Acordam os Desembargadores que compõem a Sétima Câmara Cível do Tribunal de Justiça, por unanimidade de seus votos, em negar provimento ao recurso.

Texto

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SÉTIMA CÂMARA CÍVEL

AGRAVO INTERNO NOS AUTOS DA APELAÇÃO CÍVEL Nº 0004231-81.2010.8.19.0045

AGRAVANTE : SUL AMÉRICA SEGURO SAÚDE S.A.

AGRAVADO : NORIVAL DINIZ

RELATOR : DES. ANDRÉ ANDRADE

AGRAVO INTERNO. RATIFICAÇÃO DA DECISÃO MONOCRÁTICA POR SEUS PRÓPRIOS FUNDAMENTOS. RESPONSABILIDADE CIVIL.

PLANO DE SAÚDE. CUSTEIO DE HOME CARE INDICADO PARA O TRATAMENTO DE SAÚDE DA APELADA. RECUSA NA COBERTURA. FUNÇÃO SOCIAL DO CONTRATO. DANO MORAL IN RE IPSA. OFENSA À DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA. QUANTUM INDENIZATÓRIO ARBITRADO EM VALOR RAZOÁVEL. REPETIÇÃO DOS ARGUMENTOS ESCORREITAMENTE ENFRENTADOS.

REFORMA DE DECISÃO QUE SÓ SE JUSTIFICA SE FOR TERATOLÓGICA OU MANIFESTAMENTE CONTRÁRIA À PROVA DOS AUTOS. RECURSO MANIFESTAMENTE INFUNDADO. DESPROVIMENTO DO RECURSO.

Vistos, relatados e discutidos estes autos de Agravo Interno nos autos da apelação cível Nº 0004231-81.2010.8.19.0045 em que é Agravante SUL AMÉRICA SEGURO SAÚDE S.A. e Agravado NORIVAL DINIZ,

Acordam os Desembargadores que compõem a Sétima Câmara Cível do Tribunal de Justiça, por unanimidade de seus votos, em negar provimento ao recurso.

ANDRÉ ANDRADE DESEMBARGADOR RELATOR

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VOTO

NORIVAL DINIZ, propôs ação indenizatória em face de SUL AMERICA SEGURO SAÚDE S/A, alegando que sua filha, beneficiária do plano de saúde administrado pela ré, na qualidade de sua dependente, foi vítima de acidente vascular encefálico, que causaram sequelas, necessitando de cuidados contínuos em domicílio. Aduz que solicitou o atendimento através de serviço “home care” que não foi autorizado ao argumento de que tal serviço não estaria disponível no Município de Resende porque limitado a centros urbanos maiores. Postulou a condenação da ré a autorizar o serviço home care, ressarcimento dos valores despendidos com serviço particular home care, bem como a pagar indenização por dano moral.

A sentença (fls. 107/109) julgou procedentes os pedidos iniciais, confirmando a tutela antecipada e condenando a ré a pagar indenização no valor de R$10.000,00 (dez mil reais) a título de dano moral, além de indenização por danos materiais pelos gastos do autor com tratamento visado em valor a ser apurado em liquidação.

A ré interpôs apelação (fls. 117/131), sustentando a inexistência de cobertura contratual para atendimentos domiciliares, já que o objeto do

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contrato está limitado ao valor da importância segurada. Negou a existência de dano moral indenizável e pediu a reforma da sentença, para que seja julgado integralmente improcedente o pedido inicial.

Insurge-se a apelante, ora agravante, contra decisão monocrática de fls. 152/156, que negou provimento ao recurso, na forma do art. 557, caput, do CPC.

É o Relatório.

Não merece prosperar o recurso da agravante, uma vez que esta não trouxe aos autos qualquer argumento capaz de modificar a decisão que negou provimento à apelação interposta, a qual enfrentou todas as questões apresentadas.

Diante da inafastabilidade das disposições do Código de Defesa do Consumidor ao caso dos autos, as cláusulas contratuais devem ser interpretadas da forma mais favorável para o consumidor, por força do comando inserto em seu artigo 47.

No caso concreto não há cláusula limitativa expressa quanto à cobertura da assistência hospitalar denominada “home care”,

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devendo prevalecer atendimento que beneficie o consumidor, hipossuficiente técnico que aderiu aos serviços da ré.

Considerando que o tratamento de saúde residencial é sucedâneo da própria internação hospitalar e foi indicado como forma de preservação da vida, já que grave o estado de saúde, que exige cuidados permanentes, especiais e ininterruptos, deve prevalecer o entendimento no sentido da exigibilidade do tratamento pleiteado pelo autor.

O contrato firmado entre as partes não contem previsão expressa do tratamento solicitado ou exclusão deste, devendo prevalecer a cláusula geral de função social do contrato, já que o valor em comento – vida humana – se sobrepõe ao valor comercial estabelecido decorrente da contratação.

Deve ser acrescido que a jurisprudência deste Tribunal já se pronunciou, em diversas oportunidades, no sentido da abusividade de limitação contratual neste caso.

Confira-se:

CONSUMIDOR. AÇÃO INDENIZATÓRIA PELO RITO ORDINÁRIO. HOME CARE. NEGATIVA DO PLANO DE SAÚDE.

SENTENÇA DE PROCEDÊNCIA. APELO DA RÉ. COMPROVAÇÃO DE QUE O AUTOR ESTAVA EM DIA COM AS SUAS PRESTAÇÕES. INDICAÇÃO DO REFERIDO TRATAMENTO POR MÉDICOS CREDENCIADOS AO SEU PLANO DE SAÚDE.

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TRATAMENTO QUE SOMENTE FOI INICIADO POR MEIO DE DECISÃO JUDICIAL. APLICAÇÃO DO CDC. CONTRATO DE ADESÃO. FUNÇÃO SOCIAL DO CONTRATO. ART. 5.º DA LEI DE INTRODUÇÃO AO CÓDIGO CIVIL. MESMO DIANTE DA AUSÊNCIA DE CLÁUSULA CONTRATUAL, O ATENDIMENTO DOMICILIAR É INERENTE AO CONTRATO DE SAÚDE, DEVENDO SER PRESTADO QUANDO IMPRESCINDÍVEL OU INDICADO PARA A MANUTENÇÃO OU RECUPERAÇÃO DA SAÚDE DO PACIENTE. APLICAÇÃO DO VERBETE SÚMULAR Nº 209 DESTE TRIBUNAL DE JUSTIÇA. OCORRÊNCIA DE DANO MORAL. DESPROVIMENTO DO APELO.( DES. LUIZ FERNANDO DE CARVALHO - Julgamento: 11/04/2012 - TERCEIRA CAMARA CIVEL - 0259259-56.2008.8.19.0001 – APELACAO)

APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO ORDINÁRIA. OBRIGAÇÃO DE FAZER. RELAÇÃO DE CONSUMO NA MODALIDADE DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE SAÚDE. LEI Nº 8078/90 CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR. PESSOA IDOSA.

RECUSA INJUSTIFICADA DA OPERADORA EM PRESTAR O SERVIÇO INTEGRAL DENOMINADO HOME CARE. GRAVIDADE DA DOENÇA. PROVA DOS AUTOS NO SENTIDO DA NECESSIDADE DE CUIDADOS ESPECIAIS - OBRIGAÇÃO DE MANTER O SERVIÇO QUE NÃO SE TRATA DE MERA LIBERALIDADE. FALHA NA PRESTAÇÃO. CONDUTA ABUSIVA. CLÁUSULAS CONTRATUAIS QUE DEVEM SER INTERPRETADAS DA MANEIRA MAIS FAVORÁVEL AO CONSUMIDOR. RECURSO IMPROVIDO (0000974- 20.2009.8.19.0001 - APELACAO DES. JOSE C.

FIGUEIREDO - Julgamento: 09/05/2012 - DECIMA PRIMEIRA CAMARA CIVEL).

Assim, nos termos da jurisprudência deste Tribunal, merece confirmação a sentença de procedência do pleito inicial.

No que se refere à inexistência de dano moral, melhor sorte não assiste à apelante. Com efeito, a recusa na cobertura de tratamento de saúde da apelada é manifestamente ilegal e abusiva, constituindo, por si só, ofensa à dignidade da pessoa humana.

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O quantum indenizatório arbitrado na sentença também merece confirmação, uma vez que fixado em valor compatível com o ilícito perpetrado pela ré, razoável e proporcional aos danos sofridos, e em consonância com os parâmetros jurisprudenciais.

In casu, o que se verifica é uma insistente tentativa de reexame da matéria. Ora, em termos objetivos, não há recurso, mas, tão-somente, a manifestação da irresignação da agravante contra a decisão monocrática. Em decorrência de não existir nenhum argumento novo a ser enfrentado, cabe, apenas, apresentar o presente recurso em mesa.

Com efeito, a decisão agravada foi proferida em decorrência de a matéria dos autos possuir entendimento consolidado na jurisprudência deste Tribunal e dos Tribunais Superiores, merecendo ser mantida por seus próprios fundamentos, ora reiterados, conforme disposto no art. 92, § 4º, do REGITJRJ.

Diante do exposto, nega-se provimento ao recurso.

Rio de Janeiro, 26 de setembro de 2012.

ANDRÉ ANDRADE DESEMBARGADOR RELATOR

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Referências

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