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Rev. bras. geriatr. gerontol. vol.20 número4

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Academic year: 2018

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Editorial / Editorial

É preciso vencer o medo da mudança

We must overcome the fear of change

É possível envelhecer com saúde e qualidade de vida no Brasil? Quanto o sistema de saúde contribui para isso? Como redesenhar esse sistema de saúde, especialmente o suplementar, para atender às necessidades da população num período curto de tempo, o que precisa ser feito?

Essas e outras perguntas têm sido debatidas, bem como estudos e fóruns sobre o tema vêm sendo realizados.

O aumento da expectativa de vida nas últimas décadas é uma grande conquista da população brasileira. Viver mais – envelhecer - já é uma realidade nesta década, e o será mais ainda nos anos vindouros.

Porém, a organização do sistema de saúde suplementar no Brasil precisa ser ajustada aos diferentes perfis demográficos e epidemiológicos decorrentes do aumento da participação dos idosos na população. A magnitude do aumento dos gastos em saúde com a população idosa dependerá, sobretudo, de que esses anos a mais sejam saudáveis ou livres de enfermidades e dependência. A prevenção, a manutenção da saúde, independência e autonomia e o retardamento de doenças e fragilidades em uma população mais velha serão os maiores desafios relacionados à saúde decorrentes do envelhecimento da população. Assim, qualquer política social e de saúde destinada aos idosos deve levar em conta a promoção da saúde e a manutenção da capacidade funcional.

Alguns pontos merecem destaque nessa reorganização do sistema de saúde, tais como: formação dos profissionais da área da saúde (que ainda são orientados e capacitados como a décadas atrás) para um perfil epidemiológico e demográfico completamente diferentes; especialistas ainda moldados e guiados pelo modelo de remuneração vigente, o qual prioriza especialidades atreladas à realização de procedimentos, sendo cada vez menor a opção por especialidades como geriatria e clínica médica e da família; falta de equipamentos em saúde para o cuidado do idoso, nomeadamente: cuidados paliativos, atenção domiciliar, cuidados de transição e de longa duração, centros dia e outros; inexistência de uma porta de entrada organizada para realização de um plano de cuidado, evitando-se idas a emergências e internações desnecessárias; falta de um registro eletrônico em saúde, o qual armazene e disponibilize toda a história da saúde/doença desse idoso em todos os locais de cuidado.

Todas essas mudanças do modelo de prestação de serviços de saúde precisam vir acompanhadas da alteração na forma como se remunera no setor suplementar de saúde. De um modelo centrado no pagamento por procedimentos ou serviços (fee-for-service) para outras alternativas que tragam o usuário como centro das ações de saúde (patient-centered).

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Rev. Bras. Geriatr. Gerontol., Rio de Janeiro, 2017; 20(4): 461-462

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A reorganização da assistência e do modelo de pagamento precisam gerar melhores resultados assistenciais, além da diminuição de desperdícios e de iatrogenias, tornando o sistema mais eficiente e o paciente melhor cuidado.

O que é preciso para tal? É preciso sair do comodismo, do “mais do mesmo”. Inovar no cuidado, inovar na forma de se remunerar o setor e inovar na avaliação de qualidade do setor. Lembrando-se sempre que, muitas vezes, inovar significa resgatar cuidados e valores mais simples, que se perderam dentro do nosso sistema de saúde.

Assim, não basta argumentar que o custo com a saúde aumenta a cada ano, ou que o envelhecimento traz custos adicionais ao sistema. É preciso entender, de uma vez por todas, que esse modelo que só agrega ineficiências precisa mudar, pois, caso contrário, os custos tornar-se-ão insustentáveis. Não cabe mais colocarmos a culpa no gasto com idoso ou tentarmos expurgar esse “risco” das carteiras de planos de saúde. Fortes evidências já demonstram que é possível fazer diferente e ter ótimos resultados, basta realmente querer.

A proposta do “Projeto Idoso Bem Cuidado”, desenvolvida pela ANS e construída em parceria com diversas instituições, além de estruturar essa reorganização de modelos assistencial e de remuneração já apresenta importantes melhorias nos indicadores assistenciais e econômico financeiros, demonstrando ser possível atrelar sustentabilidade e performance.

Já está na hora de se enfrentar as mudanças necessárias! Todos sairão ganhando, principalmente o paciente.

Martha Regina de Oliveira

Referências

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