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Faculdade de Medicina de Jundiaí
Disciplina: Parasitologia
Coccídios Intestinais
• Responsáveis por doenças intestinais significativas em humanos
• Altos índices de morbidade e mortalidade no mundo todo
• 4 bilhões de casos de diarréia no mundo por ano:
4% das mortes
• Dano e comprometimento da função intestinal
Introdução
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• Países em desenvolvimento:
• Deficiências na área de saneamento • Acesso limitado a água potável
• Em crianças: efeitos a longo prazo
• Má nutrição
• Atraso no crescimento e desenvolvimento cognitivo
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Kristen e Kirkpatrick, 2008; ; Savioli et al., 2006; Turkeltaub et al., 2015
Emergência de parasitoses: fatores significativos
• Desigualdades sociais: infraestrutura de saneamento básico, pobreza; guerras e guerrilhas
• Brasil: apenas 40% do esgoto é tratado; desigualdade entre as regiões • Importância da água como fator estratégico, geopolítico
• Descontinuidade dos programas de Saúde Pública
• Mudanças políticas
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Thompson e Deplazes, 2011
GRUPOS DE RISCO
• Crianças saudáveis (0 - 5 anos):
• Alta prevalência em creches
• Segmentos populacionais específicos
• idosos, diabéticos, desnutridos, pacientes hospitalizados/UTI ou que fazem hemodiálise; expostas ao fator de risco (ex: contato com animais; frequência à creche).
• Indivíduos imunocomprometidos:
• Pacientes com HIV/AIDS; transplantados; com leucemia; em tratamento quimioterápico; corticosteroide
• Importância dos níveis de células CD4 ou linfócitos T auxiliadores da resposta imunológica.
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Thompson e Deplazes, 2011
Por que estudar?
• São particularmente problemáticos em pacientes com HIV, transplantados, idosos, crianças e pacientes que fazem uso de corticosteróides para doenças crônicas
• Não há fármaco eficaz até os dias de hoje
• Infecções relacionadas ao ambiente hospitalar entre pessoal de enfermagem/saúde podem acontecer
• Podem constituir um problema em Unidades de Cuidado Intensivo:
• Necessidade de pronto reconhecimento dos casos de diarreia
• Atenção para os pacientes com incontinência intestinal ou usando fraldas
• Grande resistência dos oocistos aos desinfetantes: álcoois, amônia quaternária, cloro, hipoclorito
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Bobo e Dubberke, 2010
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• Filo Apicomplexa
•Parasitos intracelulares obrigatórios:
• Complexo apical presente em vários estádios morfológicos dos protozoários (roptrias, micronemas, conóide) = AJUDAM NA INVASÃO DA CÉLULA HOSPEDEIRA
Cyclospora cayetanensis: Taxonomia
• Descrito por Edward Tyzzer: 1907
• Um dos mais importantes agentes causadores de doença diarreica
• Humanos e animais de importância pecuária • 150 espécies de mamíferos
Fontes: Tyzzer, 1907; Cacciò e Putignani, 2014.
Introdução: Cryptosporidium
Introdução: Cryptosporidium
Fonte: Cacciò e Putignani, 2014. 10
Introdução: Cryptosporidium
Importância do estudo:
• Crianças: 30 a 50% das mortes até 5 anos de idade
• Segunda causa de morte por diarreia
em crianças no mundo (atrás apenas
do rotavírus)
• Forma infectante: oocisto (fezes do homem ou animais infectados)
• Formato esférico: 4 -5 µm
• Contém 4 esporozoítos (não há esporocistos)
Características Biológicas: Morfologia
Fonte: Chatterjee et al., 2015; Clode et al., 2015.
Características Biológicas: Ciclo de vida
Fontes: Cacciò e Putignani, 2014; Clode et al, 2015.
• Transmissão:
• Pessoa-à-pessoa (contato direto)
• Crianças e cuidadoras em creches, hospitais
• Animal-humano (transmissão zoonótica)
• Bezerro:5x106 oocistos por grama de fezes• Superfícies ou objetos contaminados (contato
indireto)
Características Biológicas: Ciclo de vida
Fontes: Cacciò e Putignani, 2014; Clode et al, 2015.
• Transmissão:
• Hídrica:
drenagem (fezes) para água de
consumo humano ou para recreação; esgotos
de origem humana
• Presença ubíqua em ambientes aquáticos: grande variedade de hospedeiros
• Resistência às condições adversas
• Vetores mecânicos; aerossóis
• Transmissão alimentar:
• Frutas e vegetais consumidos crus ou pouco cozidos
• Manjericão, couve, aipo, coentro, cebolinha, alho-poró, alface, salsa, morangos e amoras • Leite não pasteurizado e sucos de frutas
• Ostras
• Mudança dos hábitos alimentares: consumo de produtos crus = saúde (?) • Contaminação dos alimentos
• Água usada para irrigação
• Manuseio de quem prepara os alimentos
Fonte: Cacciò e Putignani, 2014.
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Características Biológicas: Ciclo de vida
Fonte: Clode et al, 2015, CDC, 2015.
• Hospedeiro único:
monoxênico
• Fases do ciclo de vida:
• Excistamento: abertura da sutura do oocisto e liberação dos quatro esporozoítos (pH e temperatura)
Oocisto antes do excistamento
Oocisto após excistamento com liberação dos
esporozoítos
Características Biológicas: Ciclo de vida
Fonte: Cacciò e Putignani, 2014; Clode et al, 2015; Yoshida et al., 2011.
• Fases do ciclo de vida:
• Adesão e invasão: organelas próprias envolvidas no processo; esporozoíto não fica em contato direto com a célula hospedeira
Epitélio da mucosa intestinal
Parasito intracelular mas extracitoplasmático
Características Biológicas: Ciclo de vida
Fonte: Cacciò e Putignani, 2014
• Fases do ciclo de vida:
• Reprodução assexuada: megoronia (divisão do núcleo e do citoplasma do trofozoíto que gera os merontes)
• Meronte tipo I: 6 ou 8 núcleos (cada um dá origem a um merozoíto) • Meronte tipo II: 4 núcleos
• Reprodução sexuada: merozoítos originados do meronte tipo II se diferenciam em microgamonte ou macrogamonte
• Macrogamonte é fertilizado pelo microgameta (microgamonte) • Produto da fertilização: zigoto (oocisto)
Características Biológicas: Ciclo de vida
Fonte: Cacciò e Putignani, 2014
• Fases do ciclo de vida:
• Esporogonia: zigoto se diferencia em quatro esporozoítos dentro do oocisto
• Oocistos nas fezes: são infectantes para outros hospedeiros suscetíveis • Oocistos que esporulam no trato respiratório: secreção nasal e escarro
Oocisto
Esporozoíto Núcleo
Características Biológicas: Ciclo de vida
Ingerido (ou inalado) Esporozoíto Meronte Tipo I Meronte Tipo II Microgamonte Macrogamonte Autoinfecção Hospedeiro Oocistos de parede espessa
(esporulados)
Oocistos de parede fina (esporulados)
Merozoíto
Merozoítos Zigoto
Fonte: Bouzid et al, 2013.
Características Biológicas: Ciclo de vida
Características Biológicas: Ciclo de vida
Fonte: Clode et al., 2015; Koh et al., 2013; Yoshida et al.,2011.
Localização nos hospedeiros:
• Microvilosidades de células epiteliais do trato gastrointestinal
• Outros: parênquima pulmonar, vesícula biliar, dutos pancreáticos, esôfago e faringe
Localização no ambiente:
• Biofilme e ambiente aquático
• Lúmen intestinal (*)
Observação de estágios do desenvolvimento de
Fontes: Putignani e Menichella, 2010. 23 Alimentos Transmissão direta Hospitais Família Creches Contato sexual Esgoto
Contaminação do solo e da água Água superficial e subterrânea
Tratamento de água Água potável
Água recreacional
Fontes: Putignani e Menichella, 2010. 24
Espécies que infectam humanos
Transmissão direta Hospitais Família Creches Contato sexual Alimentos Esgoto Contaminação do solo e da água Água potável Água recreacional
Água superficial e subterrânea
• Variabilidade:
• Falta de acurácia na estimativa do tempo de exposição até o aparecimento dos sintomas
• Diferença do inóculo (número de oocistos ingeridos)
• Baixa dose infectante: C. hominis: 10 oocistos 40% criptosporidiose sintomática*; C. parvum: 30 oocistos.
• Imunidade parcial devido a contato prévio com o parasito
Criptosporidiose: Período de Incubação
Criptosporidiose: infecção sintomática
Fonte: Cacciò e Putignani, 2014.
• Diarreia:
• Aquosa e volumosa (3 a 6 vezes ou mais por dia) • Presença de muco
• Dor abdominal
• Náusea
• Vômito
• Febre baixa
• Anorexia
• Mal-estar
• Fadiga
• Perda de peso
Usualmente: 3 semanasMas pode durar um mês ou mais
Criptosporidiose: infecção sintomática
Fonte: Cacciò e Putignani, 2014.
• Liberação de oocistos nas fezes:
• 7 dias após o desaparecimentos dos sintomas (variação: 1 a 15 dias) • Excepcionalmente: após 2 meses
Criptosporidiose: Sazonalidade
• Aumento da temperatura e
da precipitação: aumento
da incidência da doença
Fonte: Barry et al., 2013; Cacciò e Putignani, 2014; CDC MMWR 2015.
28
29
• Principais aspectos:
• Atrofia das vilosidades; achatamento das criptas e hiperplasia
• Apoptose do enterócito, rompimento do citoesqueleto e proteínas das junções epiteliais
• Hiperemia gástrica, edema e “erosão”
• Aumento crônico das células inflamatórias - eosinófilos e células plasmáticas • Aumento da permeabilidade e inflamação da lâmina própria, levando a
diarreia secretória via neuropeptideos e citocinas (em crianças: lactoferrina nas fezes)
• Perda da área absortiva e diminuição do transporte de nutrientes
Criptosporidiose: Diagnóstico em amostras fecais
30 Centrífugo-Concentração em Formalina – Éter ou Acetato de Etila:
1.Reação de Imunofluorescência Direta com Ac monoclonais
2.Coloração de Auramina 3.Coloração Acid-Fast
Criptosporidiose: Diagnóstico em amostras fecais
• Apenas para alívio dos sintomas
• Fármacos sem eficácia comprovada
• Variedade de espécies / genótipos
• Nitazoxanida:
• Redução da duração da diarreia • Erradicação do parasito (?)
Criptosporidiose: Tratamento
• Nível individual:
• Evitar o consumo de água não filtrada, não ingerir alimentos crus (hortaliças, moluscos bivalves); evitar contato com animais que apresentem diarreia.
• Nível coletivo:
• Medidas de proteção da água e alimentos; tratamento de esgotos.
• Ambientes especiais:
• Enfermarias, hospitais, creches/berçários:
• Cuidados com higiene do indivíduo, vestuário; utensílios; alojamento de pacientes sintomáticos medidas de higiene devem ser rigorosas
Criptosporidiose: Profilaxia
Cyclospora cayetanensis /
1977-78: Primeiros casos
1994:
Descrito como nova espécie
Várias denominações até identificação da natureza coccídica do
protozoário: esporulação dos oocistos
Introdução: Cyclospora cayetanensis
• Filo Apicomplexa; subclasse: Coccidiasina, Ordem Eucoccidiida, sub-ordem Eimeriorina Famílias de Interesse: 1. Eimeriidae: - Cyclospora cayetanensis 2. Sarcocystidae: - Cystoisospora belli - Toxoplasma gondii - Sarcocystis spp. 36
• Paciente HIV+:
significante perda de peso
(Araújo et al., 1995).• Caso assintomático, embora HIV+ e leucemia
(Schubach et al., 1997).• Indivíduo com diarreia:
turista
(Fernandes et al., 1998).• Detecção no escarro
(Di Gliullo et al., 2000).• Contato com esgoto; quadro pulmonar e diarreia
• Surto de veiculação hídrica:
•
General Salgado (SP) e de Antonina, Paraná (CVE, 2000).37
• Oocistos não-esporulados (8-10 m) nas fezes dos hospedeiros humanos
(dificuldade para o diagnóstico)
• a fresco: “mórula” (parasitologia clínica) • nº de esporozoítos/esporocistos: “2x2” • infectantes: após ~15 dias (esporulação)
• Autofluorescência natural 38 Necessidade da capacitação dos Laboratórios de Análises Clínicas
Cyclospora cayetanensis: Morfologia
Parede do oocisto:
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Cyclospora cayetanensis: Ciclo de vida
CDC, 2016
Oocisto não esporulado Oocisto esporulado
• Diferencial: oocistos (esféricos) eliminados em estado não-esporulado
• Vias de transmissão - rota fecal-oral:
• Pessoa-a-pessoa: baixa probabilidade.
• Ingestão de alimentos contaminados: maior expressividade;
• Importância da água de irrigação; esgoto. • Contato com solo contaminado
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Cyclospora cayetanensis: Ciclo de vida
Tempo de permanência no ambiente:
fator fundamental
• Maior expressão em Saúde Pública ao redor do mundo:
•
surtos ocasionados pela ingestão de alimentos contaminados.• Nova causa de diarreia prolongada em crianças em países em
desenvolvimento
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Cyclospora cayetanensis e ciclosporíase
• Período de incubação: 7 dias (2 - 11 dias)
• Quadro clínico
• Diarreia aquosa prolongada (19-57 dias); alternando período de constipação
• HIV+: 199 dias
• Imunocompetentes: 57,2 dias
• 6 (4 a 10) emissões de fezes aquosas/dia;
• Cólica abdominal, anorexia, mialgia, vômitos, febre e fadiga • Perda de peso:
• paciente imunocompetentes – 3,5Kg / imunocomprometidos (AIDS) – 7,2 Kg
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•
Acentuada sazonalidade:
período variável em distintas localizações
geográficas:
• Primavera e início do verão
• Dispersão dos oocistos pelas monções (Sudeste Asiático)
•
Ausência de reservatórios animais
•
Única espécie afetando ser humano: Cyclospora cayetanensis
•
Diarreia dos turistas
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Cyclospora cayetanensis: Aspectos relevantes
• Limitações do exame microscópico, a fresco (mórula, refringência):
• Mandatório: esporulação (dicromato de potássio 2,5%) - observação de caracteres morfológicos • Escassez das formas - necessidade de métodos de enriquecimento:
• Coloração de Safranina Modificada: menor variabilidade tintorial (procedimento de escolha) • Autofluorescência (340-380 nm): critério de diferenciação entre Cryptosporidium e Cyclospora • Falta de capacidade diagnóstica
• Não inclusão na rotina parasitológica quando avaliando gastroenterite, mesmo em surtos
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• Infecção responde ao tratamento - TMP-SMX
(trimetoprima-sulfametoxazol):
•
160 mg TMP/800 mg SMX [2x/dia]; 7 dias;• Imunodeficientes: cotrimoxazol 4x/dia; 10 dias.
45
• Condições adequadas de saneamento básico
• Consumo de água e alimentos
• Hábitos adequados de higiene
• Controle de alimentos que são importados / exportados
• Boas práticas na agricultura
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Cystoisospora belli/
• Classificação: Filo Apicomplexa / Família Sarcocystidae
• Oocistos eliminados em estado imaturo
(= não esporulado) nas
fezes dos hospedeiros infectados
• Após 1-2 dias, são infectantes ( <16h a 30-35ºC)
• Tamanho dos oocistos: 20-33µm x 10-19µm.
• Cistoisosporose:
em vários países
• Condições sanitárias e higiênicas: precárias
Cystoisospora belli: Taxonomia e Morfologia
• Aspectos dos oocistos:
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Não-esporulados (fezes)
Esporulados: dois esporocistos (quatro esporozoítos cada)
(após 16-24 horas)
50
Oocisto esporulado de Isospora similisi
Corpo de Stieda
Oocisto de Cystoisospora belli
• Oocistos com:
• esporocistos com corpo de Stieda:____gênero Isospora • ciclos monoxênicos/ intestinal; de aves
• esporocistos sem corpo de Stieda:____gênero Cystoisospora
• ciclos heteroxênicos facultativos com estágios latentes no hospedeiro;
• mamíferos (unizoítas – estádio latente)
• espécies parasitas do ser humano, primatas não-humanos, cães, gatos e animais domésticos (diarreia do animal jovem)
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•
Ciclo Monoxênico:
• a partir da ingestão de oocistos esporulados
• Merogonia: reprodução Assexuada / gametogonia: reprodução
sexuada
•
Cistos unizóicos ou monozóicos:
• cistos latentes em tecidos extra-intestinais
• linfonodos mesentéricos, traqueobronquiais; fígado e baço em pacientes portadores de AIDS/HIV.
52
53
Importância: recidivas vários anos depois
Cystoisospora belli: cistos unizóicos
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Mecanismos de transmissão: via fecal-oral
• Possibilidades:
• Água
• Alimentos contaminados.
Localização do parasito: íleo.
• Sinais clínicos:
• 1 semana após ingestão dos oocistos esporulados.
• Diarreia aquosa prolongada (meses/anos):
• Caso de paciente imunocompetente:
• Sintomas durante 26 anos e, durante 10 anos, eliminação de oocistos nas fezes
• Diarreia profusa, aquosa, esteatorréia, cefaléia, dor abdominal, fraqueza, perda de peso, desidratação e vômitos:
• 6 a 10 evacuações/dia (frequentemente requer a hospitalização do individuo)
• Eosinofilia alta
• Cristais de Charcot Leyden (desintegração dos produtos dos eosinófilos e dos basófilos)
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• Exame de fezes devem ser repetidos: oocistos são liberados em pequenos números
• Coloração acid-fast ou Autofluorescência
• Não existe método molecular aprovado para o diagnóstico
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Cystoisospora belli: Diagnóstico
Oocistos de Cystoisospora belli corados com coloração acid-fast (C) e safranina (F)
•
TMP-SMX
• Bactrim, Septra, Cotrim
•
Imunossuprimidos
• Doses maiores
•
Aos alérgicos ao TMP-SMX:
• Pirimetamina
•
Controle e Profilaxia
• Mesmo que Cryptosporidium e Cyclospora
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58 Cryptosporidium 4-5 µm • 4 esporozoitos • não há esporocistos Cyclospora • 8-10 µm • 2 esporocistos • 2 esporozoitos, cada Cystsospora belli • 30 x 12 µm • 2 esporocistos • 4 esporozoitos, cada
Sarcocystis e sarcocistose
(ou sarcosporidiose)
Introdução
• 150 espécies conhecidas
• Duas espécies de importância para o homem:
• S. hominis (HI: bovinos) • S. suihominis (HI: suínos)
A
Morfologia
Oocisto de Sarcocystis hominis.
Presente nas fezes do homem (hospedeiro definitivo)
20 x 15 μm
FORMA INFECTANTE PARA O HI
Sarcocisto (cisto) de Sarcocystis sp. Presentes na musculatura esquelética do hospedeiro intermediário (língua, esôfago, diafragma) Bradizoíto de Sarcocystis sp.
Ciclo de vida
• Ciclo heteroxênico
• Homem: hospedeiro definitivo
• Hospedeiros intermediários:
• S. hominis: bovinos • S. suihominis: suínos
• Transmissão:
• HI: ingestão de oocistos esporulados ou esporocistos eliminados nas fezes do homem
Patogenia
• Bem estudada nos animais de produção – ainda pouco
conhecida no homem
• Quadro clínico:
• Humanos como HD: Diarreia, náuseas, vômitos, mal-estar, dor abdominal, distúrbios circulatórios, calafrios e sudorese = 6 a 24 horas após a ingestão da carne
Diagnóstico
• Sarcocistose intestinal:
• Encontro de oocistos esporulados ou esporocistos nas fezes
• Centrifugo-flutuação com solução saturada de Sacarose (Sheather) • Método de Kato-Katz
• Sarcocistose tecidual:
Profilaxia
• Evitar ingerir carne crua ou mal passada
• Saneamento básico
• Boas práticas na produção animal
• Evitar ingestão de água não tratada
• Tratamento
• Descobertos em 1870
• Parasitos de quase todos os animais
• 1.500 espécies descritas e novas sendo descobertas
• Primeiro caso em humanos: 1959 (criança no Japão)
• Maior importância:
epidemia de HIV nos anos 80
• Diarreia letal
• Pacientes transplantados e imunocomprometidos
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• Taxonomia:
Reino Fungi – Filo Microsporidia
• Pelo menos 15 espécies patogênicas para seres humanos:
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• Formadores de
esporos
• Parasitos unicelulares de animais
• Característica exclusiva:
• Tubo polar que se projeta do esporo e o conteúdo é injetado na célula hospedeira
70
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Microsporídios: Ciclo de vida
Mecanismos de transmissão: via fecal-oral
• Sintomas:
determinados pela localização do parasito
• Infecções disseminadas, infecções da córnea (ceratite), infecções intestinais, bronquite, pneumonia
• Em HIV+: diarréia persistente, dor abdominal, perda de peso
• Poucos relatos de surtos
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• Diagnóstico:
• Microscopia: Coloração Cromótropo 2R
• Imunofluorescência: anticorpos monoclonais e policlonais • Métodos moleculares
• PCR
• Não existe tratamento eficaz
• Opções: fumagilin (gastrointestinal); albendazol (disseminado mas que não afeta o SNC); Fumidil B (ocular)
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Microsporidiose
Caso Clínico
• Informações adicionais:• Hiponatremia: sódio sérico < 135 mmol/l (criança: 130 mmol / L)
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Valores encontrados (caso clínico) Valores de referência (Criança)
Leucócitos: 10.200 células / mm3 Leucócitos: 4.000 a 27.000 células / mm3
• Referências para estudo e leituras futuras:
• Parasitologia Humana – Neves (13ª. Edição) – Cap. 19 (mais atualizado)
• Microsporidiose humana na síndrome de imunodeficiência adquirida -
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-42301997000300014