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DISTRI BU IÇÃO DOS GASTOS COM ARMAMENTO

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Academic year: 2021

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CONJUNTURA

ECONOMICA

NO ESTRANGEIRO

DISTRI BU IÇÃO

DOS GASTOS COM ARMAMENTO

Previa-se que o crescimento contínuo das despesas militares no mundo inteiro conduziria a sérias dificuldades financeiras, me

s-mo nos países ricos. Evidentemente, a corrida armamentista deu forte impulso às indústrias mais diversas, contrariando os argumentos

dos economistas clássicos, que consideravam as despesas preventivas

com a defesa nacional em tempo de paz um fardo improdutivo e, por conseguinte, lesivo à economia nacional. A economia da época entre as duas grandes guerras e mais o período após a segundo guerra mundial demonstraram que os gastos com armamento constituem um estírnulo dos mais importantes para a conjuntura econômica.

Este fato não é o motivo menor da resistência ao desarmamento in

-ternacional.

Quanto::> desempregados hav

e-ria se se reduzissem de

500/0

e até

BO

i

(

as despesas militares

nos Estados Unidos e em diver -sos países europeus, como

dese-jam os pacifistas radicais?

-Entretanto, existe também um limite no sentido oposto, isto

é,

0.0 aumento destas despesas, mesmo que êle pareça perfeita -mente justificado do ponto de

vista militar. Além dêste limite,

começam dificuldades que, em

ABRIL/1963

última análise, enfraquecem o

fundamento econômico do

desar-mamento. Elas se manifestam

sob dois aspectos : no plano cam -biai e no orçamentário.

REPERCUSSOES CAMBIAIS

Nos últimos tempos foi

prin-cipalmente o aspecto cambial

que inquietou cada vez mais os

gove rnos.

o presidente

Eisenhower se esforçara em re-71

(2)

duzir as despesas em divisas, li-mitando o número dos parentes do pessoal militar e dos funcio-nários americanos estacionados no exterior. Mas esta medida,

destinada a economizar cêrca de meio bilhão de dólares por ano, foi muito criticada e o

presiden-te Kennedy a suspendeu antes

que tivesse aplicação real.

Tddavia, o atual presidente

dos Estados Unidos procurou

também uma solução para o pro-blema financeiro e sobretudo o

cambial, através de métodos

di-ferentes dos empregados pelos seus antecessores. Em particular,

favoreceu a venda aos aliados de material de guerra americano,

notadamente engenhos nucleares

que os outros países ocidentais não são ainda capazes 'de fabricar por conta própria. Entretanto, a

recusa da França em comprar os "Polaris" mostrou que êste co

-mércio encontra também obstá

-culos, seja de ordem política, se

-ja de ordem econômica; isto por-que todos os países industriais

preferem agora, quando a con-juntura econômica não é tão bri

-lhante como há 3 ou 4 anos, pro

-duzir êles mesmos seu material de guerra, ao invés de comprá-lo com divisas no exterior.

Resta teõricamente a

possibilidade de reduzir as des -pesas com a assistência militar dos Estados Unidos aos outros

países. Mas esta maneira de 72

fazer economia em divisas não poderia ser aplicada sem com-pleta modificação da política internacional. Além disso, os Estados Unidos já assumiram

enormes comproInlssos nesse ter-reno e restringiram seus sub-sídios militares, principalmente aos países pobres que não ~

dem financiar sua defesa nacio-nal com recursos próprios. Para o ano financeiro de 1962, a

aju-da militar dos Estados Unidos

constituia apenas 1/3 da

assis-tência total concedida ao

es-trangeiro. Segundo as estatisti-cas do Depto. de Comércio dos

Estados Unidos, ela somou

ape-nas 1 713 milhões de dólares,

num total de 5 136 milhões. e

assim se distribuiu: Re,iões

-Milhôe~ _ d:.:e

uss

Europa ocidental . . .

Oriente Próximo e Ásia meridional Extremo Oriente e Pacífico . . ..

África . . .. . .. ... . ... .

Repúblicas amE.ricanas .... Regiõe5 não especificadas

... .

..

Total da ajuda militar .. • • 409 299 835

2

.

118 26 J 713

Embora a ajuda militar seja

muito menor que a destinada a fins econômicos, técnicos, cultu-rais etc. ela tem para os países be-neficiários a vantagem de ser in-teiramente gratuita, enquanto a assistência econômica é em g

ran-de parte concedida sob a forma de créditos. Para o exercício de 1962 a ajuda não militar montou

(3)

a 3 4 23 milhões de dólares, mas dêste total apenas 1 890 milhões

foram fornecidos gratuitamente,

enquanto se concediam 1357

milhões como créditos e 176

mi-lhões sob outras modalidades de

assistência. A ajuda militar

cons-tituiu, portanto, quase a metade

da gratuita (1 713 milhões, num

montante de 3 603 milhões de

dólares). A diferença é

parti-cularmente acentuatla para as

Repúblicas americanas, que

rece-beram 880 milhões de dólares,

mas dêste total apenas 139

mi-lhões (15,8 %) gratuitamente.

AS CONTRIBUIÇOES PARA A OTAN

Considerando a agravação d~

balanço de pagamento dos

Esta-dos UniEsta-dos e a contínua diminui

-cão de suas reservas de ouro, o

govêrno norte-americano insistiu

também numa distribuição mais

equitativa dos encargos

finan-ceiros no quadro 'das

organiza-ções internacionais a que

perten-cem os Estados Unidos,

especial-mente a OTAN (Organização do

Tratado do Atlântico Norte). A

esta pertence a maioria dos

paí-ses da Europa Ocidental e

en-tre êles alguns que acumularam

grandes reservas em ouro e

di-visas. É, portanto, compreensível

que os Estados Unidos lhes

pe-çam contribuições maiores, às

ex-pensas da defesa comum de seus

inte~sses e territórios. ABRIL/ 1963

O país visado em 1.0 lugar é a

Alemanha Ocidental, não só por-que ela possui, depois dos

Esta-dos UniEsta-dos, as maiores reservas

de ouro e divisas, como porque se

considera a si mesma o país mais

ameaçado e constitui, por

conse-guinte, o principal beneficiário da

OTAN, sem a qual sua segurança

seria bem precária. Com efeito,

as despesas de ordem militar da

Alemanha foram na primeira

dé-cada do após-guerra relativamen

-te pequenas e consistiam

sobre-tudo em contribuir para a

manu-tenção das fôrças aliadas em seu

território. Mas nos últimos anos

as despesas do govêrno federal

alemão com as suas fôrças

arma-das aumentaram

consideràvel-mente e já atingiam em 1962, 15

milhões de D-marcos (3 750

mi-lhões de dólares), isto é, quase

tanto quanto as da França.

Evidentemente, apenas as

des-pesas, em cifras absolutas, não são

um índice seguro para os esforços

neste domínio. É preciso encará·

-las no conjunto da economia

na-cional do pais respectivo e levar

em conta também sua extensão

no cômputo das despesas

gover-namentais.

Quanto ao primeiro critério, a

base mais apropriada para uma

comparação internacional é sem

dúvida a renda nacional dos

di-ferentes países. A êste respeito,

.

-encontramos numa reV1sta

econo-mica alemã das mais

(4)

das ("Der Volkswirt", de 1.0 de março de 1963) um estudo

par-ticularmente instrutivo sôbre a porcentagem das despesas

mili-tares na renda nacional dos

paí-ses membros da OTAN. Ela

re-vela fatos surpreendentes:

DESPESAS MILiTARES (em 1962 dos

paíse~ membros da QT AN )

Países Milhões de Có da rcnda

dólares nacional - - ' " Estados Unidos 52000 11,3 França • • • • • • 3786 7,2 Portugal . . . . 158 6,9 Grã·Bretanha 4180 6.7 Alemanha Qci- 3 750 5,9 dental • • • • • Grécia · ... 170 5.8 Países Baixos • 555 5.0 Noruega · .... 191 5,0 Itólia

...

1 255 4,4 Turquia ·

....

287 4,3 Bélgica · . . . 364 3.8 Dinamarca ... 180 3,2 Lu:<cemburgo

..

7 1,7

Como vemos, as depesas

mili-tares dos Estados Unidos são 3

vêzes e meia maiores que as de todos os outros países membros da OTAN, em conjunto, embora

a população dêstes seja 50% su-perior à dos Estados Unidos. As

despesas militares americanas

per capita são, portanto, cêrca de

5

vêzes maiores que as

dos

paí-ses membros europeus da OTAN,

o que ultrapassa amplamente a

diferença atual das rendas nacio-nais na América do Norte e na Europa, mesmo se se levar em

conta o poder aquisitivo das di-versas moedas no mercado inter-no dos países respectivos.

74

A ALEMANHA PAGA MUITO POUCO?

o

extraordinário esfôrço dos Estados Unidos neste terreno

re-flete-se também na porcentagem da renda nacional aplicada nas despesas militares. Sob êste

as-pecto, os Estados Unidos ocupam

- com 11,3 % de longe o 1.0

iugar. Seguem-se os 3 países eu-ropeus que possuem ainda vastos

territórios de além-mar: França, Grã-Bretanha e Portugal. Esta é

provàvelmente uma das razões

pelas quais a Alemanha figura

somente em 5.° lugar entre os paí-ses membros da OTAN; a porcen-tagem da renda nacional que ela

gasta com objetivos militares não é sensIvelmente mais alta que a

-de países bem mais pobres como a Grécia e a Noruega.

Às críticas por vêzes acerbas de economistas e políticos

norte--americanos, os alemães fizeram

diversas objeções. As

despropor-ções entre o poder econômico da Alemanha e suas contribuições

financeiras para a defesa da

Eu-rcpa Ocidental são inegáveis. Mas

há argumentos secundários con-tra a tese norte-americana.

As-sim, insiste-se no lado alemão

só-bre o fato de que as despesas pú-blicas de tôda ordem absorvem

na República Federal Alemã 29,4 % do produto social bruto, contra somente 23,2 % nos Est a-dos Unia-dos, e que a importação

(direta e indireta em conjunto)

(5)

é na Alemanha superior de 10%

à dos Estados Unidos.

Além disto, afirma-se em Bonn

e na imprensa alemã, as despesas governamentais para fins sociais

em grande parte

determina-das pela guerra perdida são

muito mais altas na Alemanha que nos Estados Unidos. Desta forma se explica que na

Alema-nha o orçamento militar

consti-tua apenas 1/3 das despesas fe-derais e 1/ 6 das despesas

públi-cas totais (inclusive as dos

Es-tados e municipalidades) ,

en-quanto nos Estados Unidos as

despesas com as fôrças armadas

representam 57 0/0 das despesas federais e 38 (( das despesas

pú-blicas totais.

Todavia, o argumento

princi-pal da Alemanha nesta discussão

não é de ordem orçamentária e

sim cambial. Parcialmente e'm

conseqüência das proibições im-postas ao país no fim da guerra,

e parcialmente em virtude da

boa conjuntura de sua economia que tornava a produção de bens

de "paz" mais interessante que a

fabricação de material de

guer-ra, a Alemanha é hoje obrigada

a comprar parte considerável dês

-te último no estrangeiro, na Am

é-rica do Norte, assim como em di

-•

versos pmses europeus co

m-pras feitas contra divisas e

paga-mento imediato. Esta posição de

grande comprador de material

de guerra no mercado mundial

é naturalmente um argumento

mais forte que tôdas as

compa-rações e considerações de ordem

fiscal, orçamentária, sociológica e estatística.

BANCO HIPOTECÁRIO E AGRíCOLA DO

DE MINAS GERAIS, S. A.

ESTADO

Fundado f'm 1911

Sede em nelo Horizonte - Praça Sete de Setembro, Cab:a Postal 13

104 Departamentos: Distrito Federal e nOll Estados de MJni\5 Gemls, Slo Paulo, Gutlnabara, Rio Grande do Sul, Paranâ, Pernambuco, Bahia, Esplrlto Sftnto, GolAs e Rio de Janeiro

RESUMO DO nALANCETE EM 5 DE FEVEREIRO DE 1963

A T I V O

Galxa (' Banco do Brnsll _, __

DepóSltOll em dinheiro, 11. or -dem da SUMOC _._. _ _ ._"

Letras do Tesouro NaCional

Empréstimoa e outros créditos

.... gênclas e Correspondentes

Capltlll li. realizar ___ ,,_,, __ _

ApÓlices, ações e debêntures

Imóvels, móveis e utenslllos

In!ltalaç6es e material de ex-pediente __ "._. ___ ._, _ _ _ "

ContM de resultados ._. __ .. _

ContllS de compensaçll.o . __ ..

2.491 õ6.3.712.30 2.745.081.5'i5.5(,· na. *1>. OC·1.00 12.R52 424282.90 C.391.676.578.20 12'i . 000.001.00 236.313.074.40 l. 023 .878 .69~.50 151 .371.262.80 ~58.947.861.80 18.711,443.358,30 P A S S I V O ~c;ap~.~<a~.~.;r,na~,,~,~

...

;;-.=._=.===-;.~. 366 , 750 .OOO.C'J Depósitos

.... gênclas e Correspondentes

15.419.696.n3,90

9.618363.644.00

Outras obrigações ._ .. _._.__ 1.681'.043.319.70 Contas de resultados _.___ 664."CS:.534.80

Oo:ltilS de compensRçll.o ____ 18.71t.4.43.358.30

Total _. __ ._. ____ ._._ .. __ 47.4.66.703.0&\70

PRESIDENTE: VIcente de AraUjo - Diretores: Castetlar Modesto Guimarães, Edgard Baeta Neves, Bollvar Carvalho, Joll..o Machado Paes Barreto, Obregon de Carvalho, RodOlpho de Paoll. _ Orlvaldo doa Snntos Andrade. Contador Geral, Reg. no C.R.C. - M. G. sob 0.° a 311.

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