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Eduardo Venticinque Jansen Zuanon

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Academic year: 2022

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(1)

Projeto Dinâmica Biológica de Fragmentos Florestais - PDBFF Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia - INPA

Eduardo Venticinque

Jansen Zuanon

(2)

Amanda Mortati Amanda Torres Branca Christiane

Dana Fabiana Favy Flávio

Fresnel Janael Jivanildo Juliana Souza

Juliana Stropp Miúdo Márcio Mariana

(3)

Maura Patrícia Ricardo Rita

Sandro

Jansen Dadão Angela Ocírio

Lene

(4)

Índice

Comportamento de abano em Cnemidophorus lemniscatus (Squamata: Teiidae): termorregulação ou sinalização?

6

Existe efeito de borda na danificação de arvores no sub-bosque de uma floresta de terra firme na Amazônia Central?

8

Influência de uma borda florestal sobre a riqueza e densidade de plântulas

10

Riqueza, composição e diversidade de palmeiras (Arecaceae) relacionadas à variação topográfica em floresta de ...

13

O modelo de Janzen-Connell se aplica a Dinizia excelsa (Leguminosae)?

16

Influência do manejo florestal madeireiro nos padrões de tamanho e arquitetura de plântulas e jovens de uma árvore de dossel

18

Efeitos da queda de árvores em indivíduos arbóreos: danos e luminosidade

21

Uso de fotografias digitais na avaliação de influências do corte seletivo de madeira sobre a estrutura da paisagem

25

Influência da extração madeireira seletiva sobre a mortalidade de árvores grandes em uma área de floresta de ...

27

Comparação das assembléias de formigas de solo entre área preservada e área de corte seletivo de madeira na . 29

Efeito do manejo florestal madeireiro sobre a comunidade aranea em uma área de terra firme na Amazônia Central 32

A influência do manejo florestal sobre indivíduos da família Melastomataceae

34

Presença de folhas novas em Macrolobium acacaefolium (Leg.

Caesalpinioideae): mecanismos endógenos ou ambientais?

36

Relações tróficas entre peixes em uma área de várzea no Rio Solimões, Amazônia Central

38

Segregação de hábitat e comportamento agonístico entre Attila bolivianus e A. spadiceus (Passeriformes, Tyrannidae)

39

Ictiofauna associada a duas espécies de macrófitas em uma área de várzea do Rio Solimões, Amazonas

41

Invertebrados associados a troncos de árvores durante a cheia em uma área de várzea da Amazônia Central

43

A disponibilidade de luz e a altura da coluna de água durante a fase de inundação podem influenciar a quantidade ...

46

Forrageo de aves granívoras (Emberezidae e Icteridae) en una varzéa del Río Solimões (AM)

48

Efeito do hábitat na predação de insetos de deriva por peixes na várzea do rio Solimões

49

Síndrome de dispersão de espécies vegetais de uma várzea no rio Solimões

51

Dispersión de macroinvertebrados asociados a islas de macrófitas a la deriva en el rio Solimões, Amazonas-Brasil 53

Ictiofauna associada a ilhas de macrófitas flutuantes no lago Camaleão e no rio Solimões - Amazônia Central

55

Morfometria e uso do ambiente em peixes em uma área de várzea da Amazônia Central

58

Variações morfométricas de Salvinia auriculata Aubiet (Salvinaceae) em um lago de várzea da Amazônia Central 60

Relação da distribuição temporal de forrageamento de cupins (Isoptera: Termitidae) com o tempo de inundação em...

62

Fatores que determinam a ocorrência de plantas dependentes de suporte em copas isoladas em lagos de Anavilhanas 64

Efeitos da complexidade estrutural de áreas com presença e ausência de Astrocaryum jauari sobre a avifauna ...

66

Mortalidade de árvores por efeito da cheia de 1953 no Arquipélago de Anavilhanas - Amazonas

68

Tamanho de teias e de machos seriam estratégias para seleçao sexual em Mesabolivar auriantiacus (Araneae: Pholcidae)?

70

Impacto de trilhas sobre invertebrados de serapilheira 72

Abundância e atividade de lagartos heliófilos em floresta de terra firme na Amazônia Central, Manaus, AM

74

Defesa biótica induzida em Maieta poeppigii Cogn.

(Melastomataceae), uma mimercófita da Amazônia Central 76

(5)

Padrões de formação de galhas de insetos em Vismia cayennensis (Clusiaceae) na reserva do Km 41, Amazônia Central

78

Riqueza y abundancia de pioneras en clareras de floresta de tierra firme en Amazonia Central

81

A utilização de óleo essencial de frutos maduros de Piper hispidum Swartz (Piperaceae) para atração e ...

83

Actividad y uso de microhabitas en Ameiva ameiva (Sauria:

Teiidae) en claro de bosque de la Amazonía central 86

Utilização de micro-hábitats por Heterophrynus longicornis (Arachnida: Amblypygi) em uma mata de terra ...

89

Qual o significado ecológico da coloração conspícua das folhas jovens das espécies de plantas de sub-bosque na ...

91

Estrutura da vegetação e topografia: uma análise da paisagem na Amazônia central

93

Estrutura de hábitat e distribuição espacial de peixes em igarapés de terra-firme da bacia do rio Urubu, Amazônia Central.

97

Ictiofauna associada a bancos de folhiço submerso: uma questão de complexidade estrutural em igarapés de terra firme 100

Comparação da eficiência de dois métodos de coleta de peixes em igarapés de terra firme da Amazônia Central

104

Macrovisitantes florais de Parkia pendula (Willd.) Walp.

(Leguminosae: Mimosoideae) 108

Assimetria Flutuante como ferramenta para avaliar o efeito de borda em Heliconia acuminata na Amazônia Central

112

Ocorrência de clareiras naturais em uma área de floresta de terra firme na Amazônia Central

115

Efeito da dispersão de sementes por Alouatta seniculus (Alloautinae, Cebidae) na dinâmica de estabelecimento de ...

118

Efeito da topografia sobre ecounidades em uma floresta contínua na Amazônia Central

120

Efeitos diretos e indiretos de Hemigrammus cf. pretoensis (Characidae) sobre náiades de Aeshnidae (Odonata) e ...

124

Efeito do adensamento populacional na competição por espaço em larvas de formiga-leão (Neuroptera: Myrmeleontidae) 126

Efeito de borda de estrada na predação de ninhos e sementes artificiais numa área de mata de terra firme da Amazônia Central.

128

Existe gradiente de tamanho, massa corpórea e fecundidade de Pyrrhulina brevis (Characiformes, Lebiasinidae)

133

Dieta de Pyrrhulina brevis (Characiforme: Lebiasinidae) en igarapés de la Amazonía Central: Selectiva o Generalista?

136

Interação formiga-planta: a importância dos exudatos de nectários extraflorais vs. excretas açucaradas de ...

140

Efeito de clareiras na estrutura populacional de Attalea attaleoides (Arecaceae) na Amazônia Central

144

(6)

Comportamento de abano em Cnemidophorus

lemniscatus (Squamata: Teiidae): termorregulação ou sinalização?

Jivanildo Miranda, Patricia Rodin, Juliana Stropp Carneiro, Faviany Lino, Sandro von Matter, Mariana Faria-Corrêa

Introdução

Comportamentos de ritualização são freqüentes em várias espécies de lagartos (Vitt et al. 2001; Pough et al., 1999).

Na região Neotropical, lagartos arborícolas do gênero Anolis são conhecidos por realizar exibições envolvendo expansão e retração de um apêndice gular colorido (Pough et al., 1999).

Lagartos terrestres do gênero Tropidurus também possuem um comportamento semelhante, onde os animais realizam pulsos de movimentação vertical da cabeça (“head bobbing”;

Pough et al., 1999). Comportamentos ritualizados podem evitar interações agonísticas que envolveriam maiores cus- tos metabólicos e poderiam resultar em danos físicos para os participantes.

Lagartos, como animais ectotérmicos, dependem de fontes externas de calor para regulação da sua temperatura corpórea (Vitt et al., 2001). Várias estratégias e comportamentos podem ser adotados para obtenção de temperaturas corpóreas adequadas às atividades do animal. Dentre essas estratégias estão a alternância de movimentação entre locais de sombra ou sol, variação na atividade em determinados horários do dia, aumento e diminuição do contato do corpo com o substrato.

Cnemidophorus lemniscatus é um lagarto terrestre da família Teiidae, freqüentemente encontrado em áreas abertas e em ambientes antropizados da região amazônica (Ávila- Pires, 1995). Esse animal apresenta um comportamento pe- culiar que consiste da realização de sequências rápidas de quatro ou cinco movimentos verticais curtos com os membros, o qual denominamos comportamento de abano.

As sequências de abanos são apresentadas principalmente durante a movimentação dos animais para forrageamento, e podem ser realizados alternadamente com as patas dianteiras direita e esquerda, entretanto, mecanismos que desencadeiam esse tipo de comportamento ainda não são conhecidos.

Realizamos este estudo para avaliar se o comportamento de abano estaria relacionado à sinalização entre co-específicos ou a atividades de termorregulação, como um modo de variar o contato do corpo com o substrato e o concomitante fluxo de calor por convecção. Os objetivos deste estudo são, portanto, avaliar se: a) a temperatura é um fator determinante na frequência do comportamento de abano; b) a presença de co-específico é um fator determinante na ocorrência do comportamento de abano e c) se há sincronia no comportamento de abano entre pares de indivíduos próximos.

Métodos

Desenvolvemos este estudo em uma área de floresta de terra firme na Amazônia Central, localizada na Fazenda Dimona (2º20’S-60º06’W) do “Projeto Dinâmica Biológica de Fragmentos Florestais” (INPA/Smiththsonian), 90 km ao norte de Manaus (AM). As observações foram feitas entre 7:15 e 12:00 horas de 09 julho de 2003, no entorno dos alojamentos, em uma área aberta coberta por gramíneas entremeadas por áreas de chão de areia.

Para determinarmos a variação da temperatura ambiental, instalamos dois termômetros à altura do solo, revisados a cada 15 minutos. Obtivemos a frequência de atividades de abano a partir do método de animal-focal. Para tanto, localizávamos um animal e o acompanhamos por períodos de um minuto, anotando a frequência do comportamento de abano. Avaliamos a relação entre a frequência dos abanos e a temperatura do ambiente por meio de análise de regressão linear simples.

Em função da área limitada utilizada nas sessões de observação, bem como da movimentação intensa dos indivíduos, não foi possível determinar se os registros de comportamento obtidos referem-se a indivíduos diferentes.

Assim, optamos por registrar o maior número possível de sessões de observação, alternando entre locais e tratando-as como registros independentes de comportamento.

Durante a observação focal anotamos a presença de co- específicos a uma distância de até cinco metros do animal focal; posteriormente comparamos as freqüências de ocorrência (sim/não) do comportamento de abano na presença ou ausência de um co-específico.

Para avaliar a sincronia do comportamento de abano en- tre pares de indivíduos de Cnemidophorus lemniscatus realizamos observações focais simultâneas por um período de até 239 segundos. A frequência de abano foi registrada para ambos animais utilizando um cronômetro. Para avaliar a correlação entre comportamentos de abano executados pelos indivíduos de cada par foram construídos diagramas de correlação cruzada. Todas as análises foram realizadas com o software Systat 8.0.

Resultados

Observamos 70 seqüências individuais de comportamento de Cnemidophorus lemniscatus, com frequência variando de 0 a 27 movimentos por minuto (média: 6 ± 5,7 movimentos/minuto). Não houve relação entre a temperatura

(7)

do ambiente e frequência do comportamento de abano (r2 = 0,05 ; F = 0,375; P = 0.542; Figura 1). O comportamento de abano aparentemente também não esteve não vinculado à presença de co-específicos, uma vez que 93,3% (n=61) dos registros focais que apresentaram o comportamento de abano ocorreram mesmo na ausência de co-específicos.

Pares de lagartos foram observados por um total de 16 minutos (média = 79 ± 60 segundos). A execução do comportamento de abano não apresentou sincronia de movimentos entre os indivíduos dos pares observados (Figura 2).

Figura 1- Relação entre a frequência de movimentos (número de abanos por minuto) por Cnemidophorus lemniscatus e a temperatura do ar (r2 = 0,05 ; F = 0,375; P = 0.542).

Discussão

A ausência de relação entre a frequência do comportamento de abano e a variação da temperatura do ambiente, indica não se tratar de um efeito direto de termorregulação. Além disso, o comportamento de abano por Cnemidophorus lemniscatus ocorreu mesmo na ausência de co-específicos, o que indica que o comportamento não representa necessariamente uma sinalização intraespecífica.

A ausência de sincronia dos eventos de abano entre um par de indivíduos fortalece essa idéia. Desse modo, o comportamento de C. lemniscatus não pôde ser explicado por qualquer das duas hipóteses inicialmente levantadas.

Uma hipótese alternativa para explicar o movimento de

Coeficiente de Correlação

Intervalo da série

Figura 2 – Diagrama de correlação cruzada do movimento abano de um dos pares de indivíduos de Cnemidophorus lemniscatus. As linhas representam o intervalo de confiança.

O intervalo da série (eixo das abcissas) é uma representação do atraso da resposta de um indivíduo em relação ao outro do par.

abano em C. lemniscatus seria que esse comportamento representa uma resposta à presença de um predador potencial (no caso, os observadores). Adotando esse comportamento os lagartos estariam indicando ao potencial predador que ele já foi percebido, o que poderia levá-lo a desistir do ataque por não poder mais contar com o fator surpresa. Até onde sabemos, o movimento de abano não é um comportamento registrado para outras espécies de Cnemidophorus (J. P.

Miranda, obs. pess. 2003). Assim, um fator importante de se considerar quando analisando o significado e a evolução do comportamento de abano em C. lemniscatus é o fato dessa espécie ser parte de um complexo de espécies que apresentam reprodução através de partenogênese. Essa estratégia reprodutiva pode afetar a dinâmica de fixacão e manutencão de certas características da espécie em questão devido a diminuição da recombinação genética e concomitante reducão da variabilidade na população.

Referências bibliográficas

Avila-Pires, T. C. S. 1995. Lizards of Brazilian Amazonia (Reptilia: Squamata). Zool. Verh. 299: 1-706.

Pough, F. H., J. B. Heiser, e W. N. McFarland. 1999. A Vida dos Vertebrados. 2ª ed. Atheneu, São Paulo.

Vitt, L. J., G. Zug e J. Caldwell. 2001. Herpetology: An Introduction to Amphibians and Reptiles. Allen Press.

New York.

(8)

Existe efeito de borda na danificação de arvores no sub-bosque de uma floresta de terra firme na Amazônia

Central?

Branca Medina, Amanda Mortati, Christiane Correa, Flavio Quental e Marcio Araújo

Introdução

Os danos mecânicos são distúrbios importantes para as comunidades vegetais, pois exercem influência na dinâmica de regeneração natural das espécies que as compõem, fazendo com que o período de crescimento de uma árvore desde o chão até o dossel fique mais longo (Clark e Clark, 2001). Diversos estudos têm demonstrado que os danos físicos têm um grande impacto no crescimento e sobrevivência de árvores pequenas (Clark e Clark, 1989, 1991; Portela, 2002). Em florestas tropicais chuvosas, o re- gime de perturbações, dominado por queda de árvores, desempenha papel central na manutenção da diversidade de espécies arbóreas (Levin e Praine, 1974; Foster e Brokaw, 1982; Rose, 2000).

As plantas que sofrem mais danos são as de menor porte, devido a sua menor resistência em função da pequena quantidade de tecido lenhoso (Clark e Clark 1991). Além disso, uma maior quantidade de galhos acima destas plantas aumentaria sua probabilidade de danificação (Vicentini et al., 1995). As plantas muito pequenas (menos de 1 cm de diâmetro), na maioria dos casos, não resistem a esses danos e apresentam elevada mortalidade (Clark e Clark 1991;

Portela, 2002). De fato, Clark e Clark (1991) observaram uma tendência de aumento do número de danos visíveis nas menores classes de tamanho, com exceção da classe de diâmetro < 1 cm, o que pode se dever à maior probabilidade da morte dos indivíduos desta última após o evento de quebra. Nesse mesmo estudo, os indivíduos de 1-4 cm apresentaram as maiores freqüências de danos visíveis.

Os objetivos do presente projeto foram (1) analisar se há variação na freqüência de indivíduos arbóreos danificados e se ela está correlacionada com o gradiente da borda até 100 m de distância em direção ao interior de um fragmento de floresta na Amazônia Central e (2) determinar se o gradiente de danificação desses indivíduos está sendo determinado pelo número de troncos e/ou galhos caídos.

Métodos

Realizamos o estudo em um fragmento de 100ha isolado em 1990, na Fazenda Dimona, localizada a aproximadamente 80km ao norte de Manaus, AM (2o25' S, 59o50' O) com pluviosidade e temperatura médias anuais de 2000mm e 26,7oC, respectivamente, (Benitez-Malvido, 1995). Estabelecemos dois transectos paralelos (linhas 1 e

2), distantes 25m entre si, a partir da borda em direção ao interior. Em cada transecto, estabelecemos sete parcelas de 3 x 8m nas seguintes distâncias em relação à borda: 0m, 3m, 6m, 9m, 20m, 50m e 100m. Dentro de cada uma das 14 parcelas amostradas, contamos os indivíduos arbóreos com diâmetro à altura do colo (DAC) > 1 e d” 4cm e os troncos e/ou galhos caídos no chão com diâmetro e” 3cm.

Consideramos os indivíduos amostrados como danificados quando apresentaram evidência de quebra do caule e/ou quando estavam tombados, em posição horizon- tal. Após um evento de quebra, o caule rebrota com diâmetro menor do que aquele abaixo da quebra (D. A. Clark, com.

pess.). Consideramos indivíduos danificados aqueles em que essa redução de diâmetro foi de no mínimo 25% em relação ao diâmetro do ramo original (seguindo o critério de Clark e Clark, 1991). Determinamos também a presença ou ausência de troncos e/ou galhos no chão dentro de um raio de dois metros em relação aos indivíduos amostrados, mesmo que os troncos e/ou galhos se encontrassem fora dos limites da parcela.

Realisamos analises de correlação (r de Spearman) entre a distância da borda do fragmento e as seguintes variáveis:

(1) proporção de indivíduos com danos na parcela; (2) proporção de indivíduos com troncos ou galhos caídos em sua vizinhança; (3) número total de troncos e galhos na parcela e (4) número total de indivíduos. Além disso, fizemos um teste de probabilidade exata de Fisher para comparar a presença de troncos e galhos caídos entre indivíduos com e sem danos (Zar 1984).

Resultados

Troncos e/ou galhos caídos foram observados com maior freqüência na vizinhança dos indivíduos com danos do que naquela dos indivíduos sem danos (teste de Fisher : p = 0,03;

N = 177).

Na linha 2 de amostragem, a abundância de árvores de 1- 4cm de diâmetro e a proporção de árvores com dano aumentaram significativamente com a distância da borda (correlação de Spearman – abundância: r = 0,67, p < 0,05, N = 6; indivíduos com dano: r = 0,812; p < 0,05; N = 6).

Não foi observada, entretanto, nenhuma correlação significativa considerando-se os dados conjuntos de ambas as linhas (Figuras 1 e 2), dada a ausência de tais padrões na linha de amostragem 1.

(9)

0 5 10 15 20 25 30 35 40

0 a 3 3 a 6 6 a 9 20 a 23 50 a 51 100 a 103 Classes de distância da borda (m)

Númerototaldeindivíduosporparcela

Figura 1 – Abundância de árvores pequenas (DAC > 1 e d” 4 cm) em relação à distância da borda, em um fragmento de 100 ha de uma floresta de terra firme da região de Manaus (Fazenda Dimona, Projeto PDBFF; Laurance et al. 2000).

0 5 10 15 20 25 30

0 a 3 100 a 103 2o a 23 3 a 6 50 a 51 6 a 9 Classes de distância da borda (m)

Proporçãodeplantasdanificadas porparcela

Figura 2 – Proporção de árvores pequenas (DAC > 1 e d” 4 cm) com dano em relação à distância da borda, em um fragmento de 100 ha de uma floresta de terra firme da região de Manaus (Fazenda Dimona, Projeto PDBFF; Laurance et al. 2000).

Discussão

A freqüência de troncos caídos próximos aos indivíduos com danos foi maior do que aquela observada nos indivíduos sem danos, ao contrário do observado por Portela (2002) em alguns fragmentos de mata atlântica com cerca de 80 anos de idade. Contudo, não existiu relação entre o número total de troncos caídos por parcela e a distância da borda, como observado por Portela (2002). Por meio da análise de cada transecto, distantes entre si apenas 25m, percebemos que somente para a linha 2 houve relações significativas, onde a proporção de indivíduos com danos e o número total de indivíduos aumentou da borda para o interior. Não podemos, entretanto, fazer inferências confiáveis com base em apenas uma linha de amostragem, já que o padrão observado nessa linha pode ter sido simplesmente gerado ao acaso. É possível que não haja realmente relação entre a freqüência de danos e a distância da borda, como encontrado por Portela (2002). Além disso, a ocorrência de danos deve estar relacionada à identidade da espécie afetada, já que a estrutura e arquitetura da planta é em parte determinada por

sua genética. Deste modo, cada uma poderá ter um padrão de resposta distinto. Como não identificamos as espécies amostradas em nosso estudo, quaisquer inferências nesse sentido seriam meramente especulativas.

Existe a possibilidade de dois ou mais fatores estarem influenciando a freqüência de danos, o que não nos permite concluir a respeito da existência de relações diretas entre as variáveis analisadas. É possível que o efeito de borda produza um gradiente de perturbação em que haja uma diminuição na freqüência de queda de troncos em direção ao interior e, conseqüentemente, o número de indivíduos danificados (Laurance et al., 2000). Em contrapartida, é possível que o tempo de isolamento do fragmento também seja um fator determinante da freqüência de danos em árvores. Se o fragmento é antigo, é possível que os indivíduos danificados nos momentos seguintes à fragmentação já tenham morrido, e as árvores de grande porte, então presentes na borda e responsáveis por grande número de danos em florestas, já tenham caído. Nesse caso, espera-se que a freqüência de danos seja maior no interior da floresta.

É sabido que as árvores pequenas (de diâmetro < 1cm) são as mais susceptíveis a danos. Clark e Clark (1991), por exemplo, observaram que o tamanho até 10cm de diâmetro representa uma fase de alto risco para árvores de florestas da Costa Rica. A maior disponibilidade de luz na borda da mata poderia promover uma maior taxa de crescimento dos jovens, o que resultaria em uma permanência menor nessa faixa de risco. Como resultado, seria esperado que na borda de fragmentos antigos a freqüência de danos visíveis em árvores destes tamanhos fosse menor. Adicionalmente, a presença de árvores de maior porte dentro da floresta seria um fator adicional de risco para árvores jovens sob suas copas.

Agradecimentos

Agradecemos a disposição, incentivo e inspiração de Deborah Clark durante todo o trabalho.

Referências Bibliográficas

Benitez-Malvido, J. 1995. The ecology of seedlings in Central Amazonian forest fragments. Tese de doutorado. Universidade de Cambridge.

Clark, D. B. e Clark, D. A. 1989. The role of physical damage in the seedling mortality regime of a neotropical rain forest. Oikos 55:225-230.

Clark, D. B. e Clark, D. A. 1991. The impact of physical damage on canopy tree regeneration in tropical rain forest. Journal of Ecology 79:447-457.

Clark, D. B. e Clark, D. A. 2001. Getting to the canopy:

tree height growth in a neotropical rain forest. Ecology 82: 1460-1472.

Foster, R. B. e Brokaw, V. L. 1982. Structure and history of the vegetation of Barro Colorado island. The Ecology of tropical forests – seazonal rythims and long term changes. Smithsonian Institute, Washington DC,

(10)

USA.

Laurance, W. F.; Delamônica, P.; Laurance, S.;

Vasconcelos, H. L. & Lovejoy, T. E. 2000. Rainforest fragmentation kills big trees. Nature 404: 836.

Levin, S. A. e Praine, R. T. 1974. Disturbance, patch formation and community structure. Proc. Nat. Acad.

71: 2744-2747.

Portela, R. C. Q. 2002. Estabelecimento de plântulas e jovens de espécies arbóreas em fragmentos florestais de diferentes tamanhos. Tese de mestrado, UNICAMP.

Rose, S. A. 2000. Seeds, seedlings and gaps – size matters: a study in the tropical rain forest of Guyana.

Tropenbos, Guyana.

Vicentini, A. Schimdt, B., Garduño, C. S., Vieitas, C. S. e Silvano, R. 1995. Análise da frequencia de danos físicos em plantas lenhosasn de floresta de platô na reserva florestal Ducke (Manaus, Brasil) e

comparações com 2 florestas da América Central.

Relatório do curso “Ecologia da Floresta Amazônica”- 1995.

Zar, J. H. 1984. Biostatistical Analysis. Prentice Hall, New Jersey, USA.

Orientadora: Deborah Clark

Influência de uma borda florestal sobre a riqueza e densidade de plântulas

Fabiana Rocha-Mendes, Fresnel Gustavo Diaz Araujo, Maura Maria Pezzato, Odirlene Marinho Ribeiro, Ricardo Idelfonso de Campos & Rita de Cássia Quitete Portela

Introdução

A diversidade das florestas tropicais é uma das maiores do planeta, em cada hectare de mata estima-se a existência de 300 espécies de árvores (Ribeiro et al., 1999). Essa floresta vem, entretanto, sofrendo efeitos de fragmentação que levam a um aumento da mortalidade de plantas e a chegada de novas espécies vegetais (Sizer, 1992; Benites- Malvido, 1995, 1998).

Estudos sobre as conseqüências da fragmentação florestal sobre a conservação da biodiversidade tem aumentado significativamente nos últimos anos (Lovejoy et al., 1986;

Laurance e Bierregard, 1997). A justificativa para este crescente interesse é a constatação de que a maior parte da biodiversidade se encontra hoje localizada em pequenos fragmentos florestais, pouco estudados e historicamente marginalizados pelas iniciativas conservacionistas. Se atendidas as previsões mais otimistas, os parques e reservas poderão responder pela manutenção de apenas 10% da cobertura natural dos ecossistemas tropicais.

Para habitats fragmentados, o efeito de borda pode ser considerado como um dos principais fatores que afetam populações vegetais e animais (Laurance e Bierregaard, 1997). Três principais tipos de efeitos de borda podem ser reconhecidos: 1 - Os abióticos, que estão relacionados como alterações em fatores microclimáticos tais como aumento de ventos, variação de temperatura, penetração vertical da luz e umidade; 2 – os biológicos diretos que envolvem mudanças na distribuição e abundância das espécies; 3 – Os biológicos indiretos relacionados à alterações nas interações

entre espécies como herbivoria, predação, parasitismo, dispersão e polinização (Bierregaard et al. , 1995).

Vários estudos que analisaram os efeitos da fragmentação sobre comunidades vegetais evidenciaram uma importante influência de bordas sobre a mortalidade de plântulas e indivíduos jovens em fragmentos florestais. (Wilson &

Crome, 1989; Willians-Linera, 1990a, 1990b; Bothers &

Spingarn, 1992; Sizer, 1992; Matlack, 1994). No caso de espécies arbóreas, o efeito de borda pode alterar de forma significativa as taxas de recrutamento de plântulas (Benitez- Malvido, 1995).

Este estudo visa determinar se existe uma alteração na riqueza e na densidade de plântulas da borda para o interior de um fragmento florestal na Amazônia Central.

Métodos

O estudo foi realizado na Fazenda Dimona em uma reserva de 100 ha do Projeto Dinâmica Biológica de Fragmentos Florestais (INPA/Smithsonian), localizada a aproximadamente 75 km ao norte de Manaus – AM. A temperatura média em Manaus é de 26,7 ºC e médias mensais flutuam na faixa de 2 ºC (Gentry, 1990). Os meses mais chuvosos são março e abril (~300 mm cada). A estação seca se distribui entre os meses de julho a setembro, sendo que cada um recebe menos de 100 mm de precipitação.

As árvores desta região apresentam um dossel de 30 a 37 m, com árvores emergentes de 45 a 50 m, podendo atingir 55 m. O dossel é composto principalmente por espécies das famílias Sapotaceae, Lecythidaceae, Burseraceae e

(11)

Leguminosae, sendo que as espécies predominantes na borda do fragmento são Cecropia sciadophylla e C. purpurascens (Benitez-Malvido, 1995).

O estudo foi realizado em uma faixa central de 210 m da borda norte do fragmento, nas seguintes distâncias da borda:

5 m, 50 m, 100 m e 400 m (controle). Aleatoriamente, em cada distância foram distribuídas 5 parcelas de 1 x 2 m. O número de indivíduos (abundância) e o número de morfoespécies de plântulas (riqueza) foram registradas em cada parcela. Consideramos plântula qualquer indivíduo de zero a um metro de altura enraizado na parcela.

Para comparação entre a riqueza e a abundância de plântulas, utilizamos o teste de Kruscal-Wallis, pois os dados não apresentaram homocedasticidade. Para testar a relação entre a densidade e riqueza foram feitas duas ANCOVAS, com e sem o ponto discrepante.

Resultados

Foram amostrados um total de 497 indivíduos em 20 parcelas, numa densidade mediana de 20,5 (mínimo de 3 e máximo de 87) e riqueza mediana de 11,5 (mínimo de 3 e máximo de 30). Foi encontrado um aumento significativo na riqueza de espécies e na densidade de plântulas da borda para o interior do fragmento estudado (Tab. 1, Fig. 1).

Para verificar se o padrão encontrado de aumento da riqueza de plântulas da borda para o interior da floresta estava relacionado com a densidade de indivíduos, foi realizada uma ANCOVA, com a presença ou ausência de um ponto discrepante. Nos dois casos, foi encontrado, que a riqueza passa a não ser explicada pelo tratamento distância, depois que a densidade foi incluída como covariante na análise (Tab.

2; Fig. 2).

Tab. 1: Resultado do teste de Kruskal-Wallis para riqueza e densidade em função da distância da borda do fragmento de 100 ha na fazenda Dimona.

Fig. 1: Mediana, quartis e valores extremos da riqueza e densidade de plântulas em função da distância da borda do fragmento de 100 ha de floresta na fazenda Dimona.

Tab. 1: Resultado da ANCOVA para distância, densidade como covariante e riqueza como variável dependente no fragmento de 100 ha na fazenda Dimona. ANCOVA 1 utilizou os datos totais, ANCOVA 2 retirou-se o ponto discrepante.

ANCOVA 1 ANCOVA 2

Distância Gl: 3; F= 2,36; p=0,11 Gl, 3; F= 2,89; p=0,07 Densidade Gl: 1; F= 30,46; p=0,00 Gl: 1; F= 2,13; p=0,16

Gl Kuskal-Wallis p

Riqueza 3 11,851 0,008

Densidade 3 8,498 0,037

Fig. 2: Relação entre densidade e riqueza de plântula em diferentes distâncias da borda de um fragmento florestal de 100 ha na fazenda Dimona.

(12)

Discussão

O aumento na densidade de plântulas encontrado da borda para o interior do fragmento pode estar relacionado à mudanças bióticas e abióticas decorrentes do efeito de borda.

Em um trabalho nesse mesmo fragmento, um resultado semelhante foi encontrado por Benitez-Malvido (1995) até 100m da borda. Adicionalmente, a proximidade de bordas florestais pode afetar negativamente o número de plântulas e sementes de espécies arbóreas em fragmentos florestais na Amazônia, como o encontrado por Benitez-Malvido (2001).

Os principais fatores que podem ter causado o padrão encontrado, devem estar relacionados a predação de sementes. Segundo Burkey (1993) existe uma menor predação de sementes nos habitats de entorno florestais devido ao fato da maioria dos predadores terem um comportamento de aversão à borda. Isso poderá claramente ocasionar uma forte mudança na composição, densidade e riqueza da comunidade de plantas da área (Burkey 1993).

Ganade (2001) demonstrou indiretamente que a dispersão também pode ter sido um fator crucial para a diminuição da densidade de plântulas no interior do fragmento estudado.

Esse trabalho demonstrou que quando introduzidas artificialmente, sementes de plantas de interior de mata, podem germinar sem nenhum problema em habitats de capoeira, que são muito parecidos em termos de composição de espécies com a borda desse fragmento. Sendo assim, parece que existe uma dificuldade no transporte de sementes do interior para a borda do fragmento que pode estar sendo causada por uma falha na dispersão e que pode ocasionar uma redução na chuva de sementes (Benitez-Malvido, 2001, Ganade, 2001).

Como um ponto adicional responsável pelo padrão encontrado podemos apontar os fatores relacionados ao ambiente físico. Nas bordas, as causas da mortalidade de plântulas podem estar relacionadas com o aumento da queda de folhas, o que poderá ocasionar a morte das plântulas por dano mecânico (Clark e Clark, 1989; Benitez-Malvido, 1995). Mudanças na umidade e temperatura do solo nas bordas da floresta podem reduzir a germinação, especialmente das sementes que não são tolerantes à desidratação (Laurance e Bierregaard, 1997). Além disso, as plântulas tolerantes à sombra ao longo da borda podem também sofrer um decréscimo em sua abundância devido a forte competição com as espécies pioneiras, que possuem altas taxas de crescimento (Benitez-Malvito, 2001). O fogo, o vento forte e seco e atividade pecuária também podem aumentar a mortalidade de plântulas em um fragmento (Kapos et al., 1993).

Conclusão

Existe influência negativa da borda florestal na densidade e consequentemente na riqueza de plântulas, o que pode acarretar em mudanças na estrutura e composição de comunidade de plantas adultas bem como na dinâmica deste

fragmento a longo prazo.

Agradecimento

Agradecemos a Gislene Ganade pela orientação e apoio no campo e discussão, ao Sr. Ocírio (Juruna) pelo auxílio em campo, ao Eduardo Venticinque (Dadão) pelas sugestões e críticas e a Dona Eduarda e Sr. Jorge pela alimentação sempre bem vinda. Sem esquecer de todos os colegas dos outros grupos pelo incentivo, aconchego e distrações du- rante a confecção deste trabalho.

Referências Bibliográficas

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Orientador do projeto: Gislene Ganade

Riqueza, composição e diversidade de palmeiras (Arecaceae) relacionadas à variação topográfica em

floresta de terra-firme na região de Manaus, AM

Amanda De La Torre, Dana Moiana Vianna, Janael Ricetti, Juliana Silva de Souza, Luciano Fogaça de Assis Montag

Introdução

As variações de diversidade e riqueza de espécies em função de características do solo, drenagem e biogeografia não são bem conhecidas para a floresta de terra-firme na Amazônia. Estudos vêm relacionando os padrões de riqueza de espécies com a variação na qualidade nutricional do solo, porém as relações causais ainda não são bem estabelecidas (Tuomisto et al., 2002). A textura do solo é uma característica física que tem grande influência nas demais características físicas e químicas do solo (Ross, 1989).

Existem diferentes tipos de florestas de terra-firme (florestas que não são sazonalmente inundadas pelas cheias dos rios), os quais são definidos principalmente pelo tipo de solo e relevo: floresta de platô, de vertente, e floresta de baixio (Ribeiro, 1999). Em todos esses tipos de florestas, as palmeiras constituem um elemento dominante da vegetação.

Arecaceae é uma das maiores famílias de plantas no mundo e a mais característica da flora tropical (Henderson et al. 1995). Segundo estes autores, os gêneros mais abundantes na Amazônia são Bactris, Geonoma e Astrocaryum, que incluem 95 espécies e variedades, sendo especialmente abundantes no sub-bosque. Apesar de sua ampla distribuição em áreas de floresta tropical, alguns estudos vêm demonstrando que o padrão de distribuição de certas espécies é influenciado por condições ambientais (solo, topografia, hidrologia) (Tuomisto et al. 2002, Souza et al. 1999, Ribeiro et al., 1999), tanto em macro como em meso-escala (Kahn, 1987, Basnet, 1992, Poulson 1996 apud Clark et al., 1998)

Este estudo teve como objetivos: (1) comparar a riqueza, composição, diversidade e densidade de espécies de

palmeiras em áreas de baixio, vertente e platô; (2) identificar potenciais espécies indicadoras desses ambientes; e (3) quantificar o conteúdo de areia no solo nos diferentes ambientes de floresta.

Métodos

A pesquisa foi conduzida na Amazônia central, numa região situada aproximadamente 70-90 km ao norte de Manaus – AM (2o 20,307’S e 60o 60,156’ O), nas áreas de convênio INPA/WWF/STRI, uma região que foi parcialmente desmatada para implantação de pastagens na década de 70 (Morato, 1993). Em meio a estas pastagens, foram preservados fragmentos de um, dez e 100 ha.

A vegetação local é típica de floresta tropical úmida de terra-firme, com dossel atingindo em média 30-37 m de altura e sub-bosque aberto. Os solos são geralmente latossolos, pobres em nutrientes, sendo o relevo baixo e ondulado, entrecortado por inúmeros igarapés (Morato, 1993). A temperatura média anual é de 26.7 oC. A pluviosidade média anual varia entre 1900mm e 2400mm, com a estação chuvosa ocorrendo entre março e maio (aproximadamente 300 mm de chuva por mês), e os meses mais secos indo de julho a outubro, geralmente com pluviosidade mensal média infe- rior a 100 mm (RADAM BRASIL, 1978).

Este estudo foi realizado num fragmento quadrangular de 100 ha de floresta amazônica, localizado na região da Fazenda Dimona. Para minimizar o efeito de borda das nossas análises, todas as medidas foram feitas na região cen- tral do fragmento. Estabelecemos três parcelas de 50 X 2 m em cada um dos tipos de floresta de terra - firme (platô, vertente e baixio). Estas parcelas foram dispostas

(14)

1.

1.5 2.

2.5

Baixio Vertente Platô Tipo de floresta DiversidadeShannon- Wiener(H')

1 6 11 16 21

Baixio Vertente Platô

Tipo de floresta

Riqueza(S)

0 20 40 60 80 100 120

Baixio Vertente Platô

Tipo de florestas

Abunncia(n)

paralelamente ao igarapé, a 50m umas das outras. Cada medição consistiu na contagem e identificação de todos os indivíduos de palmeiras com altura superior a 50cm. Os indivíduos abaixo desta altura não foram considerados devido à dificuldade de identificação.

As análises dos dados foram realizadas com uso do índice de diversidade de Shannon-Wiener, com logaritmo natural e riqueza de espécies. Posteriormente foi utilizado o método de agrupamento de média de grupos não ponderada (UPGMA) e índice de similaridade de Jaccard para os dados de ocorrência e a similaridade de Morisita para os dados de abundância e incidência. Tais análises foram realizadas com o auxílio do programa computacional MVSP(http://

www.kovcomp.co.uk/).

Para medir a granulometria do solo foi realizada uma análise do conteúdo relativo de areia, em profundidade de 0 – 15 cm, amostrados nos mesmos plotes, utilizando um trado tipo sonda. As amostras foram secas, destorroadas e passadas por peneira de malha de 2,00 mm. Então, pesou-se 10 g de cada amostra e passou-se em peneira de 0,96 mm de malha, e o material retido foi considerado como areia.

Resultados

COMPOSIÇÃO DE ESPÉCIES

Identificamos 28 espécies de palmeiras (Aracaceae) com uma abundância total de 245 indivíduos. Destas, Oenocarpus bataua, Astrocaryum sciophilum, Bactris acanthocarpa, Syagrus inajai e Geonoma aspidiifolia foram as espécies mais abundantes, representando mais de 70% dos indivíduos (Tabela 1).

Tabela 1 – Lista de espécies e abundância de palmeiras identificadas nos diferentes tipos de floresta de terra-firme (Baixio, Vertente e Platô) em um fragmento florestal da Fazenda Dimona (n = 245).

Espécie Baixio Vertente Platô % do total

Oenocarpus bataua Mart. 34 42 5 33,06

Astrocaryum sciophilum (Miq.) Pulle 1 23 30 22,04

Bactris acanthocarpa Mart. 1 7 8 6,53

Syagrus inajai (Spruce) Bece 5 7 3 6,12

Geonoma aspidiifolia Spruce 0 3 7 4,08

Astrocaryum gynacanthum Mart. 3 3 2 3,27

Oenocarpus minor Mart. 0 3 5 3,27

Attalea attaleoides (Barb. Rodr.) Wess. Boer 0 3 4 2,86

Bactris constanciae Barb. Rodr. 1 1 4 2,45

Bactris hirta Mart. 0 3 2 2,04

Bactris syagroides Barb. Rodr. & Trial 1 3 0 1,63

Socratea exorrhiza (Mart) H. Wendl. 2 0 2 1,63

Bactris albletiana 0 3 0 1,22

Bactris gastoniana Barb. Rodr. 0 1 2 1,22

Iriartella setigera (Mart.) H. Wendl.) 0 3 0 1,22

Oenocarpus bacaba Mart. 0 1 2 1,22

Bactris maraja Mart. 2 0 0 < 1

Geonoma maxima maxima (Poit) var. Máxima Kunth 1 1 0 < 1

Attalea maripa (Aubl.) Mart. 0 1 0 < 1

Bactris acanthocarpoides Barb. Rodr. 0 1 0 < 1

Bactris simplicifrons Mart. 0 1 0 < 1

Bactris tomentosa Mart. 0 1 0 < 1

Desmoncus polyacanthos Mart. 0 0 1 < 1

Euterpe precatoria Mart. 1 0 0 < 1

Geonoma deversa (Poith) Kunth 0 0 1 < 1

Geonoma sp. 0 0 1 < 1

Hyospathe elegans (Mart) 1 0 0 < 1

Total 53 112 80 100

DIVERSIDADE E RIQUEZA DE ESPÉCIES

Em relação à diversidade alfa, abundância e riqueza de espécies, estas não se apresentaram uniformes para os tipos de florestas (Figura 1A). O maior valor de diversidade foi obtido para o platô (H’ = 2,26), já a maior riqueza e abundância foram registradas na vertente, com 21 espécies e 112 indivíduos (Figura 1B e 1C).

Figura 1 – Valores de (A) índice de diversidade (H’); (B) riqueza de espécies e (C) abundância absoluta (n) para diferentes tipos de florestas de terra-firme (baixio, vertente e platô) na Amazônia Central.

A

B

D

Por meio das análises de agrupamento hierárquico obtivemos resultados bem diferentes em relação à incidência e à abundância de espécies. As informações sobre incidência de espécies resultaram em uma baixa similaridade entre as unidades amostrais para os três tipos de florestas (Figura 2).

Porém, quando acrescentamos as informações sobre a abundância das espécies verificamos um agrupamento com similaridades superiores a 60% na formação dos grupos platô (P1, P2 e P3), vertente (V1, V2 e V3) e baixio (B1, B2 e B3) (Figura 3).

(15)

Figura 2 – Dendrograma da análise de agrupamento para incidência de espécies de palmeiras em diferentes topografias (índice de Jaccard; UPGMA). B = Baixio; V = Vertente e P = Platô.

Figura 3 – Dendrograma da análise de agrupamento para incidência de espécies de palmeiras em diferentes topografias (índice de Morisita; UPGMA). B = Baixio; V = Vertente e P = Platô.

ESPÉCIES INDICADORAS DE TIPOS DE FLORESTAS

Quando analisamos a densidade das oito espécies mais abundantes na amostragem total, verificamos uma diferenciação das abundâncias de espécies de palmeiras para os diferentes tipos de florestas (Figura 4). No baixio a espécie O. bataua apresentou-se como dominante, porém para o platô a dominância foi marcada pela espécie A. sciophilum.

0 5 10 15 20 25 30 35 40 45

O. bataua A. sciophilum

B. acanthocarpa S. inajai

G. aspidifolia O. minor

A. attaleoides B. constanciae

Espécies

Abundância (n)

Baixio Vertente Platô

Figura 4 – Distribuição das abundâncias absolutas das oito espécies mais abundantes em florestas do baixio, vertente e platô, em uma área de terra-firme na Amazônia Central.

A quantidade de areia nos diferentes ambientes de florestas apresentou uma variação em ordem de grandeza de, aproximadamente, 10 vezes entre baixio e platô (Figura 5).

0 10 20 30 40 50 60

baixio vertente platô Tipos de floresta

%deareia

Repetição 1 Repetição 2 Repetição 3

Figura 5 – Porcentagem de areia nos três ambientes de terra- firme (baixio, vertente e platô).

Discussão

DIVERSIDADE E RIQUEZA DE ESPÉCIES

Observamos uma diferenciação nos valores de diversidade, riqueza e abundância de espécies de palmeiras para os diferentes tipos de florestas de terra - firme. A maior diversidade de espécies foi observada para o platô, provavelmente pela maior disponibilidade de nutrientes, em função da textura do solo que contém menor proporção de areia (Ross, 1989).

Tuomisto et al. (2002) observaram que tanto para Melastomataceae como para pteridófítas houve uma tendência de aumento da riqueza com o aumento do conteúdo de bases (Ca, Mg, K e Na) do solo. Além disso, destacaram que estudos em grandes escala apresentariam um padrão unimodal, mas que em menor escala poderia-se captar apenas uma parte do padrão. Entretanto, apesar da pequena escala de nosso estudo, encontramos os maiores valores de riqueza na vertente, o que pode ser explicado pelo ambiente de transição entre duas regiões com características distintas (platô/baixio), com maiores oportunidades de nicho.

INDICADORES DE TIPOS DE FLORESTAS

Encontramos maior proporção de Astrocaryum sciophilum em platô, o que difere do encontrado por Souza et al. (1999) em estudo realizado na Reserva Ducke, onde observaram que o número de indivíduos no platô e vertente era muito similar.

A espécie Oenocarpus bataua foi encontrada em maior proporção na vertente, o que difere do encontrado por Souza et al. (1999), os quais consideraram esta espécie como uma indicadora de baixio. Entretanto, é importante ressaltar que não distinguimos os indivíduos jovens dos adultos durante a realização deste estudo. Segundo Ocírio Pereira (comunicação pessoal) os indivíduos jovens de O. bataua não se estabelecem como adultos na vertente. Uma vez que O. bataua foi a espécie mais abundante e observamos na

(16)

vertente apenas indivíduos jovens, isto explicaria a similaridade observada entre vertente e baixio.

Assim, algumas espécies de palmeiras estariam atuando como indicadoras de variações topográficas, estando de acordo com os resultados de Clark et al. (1998) em um estudo no qual foram analisadas as relações de cinco espécies de dossel alto e médio com fatores edáficos.

Agradecimentos

Agradecemos ao Grande Juruna (Sr. Ocírio Pereira) pela valiosa contribuição nas identificações de campo das palmeiras e a Angelita pelo apoio na coleta de dados.

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Orientador do Projeto: Alberto Vicentini

O modelo de Janzen-Connell se aplica a Dinizia excelsa (Leguminosae)?

Patricia Rodin, Jivanildo P.Miranda, Juliana Carneiro, Sandro von Matter, Faviany Lino, Mariana Faria-Corrêa

Introdução

Os processos de dispersão de sementes e estabelecimento das plântulas são importantes etapas do ciclo de vida das plantas. Estas, em parte, determinam a distribuição espacial das populações e conseqüentemente a estrutura da comunidade vegetal. O modelo de Janzen-Connell (Janzen, 1970; Connell, 1971), que se baseia na hipótese de escape da intensa predação sob a planta-mãe, é uma das várias propostas que foram desenvolvidas para explicar o padrão de distribuição espacial de populações em florestas tropicais (Fernner, 1988). O modelo prevê que a probabilidade de ocorrência de sementes no solo diminui monotonicamente com a distância da planta-mãe, enquanto a probabilidade de sobrevivência da plântula aumenta. Isto supostamente ocorre devido à atividade de predadores, que respondem à densidade de sementes.

O objetivo deste estudo foi examinar se a ocorrência de diásporos e de plântulas de Angelim, Dinizia excelsa (Leguminosae: Mimosoideae), uma árvore emergente de dispersão anemocórica, segue o modelo de Janzen-Connell,

através da resposta às seguintes perguntas:

a) A densidade de diásporos diminui em função da distância da planta-mãe?; b)a densidade de plântulas aumenta em função da distância da planta-mãe?; c) a predação de diásporos aumenta em função da densidade de diásporos?

Métodos

Realizamos este estudo no dia 11 de julho, numa área de preservação absoluta da Empresa Mil Madeireira, localizada a sudeste de Manaus (2º 52' 65'’S e 58º 44' 17'’O) Estudamos dois indivíduos de Dinizia excelsa distantes 2 km entre si e localizados a uma distância mínima de 100m da borda da floresta. Definimos a partir da planta-mãe, quatro intervalos de distância: 0-10m, 20-30m, 40-50m e 60-70m. Em cada intervalo, amostramos seis parcelas de 2m2, dispostas de forma radial no entorno da planta-mãe. A localização das parcelas foi determinada por meio de sorteio do ângulo e da distância de planta-mãe dentro de cada intervalo. Em cada parcela contamos o número de plântulas e diásporos encontrados, e classificamos os diásporos quanto à presença

(17)

ou ausência de danos indicativos de predação.

Para avaliar se a distribuição das plântulas e dos diásporos seguiam o padrão previsto pelo modelo de Janzen-Connell, realizamos uma análise de regressão linear entre a distância da planta mãe e densidade de plântulas e entre a distância da planta-mãe e densidade de diásporos. Para avaliar se a predação dos diásporos era dependente da densidade, realizamos uma análise de regressão linear entre a densidade de diásporos predados e a densidade por parcela.

Posteriormente, comparamos o coeficiente angular da reta ajustada em relação ao coeficiente angular teórico igual a 1, por meio do teste t.

Resultados

Os dois indivíduos de Dinizia excelsa, porém estes indivíduos estavam em fase ontogenética distinta, sendo que o menor deles apresentou uma baixa densidade de diásporos e ausência de plântulas, o que impossibilitou a inclusão deste indivíduo na análise. Deste modo, os resultados apresentados referem-se a apenas um indivíduo de D. excelsa.

Encontramos 281 indivíduos de D. excelsa em 24 parcelas amostradas a diferentes distâncias da planta-mãe (11,7 ± 2,9;

0-14). A densidade de diásporos encontrada diminuiu significativamente com a distância da planta-mãe (r2 = 0,55;

p < 0,001– Figura 1).

Figura 1: Relação entre a densidade de diásporos e a distância da planta mãe em Dinizia excelsa na área da Madeireira Mil, Itacoatiara, Amazonas.

Encontramos um total de 35 plântulas de D. excelsa nas 24 parcelas amostradas a diferentes distâncias da planta- mãe (1,45± 0,68; 0-10). A densidade de plântulas não apresentou relação com a distância da planta-mãe (r2 = 0,045;

p = 0,32; Figura 2).

Houve uma relação significativamente positiva entre a densidade de diásporos e a densidade de diásporos predados (r2 = 0,98; p = 0,001; Figura 3). O coeficiente angular da reta representativa desta relação não diferiu de 1 (t = 8,36; p

> 0,05), indicando que o incremento na densidade de sementes está associado a um incremento proporcional na intensidade de predação.

Figura 2: Relação entre a densidade de plântulas por parcela e a distância da planta-mãe Dinizia excelsa na área da Madereira Mil, Itacoatiara, Amazonas.

Figura 3: Relação entre densidade total de diásporos e a densidade de diásporos predados (y = -0,276 + 0,816x) em Dinizia excelsa na área da Madereira Mil, Itacoatiara, Amazonas. A reta tracejada representa uma função teórica onde a constante é zero e a inclinação é igual a um.

Discussão

A densidade de diásporos de Dinizia excelsa diminuiu em função da distância da planta-mãe, o que está de acordo com o previsto pelo modelo de Janzen-Connell. No entanto, a predação não aumentou em função da densidade de diásporos, contrário ao previsto por este mesmo modelo (Janzen, 1970; Connell, 1971). Com base nestes resultados, esperávamos encontrar um maior recrutamento próximo a planta-mãe, o que se refletiria numa maior densidade de plântulas nessa área. No entanto, a densidade de plântulas encontrada foi muito baixa e não apresentou relação com a distância da planta-mãe. Uma possível explicação é que outros fatores, como a competição intraespecífica, também podem exercer influência sobre o estabelecimento das

(18)

plântulas, alterando a distribuição de densidade de plântulas esperada em função das curvas encontradas da chuva de sementes e predação independente de densidade.

De modo semelhante a diversas outras espécies de floresta tropical (Augspurger 1984; Houle, 1995), a espécie estudada, Dinizia excelsa, não seguiu o modelo de Janzen-Connell.

No entanto, o resultado sobre o recrutamento de plântulas indica que o padrão de recrutamento em D. excelsa é semelhante ao previsto pelo modelo, apesar da espécie não seguir as predições em relação à predação de diásporos.

Portanto, a adequação da distribuição espacial das sementes e plântulas em função da distância da planta-mãe precisa ser melhor examinada para que as generalizações do modelo sejam aferidas.

Agradecimentos

Agradecemos ao Beto pela orientação e por ter incorporado o papel de coletor de sementes, e ao Juruna pela grande ajuda no campo, sobrando, assim, tempo para

tomar banho no igarapé.

Referências bibliográficas

Augspurger, C. K. 1984. Seedling survival of tropical tree species: interactions of dispersal distance, light-gaps, and pathogens. Ecology 65 (6): 1705-1712.

Connell, J. H., 1971. On the role of natural enemies in preventing competitive exclusion in some marine animals and in rain forest trees. In: P. J. den Boer & G.

R. Gradwell (eds.). Dynamics of Population. Center for Agricultural Publication and Documentation,

Wageningen.

Fernner, M. 1988. Seed ecology. Cambridge University press. Cambridge.

Houle, G. 1995. Seed dispersal and seedling recruitment:

The missing link (s). Ecoscience 2 (3): 238-244.

Janzen, D. H. 1970. Herbivores and the number of tree species in tropical forests. American Naturalist, 104:

501-528.

Influência do manejo florestal madeireiro nos padrões de tamanho e arquitetura de plântulas e jovens de uma

árvore de dossel

Christiane E. Corrêa, Amanda Mortati, Branca Medina, Flávio Quental, Márcio S. Araújo

Introdução

A sucessão ecológica pode ser definida como o padrão não-sazonal, direcional e contínuo de colonização e extinção de populações em uma área (Begon et al., 1990). Muitas espécies arbóreas de estágios avançados de sucessão caracterizam-se, entre outras coisas, pela capacidade de germinar no interior da floresta, sob baixas condições de luminosidade, e de permanecer como plântulas por longos períodos (Gomes-Pompa e R. Del Amo, 1985). Tais espécies, diferentemente das pioneiras, estão envolvidas no fenômeno de regeneração avançada (Uhl et al., 1988; Rose et al., 2000).

Estas formam um banco de plântulas (Benitez-Malvido, 1995; Ganade, 1995) que permanecem no sub-bosque até que alguma perturbação, como a abertura de clareiras, mude as condições do ambiente.

O aumento na penetração de luz por intermédio de perturbações naturais, como a queda de árvores devido a ventos, raios ou doenças, faz com que indivíduos jovens de espécies tolerantes à sombra presentes no sub-bosque tenham um aumento nas suas taxas de crescimento (Uhl, 1982;

Benitez-Malvido, 1995; Rose et al., 2000). Desse modo, a sucessão nessas clareiras é dominada pelos maiores indivíduos pertencentes ao banco de plântulas (Brown e Jennings, 1998).

As mudanças microclimáticas que ocorrem durante o processo de sucessão exercem influência em aspectos alométricos de plantas. Em algumas espécies arbóreas, por exemplo, os indivíduos jovens alocam recursos predominantemente em crescimento vertical como forma de escapar da zona próxima ao solo, onde a luminosidade é muito baixa (Portela, 2002), ou ampliando a superficie de contato como aumento da área da copa para melhor captação de luz.

Peturbações antrópicas, como o manejo florestal madeireiro, também provocam um aumento na intensidade de radiação solar no interior da floresta. Por isso, podem ter efeito nas taxas de crescimento e na alometria desses regenerantes, por terem influência na intensidade luminosa do interior da floresta.

Com base nessas inormações, tivemos como objetivo (1) investigar se o manejo madeireiro de áreas florestais influencia o crescimento de plântulas e jovens de uma espécie arbórea amazônica e (2) investigar se esse manejo influencia os padrões de arquitetura dos indivíduos dessa espécie.

Métodos

A espécie estudada, Zygia racemosa (Ducke) (Leguminosae: Mimosoidae), conhecida como angelim-

Referências

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