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Arq Bras Endocrinol Metab vol.44 número4

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Academic year: 2018

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cartas ao editor

São Paulo, 12 de Julho de 2000

Ilmo. Sr. Dr. Claudio E. Kater Editor Chefe dos ABE&M

A PROPÓSITO no EDITORIAL "Revistas" de Endocrinologia com Preten-sões Científicas escrito por VS, sinto-me na obrigação de me manis-festar tendo em vista que foi nossa criação o ENDO HC que VS qualifica como nova modalidade de impertinência ... ENDOisso, ENDOaquilo ... Espero que o mesmo espaço de seu substancial e muito bem escrito edito-rial seja concedido ao missivista, coincidentemente, membro do corpo edi-torial dos ABE&M.

Concordo com boa parte do que diz VS, a começar pelo relato do desenvolvimento da SBEM e o impulso que tem dado aos ABE&M com o respeito e o respaldo de todos nós. Concordo também com sua apreciação sobre "vários tipos de publicação com maquiagem de publicação científica séria". Não obstante, informalmente já havíamos dito a VS que ABE&M parcialmente supre as necessidades científicas e educacionais dos leitores pelas razões expostas abaixo.

ABE&M sofre uma limitação que todos reconhecem que é o fato de não ser indexada como revista científica internacional. Sob este ponto de vista, infelizmente para nós todos, não se distingue tecnicamente de revis-tas médicas congêneres que VS critica, exceto pelo fato de ser publicada por uma sociedade idônea e respeitada como é a SBEM, e por possuir um corpo editorial sério e competente. Mas é notório entre os que atuam na atividade acadêmica que, fato comum às publicações brasileiras e não peca-do específico peca-dos ABE&M, a ciência de ponta produzida em nosso ambi-ente universitário tem sido e continuará por muito tempo sendo encami-nhada preferencialmente ao exterior e na língua inglesa. Em função disto os ABE&M não conseguem competir cientificamente com congêneres do primeiro mundo.

Resta-nos também uma importante lacuna educacional a ser preenchida que permita aos endocrinologistas, mais ainda ao contingente mais numeroso dos clínicos não especialistas, uma forma bem mais ampla de obtenção de educação continuada na área, prática, visto que baseada na apresentação dos casos clínicos concretos com o depoimento de especialis-tas que os discutem. Esta é a forma ideal de treinamento que substitui os compêndios. Esta não tem sido a tônica principal dos ABE&M, e mesmo que o fosse, deveria haver outra estratégia que possibilitasse seu acesso a número mais amplo de leitores: os ABE&M atingem apenas os membros da SBEM com seus 2.500 exemplares, enquanto o ENDO HC é dis-tribuído a 6.000 médicos!

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con-trário, alguns artigos que editamos são publicados nos ABE&M, como atesta o caso especial à pág. 257 do número que contém o editorial de VS. Objetiva ensi-nar endocrinologia valendo-se da enorme casuística do maior hospital do país, de seu vasto corpo clínico de competentes especialistas, haja visto que vários são membros do corpo editorial dos ABE&M. Este tipo de participação deveria crescer nos ABE&M de forma a dispensar ENDO HC e congêneres.

ENDO HC é distribuído por uma empresa far-macêutica que nunca propôs sua criação. Pelo con-trário, fomos nós próprios que nos empenhamos na obtenção de um patrocinador que a tornasse viável, como os anunciantes também viabilizam os ABE&M. Várias empresas declinaram de nosso convite. O pa-trocinador tem plena consciência que presta um ines-timável serviço de aprimoramento profissional. Não há qualquer constrangimento ético nisto. Pelo contrário,

fosse sempre assim a "propaganda" na área médica seria saudável e respeitada.

Opino que ABE&M teria repercussão muito maior se a participação de casos ENDO HC predomi-nasse com material recebido de diversos centros de excelência, e são muitos, a nível nacional. Talvez de-vesse ser ainda mais abrangente: na era da comunicação eletrônica poderíamos obter até a discussão simultânea de casos e suas condutas pelos demais centros univer-sitários nacionais reconhecidos por sua competência.

ENDO HC tem conseguido uma apresentação editorial da melhor qualidade e jamais pretenderá divulgar trabalhos científicos originais, escopo dos ABE&M.

Eder C.R. Quintão,

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