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UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES

PÓS-GRADUAÇÃO “LATO SENSU”

PROJETO A VEZ DO MESTRE

O AQUECIMENTO GLOBAL E SUA CONTEXTUALIZAÇÃO

ATRAVÉS DE SUAS CAUSAS E CONSEQUENCIAS

Por: Francisca Edilene Ramos Vieira Pereira

Orientadora:

Professora: Maria Esther de Araújo Co-orientadora:

Professora: Giselle Boger Brand

Oeiras 2014

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UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES

PÓS-GRADUAÇÃO “LATO SENSU”

PROJETO A VEZ DO MESTRE

O AQUECIMENTO GLOBAL E SUA CONTEXTUALIZAÇÃO

ATRAVÉS DE SUAS CAUSAS E CONSEQUENCIAS

Apresentação de monografia à Universidade Candido Mendes como requisito parcial para obtenção do grau de especialista em Educação Ambiental

Por: Francisca Edilene Ramos Vieira Pereira

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Oeiras 2014

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Dedico a todos que entendem a educação ambiental como um problema social e como tal não pode ficar restrita a ONG´s e grupos científicos.

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EPÍGRAFE

Eu não tenho filosofia: tenho sentidos... Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é. Mas porque a amo, e amo-a por isso, Porque quem ama nunca sabe o que ama Nem por que ama, nem o que é amar...

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AGRADECIMENTOS

Em nossas vitórias diárias esquecemos tantas vezes de te agradecer. Obrigado Senhor, pela competência que me deste para executar este trabalho oferecendo-me o dom da persistência que não permitiu que eu desistisse mediante as dificuldades que encontrei.

A Universidade Candido Mendes que disponibilizou a execução deste curso proporcionando-nos a possibilidade de crescimento e acima de tudo reconhecimento de minha capacidade.

Aos professores que concretizando a arte de ensinar, lançaram mão de seu tempo para disponibilizarem-se em nos auxiliar nas dúvidas que surgiam além de oferecer-nos uma visão crítica para que não tropeçássemos na obscuridade da ignorância.

No meu trabalho agradeço aos meus amigos que também estavam enfrentando as mesmas angústias que eu foram solidários e abriram mão de seu tempo com seus maridos, filhos ou pais para executarem uma das maiores virtudes de ser humano: a cooperação. Dessa forma, engajaram-se no mesmo objetivo e juntos chegamos a este momento.

Ao minha família que soube, com magnitude abdicar da minha presença porque sabia o quão era importante para mim a conclusão deste trabalho.

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APRESENTAÇÃO

Este trabalho se propõe a discutir as questões ambientais, que estão cada vez mais presentes no cotidiano da humanidade, adquirindo maior relevância por estar diretamente relacionada à vida no Planeta. Entre os vários assuntos que compõem esta temática merece maior destaque as questões relacionadas ao aquecimento global, ele surge como algo que precisa ser combatido de maneira eficaz e imediata, pois suas consequências constituem forte ameaça ao Planeta.

Daí a relevância do tema proposto, atualmente a sociedade, notadamente as escolas, necessitam trabalhar em seus membros boas práticas de ações ambientais, tornando os seus indivíduos mais conscientes e participativos do processo de interação entre o homem e a natureza, devendo desenvolver atitudes mais coerentes, e respeito para com o uso de bens naturais.

O presente trabalho teve como parâmetro pesquisas bibliográficas diversas, bem como pesquisa de campo, observando-se diretamente a Fazenda Chapada Grande, no interior do Piauí, local onde se vislumbra as agressões do comportamento humano à natureza de forma nítida.

Composto de quatro capítulos, estes abordam os vários aspectos que envolvem o tema que vão desde a forma como ele é conceituado e percebido no âmbito sociocultural até a forma como este é causado e as consequências que ele pode acarretar, bem como sugere mudança de atitude em relação à interação homem-natureza.

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RESUMO

O aquecimento global é um problema que vem assolando o planeta e como tal não pode ser relevado a simples condição de fenômeno causado pela natureza. É necessário que se perceba que o problema precisa ser solucionado e para isso a consciência da população é indispensável. O objetivo deste trabalho é propor uma unidade de ensino a respeito do que é aquecimento global através de suas causas e consequências. Esse tema foi escolhido em função do crescente apelo e significado assumidos pela questão ambiental nos últimos anos, reforçados, em 2007, pela divulgação do relatório do Painel Intergovernamental para Mudança Climática (IPCC). Esta proposta pressupõe uma estruturação de conteúdos sob uma lógica temática e permite explicitar a contribuição que só a união da sociedade pode dar à discussão. Além disso, abordar as interações entre Ciência, Tecnologia, Sociedade e Ambiente, torna possível a exploração desses conteúdos em suas dimensões conceitual, procedimental e atitudinal. Este trabalho a partir daí, foi estruturado em quatro momentos. No primeiro momento, da conceituação do tema, provoca-se o questionamento sobre este a partir das informações que foram divulgadas no Instituto da Nasa dentre outros com o fim de esclarecer o que realmente é o aquecimento. No segundo momento, enfatiza-se as causas ou fatores que potencializam o aquecimento global, em que estudos científicos são desenvolvidos para instrumentalizar a reinterpretação do fenômeno a partir dos subtemas: efeito estufa, fenômenos climáticos e trocas de calor no planeta terra e atividade tecnológica humana. No terceiro momento, enumera-se consequências do aquecimento global para a natureza, elegendo-o como algo de relevância global que exige atenção de toda a sociedade. Já no quarto capítulo, apresenta-se o resultado da pesquisa de campo realizada na Fazenda Grande, local onde vem ocorrendo acentuada agressão à natureza, inclusive com demonstrativos fotográficos, material colhido no momento da realização do trabalho.

Palavras chaves:Sociedade e Ambiente; Aquecimento Global; Fazenda

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METODOLOGIA

Considerando a pesquisa como o fundamento de toda e qualquer ciência que permite, nesse âmbito, elaborar um conhecimento, ou um conjunto de conhecimentos, que auxiliam na compreensão da realidade, com isso fez-se uso neste trabalho da metodologia da pesquisa bibliográfica e de campo.

Partiu-se do princípio de que a leitura é o primeiro passo para quem deseja desenvolver um estudo científico. A seleção de materiais, o olhar atencioso às considerações dos autores, o confronto das teorias são caminhos indispensáveis para a construção de um trabalho que busca apresentar um conhecimento acadêmico pautado em considerações sólidas.

Neste sentido, a pesquisa bibliográfica objetivou entender a forma como os teóricos compreendem o aquecimento global em uma perspectiva dialógica que leve em consideração não só o conheciemento contido nos livros, mas as observações que podem ser feitas no cotidiano e corroboram com o ensino difundido e para isso, fez-se uso de leituras diversas, fichamento do material bibliográfico selecionado, que serviu de subsídio para a redação da fundamentação teórica do estudo.

Optou-se ainda pela pesquisa de campo por considerar indispensável a associação do conhecimento adquirido por meio da leitura e discussões com a observação de sua efetivação no cotidiano social e assim tem-se como objeto de estudo a fazenda Chapada Grande localizada no município de Regeneração. Esta etapa do trabalho considerou que o conheciemento adquirido in locu possibilita a reflexão.

Tem como participante os funcionários da fazenda que foram divididos em dois grupos de observação: o primeiro diz respeito ao gerenciamento da fazenda em que os cargos são ocupados por profissionais de outros estados (em sua maioria do sul do país) e que apresentam uma visão simplificada da fazenda. Para estes sujeitos, a lucratividade justifica possíveis prejuízos ao meio ambiente.

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O segundo grupo é formado por pessoas que ocupam os cargos de operadores de máquinas, carvoeiros e semeadores e colhedores. A visão destes se confronta com a do primeiro grupo por demonstrarem perceber os danos causados pela fazenda, mas devido a carência de trabalho na região não encontraram outra opção se não exercer as função oferecidas pela fazenda.

Com este pensar dicidiu-se pela pesquisa quantitativa por permitir identificar a intensidade dos comportamentos, suas atitudes e motivações e com base neste olhar utilizou-se como coleta de dados a entrevista pessoa e um questionário estruturado com perguntas claras e objetivas para garantir a uniformidade do entendimento das perguntas e a padronização dos resultados.

Aragón (1991) é utilizado neste trabalho por apresentar uma visão clara e concisa dos vários ecossistemas brasileiros. Embora seu estudo tenha um olhar particular para a região amazônica, sua obra não se detém somente a ela e ao fazer menção ás demais regiões brasileira oferece uma olhar abrangente e ao mesmo tempo focado nas características locais.

Jeremy (1992) ao abordar a temática do aquecimento global faz uma análise sobre a forma como vem sendo difundido e chama a atenção não só para os riscos a curto e médio prazo, mas principalmente para os danos irreversíveis a longo prazo responsabilizando os sujeitos sociais.

Santos (2005) contribui com a pesquisa por focar no equilíbrio entre vegetação e animais nativos. Para a temática abordada por este trabalho este parecer é indispensável se considerarmos a quantidade espécies atingidas diretamente pelas queimadas.

Assim, espera-se que a leitura de tal material possa contribuir para a apropriação de um conhecimento que permita o crescimento de uma sociedade ativa e que entenda o poder que tem para mudar a realidade em que se encontra.

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SUMÁRIO

INTRODUÇÃO??????????????????????????...11

CAPITULO I- Aquecimento Global...14

CAPITULO II- Causas do Aquecimento...20

CAPITULO III- Consequências do Aquecimento Global...30

CAPITULO IV- Chapada Grande: empreendedorismo e propagação do aquecimento global...39

Conclusão...45

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INTRODUÇÃO

O Aquecimento Global é o aumento da temperatura terrestre (não só numa zona específica, mas em todo o planeta) e tem vindo a preocupar a comunidade científica cada vez mais. Pensa-se que é devido ao uso de combustíveis fósseis e outros processos a nível industrial que levam à acumulação na atmosfera de gases propícios ao efeito de estufa, tais como o dióxido de carbono, o metano, os óxidos de azoto e os CFCs.

Já em 1896 se sabia da capacidade que o dióxido de carbono tem para reter a radiação infravermelha do Sol na atmosfera, estabilizando assim a temperatura terrestre por meio do efeito de estufa, mas, ao que parece, isto em nada preocupou a humanidade que continuou a produzir enormes quantidades deste e outros gases.

A questão que se põe é se os elevados índices de dióxido de carbono que se tem medido desde o século passado, e estão aumentando, podem vir a provocar um aumento na temperatura terrestre suficiente para trazer consequências graves à escala global, pondo em risco a sobrevivência dos seus habitantes.

Na realidade desde 1850 tem-se assistido a um aumento gradual da temperatura global, algo que pode também ser causado pela flutuação natural desta grandeza. Tais flutuações têm vindo a ocorrer naturalmente durante várias dezenas de milhões de anos ou, por vezes, mais bruscamente, em décadas. Estes fenômenos naturais bastante complexos e imprevisíveis podem ser a explicação para as alterações climáticas que a Terra tem vindo a sofrer, mas também é possível (e talvez mais provável) que estas mudanças estejam a ser provocadas pelo aumento do efeito de estufa devido à atividade humana.

Para se compreender plenamente a causa deste aumento da temperatura média do planeta foi necessário fazer estudos exaustivos da variabilidade natural do clima. Mudanças, como as estações do ano, às quais estamos perfeitamente habituados. Não é motivo de preocupação o clima aquecer durante o verão porque

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se está a passar exatamente o contrário no hemisfério oposto, mantendo a temperatura global em equilíbrio.

Da mesma forma, também não é motivo de preocupação um Verão mais quente do que o anterior porque provavelmente o Verão seguinte será novamente mais fresco. As causas destas flutuações naturais são imensas: desde erupções vulcânicas que provocam variações locais até a variações à escala global causadas por fenômenos regulares como o "El Niño" (um aquecimento que se verifica nas águas do Pacífico todos os 3 a 5 anos afetando o clima de todo o mundo temporariamente).

As idades do gelo que têm dominado o planeta desde há dois milhões de anos, durando dezenas de milhares de anos, são devido as alterações significativas nas calotes polares levadas a cabo por flutuações na intensidade da radiação solar e variações na distância entre a Terra e o Sol. Contudo, durante os períodos interglaciais sempre se deram algumas mudanças climáticas menos abruptas, mas significativas, causadas provavelmente por rápidas mudanças na circulação oceânica. Mas no período interglacial que estamos a atravessar não se tem verificado quaisquer oscilações como as indicadas para períodos interglaciais anteriores, tendo este período de estabilidade funcionado como uma "janela" que permitiu o florescimento da civilização humana.

Na realidade as oscilações anuais da temperatura que se tem verificado neste século estão bastante próximo das verificadas no século passado e, tendo os séculos XVI e XVII sido invulgarmente frios (numa escala de tempo bem mais curta do que engloba idades do gelo), o clima pode estar ainda a recuperar dessa variação. Desta forma os cientistas não podem afirmar que o aumento de temperatura global esteja de alguma forma relacionado com um aumento do efeito de estufa, mas, no caso dos seus modelos para o próximo século estarem corretos, os motivos para preocupação serão muitos.

Com base nestas considerações, tem-se como objetivo geral compreender as implicações que o aquecimento global causa a vida terrena. De forma específica

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objetiva-se conceituar e contextualizar os aspectos inerentes ao aquecimento global bem como observar as implicações ambientais decorrentes de suas atividades.

Dessa forma o primeiro capítulo deterse-á aos conceitos e contextos do aquecimento global enfatizando sua nomenclatura, o aumento da temperatura, os dados de estudos específicos na área, além de outros fenomenos que se somam no aquecimento do clima.

O segundo capítulo fará referencias à Fazenda Chapada Grande que figura hoje como um das maiores fazendas dos estados nordestinos. Neste capítulo será apresentada a dimensão da fazenda, seus objetivos, a forma de produção/ escoamento e acima de tudo os impactos que esta fazenda causa a mata nativa.

No capítulo seguinte terce-á considerações no que diz respeito ás consequências das queimadas enfatizando o clima, a vegetação, os seres nativos e acima de tudo a complexa relação do ecossistema e desenvolvimento econômico sustentável.

O quarto capítulo trata da abordagem exploratória da pesquisa de campo que tem como meta relacionar o conhecimento instrucional com a prática cotidiana de uma Fazenda de grande porte em que o fator determinanante é o aquecimento que esta fazenda causa na região em que está instalada. Além disso aborda o fator econômico da fazenda, uma vez que o interesse em cultivar em grande escala visando um maior retorno financeiro é a causa de grandes degradações no ecossistema.

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CAPÍTULO I

AQUECIMENTO GLOBAL – CONCEITOS E CONTEXTO

Para iniciar, a nomenclatura Aquecimento Global refere-se ao aumento da temperatura média dos oceanos e do ar perto da superfície da Terra e à possibilidade da sua continuação durante o corrente século. É necessário ressaltar que este aumento tem se verificado nas décadas mais recentes devido a inúmeros fatores que serão apresentados adiante.Os motivos que levaram a este aumento, causas naturais ou antropogênicas, ainda é objeto de muitos debates entre os cientistas, embora muitosmeteorologistas e climatologistas tenham recentemente afirmado publicamente, por meio de revistas especializadas, que consideram já estar provado que a ação humana realmente está influenciando na ocorrência do fenômeno.

As temperaturas globais tanto na terra como no mar aumentaram em 0,75 °C relativamente ao período entre 1860 e 1900, de acordo com o Registro Instrumental de Temperaturas. Esse aumento na temperatura medido não é significativamente afetado pela ilha de calor urbana. Desde 1979, as temperaturas em terra aumentaram quase duas vezes mais rápido que as temperaturas no oceano (0,25 °C por década contra 0,13 °C). De acordo com a NASA (2006):

Temperaturas na troposfera mais baixa aumentaram entre 0,12 e 0,22 °C por década desde 1979, de acordo com medições de temperatura via satélite. Acredita-se que a temperatura tem sido relativamente estável durante os 1000 anos que antecederam 1850, com possíveis flutuações regionais como o período de calor medieval ou a pequena idade do gelo que será descrita mais adiante.

Baseado em estimativas do Instituto Goddard de Estudos Espaciais da NASA (Goddard Institute for Space Studies, no original), 2005 foi o ano mais quente desde que medições instrumentais confiáveis tornaram-se disponíveis no fim do século XIX, ultrapassando o recorde anterior marcado em 1998 por alguns centésimos de grau. Estimativas preparadas pela Organização Meteorológica Mundial e a Unidade de Pesquisa Climática da Universidade de EastAnglia concluíram que 2005 foi o segundo ano mais quente, depois de 1998.

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De acordo com estes dados, emissões antropogênicas de outros poluentes - em especial aerossóis de sulfato – podem gerar um efeito refrigerativo através do aumento do reflexo da luz incidente. Isso explica em parte o resfriamento observado no meio do século XX, apesar de que o resfriamento pode ser também em parte devido à variabilidade natural.

O paleoclimatologistaWilliam Ruddiman (2006; p.53) argumentou que “a influência humana no clima global iniciou-se por volta de 8.000 anos atrás, com o início do desmatamento florestal para o plantio e 5.000 anos atrás com o início da irrigação de arroz asiática”. A interpretação que Ruddiman deu ao registro histórico com respeito aos dados de metano tem sido disputada por vários especialistas de sua área e de áreas afins.

Em nível de descrição, o aquecimento global é um fenômeno climático de larga extensão um aumento da temperatura média superficial do globo que vem acontecendo nos últimos 150 anos. Grande parte da comunidade científica acredita que o aumento de concentração de poluentes na atmosfera é causa do efeito estufa. Ele ocorre quando a Terra recebe radiação emitida pelo Sol e devolve grande parte dela para o espaço através de radiação de calor.

Os poluentes atmosféricos estão retendo uma parte dessa radiação que seria refletida para o espaço, em condições normais. Essa parte retida causa o aquecimento. A principal evidência do aquecimento global vem das medidas de temperatura de estações meteorológicas em todo o globo desde 1860. Os dados com a correção dos efeitos de "ilhas urbanas" feito por William Ruddiman (2006: p.59) mostram que o aumento médio da temperatura foi de 0.6+-0.2 C durante o século XX. Os maiores aumentos foram em dois períodos: 1910 a 1945 e 1976 a 2000.

Evidências secundárias são obtidas através da observação das variações da cobertura de neve das montanhas e de áreas geladas, do aumento do nível global dos mares, do aumento das precipitações, da cobertura de nuvens, do El Niño e

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outros eventos extremos de mau tempo durante o século XX. Dessa forma, assim exemplifica o IPCC (1989):

Por exemplo, dados de satélite mostram uma diminuição de 10% na área que é coberta por neve desde os anos 60. A área da cobertura de gelo no hemisfério norte na primavera e verão também diminuiu em cerca de 10% a 15% desde 1950 e houve retração das montanhas geladas em regiões não polares durante todo o século XX.

Além destes outro fator é apresentado pelo Intergovernmental PanelonClimateChange(IPCC), estabelecido pelas Nações Unidas e pela Organização Meteorológica Mundial em 1988 que no seu relatório mais recente diz que grande parte do aquecimento observado durante os últimos 50 anos se deve a um aumento de gases antropogênicos, além de outras alterações como, por exemplo, um maior uso de águas subterrâneas e de solo para a agricultura industrial, um maior consumo energético e aumento exorbitante da poluição.

Como este é um tema de grande importância, os governos precisam de previsões de tendências futuras das mudanças globais de forma que possam tomar decisões políticas que evitem impactos indesejáveis. O aquecimento global está sendo estudado pelo IPCC. O último relatório faz algumas previsões a respeito das mudanças climáticas. Tais previsões são a base para os atuais debates políticos e científicos.

As previsões do IPCC baseiam-se em modelos utilizados para estabelecer a importância de diferentes fatores no aquecimento global. Tais modelos alimentam-se dos dados sobre emissões antropogênicas dos gases causadores de efeito estufa e de aerosóis, gerados a partir de 35 cenários distintos, que variam entre pessimistas e otimistas. As previsões do aquecimento global dependem do tipo de cenário levado em consideração, nenhum dos quais leva em consideração qualquer medida para evitar o aquecimento global.Ainda neste último relatório do IPCC projeta um aumento médio de temperatura superficial do planeta entre 1,4 e 5,8º C entre 1990 a 2100. O nível do mar deve subir de 0,1 a 0,9 metros nesse mesmo período.

Apesar das previsões serem consideradas as melhores disponíveis, elas são o centro de uma grande controvérsia científica. O IPCC admite a necessidade do desenvolvimento de melhores modelos analíticos e compreensão científica dos

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fenômenos climáticos, assim como a existência de incertezas no campo. Críticos apontam para o fato de que os dados disponíveis não são suficientes para determinar a importância real dos gases causadores do efeito estufa nas mudanças climáticas. A sensibilidade do clima aos gases estufa estaria sendo subestimada enquanto fatores externos subestimados.

Por outro lado, não atribui qualquer probabilidade aos cenários em que suas previsões são baseadas. Segundo os críticos isso leva a distorções dos resultados finais, pois os cenários que predizem maiores impactos seriam menos passíveis de concretização por contradizerem as bases do racionalismo econômico.

Outros fenômenos naturais tais como variação solar combinados com vulcões provavelmente levou a um leve efeito de aquecimento de épocas pré-industriais até 1950, mas um efeito de resfriamento a partir dessa data. Essas conclusões básicas foram endossadas por pelo menos 30 sociedades e comunidades científicas, incluindo todas as academias científicas nacionais dos principais países industrializados. Chama-se a atenção para o fato de que a Associação Americana de Geologistas de Petróleo, e alguns poucos cientistas individuais não concordam completamente com estas teorias.

Nas previsões climáticas referenciados pelo IPCC, projetam que as temperaturas globais de superfície provavelmente aumentarão no intervalo entre 1,1 e 6,4 °C entre 1990 e 2100. A variação dos valores reflete no uso de diferentes cenários de futura emissão de gases estufa e resultados de modelos com diferenças na sensibilidade climática. Apesar de que a maioria dos estudos tem seu foco no período de até o ano 2100, espera-se que o aquecimento e o aumento no nível do mar continuem por mais de um milênio, mesmo que os níveis de gases estufa se estabilizem. Isso reflete na grande capacidade calorífica dos oceanos.

Um aumento nas temperaturas globais pode, em contrapartida, causar outras alterações, incluindo aumento no nível do mar e em padrões de precipitação resultando em enchentes e secas. Podem também haver alterações nas frequências e intensidades de eventos de temperaturas extremas, apesar de ser difícil de relacionar eventos específicos ao aquecimento global. Outros eventos podem incluir

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alterações na disponibilidade agrícola, recuo glacial, vazão reduzida em rios durante o verão, extinção de espécies e aumento em vetores de doenças.

Incertezas científicas restantes incluem o exato grau da alteração climática prevista para o futuro, e como essas alterações irão variar de região em região ao redor do globo. Existe um debate político e público para se decidir que ação se deve tomar para reduzir ou reverter aquecimento futuro ou para adaptar às suas consequências esperadas. Por este motivo, a maioria dos governos nacionais assinou e ratificou o Protocolo de Kyoto, que visa o combate a emissão de gases estufa. De acordo com Rosa (2008; p.54)

Estes gases intensificam o aquecimento global da seguinte maneira: ao chegar a Terra, parte da energia do sol é aprisionada na atmosfera e isso a mantém "quentinha", a uma temperatura média de 30 graus Celsius. É esse efeito benéfico que os cientistas chamam de Efeito Estufa, expressão que tem um sentido mais claro no original em inglês greenhouseeffect (Efeito de Estufa de Plantas).

Assim, sem o efeito estufa, não haveria vida na terra e nos oceanos, pelo menos com a riqueza, a diversidade e complexidade que conhecemos hoje. O problema é que, nas últimas décadas, os climatologistas perceberam que a temperatura média do planeta estava aumentando, ou seja, está acontecendo uma intensificação do efeito estufa. Popularmente, ouve-se muito falar nos efeitos perniciosos do efeito estufa quando na verdade se está fazendo referência aos problemas trazidos pela intensificação desse efeito, não por ele em sim, que existe há milhões de anos e é fundamental para a existência de vida no planeta.

Nas últimas décadas, os cientistas passaram a estudar as causas desse sobreaquecimento, alertando a comunidade internacional. Esse movimento deu origem à Convenção das Nações Unidas Sobre as Mudanças Climáticas, aprovada e iniciada na Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, no Rio de Janeiro, em 1992, a Eco-92, ou Rio-92.

Os gases do efeito estufa formam como que uma "redoma de vidro" sobre o planeta, deixando entrar a luz e aprisionando o calor. Originalmente, esses gases somavam apenas 1% do total da atmosfera. O principal deles é o dióxido de carbono (CO²), que tinha participação de 60% nessa soma. Ocorre que os principais

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energéticos utilizados pelo homem nos últimos séculos – madeira, carvão, petróleo e gás natural – liberam carbono (C) na atmosfera e contribuem para formar mais dióxido de carbono (também conhecido como gás carbônico), que intensifica o efeito estufa.

O ciclo de absorção e liberação de carbono é um dos mais amplos e importantes do meio ambiente e envolve ar, terra e seres vivos, águas doces e oceanos. As plantas, por exemplo, absorvem carbono e o armazenam. Mas a liberação de carbono no ambiente, pelo homem, acontece numa velocidade maior do que a capacidade de absorção do ambiente. Segundo dados da Convenção das Nações Unidas sobre o assunto, os níveis de CO² na atmosfera estão crescendo

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CAPITULO II

PRINCIPAIS FATORES QUE PROPICIAM O AQUECIMENTO

GLOBAL

Como foi visto no capítulo anterior, as causas detalhadas do aquecimento recente continuam sendo uma área ativa de pesquisa, mas o consenso científico identifica os níveis aumentados de gases estufa devido à atividade humana como a principal influência. Contrastando com o consenso científico, outras hipóteses foram feitas para explicar a maior parte do aumento observado na temperatura global.

Uma dessas hipóteses é que o aquecimento é causado por flutuações no clima ou que o aquecimento é resultado principalmente da variação na radiação solar. Contudo, nenhum dos fatores condicionantes é instantâneo. Devido à inércia térmica dos oceanos terrestres e lenta resposta de outros efeitos indiretos, o clima atual da Terra não está em equilíbrio com o condicionamento imposto. Estudos de compromisso climático indicam que mesmo que gases estufa se estabilizassem nos níveis dos diasatuais, um aquecimento adicional de aproximadamente 0,5 °C ainda ocorreria.

O efeito estufa foi descoberto por Joseph Fourier em 1824 e investigado quantitativamente pela primeira vez por SvanteArrhenius em 1896. Consiste no processo de absorção e emissão de radiação infravermelha pelos gases atmosféricos de um planeta, resultando no aquecimento de sua superfície e atmosfera. Os gases estufa criam um efeito estufa natural, sem o qual a temperatura média da Terra seria cerca de 30ºC mais baixa, tornando-a inabitável para a vida como a conhecemos.

Portanto, os cientistas não “acreditam” ou “se opõem” ao efeito estufa; o debate consiste na discussão de quais gases contribuem para este efeito, através de mecanismos de realimentação positiva ou negativa. Na Terra, os gases que mais contribuem para o efeito estufa são o vapor d’água, que causa de 36 a 70% do efeito natural (não incluindo nuvens); O dióxido de carbono (CO2), que causa de 9 a 26%;

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O metano (CH4), causando entre 4 e 9%; E o ozônio, que causa entre 3 e 7%. As

concentrações atmosféricas de CO2 e CH4 aumentaram em 31% e 149%,

respectivamente, acima de níveis pré-industriais, desde 1750. Estes níveis são consideravelmente mais altos do que em qualquer período nos últimos 650.000 anos, o período em que é possível extrair informações confiáveis das calotas polares. Utilizando-se de evidências geológicas menos diretas, acredita-se que níveis tão altos de CO2 só estiveram presentes na atmosfera há 20 milhões de anos atrás.

Ainda de acordo com o IPCC (1989):

Aproximadamente três quartos das emissões antropogênicas de CO2 para

a atmosfera durante os últimos 20 anos são devidas à queima de combustíveis fósseis. O resto das emissões é devido predominantemente às mudanças no uso da terra, especialmente o desmatamento.

Como se pode perceber as ações humana estão diretamente ligadas às mudanças ocorridas no efeito estufa. Além disso, a atual concentração de gás carbônico na atmosfera é de aproximadamente 383 partes por milhão (ppm) em volume. Os níveis futuros de CO2 devem ser ainda maiores devido à ocorrência

contínua dos motivos mencionados anteriormente. O “Relatório Especial de Cenários de Emissão” (SpecialReportonEmissionsScenarios, originalmente), do IPCC, prevê vários cenários futuros possíveis para a concentração de CO2, variando

entre 541 e 970ppm no ano de 2100. Efeitos como a liberação de metano, devido ao derretimento do permafrost (possíveis 70.000 toneladas), podem levar a uma intensificação adicional do efeito estufa, não incluída no modelo climático do IPCC.

Além do efeito estufa, os efeitos de agentes externos no clima são afetados por vários processos cíclicos e auto-alimentados, chamados de Feedbacks. Um dos mais pronunciados desses processos está relacionado com a evaporação da água.De acordo com Beltrão e Villas (1992; p.43):

O CO2 injetado na atmosfera ocasiona o aquecimento da mesma e da

superfície da Terra. O aquecimento leva a mais evaporação de água, e, como o vapor d’água é um gás estufa, isso leva a mais aquecimento, o que por sua vez causa mais evaporação de água, e assim por diante, até ser alcançado um novo equilíbrio dinâmico, com aumento da umidade e da concentração de vapor d’água, levando a um aumento no efeito estufa muito maior do que aquele devido apenas ao aumento da concentração de CO2.

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Esta é a forma como o CO2 influencia na evaporação da água. No entanto, este

efeito só pode ser revertido muito lentamente, visto que o CO2 tem um tempo médio

de vida na atmosfera muito longo.

Foram publicados artigos de autoria de dois pesquisadores da universidade Duke, nos EUA, segundo os quais os modelos climáticos vigentes superestimam o efeito relativo dos gases estufa, comparados com o efeito da luz solar; eles dizem ainda que os efeitos de cinzas vulcânicas e aerossóis foram subestimados. Ainda assim, eles concluem que, mesmo considerando o fator solar, a maior parte do aquecimento global nas últimas décadas é atribuível aos gases estufa.

Outros pesquisadores são mais radicais, diminuindo fortemente a importância de fatores antropogênicos no aquecimento global. Os defensores da teoria da responsabilidade das emissões antropogênicas, durante a era industrial, afirmam que a variação da radiação foi de 2,4W/m², dos quais, como foi indicado pelo IPCC 2001, 0,6W/m² durante os últimos 20 anos. De acordo com revistas de geografia científica entre 2000 e 2004, a variação da radiação solar, estimada por satélites de órbita baixa, foi de 2,06W/m². Entre 1983 e 2001, essa variação da radiação solar absorvida pela Terra foi de 2,7W/m².

Embora haja desencontros nos números apresentados, pode-se admitir o valor mais baixo para as variações entre 1983 e 2001 de 2,7W/m². Admitindo-se uma variação média obtida entre 2000 e 2004 no valor de 1,5W/m², atinge-se o valor de 4,2W/m². Tal valor é muito alto quando comparado com os números do IPCC, de 0,6W/m² nos últimos 20 anos. Dessa forma, a influência do efeito estufa no aquecimento global deixa de ser significativa e, da mesma forma, as contramedidas para combatê-lo presentes no Protocolo de Kyoto tornam-se desnecessárias e danosas ao desenvolvimento humano. De acordo com Jeremy (1992, p.58) “para além da variação da irradiação solar, a variação do campo magnético solar poderá estar na origem de aquecimento à superfície da Terra pela sua influência na quantidade de radiação cósmica que atinge o planeta”.

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Uma equipe do Centro Espacial Nacional Dinamarquês encontrou evidência experimental de que a radiação cósmica proveniente da explosão de estrelas pode promover a formação de nuvens na baixa atmosfera. Como, durante o século XX, o campo magnético do Sol, que protege a Terra da radiação cósmica, mais do que duplicou em intensidade, o fluxo de radiação cósmica foi menor. Isso poderá ter reduzido o número de nuvens de baixa altitude na Terra, que promovem um arrefecimento da atmosfera. Ainda de acordo com JeremY (1992, p.59)

Os elétrons libertados no ar pela passagem da radiação cósmica, composta por partículas atômicas que vêm da explosão das estrelas, ajudam à formação dos núcleos de condensação sobre os quais o vapor de água condensa para fazer nuvens.

Este pode ser um fator muito importante, e até agora desprezado, na explicação do aquecimento global durante o último século. Contudo, a recessão dos glaciares e da calota polar do Ártico não são fenômenos recentes. Já ocorrem desde 1800, ou mesmo antes disso. E data da mesma altura o aumento de temperatura global a uma taxa quase constante (de cerca de +0.5°C/100 anos), que começou por isso antes do rápido aumento de CO2, iniciado por volta de 1940. Isso pode significar

que este aquecimento quase linear é natural, podendo ser apenas a recuperação do planeta depois da Pequena Era Glacial, que ocorreu entre o século XIII e XVII.

Outra causa é a variabilidade do clima da Terra. O planeta já sofreu, ao longo de sua existência de 4,5 bilhões de anos, processos de resfriamentos e aquecimentos extremos. Está comprovado que houve alternância de climas quentes1 e frios2, na linguagem dos paleoclimatologistas, sendo este um fenômeno corrente na história do planeta. Atualmente o planeta está na situação de geladeira.

O último episódio de resfriamento ou glaciação, iniciado no Pleistoceno - 1,8 milhões de anos antes do presente- teve seu ápice há cerca de 18.000 anos, quando, então, começou o processo de aquecimento, que continua nos dias de hoje. No entanto, o aquecimento não se dá sobre uma curva contínua. Neste espaço de tempo de 18.000 anos houve épocas de aquecimento e resfriamento, causando variações às vezes bruscas de temperaturas em períodos variáveis, mas que

1

Terra Estufa- hothouse

2

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podiam ser de décadas ou menos, de vários graus Celsius. A comprovação destes fatos é fornecida pela análise de testemunhos de sondagens, de centenas de metros, obtidos no Ártico e na Antártida, através da análise da composição isotópica do oxigênio encontrado nas bolhas de ar presas no gelo. De acordo com a Nasa (2006):

Durante os últimos 500 milhões de anos, a Terra passou por quatro episódios extremamente quentes (”hothouseepisodes”), sem gelo e com níveis elevados dos oceanos, e quatro episódios extremamente frios(”icehouseepisodes”), com camadas de gelo, glaciares e níveis de água relativamente baixos nos oceanos.

Pensa-se que esta variação de mais longo tempo se deve a variações no influxo de radiação recebida devidas à viagem do sistema solar através da galáxia, correspondendo os episódios mais frios a encontros com os braços espirais mais brilhantes, onde a radiação é mais intensa. Os episódios frios mais freqüentes, cada 34 milhões de anos, mais ou menos, ocorrem provavelmente quando o sistema solar passa através do plano médio da galáxia. Os episódios extremamente frios de há 700 e 2300 milhões de anos, em que até no equador havia gelo, correspondem a períodos em que havia uma taxa de nascimentos de estrelas na galáxia anormalmente alta, implicando um grande número de explosões de estrelas e uma radiação cósmica muito intensa.

O carbono-14 radioativo e outros átomos raros produzidos na atmosfera pelas partículas cósmicas fornecem um registro de como as suas intensidades variaram no passado e explicam a alternância entre períodos frios e quentes durante os últimos 12000 anos. Sempre que o Sol era fraco e a radiação cósmica forte, seguiram-se condições frias, como a mais recente, na Pequena Idade do Gelo de há 300 anos. Considerando escalas de tempo mais longas, encontra-se uma explicação credível para as variações de maior amplitude do clima da Terra.

Diante de tudo o que foi descrito até aqui, pode-se questionar a respeito do alarme em torno do aquecimento global. Este alarme deriva, sobretudo, dos resultados das simulações estatísticas feitas com base em modelos numéricos climáticos e não da observação direta da evolução de variáveis físicas reais. Quando a concentração de gases de efeito de estufa é aumentada nessas simulações,

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quase todas elas mostram um aumento na temperatura global, sobretudo nas mais altas latitudes do Hemisfério Norte.

No entanto, os modelos atualmente usados não simulam todos os aspectos do clima e fazem várias previsões erradas para a época atual: nomeadamente, preveem o dobro do aquecimento que tem sido efetivamente observado e, por exemplo, uma diminuição de pressão no Oceano Índico, uma área muito sensível para o sistema global, quando se observa o contrário. Estudos recentes indicam igualmente que a influência solar poderá ser significativamente maior da que é suposta nos modelos.

Embora se fale de um consenso, vários cientistas afirmam que modelos melhores não mudariam a conclusão de que o aquecimento global é, sobretudo, causado pela ação humana. Além disso, existe também certo consenso de que é provável que importantes características climáticas estejam sendo incorretamente incorporadas nos modelos climáticos atuais. De fato, nesses modelos, os parâmetros associados ao efeito de estufa são abordados inicialmente de modo que os modelos forneçam uma estimativa correta do aumento de temperatura observado nos últimos 100 anos (0.6°-0.7°C).

Na prática, isso quer dizer que as simulações partem do princípio que é realmente o efeito de estufa que está na origem desse aquecimento. Se houver outras causas naturais desconhecidas como as associadas à influência solar e à recuperação desde a Pequena Era Glacial, elas não podem ser incluídas na modelação. Neste sentido, os modelos não permitem fazer previsões, mas apenas fazer projeções, ou conjeturas, sobre o clima futuro com base em simulações correspondendo a vários cenários possíveis.

A maioria dos modelos climáticos globais, quando usados para projetar o clima no futuro, é forçada por cenários de gases do efeito estufa, geralmente o do Relatório Especial sobre Cenários de Emissão do IPCC. Menos frequentemente, os modelos podem ser usados adicionando-se uma simulação do ciclo do carbono; isso geralmente mostra uma resposta positiva, apesar de ela ser incerta. Alguns estudos de observação também mostram uma resposta positiva.

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São essas limitações dos modelos usados para as previsões, que não têm em conta o desconhecimento atual sobre as causas naturais para as variações da temperatura ocorridas durante os últimos milênios, que fazem com que muitos climatologistas acreditem que a parte do aquecimento global causado pela ação humana é bem menor do que se pensa atualmente.

Foram estes fatores que fizeram com que em setembro de 2006, James Hansen, diretor do Instituto Goddard de Estudos Espaciais da Nasa, juntamente com seus colaboradores, publicasse na revista “PNAS”, da Academia Nacional de Ciências dos EUA, uma matéria em que são apresentadas informações detalhadas de um modelo climático aperfeiçoado desde os anos 80, alimentado por medições originadas de satélites, navios e estações meteorológicas no mundo inteiro.

O estudo afirma que nos últimos 30 anos o planeta esquentou 0,6°C, perfazendo um aumento total de 0,8°C no século XX. A temperatura média atual é a maior dos últimos 12 mil anos, faltando apenas mais 1°C para que seja a mais alta do último milhão de anos.Segundo Hansen, apud PNAS (2006: p.09) “caso o aquecimento aumente a temperatura média em mais 2°C ou 3°C, o cenário geográfico do planeta será radicalmente diferente do atual”. A última vez em que a Terra esteve tão quente foi há 3 milhões de anos atrás, na época do Plioceno, quando o nível do mar estava vinte e cinco metros acima do atual.

Cientistas concordam que fatores internos e externos naturais podem ocasionar mudanças climáticas significativas. No último milênio dois importantes períodos de variação de temperatura ocorreram: um período quente conhecido como Período Medieval Quente e um frio conhecido como Pequena Idade do Gelo. A variação de temperatura desses períodos tem magnitude similar ao do atual aquecimento e acredita-se terem sido causados por fatores internos e externos somente. A Pequena Idade do Gelo é atribuída à redução da atividade solar e alguns cientistas concordam que o aquecimento terrestre observado desde 1860 é uma reversão natural da Pequena Idade do Gelo.

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Entretanto grandes quantidades de gases têm sido emitidas para a atmosfera desde que começou a revolução industrial. De acordo com o IPCC, a partir de 1750 as emissões de dióxido de carbono aumentaram 31%, metano 151%, óxido de nitrogênio 17% e ozônio troposférico 36%. A maior parte destes gases é produzida pela queima de combustíveis fósseis.

A real importância de cada causa proposta pode somente ser estabelecida pela quantificação exata de cada fator envolvido. Fatores internos e externos podem ser quantificados pela análise de simulações baseadas nos melhores modelos climáticos. A influência de fatores externos pode ser comparada usando conceitos de força radioativa. Uma força radioativa positiva esquenta o planeta e uma negativa o esfria. Ainda segundo o IPCC, emissões antropogênicas de gases, depleção3 do ozônio estratosférico e radiação solar têm força radioativa positiva e aerosóis tem o seu uso como força radioativa negativa.

Simulações climáticas mostram que o aquecimento ocorrido de 1810 até 1945 pode ser explicado somente por forças internas e naturais (variação da radiação solar), mas o aquecimento ocorrido de 1976 a 2000 necessita da emissão de gases antropogênicos causadores do efeito estufa para ser explicado. Esta conclusão depende da exatidão dos modelos usados e da estimativa correta dos fatores externos.

Alguns efeitos solares indiretos podem ser muito importantes e não são levados em conta pelos modelos. Assim, a parte do aquecimento global causado pela ação humana poderia ser menor do que se pensa.É o que afirma William Ruddiman (2006; p. 134)

Mesmo havendo dúvidas sobre sua importância e causas, o aquecimento global é percebido pelo grande público e por diversos líderes políticos como uma ameaça potencial. Por se tratar de um cenário semelhante ao datragédia dos comuns, apenas acordos internacionais seriam capazes de propor uma política de redução nas emissões de gases estufa que, de outra forma, os países evitariam implementar de forma unilateral.

3

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Foi devido a visões como esta que o Protocolo de Kioto a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas estabeleceram e ratificaramcom todos os países industrializados que se reduzissem suas emissões de gases poluentes abaixo do nível registrado em 1990. Assim, ficou acertado que os países em desenvolvimento ficariam isentos do acordo. Contudo, Presidente Bush, presidente dos Estados Unidos — país responsável por cerca de um terço das emissões mundiais __ decidiu manter o seu país fora do acordo. Essa decisão provocou uma acalorada controvérsia ao redor do mundo, com profundas ramificações políticas e ideológicas.

Para avaliar a eficácia do Protocolo de Kioto, é necessário comparar o aquecimento global com e sem o acordo. Diversos autores independentes concordam que o impacto do protocolo no fenômeno é pequeno (uma redução de 0,15 num aquecimento de 2ºC em 2100). Mesmo alguns defensores deste Protocolo concordam que seu impacto é reduzido, mas o veem como um primeiro passo com mais significado político que prático, para futuras reduções.

Dentro destas considerações, a controvérsia, que se tornou mais política do que científica, advém das causas do aquecimento global acelerado (do último século e meio) que a maioria dos pesquisadores imputa às emissões de gases estufa na atmosfera devido a ações humanas. Um grupo menor de cientistas, embora concorde que está ocorrendo de fato o aquecimento global, afirma que as causas principais são de ordem natural, principalmente astronômica, isto é, o aumento da radiação solar por causas não completamente conhecidas.

As disputas a nível político e público têm, sobretudo que ver com saber se algo pode e deve ser feito, e sobre que ações seriam efetivas em termos de custo/benefício, para tentar reduzir ou reverter o aquecimento futuro, ou para lidar com as suas esperadas consequências.O Painel Intergovernamental para as Mudanças Climáticas, estabelecido pelas Nações Unidas e pela Organização Meteorológica Mundial em 1988 no seu relatório mais recente diz que:

A maioria do aquecimento observado durante os últimos 50 anos se deve

muito provavelmente a um aumento do efeito de estufa, havendo evidência

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(incluindo, para além do aumento de gases de estufa, outras alterações como, por exemplo, as devidas a um maior uso de águas subterrâneas e de solo para a agricultura industrial e a um maior consumo energético e poluição).

Devido a este e outros fatores foi que o aquecimento global somente entrou na pauta política nos anos 1980, que culminou com a conferência internacional conhecida por Rio 92, realizada no Rio de Janeiro em 1992. Nesta conferência foi estabelecido um processo permanente de revisão, discussão e troca de informações. Esta Convenção possibilitou a adoção de compromissos adicionais em resposta a mudanças no conhecimento científico e disposições políticas.

Atualmente os sinais evidentes do aquecimento global já podem ser sentidos em todas as regiões do mundo, com verões cada vez mais quentes e invernos cada vez mais curtos e menos frios. O efeito estufa ocasiona ainda o derretimento do gelo principalmente das geleiras continentais, o afinamento da espessura das placas de gelo no mar Ártico e mesmo o desaparecimento da camada do gelo que cobria este oceano no verão do hemisfério norte. As mudanças climáticas se expressam, também, pelo aumento dos desastres naturais tais como as grandes inundações, secas de longa duração, tufões em maior quantidade e intensidade, aparecendo, com mais frequência, em regiões extra-tropicais, recrudescimento do fenômeno “El Niño” com suas más consequências para o clima e para a economia das regiões pesqueiras de todo o oceano pacifico.

Contudo, nos dias atuais não se discute mais se o clima da Terra está em processo de aquecimento ou não. Todos os cientistas, de um lado e do outro do mundo, concordam que sim. O que se disputa acirradamente são as causas do aquecimento e as medidas preventivas para melhorar o futuro da humanidade diante das consequências desastrosas que se avizinham.A “opinião da moda”, como dizem os céticos, é que o aumento das emissões dos gases estufas são os vilões da história. Os céticos, por sua vez, não discordam da influência do efeito estufa no aquecimento global. Afirmam, entretanto que outras causas naturais, muito mais poderosas, explicam de forma satisfatória o fenômeno do aquecimento acelerado dos últimos 100 anos.

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CAPITULO III

CONSEQUENCIAS DO AQUECIMENTO GLOBAL

O aquecimento global pode trazer consequências graves para todo o planeta incluindo plantas, animais e seres humanos. A retenção de calor na superfície terrestre pode influenciar fortemente o regime de chuvas e secas em várias partes do planeta, afetando plantações e florestas.

Outro grande risco é o derretimento das placas de gelo da Antártica. Esse derretimento já vinha acontecendo há milhares de anos, por um lento processo natural. Mas a ação do homem e o efeito estufa aceleraram o processo e o tornaram imprevisível.

O aquecimento global também acarreta mudanças climáticas, o que é responsável por 150 mil mortes a cada ano em todo o mundo. Só no ano passado, uma onda de calor que atingiu a Europa no verão matou pelo menos 20 mil pessoas. Os países tropicais e pobres são os mais vulneráveis a tais efeitos.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) atribui à modificação do clima 2,4% dos casos de diarréia e 2% dos de malária em todo o mundo. Esse quadro pode ficar ainda mais sombrio: alguns cientistas alertam que o aquecimento global pode se agravar nas próximas décadas e a OMS calcula que para o ano de 2030 as alterações climáticas poderão causar 300 mil mortes por ano.

Os exemplos de evidências secundárias citadas abaixo (diminuição da cobertura de gelo, aumento do nível do mar, mudanças dos padrões climáticos) são exemplos das conseqüências do aquecimento global que podem influenciar não

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somente as atividades humanas, mas também os ecossistemas. Aumento da temperatura global permite que um ecossistema mude; algumas espécies podem ser forçadas a sair dos seus habitats (possibilidade de extinção) devido a mudanças nas condições enquanto outras podem espalhar-se, invadindo outros ecossistemas.

Entretanto, ele também pode ter efeitos positivos, uma vez que aumentos de temperaturas e aumento de concentrações de CO2 podem aprimorar a produtividade

do ecossistema. Observações de satélites mostram que a produtividade do hemisfério Norte aumentou desde 1982. Por outro lado é fato de que o total da quantidade de biomassa produzida não é necessariamente muito boa, uma vez que a biodiversidade pode no silêncio diminuir ainda mais um pequeno número de espécies que esteja florescendo.

Uma outra causa de grande preocupação é o aumento do nível médio das águas do mar. O nível dos mares está aumentando em 0.01 a 0.025 metros por década o que pode fazer com que no futuro algumas ilhas de países insulares no Oceano Pacífico fiquem debaixo de água. O aquecimento global provoca subida dos mares principalmente por causa da expansão térmica da água dos oceanos.

O segundo fator mais importante é o derretimento de calotas polares e camadas de gelo sobre as montanhas, que são muito mais afetados pelas mudanças climáticas do que as camadas de gelo da Groenlândia e Antártica, que não se espera que contribuam significativamente para o aumento do nível do mar nas próximas décadas, por estarem em climas frios, com baixas taxas de precipitação e derretimento. Alguns cientistas estão preocupados que no futuro, a camada de gelo polar e os glaciares derretam significativamente. Se isso acontecesse, poderia haver um aumento do nível das águas, em muitos metros. No entanto, os cientistas não esperam um maior derretimento nos próximos 100 anos e prevê-se um aumento do nível das águas entre 14 e 43 cm até o fim deste século.

Foi preciso ter em conta muitos fatores para se chegar a uma estimativa do aumento do nível do mar no passado. Mas diferentes investigadores, usando métodos diferentes, acabaram por confirmar o mesmo resultado. O cálculo que levou à conclusão não foi simples de fazer. Na Escandinávia, por exemplo, as

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medidas realizadas parecem indicar que o nível das águas do mar está a descer cerca de 4 milímetros por ano. Mas pensa-se que isso se deve ao fato da Escandinávia estar ainda a subir, depois de ter sido pressionada por glaciares de grande massa durante a última era glacial. Na visão de Da Silva Rosa (2003, p.14):

O aquecimento da superfície favorecerá um aumento da evaporação nos oceanos o que fará com que haja na atmosfera mais vapor de água (o gás de estufa mais importante, sobretudo porque existe em grande quantidade na nossa atmosfera). Isso poderá fazer com que aumente cada vez mais o efeito de estufa e com que o aquecimento da superfície seja reforçado. Pode-se, nesse caso, esperar um aquecimento médio de 4 a 6ºC na superfície. Mas mais umidade (vapor de água) no ar pode também significar uma presença de mais nuvens na atmosfera o que se pensa que, em média, poderá causar um efeito de arrefecimento.

As nuvens têm de fato um papel importante no equilíbrio energético porque controlam a energia que entra e que sai do sistema. Podem arrefecer a Terra, ao refletirem a luz solar para o espaço, e podem aquecê-la por absorção da radiação infravermelha radiada pela superfície, de um modo análogo ao dos gases associados ao efeito de estufa.

O efeito dominante depende de muitos fatores, nomeadamente da altitude e do tamanho das nuvens e das suas gotículas.Por outro lado, o aumento da evaporação poderá provocar pesados aguaceiros e mais erosão. Muitas pessoas pensam que isto poderá causar resultados mais extremos no clima, com um progressivo aquecimento global.

Neste contexto, faz-se necessário enfatizar que os efeitos adicionais antecipados incluem aumento do nível do mar de 110 a 770 milímetros entre 1990 e 2100, repercussões na agricultura, possível desaceleração da circulação termohalina, reduções na camada de ozônio, aumento na intensidade e freqüência de furacões, baixa do ph do oceano e propagação de doenças como malária e dengue. Um estudo prevê que 18% a 35% de 1103 espécies de plantas e animais serão extintas até 2050, baseado nas projeções do clima no futuro.

Neste sentido, a grande afirmação dos cientistas climáticos de que as temperaturas globais continuarão a aumentar tem levado nações, estados, empresas e cidadãos a implementar ações para tentar reduzir o aquecimento global ou ajustar-se a ele. Muitos grupos ambientais encorajam ações contra o

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aquecimento global, freqüentemente por parte dos consumidores, mas também pela comunidade e organizações. Também tem havido negócios econômicos na mudança climática, incluindo esforços no aumento da eficiência de energia e uso de fontes alternativas, apesar de ser de forma limitada. Uma importante inovação é o desenvolvimento de um comércio de emissões dos gases do efeito estufa. Empresas, em conjunto comos governos, concordam em limitar suas emissões ou comprar créditos daqueles que emitiram menos do que é permitido.

O aumento das descobertas científicas sobre o aquecimento global tem resultado em debates políticos e econômicos. Regiões pobres, em particular a África, têm grandes chances de sofrerem a maior parte dos efeitos do aquecimento global, enquanto suas emissões são desprezíveis em relação às emissões dos países desenvolvidos. Ao mesmo tempo, isenções de países em desenvolvimento de algumas cláusulas do Protocolo de Kyoto têm sido criticadas pelos Estados Unidos e estão sendo usadas como sua justificativa para não ratificar o protocolo. No ocidente, a idéia da influência humana no clima e os esforços para combatê-lo ganharam maior aceitação na Europa que nos Estados Unidos.

Analisando quantitativamente as prováveis alterações e redistribuições dos grandes biomas brasileiros em resposta aos cenários de mudanças climáticas projetadas por seis diferentes modelos climáticos globais avaliados pelo IPCC para o final do Século XXI, temos resultados diferentes para cada projeção de modelo climático, resultado das projeções convergirem para o estudo do aumento da temperatura.

Com uma media das projeções, obtem-se um aumento das áreas de savana na América do sul tropical, dentre esses modelos alguns indicam diminuição das chuvas na Amazônia, outros não indicam alteração, enquanto um deles chega projetar aumento das chuvas. Alguns estudos sobre resposta das espécies da flora e da fauna Amazônica e do Cerrado indicam que para um aumento de 2 a 3 C na temperatura média até 25% das árvores do cerrado e até cerca de 40% de árvores da Amazônia poderiam desaparecer até o final deste Século.

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A execução de obras de infra-estrutura no norte e no oeste da Amazônia deve aumentar o desmatamento na floresta e contribuir para piorar o aquecimento global. O alerta foi dado pelo pesquisador Philip Fearnside, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), durante debate na sede do Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (Ipea) sobre as conseqüências das mudanças climáticas na economia.

O pesquisador destacou que empreendimentos previstos no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) – como a BR-319, que ligará o Acre ao Peru, e as hidrelétricas de Santo Antônio e Jirau, no Rio Madeira – vão atrair um grande contingente populacional e estimular a agricultura e a pecuária na região. “Isso vai ampliar o chamado Arco do Desmatamento, que hoje abrange o Mato Grosso, ao sul do Pará e parte de Rondônia”, explicou que somente as obras das usinas do Rio Madeira, em Rondônia, segundo Fearnside, deverão levar 40 mil pessoas para trabalhar no estado: “Depois do fim da construção, esse contingente vai migrar para Porto Velho e, de lá, para o sul do Amazonas e o Acre, o que certamente resultará na expansão do desmatamento”.

Durante o dia, os vegetais absorvem gás carbônico e liberam oxigênio; com a derrubada de árvores, o gás carbônico deixa de ser absorvido, o que na prática equivale a uma nova emissão, explicou Fearnside, acrescentando que a Amazônia ainda consegue reter boa parte do gás carbônico, mas essa capacidade está se esgotando. Para ele, "as chances de as emissões terem superado o limite de resistência da Amazônia estão entre 15% e 60%”.

No debate, o pesquisador apresentou ainda previsões internacionais que mostram os efeitos do aquecimento global sobre a Amazônia: até 2100, a temperatura média na região deve subir entre 3,3 graus e 5,5 graus, o que trará consequências devastadoras sobre a maior floresta tropical do planeta. “Os modelos são divergentes em alguns pontos, mas eles apontam para o aumento da temperatura e a transformação da floresta em savana”, advertiu.

A partir de 2050, lembrou, existe o risco de o solo da Amazônia se salinizar e as árvores começarem a ser substituídas pelas gramíneas. Ele explicou que “com o

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aumento da temperatura, as árvores absorvem mais água, o que reduz as chuvas na região”. E que se as emissões de gás carbônico continuarem a crescer nos níveis atuais, em 2080 grande parte da floresta terá desaparecido.

Um dos modelos exibidos pelo pesquisador indicou que apenas o oeste do Amazonas e uma área que cobriria a Colômbia, o Equador e o nordeste do Peru manteriam as características originais da vegetação amazônica.

Atualmente, de acordo com o especialista, a proporção de gás carbônico na atmosfera é de 383 partes por milhão. “Antes da Revolução Industrial, no século 18, esse índice era de 280 partes por milhão, o que mostra um crescimento assustador, principalmente no último século”, ressaltou.

Analisando os impactos na agricultura temos como primeira consequência é o aumento nas taxas evapotranspirativas, promovendo maior consumo de água das plantas, como segunda a redução do ciclo das culturas, tornando-as mais eficientes em termos de assimilação e transformação energética, porém mais sensíveis à deficiência hídrica.

O aumento das emissões de gases de efeito estufa pode ser detido com custos relativamente baixos. Essa é a principal conclusão da terceira parte do relatório de 2007 do Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática (IPCC, na sigla em inglês), cujo conteúdo foi divulgado na sexta-feira (4/5), em Bangcoc (Tailândia).

O documento, produzido por centenas de cientistas de diversos países, aponta que, para evitar mudanças desastrosas no clima global, a temperatura média do planeta não poderia subir mais do que 2ºC. O problema é que, para isso, seria preciso reduzir as emissões de dióxido de carbono entre 50% e 85% até 2050. Para Dos Santos (2005):

O cenário de redução de emissões que permitiria limitar o aquecimento global a 2ºC, segundo o documento, supõe uma estabilização na concentração de gases de efeito estufa na atmosfera em um valor de cerca de 445 partes por milhão (ppm). As concentrações atmosféricas atuais equivalem a cerca de 425ppm. Antes da Revolução Industrial, a taxa era de 280 ppm. O impacto dessa estabilização na economia mundial seria de até 3% do PIB mundial até 2030. No mesmo período, o impacto no crescimento projetado da economia seria de apenas 0,12%. Em outro cenário, visando à

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estabilização das emissões entre 535 e 590 ppm – o que limitaria o aquecimento global entre 2,8º e 3,2ºC – haveria um impacto de 0,2% a 2,5% no PIB mundial.

A primeira parte do relatório do IPCC, lançada em fevereiro, tratava da avaliação científica do fenômeno de aquecimento global. A segunda, publicada em abril, destacava possíveis impactos do aquecimento sobre países e ecossistemas.Uma das principais propostas do documento agora divulgado para mitigar o aquecimento global é estimular o uso de formas alternativas de energia, que não envolvam a queima de combustíveis fósseis, a partir da adoção dos mecanismos de crédito de carbono.

Os esforços para redução de emissões deverão trazer ganhos até mesmo econômicos, dizem os autores da nova parte do relatório. “As vantagens a curto prazo para os sistemas de saúde, provenientes da redução da poluição que seria gerada pelas ações de diminuição de emissões, compensariam uma parte substancial dos custos da mitigação”, afirmaram.

O relatório destaca que as emissões poderão aumentar entre 25% e 90% até 2030, em comparação com os níveis de 2000. Entre 66% e 75% do aumento ocorreria em países em desenvolvimento, ainda que a emissão per capita nesses estaria abaixo do nível dos países mais ricos.

Para inverter essa tendência, os pesquisadores ressaltam que a eficiência energética “tem um papel central em todos os cenários”. O documento defende que é mais econômico investir na melhoria da eficiência do que no aumento da oferta de energia. Isso traria benefícios em termos de segurança energética, de redução da poluição e de criação de empregos. A oferta de energia aumentou 145% entre 1970 e 2004.

As energias renováveis aparecem como as mais promissoras no relatório: se o preço do dióxido de carbono chegar a US$ 50 por tonelada, a energia renovável poderá pular dos atuais 18% da eletricidade mundial para 35% em 2030. Em contrapartida, a energia nuclear tem perspectivas limitadas: no mesmo cenário, passaria de 16% do fornecimento mundial de eletricidade para 18% em 2030.

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O relatório recomenda o uso de energia solar e eólica, combinado com a utilização eficiente de energia na iluminação de prédios, além de captura e o armazenamento de dióxido de carbono expelido por usinas movidas a carvão. Pela primeira vez, o IPCC indicou que mudanças no estilo de vida podem ajudar no combate ao aquecimento global, embora não as tenha detalhado.

Os especialistas destacaram também que a agricultura pode contribuir para a redução de emissões com um custo moderado, ainda que não exista atualmente “uma lista universalmente aplicável de práticas de mitigação no setor agrícola”.

Os pesquisadores lembram que o desmatamento de florestas tropicais causou cerca de 20% das emissões de gases estufa de origem humana na década de 1990. Além disso, com o desmatamento, perde-se a capacidade de sequestro de carbono, o que aumentaria ainda mais as concentrações atmosféricas.

Para um dos autores do artigo, Carlos Nobre, pesquisador do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o texto resume o que tem sido afirmado nos últimos anos pelos cientistas que estudam mudanças climáticas. ParaBeltrão e Villas (1992: p.65)

É evidente que a solução de longo prazo é a descarbonização. Mas, no intervalo das próximas décadas, a redução de emissões tem que ser considerada. O artigo mostra que, graças ao IPCC, a revista entendeu o recado que temos passado nos últimos anos.

O artigo, assinado também por cientistas da Austrália, do Canadá, dos Estados Unidos, da França e do Reino Unido, ressalta que é possível reduzir as emissões sem impacto econômico. Eles destacam que as práticas para diminuir o aquecimento global deverá fazer progressos, uma vez que vários países em desenvolvimento com vastas áreas florestais procuraram ações e alguns começaram a reduzir o desmatamento com dois tipos de projeto de baixo custo: redução de queimadas acidentais e redução do desmatamento em áreas que não serão utilizadas para agricultura. De acordo com SILVA, MOURA, LAGO, XAVIER (2006):

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