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MAJ Alves Pereira

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Academic year: 2018

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I NSTI TUTO DE ALTOS ESTUDOS MI LI TARES

CURSO DE ESTADO MAI OR

(1999 - 2001)

TRABALHO I NDI VI DUAL DE LONGA DURAÇÃO

DOCUMENTO DE TRABALHO

O TEXTO CORRESPONDE A TRABALHO FEI TO DURANTE A FREQUÊNCI A DO CURSO NO I AEM SENDO DA RESPONSABI LI DADE DO SEU AUTOR, NÃO CONSTI TUI NDO ASSI M DOUTRI NA OFI CI AL DO EXÉRCI TO PORTUGUÊS.

A GLOBALI ZAÇÃO E O FUTURO DA EUROPA NA

PERSPECTI VA DO I NTERESSE DOS PEQUENOS ESTADOS

(2)

AGRADECI MENTOS

O aut or agr adece ao Exmo. Sr . Pr of . Adr iano Mor eir a, a disponibilidade e o apoio pr est ados na r ealização dest e t r abalho.

(3)

Í NDI CE

AGRADECI MENTOS... i

Í NDI CE... ii

I NTRODUÇÃO... v

CAPÍ TULO I – A GLOBALI ZAÇÃO... 7

1. Conceit o... 7

2. Caract erist icas da Globalização... 9

CAPÍ TULO I I - A GLOBALI ZAÇÃO E O I NTERESSE DOS PEQUENOS ESTADOS... 12

1. O Fut uro do Est ado Nação... 12

a. O Poder do Est ado. . . 12

b. O Nacionalismo... 15

c. A Polít ica de Def esa... 16

2. O I nt eresse dos Pequenos Est ados... 18

CAPÍ TULO I I I – A GLOBALI ZAÇÃO E AS ORGANI ZAÇÕES I NTERNACI ONAI S. . . 23

1. As Organizações Não Governament ais e I nt ergovernament ais…...… 23

2. A União Europeia... 24

CAPÍ TULO I V – A GLOBALI ZAÇÃO E O FUTURO DA EUROPA. . . .………..…… 27

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Í NDI CE

2. A Europa e a Polít ica Ext erna dos PEE... 30

3. Os Cinco Cenários em 2020... 31

a. A Europa sob Tut ela... 31

b. A Europa Musculada... 32

c. A Europa em Ruínas... 33

d. A Europa Mercant ilist a... 34

e. A Europa Globalizada... 35

CAPÍ TULO V – O FUTURO DA EUROPA NA PERSPECTI VA DO I NTERESSE DOS PEE. . . . 36 CAPÍ TULO VI – I MPLI CAÇÕES PARA PORTUGAL... 39

1. Considerações Prévias. . . 39

2. Fut uras Opções Est rat égicas. . . 42

CAPÍ TULO VI I – CONCLUSÕES... 48

ANEXOS A – OS VECTORES DA GLOBALI ZAÇÃO... 51

B – O DI REI TO I NTERNACI ONAL E A NOVA ORDEM MUNDI AL... 63

(5)

D – A I NFLUÊNCI A DOS CONDI CI ONALI SMOS EXTERNOS E I NTERNOS NAS OPÇÕES POLI TI CAS NO ÂMBI TO DOS

DI FERENTES CENÁRI OS... 69 E - CONDI ÇÕES QUE I NFLUENCI AM O FUTURO DA EUROPA 70

F – POSSÍ VEI S ORI ENTAÇÕES DE ESTRATÉGI A POLI TI CA. . . 71

(6)

I NTRODUÇÃO

A Globalização é inevit ável e ir r ever sível. A const ant e mar cha em f r ent e da t ecnologia a isso conduz. Os gover nos j á não podem cont r olar o f luxo de inf or mação, o capit al j á não pode ser mant ido no int er ior das f r ont eir as.

No ent ant o, ist o não implica que o Est ado-Nação e os seus valor es int r ínsecos est ej am pr est es a desapar ecer . Como def ende o Gener al Valença Pint o1, “o Est ado-Nação não est á em cr ise, pois de out r a f or ma não se j ust if icam t odos os moviment os nacionalist as que t êm emer gido. Assim o que est á em cr ise ou modif icação, é o Est ado-Sober ano na medida em que aceit a par t ilhar poder e sober ania na or dem ext er na.”

Os Est ados cont inuar ão a r esponder à globalizaçao de dif er ent es f or mas e o modo como r espondem det er minar á o seu sucesso ou f alhanço.

Relat ivament e à f or ma como os pequenos Est ados dever ão f azer valer os seus int er esses num sist ema int er nacional mar cado pela globalização, apr esent am-se as t eses de vár ios analist as, sendo de salient ar o conceit o do Pr of . Adr iano Mor eir a de “sober ania de ser viço”.

Ef ect ivament e, com o f im da I I Guer r a Mundial iniciou-se a int er nacionalização das polít icas dos Est ados, com a cr iação de inst it uições globais como, por exemplo, a ONU. Por out r o lado, o cr esciment o de inst it uições r egionais encor aj a a “desnacionalização”2 das polít icas nacionais, sendo a União Eur opeia consider ada, pela maior ia dos analist as, como o expoent e máximo da t r ansnacionalização das polít icas.

Sendo o t eor do pr esent e t r abalho “A Globalização e o Fut ur o da Eur opa na Per spect iva do I nt er esse dos Pequenos Est ados”, t or na-se necessár io pr ocur ar per spect ivar o f ut ur o da União Eur opeia, ent endida como o quadr o de r ef er ência do f ut ur o dest a r egião.

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Dado que “o f ut ur o só a Deus per t ence” e o poder dos Pequenos Est ados Eur opeus par a exer cer em inf luência no desenvolviment o do sist ema Eur opeu é limit ado, r esolvemos adopt ar o modelo da cenar ização, o qual per mit e ident if icar desenvolviment os mais ou menos f avor áveis ao int er esse dest es Est ados.

Ao analisar mos as opções de est r at égia polít ica disponíveis par a a polít ica ext er na dos Pequenos Est ados Eur opeus e, designadament e, de Por t ugal, não pr et endemos f or necer r espost as def init ivas mas, pelo cont r ár io, pr et endemos def inir um quadr o de r ef er ência par a o debat e da posição dos Pequenos Est ados Eur opeus - e de Por t ugal - na Eur opa e no mundo.

Acima de t udo, at r avés da cenar ização pr et endemos guiar a discussão sobr e a polít ica ext er na de Por t ugal e f ocar mo-nos mais pr ecisament e no conj unt o de alt er nat ivas com que Por t ugal se def r ont a.

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CAPÍ TULO I

A GLOBALI ZAÇÃO

1. Conceit o

“Tenho uma amiga que est uda a vida comunit ár ia na Áf r ica Cent r al. Há alguns anos, visit ou pela pr imeir a vez uma r egião r emot a, onde quer ia começar a f azer t r abalhos de campo. No dia da chegada, f oi convidada par a uma f est a em casa de uma f amília local. Foi, na esper ança de descobr ir qualquer coisa sobr e a f or ma de passar o t empo daquela comunidade isolada. Em vez disso, t udo se r esumiu a ver o f ilme Basic I nst inct num vídeo. Na alt ur a, o f ilme ainda nem sequer est ava a ser exibido nos cinemas

de Londr es. ”3

A sit uação at r ás descr it a t r aduz, de uma f or ma apar ent ement e t r ivial, a r ealidade act ual, em que t odos vivemos num mundo de t r ansf or mações que af ect am quase t udo o que f azemos e que nos conduzem, de uma f or ma inevit ável e ir r ever sível, par a uma or dem global. O cont ínuo pr ogr esso t ecnológico a isso obr iga. Os gover nos j á não conseguem cont r olar o f luxo de inf or mação, com a int r odução do t elemóvel e da t elevisão por sat élit e mesmo na aldeia mais r emot a. As decisões económicas do dia- a- dia j á não podem ser decr et adas por gest or es de t opo e, muit o menos, por minist r os do planeament o, agor a que os mer cados est ão em per manent e mut ação. O mundo f inanceir o j á não pode ser dominado pelos t ecnocr at as dos bancos comer ciais agor a que qualquer pessoa pode t r ansaccionar na bolsa. O capit al j á não consegue ser mant ido no int er ior das f r ont eir as agor a que milhões de dólar es podem ser moviment ados pelo car r egar de um bot ão.

A globalização é, hoj e em dia, discut ida em quase t odos os países do mundo, quer sej a designada por globalizat ion, como no Reino Unido e Est ados Unidos, por mondialisat ion, como em Fr ança, por globalización, como em Espanha e Amér ica Lat ina ou por globalisier ung, como na Alemanha. E, apesar

dest e t er mo assumir signif icados dif er ent es consoant e o vect or a que nos r ef er imos, como ver emos

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adiant e, t er emos que aceit ar o desaf io e, a par t ir da ideia de que t r anscende o específ ico e o local, ir emos apr esent ar algumas def inições de globalização.

Assim, segundo Mar t in Albr ow4 podemos consider ar t r ês f or mulações de globalização - as quais int r oduzem vár ias nuances que f azem j us, exact ament e, à ambiguidade e complexidade de que se r evest e o t er mo, conf or me r ef er imos - nomeadament e,

“1. Tr ansf or mar ou ser t r ansf or mado em global: a. em inst âncias individuais

(1) pela act iva disseminação de pr át icas, valor es, t ecnologia e out r os pr odut os humanos por t odo o globo;

(2) quando pr át icas globais exer cem uma inf luência cr escent e sobr e as vidas das pessoas; (3) quando o globo ser ve como o cent r o de, ou a pr emissa par a moldar as act ividades humanas; (4) na mudança incr ement al ocasionada pela int er acção de qualquer uma dest as inst âncias; b. vist o como a gener alidade dest as inst âncias;

c. est as inst âncias sendo vist as abst r act ament e.

2. Um pr ocesso de t r ansf or mar ou ser t r ansf or mado em global num ou em t odos os sent idos em 1. 3. A t r ansf or mação hist ór ica const it uída pela soma de f or mas e inst âncias par t icular es de 1”

Par a Vít or Cor ado Simões5 ent ende-se “ globalização como o pr ocesso de desenvolviment o das

int er -r elações à escala mundial, em que cada país est á ligado aos out r os at r avés de uma complexa t eia de laços e acont eciment os, de t al modo que decisões e acções t endo lugar numa par t e do Mundo podem acar r et ar consequências signif icat ivas par a indivíduos ou or ganizações localizados em ár eas dist ant es.”

Rober t O Kehoane e J oseph S. Nye J r .6 par t em de um novo conceit o - globalismo - e, at r avés dest e, def inem globalização: “ Globalismo é um est ado do mundo envolvendo r edes de int er dependência a dist âncias int er cont inent ais. As ligações ocor r em at r avés de f luxos e inf luências de capit ais e mer cador ias, de inf or mações e ideias, de pessoas e f or ças, bem como de subst âncias ambient al e

4 The Global Age, pp.88

(10)

CAPÍ TULO I - A GLOBALI ZAÇÃO

biologicament e r elevant es (como chuva ácida e pat ogenes). Globalização e desglobalização r ef er em-se ao aument o ou declínio do globalismo.”

2. Caract eríst icas da Globalização

Com base nas def inições ant er ior ment e apr esent adas podemos af ir mar que a globalização pr essupõe a exist ência de duas car act er íst icas essenciais: em pr imeir o lugar , a globalização r ef er e-se a uma r ede de conexões (r elações múlt iplas) e não a ligações únicas; em segundo lugar , par a que uma r ede de r elações sej a consider ada global t er á que incluir dist âncias mult icont inent ais e não apenas r edes r egionais, ou sej a, r ef er e-se à r edução da dist ância em lar ga escala, podendo ser cont r ast ada com localização, nacionalização ou r egionalização.

Podemos, ainda, ver if icar que, se bem que f r equent ement e se f ale de globalização em t er mos est r it ament e económicos - envolvendo os f luxos a longa dist ância de bens, ser viços, capit al e da inf or mação e per cepções que acompanham a mudança do mer cado, bem como a or ganização dos pr ocessos pr odut ivos que acompanha esses f luxos - , exist em vár ias, igualment e impor t ant es, f acet as da globalização:

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def inida num quadr o mult ilat er al; com ef eit o de acor do com o Gener al Valença Pint o7, “Nas

democr acias do Ocident e a dout r ina de Segur ança e Def esa é uma dout r ina de Paz. No passado, isso f azia-se basicament e at r avés da dissuasão e da def esa quando at acados. Hoj e, (...) a dout r ina pr ocur a sobr et udo assent ar numa at it ude act iva e empenhada de busca, const r ução e consolidação da Paz. Est e é o novo par adigma. Esse é aliás um dos f undament os do valor cont empor âneo das or ganizações int er nacionais.”;

• globalização ambient al, que se r ef er e não só ao t r anspor t e a longa dist ância de mat er iais na

at mosf er a ou oceanos, ou de subst âncias biológicas como pat ogenes e mat er iais genét icos, que af ect am a saúde e o bem-est ar humanos (t emos como exemplo a disseminação por t odo o mundo do vír us da SI DA, a par t ir da Áf r ica equat or ial ocident al, desde o f inal da década de set ent a); como t ambém ao conf lit o r elat ivo a um bem escasso, não r enovável como é o pet r óleo e a ener gia e às ameaças à segur ança ambient al causadas pelas mudanças climat ér icas e pelo chamado “bur aco do ozono”; como def ende Vít or Cor ado Simões8, assist e-se a uma “Globalização das per cepções e da consciência, r esult ant e da convicção cr escent e de que vivemos num univer so onde os r ecur sos são f init os e devem ser pr eser vados, t ant o mais que er r os comet idos num det er minado moment o e lugar se podem r eper cut ir em t odo o planet a, no imediat o e/ ou no f ut ur o. O moviment o ecológico t em sido, aliás, decisivo par a r ef or çar est a consciência de cidadãos planet ár ios, a qual não pode ser desligada t ambém da ext r aor dinár ia expansão da I nt er net .”;

• globalização social e cult ur al, que envolve a moviment ação de ideias, inf or mação, imagens e pessoas

- o moviment o das r eligiões e a dif usão do conheciment o cient íf ico const it uem exemplos dest a -, t r aduzindo-se nomeadament e pelo chamado “isomor f ismo”, ist o é, a imit ação das pr át icas e inst it uições de uma sociedade por out r as.

A divisão da globalização em dimensões separ adas é inevit avelment e ar bit r ár ia, dado que sabemos que a globalização social e cult ur al int er age com out r as f or mas de globalização, dado que as act ividades

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CAPÍ TULO I - A GLOBALI ZAÇÃO

milit ar , ambient al e económica compr eendem inf or mação e ger am ideias, as quais f luir ão, por seu t ur no, at r avés das f r ont eir as geogr áf icas e polít icas. Cont udo, est a divisão é út il do pont o de vist a analít ico, dado que as mudanças nas vár ias dimensões da globalização não ocor r em simult aneament e: a globalização económica, que se manif est ou ent r e 1850 e 1914 at r avés do imper ialismo e f luxos comer ciais e de capit al, r egr ediu ent r e 1914 e 1945, enquant o f oi exact ament e nest e per íodo ent r e as duas Gr andes Guer r as que a globalização milit ar e social (a epidemia mundial de inf luenza de 1918-1919, na qual mor r er am 30 milhões de pessoas, f oi pr opagada em par t e pelos moviment os de soldados) r egist ou um f or t e incr ement o9

.

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CAPÍ TULO I I

A GLOBALI ZAÇÃO E O I NTERESSE DOS PEQUENOS ESTADOS

1. O Fut uro do Est ado- Nação

a O Poder do Est ado

O sist ema int er nacional act ual r esult a da conf r ont ação de um conj unt o de aut or idades dif usas, múlt iplas, em negociações per manent es umas com as out r as par a impor em as suas pr ef er ências. Act ualment e, est a conf r ont ação t em conduzido à vant agem das f or ças impessoais do mer cado que se t or nar am mais poder osas no sent ido da aut or idade que elas exer cem sobr e as sociedades e as economias.

Est a r elação de f or ças evoluiu ao longo das duas últ imas décadas por duas r azões pr incipais: por um lado, a aceler ação da inovação t ecnológica r evolucionou a act ividade económica e modif icou as condições da segur ança nacional; por out r o lado, as alt er ações t ecnológicas aument ar am f or t ement e o cust o do capit al par a as empr esas que manif est ar am necessidades f inanceir as cr escent es às quais os mer cados r esponder am; f inalment e, est as evoluções pr ovocar am um balanceament o da aut or idade a f avor das empr esas mult inacionais que se t or nar am inst it uições polít icas exer cendo dir ect ament e a sua aut or idade sobr e as sociedades e as economias dos Est ados.

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CAPÍ TULO I I - A GLOBALI ZAÇÃO E O I NTERESSE DOS PEQUENOS ESTADOS

De uma f or ma ger al, a sit uação é clar a, os Est ados são conf r ont ados act ualment e com out r os act or es que exer cem uma aut or idade concor r ent e, o que não signif ica o desapar eciment o dos Est ados-Nação nem o seu cont r olo pelas mult inacionais, at é por que as r elações de f or ça ent r e poder polít ico inst it uído e poder económico evoluem no t empo.

Os analist as dif er em na apr eciação do car áct er desej ável ou indesej ável da globalização, dependendo em par t e dos cenár ios sobr e a f ut ur a or dem mundial que a globalização ir á aj udar a cr iar e das per spect iva polít icas que enf or mam as suas análises.

Alguns analist as f ocalizam-se nos benef ícios da globalização em t er mos do bem-est ar , out r os f ocalizam-se na sua inequidade e nas per spect ivas de mar ginalização de um lar go númer o de pessoas e Est ados, out r os no desaf io que a globalização coloca a um sist ema int er nacional baseado na sober ania do Est ado t er r it or ial e out r os, ainda, est ão mais esper ançados em r elação à r esist ência do Est ado e às per spect ivas da gover nação global est ar à alt ur a do desaf io de guiar a globalização em dir ecções compensador as.

Assim, segundo alguns analist as, ao longo das últ imas décadas o balanço t em sido desf avor ável aos Est ados, sendo que uma par t e do poder per dido não f oi t r ansf er ido par a out r os act or es bem def inidos, “cr iando no sist ema int er nacional zonas de não-aut or idade (ungover nance)”10. Exist e ainda, por out r o

lado, uma assimet r ia cr escent e ent r e os Est ados na sua capacidade de poder ger ir a sua economia e a sua sociedade, ent r e os Est ados mais poder osos e os menos poder osos, que conduzir á à mar ginalização de lar go númer o de pessoas e Est ados.

De qualquer modo, a quest ão mais impor t ant e que se coloca é sobr e a viabilidade de um sist ema mundial car act er izado por um conj unt o de aut or idades dif usas, múlt iplas e onde os espaços não submet idos a uma r egulament ação est at al são cada vez mais numer osos, sendo as ár eas mais cr ít icas o sist ema f inanceir o e a ausência de aut or idade par a r egular a expansão do cr édit o ao nível mundial, as

10 Susan St r ange, The Ret r eat of t he St at e: t he Dif f usion of t he Power in t he Wor ld Economy, cit ada por Chr ist ian Chavagneux, Les

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act ividades t r ansf r ont eir iças das inst it uições f inanceir as e as pr át icas cr iminais que aí t êm ganho impor t ância.

De uma f or ma ger al, par a os def ensor es dest a t ese, com a f r aqueza dos Est ados é o cont r olo democr át ico do mundo que est á em j ogo: f alt a hoj e em dia um cont r a-poder ao poder dos mer cados, podendo os moviment os cívicos t r ansnacionais const it uir uma r espost a.

No ent ant o, par a out r os analist as, a cont inuação da r ápida globalização, aliment ada por r evoluções t ecnológicas, dever á cont inuar , sem que a capacidade, pelo menos dos Est ados r icos, de cont r olo polít ico e económico sej a af ect ado. Com ef eit o, se bem que um mundo em que as f r ont eir as se esbat em se apr esent e como um desaf io ao Est ado t er r it or ial, os Est ados ainda dominam e gover nam as inst it uições e leis que modelam as mudanças na economia mundial. Os Est ados per manecem a maior unidade polít ica mundial e est es obser vador es consider am que o poder do Est ado é mais f or t e do que nunca, mesmo numa er a de int er dependência global que t em f or çado os Est ados a r eor ganizar em-se a eles pr ópr ios par a ger ir em mais ef icazment e as t r ansacções int er nacionais.

Numa época em que, em par alelo ao pr ocesso de globalização, at inge uma dimensão igualment e signif icat iva o pr ocesso de f r agment ação polít ica e cult ur al, o Est ado apar ece como o pont o cent r al de conf luência dest as duas f or ças opost as, que cr iam uma sit uação complexa em que o Est ado vê diminuída a sua aut onomia em t r ês f r ent es: global, r egional e int er na. Os r iscos diver sif icam-se e os meios par a lhes f azer f r ent e nem sempr e são ident if icáveis e, daí, a pr of usão de conceit os de segur ança e, sobr et udo, a r eadapt ação dos exér cit os e do possível uso da f or ça.

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CAPÍ TULO I I - A GLOBALI ZAÇÃO E O I NTERESSE DOS PEQUENOS ESTADOS

obr igar á o Est ado a f azer uso do exér cit o par a enf r ent ar pr oblemas int er nos de or dem pública, f r equent ement e de car áct er social.

No ent ant o, as f or ças ar madas, chamadas a act uar como f or ças de polícia e a ent r ar no j ogo polít ico, não const it uem, pela sua pr ópr ia nat ur eza, o inst r ument o idóneo par a f azer f ace a uma nat ur al cr ise gover nament al a qual poder á degener ar numa ver dadeir a cr ise exist encial do Est ado: subver são da or dem pública, separ at ismo, oposição or ganizada ao r egime polít ico, et c.

Est as const it uem, simult aneament e, o r isco ext er no por excelência dos países desenvolvidos e o r isco int er no por nat ur eza dos países menos desenvolvidos. As or ganizações int er nacionais de def esa não possuem mecanismos ef icazes par a o seu cont r olo e, pelo cont r ár io, impõem sever as limit ações ao uso da f or ça que são inaceit áveis par a Est ados que r equer em a sua ut ilização no int er ior das suas f r ont eir as.

b O Nacionalismo

O nacionalismo const it ui uma das ameaças int er nas à est abilidade do Est ado e desenvolve-se nor malment e em par alelo com a globalização, sendo car act er izado pelo seu car áct er t r ibal em sent ido genér ico e o seu r ecur so f r equent e à violência.

Se bem que se possa ar gument ar que o f enómeno nacionalist a est á na or igem da cr ise do Est ado-Nação, da sua ident idade e valor es, o cer t o é que mais do que causa é consequência. Os nacionalismos não t er iam espaço vit al se o Est ado não demonst r asse debilidades na sua ut ilidade e f uncionament o int er no e ext er ior . De f act o, o pr oblema est á r elacionado com a globalização: o menor r elevo do Est ado na sociedade int er nacional, os gr aus cr escent es de democr acia int er na a t odos os níveis, com a consequent e t r ansf er ência de poder , acabam por r eduzir a impor t ância do Est ado.

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Out r a f or ma de nacionalismo é o nacionalismo supr aest at al, designadament e a def esa de âmbit os polít icos e cult ur ais supr anacionais. Est e nacionalismo e a sua ínt ima r elação com os int er nos põe em r elevo a est r eit a conexão ent r e nacionalismo e globalização. Um e out r o pr ovocam pr oblemas de segur ança dist int os mas par alelos.

No que diz r espeit o ao nacionalismo inf r aest at al, ou sej a, os moviment os que r eclamam especif icidades de algum t ipo (cult ur ais, hist ór icas, ét nicas ou de out r o géner o), põem em causa a exist ência pr esent e ou f ut ur a do Est ado, o pr oblema básico de or dem int er na que colocam é o debilit ament o da consciência nacional ou de comunidade, o que t em implicações sobr e a imagem do exér cit o e sua ut ilidade.

Por seu t ur no, o nacionalismo supr aest at al pr ovoca t ensões dist int as mas de consequências similar es, ao t r anspor t ar civilizações e cult ur as da per if er ia par a o cent r o da at enção int er nacional, pr ocur ando dividir o mundo em vast as ár eas cult ur ais af ins, onde a per cepção de segur ança do Est ado se t or na um inimigo pot encial delimit ado. Simult aneament e, a ideia de uma ameaça global leva à f or mação de alianças, f or mais (como é o caso da NATO, que pr est a uma at enção cr escent e ao f enómeno do f undament alismo) ou não, que pr et endem gar ant ir a est abilidade ou a segur ança.

A ideia de que a def esa não depende de si pr ópr io e a exist ência de pot ências maior es nas alianças e coligações diminuem a consciência de def esa e r eduzem a conf iança deposit ada no Est ado, f act o que benef icia os nacionalismos inf r aest at ais.

c A Polít ica de Def esa

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CAPÍ TULO I I - A GLOBALI ZAÇÃO E O I NTERESSE DOS PEQUENOS ESTADOS

Est a nova sit uação conduziu à pr opost a de r ef or mulação da polít ica de def esa no sent ido da pr ot ecção civil, com menor es cust os e mais ef icaz f r ent e a ameaças limit adas, f ace aos sist emas def ensivos de dissuasão nuclear .

Não nos devemos, cont udo, esquecer , como def ende Adr iano Mor eir a11, “que não há economia de

mer cado sem segur ança, est a não é uma despesa a pagar pelo pr odut o, mas sim um invest iment o, por que sem segur ança não há pr odut o”.

Por out r o lado, o alar gament o da economia de mer cado não implica necessar iament e a est abilidade e a democr acia, pois o avanço t ecnológico e económico não gar ant em, por si só, nem a democr acia nem o desenvolviment o, nomeadament e pelas sequelas que acar r et am em t er mos de inj ust iça e desigualdade.

È, ainda, evident e a r ej eição que sof r em os valor es democr át icos nalgumas r egiões, com r eacção ao f enómeno globalizador , designadament e at r avés de ext ensão mer ament e f or mal do modelo democr át ico, em que sem gar ant ias de dir eit os const it ucionais o sist ema de eleições per iódicas apenas legit ima gover nos aut or it ár ios.

O conj unt o de sit uações ant er ior ment e descr it as, par a além do int enso pr ocesso de globalização e seu impact o sobr e o Est ado-Nação ant er ior ment e r ef er ido, pr ovocam t ensões que conduzem à violência. I mpor t a, no ent ant o, dist inguir dois modelos de Est ados quando f alamos sobr e o uso da f or ça: os Est ados desenvolvidos e os em vias de desenvolviment o.

Quant o aos pr imeir os, sendo r econhecida a pouca ut ilidade do uso da f or ça par a a r esolução de conf lit os na sua maior ia económicos e não est r it ament e polít icos, t êm r est r ingido f or t ement e o seu uso a acções de polít ica int er nacional ou de car áct er humanit ár io.

Em cont r apar t ida, no espaço geogr áf ico em vias de desenvolviment o, o uso da f or ça t em-se mant ido como um inst r ument o f undament al em t er mos de polít ica ext er na e int er na: os pr oblemas f r ont eir iços e de minor ias, as r ivalidades r egionais e a pr ocur a de pr ot agonismo int er nacional conduzem a um uso da f or ça ar mada e, por vezes, nuclear .

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Est a dif er ença de compor t ament o e per cepção da r ealidade é, pois, t r anspor t ada par a as polít icas de def esa.

2. O I nt eresse dos Pequenos Est ados

Numa época em que os agent es das r elações int er nacionais não são necessar iament e Est ados, nem sequer são f acilment e ident if icáveis, a quest ão do int er esse dos pequenos Est ados t em como pr essupost o lógico que sej a possível adopt ar um conceit o oper acional que per mit a lidar com a incer t a hier ar quia das pot ências.

Par a isso, o debat e não pode f icar conf inado aos sect or es da polít ica e das f or ças ar madas, por que é necessár io aut onomizar e int er -r elacionar ár eas da polít ica económica, da sociologia int er nacional e das ident idades cult ur ais. Com ef eit o, a compet ição subor dinada à r elação ent r e as capacidades milit ar es per deu a exclusividade e a hier ar quia das pot ências var ia em r elação às r ef er idas ár eas que se aut onomizar am e f izer am sur gir hier ar quias aut ónomas.

Assim, segundo Adr iano Mor eir a12, “enquant o a Or dem dos Pact os Milit ar es assegur ou at é 1989 a paz inst ável mas dur adour a no sect or do conf lit o ar mado, f oi na ár ea económica que se desenvolveu a compet ição de que f or am agent es os EUA, a União Eur opeia com r elevância par a a Alemanha, o Pacíf ico com pr ot agonismo pr incipal dos Dr agões e do J apão. O f enómeno da deslocalização que af lige o espaço eur opeu e suscit a a def esa económica amer icana cont r a a invasão do seu espaço, o ef eit o alar mant e do desempr ego e t odas as demais consequências da inst abilidade social, ident if icam uma unidade ou ár ea de indiscut ível r isco aut ónomo.”

A deslocalização das empr esas t or na possível que a r iqueza de um Est ado r esult e da máxima ef iciência pr odut iva, com base numa economia que assent a em f act or es de pr odução móveis, quer pelo apoio à act ividade das empr esas nacionais no ext er ior quer pelo incent ivo ao invest iment o dir ect o est r angeir o no seu t er r it ór io, conduzindo ao conceit o de Rosecr ance de Est ado Vir t ual13, no qual “Não

12 Em Est udos da Conj unt ur a I nt er nacional, pp. 181

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CAPÍ TULO I I - A GLOBALI ZAÇÃO E O I NTERESSE DOS PEQUENOS ESTADOS

há por t ant o uma r elação de causa-ef eit o ent r e a dimensão f ísica (ár ea ou população) e o poder io económico. E casos como Hong Kong e Singapur a são cit ados como demonst r ando abundant ement e essa nova evidência.”14

Além disso, como def ende o Gener al Luís Valença Pint o15, “A pr osper idade não t em hoj e uma

cor r espondência biunívoca com a posse de muit os r ecur sos mat er iais e passou a r evelar uma muit o maior dependência do capit al humano, f azendo assim r essalt ar a impor t ância vit al da educação e da f or mação. Est e aspect o, conj ugadament e com uma menor suj eição aos limit es f ísicos das suas f r ont eir as, t em vindo a per mit ir que Est ados pequenos e despr ovidos de muit as e valiosas mat ér ias-pr imas, mas com gent e bem ias-pr epar ada, est ej am a t r ansf or mar o seu f ut ur o, alcançando níveis muit o elevados de pr osper idade e um peso int er nacional que ult r apassa lar gament e o peso r elat ivo da sua ár ea ou da sua população.”

Por out r o lado, devido ao f enómeno est r ut ur al de pulver ização das f r ont eir as, f r ut o da t eia cr escent e de dependências e int er dependências r egionais e mundiais, a cada r isco aut ónomo não cor r esponde necessar iament e o t r açado de uma f r ont eir a específ ica, mas est e t r açado t or na-se complexo par a t odos os países, af ect ando-os, no ent ant o, de acor do com a sua posição na hier ar quia dos Est ados. Com ef eit o, gr andes países como os EUA, a Rússia, a China, a União I ndiana e a I ndonésia par ecem menos af ect ados no que r espeit a à consciência da sober ania clássica e da f r ont eir a, enquant o a gener alidade dos duzent os Est ados exist ent es t em a exper iência da diluição da f r ont eir a geogr áf ica e da per t ença a uma var iedade de gr andes espaços que cor r espondem a out r as t ant as f r ont eir as dif er enciadas.

Assim, o conceit o de f r ont eir a dever á ser r edef inido, a f im de abr anger os vár ios t r açados decor r ent es da plur alidade de gr andes espaços em que os países, sobr et udo os pequenos, est ão envolvidos, exigindo um esf or ço de coor denação dos vár ios int er esses est r at égicos, por vezes cont r adit ór ios.

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Nesse sent ido, “se t enho mult iplicidade de f r ont eir as, t enho que t er uma diplomacia apr opr iada a est a mult iplicidade de f r ont eir as, uma nova diplomacia que t em que var iar em f unçaõ da f r ont eir a que est iver em causa”16.

Como exemplo t emos o caso por t uguês, cuj a f r ont eir a geogr áf ica f oi alt er ada desde a década de 60 e sof r eu um pr ocesso de t r anspar ência com a adesão à ent ão Comunidade Eur opeia, t em uma f r ont eir a milit ar que coincide com a NATO, a económica def inida pela UE e uma f r ont eir a cult ur al que se t r aduz na Comunidade dos Povos de Língua Por t uguesa (CPLP).

Assim, Por t ugal dever á “af inar o seu apar elho diplomát ico em t er mos de est ar pr esent e nos or gãos int er nacionais de diálogo, cooper ação e decisão e t em que af inar uma diplomacia par a def ender uma mult iplicidade de f r ont eir as onde os seus int er esses podem ser af ect ados”17.

De f act o, a ident if icação dos poder es dos pequenos Est ados, f eit a em r elação a cada uma das ár eas específ icas de r isco, exige uma avaliação das vár ias balanças de poder que cor r espondem às vár ias f r ont eir as em que est ão envolvidos.

A quest ão básica par a os pequenos Est ados, que possuem um poder de númer o, um poder de clamor int er nacional, um poder de incómodo, é a de não deixar t r ansf or mar as int er dependências em dependências e a segunda quest ão é a de, f ace ao desej o dos gr andes países de r egr essar em a uma espécie de dir ect ór io mundial em r espost a ao globalismo act ual, os pequenos Est ados quer er em est ar pr esent es e int er venient es nas or ganizações int er nacionais a que cor r esponde um f eder alismo f uncional - no sent ido de os Est ados não r enunciar em à sober ania mas f icar em impedidos de a exer cer , sem dist inção de hier ar quia, como é o caso da UNESCO - em que o poder do númer o possa cont r abalançar o legado ocident al pr esent e, por exemplo, no Conselho da ONU.

Tir ando par t ido da exper iência que est e últ imo const it ui, devem as pequenas pot ências quer er , em pr imeir o lugar , t er sempr e pr esença nas or ganizações int er nacionais de consult a, coor denação e decisão, par a ser em par t e nas polít icas comunit ár ias de cada gr ande espaço, par a est ar em pr esent es na

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CAPÍ TULO I I - A GLOBALI ZAÇÃO E O I NTERESSE DOS PEQUENOS ESTADOS

execução delas, par a event ualment e def ender em, nessa int er nacionalização par t icipada, a sua aut onomia e a gar ant ia de um espaço de int er venção. Como def ende Adr iano Mor eir a, “quando t emos um sist ema equilibr ado, os pequenos países gar ant em a sua int egr idade quando par t icipam com aut ent icidade e com f iabilidade no f uncionament o do sist ema”18.

Par a f inalizar , apr esent ar emos o caso por t uguês19:

1. Mudança aceler ada da f r ont eir a geogr áf ica nest e século, passando da f r ont eir a eur ocênt r ica e mult icont inent al, ant er ior à Segunda Guer r a Mundial, par a a f r ont eir a conf lit uosa da década de sessent a, e f inalment e par a o r egr esso, em 1975, à f r ont eir a eur opeia or iginár ia.

2. A evolução da segur ança no Medit er r âneo inclina-se par a consider ar Mar r ocos como uma f r ont eir a geogr áf ica.

3 Não apenas a f r ont eir a geogr áf ica f oi obj ect o do pr ocesso de t r anspar ência que car act er iza a União Eur opeia, como se mult iplicam as f r ont eir as de out r a nat ur eza, designadament e económica e polít ica (União Eur opeia), de segur ança (NATO), cult ur al (Comunidade de Países de Língua Por t uguesa).

4. A f r ont eir a polít ica ser á um conceit o int egr ador dest a plur alidade de f r ont eir as, que limit am espaços com conceit os est r at égicos dif er enciados.

5. A pr esença act iva nos or gãos gest or es de cada espaço é um imper at ivo decor r ent e do obj ect ivo de evit ar que a int er dependência evolua par a dependência.

6. O espaço cult ur al é o que cor t a t r ansver salment e t odos os out r os, e pot encia a conver gência de at it udes nos or gãos de gest ão global, como a ONU e as agências especializadas.

7. A indispensável pr esença nos espaços de segur ança milit ar est á a t ender par a f unções qualit at ivament e signif icat ivas e f inanceir ament e menos gr avosas.

18 Em ent r evist a ao aut or

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8. Talvez o conceit o de sober ania de ser viço20 r elacionado com o f eder alismo f uncional sej a o que

cor r esponde à dist r ibuição de papéis ent r e os Est ados, de acor do com a sua posição na hier ar quia das pot ências.”

20 Segundo Adr iano Mor eir a, op. cit . , pp 256, “(...) a noção de sober ania de ser viço pode cor r esponder ao conceit o oper acional exigido pela

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CAPÍ TULO I I I

A GLOBALI ZAÇÃO E AS ORGANI ZAÇÕES I NTERNACI ONAI S

1 As Organizações Não- Governament ais e I nt ergovernament ais

A supr emacia do Est ado na condução da polít ica mundial t em sido bast ant e ameaçada dado que, de uma f or ma cr escent e, os assunt os int er nacionais são inf luenciados por or ganizações que t r anscendem as f r ont eir as nacionais - or ganizações int er nacionais univer sais como as Nações Unidas e or ganizações r egionais como a União Eur opeia. Com âmbit os de act ividade e obj ect ivos diver sos, est es act or es desempenham papéis independent es e exer cem uma inf luência global cr escent e21.

Exist em dois t ipos pr incipais de or ganizações int er nacionais: or ganizações int er gover nament ais (OI ’s) em que os seus membr os são Est ados; or ganizações não gover nament ais (ONG´ s) em que os seus membr os são indivíduos e gr upos pr ivados.

As ONG’s abar cam f uncionalment e quase t odas as f acet as da moder na act ividade polít ica, social e económica num mundo globalizado cr escent ement e sem f r ont eir as, indo desde os cuidados de saúde à cult ur a, ét ica, segur ança e def esa.

Tor na-se út il pensar nas ONG’s como or ganizações int er societ ár ias que aj udam a pr omover acor dos ent r e Est ados em assunt os de polít ica int er nacional pública. Muit as ONG’s int er agem f or malment e com OI ’s.

Quant o às OI ´ s, são def inidas pelo seu car áct er de per manência e pr ocediment os inst it ucionais e as suas act ividades cooper at ivas abr angem t odo um conj unt o de aspect os globais: comér cio, def esa, desar mament o, desenvolviment o económico, dir eit os humanos, dr oga , t ur ismo, ambient e, cr ime, aj uda humanit ár ia, t elecomunicações, ciência, globalização, imigr ação, r ef ugiados, et c.

21 A f im de r egulament ar as int er acções ent r e as OI ’s e os gover nos bem como as r elações ent r e est es, sur ge o dir eit o int er nacional público.

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Se bem que mais de 96% de t odas as or ganizações t r ansnacionais sej am não gover nament ais, os r est ant es 4% são mais impor t ant es dado que os seus membr os são Est ados.

A maior ia das OI ’s dedica-se a um campo limit ado de act ividades cuj os obj ect ivos são nor malment e económicos e sociais, como a gest ão do comér cio, t r anspor t es e out r o t ipo de cooper ação f uncional. Nest e sent ido, as OI ’s são agent es bem como r ef lexos da int er dependência global social e económica ger ada pela expansão das act ividades t r anscendendo as f r ont eir as nacionais.

Por out r o lado, os j ogos de pr essão ent r e Est ados individuais e gr upos de Est ados a que assist imos nas Nações Unidas são sugest ivos de um pr incípio base - as OI ’s são dir igidas pelos Est ados que as compõem. Est e f act o inibe ser iament e as OI ’s de se sobr epor em à compet ição ent r e Est ados e pr osseguir em os seus obj ect ivos de uma f or ma independent e. Com ef eit o, dado que não podem act uar aut onomament e e lhes f alt a a legit imidade e capacidade par a uma gest ão global independent e, as OI ’s são vist as mais como inst r ument os das polít icas ext er nas dos Est ados e campos par a debat e do que act or es independent es.

Quando os Est ados dominam as or ganizações int er nacionais, como é o caso da ONU, as per spect ivas par a a cooper ação int er nacional diminuem pois os Est ados t ipicament e r esist em a quaisquer acções or ganizacionais que compr omet am os seus int er esses vit ais. Est a sit uação limit a a capacidade das OI ’s no pr ocesso de t omada de decisão mult ilat er al par a planear a mudança global.

Em oposição, sur ge-nos a sit uação em que a cooper ação ent r e Est ados poder osos é possível e as or ganizações int er nacionais aj udam a consegui-la, como no caso da União Eur opeia.

2. A União Europeia (UE)

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CAPÍ TULO I I I - A GLOBALI ZAÇÃO E AS ORGANI ZAÇÕES I NTERNACI ONAI S

Eur opa (OSCE), adicionalment e à NATO, como inst it uições r egionais de par ceir os Eur opeus iguais, livr e de linhas divisór ias, dest inadas a ger ir a segur ança r egional e a pr omover os dir eit os humanos das minor ias at r avés da democr at ização. Nest a r ede de OI ’s Eur opeias que se sobr epõem, a UE apesar de t udo é pr oeminent e como o pr incipal exemplo global de uma inst it uição r egional poder osa.

Com ef eit o, alguns analist as (os liber ais) r ecomendam a cr iação de or ganizações int er nacionais como um dos caminhos par a a paz. At r avés da int egr ação polít ica, def inida como o pr ocesso ou o pr odut o dos esf or ços par a const r uir comunidades polít icas ou inst it uições supr anacionais novas que t r anscendam o Est ado, pr et ende-se r emover os incent ivos dos Est ados par a a guer r a e planear pr ogr amas de r ef or mas par a t r ansf or mar as inst it uições int er nacionais de inst r ument os dos Est ados em inst r ument os sobr e eles.

Ao cont r ár io do f eder alismo mundial, que const it ui uma apr oximação à int egr ação baseada na f usão de Est ados ant er ior ment e sober anos numa única união f eder al, o f uncionalismo “pr ocur a const r uir a “paz aos pedaços”, at r avés de or ganizações t r ansnacionais que enf at izam a “par t ilha da sober ania” mais do que a sua cessão”22.

O neof uncionalismo pr opõe-se aceler ar os pr ocessos conducent es a novas comunidades supr anacionais ao pr oposit adament e empur r ar par a a cooper ação em ár eas polit icament e cont r over sas, ao cont r ár io de as evit ar . Def ende a aplicação de pr essão polít ica em alt ur as de decisão cr uciais a f im de per suadir os oponent es dos maior es benef ícios de f or mar uma comunidade alar gada ent r e membr os nacionais ant er ior ment e independent es.

A Eur opa Ocident al é um exemplo pr oeminent e da aplicação dos pr incípios neof uncionalist as no desenvolviment o de uma comunidade polít ica int egr ada.

Dur ant e uma única ger ação, a cooper ação no int er ior das f r ont eir as Eur opeias pr ogr ediu no sent ido de um único mer cado económico Eur opeu com uma moeda única e no sent ido da pr omessa de uma Eur opa polit icament e int egr ada na inst it uição f or mal r egional conhecida como União Eur opeia (UE).

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Os Est ados da UE, no ent ant o, empenhar am-se em cooper ar não soment e na ár ea f inanceir a e económica mas t ambém na def esa e polít ica ext er na, com endosso da Polít ica Ext er na e de Segur ança Comum (PESC).

Não obst ant e est es obj ect ivos ambiciosos, o pr ogr esso no sent ido da int egr ação plena t em-se r evelado dif ícil. Não é clar o que o sonho de uma ver dadeir a unidade Eur opeia numa conf eder ação muit o mais alar gada que inclua a Eur opa de Lest e e que compr eenda vint e e seis países em 2010 se t or ne uma r ealidade.

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CAPÍ TULO I V

A GLOBALI ZAÇÃO E O FUTURO DA EUROPA

1. A I mport ância da Europa no Fut uro dos Pequenos Est ados Europeus (PEE)

A UE inst it ucionaliza uma consider ável int er dependência.

Com ef eit o, se, no que diz r espeit o às gr andes pot ências, nenhum país é suf icient ement e gr ande par a dominar a t ot alidade da UE (a Alemanha, por exemplo, soment e r epr esent a um quar t o da população de UE), em r elação aos PEE, a cr escent e int er dependência das polít icas nacionais f ace ao que sucede nos out r o países cr ia a necessidade de uma r ede polít ica t r ansnacional, pelo que “os polít icos em muit os dos países pequenos da Eur opa lêem r egular ment e j or nais est r angeir os como o “Financial Times”, o “Le Monde”, e o “The Economist ”. Quando a impr ensa r elat a ideias int er essant es, os especialist as polít icos quer em saber mais - e ist o só se consegue sendo (ou cr iando) uma r ede polít ica que possa t r anspor t ar a inf or mação at r avés das f r ont eir as nacionais no int er ior da Eur opa”23.

A cenar ização que se ir á apr esent ar baseia-se no pr essupost o de que a or ient ação da polít ica ext er na dos PEE, nos quais Por t ugal se inclui, ser á det er minada pr imar iament e por alt er ações nas r elações no int er ior do sist ema dos Est ados Eur opeus e, t ambém, pelos desenvolviment os nas r elações ent r e a União Eur opeia e o r est o do mundo.

Ao longo dos últ imos anos o meio envolvent e no âmbit o do qual a polít ica ext er na e de segur ança dos PEE se f or mou mudou subst ancialment e.

At é ao f inal da década de 80, os int er esses de segur ança daqueles Est ados er am conf or t avelment e salvaguar dados pela Aliança At lânt ica enquant o os int er esses económicos er am assegur ados pelos acor dos económicos e inst it ucionais da ent ão Comunidade Eur opeia. O envolviment o dos EUA na Eur opa er a não só uma gar ant ia de est abilidade e de int egr idade t er r it or ial mas t ambém ser via de cont r apeso a event uais aspir ações ao poder dos pr incipais Est ados da Eur opa Ocident al. A est r ut ur a supr anacional

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do Mer cado Comum of er ecia um campo de act uação que er a (e ainda é) de impor t ância cr ucial par a países de pequenas economias aber t as como é o caso de Por t ugal. Consequent ement e, num ambient e ext er no r elat ivament e est ável, a NATO e a UE const it uíam os pont os de r ef er ência nat ur ais par a os PEE.

Como vimos ant er ior ment e, o mundo t em mudado dr amat icament e nos últ imos anos, em que o sist ema int er nacional bi-polar deu lugar a um modelo de r elações de poder menos polar izado que acar r et a r iscos de segur ança mais dif usos quer no int er ior quer no ext er ior da Eur opa. Os EUA cont inuam compr omet idos com a segur ança do cont inent e Eur opeu, mas na ausência de uma União Soviét ica a posição da Eur opa Ocident al nos int er esses geo-est r at égicos Nor t e-Amer icanos f oi alt er ada. Como r esult ado, exist e o r isco de a Eur opa e os EUA se separ ar em gr adualment e, pelo que as maior es pot ência Eur opeias podem sent ir -se t ent adas a opt ar por um per f il de segur ança mais elevado, quer no int er ior da Eur opa quer no mundo em ger al.

Por out r o lado, r egist ar am-se, t ambém, como j á vimos, impor t ant es alt er ações no ambient e global. Se bem que os EUA sej a ainda o líder mundial inquest ionável, o sur giment o de novas gr andes pot ências (par a além dos EUA e Eur opa, o J apão, a China e, pr ovavelment e, a Rússia, a Í ndia e os NPI - Novos Países I ndust r ializados) conduz à emer gência de um sist ema int er nacional mult ipolar .

Assim, sur ge-nos a quest ão de qual o f ut ur o meio envolvent e em que as or ganizações ant er ior ment e r ef er idas - a NATO e a UE - f uncionar ão e se cont inuar ão a const it uir o pr incipal f ar ol par a a polít ica ext er na dos PEE:

• exist ir á uma Eur opa car act er izada por r elações mais ant agónicas ent r e as pr incipais pot ências

Eur opeias que af ect ar ão negat ivament e os int er esses dos PEE?

• ser á uma Eur opa suj eit a a uma f r agment ação quer económica quer polít ica, que ocupar á uma

posição ainda mais mar ginal?

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CAPÍ TULO I V - A GLOBALI ZAÇÃO E O FUTURO DA EUROPA

• signif icar á ist o um passo decisivo no sent ido da emer gência de uma comunidade de segur ança

Eur opeia na qual a guer r a ent r e os seus membr os se t or nou inconcebível?

Est as quest ões não se podem dissociar dos desenvolviment os ent r e a Eur opa (pr edominant ement e Ocident al) e o r est o do mundo, par t icular ment e os EUA e a nova Ásia.

Apesar da queda do mur o de Ber lim j á t er onze anos, ainda não exist em r espost as concr et as a est as quest ões. Pelo cont r ár io, a cr ise f inanceir a que se espalhou da Ásia par a as out r as par t es do mundo, conj unt ament e com a per sist ent e inst abilidade na Rússia, sublinham a act ual sit uação de globalização e incer t eza no mundo.

Par ece-nos, no ent ant o, evident e que o desenvolviment o das r elações ent r e as pot ências Eur opeias, as suas r elações com os EUA e o pr ogr esso adicional no pr ocesso de int egr ação Eur opeia se r evest ir ão de impor t ância cr ucial par a a or ient ação dos PEE e as opções de que dispõem nas ár eas das polít icas ext er na e da segur ança.

Assim, pr et ende-se analisar as opções exist ent es par a os PEE nas vár ias conf igur ações de r elações pr ováveis na Eur opa as quais, f ace à incer t eza r elat ivament e à f ut ur a f or ma do sist ema Est at al Eur opeu e ao lugar que ir á ocupar num cont ext o global, só poder ão ser t r at adas convenient ement e na base de cenár ios.

Com ef eit o, de acor do com Alast air Buchan24, “O único f act o sobr e o f ut ur o que alguém pode pr ever

com segur ança é o avanço do t empo”.

Cada um dos cenár ios é uma t ent at iva de f or necer uma imagem coer ent e de uma alt er nat iva possível par a o f ut ur o polit ico-económico da Eur opa e cada um deles coloca dif er ent es dilemas polít icos.

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2. A Europa e a Polít ica Ext erna dos PEE

A Eur opa25 t em vindo a t or nar -se cada vez mais o quadr o de r ef er ência par a a polít ica ext er na dos PEE pelas seguint es r azões:

• O gr au de int egr ação das economias dest es países na UE, que r ecent ement e se viu aument ado pelo

alar gament o com os países da EFTA (Eur opean Fr ee Tr ade Agr eement - Acor do de Comér cio Livr e Eur opeu), pela aber t ur a aos países da Eur opa Cent r al e de Lest e e, pr incipalment e, pela adopção da moeda única, que t or na o dest ino económico dest es países ainda mais dependent e dos desenvolviment os e polít icas nos out r os países-membr os da UE.

• A cont inent alização da or ient ação de segur ança dos PEE no f inal da Guer r a Fr ia, como

consequência da mudança da sit uação de segur ança no cont inent e Eur opeu após os acont eciment os de 1989 e as consequent es alt er ações na r elação ent r e a Eur opa e os EUA. Face a uma posição mais r est r it iva por par t e dos EUA, no cont ext o da int egr ação Eur opeia, maior impor t ância t em vindo a ser at r ibuída à quest ão da segur ança, quer sej a vist a em t er mos de uma pr ovisão de segur ança Eur opeia aut ónoma ou em t er mos de par t icipação na NATO. Par cialment e como r esult ado dest a sit uação, os maior es Est ados-membr os da UE t êm alcançado maior espaço de manobr a no campo da segur ança.

• A inf luência dos PEE na r elações globais ou em r elações com ent idades não Eur opeias é exer cida

cada vez mais indir ect ament e at r avés da UE. Est a sit uação aplica-se par t icular ment e em r elação à polít ica de comér cio ext er no e monet ár ia, mas no f ut ur o aplicar -se-á cr escent ement e aos assunt os macr oeconómicos. Nas ár eas onde a polít ica ext er na não se t enha ainda “Eur opeizado”, os PEE def r ont ar -se-ão cada vez mais com acor dos em que um clube select o de Est ados-membr os Eur opeus r epr esent ar ão a Eur opa nas r elações int er nacionais.

• A “or ient ação Eur opeia” dos PEE adequa-se bem no cont ext o, ant er ior ment e analisado, da

r egionalização das r elações int er nacionais, do qual o pr ópr io pr ocesso de int egr ação Eur opeu é o

25 Consider a-se Eur opa não soment e a UE mas o sist ema Eur opeu de Est ados e os desenvolviment os que t êm lugar no int er ior dest a

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CAPÍ TULO I V - A GLOBALI ZAÇÃO E O FUTURO DA EUROPA

seu maior expoent e. Dado est e desenvolviment o, a UE, incluindo a sua per if er ia, const it ui o quadr o nat ur al de r ef er ência par a a polít ica ext er na dos PEE.

Finalment e, impor t a salient ar que a capacidade dos PEE alcançar em qualquer obj ect ivo de polít ica ext er na isoladament e não dever á ser sobr eest imado, est ando muit o f r equent ement e f or t ement e dependent e dos seus par ceir os.

Por seu t ur no, o poder dos PEE par a exer cer em inf luência subst ancial no desenvolviment o do sist ema Eur opeu é igualment e limit ado.

Est a é uma r azão adicional par a se ut ilizar o mét odo da cenar ização, que per mit e ident if icar desenvolviment os que, j ulgados do pont o de vist a dos int er esses dos PEE, são mais ou menos f avor áveis.

3. Os Cinco Cenários em 202026

a A Europa sob Tut ela

A UE r egist a um maior apr of undament o no campo económico e monet ár io. Mas após a Cimeir a de Amst er dão (em J unho de 1997), que demonst r ou uma f alt a de pr ogr esso na cooper ação e int egr ação no campo das polít icas de segur ança e def esa, não ser ão r ealizados novos esf or ços par a desenvolver uma ident idade pr ópr ia da UE em t er mos de segur ança e def esa.

Nest a ár ea, a Eur opa Ocident al per manece subor dinada aos EUA que é o líder indisput ado e, apesar do envolviment o dos Amer icanos em assunt os de segur ança se t enha t or nado mais select ivo, a Eur opa Ocident al per manece um act ivo est r at égico.

Assim, desenvolve-se uma cer t a divisão do t r abalho ent r e a UE e os EUA no campo da segur ança e def esa, na qual a UE, mat er ialment e dependent e da NATO e na base de um f r aco acquis, assume a sua

26 Est a cenar ização, com base no est udo de Hans Labohm, J an Rood e Alf r ed van St at en, op. Cit ., assent a em duas dimensões do sist ema

int er nacional(ver Anexo C): a pr edominância dos aspect os e pr eocupações económicas ver sus a pr edominância dos aspect os e pr eocupações de segur ança nas r elações int er nacionais; a adicional int egr ação das unidades polít icas (Est ados e/ ou r egiões) no sist ema int er nacional ver sus f r agment ação onde blocos e Est ados se t or nam mais isdlados uns dos out r os.

As dif er ent es car act er íst icas dos cenár ios são concebidas em t er mos da capacidade ou incapacidade da UE par a r esponder aos desenvolviment os ext er nos e int er nos (ver Anexo D e Anexo E).

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pr ópr ia r esponsabilidade na implement ação de oper ações de segur ança no escalão mais baixo do espect r o da violência, designadament e as r elacionadas com a manut enção da segur ança, missões de apoio humanit ár io e gest ão de cr ises.

No campo da paz e segur ança int er nacionais a capacidade par a agir ef ect ivament e cont inua a depender da posição dos membr os mais impor t ant es do Conselho de Segur ança da ONU, par t icular ment e da sua vont ade em int er vir em conf lit os essencialment e int er nos, at r avés de oper ações de manut enção e imposição da paz sob a sua aut or idade f or mal mas, em t er mos oper acionais, no âmbit o de coligações ad hoc e or ganizações de segur ança r egionais.

Apesar da maior r elut ância dos EUA em int er vir em, o seu papel de lider ança per manece cr ucial no desencadear de esf or ços de cooper ação no campo da gest ão de conf lit os apoiada por For ças Conj unt as e Combinadas (CJ TF’s27).

b A Europa Musculada

A UE dá um passo em f r ent e cr ucial no seu pr ocesso de int egr ação at r avés da cr iação de uma ident idade aut ónoma de segur ança e def esa dent r o da est r ut ur a do segundo pilar . At r avés da incor por ação da UEO na sua est r ut ur a e pela int r odução da r egr a da maior ia de vot o no campo da polít ica de def esa e segur ança, a UE t em possibilidade de desenvolver a sua pr ópr ia capacidade milit ar independent e, apoiada por uma polít ica ext er na e de segur ança ef ect iva.

A única f or ma de dar est e passo em f r ent e é pela aceit ação da f or mação de um dir ect ór io de gr andes pot ências compost o pela Fr ança, Reino Unido e Alemanha. Est e é o pr eço que os PEE t êm que pagar par a mant er a cooper ação milit ar ent r e os maior es países Eur opeus no int er ior da est r ut ur a inst it ucional da UE e, em par t icular , par a per mit ir à União r esponder ef ect ivament e à cr escent e inst abilidade na par t e lest e da Eur opa e nas r enovadas ambições polít icas da Rússia.

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CAPÍ TULO I V - A GLOBALI ZAÇÃO E O FUTURO DA EUROPA

A Rússia, sendo excluída da est r ut ur a eur opeia de cooper ação económica e polít ica, t or na-se vít ima de f or ças nacionalist as e populist as e a lider ança nest e país adopt a uma polít ica f or t ement e ant i-Ocident al, cuj o obj ect ivo é a r est aur ação do ant igo impér io Soviét ico.

Em r esult ado, a r elação ent r e a Rússia e o r est o da Eur opa t or na-se cr escent ement e t ensa e, par a a UE, a Rússia t or na-se uma das pr incipais f ont es de inst abilidade na Eur opa.

Mas a r elação t r ansat lânt ica t ambém se det er ior a. No campo económico, a UE e os EUA são ar r ast ados par a conf lit os económicos e comer ciais per sist ent es e cr escent es numa lar ga gama de assunt os. Por out r o lado, como a UE desenvolveu a pr ópr ia ident idade de segur ança e def esa e est á a t or nar -se menos dependent e dos EUA par a a aj udar na pr ossecução das suas polít icas de segur ança, a UE t r ansf or ma-se de um par ceir o num pot encial r ival dos EUA.

c A Europa em Ruínas

Nest e cenár io a Eur opa desf az-se, vít ima da desint egr ação, da r ivalidade int r a-Eur opeia e do r egr esso às velhas polít icas Eur opeias de coligações, car act er izadas por associações volát eis.

Um dos f act or es mais impor t ant es que cont r ibui par a a est agnação do pr ocesso de int egr ação é o cr escent e ant agonismo nas r elações Fr anco-Alemãs, pr ovocado essencialment e pela nova aut o-conf iança de uma Alemanha r eunif icada, a qual como o Est ado-membr o maior e mais f or t e da UE não est á mais dispost o a aceit ar as aspir ações Fr ancesas de lider ança e a pagar uma par t e despr opor cionada da car ga (f inanceir a ou out r a) da int egr ação Eur opeia.

O alar gament o Eur opeu é post o em causa devido aos conf lit os ent r e cont r ibuint es líquidos e r ecept or es líquidos: a Alemanha, por um lado, r ecusa-se a pagar mais par a a União par a que ela se possa expandir ; os países do sul da UE, por out r o lado, r ecusam-se a abdicar dos seus pr ivilégios f inanceir os e bloqueiam qualquer decisão de aber t ur a da UE a novos membr os.

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A ONU é incapaz de desempenhar qualquer papel de impor t ância no campo da segur ança, pelo que as quest ões de paz, segur ança e est abilidade são det er minadas pelos desenvolviment os r egionais e a vont ade dos EUA de int er vir em. Cont udo, a sua polít ica de segur ança ser ve pr incipalment e os seus int er esses (económicos) nacionais e est á por t ant o r est r ingida à int er venção na Ásia e Médio Or ient e.

d A Europa Mercant ilist a

O pr ocesso de int egr ação Eur opeia r egist a um pr ogr esso subst ancial, especif icament e no campo económico. No ent ant o, como um númer o signif icat ivo de países car ece da “cult ur a de est abilidade” t ão def endida pela Alemanha, a UME most r a-se inst ável. Adicionalment e, exist e uma f or t e t endência no sent ido de uma polít ica comer cial Eur opeia mais mer cant il, especialment e como uma f or ma de pr ot eger os níveis Eur opeus de segur ança social e pr ot ecção ambient al da concor r ência ext er na. O alar gament o da UE pr ossegue lent ament e em gr upos at r avés da sucessiva inclusão de “cír culos concênt r icos” de países candidat os. Mas soment e aqueles países que não r epr esent am um peso f inanceir o excessivo nos f undos de apoio da UE vêm a ser elegíveis par a a adesão.

Nest e cenár io, a ênf ase na compet ição ent r e Est ados t r ansf er iu-se do domínio polít ico e da segur ança par a os campos do comér cio e do capit al.

Não const it uindo mais a Eur opa um act ivo est r at égico par a os EUA, a desint egr ação da NATO cont inua.

Uma f or t e compet ição em t er mos de polít icas, guer r as comer ciais, e desent endiment os nos campos monet ár io e macr oeconómico, det er ior am a r elação ent r e os ant igos aliados.

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CAPÍ TULO I V - A GLOBALI ZAÇÃO E O FUTURO DA EUROPA

e. A Europa Globalizada

Nest e cenár io f inal o alar gament o da União domina a agenda. A UE r apidament e se alar ga par a uma comunidade de 25 a 30 membr os. Apesar dos Est ados t er em af ir mado r epet idament e que o alar gament o dever á ser pr ecedido de um apr of undament o subst ancial da União e, em par t icular , por r ef or mas inst it ucionais que per mit am à UE mant er a sua capacidade de t omada de decisão, as t ent at ivas par a um pr évio apr of undament o e r ef or ma inst it ucional f alham.

Os países-membr os da UE opt am por uma at it ude aber t a per ant e o r est o do mundo, especialment e com vist a a uma nova int egr ação da Eur opa numa economia mundial globalizada.

De acor do com a sua “vocação civil”, a UE pr imor dialment e pr ossegue a sua missão de segur ança at r avés das suas polít icas comer ciais e de aj uda (Nor t e de Áf r ica, Medit er r âneo) e a sua est r at égia de alar gament o (Eur opa Cent r al e de Lest e, Balcãs).

Adicionalment e à sua r elação com os EUA, a UE desenvolve novas r elações int ensivas com out r os países e r egiões, em par t icular com os países do Suest e Asiát ico e Amér ica Lat ina.

A imagem do mundo como uma aldeia global f inalment e t or na-se r ealidade.

O dr amát ico desenvolviment o das r edes mundiais económicas e f inanceir as, com a cr escent e impor t ância dos act or es não-gover nament ais (ONG’s, empr esas mult inacionais, inst it uições f inanceir as, moviment os t r ansnacionais) usur pa o poder do Est ado, especialment e no caso dos Est ados Ocident ais, e const r ange ainda mais as suas opções de polít ica.

Como r esult ado da democr at ização e do sucesso da economia de mer cado, o dilema clássico da segur ança28 per de a sua r elevância. Na medida em que haj a ainda conf lit os, est es são r esolvidos de uma

f or ma pacíf ica, diplomát ica. Os pr incipais membr os da ONU dot am est a or ganização dos meios necessár ios par a est a t r at ar dos t r ansgr essor es individuais.

28 A essência do dilema da segur ança pode ser descr it a como se segue: os Est ados podem conf iar uns nos out r os e ar r iscar ser em punidos

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CAPÍ TULO V

O FUTURO DA EUROPA NA PERSPECTI VA DO I NTERESSE DOS PEE

No que diz r espeit o ao int er esse dos PEE, r elat ivament e à pr ef er ência por um dos cinco cenár ios, par ece-nos evident e, em pr imeir o lugar , que os element os pr incipais do 3º cenár io, Eur opa em Ruínas, são cont r ár ios aos pr incípios básicos da polít ica ext er na daqueles Est ados: separ ação dos EUA, f r agment ação da União Eur opeia e um r egr esso às polít icas de coligação das gr andes pot ências.

O 2º cenár io, por out r o lado, Eur opa Musculada, par ece à par t ida r elat ivament e mais at r act ivo, dado que pr evê a capacidade da Eur opa par a agir - e não apenas no campo da economia - como assegur ada. Mas o pr eço a pagar por isso é um r econheciment o explícit o das dif er enças de poder no seio da Eur opa at r avés de uma subor dinação hier ár quica dos membr os mais f r acos a um dir ect ór io das pr incipais pot ências Eur opeias, uma sit uação que é inconsist ent e com o obj ect ivo clássico de uma Eur opa supr anacional. Com ef eit o, a “saída t ent ada pelos gr andes Est ados é a de se t or nar em mais “iguais” do que os pequenos at r avés da gr aduação dos seus vot os e da selecção de comissár ios, o que é, no ent ant o, suspeit o de int r oduzir um f act or de “dir ect ór io” e r ompe o “cont r at o social” base da const it uição eur opeia act ual” 29.Par a além disso, do pont o de vist a do int er esse dos PEE, a acr escida capacidade de act uação da Eur opa ser á dir igida par a os obj ect ivos er r ados, o que poder á conduzir a uma dissolução da r elação at lânt ica. Por out r o lado, a pr ef er ência t r adicional, por par t e dos PEE, por um sist ema de comér cio mundial que f uncione numa base mult ilat er al ser á igualment e compr omet ido.

Ef ect ivament e, a cr iação da “Gr ande Nação Eur opeia, que pr et ende eliminar a diver sidade nacional na Eur opa par a cr iar ar t if icialment e um super -est ado eur opeu baseado numa super nação eur opeia, (...) f az cont r acor r ent e em r elação à evolução mundial. A globalização, longe de implicar a diluição das nacionalidades em super -est ados, f avor ece, pelo cont r ár io, a coesão do est ado-nação e exige que est e t enha mãos livr es par a se int egr ar nas mais diver sas r edes de est ados que se f or mem a nível mundial.

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CAPÍ TULO V - O FUTURO DA EUROPA NA PERSPECTI VA DO I NTERESSE DOS PEE

Quer er cor t ar est as possibilidades aos est ados eur opeus, submer gindo-os num espaço eur opeu unif icado é uma concepção imper ial pr of undament e r et r ógr ada.”30

Est a é t ambém a obj ecção cont r a o 4º cenár io, Eur opa Mer cant ilist a, no qual os PEE vêem a sua busca de um sist ema de comér cio mundial mult ilat er al, aber t o e est ável f r ust r ado pela incapacidade dos par ceir os Eur opeus em implement ar em os aj ust ament os est r ut ur ais necessár ios e são f or çados a r egr edir par a uma “For t aleza Eur opeia” económica.

Pelo cont r ár io, o 1º cenár io, Eur opa sob Tut ela, é at r act ivo sob o pont o de vist a do int er esse dos PEE, dado que implica a cont inuação das polít icas t r adicionais dos PEE. Combina as melhor es per spect ivas em duas ár eas: no campo da segur ança, a pr eser vação da ligação At lânt ica e, no campo económico, o novo desenvolviment o da int egr ação supr anacional do mer cado a nível Eur opeu, t udo ist o sem pôr em causa o sist ema de comér cio mundial aber t o. Clar ament e est e cenár io r epr esent a em lar ga medida uma cont inuação do st at us quo, sendo necessár ios apenas pequenos aj ust ament os. Cont udo, o

maior desaf io poder á ser a nova adapt ação do modelo da Eur opa sob Tut ela ao meio envolvent e do pós-Guer r a Fr ia. Nest e cont ext o, poder emos incluir o desenvolviment o de uma est r at égia comum t r ansat lânt ica par a uma ext ensão gr adual da “zona de paz, democr acia e pr osper idade”. Est a est r at égia dever á, ent r e out r os aspect os, ser dir eccionada no sent ido de assegur ar que a expansão da NATO não conduz à est agnação do pr ocesso mais complicado de expansão da UE. Par a além disso, novos aspect os, como a pr ot ecção ambient al e padr ões labor ais, dever ão ver a sua impor t ância aument ada na agenda int er nacional, incluindo, por t ant o, as agendas da UE e dos EUA.

As consider ações acima expost as salient am o f act o de que as gr andes pot ências ainda mant êm uma posição dominant e, quer no campo da paz e segur ança quer em r elação ao pr oj ect o da or dem económica int er nacional. Est e domínio das gr andes pot ências, t ão car act er íst ico dest e pr imeir o cenár io, obr iga os PEE a t er em uma polít ica ext er na aler t a e act iva, não menos impor t ant e t endo em vist a o r ef or ço da capacidade da Eur opa Ocident al no campo milit ar . Est a capacidade é impor t ant e no sent ido de um cer t o

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gr au de equilíbr io ser est abelecido nas r elações t r ansat lânt icas e par a per mit ir à UE desempenhar o seu papel na est abilização da “zona de t umult o”.

O 5º cenár io, Eur opa Globalizada, é, evident ement e at r act ivo, por que r ef lect e um mundo dest it uído dos pr incipais pr oblemas. Nest e cenár io, sem qualquer ameaça aos PEE por par t e das gr andes pot ências, depar amo-nos com um sist ema int er nacional no qual as r elações mút uas são f or t ement e pacif icadas, economizadas e mult ilat er alizadas. Num sist ema mundial est ável, aber t o e int egr ado, os PEE podem explor ar a sua posição de Est ados aber t os ao comér cio e invest iment o est r angeir o na base de r egr as de j ogo que são mult ilat er alment e acor dadas e cuj o cumpr iment o é suj eit o a super visão mult ilat er al. Adicionalment e, exist e suf icient e opor t unidade par a est es Est ados pr osseguir em uma polít ica ext er na “vir t uosa”, ou sej a, uma polít ica dir igida no sent ido do r espeit o pelos dir eit os humanos, a diminuição da pobr eza e a pr ot ecção do meio ambient e. O mundo t or nou-se um ambient e despolit izado, uma sit uação que j á havia sido o obj ect ivo do dir eit o int er nacional e das or ganizações int er nacionais, mas que agor a é alcançado pelas f or ças de mer cado. Nest e cenár io, t odos os dilemas de polít ica f or am r esolvidos, pois a Eur opa est á int egr ada num sist ema mundial liber al har monioso baseado em f undações mult ilat er ais. Consequent ement e, a quest ão da capacidade de act uação, polít ica e económica, da Eur opa, t or nou-se ir r elevant e.

Haver á, ainda, que analisar as r elações mút uas ent r e os diver sos cenár ios, as quais podem acar r et ar t odo o géner o de cír culos viciosos, onde r esult ados não int encionais e indesej áveis se t or nam r ealidade simplesment e devido a se pr et ender a t odo o cust o que out r os cenár ios se r ealizem.

Referências

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