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Rev. adm. empres. vol.12 número3

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Academic year: 2018

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Reforma Agrária no

Brasil

Por José Gomes da Silva. Zohar Editores, 1971. 284 p.

O tema da reforma agrária no Brasil é um cavalo de batalha de todos as correntes ideológicas. As esquerdos. empenham-se em tê-lo como palavra de ordem e ponta de lança da reformulação institu-cional. A direito dilui seu con-teúdo, identificando reforma com assistência ao agricultor. Tanto a direita como a esquerdo parecem esquecer-se dos lições da história moderna. O fato concreto é que em todas as ocasiões em que as reivindicações do campesinato quanto à propriedade do terra fo-ram atendidas, este mesmo cam-pesinato, potencialmente revolu-cionário, tornou-se o bloco mais conservador, para não dizer rea-cionário, da comunidade. Isso foi verdadeiro com o redistribuição das terras que seguiu à Revolu-ção Francesa. Evidenciou-se tam-bém por ocasião do Revolução Bolchevique que tomou lugar de-pois de uma reforma agrária de

R. Adm. Emp., Rio de Janeiro,

algum sucesso na Rússia czarista. Nos Estados Unidos Jefferson, já no século XVIII, notava essa

in-fluência estabilizadora de urri campesinato proprietário de suas próprias terras. Em termos opera-cionais, portanto, tanto a esquer-da como a direita estão lutando em campos diametralmente opos-tos àqueles em que se deveriam .colocar face o seus interesses a médio

e

longo prazos. Acontece/ no entanto, que a curto prazo os dois campos têm interesses táticos a defender. As esquerdas pensam em enfraquecer as estruturas agrários como um primeiro passo ao enfraquecimento de todas as estruturas capitalistas da

socie-dade. Não interesso ter· reforma agrária, mas sim agitar O· favor

da mesma. Essa agitação conju-gada com os horizontes acanho-dos acanho-dos proprietários da terra cau-so insegurança, fuga de capitais e paralização ou pelo menos ine-ficiência na economia de merca-dos. A dir.eito preocupava-se com uma diminuição do poder dos grandes proprietários de terra, com os quais, normalmente, nes-sas alturas dos acontecimentos/ identifica-se. Com isso observa-mos o curioso fenômeno da es-querda propalando uma medida que terá como conseqüência uma diminuição de seus atrativos e o

direito protegendo-se contra uma medida que resultará no aumento de seu poder.

A análise que acabamos de ex-por está subjacente em todo o livro de Gomes do Silva. Ela nun-ca se torna exp!ícito, e este é um dos defeitos do autor. Além des- ·

NZセ。@ dimensão ideológica, o autor envereda por campos nos quais mostro muito pouca competência; o principal destes é o do análise econômica dos efeitos de uma Re-forma Agrário. Aqui ele nos ofe-rece considerondos tais como a li-beração de grandes contingentes

12(3) : 116-119,

de mão-de-obra do campo canse.

qüentes de um aumento da pro.

dutividade ger11da por uma redis· tribuição da tena. Para provar esse aumento do produtividade nos fornece dados sobre· duas fo

zendas abandonadas cujas terrc1 foram redistribuídas entre campc neses da região. Prova que a prc· dução aumentou e (como hovéric de não aumentar se as glebl'í estavam abandonadas anteS) do projeto-piloto?) com isso projeto esses aumentos para a economia como um todo/ multiplicando os

índices de aumento do produção por trabalhador pela população agrária do Brasil. Calcula, a por. tir desse momento/ a população necessária na agricultura para

l

prover as necessidades de alimen· tos e matérias-primas no Brasil e mostra o contingente de mão-de-! obra liberável: cerca de 5 milhões,

de trabalhadores. Ora, sabemos

l

que um dos problemas mais sérios l

no Brasil é como absorver os con-j tingentes já liberados pela agri· cultura de maneira produtivo e

não como liberar. outros contin· gentes de mão-de-obra necessa· riomente fadadas à ociosidade.

Por sorte, a conseqüência prová-vel de uma Reforma Agrária, co

menos a curto prazo, será uma di· minuição na produtividade agrÍCo· la e, portanto/ maior capacidade da agricultura de reter essa mão. de-pbra.

Outras curiosidades encontra-J das no livro, além de erros crassos na aplicação de instrumental ana-lítico macroeconômico tal como• supor um multiplicador de empre- : go onde npo haja capacidade ociosa/ inclu'em passagens líricas sobre o estilo e bom-gosto da per·

sonalidode camponesa e o enquo-dramento do Homestead Act 1 . americano que distribuiu エ・イイ。セ@

j

virgens a agricultores como se 1 fosse uma reforma agrária. 1\11

Oennis Cintra Leite

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