REPENSANDO O UNIVERSO
VOLUME II – AS SOCIEDADES HUMANAS
Ariovaldo Batista – engenheiro e administrador de empresas [email protected] - Brasil
Texto iniciado em 2009.
MINISTÉRIO DA CULTURA – FBN
N.º Reg. 626.435 – Livro 1.219 – Fl. 201 – 29/06/2015 ISBN N.º 978-85-920599-0-3
ÍNDICE
2.0 - INTRODUÇÃO
2.1 - O QUE SÃO AS SOCIEDADES HUMANAS?
2.1.1 – COMO A SOCIEDADE HUMANA TEM EVOLUÍDO?
2.1.2 – COMO EVOLUIURAM AS SOCIEDADES OCIDENTAIS?
2.2 - AS NAÇÕES E SEUS GOVERNOS
2.2.1 – O QUE SÃO OS GOVERNOS DAS NAÇÕES?
2.2.2–COMO FUNCIONAM OS GOVERNOS?
2.2.2.1 – EVOLUÇÃO DOS GOVERNOS OCIDENTAIS 2.2.2.2 – CONCEITO DE NAÇÃO E GOVERNO
2.2.2.2.1 – A ERA CAPITALISTA
2.2.2.2.2 – A QUESTÃO DO CAPITALISMO 2.2.2.3 – AS NAÇÕES NO MUNDO ATUAL
2.2.2.3.1 – NAÇÕES DESENVOLVIDAS 2.3 - QUAIS SÃO AS NECESSIDADES HUMANAS?
2.3.1. – NECESSIDADES ORGÂNICAS OU MATERIAIS 2.3.2 – NECESSIDADES ESPIRITUAIS
2.4 - OS PARADOXOS DA SOCIEDADE HUMANA 2.4.1 – FARTURA NO MEIO DA MISÉRIA 2.4.2 – AS GUERRAS
2.4.3 – O CONSUMISMO
2.4.4 – EXTRATOS DA SOCIEDADE
2.4.4.1 – CLASSES E NAÇÕES RICASOU POBRES 2.4.4.2 – O MEIO AMBIENTE
2.4.4.3 – SENSAÇÃO DE RETROCESSO 2.5 – COMO ULTRAPASSAR OS PARADOXOS?
2.5.1 – CONCEITO DE CLASSE MÉDIA COMO SOLUÇÃO 2.5.1.1 – EDUCAÇÃO
2.5.1.2 – SISTEMA DE PRODUÇÃO 2.5.1.3 - SISTEMA DE GOVERNOS 2.5.1.4– A SOCIEDADE EM SI
2.5.1.5– SATISFAÇÃO DAS NECESSIDADES
2.5.2.– RECOMPONDO O CAPITALISMO COMO SOLUÇÃO 2.5.2.1 - CAPITAL E NEGÓCIO
2.5.2.2 – O TRABALHO 2.5.2.3 – OS INSUMOS
2.5.2.4 - O PROCESSO DE PRODUÇÃO 2.5.2.5 – CONSUMIDOR
2.5.2.6 - O LUCRO 2.6.- CONCLUSÃO.
2.6.1 – O HOMEM RELIGIOSO E POLÍTICO 2.6.2 – O HOMEM CAPITALISTA
2.6.3- COMO SÃO HOJE AS NAÇÕES?
2.0 – INTRODUÇÃO
A sociedade humana não é paradigma da ciência no que concerne à moral e ética do ser humano ainda que trate do comportamento humano, em particular na sociedade, através das leis e de seus governos. O foco da ciência é o Universo Material e suas leis, e no que tange ao homem, sua sociedade, seu governo e leis. Quando trata de comportamentos, focaliza o aspecto material da questão, ainda que se trate de presunção e premissa do texto. Uma tese no texto é argumentar que a sociedade humana é “espiritual” e não material ou orgânica, ainda que o governo seja de fato material, em particular no que concerne à política, cuja essência são as leis da sociedade!
A parte anterior teve como origem o paradoxo sobre Deus Infinito, esta parte procura entender o outro paradoxo do próprio homem, ambos descritos no Preâmbulo, referindo-se às sociedades humanas que de fato tem origem no comportamento dos seres-vivos, especificamente do homem. Fazer leis se torna algo científico, cumpri-las algo religioso, e garantir a evolução se faz com as artes, como argumento básico desta parte.
Quando se diz paradigma se diz de “campo de atuação” e no caso se trata dos acervos de conhecimentos que a humanidade acumula ao longo do tempo, tidos como artes, religião e ciência. Na prática esses campos se entrelaçam e formam áreas de sobreposições. No caso do conhecimento humano a partir da ciência, abre-se um parêntesis para a medicina nas áreas da psicologia, psicopatia etc., que mesmo assim, se concentra em reações físicas do próprio cérebro, ainda não considerando como ciência a questão do espírito, tratada na parte anterior. Não se trata de lançar uma discussão sobre “opiniões pessoais”, o que se procura é a base conceitual em que se assenta o texto, e no caso, a ciência é considerada no foco das leis materiais e não espirituais, tendo como base a definição do ser-vivo na Terra, e no caso do homem formando suas respectivas sociedades.
A presunção tida como mais provável pela ciência e vários cientistas, e contestada no texto já tratada na Primeira Parte, é que os sentimentos tanto quanto a inteligência sejam atributos do próprio cérebro, possivelmente concentrados em áreas específicas do mesmo onde se verificam reações elétricas. O que se argumentará é ser mais um dos equívocos do reducionismo científico onde se situa a maioria dos cientistas da atualidade, engajada no Evolucionismo considerado Darwiniano, e já tratado na parte anterior também.
A sociedade humana é evidência clara da atuação do espírito sobre o organismo.
Portanto, não faz parte de fato dos conhecimentos científicos como paradigma, exceto como suporte ao comportamento do homem como líder ou governante, pelo menos como se constata até o presente momento, e que redunda nas leis humanas. O que se argumenta é que um dia a ciência admita a questão óbvia admitida na Primeira Parte da dualidade do organismo vivo, e, com certeza, muitos conceitos e princípios terão que ser revistos. Por exemplo, o médico tanto quanto o mecânico de automóvel, além do organismo em si, passariam também a considerar os respectivos “espírito e motorista” dos organismos, quando se trata de “manutenção” da Vida, como postura também científica, ainda que presumindo que o motorista pode continuar alheio ao automóvel, exceto no que tange às respectivas leis. Isso não era raro na antiguidade da medicina, e parece que aos poucos volta a fazer parte da cultura clinica médica. Por enquanto parece que a maioria dos cientistas ainda não se convenceu disso, e será objeto também da Terceira Parte. O fundo está em que artes, religião e ciência, são afins e sinérgicas, e não divergentes como se admite.
Admitindo-se que a sociedade é tipicamente espiritual, como se argumentará à frente, está fora do campo natural da ciência nos moldes de hoje, exceto como base política e econômica, que são matérias filosóficas que redundam em leis para regular os procedimentos dos humanos em suas sociedades. Neste particular não há diferença conceitual entre ciência e religião, ambas navegam no mesmo campo de comportamento humano regido por leis, apenas em áreas diferentes e com abordagem de premissas também diferentes, formando fronteiras de mútuos contatos e sobreposição. Além disso, não se propõe uma corrente filosófica, mas apenas argumentos sobre conceitos e premissas.
A ciência, como presunção, não trata efetivamente do comportamento individual do homem, mas apenas do seu comportamento dentro da própria sociedade e como se fosse o mero organismo material que lhe dá sustentação através do que chamamos de “sociedade e suas leis”.
Ao contrário da religião que trata apenas do comportamento de cada indivíduo homem enquanto vivo e no seu aspecto prioritário da moral, postulando o que se entenderia como “leis de comportamento” de cada indivíduo, pouco importa se em sociedade ou não. A medicina tem o ramo psíquico, mas a ciência em si, não tem, porque parte da premissa que o ser-vivo se isola no próprio organismo que lhe dá sustentação. O fato é que existe sobreposição de “campos ou paradigmas” entre religião e ciência, e também as artes onde o ramo psíquico se situa na condição de enigmas para a ciência e mistérios para as religiões.
Procurou-se evidenciar, interpretar e concluir na parte anterior sobre o Universo e o Ser- Vivo sob uma nova ótica que contraria as duas premissas mais importantes vigentes que dividem a maioria dos humanos, no que concerne às origens e suas interpretações. Em particular sobre a espécie humana, que é objeto desta parte. O núcleo básico foi que tudo tem origem na inteligência, seja lá de quem for. Ressalte-se, contudo, que a presunção de “nova ótica” é do texto, e se combina com alguma outra premissa existente, é de bom grado que assim seja, pois não se propaga ineditismo em nada nas argumentações. Na evolução do texto continua a ideia de partir daquilo que o homem está fazendo no presente com a evolução de sua própria inteligência, e “inferir” sobre o entendimento, interpretação e conclusão sobre o que acontece e teria acontecido na Natureza e no Universo, que evidentemente não foram obras do homem, e aplicar à sociedade humana que evidentemente é obra exclusiva do homem. De sorte que as premissas e os princípios expostos e admitidos na Parte I continuam válidos e como referência para esta parte. Daí se entender fazer parte de um mesmo em volumes diferentes.
A questão científica do comportamento humano parece se concentrar em algumas áreas da ciência como biologia, zoologia, medicina etc. e parece consenso entre os cientistas, se tratar de “conhecer” o funcionamento do cérebro. Essa postura foi contestada na parte anterior, partindo-se da premissa que ser-vivo é corpo material mais seu espírito, e comportamento se argumentou ser atributo do espírito, expresso na ação do corpo, sendo o cérebro um mero órgão do corpo material. Evidentemente a ciência ainda está tratando de apurar efeitos, sem atinar com as causas e nesse aspecto, não significa de fato equívoco, apenas abordagens diferentes de mesmos fatos. A gravidade e outros fenômenos constatáveis são entendidos dessa forma, pois isso se relaciona com os recursos do homem para observar. Nesse aspecto, reconhece-se que o apoio religioso na questão tem sido pequeno e complicado, cheio de preconceitos típicos de atitudes dogmáticas, que não tem permitido aos cientistas muito apoio da própria religião, como presunção do texto. Contudo, a gravidade, a eletricidade ou a temperatura para o homem só existem através de seus efeitos, e a Vida não terá muitas outras formas de ser também entendida, exceto pelos seus efeitos que são evidentes e constatáveis, pouco importa se conseguimos saber como são ou não. Sociedade por definição no texto, é consequência da Vida. É claro que o estágio do saber do homem é um estágio de evolução dos conhecimentos que decorre da própria evolução da inteligência como consequência.
Vamos repetir que no texto, entender é questão de evolução da inteligência, saber e fazer são questões de evolução do conhecimento pelo trabalho, de acordo com a evolução da inteligência. Por isso se argumentou que o conhecimento complementa a inteligência, mas, na realidade, não a produz. O mágico pode ter inteligência até bem pequena, pode apenas ter
“aprendido” a fazer uma mágica! Animais também aprendem como que por “mágica”! Ressalte- se que na admissão da inteligência como tratada anteriormente, se deparou com duas opções excludentes majoritárias na visualização do Universo e dos seres-vivos e que se procurou contestar, que as coisas ou são planejadas e inteligentes por Deus, ou são meros acasos naturais, e se argumentou que ambas são mutuamente equivocadas. De sorte que hipóteses intermediárias como “designoide” defendida em meios evolucionistas, ou a simples Gaia ou Intelligent Design nos meios criacionistas, ainda que aceitáveis, merecem melhores explicações.
O fato é que aos poucos a inteligência se situa de forma clara na origem de tudo, queiramos ou
não, inclusive do Universo com origem inteligente. O texto apenas expõe “outra hipótese” para as duas existentes que se procurou contestar por seus equívocos, e se estendem a esta parte, e também tendo como base, a inteligência na sua origem e existência, como na parte anterior.
Esta parte fala apenas sobre o homem e mais especificamente sobre as sociedades humanas, que são as duas faces da mesma moeda que define o SER-VIVO-HUMANO, e por sua vez compõe o que se denomina “espécie humana”. Por isso é uma resenha do que já foi dito anteriormente na Primeira Parte, além de outra constatação como premissa de que a sociedade humana segue um processo de evolução que continuará no futuro, e que será de fato a origem da Terceira Parte do texto, a “As Sociedades Humanas no Futuro”. Tanto quanto as espécies dos seres-vivos, as sociedades são mentalizações humanas ao longo da evolução principalmente intelectual, tanto quanto são também as espécies dos seres-vivos. Moral e eticamente o homem ancestral não tinha noção nem de espécie, e muito menos de sociedade. Viviam apenas em grupos cuja finalidade era e ainda é a própria preservação da Vida dos indivíduos do grupo, como todas as demais espécies vivas ainda hoje. A sobrevivência da espécie era de fato, mera consequência. Classificar em espécies foi até muito recente e se pode creditar sua especificação ao gênio de Darwin, na realidade muito mais zoólogo do que biólogo. Os zoólogos já faziam isso há muito tempo ainda que apenas das observações não se aprofundando em origens e fenômenos de geração, que redundou na classificação dessas espécies e na proposta da sua “seleção natural”.
Fala-se de sociedades humanas pré-históricas através dos vestígios arqueológicos que nos chegam. Exatamente como muitas “espécies” que existiram e que conhecemos na antiguidade pelo mesmo processo. Algumas dessas sociedades antigas são tidas como “perdidas”, mas na realidade o que se descreve são vestígios arqueológicos de cidades antigas nas quais viviam aglomerados de gente de alguma forma. A forma como esses aglomerados se arrumaram deram origem ao que se denomina “civilizações antigas desenvolvidas” ou da pré-história, pelos vestígios de suas construções, artes etc., que nenhum evolucionista pode defender que seja obra de algum acaso da natureza. No caso comum, as civilizações se apresentavam como meras tribos ou povos, muito mais do que realmente de alguma sociedade como se entende hoje. Dizer que uma colmeia de abelhas ou um grupo de leões formem sociedades, não estabelece bem a ideia de civilização humana no texto. Mas é evidente que o homem forma civilizações que de alguma forma, IMITAM ESSAS CIVILIZAÇÕES DE SERES-VIVOS GENÉRICOS mormente nos aspectos tipicamente materiais, e na fase como homo-sapiens, quase exatamente iguais, e que entendemos como tribos. O que se ressalta é o aspecto dos agrupamentos humanos hoje como sociedades humanas. Destaca-se, por outro lado, que civilização sempre tem sido sinônimo de urbanismo, que será bem destacado no texto. Só podemos entender a sociedade babilônica, através da cidade Babilônia.
Aqui também se estará usando a filosofia como ideias e pensamentos, não se tratando da filosofia acadêmica muito menos de defesa de suas várias correntes filosóficas. Mas de estabelecer conceitos que se alinham ao tema filosófico do conhecimento e das ideias. Admitir, por exemplo, que o ser-vivo é uma dualidade de corpo mais espírito é ainda mais “filosófico” do que científico, mas que além de estar assentada em revelações religiosas, decorre tipicamente da observação ao nosso redor. Também comparativamente como a questão de efeitos sem que se conheçam as causas, como gravidade e temperatura. Considera-se a filosofia como parte da ciência, ainda que não se entre na questão acadêmica como disciplina. Mas presume-se a opção melhor é de que a filosofia esteja na intersecção ou sobreposição da religião com a ciência e até as artes, naquilo que se postularia como linhas ou fronteiras divisórias entre elas. Filosofia conceituada no texto é a faculdade do ser humano expressar seus pensamentos, e depende muito do grau de inteligência, além dos acervos de conhecimentos que se acumulam na sociedade através da arte, religião e ciência. Tem a finalidade clara de expor a evolução da inteligência do homem, pelos conhecimentos. Como verdade, uma teoria tanto quanto uma doutrina, são meras formas filosóficas de se apresentar ideias e pensamentos, e cada uma se aperfeiçoa pela especialização do próprio homem como profissional. Não são verdades, mas se trata de
presunções humanas delas. A filosofia defendida no texto é a intersecção das artes, religião e ciência, até uma teoria há que ter sua base filosófica.
É também um ensaio e não um tratado sobre o assunto através da linguagem ritualística dos termos linguísticos, entendendo-se ensaio como mera dissertação sobre um assunto, sem a metodologia necessária num tratado. Do ponto de vista genérico no texto, as religiões são mais próximas de ensaios, enquanto a ciência, de tratados. Tratados só podem existir em coisas que se constatem ou se conheçam e podem ser pesquisadas, experimentadas etc., não sendo possível em coisas que não se constatam nem sequer nos seus efeitos. Na prática para diferenciá-las, se estabelecem “rituais” em cada acervo de conhecimento. Rituais, portanto e como já vistos, não são equívocos humanos, exceto quando transformado em dogmas de fé que não sejam meras leis humanas a serem cumpridas. Mas não são verdades, apenas presunção delas.
A sociedade humana se coloca na condição de coisa amplamente constatável, principalmente através de seus efeitos, e de fato, se tornaram objeto da ciência, mormente no que tange à elaboração e execução das leis humanas que de fato definem o que se entende como sociedade. No texto será admitida como sendo uma nação, conforme será detalhada melhor abaixo. Dessa forma, a nação é algo tipicamente científico, mas suas leis são tipicamente intelectuais do homem, onde a questão moral e ética é muito mais importante do que de fato as questões tipicamente materiais. Está-se exatamente na “faixa fronteiriça” entre religião e ciência, na evidência geral de divisas como linhas imaginárias, que de fato representam “faixas” onde os paradigmas se sobrepõem. Como os rios que servem de fronteiras. Dir-se-ia que a filosofia deveria ser a “ciência e religião” dos governos para construírem suas leis de forma moral e ética, que resulta no que entendemos por “sociedade humana”. O texto sendo um ensaio é evidente que se aproxima mais da religião do que da ciência, especificamente porque uma sociedade se rege por comportamentos humanos, onde a moral e ética direciona o próprio conhecimento, conforme já mostrado. Continua-se apoiando na Codificação Espírita como base religiosa de desenvolvimento de raciocínio no texto, admitida como mais nova e mais evoluída, ainda que mera continuidade de revelações inclusive das outras religiões.
Na realidade o que se procura é entender melhor essa área cinzenta onde uma forma de conhecimento se sobrepõe à outra. Dir-se-ia que enquanto a religião apenas revela, cabe à ciência constatar e provar o que está revelado na religião, estabelecendo de fato a função de cada um na sociedade. A Codificação Espírita conforme se descreve, foi estabelecida sob uma metodologia próxima do “modelo científico” no que concerne aos fenômenos ditos espíritas, chamado simplesmente de ritual, ainda que sobre assuntos que até então eram tipicamente religiosos, onde a ciência ainda não admita como seu campo de atuação. A Doutrina visa de fato, postulados de moral e ética do homem como conceito primário religioso, mas também mostrar e revelar fatos e fenômenos tipicamente materiais típicos da ciência como forma de observação, e até adota a moral e ética cristã, que por sua vez também adota a moral e ética Bíblica. A própria codificação explica que é ciência na forma ou metodologia de estudos, conclusões e revelações, e religião no que se aplica ao comportamento moral e ético do homem, adotando nesse aspecto, os conceitos ditos cristãos como base formal. Não difere muito das demais religiões, principalmente no que descreve como fatos históricos, procurando ter suas revelações mais claras e explícitas, sem parábolas ou mitos. A própria codificação explica que o conteúdo doutrinário não é de fato a exposição fenomélica que estuda e trata, mas de fato a doutrina moral e ética do indivíduo humano, que é paradigma de todas as religiões. Não se está pregando a doutrina, mas apenas reconhecendo e interpretando sua importância no texto, mas ressalte-se que cada um deve entender como lhe convier, isso faz parte da convicção e livre arbítrio que se resume no que entendemos por crenças.
Daí que os “fenômenos espirituais” são tão reais e submetidos a leis, como os “materiais”
que percebemos. Nisso reside a realidade do espírito, e pouco importam nossas crenças a respeito no âmbito do indivíduo homem, que de fato compõe sua sociedade. A doutrina revelou também que os espíritos vivem em “sociedades”, que são espelhadas nas sociedades humanas, daí também a base no espiritismo nesta parte do texto. Por vários motivos se torna evidente que
sociedades se formam a partir dos espíritos. As sociedades humanas, portanto, não são inéditas no Universo, mas são meras reflexões das sociedades espirituais, em estágio mais elevado do espírito que forma ser-vivo na Terra, conforme está explicitado na Doutrina considerada, e se admite no texto. Não se tratam, contudo, de dogmas de fé, porque simplesmente não são impostos, a crença é convicção pessoal de cada um que também pode “comprovar ou constatar”
desde que existam os recursos para tanto.
A primeira constatação atual é que a sociedade humana é hoje um conjunto de várias sociedades, que se concretizam no que denominamos NAÇÕES. Nações sintetizam o que entendemos por POVOS E RAÇAS, muito mais claro hoje do que há poucos séculos, pois ainda é até possível evidenciar povos diferentes numa mesma nação. É a partir dessa premissa básica que o texto desenvolverá o raciocínio como continuidade da parte anterior. Isso é o que se procurará argumentar sobre as sociedades humanas como nações, cuja origem foi o conceito mais antigo de “povos”, como agrupamentos humanos geograficamente contidos em vários pontos do Planeta. Como se verá, a nação se comporta como um “indivíduo vivo”, e dessa forma os conceitos da Parte I terão que ser os mesmos também para as sociedades humanas como indivíduos. Um conjunto de nações se postulou formar um “Continente Geográfico”, portanto, fixou os povos em territórios isolados e fixo na Terra.
A questão das “raças” está ligada muito à aparência física, algo como se “fossem espécies da espécie humana”, que redunda no que hoje se abomina como “questão racial”. O fato é que os humanos fisicamente se diferenciam no que entendemos como “raça”, principalmente no que entendemos como “branca, amarela, vermelha e negra”. Biológica e mentalmente não dizem absolutamente nada, como se constatam, e biologicamente são “meros acertos” nos respectivos DNAs que acertam organismos, não necessariamente ser-vivo algum. Do ponto de vista racional, parece que os espíritos apenas estavam fazendo “pesquisas” de colonização nas várias partes do Globo, e até agora sequer temos informação dos resultados desses “testes genéticos”, pois hoje as raças humanas se mesclam perfeitamente no Globo inteiro sem aparente diferenciação em nada. A globalização generalizada tende a criar um organismo humano comum, ainda que mera presunção sem fundamento prático. Daí a rejeição dos racismos. Espíritos, como nós mesmos, podem também fazer asneiras, mas com certeza não previam racismos como fazemos. Parece claro que uma nação não distingue a ‘raça’ de cada indivíduo, que é apenas considera “ser-vivo- humano”, um grande passo evolutivo do próprio homem.
Povo traz a conotação de “indivíduo” com usos e costumes. Nação traz a ideia nítida de grupos sob mesmas leis humanas dentro de um território físico delimitado. Nações significariam, portanto, “Estados com leis próprias”, povo significa aglomerado de indivíduos sob mesmos usos e costumes, QUE AOS POUCOS SE ACOMODAM NAS RESPECTIVAS LEIS EM QUE SE EVIDENCIAM COMO NAÇÕES E ESTADOS. Como espíritos, pouco importa as ‘cores’
de sua pele! Trata-se apenas de premissa admitida no texto.
Estados aqui são formas “políticas ou legais” de se administrar ou governar uma nação, cuja evidência se faz nos respectivos “governos”. Praticamente na Terra de hoje não existem mais povos que não estejam contidos em alguma nação, e isso se torna um direito de todos seus indivíduos. Mas direitos, trazem também deveres que acaba sendo sinônimo de leis. País é uma nação com sentimento de “nacionalidade” de seu povo, é o que se presume. Uma faculdade que está diferenciando as nações, como antes diferenciava povos, é a questão da linguagem. Na antiguidade a ideia de povo como grupo gregário é mais consistente do que a ideia de nações, ainda que aos poucos, as nações se transformem aos poucos também em “povos”. Falar-se em
“franceses, ingleses, americanos ou japoneses” que já dispõem de suas respectivas “línguas”, na se trata de fato de falar de usos costumes como se falavam antes dos “gregos, fenícios, guaranis ou apaches”. Mas também na linguagem, a globalização tende a formalizar uma única, como, aliás, acontece também nas demais espécies. Isso, contudo não impede que várias nações tenham a mesma língua como base de comunicação, como as nações “lusitanas na linguagem”.
As sociedades estão confinadas numa área geográfica sob as mesmas leis, os povos se apresentam como respectivos usos e costumes, e até línguas. Mas o fato real é que a humanidade
caminha para se organizar em nações cada vez mais personalizadas e estanques, não mais em
“tribos ou povos” difusos. Por isso se reconhece no texto que as sociedades modernas da humanidade são as nações. A linguagem é algo que evoluiu muito quando se introduziu a escrita, através do surgimento das religiões. Quase todos seres-vivos usam símbolos até sonoros para se comunicarem, MAS APROXIMADAMENTE OS MESMOS PARA CADA ESPÉCIE, a linguagem é um símbolo que o próprio homem desenvolveu em cada “nação ou povo” ainda até hoje. Como se verá adiante, é um atraso considerar, por exemplo, os índios no Brasil como meros “animais de estimação” nas suas reservas, uma forma muito mais demagógica do moral e ética de tratamento de pessoas numa mesma socidade.
Não se quer especular sobre a questão da linguagem, mas parece claro que a tendência do homem é aos poucos, CHEGAR A UMA LINGUAGEM UNIVERSAL, como qualquer outra espécie. O cão ou a baleia entendem os mesmos “sinais e símbolos”, seja na América, na Europa, Ásia ou quer que se encontrem. A evolução da inteligência do homem nos diversos pontos e épocas parece ser a origem da “Babel” de línguas, que aos poucos retornam à condição de outro ser-vivo na Terra.
As sociedades humanas como nações evoluem com a própria inteligência do homem, que é uma conclusão filosófica decorrente tanto da observação como de teorias e conceitos existentes. Ilustra-se o fato da evolução da sociedade humana como um grupo de pessoas subindo uma montanha. As pessoas mais sábias, experientes e audazes, além de fortes, escalam na frente, em geral se revezando, e as demais seguem atrás, puxadas ou não, mas sempre tendo os lideres como referência. E como toda a montanha, a escalada em cada lado da mesma se torna um desafio próprio do grupo que a escala. Isso diversifica também a forma como grupos ou regiões de nações se desenvolvem. Algumas nações ficam estacionadas em qualquer patamar, mas além de nunca regredirem, é sempre temporariamente como estabelecem postulados filosóficos de que tudo flui como as águas de um rio. A ferramenta da evolução é a inteligência, como também dizem os vários pensadores ainda que de formas diferentes, mas conforme as religiões, é também evolução da moral e ética, que de fato significa evolução do espírito.
Portanto, não há invenção ou ineditismo algum, apenas formas diferentes de se ver e se expor os mesmos fatos e ideias que se evidenciam na própria história da humanidade! Na realidade expressa mais uma vez o aspecto espiritual, cuja lei é a eterna evolução. Nações técnica e militarmente desenvolvidas, nem sempre são nações realmente evoluídas, a história está repleta disso!
A evolução da sociedade se torna assim vista como a escalada de uma montanha, um passo de cada vez e desuniformemente, como de fato fossem “indivíduos”. Isso se mostra melhor pelo “padrão de vida” ou também pela ideia de bem-estar do próprio homem. As sociedades sempre agregam padrão melhor de vida ao próprio homem, pelo que nos parece clara a ideia de evolução espiritual através da evolução material. Como premissa da parte anterior, onde se expôs que a forma do espírito evoluir, é, de fato, através da evolução orgânica e material da própria matéria. No homem isso é claro e constatável, enquanto nas demais espécies seria a “ordem evolutiva de cada uma”. É o espírito que evolui através dos organismos a quem dá vida. Por isso se torna evidente que a percepção de evolução numa nação se reflete na evolução dos organismos ou artefatos materiais. É a forma como a Inteligência evolui, evoluindo com os organismos feitos de matéria. Parece que é a forma como espírito evolui, BAIXANDO A ENTROPIA DA MATÉRIA, concluindo que no infinito, a matéria poderia “retornar” à sua condição de entropia infinita, ISSO SIGNIFICA O ESPÍRITO SE TORNAR DEUS, o que é impossível! Esse também é outro conceito de infinito, inatingível.
Nessa jornada de evolução ocorrem vieses que se chamam de paradoxos e que de fato deram origem ao presente texto. As sociedades modernas que avançam contrastam com paradoxos principalmente sociais iguais aos das sociedades antigas ou das que se atrasam pela estagnação, como se a evolução deixasse “rastros” de atrasos. Será dada uma atenção especial aos paradoxos da sociedade moderna mais evoluída, sendo de fato o guia sobre os argumentos em questão, mas todas as civilizações apresentam paradoxos, pouco importa seus respectivos
estágios de evolução. Seguindo a orientação da parte anterior, também aqui a sociedade humana no tempo será entendida a partir das sociedades atuais, em particular, as que estão em estágio de evolução mais elevado, como referência.
Não se podem avaliar atrasos, se não se partir do que está adiantado. É a mesma ideia da parte anterior para se procurar entender o passado, através de entender melhor o presente. As premissas admitidas na Primeira Parte continuarão válidas também para as sociedades humanas.
Só recapitulando e adequando mais ao foco das sociedades humanas, admitiu-se de forma resumida que:
- Deus é um princípio primitivo cuja imagem acaba sendo a crença de cada um. Tem sido objeto de controvérsias tanto religiosas como filosóficas ao longo do tempo, mas em todas as grandes correntes filosóficas, desde os gregos, admite-se que Deus se originou na intuição do homem. Mas como também já visto, intuição é mera forma de inteligência, e que evoluindo, leva necessariamente a evoluir também com a noção de Deus, mesmo que intuitiva. Além disso, a evidência de Deus é uma “invenção humana”, nenhum outro ser-vivo na Terra sequer tem noção alguma dEle, e nem nunca precisou desde que a Terra é Terra. Mas é claro também pelas revelações, que apesar de invenção humana, teve como origem uma existência real que sequer entendemos e daí o entendimento como mera intuição. Na realidade se pode entender melhor hoje como MERO PRNINCÍPIO PRIMITIVO, que foi a ideia exposta na parte anterior. A ideia distorcida disso gera os tais fundamentalismos que desembocam no atual laicismo dos governos, pela simples constatação de equívocos dogmáticos. Como já exposto, não podemos confundir o conceito de “princípio primitivo”, com as formas de representá-lo, que deu origem aos “mitos”.
A SS Trindade da Igreja Católica nesse aspecto é apenas uma imagem ou “mito” de Deus Infinito. Deus é parte do conhecimento, e, portanto, dos governos, sua imagem conforme as igrejas das diversas religiões são apenas crenças que se admitem como conhecimentos. A laicidade reside em se diferenciar estes conceitos.
- A inteligência é atributo do espírito, e não da matéria. É uma “revelação” nas religiões, mas é intuição também em praticamente todos os grandes pensadores da história, que definitivamente não estejam engajados no fundamentalismo evolucionista. Admite-se como atributo do espírito, pelo menos como a premissa mais provável até porque clareia vários enigmas criados pela premissa de ser atributo da matéria! Foi tomada como base da evidência do ser-vivo, isto é, a existência da inteligência evidencia um ser-vivo, além da questão mais científica na capacidade de realizar trabalho. Como resumo de premissa, a inteligência é algo revelado pela religião, trabalho é algo constado e revelado pela ciência. E como a gravidade, se trata de fenômeno que se evidencia pelos efeitos, não por mera constatação.
- O ser-vivo é uma dualidade de organismo material e espírito, e na realidade para sermos mais exatos de acordo com a Doutrina Espírita, é uma “tríade” de corpo material perceptível, corpo material não perceptível ou perispírito, e alma tipicamente espiritual. Que em determinadas circunstâncias que de fato definem a Vida como definida no texto. Ficando claro que o fenômeno da morte tanto quanto da vida, são meros início e fim de um processo inteligente de viver, entendido como circunstância da Vida! A inteligência dá vida ao ser-vivo, e se dá vida, não pode ser naturalmente por acaso. Essa “trindade” também é encontrada nos nossos artefatos, ou no homem como organismo vivo. O perispírito são como os sistemas de controles pelos quais o homem “transfere” vida à própria máquina. Conforme a Doutrina, o perispírito é feito de matéria “fluídica”, enquanto no artefato humano os controles são de matéria comum, meras tecnologias diferentes.
- O Universo Material é projeto e obra inteligente dos espíritos, cuja origem está em princípios e leis. É filosófico e decorre dos conceitos tanto religiosos como científicos, mas que conferem com as leis conhecidas. O Universo está em transformação contínua e perene, e não apenas no sentido da degradação, mas também de arrumação, aliás, é o que constamos no estágio mental em que nos encontramos com a sensação de evolução. Do ponto de vista meramente estatístico onde nos colocamos, parece que o Universo tende para uma “arrumação” que nos leva a admitir alguma “evolução”, que se admite como lei. Conceitualmente, o Mundo Material se
“arruma” através do Mundo Espiritual. A força ou energia para isso é a inteligência que age através do pensamento, mas pensamento, por admissão no texto, é atributo do espírito e não de qualquer tipo de matéria. A força ou energia final que arruma o Universo é, portanto, a inteligência, claramente identificável no que o homem faz através de seus artefatos, com a faculdade de realizar trabalho. Disso decorre que só o ser-vivo pode realizar trabalho ao CONTRARIAR A LEI DA ENTROPIA, e mostra porque O UNVERSO É HABITADO! Na questão do infinito chegaríamos que seu fim, seria retornar ao seu começo, coisa difícil para nossa Inteligência desenvolvida num Universo limitado!
- A matéria não pensa, e quem pensa são as entidades que compõem o Mundo Espiritual, admitidas como sendo os espíritos, que também dão vida ao próprio homem e a todo ser-vivo na Terra. Como hipótese, a matéria original é apenas elementar e única, que apenas se poderia
“arrumar” pela força da inteligência, neste caso, dos espíritos, cuja lei é a eterna evolução, conforme a revelação explícita na Doutrina Espírita. Isso confere e explica exatamente como homem também evolui com sua inteligência, através de seus próprios artefatos, e porque o Universo seria um processo da arrumação da matéria como organismos. Tudo o que se pode constatar, na realidade, é alguma forma de organismo material “arrumado”, sua desarrumação quando espontânea ou natural segue a lei da entropia. Arrumar claramente significa “evoluir os organismos”, na contramão da entropia que significa espontaneamente se “desarrumar ou degradar”. Dessa ideia surge a questão da evolução que materialmente significa contrariar a lei da entropia.
- As teorias ou doutrinas sobre o que não sabemos são meras presunções de verdades, e há que ser coerentes com o que sabemos, e vice-versa, e ao longo da evolução no tempo. Na realidade tudo se desencadeia em várias teorias e doutrinas POR REVELAÇÕES TÍPICAS DAS RELIGIÕES, E/OU POR TEORIAS E CONSTATAÇÕES TÍPICAS DA CIÊNCIA. A tônica que se contesta tem sido exatamente desconsiderar o que o homem faça para explicar aquilo o que ele não fez e nem faz. Mas que poderá um dia fazer, e que afinal está tudo sujeito às mesmas leis! Nada funciona se não for assim. Como corolário, teorias e doutrinas também estão em evolução com o próprio espírito do homem, portanto, NÃO SÃO VERDADES DE NADA, apenas instantes delas.
- Artes, religião e ciência são três acervos de conhecimentos acumulados nas sociedades humanas, são mutuamente complementares e altamente sinérgicos, e seus respectivos isolamentos decorrem de dogmas de fé, amplamente equivocados como mostra a realidade histórica do próprio homem. Poderíamos entendê-los hoje como meros arquivos de registros, mas na realidade são muito mais, porque englobam também a própria obra do homem na Terra, como construções, artefatos, artes etc. As pessoas e suas respectivas instituições sociais não são nem artes, nem religião e nem ciência, são apenas pessoas em evolução espiritual evidenciada na matéria arrumada, e nas suas sociedades em franca evolução. São na realidade as “memórias”
das sociedades humanas.
Essas são as principais premissas que se consideraram e se admitiram no texto como básicas no desenvolvimento do mesmo e servirão de balizamento para argumentação nesta parte e na próxima. O fato evidente é que as sociedades humanas evoluem de forma desigual, mas sempre estão evoluindo, e o que sobressaem são os paradoxos que parecem contradizer essa lei de evolução. De tudo o que foi dito, a sociedade humana é uma evidência do espírito que dá Vida ao homem, e não necessariamente de seu organismo material. Um cemitério, ainda que grupo de corpos humanos, nunca poderia ser considerado como uma “sociedade humana”, exatamente como um montículo de areia não é qualquer “sociedade de areia”, pois lhes falta o atributo da Vida! Quando o autor do livro de administração no começo do texto falava da riqueza no meio da pobreza, não sobressaía a riqueza, mas apenas a pobreza. É uma abordagem humana criada a partir dos caciques e pajés, no maniqueísmo de se dar mais importâncias aos erros e discordâncias, do que aos acertos e concordâncias. Procurar-se-á mostrar que isso, contudo, é um equívoco que pode ser evitado.
O texto também está organizado em partes conforme mostrado na sequência. As três primeiras questões decorrem de constatações e suas interpretações, enquanto as últimas são ideias e pensamentos, sendo, portanto, filosofias sobre a sociedade humana. A questão humana não é apenas “econômica” como se postulam hoje os vários temas a respeito, um evidente reducionismo científico equivocado quando transformado em “dogma de fé”, típico da pajelança que tem acompanhado a evolução das sociedades humanas. Isso nos leva a interpretar a solução dos problemas humanos apenas e exclusivamente como problemas econômicos. Como interpretação e aplicação absolutamente equivocada do sistema capitalista de produção, e que de fato se situa na origem da nova sociedade moderna na Era Capitalista, ainda que já se percebam mudanças no sistema!
A Era do “Homem Adâmico” evoluiu para a Era do Homem Religioso ou “alfabetizado”, e desta para a Era Capitalista atual, e que serão identificadas na sequência do texto. Na realidade, é outra forma acelerada de percepção da evolução do homem adâmico. O primeiro, durou entre 6 e 8 mil anos, o religioso perto de 4 mil anos, o capitalista apenas 500 anos, e já se pode perceber pressões de mudanças, que se profetiza no testo, como o HOMEM MORAL E ÉTICO. Se podemos pensar num “fim de mundo”, pela velocidade das mudanças, o homem moral e ético seria o fim deste ciclo “humano” de Vida na Terra, passaríamos para outro ciclo que sequer se imagina como seria. Está-se apenas pensando de forma “estatística”, nossa evolução se aproxima da velocidade infinita de tempo zero, isto é, FIM DE UM CICLO. Haverá outra “espécie superior” à do homem? POR QUE NÃO? Está-se apenas desenvolvendo a lógica de um raciocínio, nada relacionado com a “vontade de algum deus”. Será a base de raciocínio para o desenvolvimento da Terceira Parte do Texto. E como convivemos com jacarés, macacos, insetos, vírus, bactérias etc., nada impede que uma “nova espécie humana” conviva com a atual, é questão pura e simples de moral mais elevada da “nova geração de homens” na Terra. Mas também poderá acontecer, como aconteceu com os “hominídeos”, que a presente espécie humana também desapareça por absoluta inutilidade. Apesar da Parte III não entrar nesse assunto, esse seria um fim mundo racional!
Então, é evidente que como o evolucionismo e o criacionismo foram contestados na Primeira Parte, também merecerão destaque especial o capitalismo e o comunismo como fenômenos paralelos nas sociedades humanas atuais, e que de fato estão moldando as sociedades modernas de hoje, exatamente também com seus respectivos equívocos. Admite-se que estamos hoje em plena Era Capitalista que aponta para uma nova civilização humana, que ainda não temos uma visão nítida. Mas que já é claramente intuída. Na realidade se trata apenas de outra forma de aprendizado humano que pressupõe evolução da inteligência.
Da mesma forma como o “homem-adâmico” se mostrou nitidamente como uma “nova espécie humana” em relação ao “homo-sapiens”, a sociedade atual capitalista mostra um indivíduo humano completamente diferente do longínquo homem adâmico nos primórdios do desenvolvimento de sua própria inteligência. E claramente diferente do homem ainda da Era Medieval bem mais próxima. Não se poderia dizer que se trata de uma nova espécie de homem, como aconteceu de fato com o homem Adâmico. Mas é evidente que a sociedade humana de hoje tem pouco a ver com as respectivas sociedades do ancestral adâmico, que de fato evoluiu muito pouco até final da Idade Média, comparada com a evolução na era capitalista, tomando carona na concepção de “ondas”.
Dados os parâmetros ou premissas para esta Parte do texto, vamos começar por detalhar melhor o que seja a sociedade humana, como argumentação.
2.1 – O QUE SÃO AS SOCIEDADES HUMANAS?
Sem entrar no mérito das definições, entende-se como “sociedade” um agrupamento de seres-vivos gregários, no caso humano, BANDOS DE PESSOAS como alguma característica específica, com a ideia de “grei ou rebanho”. No caso do homem se sobrepõe a existência de leis humanas que circunscreve o grupo, e neste caso, estamos falando evidentemente de NAÇÕES, onde as leis jurídicas, isto é, registros, se sobrepõem às leis naturais que não são do homem, mas
às quais é subordinado como mero ser-vivo como os demais. Não se tem nenhum indício de que qualquer outra espécie viva tenha elaborado suas próprias leis em forma de registros para viver, EXCETO O HOMEM ADÂMICO, ainda que cada espécie de certa forma tenha seus próprios códigos ou princípio de vida, evidentemente escorados nas leis da natureza. O “homem adâmico ou agrícola” tem formulado ao longo dos tempos suas próprias leis de vida, por isso é de fato outra espécie viva, pois o mesmo fenômeno também não se encontrava no “homo-sapiens”.
É o que entendemos hoje por leis que são REGRAS ESCRITAS. Esse evento teve como origem as atuais “religiões oficiais”! Retornando à ideia de um “fim de mundo”, parece que nos aproximamos do fim da “espécie humana”, como o mero organismo que ainda utilizamos. Que tal outro “ser-vivo” que sequer precise de se alimentar como fazemos, de viajar como viajamos etc.? ALGO MAIS PRÓXIMO DO PRÓPRIO ESPÍRITO? Não se pensa como inventor, mas apenas como razão que também está em evolução. Mas ainda somos “espécie humana” com o organismo que ainda dispomos herdado do velho “homo-sapiens”, essa é a realidade.
Uma sociedade é um grupo de indivíduos da “mesma espécie” que naturalmente acontece no sistema familiar e é típico de cada espécie em se tratando do ser-vivo na Terra, como se a família fosse a “unidade celular da sociedade”. Uma colmeia de abelhas é uma sociedade familiar numerosa, como outras que são bem diminutas, às vezes, um único par, falando especificamente dos animais. Mas a maioria das espécies vive em grupos, que formam suas respectivas sociedades, e cuja finalidade biológica é garantir a vivência de cada um de seus indivíduos. Hoje as sociedades humanas são as nações, cujas células na realidade são as cidades, onde de fato vivem as famílias, pouco importa as formas como se apresentam. Uma pessoa por mais isolada que se mostre, sempre faz parte de alguma família, seja consanguínea ou não, e o grande conjunto de famílias formam as cidades, como se argumentará à frente.
A nação é tipicamente humana, e os indivíduos da “mesma espécie” têm conotação mais espiritual do que material. Nada diferencia o francês do angolano, exceto a cor e/ou o sentimento de nacionalidade de ambos, que é algo espiritual.
Faz sentido a ideia fractal mencionada na I Parte, como se o projeto “natural” fosse sempre feito de “unidades”. As sociedades parecem típicas do processo evolucionário inteligente. Nas sociedades humanas como nações admite-se como a unidade celular, a cidade, hoje individualizada no que entendemos no Brasil como “município”, em outras nações com mesmos ou outros nomes. São, de fato, os “espaços físicos” onde vivem os homens como “lei”
na Terra. Já se disse que o homem não vive nem no seu Estado, e nem na sua Nação, MAS NO SEU MUNICÍPIO OU CIDADE. Isso, contudo, não impede que o sentimento de civilidade como se verá ainda, se estenda à nação e não exclusivamente à cidade. Ainda que sempre haja a tendência do que entendemos como bairrismo, a nacionalidade parece cada vez mais nítida se referir à nação, e não a qualquer cidade, como acontecia no passado. Faz sentido dizer “francês ou americano ou brasileiro”, e não Parisiense ou Novayorquino ou Paulistano.
Admite-se que as “leis dos homens” surgiram com o “homem adâmico ou agrícola” e com o evento das religiões, em particular o caso Bíblico. Antes apenas existiam as leis da natureza. A sociedade humana considerada, portanto, tem início histórico em Adão e Eva, surgidos por volta de 10 mil anos atrás, e não no homo-sapiens há 150 mil anos. Até então, a humanidade se comportava como qualquer outra espécie, cuja lei é VIVER E PROCRIAR. Isso acontecia “vivendo em grupos ou tribos”, que da forma gregária se transformou aos poucos em
“sociedades”. A sociedade humana como nação, contudo, surgiu na Idade Média por volta do século XIV. A forma de “agregação” evolui com as próprias espécies, o homem no topo da Vida na Terra. Só conhecemos de fato esse tipo de Vida isolado na Terra, a do homem.
Algo característico das sociedades que constatamos é a existência de algum tipo de liderança. Numa floresta há árvores de uma mesma espécie em vários estágios de desenvolvimento, mas nenhuma forma de liderança entre os indivíduos se observa nelas, e é pouco provável que também ocorra isso entre os vírus e bactérias. Vamos dizer que a presença de liderança já é evidência de estágio de evolução da própria Vida na Terra em outras espécies, mormente entre os mamíferos. Ainda que se esteja falando de meras observações. A sociedade
humana apresenta a questão comportamental e também a forma de liderança, mas é em particular muito mais específica, e esta parte trata de fato da sociedade humana, e outras sociedades de seres-vivos serão apenas utilizadas como ilustrações.
Uma colmeia simula bem uma sociedade pelo fato de apresentar claro o aspecto urbano e de hierarquia orgânica, ainda que diferenciada das sociedades humanas, como se verá mais abaixo. A liderança não é apenas “hierarquia orgânica”, mas forma de condução de um grupo.
Algumas espécies têm isso claramente quando se formam em “viagens” migratórias ainda que nos apareça apenas como “formação” e não propriamente lideranças, como por exemplo, nas migrações de aves e insetos. Outras espécies apenas se formam em grupos ‘organizados’ sem liderança aparente alguma como certas migrações de animais na África como se acontecessem por “instinto”, funcionam mais ou menos como as enchentes nas grandes chuvas. Ainda que isso possa ser apenas equívoco de observação. As sociedades humanas têm nitidamente a forma de lideranças por comando, também existente em vários mamíferos principalmente no estágio selvagem. Domesticados, perdem essa forma de “comando”, porque se submetem diretamente ao próprio homem. É evidente que o homem exerce comando e liderança também entre as demais espécies, o que comprova a atuação de espírito mais evoluído.
Como se vê são classificações que fazemos com nossas observações, que são falhas e podem ser corrigidas em quaisquer instantes, como comumente a ciência tem feito ao longo do tempo, tendo como exemplo, o Geocentrismo já mencionado, evoluído hoje para as questões universais muito mais amplas, nem sequer se pode em falar em “centro” do que quer que seja.
No homem, a liderança é clássica na formação do próprio grupo como sociedade. A liderança seria como a existência do “cérebro da sociedade” nas espécies tidas como mais desenvolvidas.
Vai-se detalhar melhor o que se entende por sociedade como “ser-vivo”, inclusive inteligente.
Como os organismos, que são compostos de outros organismos, a sociedade é de fato um organismo composto de vários outros, e se for possível atribuir ao mesmo uma inteligência, podemos entendê-lo classicamente como um “organismo vivo”, como as ideias de Gaia e outras similares. Será mostrado abaixo como se entende isso, e nessas condições, uma sociedade é um
“ser-vivo” composto de outros seres vivos, aliás, como o próprio ser-vivo como se viu anteriormente composto de órgãos, micro-organismos e células que de fato compõem todos os órgãos e o respectivo organismo vivo. Como é o próprio automóvel com seus vários órgãos quando sob o comando de seu motorista.
A individualização de qualquer ente ou organismo se dá pelas suas respectivas
“limitações materiais” ou divisas, ou peles, ou películas, ou latarias, ou seja lá o que queiramos entender como tal. Essas “divisas” no caso de nações são muito mais “mentais ou virtuais” do que reais, até mesmo nas que encontramos hoje nas nações. Um rio é em geral uma divisa, mas na realidade é o “eixo imaginário” do rio que de fato se torna divisa. O rio é apenas uma
“mentalização” de divisa, como poderia ser outra linha imaginária qualquer, mais comum hoje em dia como divisa, principalmente na questão marítima e aérea.
Como ser-vivo, e usando a ideia ou revelação na Doutrina Espírita, é preciso encontrar a forma material e espiritual como isso acontece. O corpo material é o próprio território considerado como Estado ou Nação. O “perispírito”, que seria o sistema de controles, é claramente o respectivo governo de cada nação, composto dos mesmos indivíduos que formam a nação. E a inteligência, como se verá mais detalhadamente na frente, na realidade se pode representar pelos acervos de conhecimentos admitidos no texto como as artes, a religião e a ciência. Apenas uma forma equivalente de se considerar as sociedades como outros seres-vivos na Terra.
O caso do homem é diferente das demais espécies de animais cujas respectivas sociedades se formam apenas pelas leis da própria natureza, que significam apenas um processo de viver e procriar, e permanecem como que estáticas ao longo do tempo. O homem introduz sua condição de viver e procriar também sob suas próprias leis, que decorrem de sua própria condição de inteligência racional em condição de evoluir. O fenômeno é tão expressivo que os homens estão até mesmo estabelecendo “novas leis” às demais espécies, como se evidencia nas
questões agrícolas e de criação, mas que também é extensivo às espécies ainda em sua condição natural ou selvagem. Exemplos típicos são os zoológicos. As cidades estão mudando inclusive a vida no campo e nas florestas. Digamos que os animais “domesticados” e as “culturas” se tornam na realidade uma extensão física do próprio homem urbano. Chegamos ao ponto de determinar qual é a idade “ideal” para as espécies domesticadas, e resolvemos isso simplesmente as sacrificando, como acontece com as criações e plantações. Como lei para sobrevivência, não parece contrariar a própria natureza, como simples tara humana, a coisa muda moralmente de figura. Até entre as espécies já identificamos “espécies domésticas”, como oriundas das mais antigas simplesmente selvagens. Isso faz sentido para o homem-adâmico, nenhum sentido para o ancestral sapiens, que apenas trabalhava para viver e procriar como qualquer outro ser-vivo.
Não se está sugerindo que ongueiros invadam matadouros por isso, está-se apenas mostrando como funciona a natureza, e o homem simplesmente faz parte dela, e para isso faz também suas leis. Bastam apenas mais moral e ética nas mesmas como se verá. É imoral o homem criar e plantar para seu sustento? Nenhuma revelação já mostrou isso. E por que o homem “nãos erve” para seu próprio alimento? Vou tentar oportunamente, dar uma versão.
Na natureza é clara a característica das leis, todas estabelecem direitos com os respectivos deveres, quando isso não ocorrer, entramos em confronto com a própria natureza, onde estamos inseridos sem nossa vontade, permissão ou sequer decisão. As leis que refletem supostos direitos dos animais são, na realidade, “deveres” dos homens pelo “direito” de ter inteligência mais evoluída, não “direitos dos animais”. Daí que criar ou cultivar qualquer coisa como direito de existência, demandam leis morais aos próprios homens também com deveres. Basta pensar dessa forma no caso polêmico dos transgênicos! A prioridade nas leis é a Vida, que demanda trabalho e inteligência para viver.
O homem está mudando o ambiente na Terra praticamente em todos seus aspectos, e decorre disso ser um equívoco entender que apenas a inteligência do homem evolui como já se tratou na parte anterior na questão da Inteligência. Onde se mostra que outras espécies também podem evoluir com suas próprias inteligências. Desde que comandadas pelo próprio homem que pode “ensinar” outros animais que podem “aprender”, e só aprende quem tem inteligência! Isso significa de fato a “domesticação”. Comentou-se na primeira parte que isso não é acaso, mas se trata do homem ter a inteligência na condição de evoluir, como tarefa de participar na própria evolução dos seres-vivos na Terra. As sociedades humanas evoluem claramente em consonância com a própria evolução do homem como espírito, e é isso que se deverá mostrar mais em detalhes na frente. O que se torna patente é que a domesticação sem moral e ética, nos leva a
“substituir” um processo de simbiose de vida, por plantas e animais domesticados, e que claramente não condiz com o “projeto de Vida” na Terra.
Não se conhece espécies que ensinem outras espécies, exceto a espécie humana. O máximo que se observa nas demais espécies é certa “adaptação forçada” de uma espécie sobre outra, como as cores das flores e animais etc. em virtude das leis da natureza. Essa concepção inteligente é o que se pode observar de fato como “ambientalismo” completamente fora da concepção de “direitos sem deveres e vice-versa”. Surge algo intrigante. O homem também poderia evoluir o espírito das demais espécies-vivas, como que uma revelação que antes não percebíamos e não se percebe também entre outras espécies? Essa mesma evidência do homem sobre as demais espécies se observa também entre as várias nações que se apresentam em vários estágios de desenvolvimento.
As únicas formas de se avaliar uma lei especificamente humana são pelos seus resultados e pela comparação com as próprias leis da natureza. A Lei Natural das espécies vivas se evidenciam nas necessidades básicas do ser-vivo como organismo, que se dividem em quatro estados ou etapas na Terra: NASCER,>VIVER,>PROCRIAR E>MORRER. Sendo que nascer e morrer são dois instantes da Vida quando começa e quando termina respectivamente como ser- vivo na Terra. A Vida é, antes de tudo, uma circunstância que começa no surgimento que se entende algo um pouco diferente do nascimento, e se encerra na morte, já comentado na Primeira Parte. A sociedade ocorre, portanto, durante o espaço de tempo para VIVER E PROCRIAR dos
indivíduos no grupo, particularmente como “adultos”, cujas leis estabelecem necessidades que devam ser satisfeitas. Uma constatação fácil é que a sociedade que começou com o “homem adâmico” como premissa do texto, mas parece continuar existindo como se fosse “eterna”, ainda que se adaptando, como um indício claro que ela se refere ao “espírito do homem” e não exatamente ao seu organismo material. O homem determina “nascimento” de uma sociedade ou nação, às vezes pelas vias da força, mas está apenas seguindo a própria natureza.
A sociedade é parte da satisfação das necessidades dos seres vivos nas suas diversas espécies, que evidencia a forma sistêmica de Vida na Terra. Desde as plantas, que se convenciona estar na base da cadeia alimentar da sobrevivência, mas que também já foi vista ser um equívoco de observação. Um grande problema da evolução darwiniana é exatamente perder de vista que Vida é um processo sistêmico, onde uma espécie na realidade depende de outra para viver, e a sociedade faz parte desse processo que garante a existência do indivíduo como ser- vivo. Na realidade, parece que a base do projeto da vida está nos micro-organismos conhecidos como vírus e bactérias, comuns tanto á fauna como à flora. E que, portanto, parecem estar na origem do “projeto de vida” na Terra que juntamente com o conceito de célula, determina de fato o “projeto tecnológico ou biológico” da Vida. O indivíduo humano é para a nação, os que os micro-organismos são para o próprio ser-vivo, isto é, a base do “projeto orgânico” da sociedade.
É impossível entender a sociedade se não entendermos melhor também o ser-vivo. É importante entender que um micro-organismo pode ser unicelular, mas uma célula apenas NÃO É SER-VIVO, isso mostra com clareza o entendimento do ser-vivo como dualidade. Um robô pode funcionar como célula, MAS NÃO É SER VIVO, exceto sob o comando direto do próprio homem como espírito. A cadeira do Sr. Stephen Hawking era um “robô”, mas sob seu comando, fazia parte de se próprio organismo ou corpo. Tanto os micro-organismos como células orgânicas vivas só existem onde podem viver, e todo o conjunto vive numa dependência mútua também das demais espécies. Esse é o grande mistério ou enigma da religião e da ciência respectivamente, mas que assim são por mero viés de premissas de se querer “saber” das coisas antes, sem sequer as “entender”, como o assistente do mágico que pretende ser mágico antes sequer de entender o que seja a magia! É, contudo, uma presunção pessoal, não é verdade alguma, e é isso que se está argumentando. O entendimento pode não eliminar a ignorância, mas elimina com certeza o enigma ou o mistério. Por isso não faz sentido sociedades de “mortos”, tanto quanto de automóveis, computadores ou estilingues. Mas uma rede de computadores, uma cooperativa de automóveis (Uber por exemplo) etc., funcionam mais ou menos como uma sociedade de seres-vivos. A condição é que o organismo seja apto para “adquirir” Vida. Não há precedência entre ser-vivo e ambiente, entre as plantas e os demais seres vivos, e entre os demais componentes desse ambiente, exceto no que entendemos como “cadeia alimentar” uma simples observação humana. Segundo a ciência, a nuvem não 'chove' sem a ação de algas nos mares! O
“projeto” da vida não existe sem que ao mesmo tempo se considere o meio ambiente em geral, inclusive os seres microscópicos que entendemos como vírus e bactérias, já vistos na Parte anterior. A “seleção natural” desconsidera isso, falhando por princípio, pois admite a
“adaptação” ao ambiente como princípio, sendo que na realidade, há a simbiose também com o ambiente.
A Terra habitada é de fato uma “sociedade de Vida” na Terra. Então, contestando-se fortemente o ser-vivo como mero acaso da natureza, a sociedade dos seres-vivos também não é acaso natural, e nas sociedades humanas é clara e nítida essa evidência. Sociedade e necessidades humanas são também duas faces de uma mesma moeda que é a Vida, que se realiza pelo atendimento das necessidades para se viver. Vamos dizer que as necessidades evidenciam uma sociedade, como a inteligência um ser-vivo.
A sociedade é uma decorrência do espírito muito mais do que do organismo material, pois é preciso que o próprio ser-vivo mova sua inteligência para garantir sua própria existência.
A sociedade é, portanto, uma questão muito mais espiritual do que orgânica, e isso é muito mais evidente na sociedade humana do que nas sociedades de outras espécies. A premissa básica que decorre disso é que as sociedades humanas se estabelecem na satisfação de necessidades para
viver. Que não são mais as necessidades tipicamente orgânicas como nas demais espécies vivas da Terra, mas são necessidades também espirituais que mostram porque o homem evolui espiritualmente, ainda que não organicamente. É nisso que se procurará focar a argumentação do texto. Explica porque um cão se contenta em se alimentar no chão, e não apenas numa tigelinha de prata da “madame”, que é sua dona. A tigelinha é uma necessidade da dona do cão, e NÃO DO CÃO.
O que é “viver” para uma espécie viva? Primeiro, significa os indivíduos de uma espécie cumprir o período de vivência no qual terá que satisfazer suas necessidades de comer, se proteger e procriar etc., senão não viverá pelo menos de forma plena. E se os indivíduos de uma espécie não conseguirem viver, também não procriam, e não haverá sociedade na espécie que significa sua sobrevivência como tal. Claro que isso não é a “luta” pela seleção do que quer que seja, mas apenas “trabalho para se viver”. Eventual seleção é mera consequência, não fim de nada. Em segundo lugar, o homem adâmico introduziu a necessidade de viver socialmente! Há uma controvérsia sobre a questão da sobrevivência da espécie, principalmente decorrente da evolução de Darwin. Admite-se ou presume-se que o indivíduo “vive para preservar sua espécie”, mas a realidade é que a preservação da espécie decorre claramente da “necessidade de procriar”, e não o contrário, mera exposição de como se observa.
O postulado de Darwin leva à luta pela preservação da espécie seja de fato uma luta entre
“espécies”, o que é uma falácia. Cada ser-vivo na Terra luta para viver seu tempo de vida, E NADA MAIS. Como um operário que na fábrica trabalha 8 horas para poder viver, e por consequência, garante também a vida da fábrica, de si mesmo, de sua família etc. É evidente que o operário não trabalha para a existência da fábrica, como se fosse uma intenção sua, na realidade trabalha para garantir sua própria vida, A FÁBRICA OCORRE POR CONSEQUÊNCIA, e isso é um equívoco que tem comandado a Era Capitalista, como se verá.
Marx confundiu isso como a “luta do peão contra o patrão” ou vice-versa! A observação decorre das circunstâncias de quem observa, porque as observações costumam ser falhas, mesmo que descrevendo fatos. A sociedade de fato “funciona” como uma fábrica, que afinal, garante a vida de todos, até fora dela.
A sociedade não morre com o indivíduo exatamente como seu espírito e por isso a sociedade é algo nitidamente espiritual e não orgânico. A sociedade sobrevive após a morte dos indivíduos da espécie pela lei da procriação, cada espécie tem a procriação como uma lei clara, real e nítida, a “seleção natural” não é clara, nem real e muito menos nítida. Se uma espécie desaparece, desaparece junto sua respectiva sociedade. Espécies e sociedades são meras mentalizações humanas, tanto quanto Deus, religião, ciência e artes. A sociedade faz sentido no dizer que é o que “deixamos para nossos filhos”! Na realidade, apenas cumpre leis da própria natureza. Espécies sobrevivem porque se trata de “espíritos” e não de organismos materiais apenas.
A lei dos espíritos que conhecemos é a “eterna evolução”, e ainda como revelação
“religiosa” e explicitamente na Doutrina Espírita. Simplesmente se considera a codificação como mera evolução das demais doutrinas religiosas. Presume-se que as “sociedades” espirituais sejam
“mais eternas”, pelos simples fato de que espíritos não “morrem” e estão em eterna evolução! O mesmo se observa também com as sociedades humanas ao longo da história, apenas cumprindo leis!
Então, faz sentido subdividir a questão numa análise das necessidades do homem, em particular, do homem moderno na Era Capitalista que podemos dizer ter início na entrada do século XVI d.C. Mas que se evidencia com mais clareza a partir da segunda metade do século XIX, tratada na Primeira Parte, e pelos eventos do reducionismo da era Newtoniana e Cartesiana.
Continuando no século seguinte com a Doutrina Espírita, o Darwinismo, Marxismo e várias outras “doutrinas e teorias” mais ou menos contemporâneas que de fato delinearam a ciência nos moldes de hoje. E que poderiam ter moldado também a religião, mas que ainda não se lançou na modernidade da evolução do espírito humano, como será objeto específico de um item sobre religiões e igrejas. Admite-se no texto a ciência num estágio mais avançado de desenvolvimento,
e a religião num atraso endêmico, em cujas bases se situam os dogmas de fé de suas respectivas igrejas, como será argumentado abaixo, e que seria o ponto de partida de análise da sociedade atual no século XXI. Do ponto de vista lógico, é como se a religião andasse como tartaruga, e a ciência como uma veloz águia. Mas é também mera presunção no texto.
As sociedades modernas humanas que se caracterizam em nações, estão vinculadas essencialmente à existência de instituições chamadas de Estados e Governos, que também vêm se aprimorando desde o surgimento do homem agrícola por volta de 10 mil anos atrás pelo nomadismo familiar. O conceito de “nação” é relativamente novo na forma como entendemos hoje, datando aproximadamente do século XIV na Era Medieval e particularmente na Europa, de onde surge o conceito de Nação como povo e território, e de Estado como forma de governo.
Mas o conceito de “governo” é quase tão antigo como o próprio homem agrícola, começando pela forma tribal nômade, depois pela forma de cidades formando impérios, até chegar aos nossos dias na forma de nações governadas como Estados. Então, de forma resumida, Estado e respectivo governo são faces de uma mesma moeda, que entendemos hoje como “sociedade humana ou nação”. As nações têm se alterado no tempo como formas de lideranças, desde seu conceito na era medieval, mas aos poucos se vão consolidando através do “sentimento” como de um povo ou nacionalidade.
Apenas como ilustração, segue uma pequena resenha histórica e conceitual de como as sociedades humanas evoluíram ao longo do tempo, desde o surgimento do Homem Adâmico ou Agrícola, até nossos dias.
2.1.1 – COMO AS SOCIEDADES HUMANAS TÊM EVOLUÍDO?
O objetivo não é repetir o que a história está repleta de registros e livros, mas entender a evolução da sociedade humana à luz das premissas admitidas neste texto, e a principal é a questão do ser-vivo como dualidade do organismo material mais o espírito. A questão de fato é partir das sociedades como são hoje, para inferir como têm chegado a isso, como também se fez na Primeira Parte. O que é hoje foi na realidade consequência do que foi feito ontem, mas uma coisa é a realidade, outra coisa é a história que pretende mostrar essa realidade. Como ilustração, como seria a história de Cuba escrita pelos historiadores comunistas da Ilha? Por isso a própria história “acadêmica” demanda interpretações.
Como se verá ao longo do texto, a sociedade é consequência da existência do espírito, dessa forma a análise de sua evolução será feita a partir dessa ótica de ser mais espiritual do que orgânica ou material, além de que é fato constatável. Não se trata de revisão da história, mas unicamente de uma compreensão da mesma, tendo como referência a civilização tida como Ocidental, cujo foco é centrado na Europa com suas diversas nações, e na realidade tem sua história que começa no Império Romano como ponto de partida real. Mas é evidente que há uma história regressa até se chegar aos romanos, que se inicia nos sábios gregos e na Era Cristã, que por sua vez teve como ancestrais, os egípcios e mesopotâmios. Além desses povos, o que se tem são pesquisas arqueológicas atuais que fariam “alguma história de civilizações perdidas”. As nações ocidentais são de fato as sociedades que se originaram dos egípcios e mesopotâmios, e a partir das grandes navegações, que levam hoje o mundo ser considerado como “globalizado”.
Os registros históricos da humanidade se concentram de fato nos registros religiosos, tanto que se convenciona haver a história a partir desses registros, e uma pré-história anterior aos mesmos. O que se conhece da pré-história são registros de pesquisas arqueológicas e paleontológicas, decorrentes dos achados de construções e obras feitas em geral em pedras, além dos estudos fósseis mais centrados na área orgânica ou do ser-vivo. E vamos dizer que são trabalhos desenvolvidos basicamente na Era Capitalista.
A civilização asiática ou Oriental tem história conceitual similar, cujos registros e pesquisas também se situam em épocas análogas à Ocidental através de suas respectivas religiões. Mas não será objeto de apreciação como foco no texto, exceto como ilustrações onde possam ser julgadas convenientes ou necessárias, e se menciona como ilustração apenas. Claro que outros textos como este podem tratar do assunto oriental, o que se objetiva são conceitos e