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Cinturão Abdominal Lombar

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Academic year: 2021

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Cinturão Abdominal Lombar

Por serem de caráter repetitivo as atividades laborais acabam causando estresse nos músculos envolvidos em tais tarefas. Torna-se então inevitável o desencadeamento da dor aguda e posteriormente crônica. A imposição de posturas que exigem tensões contínuas resultante de algumas atividades ocupacionais pode desencadear a LBP (LBP, abrev. do inglês low-back pain), fruto de espasmos musculares com ou sem o agravo da compressão dos nervos espinhais ou ainda por anormalidades dos discos vertebrais, que podem ter a sua origem na disfunção dos músculos abdominais, eretores da coluna e posteriores da coxa.

Sabidamente a dor crônica da região lombar (LBP)tem sido uma das principais causas do absenteísmo-doença. Estima-se que esta queixa seja a doença mais cara da vida adulta relacionada ao trabalho. Inúmeras tentativas de manejo na posição de execução das atividades laborais do tipo tarefas de levantamento de carga (TLC) têm sido propostas a fim de minimizar tal problema.

A órtese ou cinturão abdominal lombar(CAL)DIGITADOR utilizado para proteção dos músculos da região lombar tem sido alvo de pesquisas a fim de determinar o seu efeito sobre a região lombar durante ou após a TLC (tarefa de levantamento de carga). Recentemente pesquisas apontaram que o CAL (Cinturão Abdominal Lombar) DIGITADOR fornece um efeito protetor sobre a região lombar e assim minimiza o surgimento da dor aguda e posteriormente crônica.Algumas características fundamentais no cinturão abdominal lombar DIGITADOR possibilitaram este resultado .O CAL Digitador possui uma placa protetora na região lombar que promove uma sustentação positiva na região e o material estrutural do cinturão fabricado em lona contribui significativamente na eficiência do produto promovendo maior sustentação na região abdominal e lombar,outra característica é sua modelagem eficiente que adapta aos tamanhos dos indivíduos. Estudos que buscaram identificar as causas da fadiga muscular durante as atividades laborais tem demonstrado que existe uma clara associação epidemiologia entre as exigências ergonômicas e os transtornos músculo-esqueléticos e que a fadiga dos músculos extensores da coluna pode representar um fator de risco para o desenvolvimento da LBP .

Muitos autores propõem REGRAS para o levantamento de cargas, como Sullivan (1989), que sugere para um levantamento seguro, observar o plano de levantamento, a manutenção da carga próximo ao corpo, evitar a rotação do tronco enquanto se levanta, flexionar os joelhos.

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daquilo que pretende deslocar. Um levantamento seguro de um objeto ao nível do solo, requer que o trabalhador mantenha a coluna lombar ereta, fletindo os joelhos para abaixar o corpo, e levantar com os músculos da perna, manter o objeto próximo ao corpo, levantar de maneira lenta sem solavancos, girar com os pés em vez do tronco e posicionar corretamente pés, queixo, braços e mãos. Que os objetos sejam levantados suavemente, tenham moderada largura, e que as mãos estejam mantidas seguras no objeto a ser levantado e que existam favoráveis condições de temperatura. A capacidade para o levantamento é maior quando as mãos estão próximas ao joelho e é menor quando a carga está na altura da cintura ao contrário para a altura do joelho ou ombro. Isto devido a pobre vantagem mecânica dos braços e da coluna lombar no nível da cintura. Partindo dessa premissa o uso do cinto abdominal lombar DIGITADOR durante a tarefa de levantamento de carga de mesma intensidade em dias diferentes combinados com REGRAS para o levantamento de carga seguro, reduz a sobrecarga espinhal e alterando assim a atividade eletromiográfica (EMG) dos músculos eretores da coluna ou mesmo modificar a resposta da mesma, resultado este de pesquisas recentes.

Materiais e métodos

Sujeito e procedimentos

Para testar a hipótese neste ensaio, um único sujeito jovem (19 anos), 172 cm de altura, massa corporal de 65 kg, que não exercia nenhum tido de atividade laboral semelhante à testada nesta investigação e sem histórico de dores lombares nos últimos 3 meses, foi selecionado e submetido a seis ensaios (três com o CL [CC] e três sem o CL [SC]) de forma randomizada, com intervalos mínimo entre os mesmos de 7 e no máximo 10 dias. O critério usado para a determinação do intervalo mínimo e máximo entre as sessões foi o escore igual a zero determinado pela EVA20.

Eletromiografia

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janelamente em 0,5s. Determinado os valores do RMS de cada janela, estes foram normalizados21 pelos valores do sinal obtidos da linha de base. Os eletrodos foram posicionados a 6 cm do espaço intervertebral de L2-L3 para os músculos iliocostal direito e esquerdo (IL-D e IL-E)19, a 3 cm do espaço intervertebral de L4-L5 para os músculos Multifidio (MU-D e MU-E)19 e sobre os músculos longuíssimo do tórax direito (LT-D) e esquerdo (LT-E) no nível da vértebra L1 e 3 cm lateralmente23. Para garantir a mesma colocação dos eletrodos em todos os ensaios, foram determinados os pontos motores dos músculos MU, IL e LT utilizando corrente de estimulação elétrica21. Após essa determinação, os eletrodos foram conectados à pele do sujeito por meio dos eletrodos adesivos de superfície, com uma distância de centro a centro de 2 cm, e fixados com esparadrapo transpore. A coleta da EMG foi realizada na posição fundamental, sem o uso do CEL durante um minuto de maneira ininterrupta antes e imediatamente após a TLC, sempre no período vespertino compreendido entre as 14 e 16 h, sendo que a TLC foi elaborada a fim de simular as atividades laborais, guardada as devidas proporções, e principalmente induzir a fadiga dos músculos investigados.

Tarefa de levantamento de carga

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Análise estatística

Os resultados são apresentados em valores médios ± desvio padrão (X± DP) e adicionalmente o intervalo de confiança (IC) de ± 95% ou seja, ±1.96. A interação entre os TRATAMENTOS (pré e pós Fadiga), CONDIÇÕES (CC e SC) e os ENSAIOS (1º, 2º, 3 º) foi averiguada pelo teste ANOVA 3-Way para medidas repetidas. Os dados se mostraram normais e homogêneos. O índice de significância adotado para esta investigação foi de 5%.

Resultados

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Figura 1. Resposta EMG (RMSnu) pré-fadiga (círculo) e pós-fadiga (quadrado) do multifídeo durante a TLC e EVA (quadrado negro) nos três

diferente ensaios (CC e SC).* Interação significante entre os tratamentos (pré-fadiga, pós-fadiga) vs condição (sem sinto [SC], com cinto [CC])

Para o músculo ILb as análises estatísticas dos valores X ± DP e ± IC (TABELA 2) evidenciaram apenas interação significante (F[1,66] = 5.4829, p = 0,0223) entre os TRATAMENTOS (pré-fadiga, pós-fadiga), contudo não houve interação para TRATAMENTO vs CONDIÇAO vs ENSAIOS ([F = 2, 66] = 0,78460, p = 0,46051).

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Figura 2. Resposta EMG (RMSnu) pré-fadiga (círculo) e pós-fadiga (quadrado) do Iliocostal durante a TLC e EVA

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Já para o músculo LTb a análise dos valores X ± DP (TABELA 3) evidenciaram interação significante (F[1,66] = 21.521, p = 0,00003) entre as condição (sem sinto [SC], com cinto [CC]) e entre os ENSAIOS vs CONDIÇÃO (F[2,66] = 3.7635, p = 0,02833) e entre os TRATAMENTOS (F[1,66] = 6.62447, p = 0,01231). Entretanto não houve interação significante (F[2,66] = 1,1320, p = 0,32855) entre TRATAMENTOS vs CONDIÇÕES vs ENSAIOS.

As figuras 1, 2 e 3 ilustram as respostas do RMSnu e suas interações nos três diferentes músculos investigados (e.g. MU, IL e LT, respectivamente).

Tabela 3. Valores X±DP e ± IC (1,96) do RMSnu verificados entre os TRATAMENTOS (pré e pós-fadiga),

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Figura 3. Resposta EMG (RMSnu) pré-fadiga (círculo) e pós-fadiga (quadrado) do Longuíssimo do Tórax durante a TLC e EVA (quadrado negro) nos três diferente

ensaios (CC e SC). * interação significante entre as condição (sem sinto [SC], com cinto [CC]), entre os **ENSAIOS vs CONDIÇÃO e entre ***TRATAMENTOS

Discussão

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sintomatologia, a forte evidencias de que ocorra uma rápida atrofia muscular dos eretores da coluna5,6.

Outro dado importante a ser considerado nesta investigação é que o RMS permaneceu inalterado, sob a ótica do método estatístico (p = 0.92579), sugerindo que o voluntário apresentava condições semelhantes nos diferentes ensaios (e.g. 1º…6º ensaio).

Supostamente a cinta lombar aumenta a rigidez do tronco e assim, reduz a exigência de força muscular, aumentando desta forma à eficácia da pressão abdominal, o que resultaria em diminuição nas resultantes de força sobre as unidades musculares dorsais, além de restringir a mobilidade do tronco durante a tarefa de levantamento da carga24. Respaldados nas reflexões de Chaffin, Anderson, Martin24, é possível especularmos, ainda que de forma simplória, que a postura típica de levantamento de peso adotada nesta investigação (e.g. flexão-extensão da coluna sem flexão dos joelhos) para uma carga de 195N (19,5 kg) gera aproximadamente um pico de força de compressão em L5/S1 de aproximadamente 2600N (aprox. de 260 Kg). Ao assumirmos que a tensão gerada pelo aperto da cinta elástica é de aproximadamente 90N isto resultaria em uma tensão aproximada de 37N.m (N. por metro) em um momento de flexão passiva e admitindo-se que os tecidos moles abdominais saudáveis são perfeitamente capazes de suportar tais grandezas de força25, para esta investigação a redução nos momentos de flexão e nas forças estimadas seria entorno de aproximadamente 12%.

Esta redução (e.g. de 12%) já justificaria o decréscimo significante do RMS do MU na condição CC. Em adição, tem sido reportado que a amplitude da EMG (e.g. RMS) pode refletir tanto a aumento do padrão de recrutamento das unidades motoras, verificado pelo aumento relativo (e.g. normalização) ou absoluto da RMS como identificar o início da fadiga eletromigráfica, percebido pelo decréscimo da RMS em função do tempo em uma função linear significativa19,26-29.

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Em um estudo de follow-up Holmström e Morris30 acompanharam 36 trabalhadores da construção civil (12 usando o CEL e 24 controles) durante 4 meses consecutivos e avaliaram a força e a endurance da região lombar ao final do 1 e 2 meses e após 2 meses do termino do estudos e verificaram que o grupo que fez uso do CEL aumentou em 12 e 29% a forca e a endurance muscular respectivamente contra 13% de endurance do grupo controle e que não houve decréscimo da força e da endurance dos músculos do tronco durante o período de follow-up.

Mais recentemente, Favolle-Minon e Calmels31 evidenciaram que o uso do CEL por um curto período de tempo (21 dias) embora não tenha alterado significativamente a força isocinética e nem isométrica dos extensores do tronco, alterou significativamente (p < 0,033) a endurance muscular dos extensores do tronco para o grupo que usou o CEL. Adicionalmente os pesquisadores sugerem que a prescrição individualizada da órtese elástica lombar dependerá do potencial da força muscular de cada sujeito.

Contrariamente aos achados que apontam os efeitos positivo do uso da órtese lombar30,31,33,34, Von Poppel35 concluiu após um ensaio clínico randomizado com grupo controle, suporte + instrução, somente instrução e somente ortese lombar, que embora houvesse uma tendência da sintomatologia da dor lombar em subgrupo que já apresentava a dor lombar antes do inicio do estudo, os dados não suportavam a hipótese dos benefícios do CEL nas tarefas ergonômicas. Este achado se junta outros de igual desfecho1,17,36.

Conclusão

Os achados suportam a hipótese que o cinto elástico lombar possa reduzir a sobrecarga tensional sobre os músculos eretores da coluna e conferir um efeito protetor agudo, sobretudo sobre o músculo multifídeo. Adicionalmente, os dados indicam haver uma mudança no padrão de co-ativação dos músculos iliocostal e longuíssimo do tórax. Contudo há magnitude e os efeitos em longo prazo desta alteração no padrão de co-ativação muscular devem ser futuramente mais bem investigados por ensaios clínicos randomizados.

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