• Nenhum resultado encontrado

HISTÓRICO DE ENFERMAGEM: COMPREENSÃO E UTILIZAÇÃO TEÓRICO-PRÁTICA

N/A
N/A
Protected

Academic year: 2021

Share "HISTÓRICO DE ENFERMAGEM: COMPREENSÃO E UTILIZAÇÃO TEÓRICO-PRÁTICA"

Copied!
8
0
0

Texto

(1)

HISTÓRICO DE ENFERMAGEM: COMPREENSÃO E

UTILIZAÇÃO TEÓRICO-PRÁTICA

Maria Luiza Anselmi* Emilia Campos de Carvalho** Emilia Luigia Saporiti Angerami***

A N S E L M I , M . L . ; C A R V A L H O , E . C . ; A N G E R A M I , E . L . S . Histórico de Enfermagem: compreen-são e utilização teórico-prática. Rev. Esc. EnJ. USP, Sâo Paulo, 22(2):181-188, a g o . 1988.

O presente trabalho aborda a problemática da terminologia em enfermagem e seu emprego na práti-ca. Trata primordialmente do termo Histórico de Enfermagem, analisando seu surgimento e seus signifi-cados.

U N I T E R M O S : Histórico de enfermagem. Processo de enfermagem.

I N T R O D U Ç Ã O

A enfermagem, na sua evolução histórica, sofreu modificações imprimidas pe-las transformações ocorridas na estrutura econômica, política e social, e q u e , no m o m e n t o , vêm sendo sentidas pelos profissionais em seu contexto de inserção,

Os impulsos em direção a progredir cientificamente foram iniciados por Floren-ce Nightingale, que busca m u d a r a ênfase d a d a à doença, para o doente e suas neFloren-ces- neces-sidades.

O avanço das ciências físicas, biológicas e sociais trouxeram reflexos i m p o r t a n -tes na enfermagem levando-a a a c o m p a n h a r os progressos n o atendimento à saúde.

P a r a P I E R S O N (1968), à medida que a profissão evolui e a m a d u r e c e , é impres-cindível que ela desenvolva um sistema de referência, um " u n i v e r s o de comunica-ç ã o " , o n d e o grupo de conceitos possuam significados c o m u n s para que sejam mu-tuamente compreensíveis por aqueles que os utilizarão, e, conseqüentemente, se evi-te que esta comunicação torne-se um mero j o g o de palavras. Desevi-te m o d o , é funda-mental que t o d o conceito seja definido cuidadosa, sistemática e metódicamente.

No percurso de seu c a m i n h o histórico a enfermagem vem incorporando u m a multiplicidade de conhecimentos de outras áreas, e com isto também absorvendo os diversos conceitos pertinentes a outras disciplinas.

* Enfermeira, Auxiliar de Ensino d o Departamento de Enfermagem Geral e Especializada da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo.

** Enfermeira, Professor Assistente D o u t o r d o Departamento de Enfermagem Geral e Especializada da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo.

**• Enfermeira, Professor Titular d o Departamento de Enfermagem Geral e Especializada da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da Universidade de Sâo Paulo.

(2)

Estabelecer conceitos próprios que permitam delimitar o seu espaço e suas fron-teiras, definindo assim qual seu nível real de aplicação prática, tem sido preocupa-ção de vários estudiosos com a finalidade de compreender melhor o fenômeno enfer-m a g e enfer-m .

P a r a a profissão que se ocupa do ser h u m a n o e do seu m u n d o , as considerações de G R E I M A S (1966) são relevantes e n q u a n t o definem o m u n d o h u m a n o essencial-mente c o m o o m u n d o da significação, e ele só p o d e ser c h a m a d o h u m a n o na medida em que significa alguma coisa. Segundo este mesmo a u t o r , nas ciências h u m a n a s po-de-se encontrar um denominador c o m u m com as ciências da natureza, pois, enquan-to nesta última se procura saber c o m o são o homem e o m u n d o , nas ciências do ho-m e ho-m , de ho-m o d o ho-mais ou ho-menos explícito, se indaga sobre o que significaho-m uho-m e ou-t r o .

S I M Õ E S (1980), em seu estudo, r e s s a l t a q u e é indispensável e essencial ao con-texto teórico e prático de u m a profissão o desenvolvimento de uma terminologia bá-sica e exclusiva.

O presente trabalho tentará conhecer e analisar um dos termos j á incorporados à profissão, dentro d o Processo de Enfermagem, o Histórico de Enfermagem: c o m o surgiu, c o m o tem sido definido pelos autores e qual o seu significado na prática.

N ã o há pretensão de nossa parte em esgotar o a s s u n t o , mas somente em iniciar u m a abordagem destas questões que, no futuro, merecerão, sem dúvida, discussões mais a p r o f u n d a d a s .

Esta unificação na estrutura conceituai permitirá à profissão constituir seu cor-po de conhecimentos e, assim, conquistar, de maneira efetiva, seu espaço.

Surgimento do termo "Histórico de Enfermagem"

Foi após a Segunda G r a n d e G u e r r a , nas décadas de 50 e 60, com a implantação definitiva do capitalismo nos Estados Unidos da América, com a explosão d o conhe-cimento científico; com as descobertas médicas e a maior conscientização da popula-ção sobre suas necessidades de saúde, que a enfermagem americana começou, atra-vés das Associações, Grupos e Comitês, a discutir sobre as necessidades e problemas da profissão (educação, pesquisa e prática) e a p r o p o r medidas para o seu desenvol-vimento, estimulando m u d a n ç a s .

O plano de cuidados surge em decorrência da preocupação em relação à siste-matização do cuidado de enfermagem. Inicialmente, ele apresenta-se c o m o um ins-t r u m e n ins-t o , com a finalidade de relains-tar e ins-transmiins-tir informações aos elemenins-tos que cuidavam d o paciente, bem c o m o para garantir a individualizaçâo e continuidade d o c u i d a d o . Na década de 60, o plano parece evoluir para o u t r a dimensão, contendo objetivos dos cuidados, fundamentados em princípios científicos, e sugerindo os meios pelos quais poderão ser alcançados. Estas m u d a n ç a s buscam refletir o cresci-mento do profissionalismo na enfermagem.

É nesta época que surge o " P r o c e s s o de E n f e r m a g e m " c o m o m é t o d o de siste-matização da assistência de enfermagem, operacionalizado em fases.

O alvo de nosso estudo é o termo " H i s t ó r i c o de E n f e r m a g e m " , sendo este en-tendido c o m o a primeira fase do " P r o c e s s o " e cujas variações na evolução histórica veremos a seguir.

Inicialmente b u s c a m o s , na p r o d u ç ã o científica nacional, identificar os autores que tratavam da sistematização da assistência de enfermagem, onde o termo " H i s t ó -rico de E n f e r m a g e m " poderia ser evidenciado.

(3)

Selecionamos p a r a consulta os periódicos considerados mais significativos para a profissão, a saber:

— Revista Brasileira de Enfermagem — período de 1962 a 1983

— Revista da Escola de Enfermagem da U S P — período de 1967 a 1984 — Revista Enfermagem em Novas Dimensões — período de 1974 a 1979

Nesta etapa foram catalogados seis autores que empregaram o t e r m o . C o n f o r m e procedíamos a este levantamento, verificamos as citações bibliográ-ficas destes autores, e estas nos remeteram à literatura estrangeira, principalmente àquela dos Estados Unidos da América, na qual são inúmeras as publicações refe-rentes à metodologias de assistência de enfermagem.

As definições apresentadas por autores estrangeiros foram selecionadas p a r a in-clusão neste t r a b a l h o à medida em que a citação original aparecia e sua consulta era possível. E m b o r a n ã o c o n s t a n d o em referências bibliográficas nacionais, outros quatros autores estrangeiros também foram consultados.

A d o t a m o s a seqüência cronológica p a r a apresentação das definições, entenden-d o que entenden-desta maneira poentenden-deríamos a c o m p a n h a r a evolução entenden-d o t e r m o , bem c o m o efe-tuar a análise desejada.

Emprego do termo pelos diferentes autores

Etimológicamente, Histórico " é a narração cronologicamente d o c u m e n t a d a de acontecimentos p a s s a d o s " (SILVA 1980). Segundo F E R R E I R A (1967) " H i s t ó r i a é a n a r r a ç ã o metódica dos fatos notáveis ocorridos na vida d a H u m a n i d a d e " e Histó-rico é "relativo à história, v e r d a d e i r o " .

M c P H E T R I D G E (1968) — " H i s t ó r i c o de Enfermagem é um guia que permite à enfermeira obter, de forma sistemática, informações necessárias para planejar o cui-d a cui-d o cui-de enfermagem. Consiste cui-de questões cui-dirigicui-das ao paciente e espaço p a r a as respostas. Nursing History difere da história médica já que focaliza o significado da doença e hospitalização para o paciente e familia, e n q u a n t o a história médica é t o -m a d a para deter-minar a patologia que está presente e que serve de base p a r a o cuida-d o m é cuida-d i c o " .

L E W I S (1968) — "Nursing History consiste do desencadear de informações so-bre a pessoa à qual se ajuda p a r a estabelecer sua individualidade e dar alguma indi-cação de suas atitudes e esforços em direção a alcançar a p l e n i t u d e " .

L I T T L E & C A R N E V A L E (1969) — "Nursing assessment ou Nursing History é a coleção de d a d o s básicos seguidos pela formação de impressões da s i t u a ç ã o " . " É a informação c o m p a c t a buscando e d a n d o transação entre duas ou mais pessoas en-volvendo d a d o s subjetivos e objetivos usualmente em categorias relevantes predeter-minadas p a r a o cuidado de e n f e r m a g e m " .

M A Y E R S (1972) — "Nursing History refere-se a um conjunto de várias ques-tões organizadas, ou tópicos que servem de guia a fim de se obterem d a d o s conside-rados necessários para planejar o cuidado d o paciente. É u m a parte integral da me-todologia de enfermagem em direção a u m a intervenção objetiva, sistemática e ra-cional para maximizar a m a n u t e n ç ã o , o conforto e alto nível de bem-estar. Os dados são necessários para se fazer o diagnóstico de e n f e r m a g e m " .

Y U R A & W A L S H (1978) — " A fase de assessment começa com a Nursing

(4)

capacitarão a enfermeira a indicar p r o b l e m a s , relacionando doença e saúde. Se pro-blemas existem, então o primeiro passo para solucioná-los é identificá-los. Nursing

history é t o m a d a para a obtenção de d a d o s necessários, de forma sistemática,

atra-vés de u m a entrevista planejada com um c l i e n t e " .

C R O W (1979) — "Nursing history é o meio pelo qual se coletam informações sobre u m a pessoa que está doente e, e n t ã o , pela inspeção desta informação, identifi-cam-se, e mais tarde validam-se os problemas d o paciente. Focaliza o efeito da doen-ça e da hospitalização no paciente e em sua família, em contraste com a história mé-dica q u e focaliza a doença em s i " .

E L H A R T & cois. (1983) — , 4A primeira fase do processo de enfermagem é a

avaliação, ou seja, uma apreciação da pessoa, n o seu t o d o , para se estabelecer uma base informativa das carências individuais da pessoa. A história colhida pela enfer-meira é diferente da história clínica, pois incide fundamentalmente sobre o significa-d o significa-de saúsignifica-de e significa-de assistência na enfermisignifica-dasignifica-de, tanto para o significa-doente c o m o para seus fa-miliares, c o m o base de planejamento da assistência que o enfermeiro vai lhes pres-tar, ao passo que a história clínica é elaborada para incluir ou excluir a patologia co-m o base da assistência co-m é d i c a " .

M O R A E S (1967) — " O levantamento dos problemas do paciente é o primeiro passo para elaboração d o plano de cuidados. Deve-se observar o paciente a fim de conhecer suas necessidades; conversar com o médico para saber do p r o g r a m a tera-pêutico. Durante os cuidados prestados, manter a conversa com o paciente, e, a se-guir, descrever as condições do paciente, c o m p o r t a m e n t o , história familiar e exame físico".

P a r a C A R V A L H O (1968) — " O plano de cuidados individualizado exige que a enfermeira tenha capacidade de observação e reconhecimento das necessidades de cada paciente. Este plano deve conter os dados de identificação e já estabelecer o cuidado prioritário e o grau de d e p e n d ê n c i a " .

H O R T A (1975) — " H i s t ó r i c o de Enfermagem é o primeiro passo do Processo de Enfermagem: é o roteiro sistematizado para o levantamento de dados (significati-vos p a r a a enfermeira) d o ser h u m a n o e que tornam possível a identificação de seus p r o b l e m a s " .

V A L E N T E (1974) — " H i s t ó r i c o de Enfermagem é o instrumento usado pela enfermeira, que consiste no registro escrito do levantamento de dados do paciente que sejam significativos para a enfermeira, t o r n a n d o possível a identificação de seus problemas q u e , analisados, levam a o planejamento e execução diária dos cuidados assistenciais de e n f e r m a g e m " .

C 1 A N C 1 A R U L L O (1975) — " H i s t ó r i c o de Enfermagem é uma relação escrita de informações específicas sobre o paciente, provendo d a d o s sobre as suas necessi-dades ou os seus problemas c o m o base para evolução, prescrição e avaliação da as-sistência de enfermagem. Difere da história clínica, pois esta dirige-se para a doença e necessidade de hospitalização. O histórico de enfermagem visa ao levantamento das necessidades e dos problemas d o paciente, mesmo que não estejam relacionados diretamente à doença, com o objetivo de prestar assistência de enfermagem indivi-d u a l i z a indivi-d a " .

N O G U E I R A & cois. (1978) — " H i s t ó r i c o de enfermagem é o levantamento e registro de dados das condições psicológicas, sociais e sanitárias e das necessidades e recursos da família".

A R A Ú J O (1979) — " É o meio utilizado para obtenção de informações a respei-to da pessoa a ser assistida, permitindo ao profissional: conhecer, identificar e

(5)

anali-sar as situações apresentadas, de m o d o a ser planejada a d e q u a d a m e n t e a assistência de enfermagem. O levantamento de dados e a análise da situação permite a seleção dos problemas existentes e a formulação d o diagnóstico de e n f e r m a g e m " .

P A I M (1980) — " É um relatório minucioso, claro e cronológico de informes básicos p a r a o levantamento de problemas de enfermagem e necessidades d o pacien-te. É indispensável p a r a identificar os problemas e chegar ao d i a g n ó s t i c o " .

D A N I E L (1979) — " O Histórico de enfermagem consiste no levantamento sis-temático de informações d o paciente, família e c o m u n i d a d e , e observações adquiri-das através d o exame físico do paciente. Os dados obtidos para o histórico são regis-t r a d o s em u m formulário e analisados com a finalidade de idenregis-tificar problemas que levam à determinação do diagnóstico de e n f e r m a g e m " .

O significado de "Histórico de Enfermagem"

A o analisarmos as definições apresentadas por estes autores, alguns aspectos c h a m a m atenção e merecem d e s t a q u e .

Em um primeiro m o m e n t o , nota-se u m a preocupação acentuada em se diferen-ciar o histórico de enfermagem da história clínica, o que nos parece ser u m a tentati-va de desvincular a enfermagem do saber médico, atribuindo-se, a cada um deles, objetivos específicos, tentando-se, desta forma, dar corpo próprio a o saber de enfer-magem.

Estas observações são c o m p r o v a d a s q u a n d o H O R T A (1979) expõe q u e , no Bra-sil, o Histórico de Enfermagem recebe inicialmente o n o m e de Anamnese de Enfer-magem, p o r é m , devido à forte conotação médica que o termo transmitia, procu-rou-se o u t r a d e n o m i n a ç ã o .

Ao se observar a evolução das publicações acerca do Processo de Enfermagem c o m o Metodologia de Assistência, M O R A E S (1979) e C A R V A L H O (1968) conside-ram ser o " L e v a n t a m e n t o dos problemas do paciente o primeiro passo para a elabo-ração d o plano de c u i d a d o s " e que exige da enfermeira " c a p a c i d a d e de observação de reconhecimento das necessidades de cada p a c i e n t e " . Estas autoras n ã o mencio-nam o termo Histórico de Enfermagem, embora o significado expresso em levanta-m e n t o de d a d o s , posteriorlevanta-mente, passe a ser relacionado ao levanta-m e s levanta-m o .

O significante Histórico de Enfermagem divulgado por H O R T A (1974) man-tém o significado de " r o t e i r o sistematizado para levantamento de d a d o s . . . " . Isto também se observa nas publicações de V A L E N T E (1974), N O G U E I R A & cois. (1979) e de D A N I E L (1979).

A utilização, pelos autores mencionados, do termo " L e v a n t a m e n t o de D a d o s " aproxima-se do conceito apresentado por F E R R E I R A (1967), significando " o con-j u n t o de operações para determinar as características de um f e n ô m e n o " .

As alterações de significantes e significados no decorrer d o t e m p o , buscam deli-mitar a abrangência e especificidade desta etapa do Processo de Enfermagem com a finalidade de viabilizar a sua operacionalização.

À medida que analisamos as palavras empregadas para definirem o Histórico de Enfermagem, observamos que algumas descrevem o conteúdo da etapa c o m o em M A Y E R S (1972) " . . . um conjunto de várias questões organizadas, ou tópicos, que servem de guia para a obtenção de d a d o s . . . " ; outras apresentam seu objetivo ou fi-nalidade, observados em YURA & W A L S H (1978) " . . . cujo propósito é obter e

(6)

identificar dados sobre o p a c i e n t e . . . " . Além daquelas que nos detalham a forma de apresentação, " . . . é um g u i a . . . " ( M c P H E T R I D G E , 1968); ou ainda c o m o " . . . é ro-t e i r o . ; . " ( H O R T A , 1974); e finalmenro-te c o m o " . . . é um relaro-tório m i n u c i o s o . . . " ( P A I M , 1980).

Pelas definições apresentadas, é possível delinear-se o consenso existente entre os autores de que o Histórico de Enfermagem é um instrumento a ser utilizado pelo enfermeiro para levantar dados d o paciente, e que favorece u m a interação efetiva entre a m b o s .

Verifica-se, e n t ã o , diante dos diversos conceitos, e considerando-se as palavras empregadas, que a etimologia do termo " H i s t ó r i c o " n ã o está sendo respeitada.

Em â m b i t o nacional, a difusão da-proposta de H O R T A (1974) sobre o Históri-co de Enfermagem tem sido a d o t a d a c o m o referencial pelos demais autores, existin-do poucas evidências, na literatura pesquisada, de questionamentos sobre esta pro-p o s t a .

Na literatura estrangeira, em especial a norte-americana, surgiram dúvidas q u a n t o a o emprego d o Nursing Assessment e Nursing History*

B L O C H (1974), ao considerar alguns problemas da terminologia em enferma-gem, sugere que o Assessment em Enfermagem seja definido em dois processos se-p a r a d o s : o se-primeiro, a coleta de d a d o s , que consistirá da reunião d e , mais ou m e n o s , fatos objetivos sem um c o m p o n e n t e i n t e r p r e t a t i v e O s e g u n d o , a definição do pro-blema, onde o julgamento é feito através da análise crítica e interpretação dos da-dos.

L I T T L E & C A R N E VALE (1969) utilizam Nursing Assessment e Nursing

His-tory com o mesmo significado.

Nursing History é t r a t a d o c o m o Assessment Guide por M A Y E R S (1972), sem

distingüi-lo c o m o etapa.

YURA & W A L S H (1978) incluem o Nursing History c o m o o primeiro passo dentro da fase de Assessment.

C R O W (1979) identifica Assessment c o m o primeiro estágio do Processo de En-fermagem, sendo ele constituído de duas partes. A primeira é a "coleta de informa-ções sobre a pessoa que está doente e é usualmente feita por meio de Nursing

His-tory" . A segunda, é alcançada através da inspeção das informações obtidas, onde os

problemas são identificados e validados.

P a r a L E W I S (1968), Nursing History é um passo dentro do Assessment. Este entendimento, a nosso ver, configura a idéia prevalecente nas definições de autores estrangeiros.

De m o d o geral, constatamos predominância, entre os autores, de que o Históri-co de Enfermagem Históri-constitui a primeira fase de um processo. É evidenciado que nes-ta fase sâo colenes-tados dados sobre o paciente, e estes, após análise, permitirão a iden-tificação dos problemas e a determinação do diagnóstico de enfermagem, fornecen-do conseqüentemente subsídios para a elaboração fornecen-do plano de cuidafornecen-dos.

O significado p o r t a n t o existe, apresenta certa homogeneidade entre os autores e mantém sua especificidade j u n t o à c o m u n i d a d e de enfermagem. Na verdade, o que tem diferido é o significado etimológico do t e r m o , que nem sempre se preocupa com a " n a r r a ç ã o cronológica de acontecimentos p a s s a d o s " , SILVA (1980), valorizando mais os fatos presentes.

Devido à dificuldade na tradução, de maneira apropriada, dos (ermos Nursing Assessment e Nursing History, eles foram mantidos na sua forma original.

(7)

Observa-se q u e , historicamente, ocorreram m u d a n ç a s eni relação a o significan-te, q u e , se no inicio está o c u l t o , com o desenvolvimento de metodologias de Assis-tência de Enfermagem, surge com o nome de Anamnese e, posteriormente, firma-se c o m o Histórico de Enfermagem.

C O N S I D E R A Ç Õ E S F I N A I S

Segundo B L O C H (1974), a definição de termos é essencial para clarificar o sig-nificado dos passos d o Processo de Enfermagem, e decisiva ao se testarem pesquisas na prática.

O significante Histórico de Enfermagem, bem c o m o seu significado, ou seja, sua representação na linguagem, j á foram incorporados à profissão, cujo contexto e situação condicionam o resultado da relação significante/significado, estabelecendo desta maneira a sua significação.

Mediante este referencial e pela análise realizada observa-se que objetivos, fina-lidade, conteúdo e forma n ã o comunicam " a real significação do Histórico de En-f e r m a g e m " * , com exceção En-feita por E L H A R T & cols. (1983), cuja deEn-finição avança em direção à essência d o termo q u a n d o afirmam que ã " p r i m e i r a fase d o processo de enfermagem é a avaliação, u m a apreciação da pessoa na sua totalidade visando estabelecer bases informativas sobre suas carências individuais".

S I M Õ E S (1980) discute a definição de H O R T A (1974), q u a n d o salienta que " n ã o há preocupação primordial de se fazer u m a disposição cronológica de fatos, m a s , muito mais de se descrever a s i t u a ç ã o / p r o b l e m a que se a p r e s e n t a " . Sugere, ainda, que se reflita sobre a substituição do " H i s t ó r i c o de E n f e r m a g e m " por " D e s -crição da situação do c l i e n t e " .

O teor das definições também permite-nos concluir que elas não demonstram relação com a etimologia da palavra Histórico, c o m o já dissemos anteriormente, pois não se evidencia " n a r r a ç ã o cronológica dos f a t o s " .

Qualquer que seja a Metodologia de Assistência de Enfermagem a d o t a d a , a pri-meira fase constituir-se-á da descrição da s i t u a ç ã o / p r o b l e m a , exigindo correlação de d a d o s , análise e interpretação. Esta etapa é fundamental para a operacionaliza-çào dos demais passos.

Em nossa vivência na área assistencial, ao falarmos em Histórico de Enferma-gem, vem-nos à mente uma etapa do Processo de EnfermaEnferma-gem, pela qual o enfer-meiro contactua com o paciente, entrevista-o, colhe d a d o s , analisa-os, interpreta-os, a fim de p r o g r a m a r a assistência de enfermagem. E n t r e t a n t o , análise e interpretação são tarefas que exigem d o enfermeiro conhecimentos teóricos e habilidades que, na maioria das vezes, ele não possui. C o m o conseqüência, este primeiro passo do P r o -cesso não é desenvolvido na sua totalidade, permanecendo em nivel superficial, re-percutindo nos passos seguintes, dificultando-os.

Finalizando, consideramos de suma importância que outros estudos sobre a Terminologia em enfermagem sejam a p r o f u n d a d o s para que realmente o "universo de c o m u n i c a ç ã o " entre seus profissionais torne-se coerente e compreensível e que a relação de seus significantes/significados atinjam a essencialidade de seus conceitos.

(8)

A N S E L M I , M . L . ; C A R V A L H O , E . C . ; A N G E R A M I , E . L . S . Understanding and clinical utilization o f the term Nursing History. Rev. Esc. Enf. USP, Sâo P a u l o , 22(2):181-188, A u g . 1988.

The present study approaches the problem of terminology in nursing and its use in practice. It deals primordially with term Nursing History analyzing its origin and its meanings.

U N I T E R M S : Nursing assessment. Nursing process.

R E F E R Ê N C I A S B I B L I O G R Á F I C A S

1. A R A Ú J O , O . M . M . de Consulta de enfermagem á gestante. Rev. Bras. Eof., Brasilia, 32(3):259-70, j u l . / s e t . 1979

2. B L O C H , D . Some crucial terms in nursing what do they really mean? Nurs. Outlook, New York 22(11):689-694, N o v . 1974.

3. C A R V A L H O , A . C . de Plano de cuidados de enfermagem c o m o uma das funções da enfermeira chefe. Rev. Esc. Enf. U S P , São P a u l o , 2(1):108-118, mar. 1968.

4 . C I A N C I A R U L L O , T.I. O histórico de enfermagem: subsidios para sua introdução no hospital. Rev. Esc. Enf. U S P , São Paulo, 10(2):219-229, ago. 1975.

5. C R O W , J. Assessment. IN: KRATZ, C. The nursing process. London, Bailliere Tindall, 1979 6. D A N I E L , L.F. A enfermagem planejada. 2* ed. São P a u l o , Cor tez, 1979.

7. E L H A R T , D . et alii. Principios científicos de enfermagem. 8? e d . , Lisboa, Editora Portuguesa de Livros Técnicos e Científicos, 1983.

8. F E R R E I R A , A . B . de H. Pequeno dicionário brasileiro de lingua portuguesa. 11 f ed. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 1967.

9. G R E I M A S , A . J . Semântica estrutural. São P a u l o , Cultrix, 1973.

10. H O R T A , W . A . O processo de enfermagem: fundamentação e aplicação. Enf. N o v a s Dimens., São Paulo, 1(1):10-16, mar./abr. 1975

11. LEWIS, L. This I believe... about the nursing process: key to care. Nurs'. Outlook, New York, 16:26-29, May 1968.

12. LITTLE, D . & C A R N E V A L E , D . L . Nursing care planning. Philadelphia, Lippincott, 1969. 13. M A Y E R S , M . G . A sistematk approach to nursing care. New York, Applcton-Century-Crofts,

1972.

14. M c P H E T R I D G E , M. Nursing history: one means to personalize care. Am. J . Nurs., New York, 68(1):68-75, Jan. 1968.

15. M O R A E S , E. Plano de cuidados de enfermagem. Rev. Esc. Enf. U S P , Sào Paulo, 7(1):99-111, out. 1967.

16. N O G U E I R A , M . J . E . et alii. Modelo de histórico e plano de assistência de enfermagem à família. Rev. Esc. Enf. U S P , São Paulo, 12(1):17-60, abr. 1978.

17. P A 1 M , R . C . N . Metodologia cientifica em enfermagem. Rio de Janeiro, 1980.

18. P I E R S O N , D . Teoria e pesquisa em sociologia. 11.' ed. São Paulo, Melhoramentos, 1968. 19. S I L V A , A . M . Dicionário da Língua Portuguesa, apud. SIMÕES, C. Contribuição ao estudo da

terminologia básica de enfermagem no Brasil: taxionomía e conceituaçâo. Bauru, 1980. (Disser-tação de mestrado Escola de Enfermagem Ana Neri da UFRJ).

20. S I M Õ E S , C. Contribuição a o estudo da terminologia básica de enfermagem no Brasil: taxionomia e conceituaçâo. Bauru, 1980. (Dissertação de mestrado - Escola de Enfermagem Ana Neri da UFRJ).

2 1 . V A L E N T E , M . A . Estudo da identificação dos problemas de enfermagem em pacientes hospitali-zados com pneumopatias. Rev. Esc. Enf. U S P , São Paulo, 8(2):141-198, a g o . 1974.

22. Y U R A , H. & W A L S H , M. The nursing process: assessing, planing, implementing, evaluating, 3? ed. New York, Appleton-Century-Crolts, 1978

Recebido para publicação em 1 9 / 3 / 8 7 .

Referências

Documentos relacionados