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Braz. J. Cardiovasc. Surg. vol.6 número1

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Academic year: 2018

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Rev. Bras. Cir. Cardiovasc. , 6(1): 1-2, 1991.

Editorial

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primeiro ato oficial do "18? Congresso Nacional de Cirurgia Cardíaca", realizado no Rio de Janeiro, foi a homenagem póstuma prestada a Delmont Bittencourt. Todos nós, membros da Sociedade Brasileira de Cirurgia Cardiovascular e da Sociedade Brasileira de Cardiologia, perdemos um grande amigo e a Cirurgia Cardíaca brasi-leira, um de seus pioneiros.

Delmont Bittencourt nasceu em Curitiba, a 25 de agosto de 1921 . Sua educação primária realizou-se entre 1928 a 1931, na Escola Normal de Curitiba; fez sua educação secundária no Ginásio Paranaense, tendo sido aprovado por média em todos os anos. Em 1939, prestou exame de habilitação à Faculdade de Medicina da Uni-versidade do Paraná, sendo aprovado em primeiro lugar. Em 1942, transferiu-se para a Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, onde se formou em 1945.

Já durante seu curso médico, demonstrou grande interesse pela cirurgia, integrando-se ao Serviço do pro-fessor Alípio Corrêa Netto, na Santa Casa de Miseri-córdia de São Paulo, e nunca abandonou essa laboriosa equipe, durante sua longa e gloriosa evolução, até que . deixou nossa companhia no dia 27 de janeiro de 1991. Como estudante, foi Acadêmico Interno da Santa Casa, plantonista do Pavilhão Central e Interno Residente do Pavilhão Fernandinho Simonsen .

Após sua formatura em 1945, aprimorou os conheci-mentos adquiridos durante o curso médico em cirurgia geral com uma sólida e proveitosa Residência de três anos no Hospital das Clínicas de São Paulo, iniciando, a seguir, uma brilhante carreira como cirurgião, investi-gador, professor, orientador de jovens estudantes e mé-dicos, conselheiro, político, tradutor e encarregado da versão de trabalhos científicos para várias línguas; enfim, não houve nenhum cargo ou nenhuma atividade no Ser-viço do professor Alípio e no meu próprio, após ter eu tido a honra de substituir nosso querido Chefe, nos quais o Dr. Bittencourt não tenha participado e exercido pesada influência nas importantes decisões. Essa inestimável contribuição foi intensa e contínua, durante longos anos, até seu desaparecimento. Seu proficiente trabalho

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queceu-o em prestígio, títulos universitários e produção científica, que todos nós conhecemos.

Em 1958, como bolsista da Fundação Rockfeller, trabalhou com C. Walton Lillehei, em Minneapolis, na University of Minnesota Medical School, e contribuiu, após sua volta dos Estados Unidos, para o desenvol-vimento da circulação extracorpórea no nosso grupo. Estando sempre muito bem atualizado na literatura publi-cada sobre a cirurgia cardíaca e conhecendo pessoal-mente os reverenciados precursores e grandes Serviços da especialidade no exterior, foi pioneiro na realização, em primeiro lugar no Brasil, de vários inéditos procedi-mentos cirúrgicos propostos pelos cirurgiões que fizeram a história da cirurgia cardíaca. Entre muitas outras incon-táveis contribuições, participou dos primeiros transplan-tes cardíacos realizados na América Latina, em 1968.

Dedicou-se com extraordinária energia ao plano de elaboração e, posteriormente, à realização do Instituto do Coração do Hospital das Clínicas. Visitou todas as Instituições congêneres em vários países, exercendo uma efetiva colaboração no planejamento de cada míni-mo pormenor da construção, organização médica e ad-ministrativa, aquisição de equipamentos, e tudo o mais que o InCor necessitou para aparecer.

Delmont Bittencourt era um homem culto e perfe-cionista. Interessava-se, curiosamente, por minúcias da cultura geral. Falava várias línguas e conhecia muito da literatura de vários países. Possuía personalidade muito especial. Caracterizava-o uma extrema bondade, perfeita educação social, respeito ao próximo e profunda valorização da amizade, qualidades que consquistaram várias gerações de jovens cirurgiões cardiovasculares, muitos aqui presentes, que a ele devem a orientação, os ensinamentos e parte do treino técnico que permitiram sua projeção no cenário da cirurgia cardíaca brasileira.

Enquanto tivermos memória, lembrar-nos-emos de Delmont Bittencourt com muita saudade.

Referências

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