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Tribunal de Justiça de Minas Gerais

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Tribunal de Justiça de Minas Gerais

1.0231.14.028943-1/001

Número do Númeração 0344861-

Des.(a) Jaubert Carneiro Jaques Relator:

Des.(a) Jaubert Carneiro Jaques Relator do Acordão:

04/08/2015 Data do Julgamento:

14/08/2015 Data da Publicação:

EMENTA: AGRAVO EM EXECUÇÃO PENAL - COMETIMENTO DE NOVO CRIME DURANTE LIVRAMENTO CONDICIONAL - SUSPENSÃO DO BENEFÍCIO E CONFIGURAÇÃO DE FALTA GRAVE - POSSIBILIDADE - T R A N S I T O E M J U L G A D O D A D E C I S Ã O C O N D E N A T Ó R I A - DESNECESSIDADE -SISTEMA REGRESSIVO - INTERPRETAÇÃO DO ART. 118 DA LEP - RECURSO NÃO PROVIDO.

- Não é necessário o trânsito em julgado de decisão que apura a conduta definida como crime que causou a revogação/suspensão do benefício de livramento condicional de um sentenciado, em razão da expressa determinação do art. 118, I, da Lei n. 7.210/84, como tem entendido a jurisprudência majoritária.

- O sistema regressivo, previsto no art. 118 da LEP, constitui regra geral em sede de execução, devendo ser aplicado a todos os condenados, sem exceções.

- A prática de fato definido como crime doloso, durante o livramento condicional, é considerada falta disciplinar de natureza grave, nos termos do art. 52 da LEP, sendo, portanto, apta a ensejar a suspensão do benefício, a regressão do regime, a perda de parte dos dias remidos e a interrupção do lapso temporal para a concessão de futuros benefícios prisionais.

AGRAVO EM EXECUÇÃO PENAL Nº 1.0231.14.028943-1/001 - COMARCA DE RIBEIRÃO DAS NEVES - AGRAVANTE(S): AGNALDO BATISTA RODRIGUES - AGRAVADO(A)(S): MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS

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A C Ó R D Ã O

Vistos etc., acorda, em Turma, a 6ª CÂMARA CRIMINAL do Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais, na conformidade da ata dos julgamentos, em NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO.

DES. JAUBERT CARNEIRO JAQUES RELATOR.

DES. JAUBERT CARNEIRO JAQUES (RELATOR)

V O T O

Trata-se de AGRAVO EM EXECUÇÃO PENAL interposto pela Defensoria Pública do Estado de Minas Gerais, assistindo o reeducando Agnaldo Batista Rodrigues, contra a decisão de fls. 39/39v-TJ, em que a MMa. Juíza singular determinou a suspensão do livramento condicional do agravante, bem como a sua regressão para o regime semiaberto, por ter esse cometido, em tese, novo delito durante o período de livramento.

Nas razões recursais (fls. 05/11-TJ), o agravante alega, em síntese, que a única sanção cabível para quem estava em livramento condicional, diante do cometimento e condenação por novo crime, seria a revogação do benefício, não se podendo regredir de regime o agente e decretar a perda de dias remidos, sob pena de dupla punição.

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Sustenta que o sujeito em livramento condicional não se encontra mais preso e, logicamente, não se sujeita a nenhum regime prisional, de modo que, ao cometer nova infração, deve lhe ser aplicado o disposto no art.

145 da LEP e não o art. 52 do mesmo diploma legal, que versa sobre a configuração de falta grave.

Assim, assevera que não há nenhuma previsão legal de regressão de regime, nem de declaração de falta grave, quando o condenado que goza de livramento condicional pratica novo crime.

Além disso, aduz que para o reconhecimento de falta grave é necessário o trânsito em julgado da sentença, quando se referir a cometimento de novo delito, sob pena de ofensa ao princípio da presunção de inocência.

Desse modo, pugna pela reforma da decisão que reconheceu a falta grave, bem como pela isenção das custas judiciais, por ser o reeducando hipossuficiente economicamente e assistido pela Defensoria Pública.

Contrarrazões apresentadas às fls. 43/51-TJ, nas quais o Ministério Público pugna pelo não provimento do recurso. Argumenta que a aplicabilidade da regressão de regime abrange todos os condenados, e não apenas aos reeducandos que se encontram presos, citando o art. 118 da LEP. Salienta que o sistema de execução penal não busca a realização de punições unicamente pela prática de delitos ao longo da execução penal,

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violam o regramento prisional.

Nesse sentido, assevera que a reiteração delituosa é a falta disciplinar mais indesejável, pois denota o insucesso do processo de ressocialização do indivíduo (fl. 44-TJ).

Afirma que não é necessário o trânsito em julgado da sentença condenatória, bastando a mera prática de crime doloso, colacionando jurisprudência para corroborar seus argumentos.

Em sede de juízo de retratação (fl. 53-TJ), foi mantida a decisão agravada por seus próprios fundamentos.

Parecer da douta Procuradoria-Geral de Justiça, exarado pelo Procurador Ronald Albergaria às fls. 63/64-TJ, opinando pelo conhecimento e não provimento do recurso, por entender que a o penitente em gozo do livramento condicional também está sujeito às regras de execução penal, não cabendo falar em ausência de previsão legal de falta grave durante o período de prova, nos termos dos art. 52, 118, I, e 145, todos da LEP. Alegando ainda que, por se tratarem de dois institutos diversos e que não se confundem, não constitui bis in iden a suspensão do livramento condicional e a regressão do regime por um mesmo fato.

É o relatório. Decido.

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Conheço do recurso, pois presentes seus pressupostos de admissibilidade.

De início, ressalta-se que não há preliminares a serem analisadas ou que devam ser suscitadas de ofício por este Relator. Assim, passa-se ao exame do mérito.

Pois bem, compulsando detidamente os autos, constata-se que busca a Defesa a cassação da decisão que reconheceu como falta grave novo delito praticado pelo reeducando em 19/07/2014 (art. 157, §2º, II, do Código Penal), em curso de livramento condicional, sustentando que não há trânsito em julgado da sentença condenatória e que não é possível o reconhecimento de falta grave aos apenados em gozo de livramento condicional.

Todavia, os argumentos defensivos não merecem ser acolhidos, pelos motivos que passo a expor.

A Lei de Execução Penal se aplica a todos os condenados, independente de estarem submetidos à execução em sua forma tradicional ou em gozo de algum benefício, e que qualquer desvio que venha a caracterizar falta grave enseja a regressão do regime ou suspensão do benefício de livramento condicional e a perda dos dias remidos.

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condicional consiste na antecipação provisória da liberdade para quem cumpre pena privativa de liberdade, mas já se aproxima do fim, possibilitando um retorno progressivo do reeducando ao convívio social. Em contrapartida, o condenado agraciado com tal benefício não pode se esquivar das regras atinentes à execução da pena, que, repita-se, não se extinguiu.

É de conhecimento geral que a ocorrência da falta grave importa na regressão de regime e também na perda dos dias remidos, conforme disposto no art. 118, inc. I e art. 127, ambos da Lei de Execução Penal.

Cabe frisar que não se trata de bis in idem, uma vez que, apesar de gozar do benefício do livramento condicional, o apenado continua cumprindo pena e, portanto, permanece vinculado a um dos três regimes de cumprimento da reprimenda.

Sobre o tema, Guilherme de Souza Nucci assim esclarece:

É medida penal restritiva de liberdade de locomoção, que se constitui num benefício ao condenado e, portanto, faz parte do seu direito subjetivo, integrando um estágio do cumprimento da pena. (NUCCI, Guilherme de Souza. Manual de Direito Penal - 7ª ed. rev. atual. e amp.. São Paulo:

Editora: Revista dos Tribunais, 2010, pag. 555) (grifos nossos).

Ademais, a própria legislação prevê uma série de efeitos para

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o apenado em caso de prática de falta grave, tais quais como a regressão de regime e a perda dos dias remidos, além da supressão de diversos outros direitos, sem, no entanto, que isso caracterize bis in idem.

Ressalta-se, ainda, que a revogação do benefício do livramento condicional somente ocorre com o trânsito em julgado da sentença penal condenatória. Antes disso, o que há é apenas uma suspensão, de natureza cautelar, da referida benesse.

Com efeito, a Lei de Execuções Penais é norteada pelos princípios de autodeterminação e recuperação do condenado, o qual deve superar gradativamente as fases de cumprimento da reprimenda a fim de se reinserir na sociedade.

Desse modo, é inadmissível que a prática de fato considerado como crime doloso durante o livramento condicional, a qual demonstra o despreparo do reeducando em retornar ao convívio social, não repercuta na execução da pena do agravado, na mesma proporção em que ocorre com os apenados que estão submetidos à execução penal em sua forma tradicional.

Nesse sentido, já se manifestou este Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais:

EMENTA: AGRAVO EM EXECUÇÃO - PRÁTICA DE FATO DEFINIDO COMO CRIME DOLOSO DURANTE CUMPRIMENTO DO LIVRAMENTO

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CONDICIONAL - FALTA GRAVE - REGRESSÃO DE REGIME E INTERRUPÇÃO DO MARCO INICIAL PARA OBTENÇÃO DE NOVOS B E N E F Í C I O S P R E V I S T O S N A L E I D E E X E C U Ç Ã O P E N A L - POSSIBILIDADE - HIPOSSUFICIÊNCIA FINANCEIRA - ISENÇÃO CONCEDIDA.

- A prática de fato definido como crime doloso, durante o cumprimento da pena, mesmo estando reeducando em gozo do livramento condicional, é considerada falta disciplinar de natureza grave, nos termos do art. 52 da LEP, sendo, portanto, apta a ensejar a suspensão do benefício, a regressão do regime e a interrupção do lapso temporal para a concessão de novos benefícios inerentes à execução penal.

- Faz jus à isenção das custas processuais o réu comprovadamente hipossuficiente, nos termos do art. 10 inc. II, da Lei Estadual 14.939/03.

(Agravo em Execução Penal, 1.0514.13.001351-9/001, Relator(a): Des.(a) Cássio Salomé, 7ª CÂMARA CRIMINAL, julgamento em 03/07/2014, publicação da súmula em 11/07/2014) (grifamos).

EMENTA: AGRAVO EM EXECUÇÃO PENAL. PRÁTICA DE FALTA GRAVE DURANTE O GOZO DO LIVAMENTO CONDICIONAL. REGRESSÃO DE REGIME, PERDA DE PARTE DOS DIAS REMIDOS E INTERRUPÇÃO DO PRAZO PARA AQUISIÇÃO DE NOVOS BENEFÍCIOS. IMPOSIÇÃO.

RECURSO PROVIDO.

- A prática de fato definido como crime doloso, durante o livramento condicional, é considerada falta disciplinar de natureza grave, nos termos do art. 52 da LEP, sendo, portanto, apta a ensejar a suspensão do benefício, a regressão do regime, a perda de parte dos dias remidos e a interrupção do lapso temporal para a concessão de futuros benefícios prisionais. (Agravo em Execução Penal, 1.0145.09.547818-9/001, Relator(a): Des.(a)Nelson Missias de Morais, Relator(a) para o acórdão: Des.(a) Matheus Chaves Jardim, 2ª CÂMARA CRIMINAL, julgamento em 31/07/2014, publicação da súmula em 11/08/2014).

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Nesse sentido, ressalta-se que o art. 112 da LEP, que trata da forma progressiva de cumprimento da pena, em seu §2º, salienta a adoção dos mesmos procedimentos para a concessão de livramento condicional, o que corrobora o entendimento de que tal benefício não pode ser compreendido isoladamente.

Ora, apesar de, efetivamente, o livramento condicional ser uma forma diferenciada de cumprimento de pena, já que o indivíduo não se submete a nenhum dos tradicionais regimes, o condenado não deixa de estar sob execução penal, já que sua pena só será considerada extinta quando o livramento chegar a seu término sem que tenha sido revogado, nos termos do art. 90 da LEP.

Vale destacar, ainda, que, mesmo durante o livramento condicional, o apenado está a todo o momento sob as disciplinas e condições do sistema prisional, mais ainda, constata-se que houve uma grande preocupação do legislador de que fossem criadas várias condições para a concessão e gozo do livramento condicional, como se depreende dos art. 132 a 134 da LEP, justamente porque ele constitui o mais avançado estágio de liberdade na execução criminal, não se podendo realizar uma interpretação parcial das normas da execução somente para beneficiar o apenado.

Por fim, no tocante ao requerimento de justiça gratuita, formulado em sede de razões recursais (fl. 10-TJ), por não ter o agravante condições de arcar com as despesas dos atos processuais, vislumbra-se que o apenado está assistido pela Defensoria Pública, o que pressupõe que já é

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cumpre registrar que não há que se falar em custas processuais em recurso de agravo de execução penal.

Portanto, diante dessas considerações, NEGO PROVIMENTO ao recurso manejado pelo agravante, mantendo incólume a decisão vergastada.

É como voto.

Sem custas.

DESA. DENISE PINHO DA COSTA VAL - De acordo com o(a) Relator(a).

DESA. LUZIENE MEDEIROS DO NASCIMENTO BARBOSA LIMA (JD CONVOCADA) - De acordo com o(a) Relator(a).

SÚMULA: "NEGARAM PROVIMENTO AO RECURSO"

Referências

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