Lúcifer Destronado _ Confissões de um Ex-Satanista - William Schobelen

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Tradução do original em inglês L u cifer D eth ro n ed — A tru e story Copyright © 1993 de W illiam Schnoebelen

Todos os direitos reservados pela Danprewan Editora Ltda. Nenhuma parte deste livro poderá ser reproduzida, gravada em qualquer sistema eletrônico de arquivamen­ to de dados, ou transm itida sob qualquer forma (seja mecânica, xerográfica, eletrôni­

ca ou qualquer outra), sem a permissão por escrito do detentor ao Copyright. Primeira edição: janeiro de 2004

SUPERVISÃO EDITORIAL E DE PRODUÇÃO Robson Vieira Soares

TRADUÇÃO

M ilton Azevedo Andrade

COPIDESQUE E REVISÃO

Josemar de Souza Pinto Alexandre Emílio Silva Pires

Vicente Gesualdi PROJETO GRÁFICO F atim a Agra DIAGRAMAÇÃO FA E ditoração CAPA J u lio C arvalho

Textos bíblicos conforme a versão Almeida, Revista e Atualizada, 2. ed., da Sociedade Bíblica do Brasil (r a) , exceto quando for indicada outra fonte.

Nova Versão Internacional, da Sociedade Bíblica Internacional, publicada pela Editora V ida (n v i).

Alm eida, Revista e Corrigida, da SBB (r c).

Nova Tradução na Linguagem de Hoje, da SBB (n t l h).

DADOS INTERNACIONAIS PARA CATALOGAÇÃO NA PUBLICAÇÃO (CIP) DO DEPARTAMENTO NACIONAL DO LIVRO

S388L Schnoebelen, W illiam J. (W illiam Jones), 1 9 4 9

-Lúcifer destronado : confissões de um ex-satanista / W illiam e Sharon Schnoebelen ; tradução M ilton Azevedo Andrade .

- Rio de Janeiro: Danprewan, 2003 Tradução de : Lucifer dethroned Apêndices

ISBN 85-85685-68-9

1. Possessão diabólica . 2. Guerra espiritual . I. Schnoebelen, Sharon. II. Título.

CD D 235.47 C D U 235.2

DANPREWAN EDITORA LTDA.

Caixa Postal 29.120 - Rio de Janeiro - RJ - CEP: 20542-970 T e l: (21) 2142.7000 - Fax: (21) 2142.7001

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De d i c

A t ó r i a

(3ste livro é dedicado com muito amor ao pastor Bob Walker e sua esposa, Jeannette, que têm sido para nós uma enorme bênção. Eles nos proporcionaram uma cobertura pastoral durante todo o tempo — tão longo e difícil — em que o estivemos escrevendo. Juntamente com os membros da nossa igreja, a Bethel Chapei, per- severaram em meio a numerosos ataques pessoais e inimagináveis batalhas espirituais por amor do Reino e pela publicação deste livro.

Não temos palavras para agradecer tudo que fizeram. Oramos para que Deus os recompense por suas orações, pelo amor que a Ele demonstram e por sua obediência ao Senhor! Temos a consci­ ência de que esta obra não poderia vir a lume sem o que eles tive­ ram de suportar, com paciência e resignação.

Queremos também reconhecer as orações, a inspiração, a aju­ da, o incentivo e a assistência de muitos que, com dedicação, con­ tribuíram conosco nos estágios finais deste livro.

Toda vez que se faz referência a pessoas, há sempre o perigo de se omitir o nome de alguém importante. Todavia, queremos agra­ decer ao Senhor e pedir que abençoe Marjorie Bennett, Doug Brow- ning, Rob e Anna Gascoigne, o tenente Larry Jones, Aron Rush, e Mary e Anya Starr. E, de um modo especial, queremos agradecer a todos que, anonimamente, intercederam por nós.

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Quanto ao mais, sede forta lecid os no Senhor e na fo r ça do seu poder.

Revesti-vos d e toda a arm adura d e Deus, para poderdes f i ­ car firm es contra as ciladas do diabo; p orq u e a nossa luta não é contra o sangue e a carne, e sim contra os prin cipados epotestades, contra os dom inadores deste m undo tenebroso, contra as fo rça s espirituais do mal, nas regiões celestes. Portanto, tom ai toda a arm adura d e Deus, para quepossais resistir no dia m au e, depois d e terdes ven cido tudo, p erm a ­ n ecer inabaláveis.

Estai, pois, firm es, cin gin do-vos com a verdade e vestindo- vos da couraça da justiça.

C alçai os p és com a p rep a ra çã o do eva n gelh o da p a z ; em braçando sem pre o escudo da fé , com o q ual podereis apagar todos os dardos inflam ados do M aligno.

Tomai tam bém o capacete da salvação e a espada do Espíri­ to, que é a palavra d e Deus; com toda oração e súplica, orando em todo tem po no Espírito ep à ra isto vigiando com toda perseverança e súplica p o r todos os santos.

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S u m Á r i o

1 Entronização...9

2 Caça-Fantasmas?...19

3 Conheça o Seu Inimigo...31

4 A Cerimônia de Inocência Acabou... 47

g “O Vingador do Diabo” ... 59

6 Nas Entranhas da Besta... 71

7 O Que a Noite Tem para Revelar... 89

8 Lidando com a Confraria... 105

9 A Infra-Estrutura do Satanismo...121

íò “A Catedral da Dor” ... 139

1 1 Os Saduceus de H o je...153

12 “...A Maldição sem Causa Não Se Cumpre” ... 161

13 Respostas a Algumas Perguntas Difíceis... 175

14 Os Túneis de Typhon... 191

15 Desertores das Trevas... 207

16 O Profano Graal ... 221

17 Dissipando as Trevas ...233

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içj Testemunhando a um Adorador do Diabo ... 257

Descendo na Contramão... ... 273

21 Regenerados, Chamados e Comissionados! ... 289

Apêndice 1 - 0 Calendário Satânico... 307

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6 n í

r o í i i z a ç ã o

Nada mais do que a anarquia neste mundo é liberada, E um tempo de sangue e obscuridade; e, em toda parte, A postura de inocência é debelada.

Os bons perderam toda a convicção,

Os maus, porém , com impetuosa violência estão. Certamente algo está para se revelar;

Certamente a Segunda Vinda não vai tardar... Mais uma vez as frevos desvanecem; mas agora posso saber

Que vinte séculos de um sono pesado

Tornam-se em pesadelo pela ação de um berço agitado. E para os rudes e cruéis, sua hora p o r fim chegou.

Haverá indiferentes para com Belém que ainda hão de nascer?

— A Segunda Vinda - de W. B. Yeats

o cê não faz idéia do que seja acordar com uma necessidade de sentir gosto de sangue em sua boca.

Você não pode imaginar o que é dirigir o carro à meia-noite, pelas ruas molhadas de chuva de uma cidade, torcendo para en­ contrar uma mulher solitária com quem possa satisfazer um forte desejo... e, ao mesmo tempo, com outra parte sua torcendo para que não a encontre, temendo o que realmente você possa fazer.

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L ú c if e r D e s t r o n A d o

Sem dúvida que esse é um pensamento apavorante, até mes­ mo ofensivo, para a maioria das pessoas. Tenha paciência comigo, porém, ao introduzi-lo num mundo por onde poucos têm andado. Isso lhe dará condições de compreender de onde vim, a fim de poder avaliar melhor o que Satanás pode fazer às pessoas e, o que é mais importante, o que Jesus Cristo pode fazer p o r elas.

JEu costumava acordar com uma forte necessidade de sentir gosto de sangue em minha boca, tal como o fumante inveterado levanta-se tateando com a mão, procurando o maço de cigarros ao lado de sua cama. Meu despertar era diferente do da maioria das pessoas, pois acontecia no fim da tarde. Tinha arranjado trabalho à noite — primeiro como vigia, depois como entregador da edição matutina de um jornal.

Geralmente, eu dormia num quarto pequeno, com as janelas totalmente revestidas com cortinas de veludo púrpura, para não deixar entrar um raio sequer de sol. Dormia no chão, tendo ao meu redor pinturas satânicas nas paredes e no teto, as quais tinham o propósito de serem portas de entrada para outras di­ mensões da realidade — outros universos.

Em certas épocas do ano, quando eu enfrentava uma situação mais difícil, dormia num caixão funerário especialmente construído para mim, de acordo com prescrições ocultistas bem precisas, for­ rado no fundo com uma terra “sagrada”, trazida do cemitério cató­ lico da minha cidade natal. Muito desta terra ficava bem embaixo do meu travesseiro.

Mas eu tinha necessidade de sangue! Diferentemente dos ou­ tros pecadores, interessados sexualmente no corpo de uma mulher, meu único interesse era o seu pescoço ou as suas artérias do fêmur. Minha vida era vivida praticamente nas trevas, e eu adorava enti­ dades espirituais que eu chamava de os “Grandes Seres da Antigui­ dade”. Lúcifer era apenas um deles, embora um dos mais

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importantes. Eu acreditava que esses seres estavam me transfor­ mando num ser imortal.

Meus heróis eram homens como Nero, Hitler e Drácula, e eu acreditava ter contato diário com eles mediante o recebimento de espíritos. Eles me guiavam — eram espíritos destituidos de qual­ quer santidade, que serviam a um senhor também profano — , e eu obedecia a ‘‘eles” com um prazer embriagador e sinistro.

Como é que um ser humano pode degradar-se a tal ponto? Como pode alguém tornar-se tão pervertido e maligno, tendo de viver à custa de sangue humano? As respostas para estas perguntas encontram-se neste livro — na história real de alguém que foi víti­ ma de uma trajetória maligna, da qual não há como escapar, exceto por meio de Jesus.

3 1 de ouíubro de 1959

A véspera do Dia de Todos os Santos veio sobre aquela cidade do interior, no Meio-Oeste dos Estados Unidos, como um grande fantasma predador — com o som do seu esqueleto se arrastando pela noite afora.

Era esse o segundo dia do ano preferido daquele garoto, só perdendo para o Natal. Todo ano, no dia de Halloween, ele vestia uma fantasia bizarra e saía para pedir doces, pipoca e chocolate, como é costume nos Estados Unidos. Ele gostava das guloseimas que ganhava, mas sentia que havia algo muito estranho na atmos­ fera daquele dia.

O menino gostava do ar agradável do outono, perfumado com a fragrância das folhas secas se queimando. Apreciava também a camaradagem de seu melhor amigo, que com ele saía em busca das prendas por toda a cidade. E, naquela noite, havia certa sensação de perigo no ar, suficiente para tornar a amizade que os unia algo muito especial. G n t r o n i z a ç ã o

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Seus pais só estavam preocupados com o fato de ele nunca ter saído para pedir guloseimas, no Halloween, trajando algo que ti­ vesse uma aparência do mal e lembrasse um demônio ou um bru­ xo. Aquele ano não foi exceção. Ele saiu com uma roupa em farrapos e maquiado para parecer um mendigo.

Seus pais lhe haviam ensinado, desde a idade em que pôde começar a sair para a “brincadeira” do Dia das Bruxas, que “fantas­ mas, bruxas e demônios não existem”. Mas o clima sinistro da festa criava uma espécie de temor seguro e cômodo, que fazia da condi­ ção de ter amigos a coisa mais desejável naquela noite.

Dez anos se passaram até o dia em que a alegria do Halloween seria manchada como que por doces envenenados e pipocas com agulhas escondidas no melado. O charme daquela noite seria assim, sutilmente temperado, como se fosse uma bebida forte contendo uma pitada de algo desconhecido. E, ain­ da, para que tudo ficasse do jeito que o menino gostava, ele fre­ qüentava um colégio católico, que guardava feriado no Dia de Todos os Santos, o que resultava, para ele, motivo de grande alegria, a fa lta d e aula no dia seguinte.

A estratégia dos dois meninos era percorrer de cima a baixo todas as ruas situadas na direção norte—sul daquela pequena co­ munidade e depois irem no sentido das transversais leste-oeste. Era um vilarejo de menos de mil habitantes, de modo que aque­ les meninos, cheios de energia e bastante animados, podiam per­ feitamente passar por todas as casas, o que, para eles, era um verdadeiro divertimento.

Quando chegaram à velha pensão da cidade, eles “faturaram” como nunca. A gerente tinha feito com que os seus hóspedes, em torno de dez, colocassem suas dádivas numa enorme mesa, na en­ trada da pensão, para que os meninos não precisassem subir e des­ cer as escadas para os corredores. Os meninos haviam programado chegar lá bem cedo; mesmo assim, suas sacolas já estavam quase pela metade! Seus pais os queriam de volta a casa por volta das 8h30 da noite; assim, contavam ainda com mais de uma hora.

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Naquela noite, quando estavam indo pela Rua Três em dire­ ção à escola pública, o garoto e seu companheiro deram, então, uma parada e, por um momento, ficaram em silêncio, contem­ plando as luzes e as lanternas feitas de abóbora moranga, como máscaras, através de cujos “olhos” e “boca”, recortados, brilhavam velas acesas em seu interior — iluminando as escuras calçadas co­ bertas de folhas secas do outono. Então, casualmente, o menino olhou para cima, por entre os galhos despidos das árvores da rua, e viu algo que transformaria para sempre a sua vida.

O brilhar das estrelas naquela noite de outubro, que até en­ tão ele podia ver muito bem, de repente desapareceu — ou foi coberto por alguma coisa.

Toda a abóbada celeste agora parecia contorcer-se como algo vivo ou, talvez, como um grupo de coisas vivas. A princípio, o menino não conseguiu discernir o que estava vendo. Pareciam muitos cachos de uvas que se sacudiam de dor, suspensos como se fossem tumores obscenos, escuros, que obscureciam o firmamento estrelado.

Assim que o menino, boquiaberto foi saindo bem devagar de sob os galhos daquelas árvores que se espalhavam por todas as direções, as coisas ficaram um pouco mais nítidas. Cada um da­ queles cachos começou a se abrir, aos poucos, tornando-se horri­ pilantes. Então ele percebeu o que de fato eram: um bando de enormes criaturas que se pareciam com morcegos, furando com suas pequenas garras ossudas o manto aveludado da escuridão noturna!

Os olhos de tais criaturas, então, se abriram. Apesar de serem demasiadamente horrorosas, foi desse modo que ele pôde ver, com maior facilidade, quantas eram. O que viu, deixou-o estarrecido. Pareciam milhares! Milhares de olhos de um vermelho acentuado faiscavam naquela massa de seres mórbidos que dele se aproxima­ vam. Os olhos que ele via pareciam entorpecer a sua alma.

— Agora você nos p erten ce.

B n l r o n i z A ç i o

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Estas palavras ressoaram em sua mente como a badalada de um grande sino.

— Agora você nos perten ce.

Um sentimento de terror, não apenas um medo desconfortá­ vel, mas um gélid o e horrendo p avor, como um calafrio, percorreu de cima a baixo toda a sua espinha dorsal. Um estranho poder, com uma força irresistível, despencou sobre ele, fazendo-o cair de joelhos.

— Ei, Bill! O que você está fazendo aí?

O ansioso e amistoso grito do seu companheiro, que havia se afastado um pouco dele, captou de volta sua atenção. Ele olhou para o amigo, agora muitos metros à sua frente, e arreganhou os dentes num falso sorriso, nervoso, demonstrando não saber o que estava acontecendo. Voltou então a olhar para o céu, mas nada viu, senão estrelas. Era evidente que o seu amigo não havia percebido nada de anormal.

Desvencilhando-se de todo o seu deprimente terror, e recupe­ rando-se da visão assustadora que quase o matou, o garoto correu então para alcançar seu amigo.

No ano seguinte, ele observou o céu da Rua Três e apenas uma estrela cadente perturbou o cenário daquela noite. Desde então, a cada noite de Halloween, com o passar dos anos e avançando em sua adolescência, olhava para o céu para ver se aquelas horrorosas e desagradáveis criaturas de olhos vermelhos apareceriam de novo no céu. Mas nunca voltaram.

Quando chegou à maturidade, ele se tornou cada vez mais fascinado pelo desconhecido. Passou a estudar a respeito de discos voadores, fantasmas, casas mal-assombradas, parapsicologia e Triângulo das Bermudas. Devorava todos os livros sobre esses as­ suntos que podia encontrar, para estranheza de seus pais. Todo ano, saía fielmente a cumprir o seu ritual do Halloween, mas ja­ mais voltou a ter uma visão como aquela.

Um encontro bem diferente daquele, no entanto, o esperava, alguns anos depois. Sua mente já havia sido preparada para encarar

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o desconhecido, o extraordinário. Além disso, naquela amaldiçoa­ da noite de Halloween, uma porta se abrira totalmente na alma do menino. Algo pernicioso, asqueroso, destrutivo e maligno vie­ ra entronizar-se nele.

Ao ser alguém tocado pelas gélidas asas do submundo, pare­ ce que a pessoa — mesmo uma criança -— fica excepcionalmente sensibilizada por certos momentos e lugares. É quando o véu que separa o nosso mundo “real” do Mal Supremo parece rasgar-se levemente, e um horror sem controle penetra em nosso tempo e espaço.

KH iíielA nder, U Jis c o n s in - 19 65

Desde o início de sua adolescência, a cada dois anos, o menino ia com seus pais a um local de veraneio junto às florestas do norte de Wisconsin. Eles alugavam uma cabana junto a um lago. Era um belo lugar.

Certa ocasião, quando lá chegaram, numa noite de verão, o 3-5 menino, agora um adolescente, estava no embarcadouro contem­

plando o lago. Era um local relativamente deserto, mas luminárias brilhavam por toda a margem. O fulgor das estrelas era excepcio­ nal. Ele desfrutava da beleza daquela noite e não lhe ocorria pensa­ mento algum sobre espíritos ou coisas estranhas. De repente, algo esquisito começou a acontecer ao seu redor.

As árvores em torno do lago passaram a agitar-se, como que sacudidas por um forte vento — mas não estava ventando. Muito admirado e com certo medo, ele olhou para os pinheiros que ba­ lançavam de um lado para o outro. Parecia assistir à televisão com o som desligado! Ele chegou a tapar os ouvidos, testando-os, para ver se não estava tendo algum problema auditivo.

Até mesmo o ruído noturno dos insetos e dos sapos havia de­ saparecido. Não fosse o suave barulho das águas roçando nos pila­ res do embarcadouro e o som ocasional de madeira contra madeira dos barcos presos que batiam nas águas, teria julgado que estivesse

G n í r o n i z a ç I o

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totalmente surdo! Veio-lhe, então, um pensamento de que talvez um óvni, ou melhor, um disco voador, estivesse sobrevoando. Lera mui­ to a respeito do aparecimento desses objetos desconhecidos e sabia que às vezes, nessas ocasiões, podem acontecer fenômenos meteoro­ lógicos estranhos. Podia ser esse o caso que estava ali presenciando, com a cessação de todos os ruídos da natureza viva. Mas o seu receio transformou-se rapidamente numa forte excitação quando desviou o olhar das árvores e o fixou no céu estrelado.

Ele somente havia visto óvnis espetaculares em ilustrações e filmes. Certa vez, chegou a observar apenas um par de luzes estra­ nhas, muito longe, que poderiam ser discos voadores, mas talvez fossem balões meteorológicos ou algum avião fora da rota. Assim, naquele momento, o adolescente ficou ansioso e mordeu os lábios de nervosismo. Isso só poderia ser algo realmente fora de série!

As árvores continuavam sendo agitadas cada vez mais, sem que se ouvisse ruído algum. Elas o fizeram lembrar-se de filmes a que assistira cujas árvores agitavam-se com a descida de um heli­ cóptero. Continuou com os olhos fixos no céu. Finalmente, algo como um óvni apareceu, mas diferente de tudo o que ele poderia jamais ter imaginado.

Devagar, no longínquo horizonte, foi surgindo uma gigantes­ ca escuridão. A princípio, parecia uma enorme esfera negra que eclipsava mais de um terço das estrelas no horizonte. Mas se movia numa velocidade que seria impossível para algo assim tão grande.

Antes que tivesse tempo para qualquer reação, a esfera de total escuridão foi seguida por algo ainda maior, que efetivamente veio a obscurecer a maioria das estrelas no céu. Havia uma conexão entre os dois fenômenos. De repente, ele se deu conta de que estava vendo algo extraordinário, uma enorme silhueta de homem!

Mal havia percebido isso quando aquela coisa gigantesca co­ meçou a se movimentar por toda a abóbada celeste. Ele via, no horizonte, aquela sombra vindo em direção à sua cabeça. O rapaz sentiu-se como uma formiga que vê um homem marchando sobre o seu formigueiro!

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Depois, quase todo o céu ficou escurecido por aquela enorme mancha negra. O rapaz teve, então, a impressão de ver um par de olhos vermelhos, o que o fez lembrar-se dos olhos daquele bando de seres noturnos que lhe apareceram na noite de Halloween, anos atrás. Isso o inquietou um pouco, mas a imagem durou apenas um segundo. A silhueta negra deu, então, um enorme passo, desapare­ cendo no horizonte atrás do rapaz.

As estrelas voltaram a brilhar da forma normal; não mais esta­ vam obscurecidas. As árvores pararam de balançar. Gradualmente, os sons noturnos do lago voltaram à normalidade, e o rapaz ficou embasbacado, questionando consigo mesmo a natureza do fenô­ meno que acabara de presenciar. Com um arrepio e uma forte sen­ sação de náusea, ele retornou à cabana. Como era de esperar, não comentou nada com seus pais.

Apesar do que lhe aconteceu nesse verão assombrado nas flo­ restas do Norte, o rapaz jamais teve outro Halloween como aquele da visão na Rua Três, tempos atrás.

• • •

Três anos depois, em 31 de outubro de 1968, Bill Schnoebelen atingira a maioridade.

Naquela noite, do pináculo de um penhasco, contemplava as luzes de Dubuque, Iowa — olhando para o horizonte noturno do Haloween, pela primeira vez, na condição de um iniciado em bruxaria.

G í i í r o n i z A ç l o

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C a ç a - F a H Í A S

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I

1

A S ?

Ficamos no centro e supomos que o segredo está no centro... e o saber.

Dubuçue, Io x u a - 1969

(jlr a escuro como uma cripta naquele subsolo. Talvez porque esti­ véssemos sentados num lugar bem ju n to a uma cripta, no porão, embaixo do departamento de música da faculdade que eu freqüenta­ va. Éramos cinco ou seis estudantes, sentados em círculo no chão, com as pernas cruzadas, de mãos dadas, no escuro. Invocávamos o espírito da mulher que estava sepultada do outro lado de duas enor­ mes portas de carvalho, naquele subsolo do departamento de música. O líder do círculo na nossa pequena sessão espírita estava um ano à minha frente na faculdade e, sem dúvida, havia se desenvol­ vido mais do que eu em magia negra. Era Halloween, e nada me­ lhor do que comemorá-lo invocando o espírito de alguém que tinha sido uma das pessoas de maior destaque naquela comuni­ dade. A mulher fora sepultada no subsolo do departamento de música porque seu marido contribuíra não só para a construção da capela situada acima, como também para a edificação de vários outros edifícios no campus universitário. Tal como acontecia com os benfeitores na Idade Média, foi desejo seu que o túmulo da

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esposa ficasse instalado sob o altar principal da igreja que ele ha­ via construído.

Nosso líder, Dave (não é esse o seu verdadeiro nome), clamou, em voz grave e bem fúnebre:

— Invocamos o espírito de F... W... . Queremos penetrar o véu do além e falar com ela.

Nada ouvimos, a não ser o nosso coração batendo um pouco mais forte do que o normal. Dave continuou:

— O F... , nós a invocamos. Rasgue esse véu e comunique-se conosco! Isso é tudo o que queremos. Dê-nos um sinal de que há vida além da morte.

O silêncio que se seguiu criou um ambiente agourento: as tre­ vas eram mais tangíveis a cada minuto. De repente, as enormes portas de carvalho que nos separavam do jazigo começaram a tre­ pidar. A princípio, um tanto pausadamente, mas, depois de alguns segundos, nós, que nos encontrávamos sentados em círculo, ouvi­ mos um ruído alto e estrondoso.

Quase nos matamos, debandando, à toda, do porão, naquela noite fria de Halloween. Lá fora, respiramos bem fundo e fomos a uma pizzaria para avaliarmos nossa experiência parapsicológica. O que não sabíamos é que estávamos prestes a receber a lição de que

“com certeza o sen p eca d o vai ser descoberto'’.

Eu era encarregado, na faculdade, de atender as pessoas na biblioteca do departamento de música; possuía, assim, uma cha­ ve do local. Foi desse modo que pudemos ir ao subsolo do depar­ tamento após o horário normal. Eu tinha de permanecer naquele departamento boa parte do tempo depois do expediente. Os es­ tudantes de música costumavam vir a mim também com ques­ tões e problemas.

Na semana seguinte à nossa “sessão espírita”, vários alunos, que nada sabiam da nossa tentativa de invocar o espírito de uma pessoa morta — pois mantivemos o caso em segredo entre nós — , vieram até mim para fazer estranhas indagações, do tipo:

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Tinham ouvido nitidamente o som do piano e chegaram a ir à sala 4 para verificar quem estava tocando, mas não encontraram ninguém. Aparentemente, tratava-se sempre da mesma melodia.

Se isso não bastasse, certa noite eu estava na sala do chefe do departamento fazendo cópias de fitas cassetes para ele quando, inexplicavelmente, a mesma melodia surgiu nas fitas cassetes que eu estava copiando, sem qualquer explicação de como isso poderia ter acontecido. O departamento de música começou, então, a ga­ nhar certa “reputação”.

Um dia, um estudante corpulento ao entrar no departa­ mento, foi imediatamente arremessado para fora por poderosas mãos invisíveis, com uma força tal que chegou a deslocar os seus ombros.

De outra feita, uma freira viu uma mulher de baixa estatura, mas bastante robusta, descendo pelos corredores, trajando um ves­ tido verde de cetim. Posteriormente, ficamos sabendo que a descri­ ção da mulher coincidira com o retrato oficial de F... W... !

Em outra ocasião, ainda, uma aparição atingiu-me em cheio. Eu tinha o cuidado de nunca ficar nas salas com a luz apagada. Por experiência, sabia que as pessoas que se aventurassem a entrar no departamento de música com as luzes todas apagadas, normalmente sairiam dali com lesões no corpo.

Mas, numa noite, tinha acabado de sair do departamento com um casal de amigos, quando me dei conta de que havia esquecido alguma coisa. Voltei ao recinto, estando as luzes apagadas, e nem me lembrei de acendê-las. Mal havia dado alguns passos no h a ll de entrada qua.ndo senti uma coisa repugnante agarrar a barriga da minha perna esquerda, prendendo-a com garras abrasadoras.

Em toda a minha perna que latejava, senti como se a pele estivesse queimando. Gritei e saí mancando do departamento, quase chorando de dor. O exame médico constatou que havia uma lesão do tipo queimadura, aproximadamente do tamanho de uma mão, na barriga da minha perna. Por várias semanas,

C a ç a -í a ü í a s ín a s ?

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depois desse incidente, tive que andar visivelmente mancando. Por estranho que pareça, durante cerca de dez anos não cresce­ ram pêlos na região afetada.

Um dos episódios mais espantosos, com respeito a essas coisas assombrosas, ocorreu quando a cidade de Dubuque foi atingida, certa noite, por forte tempestade. O mau tempo causou a inter­ rupção do fornecimento de energia elétrica em todo o câmpus. Como eu era o encarregado da biblioteca do departamento, o deão dos alunos me pediu que ficasse vigiando as portas do departa­ mento, trancadas. Foi com relutância que acedi, pois tinha ouvido falar de acontecimentos muito estranhos que ocorreram ali. De­ pois de algum tempo, o órgão começou a tocar dentro do departa­ mento, mas eu não estava nada disposto a ir investigar o que estava acontecendo, pois teria de andar pelos corredores totalmente escuros.

Após alguns minutos, o deão desceu com uma lanterna e, muito bravo, perguntou quem estava tocando o órgão. Respondi-lhe que as portas estavam trancadas e — o que era mais espantoso — que o único órgão que havia no departamento de música era um apare­ lho elétrico\ Ele me disse que isso era um absurdo, abriu a porta e, soltando uma imprecação, entrou. Assim que ele penetrou a escu­ ridão do departamento, sua lanterna, misteriosamente, se fez em pedaços em sua mão. Saímos correndo de lá, enquanto o órgão continuava tocando.

Tal como um contágio, os acontecimentos sobrenaturais fo­ ram se espalhando para as outras faculdades locais. Uma jovem, amiga de um dos rapazes presentes na reunião que detonara todos esses acontecimentos, e que agora considerávamos ignóbil, teve uma experiência e tanto. Ela sentiu a presença de (e depois viu) uma enorme criatura, à semelhança de um lagarto, arrastando-se até a sua cama, no seu dormitório, enquanto, paralisada, assistia à coi­ sa permanecer em cima do seu cobertor durante um período de tempo que parecia uma eternidade. Sua companheira de quarto, ao chegar, deparando-se com o intruso, gritou, assustada, e ele imediatamente desapareceu.

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Toda essa agitação causada pelo sobrenatural, no entanto, ser­ viu apenas para alimentar o meu interesse pelo ocultismo. Decidi que, uma vez que eu havia contribuído para a vinda do espírito, tinha a responsabilidade de mandá-lo de volta para o seu “descan­ so”. Comprei, então, um manual de feitiçaria, intitulado A M aior

Chave d e Salomão [em Inglês, The Greater Key o f Solomon\, que

continha rituais mágicos de exorcismo. Eu me dispunha a fazer o que fosse necessário para lançar naquele espírito tudo o que esti­ vesse no livro, a fim de fazê-lo parar de vez.

No dia do aniversário da morte da referida mulher, diversos amigos meus reuniram-se do lado de fora do porão da capela. Ali estavam para ver o que iria acontecer comigo! Eu abri a porta do departamento de música e, segurando o livro, fui até as terríveis portas de carvalho. Meu coração disparava como uma britadeira. Abri as portas que davam para o túmulo e entrei.

O jazigo, em mármore, atingia um metro de altura do piso do subsolo. Eu já sabia disso, pois tinha feito previamente um reco­ nhecimento do local à plena luz do dia. Agora, porém, a única luz que havia era a da rua, que vinha de um semicírculo de jane­ las que circundavam a enorme cripta. Fazia tanto frio no local que dava para ouvir a minha respiração ofegante. Eu sabia, de meus estudos, que um frio sobrenatural é sinal de um elevado grau de atividade paranormal.

Andei, então, em volta do túmulo e comecei a recitar o ritual de exorcismo do livro, com a voz mais firme e autoritária que eu conseguia naquelas circunstâncias. Minha voz soava de modo so­ brenatural e reverberava no espaço vazio de pedra da cripta, mas não fui interrompido por outros sons e movimentos.

Do lado de fora, meus amigos aguardavam os acontecimentos com ansiedade; uma grande parte deles esperava ver-me arremes­ sado para fora, pelas janelas, fragmentado em pequenos pedaços, por ter ousado entrar no túmulo da pobre mulher. Estavam tam­ bém de guarda, pela segurança do câmpus.

C a Ç A -f A n l A S H l A S ?

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Lá dentro, finalmente, concluí todo o ritual, um tanto enfa­ donho. Então, “conjurei” o espírito a que fosse embora e que nun­ ca mais retornasse. Contive minha respiração por um instante, para ver se algo acontecia.

Nada aconteceu.

Finalmente, num ato de triunfalismo jovem, subi no túmulo e desafiei a temível F... W... a fazer alguma coisa.

Nada.

Depois de alguns minutos, fechei o livro, deixei calmamente a cripta, saí e tranquei a porta do departamento de música. Meus amigos se alegraram quando me viram, mas, no fundo do meu co­ ração, eu achava que eles estivessem esperando uma manifestação visível e espetacular, com raios e luzes saindo do lugar.

Pelo que sei, isso foi o fim das ocorrências paranormais no departamento de música. Fiquei conhecido como o “exorcista” da faculdade.

Toda essa minha experiência contribuiu para apoiar ainda mais minha crença nos poderes da magia e do ocultismo. Minha carreira como feiticeiro tinha, oficialmente, começado.

D u b u Q u e , I o x i t a - 1 9 7 3

M inha esposa (que era grande sacerdotisa) e eu fomos chama­ dos para resolver a situação de uma casa que era muito grande e de alto valor, mas que estava mal-assombrada. Será que as pes­ soas pedem a bruxos que as livrem de espíritos em suas casas? Bem, elas o fazem sim, quando se encontram num estado desesperador. O casal que morava na casa tinha visto o bastante para quase serem levados à morte. A mulher era católica, e o marido, completamente ateu. Mas os acontecimentos na casa lhes causaram um enorme terror. Na verdade, o homem chegou ao ponto de dizer que, se não conseguíssemos livrar a casa da­ quele mal, p o d ería m o s f ic a r com ela. Já havia, inclusive começa­ do a fazer planos para a mudança.

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A mulher havia telefonado para a arquidiocese católica, mas tudo o que puderam fazer foi enviar um sacerdote para benzer a casa. Ao terminar a benzedura, enquanto o padre saía, risos de zombaria irrompiam por todo canto. A senhora tinha ouvido fa­ lar de nós por meio de alguém que nos conhecia (pois era um de nossos melhores alunos da escola de bruxaria que então mantí­ nhamos) e nos chamou. Isso ocorreu há cerca de 12 anos antes do filme Os Caça-Fantasmas.

Fazíamos parte da alta hierarquia da feitiçaria, como sacerdotes, e éramos druidas. Fomos, então, convocados para enfrentar aquela casa infestada de espíritos malignos e poderosos, situada no alto de uma colina, de onde se descortinava toda a cidade de Dubuque.

Os proprietários nos relataram a difícil situação que estavam vivendo, e decidimos ajudá-los. Tínhamos sido recentemente trei­ nados e chegado ao nível de alto sacerdócio; assim, achávamos es­ tar preparados para enfrentar qualquer tipo de fantasma.

O casal tinha se apavorado, principalmente porque um dos fantasmas ameaçava as crianças. Elas se queixavam de pesadelos e 25

de verem coisas assustadoras no quarto. O pai, apático e materia­ lista, tinha sido acordado numa noite por algo que puxava as cobertas da sua cama. Viu uma aparição branca pairando no ar, aos pés da cama. Tinha garras afiadas, que começaram a puxar as cobertas. Quando ele se levantou da cama para acossá-la, ela des­ lizou pelo corredor de um modo tão suave que parecia ter rola­ mentos nos pés. O homem a perseguiu passando pelos quartos das crianças e escada abaixo. O vulto o levou pela grande sala, à cozinha e, alcançando a porta dos fundos, passou por ela. O ho­ mem tentou alcançá-lo, mas, quando abriu a porta, teve um enor­ me choque: no lugar do seu quintal, havia um abismo infinito de estrelas! Ele sentiu o vento da eternidade roçando seu rosto e vol­ tou correndo para dentro de casa, tomado de terror. Foi então que fomos chamados.

Visitamos a casa, discutimos o problema e nos inteiramos do histórico da mansão. Em seguida, pedimos aos proprietários

per-C a -Ç A -f A t l l A S I n A S ?

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missão para ver o “coração” da casa. Os ocultistas e os parapsicó- logos acreditam que as casas mal-assombradas, em sua maioria, têm um “coração”, ou seja, um centro espiritual do qual provém toda a ação sobrenatural. Geralmente é um lugar bastante frio. No caso deles, rapidamente descobrimos que era o quarto princi­ pal, o do casal.

Esse quarto era gelado. Dava para sentir a própria respiração. Os demais cômodos, porém, eram agradáveis e aquecidos. Um gran­ de espelho, na porta do closet daquele quarto, não tinha mais uma ótica perfeita, tornando-se todo ondulado, como um espelho de parque de diversões, e que tremia assustadoramente quando olhá­ vamos para ele.

Prosseguimos, então, com os procedimentos que havíamos aprendido. Sentamo-nos e fizemos uma pesquisa espiritual naque­ le quarto principal da casa. Conseguimos determinar que havia apa­ rentemente dois espíritos: o primeiro era de um velho cruel, com tendências para a pedofilia; o outro era um espírito de mulher bem mais velha, que era boa. Possivelmente, ela estaria querendo infor­ mar os pais, de algum modo, sobre os propósitos daquele outro espírito para com as crianças. Essa informação nos foi dada por nossos “espíritos guias”, que também eram seres desencarnados, mas bons sujeitos (assim pensávamos).

Vimos que a casa estava realmente bastante assombrada, de modo que decidimos trazer conosco, na noite seguinte, todos os feiticeiros do nosso grupo. Pedimos-lhes que fizessem círculos de proteção em torno da família, para que nenhum dos familiares fosse possuído pelos espíritos em fuga que esperávamos expulsar. Minha esposa e eu levamos para o andar de cima os dois principais feiticeiros do nosso grupo (uma mulher e um homem), e ali reali­ zamos nossos feitiços de forma a incrementar, por algum tempo, o poder que achávamos que os nossos bruxos possuíam.

Mas, mesmo com a experiente liderança de minha esposa, nada estava dando muito certo. Em determinado momento, ela brandiu ostensivamente o seu punhal de feiticeira e perseguiu

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um dos espíritos escada abaixo até a porta dos fundos. Viu-se, também, diante da abertura de um abismo cheio de estrelas, em vez do quintal!

Finalmente, num ato de desespero, fez uso do nome que bem poucos feiticeiros terão coragem de até mesmo pronunciar. Ela gritou:

— Em nome de Jesus Cristo, ordeno que todos os espíritos saiam daqui!

Foi como se um estrondo sobrenatural atingisse toda a casa, e imediatamente a opressão desapareceu. Foi como sentir de novo o sol no rosto depois de uma tempestade.

Como cada um de nós estava trabalhando num quarto dife­ rente da casa, eu não tinha ciência do que exatamente Sharon ti­ nha feito. Naturalmente, presumi que nossos rituais tinham tido êxito e nem me preocupei mais com o assunto. Nós dois e os de­ mais do grupo fomos, então, para o andar térreo, e o casal proprie­ tário nos disse sentir que a casa estava ótima. Naturalmente acharam ter sido pelos nossos “poderes místicos” altamente desenvolvidos que a opressão desaparecera.

Mas aquela noite ainda não terminara. Sentamo-nos na sala de estar para tomar um chá, enquanto nos deliciávamos com o sabor da nossa vitória, quando de repente um som de um uivo, horripilante, irrompeu naquela noite. Seguiu-se a ele o barulho de um forte impacto, como se alguém tivesse dado um tiro de canhão na porta de entrada. Corremos até a porta e a abrimos. Vimos à nossa frente o gato da casa, tremendo de forma incontrolável, to­ mado de um terrível pavor. Olhando com atenção para a porta, pareceu-nos que alguém (ou alguma coisa) tinha arremessado o gato com uma incrível violência contra a porta.

O pobre gato estava tão aterrorizado que tinha se arranhado todo. A dona da casa nos informou que o bichano era tão bravo que já tinha até enfrentado cães duas vezes maiores do que ele. Ela,

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então, o pegou e, quando o colocou no chão, ele disparou e foi esconder-se debaixo do sofá, tremendo de medo, e ali permaneceu por muitos dias.

Uma pequena camada de neve cobria o gramado lá fora, mas não havia pegadas humanas sobre a neve em parte alguma nas pro­ ximidades da entrada da casa, tampouco pegadas do gato. Assim, concluímos que os espíritos, ao saírem da casa, vingaram-se no gato da família, arremessando-o contra a porta.

Não obstante esse pequeno incidente, tanto nós como a famí­ lia nos sentimos satisfeitos com o final de tudo. Os espíritos nunca retornaram, e o casal nos enviou um cheque de valor mais que suficiente para o pagamento de nossos serviços.

ÍIlilxxjAukee, HJisconsin - 1975

Mudamos o nosso “ministério” de Dubuque para Milwaukee, em 1974, porque mais de 80 pessoas haviam solicitado que ministrás­ semos cursos sobre feitiçaria com iniciações e estabelecêssemos no­ vos grupos de bruxos naquela cidade. Começamos, então, a dar aulas de modo regular a candidatos à feitiçaria.

Um dia, durante o quarto semestre daquela escola de bruxa­ ria, recebemos de uma de nossas alunas do segundo ano um frené­ tico telefonema por volta da meia-noite. Ela estava num bar e tinha bebido bastante. Sentia que demônios haviam se apoderado dela. Julgava-se totalmente possuída por eles! Como fazia pouco tem­ po que estávamos nâ cidade, não sabíamos onde ficava o bar. As­ sim, sugerimos que ela viesse até nossa casa.

Levou uma hora para a aluna chegar. Nesse ínterim, ela foi atormentada incessantemente. Disse-nos que mãos invisíveis fi­ cavam agarrando suas mãos no volante, tentando desviar o carro para a contramão. Ela escapou por um triz da morte, uma ou duas vezes.

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Inicialmente, conversamos com ela do lado de fora de nossa casa, porque tinha medo de entrar. Por fim, começou a ficar vio­ lenta, de modo que tivemos de arrastá-la até o nosso templo de magia, onde tínhamos estabelecido um Círculo de Bruxos. Ela ia chutando, berrando e espumando pela boca.

A mulher estava totalmente fora de si, espumando e gemen­ do lamuriante como uma banshee [bruxa que, na crença popular irlandesa, prevê a morte de uma fam ília]. Pegamos as nossas cor­ das de bruxaria e a amarramos, conforme prescrito pelos feiticei­ ros, para não nos atingir nem se machucar. Àquela altura, eu me sentia bastante confiante, pois, como parte do meu treinamento ocultista, havia iniciado meus estudos de preparo para o secerdócio da Igreja Católica Romana Antiga [Igreja existente nos Estados Unidos — O ld Roman C atholic Church, que se declara sucessora da Igreja Católica histórica, não sendo ligada ao Vaticano], e já recebido o grau menor de ordenação. Significa que eu havia rece­ bido a “Santa Ordenação” de exorcista e com ela, supostamente,

o poder de expelir demônios. Considerando todo o nosso treina- 29 mento em magia, nosso poder de grande sacerdote na feitiçaria e os manuais que consultávamos, achamos que a nossa tarefa seria extremamente fácil.

Quatro horas depois, no entanto, nossa aluna continuava se retorcendo, chutando e proferindo pragas malignas contra nós. T í­ nhamos colocado um “círculo mágico” em torno dela, dentro dos limites do nosso templo, e tentado de tudo, para expelir os demô­ nios que a atormentavam. Lançamos mão dos rituais de exorcismo do livro A M aior Chave d e Salomão e dos manuais e textos de bru­ xaria de que dispúnhamos. Cheguei até mesmo a ler todo o ritual católico romano de exorcismo, rezando em nome de Jesus Cristo e borrifando sobre ela um pouco de águabenta. Mas tudo isso só fez aumentar sua fúria (dela ou deles).

O dia já ia amanhecer e nos encontrávamos exaustos, mas não os demônios. Eu havia praticado todo o ritual de exorcismo duas ou três vezes, assim como outros rituais e atos simbólicos —

C a ç A-fA n lA s m A S?

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mas tudo foi totalmente inútil. Finalmente, minha esposa, Sharon, suspirou, desesperada, pondo para trás o cabelo que lhe caía so­ bre os olhos, e me olhou como quem dissesse: “Neste caso, nada funciona!”

Sharon, então, pôs as mãos sobre a cabeça da mulher, depois de já ter feito isso inúmeras vezes, mas agora dizendo:

— Em nome de Jesus Cristo, eu ordeno que todos os demôni­ os que estão nesta mulher saiam agora!

A infeliz mulher deu um berro tão forte que por pouco não levantou o teto da casa. Seu corpo se levantou, arqueando-se, rete- sado, mas, em seguida, ela desmaiou, caindo inerte no chão como morta. Pela primeira vez, depois de várias horas, houve silêncio na­ quele quarto em penumbra.

Voltei-me para Sharon, um tanto ofendido. Ela sacudiu os ombros, como que dizendo: “E daí?”, e curvou-se para ajudar a mulher, que começava a voltar a si, recuperando a consciência. Meia hora depois, ao nascer do sol, pudemos, então, despedi-la advertindo-a de que deveria manter-se longe de bares do tipo daquele que freqüentara.

Contudo, meu ego, como homem, fora atingido. Não conse­ guia entender — mesmo que houvesse alguma magia no uso do nome de Jesus Cristo — por que esse nome funcionara de imedia­ to, sem esforço algum, quando Sharon o mencionou, mas não ti­ vera efeito algum quando eu o tinha usado, várias vezes, dentro de um grande e bem elaborado ritual de exorcismo.

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C o n H e ç A o S e u I n i m i g o

(...) para que Satanás não alcance vantagem sobre nós; pois não lhe ignoramos os desígnios.

— 2 Coríntios 2.10,11

C o m o o capítulo anterior demonstrou, há de fato bruxos e sata- nistas por aí. Digo isso, porque f u i um deles! Eles apresentam-se de muitas e diferentes formas, e nem todos se vestem de preto e têm uma cruz invertida tatuada na testa. Nós não a tínhamos. Alguns deles usam terno e gravata e ocupam cargos de destaque nos conse­ lhos administrativos de suas comunidades. Outros, infelizmente, podem estar até mesmo usando vestes clericais.

Quando eu era satanista, era também sacerdote ordenado da já citada Igreja Católica Romana Antiga. Era ministro de uma igreja que se dizia “crista espírita”. E conscienciosamente me propus a fazer o mestrado em Teologia em um conceituado seminário teo­ lógico católico do Meio-Oeste dos Estados Unidos. Cumpria to­ dos os meus deveres eclesiásticos, e nenhum dos meus paroquianos sabia que eu vivia envolvido com culto ao diabo. Digo isso não para me vangloriar, mas para ressaltar que é um erro acharmos que pessoas “respeitáveis” não possam ser servas de Satanás. Com efei­ to, tais pessoas são as que melhor se encaixam nas sutis práticas do diabo, para o servirem.

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Num certo sentido, os satanistas são nossos inimigos, mas num sentido bem mais amplo eles próprios são vítimas de Satanás. Creio que posso dizer, sem receio de me contradizer, que praticamente todos os satanistas são pessoas enganadas. Poucos são os que com­ preendem o que estão fazendo ou para onde estão indo. Foram manipulados pelo “banqueiro do jogo”. São todos — num grau maior ou menor — vítimas da má informação ou da pura mentira.

DescubrA a Sua ÍIleníirAl

É óbvio que somente lunáticos totais serviriam alguém tendo ple­ no conhecimento de que receberão como paga o desespero e o horror nesta vida e tormento eterno no fogo do inferno. Assim, a nenhum satanista é permitido crer no que a Bíblia diz quanto ao seu destino. Satanás emprega vários artifícios para fazer com que os que o servem não vejam a verdade. Sua estratégia mais impor­ tante é mantê-los bem longe da Bíblia.

1. Satanistas de nível inferior normalmente são ensinados de que, na realidade, nem Deus nem o diabo existem.

Esta é a mentira promovida pela literatura da Igreja de Satanás [Church of Satan (COS)]. Essa igreja é a primeira nos Estados Unidos, entre todas as igrejas satânicas, a gozar de imunidade no pagamento de impostos. Diz aos seus membros que Satanás é ape­ nas um conveniente arquétipo; que ele na verdade não existe; que ele é apenas um símbolo tal como a estátua da liberdade, ao qual se pode dar um significado com um conteúdo emocional.

Para eles, Satanás é como uma insígnia que usam, que lhes permite pensar de modo diferente das “massas” e serem perverti­ dos e misantropos [os que buscam apenas os seus interesses e odeiam a sociedade]. Para os tais, Satanás simboliza o ser interior, o verda­ deiro potencial que eles têm, o qual deve ser alcançado por todos os meios possíveis. Ele é tudo o que poderão ser, se apenas conse­ guirem se livrar das algemas da sociedade para serem realmente eles mesmos.

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2. Satanistas de nível médio, que se situam acima do satanismo “light” e burlesco da Igreja de Satanás, recebem o ensino de que Satanás é real, que ele não é mau, mas apenas incompreendido.

Satanás para eles é uma variante do Deus Chifrudo da Wicca, com uma índole bem pior. Ele é um romântico rebelde das tre­ vas, um solitário e byroniano anti-herói. Representa o lado mais tenebroso da humanidade, sua alienação e solidão. Esse “Satanás” não é um inimigo de Deus, mas um oposto necessário — a “leal oposição”. Seu pensamento é que “Deus não pode ser visto como bom sem que haja alguém que o faça parecer ser bom”; desse modo, Satanás existe como um trágico contraste. Esse Satanás não aflige ninguém e, por certo, não é um ser malévolo é apenas o senhor das forças das trevas e ajuda a humanidade com seu “lado de trevas”.

3. Satanistas de nível mais elevado alcançam o patamar se­ guinte da verdade, ou seja, crêem que Satanás é maligno, mas que a sua malignidade é melhor do que o que Deus tem a oferecer.

Segundo essa visão, Satanás é quem, de modo injusto, recebe toda a responsabilidade dos erros de Deus. Eles crêem que, por ciúmes, Deus o expulsou do céu, e assim Satanás procura recupe­ rar a sua glória. Deus é apresentado como o Deus das “massas”, um rebanho de pessoas tolas que têm mentalidade de escravo. O insano filósofo Friedrich Nietschze teria isso em mente quando afirmou que o cristianismo é uma religião “de escravos”.

O satanismo — dizem — é uma religião de senhores. O reino de Satanás é para os criativos e ousados, para os que querem viver grandes emoções. O céu é apresentado como sendo um lugar maçante, cheio de tolos dedilhando harpas o tempo todo. O inferno, por outro lado, é apresentado como um lugar de uma orgia eterna. O cristianismo — dizem ainda — é bom para os que são meramente humanos (costumávamos nos referir a eles como “me-hums”), mas, para os que são senhores, o satanismo é a única opção. Eles crêem que, quando alguém se alista no exército de Satanás (vendendo a alma ao

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diabo), está entrando numa guerra que tem por objetivo retomar de Deus o céu. Deus é visto como o usurpador, e Satanás como o governante de direito do céu. Desse modo, Satanás é tido como um grande herói libertador, lutando contra um rei imperialista.

4. Para os que estão em nível de mestrado no satanismo, Satanás é apresentado como o deus legítimo do Universo, que extrai poder do sofrimento, da perversão e da morte.

Este nível de satanismo é firmemente assumido, mas os que nele se enquadram talvez não tenham participado de rituais de sacrifício humano. Entretanto, chegaram a um ponto em que sua ética foi incrivelmente distorcida: para eles, a dor é um prazer; e o prazer, uma dor. Fazem cortes no seu próprio corpo (ou em outras pessoas que sejam complacentes) para extraírem e/ou chuparem sangue. Sacrifícios de animais para eles são necessários, porque é dos sacrifícios que, segundo crêem, procede o real poder. O sacra­ mento mais elevado, para eles, é a destruição do inocente. Neste nível, os ritos de dor e de perversão são tidos como necessários para que a “porta” que trará a manifestação do reino de Satanás sobre a terra seja aberta. Almas precisam ser “ganhas” a uma velocidade frenética, pois acreditam que todos os que se alistarem no exército de Satanás participarão do “bombardeio” do céu, para expulsar o falso Deus, Jeová.

5. Os que participam do mais alto nível de satanismo nor­ malmente são totalmente possuídos por demônios.

Geralmente, leva muitos anos (a menos que a pessoa tenha nascido numa família de satanistas) para alguém chegar a esse ní­ vel do mal. Sexo com demônios e sacrifícios humanos são necessá­ rios. Os que se acham nesse nível sabem que o inferno é uma realidade, mas são ensinados que, mesmo que percam a batalha contra Deus, vão “reinar” no inferno e nunca sofrerão. Eles são vítimas do falso ensino, tão comum, de que Satanás reina no infer­ no (como se dá com o prisioneiro mais valente numa prisão de

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segurança máxima) e que, assim, concederá favores a quem ele quiser. Não há base bíblica para isso, embora filmes e até mesmo desenhos animados promovam essa idéia.

Esses satanistas acreditam que o seu destino é fazer com que Deus seja deposto e morto, tornando-se, assim, co-regentes do universo com o seu senhor, Satanás. Acreditam que eles mesmos são deuses (e deusas) e que têm o direito de determinar quem deve viver ou morrer. Em sua lógica pervertida, se uma pessoa é deus, então pode matar, destruir, roubar e estuprar quem quiser, porque é ela quem estabelece as regras. Daí decorre a máxima satânica de Aleister Crowley:

Fazer o que tu queres será toda a lei; o amor é a lei, amor submisso à vontade.1

Para eles, o amor tem de subordinar-se à vontade satânica do senhor de todas as magias. Paradoxalmente, eles sabem, no entanto, que Satanás é um cruel senhor que impõe tarefas a seus subordinados. Não é mais aquele rebelde romântico; ago­ ra, ele é mais como o chefe supremo de um implacável sindica­ to cósmico do crime, que tortura e castiga sem piedade seus servos. Ele é o Capo d i Capo,2 ao passo que eles (os satanistas desse alto nível) são seus “afilhados”. Eles acreditam ter tam­ bém um grande poder e “prerrogativas especiais”, mas no fun­ do sabem que o seu reinado é bastante vulnerável. Um só movimento errado, e o seu Capo se voltará contra eles e os pu­ nirá com extrema severidade.

Foi-lhes ensinada ainda a mentira de que não há alternativas para as suas vidas, e o Deus do céu jamais os receberá, uma vez que já praticaram atos demasiadamente perversos e malignos. E que, se tentarem sair ou desertar para o “outro lado”, serão mortos de um modo horrível e torturados eternamente no além. Sem dúvida, o que já viram de torturas e sacrifícios humanos é mais do que sufi­ ciente para saberem até que ponto vão os horrendos atos maldosos que Satanás e seus escravos humanos lhes poderiam fazer.

Co ím e ç A o S eu In imigo

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É muito importante para o cristão que quer ganhar almas com­ preender que tais satanistas encontram-se totalmente convencidos de que “venderam a alma” ao diabo e que Jesus não pode fazer nada para os salvar. Essa mentira precisa ser primeiramente desfei­ ta para que o testemunho do evangelho seja eficiente. Eles acredi­ tam que estão fora do alcance da salvação.

Esta é uma das razões pelas quais este livro foi escrito. Quere­ mos que todos saibam — os satanistas e os que nunca se envolve­ ram com o satanismo — que eu tinha vendido minha alma a Satanás, mas uma simples oração ao Senhor Jesus Cristo quebrou esse pacto em apenas um m inu to! Eu e minha esposa somos hoje cristãos cheios de alegria, vivos e vitoriosos, e já se passaram cerca de 20 anos desde o dia em que nos desligamos de Satanás e pedi­ mos a Jesus Cristo que se tornasse nosso novo Senhor.

Embora por diversas vezes os servos de Satanás tenham nos perseguido, o Senhor Deus — o Rei de todo o Universo, Jesus Cristo — sempre chegou um pouco antes do que eles! Temos sido guardados por Ele o tempo todo, praticamente sem esforço algum.

Ouíro Cristo?

Quem de fato é Satanás? Sabemos pela profecia de Ezequiel que Satanás, pelo menos antes de pecar, possuía muitos atrativos:

Filho do homem, levanta uma lamentação sobre o rei de Tiro e dize-lhe: Assim diz o Senhor J e o v á : Tu és o aferidor da medida, cheio de sabedoria e perfeito em formosura. Estavas no Éden, jardim de Deus; toda pedra preciosa era a tua cobertura: a sardônia, o topázio, o diamante, a tur­ quesa, o ônix, o jaspe, a safira, o carbúnculo, a esmeralda e o ouro; a obra dos teus tambores e dos teus pífaros estava em ti; no dia em que foste criado, foram preparados. Tu

eras querubim ungido para proteger, e te estabeleci; no

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afogueadas andavas. Perfeito eras nos teus caminhos, des­ de o dia em que foste criado, até que se achou iniqüidade em ti. (Ez 28.12-15 - Rc)

Aqui o Senhor está falando sobre o “rei de Tiro”, um tipo de Lúcifer, como é evidente no contexto. Vemos que Lúcifer era co­ berto de diversas pedras preciosas. Possivelmente, foi até mesmo equipado com alguns instrumentos musicais — tambores e pífaros — desde o dia em que foi criado por Deus.

Alguns comentaristas da Bíblia acreditam que ele foi incum­ bido do louvor musical aJDeus diante do trono — uma espécie de regente do coro celestial. Isso explicaria por que hoje Satanás tem tanto interesse pela música e a usa com tanta eficácia.

Adicionalmente, Lúcifer é descrito como o “querubim ungido para proteger”. Ele era o quinto querubim e, assim, parece ter sido o que protegia o trono do Senhor. Dois pontos são reveladores aqui. O primeiro, e mais importante, é que Satanás, uma vez ten­ do sido ungido, tem uma unção! A Bíblia nunca menciona que ele tenha perdido essa unção. Na verdade, ele é o único querubim a respeito de quem é dito ter sido ungido.

O termo hebraico que exprime “aquele que é ungido” é transliterado como “messias”, cuja palavra grega correspondente é “cristo”. A expressão “Jesus Cristo”, na verdade, significa “Jesus, o Messias”, ou “Jesus, o Ungido”. Assim, há pelo menos “outro cristo”, e este é o diabo! Paulo adverte-nos:

Pois, se alguém lhes vem pregando um Jesus que não é aquele que pregamos, ou se vocês acolhem um espírito diferente do que acolheram, ou um evangelho diferente do que acei­ taram, vocês o toleram com facilidade. (2 Co 11.4 - nvi) E o próprio Senhor Jesus confirma:

Pois aparecerão falsos cristos e falsos profetas que realizarão grandes sinais e maravilhas para, se possível, enganar até os eleitos. (Mt 24.24 —n v i) C o n h e ç a o Se u I n im ig o

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Há, então, uma perigosa armadilha em que poderemos cair, pois há muitos que dizem haver encontrado “o Cristo”, e até al­ guns (como Maitreya, o Senhor da Nova Era) que se dizem ser “o Cristo”. Outros, até mesmo, declaram estar ligados a um “Jesus Cristo”. Há quem diga ter “a unção” ou meios para ensinar os crentes a adquirir “a unção”. Entretanto, as palavras podem enganar e, em muitos casos, o crente deverá ter discernimento suficiente para perguntar: “Que Cristo?”, ou: “Que Jesus?”, ou ainda: “Que un­ ção?” E evidente, pelo que está na Bíblia, que Satanás pode produ­ zir “cristos” e “unçoes” diversos, à sua maneira, e que podem vir a ser bastante convincentes.

Quando eu estava profundamente enfronhado na feitiçaria e mesmo no satanismo, buscava entrar em transe com um tal “Jesus”. Todo domingo, durante algum tempo, esse “Jesus” vinha, e eu o incorporava. Ele dizia, então, coisas profundas e maravilho­ sas para aqueles que estavam ouvindo, que tomavam nota. Contu­ do, naquela época, eu não saberia distinguir o verdadeiro Jesus Cristo de um sapo chifrudo.

Eu julgava que tudo o que tinha de fazer para certificar-me de que aquelas entidades tratavam-se de quem diziam ser era desafiá-las, perguntando: “Você está na luz?” Agora, na condi­ ção de um cristão que crê na Bíblia, posso apenas com tristeza reconhecer a minha ignorância. Lúcifer significa “portador da luz”, e muitos místicos, feiticeiros e até maçons declaram estar buscando a “luz”. Contudo, essa “luz” é falsa, uma luz que, na realidade, cega a pessoa e vem do abismo. Assim, desafiar um espírito a identificar-se perguntando-lhe se ele está na luz é tão eficaz quanto querer resistir ao ataque de um rinoceronte por meio de cusparadas!

Não conhecíamos um método baseado na Bíblia para discernir os espíritos, não sendo, portanto, em nada diferentes de muitos outros místicos que pensam ter contato com Jesus. Contudo, os ensinos e o estilo de vida dessas pessoas deixam claro que o Jesus delas contradiz os ensinamentos do Jesus da Bíblia. Receamos que

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até mesmo alguns ministros cristãos visualizem um Jesus que pode não ser, absolutamente, o Senhor Jesus, mas tratar-se de uma inte­ ligente contrafação.

Não estamos atacando esses pregadores, pois acreditamos que, na maioria dos casos, sejam sinceros em seu propósito de servir a Deus. Tais ministros precisam, no entanto, submeter suas visões e mensagens, cuidadosamente, ao escrutínio da Pa­ lavra de Deus (Is 8.20) e ao discernimento de outros homens de Deus (1 Co 14.29). I

Freqüentemente, as pessoas acham que têm uma “unção de Deus” e que “o Senhor lhes disse” tais e tais coisas, quando, na verdade, estão sendo enganadas por outra unção.

Em capítulo mais adiante, consideraremos o assunto de como podemos pôr à prova os espíritos para termos a certeza de que o que estamos recebendo provém, de fato, do verdadeiro Deus vivo.

SaIaiiás e Suas LimilAções ^

Por mais sábio, poderoso e experiente que Satanás seja, ainda as­ sim, ele é limitado. E isso faz toda a diferença.

1. Satanás não pode estar em mais de um lugar ao mes­ mo tempo.

Ele depende de linhas de comunicação com suas tropas. A experiência, tendo como base o ensino bíblico, tem demonstrado que podemos orar e causar um grande efeito de interrupção nessas linhas. Veja:

Pois tu és grande e realizas feitos maravilhosos; só tu és Deus! (SI 8 6 . 1 0 - n v i )

Em verdade vos digo que tudo o que ligardes na terra terá sido ligado nos céus, e tudo o que desligardes na terra terá sido desligado nos céus. (Mt 18.18)

C o íi H e ç A o S eu I n i m i g o

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2. Satanás não é onisciente.

Como ele depende dos demônios, seus servos, para lhe trans­ mitirem informações, essa transmissão pode ser afetada por meio da batalha espiritual intercessória.

Assim diz o S e n h o r , que te redime, o mesmo que te for­

mou desde o ventre materno: Eu sou o Senhor, que faço todas as coisas, que sozinho estendi os céus e sozinho es­ praiei a terra. (Is 44.24)

E Ezequias orou ao S e n h o r : “S e n h o r , Deus de Israel,

que reinas em teu trono, entre os querubins, só tu és Deus sobre todos os reinos da terra. Tu criaste os céus e a terra.” (2 Rs 19.15 - n v i)

3. Satanás não conhece o futuro.

Satanás conhece realm ente a Bíblia. Mas provavelmente se es­ queceu mais da profecia bíblica do que dez seminários de Teologia, repletos de grandes conhecedores da Bíblia, a pudessem memori­ zar. Não obstante, há “profecias” que seus servos (falsos profetas, médiuns, etc.) fazem e até se cumprem, porque estão a par dos planos que o próprio Satanás estabeleceu. Mas Deus pode invali­ dar esses planos. E por isso que muitas prediçÕes mediúnicas fa­ lham, ao passo que as prediçÕes bíblicas são 100% precisas.

Declarem o que deve ser, apresentem provas. Que eles jun­ tamente se aconselhem. Quem há muito predisse isto, quem o declarou desde o passado distante? Não fui eu, o S e n h o r ?

E não h á outro Deus além de mim, um Deus justo e salva­

dor; n ã o h á outro além de mim. (Is 45.21- n v i)

Ao Deus único e sábio seja dada glória, por meio de Jesus Cristo, pelos séculos dos séculos. Amém. (Rm 16.27)

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Quem então é como eu? Que ele o anuncie, que ele declare e exponha diante de mim o que aconteceu desde que esta­ beleci meu antigo povo, e o que ainda está para vir; que todos eles predigam as coisas futuras e o que irá acontecer.

Não tremam, nem tenham medo. Não anunciei isto e não o predisse muito tempo atrás? Vocês são minhas testemu­ nhas. Há outro Deus além de mim? Não, não existe nenhu­ ma outra Rocha; não conheço nenhuma. (Is 44.7-8 - NVl)

Assim, ao Rei eterno, imortal, invisível, Deus único, honra e glória pelos séculos dos séculos. Amém. (1 Tm 1.17)

4. Satanás tem, comparativamente, pouco poder.

Especialmente no que concerne aos cristãos. Embora mais po­ deroso do que qualquer ser humano, e podendo realizar falsos sinais e maravilhas, ele quase nada p o d e contra os filh os d e Deus! Somente pode tocar em nós à medida que nossos pecados lhe concedem pon­ tos de acesso ou por uma permissão especial de Deus. Até mesmo uma simples criança, se nascida de novo, consciente de sua posição em Cristo, poderá lançar Satanás de um lado para o outro (em nome de Jesus) como uma bola de pingue-pongue. Veja, por exemplo:

Jesus, aproximando-se, falou-lhes, dizendo: Toda a autori­ dade me foi dada no céu e na terra. (Mt 28.18)

Estes sinais hão de acompanhar aqueles que crêem: em meu nome; expelirão demônios; falarão novas línguas; pegarão em serpentes; e, se alguma coisa mortífera beberem, não lhes fará mal; se impuserem as mãos sobre enfermos, eles ficarão curados. (Mc 16.17-18)

Sujeitai-vos, portanto, a Deus; mas resisti ao diabo, e ele fugirá de vós. (Tg 4.7) C o li H e ç A o S eu Inim igo

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5. Satanás não é criativo.

Deus é a fonte de toda criatividade. A maior parte das obras de Satanás é uma distorção das boas coisas que Deus nos conce­ deu, seja espirituais, físicas, intelectuais ou emocionais. O diabo ainda continua reciclando as mesmas velhas mentiras usadas por ele, centenas e centenas de anos atrás, sabedor de que os homens normalmente não estudam a história da Igreja.

Porque assim diz o SENHOR, que criou os céus, o Deus que

formou a terra, que a fez e a estabeleceu; que não a criou para ser um caos, mas para ser habitada: Eu sou o S e n h o r ,

e não há outro. (Is 45.18)

No princípio era aquele que é a Palavra. Ele estava com Deus, e era Deus. Ele estava com Deus no princípio. Todas as coisas foram feitas por intermédio dele; sem ele, nada do

que existe teria sido feito. (Jo 1.1-3 —NVl)

Pois, por meio dele, Deus criou tudo, no céu e na terra, tanto o que se vê como o que não se vê, inclusive todos os poderes espirituais, as forças, os governos e as autoridades. Por meio dele e para ele, Deus criou todo o universo. Antes de tudo. ele já existia, e, por estarem unidos com ele, todas as coisas são conservadas em ordem e harmonia (Cl 1.16-17 - b lh )

6. Satanás é egomaníaco.

O orgulho do diabo o leva a intrometer-se em tudo. É por isso que Deus se agrada em estar sempre humilhando-o por meio de nós, Seus frágeis instrumentos humanos. Satanás, na verdade, pensa que poderá vencer, apesar de o livro de Apocalipse proclamar seu destino final e de suas históricas derrotas em sua oposição a Deus. Seu orgulho, a causa de sua queda, continuará sendo ainda sua ruína, vez após vez. Ele cometeu o seu últim o erro, o d e crer em suas

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Tu dizias no teu coração: Eu subirei ao céu; acima das estre­ las de Deus exaltarei o meu trono e no monte da congrega­ ção me assentarei, nas extremidades do Norte; subirei acima das mais altas nuvens e serei semelhante ao Altíssimo. (Is 14.13-14)

7. Satanás não consegue compreender a compaixão, o quebrantamento e o auto-sacrifício.

E por isso que essas áreas são precisamente as que Deus usa para continuamente frustrar os planos do inimigo. Deus se utili­ za da nossa fraqueza, junto com a Sua graça, para derrotar os planos de Satanás. Por não conseguir compreender esses sen­ timentos, Satanás os considera como sendo as áreas da nature­ za humana mais difíceis de serem previstas e entendidas. Ele, a todo momento, é surpreendido pelas obras que o Espírito Santo tem capacitado simples cristãos a realizar, em submis­ são ao Senhor.

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Tende em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, pois ele, subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpaçao o ser igual a Deus; antes, a si mes­ mo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens; e, reconhecido em figura hu­ mana, a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até à morte e morte de cruz. (Fp 2.5-8)

Porque a loucura de Deus é mais sábia do que os homens; e a fraqueza de Deus é mais forte do que os homens.

U Co \ .TS)

Então, ele me disse: A minha graça te basta, porque o poder se aperfeiçoa na fraqueza. De boa vontade, pois, mais me gloriarei nas fraquezas, para que sobre mim repouse o po­ der de Cristo. (2 Co 12.9) Co n h e ç a o Se u I n im ig o

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