 1912.

A construção da ferrovia deu a Companhia Madeira Mamoré o ireito de exploração das terras que lhe eram adjacentes. Com a crise da borracha e a retração da economia amazônica EFMM entrou em decadência. Foi nacionalizada em 1931 e desativada pelo 5° BEC por ordem do Ministério do Interior, em 10 de julho de 1972. Alguns pequenos trechos, no entanto, foram reativados no início da década de 80 para fins turísticos em Porto Velho e Guajará-Mirim durante o governo do Coronel Jorge Teixeira.

1861: Quentin Quevedo a serviço do governo boliviano faz estudos sobre a viabilização. de transportes nos trechos encachoeirados do Madeira e do Mamoré, a Bolívia precisava

criar condições satisfatórias para a exportação através do Atlântico, das mercadorias produzidas no Altiplano e nas áreas da Planicie Amazônica. O governo do Amazonas envia João Marfins da Silva Coutinho para efetuar estudos semelhantes na região. Ambos os relatórios apresentam conclusões semelhantes apontando-se para a necessidade de construção de uma ferrovia na região encachoeirada.

Entre 1877 e 1915, surgiram os povoados de Urupá (origem da atual cidade de Ji-Paraná), Pimenta Bueno, Jaru, Papagaios (atual cidade de Ariquemes) e diversos outros que surgiram e desapareceram como Santo Antônio do Rio Madeira, que chegou a ser uma cidade e o povoado de Samuel, no rio Jamari.

Com a desvalorização do preço do látex no mercado internacional a região ficou estagnada, a partir de 1912, por um período de aproximadamente 30 anos, e ocorreu o retorno de seringueiros a suas regiões de origem.

Em 13 de setembro de 1943, no auge do Segundo Ciclo da Borracha, o presidente Getúlio Vargas assinou o Decreto-Lei 5.812, criando o Território Federal do Guaporé, com áreas desmembradas dos estados de Mato Grosso e Amazonas. Em 1956, o Território passa a ser denominado de Território Federal de Rondônia.

Desta época data a última grande leva de migrantes para a região, composta quase que exclusivamente de nordestinos vinculados á exploração de seringueira, e denominados “Soldados da Borracha”. Neste mesmo ano, o Presidente Getúlio Vargas criou os territórios federais, entre eles o Território Federal do Guaporé, posteriormente Território de Rondônia, desmembrado de terras do Amazonas e Mato Grosso.

Em 1945 foram criados os municípios de Guajará-Mirim, que ocupava toda a região do Vale do Guaporé, e, Porto Velho, abrangendo toda a região de influências da atual BR - 364. Contudo, apesar do desaquecimento do mercado internacional da borracha, a região não se despovoou como no Primeiro Ciclo, mantendo alguns seringais ativos e prosseguindo o extrativismo da castanha e de algumas outras essências para atender o mercado europeu. Parte dos ex-soldados da borracha deixaram os seringais e fixaram-se na Colônia Agrícola IATA, em Guajará- Mirim, criada em 1945, e na Colônia Agrícola do Candeias, em Porto Velho, criada em 1948. Tanto assim que os primeiros dados demográficos disponíveis registram no final da década de 40 uma população de 36.935 habitantes em Rondônia, sendo 13.816 na área urbana e 23.119 na área rural, tendo a cidade de Porto Velho cerca de 60% da população total da época. Além disso, o traçado telegráfico estabelecido por Rondon deu início, a partir de 1943, os primeiros passos para a construção da BR-29, posteriormente denominada BR-364.

Na década de 50 do século XX é descoberta a existência do minério de estanho (cassiterita), na região de Ariquemes.

No início dos anos de 1960, foi aberta a BR 364, e partir de 1970, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária - INCRA deu início à implantação de projetos integrados de colonização, gerando um intenso fluxo migratório de colo-nos, procedentes, principalmente, das regiões Sul e Sudeste do país.

O fruto do processo de colonização foi o desenvolvimento das vilas e povoados remanescentes do período dos seringueiros e o surgimento de todas as cidades do estado de Rondônia, exceto Porto Velho e Guajará-Mirim. Porém, o desmatamento para fixar o homem no campo gerou o desaparecimento de várias espécies vegetais, principalmente de madeiras nobres, além da destruição da fauna.

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Pela Lei Complementar n° 41, de 22 de dezembro de 1981, sancionada pelo presidente João Baptista de Figueiredo, foi criado o estado de Rondônia, e, no dia 4 de janeiro de 1982, ocorreu a cerimônia de sua instalação.

Na década de setenta e início da década de oitenta do século XX o fluxo migratório era intenso e os órgãos governamentais, na época, pouco se preocupavam com a preservação do meio ambiente, gerando como conseqüência um desmatamento desordenado.

Durante as últimas décadas, a ação humana transformou as condições naturais da região e modernizou a economia regional, sem observar as questões ambientais e as disparidades regionais dos vales e da região ao longo da BR 364, onde ocorreu a maior transformação regional. Assim como a alteração da qualidade de vida da população ribeirinha que vive às margens dos rios e sobrevive da extração vegetal. Atualmente essas contradições, cada vez mais evidentes, fazem parte do espaço rondoniense e devem ser observadas. Os órgãos públicos a partir da implantação do Plano Agropecuário e Florestal de Rondônia, iniciado em 1988, no governo de Jerônimo Santana, tem se preocupado com as questões ambientais.

Através do PLANAFLORO ocorreu um delineamento efetivado pelo Zoneamento Socioeconômico e Ecológico, foi envolvido pela crença de que a divulgação de um estudo sério viesse contribuir para uma mudança de cultura das nossas futuras gerações.

Conteúdo de História de Rondônia no livro História Desenvolvimento e Colonização do Estado de Rondônia, obra do escritor Ovídio Amélio de Oliveira.

ASPECTOS POLÍTICOS, ECONÔMICOS E SOCIAIS, AGRICULTURA E PECUÁRIA

Turismo - Rondônia tem um grande potencial turístico

pouco explorado. Com 1,7 mil km de extensão, o rio Madeira é o maior afluente da margem direita do Amazonas e margeia Porto Velho. Passear por suas águas significa navegar no meio da floresta Amazônica, observando árvores centenárias, aves exóticas e trechos de corredeiras. É também pelo rio Madeira que se chega ao lago do Cuniã, a 120 km da capital, uma reserva biológica com criadouro natural de peixes de água doce, sobre a qual há freqüentes revoadas de pássaros.

Para atrair turistas, o governo criou uma zona de livre comércio em Guajará-Mirim, município localizado a 333 km de Porto Velho, à beira do rio Madeira, na divisa com a Bolívia. Cada visitante pode comprar até 2 mil reais em produtos importados, entre os quais se destacam os eletroeletrônicos. Do outro lado do rio, na cidade boliviana de Guayaramerín, a cota é de apenas 150 dólares e a oferta de produtos limita-se a roupas e calçados.

CULTURA

O Estado é apenas um mosaico de diversas culturas, sem ter ainda uma cultura própria, devido ao grande número de imigrantes, oriundos principalmente de São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Paraná, Bolívia e Japão(japoneses em Rondônia, no entanto, na maioria das vezes são adolescentes e jovens que migraram para o Brasil ainda crianças, e que por isso a maioria das pessoas pensa que são apenas descendentes, pela falta de sotaque e pelo claro “jeitinho brasileiro”) . Na culinária, são bastante consumidos os peixes amazônicos, o pão-de-queijo e a farinha mineira, a polenta paranaense, o churrasco gaúcho. Do Rio Grande do Sul também veio o chimarrão. Quanto ao vocabulário, as influências também são diversas: em algumas cidades é bastante comum o uso do “guri” sulista, e em outras o “piá” nordestino. Na zona rural, entre os mais velhos, é bem usado o “tchê” gaúcho. Nas cidades, entre os jovens, até poucos anos era usado o “piseiro”, gíria local com o sentido de festa, bagunça. Ainda hoje, os jovens usam o termo local “pocar”, que na maioria das vezes passou de pai para filho, e que pode ter dois sentidos: sair, ir embora (“amanhã eu vou pocar para o Amazonas”) ou, quando dito “pocado”, pode significar quebrado (“o carro já está todo pocado). Esse uso é mais incomum, e “pocar” não pode significar quebrar; apenas “pocado” é quebrado.

Outra palavra local é “data”, no sentido de terreno. No dicionário, essa palavra tem como um dos seus vário significados “um terreno doado pelo Governo”. Em Rondônia, no entanto, “data” se refere a todos os terrenos. Há também o “caçar”, que quer dizer procurar (“eu estava caçando você ontem”, “ele estava mesmo caçando encrenca”).

ECONOMIA

A composição econômica e a participação nacional no processo produtivo.

Participação na formação do PIB (Produto Interno Bruto) nacional: 0,6%.

Composição do PIB estadual: - Atividade agropecuária: 15,3%. - Atividade industrial: 30,6%. - Prestação de serviços: 54,1%. - PIB per capita: 6.468 reais.

- Volume de exportação: 202,7 milhões de dólares. Principais produtos de exportação com seus respectivos percentuais:

- Madeira: 83,6%. - Café em grão: 8,7%. - Granito: 3,2%.

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Na década de 90 dois importantes acontecimentos estruturais favoreceram o crescimento econômico de Rondônia. Em 1995 ocorreu a construção de um Porto Graneleiro, em Porto Velho, e dois anos depois houve a abertura da hidrovia do rio Madeira.

Esse desenvolvimento no transporte provocou um aumento nos lucros, pois houve uma diminuição nos custos com transporte. Rondônia fornece à Região Nordeste feijão e milho, além de ocupar um lugar de destaque na produção de cacau, café, arroz e soja.

Nas décadas de 60, 70 e 80 o Governo Federal realizou um programa de povoamento, esse visava à distribuição de terras para atrair pessoas dispostas a se instalar e a contribuir para o controle administrativo e desenvolvimento sócio-econômico do território, fato que provocou a entrada de vários imigrantes vindo da Região Sul do Brasil.

Rondônia é caracterizada pela atividade extrativista, principalmente vegetal, mais especificamente, na retirada de madeira e borracha. O Estado possui uma das maiores jazidas de cassiterita do mundo, e responde por 40% da produção nacional.

No seguimento industrial o Estado caminha paralelamente com as atividades agrícolas e a extração mineral, se instalando nas proximidades das fontes de matéria-prima.

Com a construção da Usina Hidrelétrica de Samuel, que ocorreu nos anos 80, houve um incremento nos setores madeireiro, indústria alimentícia, construção civil e mineração.

Educação

De acordo com o PISA, a educação pública de Rondônia é a 10ª melhor do país, a frente do estado de São Paulo, mas atrás de Minas Gerais, Rio de Janeiro e Santa Catarina, por exemplo. O estado está entre Goiás (nona melhor) e Paraíba (11ª melhor) na lista. No ENEM, Rondônia tem a 15ª maior nota na prova objetiva (empatado com a Bahia) e a 19ª maior nota na redação. A cidade que teve a maior média do ENEM em 2007 do Estado foi Vilhena, com nota 54,17. O melhor colégio público foi a Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio Tiradentes, localizada em Porto Velho, com nota 56,19. O melhor colégio particular foi o Centro de Educação Integrada Ltda., em Vilhena, com média 70,20.

O nível de alfabetização no estado melhorou muito na última década, de acordo com dados divulgados pelo IBGE. Em 2001, o estado era o 13º na lista de estados brasileiros pelo índice de pessoas com 15 anos ou mais alfabetizadas, com 13% de sua população analfabeta.[7] Em 2008, o estado

permaneceu na mesma posição, mas agora apenas 9,7%

dos indivíduos de 15 anos ou mais são analfabetos, o que representa uma queda de 3,3% em menos de oito anos. Entre os analfabetos funcionais, encontra-se 25% da população do estado nessa faixa etária.

Resultados no ENEM

Ano

Português

Redação

2006

Média

32,68 (20º)

36,90

49,18 (20º)

52,08

2007

Média

46,22 (17º)

51,52

52,45 (25º)

55,99

2008

Média

37,44 (15º)

41,69

56,47 (24º)

59,35

AGRICULTURA E PECUÁRIA Agroecologia em Rondônia

Em Rondônia, a ocupação desordenada aliada às práticas inadequadas de manejo dos solos e associada a uma política equivocada de utilização da terra estimulou o desmatamento. Essa situação gerou ao estado de Rondônia uma posição de destaque no cenário nacional com alta taxa de desmatamento e alto percentual desmatado entre os estados da região Amazônica. Esse processo gerou enormes áreas degradadas, tornando as pequenas propriedades onde se pratica a agricultura familiar inviáveis do ponto de vista econômico, social e ambiental.

Os pequenos agricultores familiares representam uma importante parcela do meio rural no estado de Rondônia. Entretanto, estes agricultores têm encontrado inúmeras dificuldades para se manterem em suas terras, produzindo os cultivos alimentares que abastecem a maioria da população. Essas dificuldades passam por problemas na infra-estrutura, como estradas deficientes e inexistência de centrais de abastecimento, bem como pela perda da capacidade produtiva dos solos ocasionada pela não observância de estratégias adequadas de manejo dos recursos naturais e, pelos altos custos dos insumos e equipamentos recomendados para a prática do cultivo agrícola visando o agronegócio.

Observa-se que atividades como a exploração madeireira sem manejo florestal, a pecuária extensiva, a agricultura mecanizada em grande escala e a própria sucessão familiar têm configurado um quadro não só de concentração fundiária, mas também de escassez e elevação do preço da terra, que impõem riscos à produção familiar, havendo a necessidade de se pensar em mudanças qualitativas, baseadas em formas mais adequadas de uso e manejo de recursos naturais, obedecendo a uma alternativa de aproveitamento social e econômico da terra com baixos riscos de degradação ambiental. Uma

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vez que a principal conseqüência da aplicação do modelo produtivista nas pequenas propriedades rurais tem sido o empobrecimento das famílias, que acabam cedendo suas terras aos grandes fazendeiros da região ou, ainda pior, sendo executados pelas instituições financeiras por inadimplência.

Embora haja uma forte pressão econômica contrária, muitos agricultores familiares convencionais estão preferindo fazer a transição para as práticas que são mais consistentes ambientalmente e têm o potencial de contribuir com a sustentabilidade da agricultura em longo prazo. A opção pela agricultura sustentável configura-se como uma alternativa viável para o pequeno agricultor, em virtude dos produtos obtidos possuírem atributos de qualidade que são valorizados pelos consumidores, como ausência de resíduos químicos e de externalidades negativas ao meio ambiente decorrentes do processo produtivo. Outro aspecto positivo a ser destacado é que este sistema de cultivo se adapta bem às características da agricultura familiar, uma vez que valoriza os saberes locais herdados por gerações, fruto da vivência e experimentação das próprias famílias de agricultores.

Pecuária

Rondônia é um dos principais Estados da região norte do Brasil. O Estado se destaca pela força da sua economia, parte dela proveniente da atividade pecuária.

Essa atividade é desenvolvida sobre um pano de fundo natural, representado com toda a sua intensidade pelas belezas naturais manifestadas pela fauna e flora.

Núcleo de Produção Animal

O Núcleo de Produção Animal reúne essencialmente profissionais das áreas de medicina veterinária e zootecnia. São realizadas atividades de pesquisa voltadas à sanidade animal, com foco em bovinos e bubalinos, como controle e erradicação de brucelose, tuberculose, mosca-dos-chifres e outros ectoparasitos e endoparasitos. Na área de pastagens são realizados experimentos com espécies forrageiras adaptadas às condições edafoclimáticas do Estado de Rondônia, avaliações nutricionais e modelos silvipastoris, com destaque para a integração Lavoura-Pecuária-Floresta e a recomendação de espécies nativas para arborização. Importante atividade econômica para o Estado, a pecuária leiteira também recebe tratamento especial, com tecnologias e ações com foco na qualidade do leite e na produtividade, tanto do gado bovino quanto bubalino.

Núcleo de Produção Vegetal

Núcleo que abrange uma variada quantidade de pesquisas e culturas estudadas. Deste núcleo fazem parte pesquisadores que trabalham com avaliação de cultivares e melhoramento genético de arroz, feijão, milho, cenoura, algodão, girassol, mandioca, frutas e flores tropicais, entre outros. A Embrapa Rondônia desenvolve também um trabalho de domesticação e determinação do potencial do pinhão-manso, uma espécie

oleaginosa, para a produção de biocombustível. Alternativas agroecológicas, modelos de integração Lavoura-Pecuária-Floresta, plantio direto e fitossanidade também são temas de pesquisas do Núcleo de Produção Vegetal.

Núcleo de Café

Devido à grande importância do café, principal cultura agrícola do Estado, a Embrapa Rondônia organizou um núcleo de pesquisa exclusivo para o tema. Pesquisadores da área há mais de trinta anos estudam o comportamento de diferentes materiais genéticos de café em função do solo, do clima e de tratos culturais. Resultados desse esforço podem ser vistos no Campo Experimental de Ouro Preto do Oeste, localizado em uma importante região cafeeira do Estado, e que reúne os principais trabalhos de melhoramento genético e tecnologia de manejo. Lá podem ser encontradas matrizes superiores de alta produtividade, com potencial para a criação de cultivares comerciais. Também são estudadas, em outras partes do Estado, cultivo de café em consórcio com espécies florestais e desenvolvidas pesquisas para controle de pragas e doenças, com destaque para controle biológico da broca-do-café e uso de óleos essenciais de plantas nativas para controle da ferrugem do cafeeiro e do bicho mineiro.

Núcleo de Floresta

Pesquisadores do Núcleo de Floresta trabalham essencialmente com florestas nativas, silvicultura e sistemas agroflorestais. Localizado inteiramente na Amazônia Legal, o Estado de Rondônia enfrenta atualmente novos desafios relacionados à sustentabilidade das atividades econômicas, principalmente no que diz respeito à conservação da floresta amazônica. Neste contexto, a Embrapa Rondônia avalia o desempenho de espécies nativas para recuperação ambiental e para a recomposição da cobertura florestal. Uso sustentável de recursos florestais não-madeireiros e manejo florestal também fazem parte dos estudos ligados às florestas nativas. Em silvicultura, merecem destaque os trabalhos com a espécie nativa conhecida por bandarra (Schizolobium parahyba var. amazonicum) e a exótica conhecida por teca (Tectona grandis), como tecnologias para quebra de dormência das sementes e de manejo de florestas plantadas.

ESTRADA DE FERRO MADEIRA-MAMORÉ

(A ferrovia do Diabo)

A Estrada de Ferro Madeira-Mamoré é uma ferrovia construída entre 1907 e 1912 para ligar Porto Velho a Guajará-Mirim, no atual estado de Rondônia.

Ficou conhecida à época como a “Ferrovia do Diabo” devido às milhares de mortes de trabalhadores ocorridas durante a sua construção devido às doenças tropicais, complementar à lenda de que sob cada um de seus dormentes existia um cadáver.

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HISTORIA

A primeira tentativa de construção de uma ferrovia na região foi datada em 1872, sem sucesso devido às grandes dificuldades da execução da obra civil, como várias mortes por doenças tropicais, principalmente a malária, endêmica na região.

A Madeira-Mamoré Railway Co.

Posteriormente, no contexto do ciclo da borracha e da Questão do Acre, por efeito da assinatura do Tratado de Petrópolis (1903), com a Bolívia, que conferiu ao Brasil a posse deste último, iniciou-se a implantação da Madeira-Mamoré Railway. O seu objetivo principal era vencer o trecho encachoeirado do rio Madeira para facilitar o escoamento da borracha boliviana e brasileira, além de outras mercadorias, para um trecho onde a mesma pudesse ser embarcada para exportação, no caso em Porto Velho, de onde as mercadorias seguiam por via fluvial até ao rio Amazonas. Anteriormente, esses produtos eram transportados com precariedade em canoas indígenas, sendo obrigatória a transposição das cachoeiras no percurso.

Em agosto de 1907 a ferrovia em construção foi encampada pelo magnata estadunidense Percival Farquhar.

A história desta ferrovia faz parte do Patrimônio Histórico Nacional Brasileiro e é também a História e Patrimônio dos construtores Americanos, Ingleses, Chineses, Espanhóis, Dinamarqueses, Caribenhos, Italianos e Alemães entre outras nacionalidades. Aproximadamente 6.000 destes trabalhadores morreram de forma trágica nas frentes de trabalhos da Madeira-Mamoré: naufrágios, mortes por flechadas de índios, afogamentos, picadas de animais silvestres, e outras doenças como: malaria, febre amarela, febre tifóide, tuberculose, beribéri, e outras que ocasionaram estas perdas.

A Madeira-Mamoré representa também a memória viva para esses trabalhadores e seus descendentes que ainda residem principalmente nas cidades de Porto Velho e Guajará-Mirim no Estado de Rondônia.

A Estrada de Ferro Madeira-Mamoré é uma das últimas linhas de trem a vapor no Brasil e a única na Amazônia.

O último trecho da ferrovia foi finalmente inaugurado em 30 de abril de 1912, ocasião em que se registrou a chegada da primeira composição à cidade de Guajará-Mirim, fundada nessa mesma data.

O SÉCULO XX: DECADÊNCIA E CRISE

Na década de 1930, a Estrada de Ferro Madeira-Mamoré foi parcialmente desativada, voltando a operar plenamente alguns anos depois, vindo a ser devolvida ao Governo Federal. Em 1957, quando ainda registrava um intenso tráfego de passageiros e cargas, a ferrovia integrava as dezoito empresas constituintes da Rede Ferroviária Federal.

Em 1966, depois de 54 anos de atividades, praticamente acumulando prejuízos durante todo esse tempo, o Presidente da República, Humberto de Alencar Castelo Branco, em 25 de maio de 1966, determina a erradicação da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré que seria substituída por uma rodovia, atual rodovia BR-364 que liga Porto Velho à Guajará-Mirim. Em 1972 a Estrada de Ferro Madeira-Mamoré foi desativada até que em 10 de julho de 1972, as máquinas apitaram pela última vez e, a partir daí, o abandono foi total até, que em 1979, o acervo começou a ser vendido como sucata para uma siderúrgica de Mogi das Cruzes, em São Paulo.

Voltou a operar em 1981 num trecho de apenas 7 quilômetros dos 366 km do percurso original, apenas para fins turísticos, sendo novamente paralisada por completo em 2000. Atualmente está totalmente abandonada pelos poderes constituídos, sendo que ultimamente serve de abrigo a pedintes

CICLO DA BORRACHA (1ª FASE E 2ª FASE)

O Ciclo da borracha constituiu uma parte importante da história econômica e social do Brasil, estando relacionado com a extração e comercialização da borracha. Este ciclo teve o seu centro na região amazônica, proporcionando grande expansão na colonização, atraindo riqueza e causando transformações culturais e sociais, além de dar grande impulso à cidade de Manaus, até hoje maior centro e capital do Estado do Amazonas. O ciclo da borracha viveu seu auge entre 1879 a 1912, tendo depois experimentado uma sobrevida entre 1942 a 1945.

O PRIMEIRO CICLO DA BORRACHA - 1879/1912

Durante os primeiros quatro séculos e meio do descobrimento, como não foram encontradas riquezas de ouro ou minerais preciosos na Amazônia, as populações da hiléia brasileira viviam praticamente em isolamento, porque nem a coroa portuguesa e, posteriormente, nem o império brasileiro demonstraram interesse em desenvolver ações governamentais que incentivassem o progresso na região. Vivendo do extrativismo vegetal, a economia regional se desenvolveu por ciclos, acompanhando o interesse do mercado nos diversos recursos naturais da região.

BORRACHA: LUCRO CERTO

O desenvolvimento tecnológico e a revolução industrial, na Europa, foram o estopim que fizeram da borracha natural, até então um produto exclusivo da Amazônia, um produto de muita procura, valorizado e de preço elevado, gerando lucros e dividendos a quem quer que se aventurasse neste comércio.

Desde o início da segunda metade do século XIX, a borracha passou a exercer forte atração sobre empreendedores visionários. A atividade extrativista do látex na Amazônia revelou-se de imediato muito lucrativa. A borracha natural logo conquistou um lugar de destaque nas indústrias da Europa e da América do Norte, alcançando elevado preço. Isto fez com que diversas pessoas viessem ao Brasil na intenção de conhecer a seringueira e os métodos e processos de extração, a fim de tentar também lucrar de alguma forma com esta riqueza.

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Através da extração da borracha, surgiram as cidades de Manaus, Belém e outros povoados, depois também transformados em cidades.

Projetos de uma ferrovia para escoar a produção da borracha

A idéia de construir uma ferrovia nas margens dos rios Madeira e Mamoré surgiu na Bolívia, em 1846. Como o país não tinha como escoar a produção de borracha por seu território, era necessário criar alguma alternativa que possibilitasse exportar a borracha através do Oceano Atlântico.

A idéia inicial optava pela via da navegação fluvial, subindo o rio Mamoré em território boliviano e depois pelo rio Madeira, no Brasil. Mas percurso fluvial tinha grandes obstáculos: vinte cachoeiras impediam a navegação. E foi aí que cogitou-se a construção de uma estrada de ferro que cobrisse por terra o trecho problemático.

Em 1867, no Brasil, também visando encontrar algum meio que favorecesse o transporte da borracha, os engenheiros José e Francisco Keller organizaram uma grande expedição, explorando a região das cachoeiras do Rio Madeira para delimitar o melhor traçado, visando também a instalação de uma ferrovia.

Embora a idéia da navegação fluvial fosse complicada, em 1869, o engenheiro norte-americano George Earl Church obteve do governo da Bolívia a concessão para criar e explorar uma empresa de navegação que ligasse os rios Mamoré e Madeira. Mas, não muito tempo depois, vendo as dificuldades reais desta empreitada, os planos foram definitivamente mudados para a construção de uma ferrovia.

As negociações avançam e, ainda em 1870, o mesmo Church recebe do governo brasileiro a permissão para construir então uma ferrovia ao longo das cachoeiras do Rio Madeira.

A Questão do Acre

Mas o exagero do extrativismo descontrolado da borracha estava em vias de provocar um conflito internacional. Os trabalhadores brasileiros cada vez mais adentravam nas florestas do território da Bolívia em busca de novas seringueiras para extrair o precioso látex, gerando conflitos e lutas por questões fronteiriças no final do século XIX, que exigiram inclusive a presença do exército, liderado pelo militar Plácido de Castro.

A república brasileira, recém proclamada, tirava o máximo proveito das riquezas obtidas com a venda da borracha, mas a Questão do Acre (como estavam sendo conhecidos os conflitos fronteiriços por conta do extrativismo da borracha) preocupava.

Foi então a providencial e inteligente intervenção do diplomata Barão do Rio Branco e do embaixador Assis Brasil, em parte financiados pelos barões da borracha, que culminou na assinatura do Tratado de Petrópolis, assinado 17

de novembro de 1903 no governo do presidente Rodrigues Alves. Este tratado pôs fim à contenda com a Bolívia, garantindo o efetivo controle e a posse das terras e florestas do Acre por parte do Brasil.

O Brasil recebeu a posse definitiva da região em troca de terras de Mato Grosso, do pagamento de 2 milhões de libras esterlinas e do compromisso de construir uma ferrovia que superasse o trecho encachoeirado do rio Madeira e que possibilitasse o acesso das mercadorias bolivianas (sendo a borracha o principal), aos portos brasileiros do Atlântico (inicialmente Belém do Pará, na foz do rio Amazonas).

Devido a este episódio histórico, resolvido pacificamente, a capital do Acre recebeu o nome de Rio Branco e dois municípios deste Estado receberam nomes de outras duas importantes personagens: Assis Brasil e Plácido de Castro.

Madeira-Mamoré, finalmente pronta. Mas para quê?

A ferrovia Madeira-Mamoré, também conhecida como Ferrovia do Diabo por ter causado a morte de cerca de seis mil trabalhadores (comenta a lenda que foi um trabalhador morto para cada dormente fixado nos trilhos), foi encampada pelo megaempresário estadunidense Percival Farquhar. A construção da ferrovia iniciou-se em 1907 durante o governo de Affonso Penna e foi um dos episódios mais significativos da história da ocupação da Amazônia, revelando a clara tentativa de integrá-la ao mercado mundial através da comercialização da borracha.

Em 30 de abril de 1912 foi inaugurado o último trecho da estrada de ferro Madeira-Mamoré. Tal ocasião registra a chegada do primeiro comboio à cidade de Guajará-Mirim, fundada nessa mesma data.

Mas o destino da ferrovia que foi construída com o propósito principal de escoar a borracha e outros produtos da região amazônica, tanto da Bolívia quanto do Brasil, para os portos do Atlântico, e que dizimara milhares de vidas foi o pior possível.

Primeiro, porque o preço do látex caiu vertiginosamente no mercado mundial, inviabilizando o comércio da borracha da Amazônia. Depois, devido ao fato de que o transporte de outros produtos que poderia ser feito pela Madeira-Mamoré foi deslocado para outras duas estradas de ferro (uma delas construída no Chile e outra na Argentina) e para o Canal do Panamá, que entrou em atividade em 15 de Agosto de 1914.

Alie-se a esta conjuntura o fator natureza: a própria floresta amazônica, com seu alto índice de precipitação pluviométrica, se encarregou de destruir trechos inteiros dos trilhos, aterros e pontes, tomando de volta para si grande parte do trajeto que o homem insistira em abrir para construir a Madeira-Mamoré.

A ferrovia foi desativada parcialmente na década de 1930 e totalmente em 1972, ano em que foi inaugurada a Rodovia Transamazônica (BR-230). Atualmente, de um total de 364 quilômetros de extensão, restam apenas 7 quilômetros ativos, que são utilizados para fins turísticos.

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Apogeu, requinte e luxo

Manaus, capital do Estado do Amazonas, era na época considerada a cidade brasileira mais desenvolvida e uma das mais prósperas do mundo. Única cidade do país a possuir luz elétrica e sistema de água encanada e esgotos, Manaus viveu seu apogeu entre 1890 e 1920, gozando de tecnologias que outras cidades do sul do Brasil ainda não possuíam, tais como bondes elétricos, avenidas construídas sobre pântanos aterrados, além de edifícios imponentes e luxuosos, como o requintado Teatro Amazonas, o Palácio do Governo, o Mercado Municipal e o prédio da Alfândega.

A influência européia logo se fez notar em Manaus, na arquitetura da construções, no modo de viver, fazendo do século XIX a melhor fase econômica vivida pela cidade. A Amazônia era responsável, nesta época, por quase 40% de toda a exportação brasileira. Os novos ricos de Manaus tornaram a cidade a capital mundial da venda de diamantes. Graças à borracha, a renda per capita de Manaus era duas vezes superior à da região produtora de café (São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo).

O fim do monopólio amazônico da borracha

Mas a ferrovia Madeira-Mamoré, terminada em 1912, já chegava tarde. A Amazônia já estava perdendo a primazia do monopólio de produção da borracha porque os seringais plantados pelos ingleses na Malásia, no Ceilão e na África tropical, com sementes oriundas da própria Amazônia, passaram a produzir látex com maior eficiência e produtividade. Conseqüentemente, com custos menores e preço final menor, o que os fez assumir o controle do comércio mundial do produto.

A borracha natural da Amazônia passou a ter um preço proibitivo no mercado mundial, tendo como reflexo imediato a estagnação da economia regional. A crise da borracha tornou-se ainda maior porque a falta de visão empresarial e governamental resultou na ausência de alternativas que possibilitassem o desenvolvimento regional, tendo como conseqüência imediata a estagnação também das cidades. A falta não pode ser atribuída apenas aos empresários tidos como barões da borracha e à classe dominante em geral, mas também ao governo e políticos que não incentivaram a criação de projetos administrativos que gerassem um planejamento e um desenvolvimento sustentado da atividade de extração do látex.

Embora restando a ferrovia Madeira-Mamoré e as cidades de Porto Velho e Guajará-Mirim como herança deste apogeu, a crise econômica provocada pelo término do ciclo da borracha deixou marcas profundas em toda a região amazônica: queda na receita dos Estados, alto índice de desemprego, êxodo rural e urbano, sobrados e mansões completamente abandonados, e, principalmente, completa falta de expectativas em relação ao futuro para os que insistiram em permanecer na região.

Os trabalhadores dos seringais, agora desprovidos da renda da extração, fixaram-se na periferia de Manaus em busca de melhores condições de vida. Aí, por falta de habitação, iniciaram, a partir de 1920, a contrução da cidade flutuante, gênero de moradia que se consolidaria na década de 1960.

O governo central do Brasil até criou um órgão com o objetivo de contornar a crise, chamado Superintendência de Defesa da Borracha, mas esta superintendência foi ineficiente e não conseguiu garantir ganhos reais, sendo, por esta razão, desativada não muito tempo depois de sua criação.

Nos anos 1930, Henry Ford, o pioneiro da indústria americana de automóveis, empreendeu o cultivo de seringais na Amazônia, com técnicas de cultivo e cuidados especiais, mas a iniciativa não logrou êxito já que a plantação foi atacada por uma praga na folhagem.

O SEGUNDO CICLO DA BORRACHA - 1942/1945

A Amazônia viveria outra vez o ciclo da borracha durante a Segunda Guerra Mundial, embora por pouco tempo. Como forças japonesas dominaram militarmente o Pacífico Sul nos primeiros meses de 1942 e invadiram também a Malásia, o controle dos seringais passou a estar nas mãos dos nipônicos, o que culminou na queda de 97% da produção da borracha asiática.

A batalha da borracha

Na ânsia de encontrar um caminho que resolvesse esse impasse e, mesmo, para suprir as Forças Aliadas da borracha então necessária para o material bélico, o governo brasileiro fez um acordo com o governo americano (Acordo de Washington), que desencadeou uma operação em larga escala de extração de látex na Amazônia - operação que ficou conhecida como a Batalha da Borracha.

Como os seringais estavam abandonados e não mais de 35 mil trabalhadores permaneciam na região, o grande desafio de Getúlio Vargas, então presidente do Brasil, era aumentar a produção anual de látex de 18 mil para 45 mil toneladas, como previa o acordo. Para isso seria necessária a força braçal de 100 mil homens.

O alistamento de quem tivesse interesse em trabalhar nos seringais em 1943 era feito pelo Serviço Especial de Mobilização de Trabalhadores para a Amazônia (SEMTA), com sede no nordeste, em Fortaleza, criado pelo então Estado Novo. A escolha do nordeste como sede deveu-se essencialmente como resposta a uma seca devastadora na região e à crise sem precedentes que os camponeses da região enfrentavam.

Além do SEMTA, foram criados pelo governo nesta época, visando a dar suporte à Batalha da borracha, a Superintendência para o Abastecimento do Vale da Amazônia (Sava), o Serviço Especial de Saúde Pública (Sesp) e o Serviço de Navegação da Amazônia e de Administração do Porto do Pará (Snapp). Criou-se ainda a instituição chamada Banco de Crédito da Borracha, que seria transformada, em 1950, no Banco de Crédito da Amazônia.

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O órgão internacional Rubber Development Corporation (RDC), financiado com capital dos industriais americanos, custeava as despesas do deslocamento dos migrantes (conhecidos à época como brabos). O governo dos Estados Unidos pagava ao governo brasileiro cem dólares por cada trabalhador entregue na Amazônia.

Milhares de trabalhadores de várias regiões do Brasil atenderam ao apelo do presidente e lançaram-se na extração do cobiçado látex. Só do nordeste foram para a Amazônia 54 mil trabalhadores, sendo a maioria do Ceará. Dos 800 mil habitantes do Ceará 120 mil rumaram ao Rio Amazonas, porém metade morreu no caminho da fome e doenças da selva. Os nordestinos receberam, por consequência, a alcunha de “soldados da borracha”.

Manaus tinha em 1849, 5 mil habitantes em meio século cresceu para 70 mil. Novamente a região experimentou a sensação de riqueza e de pujança. O dinheiro voltou a circular em Manaus, em Belém, em cidades e povoados vizinhos e a economia regional fortaleceu-se.

Entretanto, para muitos trabalhadores, este foi um caminho sem volta. Cerca de 30 mil seringueiros morreram abandonados na Amazônia, depois de terem exaurido suas forças extraindo o ouro branco. Morriam de malária, febre amarela, hepatite e atacados por animais como onças, serpentes e escorpiões. O governo brasileiro também não cumpriu a promessa de reconduzir os soldados da borracha de volta à sua terra no final da guerra, reconhecidos como heróis e com aposentadoria equiparada à dos militares. Calcula-se que conseguiram voltar ao seu local de origem (a duras penas e por seus próprios meios) cerca de seis mil homens.

Apontamentos finais

Os finais abruptos do primeiro e do segundo ciclo da borracha demonstraram a incapacidade empresarial e falta de visão da classe dominante e dos políticos da região. O final da guerra conduziu, pela segunda vez, à perda da chance de fazer vingar esta atividade económica. Não se fomentou qualquer plano de efetivo desenvolvimento sustentado na região, o que gerou reflexos imediatos: assim que terminou a segunda guerra mundial, tanto as economias de vencedores como de vencidos se reorganizaram na Europa e na Ásia, fazendo cessar novamente as atividades nos velhos e ineficientes seringais da Amazônia.

Fonte: pt.wikipedia.org CIDADES DE RONDÔNIA PORTO VELHO Capital de RONDÔNIA Habitante: porto-velhense. Pop.: 334.661 (2000). Malha pavimentada: 30% (1999). Vias urbanas iluminadas: 60% (1999). Área geográfica: 34.068,50 km² (2000)

Lei de criação: Ato de criação nº 757, de 02. 10. 1914

Zoneamento socioeconômico e ecológico

A demanda de recursos naturais, as restrições e ofertas ambientais e as ações antrópicas encerram um grande desafio: materializar o processo de compatibilização entre desenvolvimento, conservação e preservação do meio ambiente, como forma de propiciar o desenvolvimento sustentável na região Amazônica, a partir dos Estados que a integram. O eixo central dessa nova estratégia é o zoneamento.

O Brasil já avançou consideravelmente na área do zoneamento. A região Amazônica, pela sua projeção internacional, foi uma espécie de campo de provas para a evolução do processo, uma vez que, em passado não muito remoto, apresentava certa ambigüidade e visões parciais. Em uma delas, havia uma concepção biofísica de zoneamento, entendido como instrumento para transformar a Amazônia num santuário; em outra, liberava áreas para uso descontrolado; numa terceira, conferia excessiva ênfase no zoneamento agrícola.

Modernamente, o zoneamento constitui instrumento político e técnico de planejamento, cuja finalidade última é otimizar o uso do espaço e orientar as políticas públicas.

Esta otimização é alcançada pelas vantagens que ele oferece, sendo, simultaneamente, um instrumento:

a) técnico de informação sobre o território, necessário ao planejamento de sua ocupação racional e ao uso sustentável dos recursos naturais, fornecendo informações integradas em uma base cartográfica e classificando o território segundo suas potencialidades e vulnerabilidades;

b) político de regulação do uso do território, permitindo integrar as políticas públicas em uma base geográfica, descartando o tradicional tratamento setorial de modo a aumentar a eficácia das decisões políticas.

Permite, também, acelerar o tempo de execução e ampliar a escala de abrangência das ações, isto é, aumentando a eficácia da intervenção pública da gestão do território.

Ademais, constitui instrumento de negociação entre as várias esferas de governo e, entre estas, o setor privado e a sociedade civil, ou seja, um instrumento para construção de parcerias; e

c) de planejamento e gestão territorial para o desenvolvimento regional sustentável, significando que não deve ser entendido como instrumento de cunho apenas corretivo, mas também ativo e estimulador do desenvolvimento.

Em síntese, o zoneamento é um instrumento técnico e político do planejamento das diferenças, segundo critérios de sustentabilidade, de absorção de conflitos, e de temporalidade, que lhe atribui caráter de processo dinâmico, que deve ser periodicamente revisto e atualizado, capaz de agilizar a passagem para o novo padrão de desenvolvimento. O zoneamento, portanto, não é um fim em si, nem mera divisão física, e tampouco visa criar zonas homogêneas e estáticas cristalizadas em mapas.

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Para se analisar de forma adequada esse instrumento, é necessário fazer um breve histórico do processo de ocupação de Rondônia, examinar aspectos fitogeográficos e sua estrutura fundiária e caracterizar o processo de ordenamento territorial do Estado. O exame, ainda que sumário, das reservas indígenas, unidades de conservação e de fiscalização do IBAMA em Rondônia são também importantes para uma abordagem mais abrangente da matéria.

ARIQUEMES

O vale do Jamari onde localiza-se hoje, o Município de Ariquemes era conhecido desde o século XVIII, pela abundância de cacaueiros nativos de suas florestas. Em 1749 o sargento-Mor Luiz Fagundes Machado auxiliado pelo piloto Antônio Nunes de Souza e o sertanista João de Souza Azevedo, chefiando uma expedição de cento e cinqüenta homens, explorou a bacia do rio Jamari, por ordem do governador da Capitania do Grão Pará.

No início do Séc. XX quando a Comissão de Linhas Telegráfica Mato Grosso/Amazonas, chefiada pelo Tenente Coronel Cândido Mariano da Silva Rondon, alcançou o rio Jamari no local onde localiza-se Ariquemes, encontrou a sede do seringal Papagaios de propriedade do Coronel Borges S. do Carmo, aí instalou um posto telegráfico, denominando-o Ariquemes, em homenagem à nação indígena dos Ahopôvo a qual os Urupás seus inimigos apelidavam de Arikemes. O nome da estação telegráfico “Ariquemes” estendeu-se a toda localidade.

Criado em 1943, o Território Federal do Guaporé passou a fazer parte do município de Porto Velho, como distrito de Ariquemes.

O progresso e o desenvolvimento de Ariquemes ocorreu a partir de 1958 com a descoberta a exploração da cassiterita (minério de estanho, e da implantação dos Projetos Integrados de Colonização do INCRA em 1970), atraindo para sua área o fluxo migratório de colonos oriundos das regiões Centro-Sul do País, dedicando-se à agricultura e à pecuária. Sua expansão induziu o Prefeito Municipal de Porto Velho, Antônio Carlos Cabral Carpintero, a determinar a mudança da sede do Distrito, da antiga vila para outro local, onde iniciou a instalação de uma cidade planejada dividida em quatro setores, o institucional, o comercial, o industrial e residencial, surgindo a Nova Ariquemes que passou a ser sede do Município de Ariquemes, criado pela Lei n.º 6448 de 11 de outubro de 1977.

MACHADINHO DO OESTE

A cidade de Machadinho, sede do Município do mesmo, surgiu de um dos Projetos de Colonização do INCRA no Município de Ariquemes, do qual foi desmembrado. Situava-se no vale do rio Ji-Paraná, tendo todo o seu território atravessado de Sul para o Norte pelo rio Ji-Paraná, tendo todo o seu território atravessado de Sul para o Norte pelo rio Ji-Paraná. Seu rápido crescimento populacional

e desenvolvimento econômico decorrente das atividades agrícolas, exigiu a sua autonomia política e administrativa. A área do Projeto Integrado de Colonização Machadinho, foi elevado a categoria de Município, com sede no povoado do mesmo nome com status de cidade. O seu nome é em homenagem do rio Machadinho, afluente da margem esquerda do rio Ji-Paraná.

JARÚ

A cidade de Jeru, sede do Município do mesmo nome, situada no vale do rio Jarú, surgiu em torno de um dos postos telegráficos instalado em 1912 pela Comissão da Linha Telegráfica Estratégica Mato Grosso/Amazonas, chefiada pelo então Cel. Cândido Mariano da Silva Rondon. Porém o vale do rio Jaru era ocupado pelos pelos seringais e seringueiros desde o século XIX, apesar da resistência imposta pela nação dos Jarus, que a tinham sob seu domínio, ocupando uma extensa área que se estendia desde o rio Jaru afluente da margem esquerda do rio Ji-Paraná, até às margens do alto curso do rio Madeira. Em 1950 a Comissão Rondon procedeu a exploração de estudos do rio Madeira. Em 1915 a Comissão Rondon procedeu a exploração de estudos do rio Jaru, mantendo este nome em homenagem aos seus primitivos habitantes os Jarus.

A ocupação atual do vale do Jaru, ocorreu a partir de 1975, com a instalação do Projeto Integrado de Colonização “Padre Adolpho Rohl” pelo INCRA, para assentamentos de colonos oriundos principalmente das regiões Centro Sul do País. O seu esenvolvimento demográfico e econômico, resultou na elevação da área do Projeto, a categoria de Município tendo a localidade de Jaru, como sede municipal elevada e categoria de cidade.

O município criado pela Lei n.º 6.921, de 16 de junho de 1981, recebeu o nome de Jaru, em homenagem ao rio e à nação indígena dos Jarus.

OURO PRETO DO OESTE

Ouro Preto do Oeste, teve origem do primeiro Projeto Integrado de Colonização, implantado em 1970, pelo INCRA para assentamento de colonos migrados das regiões Centro-Sudestes-Sul, do País. Porém desde o século XIX os seringueiros do rio Urupá extraiam borracha e colhiam castanha em suas florestas BR 364, distante 40 Km da Vila de Rondônia, hoje cidade de Ji-Paraná, sendo denominada Ouro Preto, em

homenagem a serra e seringal com esse nome, situados na área delimitada pelo Projeto de Colonização.

O núcleo inicial e suas adjacências desenvolveramse rapidamente, aumentando a sua população, a produção agropastoril, o comércio e a indústria, atingindo expressiva importância social e econômica, sendo elevada a categoria de município pela Lei n.º 6.921, de 16 de julho de 1981, desmembrado do município de Ji-Paraná.

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Referências