IV SIMPÓSIO NACIONAL DE EMPREENDEDORISMO SOCIAL ENACTUS BRASIL

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IV SIMPÓSIO NACIONAL DE EMPREENDEDORISMO SOCIAL

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EMPREENDEDORISMO E EDUCAÇÃO EMPREENDEDORA NO ENSINO SUPERIOR: UM ESTUDO SOB A PERSPECTIVA DOS ALUNOS DO CURSO DE

ADMINISTRAÇÃO

Gabriel Brachini Pereira1 Geraldino Carneiro de Araújo2

Resumo

O objetivo é a analisar o empreendedorismo e a educação empreendedora no ensino superior, mais especificamente no curso de Administração. Para isso foi utilizada uma pesquisa descritiva e exploratória, com uma abordagem qualitativa, foi realizado uma entrevista estruturada com os estudantes. Os dados foram tratados de acordo com a análise de conteúdo.

Foi percebido que para empreender não é necessário uma formação universitária, entretanto, o ensino superior oferece mais ferramentas para o empreendedor, promove transformação e fomenta a efetividade de ideias, isto é visto em projetos de extensão e poderia desenvolver mais atividades envolvendo experiências com empreendedores. De toda forma, vê-se o curso de Administração promovendo o empreendedorismo e a educação empreendedora.

Palavras-chave: empreendedorismo; educação empreendedora; ensino superior;

administração.

Abstract

The goal is to analyze entrepreneurship and entrepreneurial education in higher education, more specifically in the course of administration. For this we used a descriptive and exploratory research, with a qualitative approach, a structured interview was carried out with students. The data were processed according to the content analysis. It was realized that it is not necessary to undertake a university education, however, higher education offers more tools for the entrepreneur, promotes transformation and promotes the effectiveness of ideas, this is seen in extension projects and could develop more activities involving experiences with entrepreneurs. Anyway, see if the Administration promoting the entrepreneurship and entrepreneurial education.

Keywords: entrepreneurship; entrepreneurial education; higher education; Administration.

1Graduando em Administração, Universidade Federal de Mato Grosso do Sul / Câmpus de Paranaíba - UFMS/CPAR (gabrielbrachiniufms@hotmail.com).

2 Doutor em Administração e docente na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul / Câmpus de Paranaíba - UFMS/CPAR (geraldino.araujo@ufms.br).

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INTRODUÇÃO

O cenário educacional sobre empreendedorismo começou na década de 1950, como uma alternativa para elevar o índice de profissionais no mercado de trabalho (FILION, 2000).

A perspectiva global sobre o tema está em evidência, vendo a necessidade de criar programas que incentivam a população de forma geral a terem uma educação ainda melhor, mostrando o empreendedorismo como uma opção que ajudaram em seu crescimento profissional (MOURA et al., 2019).

Dolabela e Filion (2013) dizem que a educação empreendedora é uma poderosa ferramenta para a sociedade de forma geral, criando pensamentos e ações que permitiram um conhecimento maior sobre o mundo. As universidades públicas têm mostrado grande interesse nessa questão educacional para alunos que estão na graduação, o incentivo, o saber, as possibilidades mostradas por meio da ação empreendedora aos poucos têm despertado um interesse maior por essa área (RIBEIRO; OLIVEIRA; ARAÚJO, 2014).

OBJETIVO

Analisar o empreendedorismo e a educação empreendedora no curso de Administração do Câmpus de Paranaíba da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS/CPAR).

EMBASAMENTO TEÓRICO

As transformações organizacionais, tecnológicas que estão acontecendo no mundo têm levado a inovações no mercado, novas ideias e pensamentos têm surgido como um diferencial competitivo por parte dos empreendedores (WRIGHT; SILVA; SPERS, 2010). Essas inovações trazem mudanças para uma organização, tanto interno como também no ambiente externo, esses novos pensamentos facilitam o processo de informação empresarial, trazendo uma nova perspectiva de trabalho (MELLO; MACHADO; JESUS, 2010).

A capacitação organizacional é necessária para ter uma concepção melhor do trabalho, profissionais capacitados e com uma base educacional fazem com que negócios saiam do papel e virem ideias de sucesso (RESENDE; DIB; LEITE, 2005). Analisando os posicionamentos, questionamentos e opiniões mostram uma grande interrogação ao tema, às possibilidades positivas e negativas para uma educação com mais qualidade e oportunidade para grande parte da população (FILION, 2000).

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Toda iniciativa tem um planejamento, a mudança de comportamento deve ser iniciada na base de todo cidadão, educação, para haver transformação são necessários programas que incentivam universidades e escolas a mostrarem que por meio da ação empreendedora é possível mudar a perspectiva de um bairro, cidade, estado e até mesmo um país (BASTOS;

RIBEIRO, 2011).

METODOLOGIA

A pesquisa se caracteriza como descritiva e exploratória. O tipo de pesquisa descritiva procura analisar propriedades, características e perfis de pessoas, grupos ou comunidades (SAMPIERI; COLLADO; LUCIO, 2006), enquanto que a pesquisa exploratória é uma forma de constatar a prática com a teoria e o problema de pesquisa (VERGARA, 2012). A pesquisa tem uma abordagem qualitativa, que busca mostrar as situações vivenciadas pelas pessoas em um dado período, procura fazer junção entre a teoria apresentada com a realidade encontrada (PERDIGÃO; HERLINGER; WHITE, 2011).

Foi utilizada a entrevista com um roteiro semiestruturado para levantar os dados da pesquisa. Os sujeitos da pesquisa foram os estudantes que participaram do I Workshop de Gestão de Negócios: transformação empreendedora e que contemplem todos os semestres do curso de Administração da UFMS/CPAR. Participaram da pesquisa quatro estudantes. O roteiro de questões foi elaborado a partir da teoria levantada, conforme o Quadro 1:

Quadro 1: Roteiro de Questões

Roteiro de Questões Autores

Questões de perfil (sexo, semestre e idade). ---

Para o desenvolvimento de mais empreendedores é necessária educação com

mais qualidade? Comente. Filion (2000)

As inovações trazem mudanças e uma nova perspectiva de trabalho. Qual é o papel da educação superior neste processo?

Mello, Machado e Jesus (2010)

Uma base educacional faz com que negócios saiam do papel e virem ideias de sucesso. Como você analisa isto? Como é que acontece no seu curso?

Resende, Dib e Leite (2005) Para haver transformação são necessários programas que incentivem

universidades e escolas a mostrarem que por meio da ação empreendedora é possível mudar a perspectiva de um bairro, cidade, estado e até mesmo um país.

Você vê isto em seu curso? Em que momento acontecem ou deveriam acontecer?

Bastos e Ribeiro (2011)

As universidades procuram promover o incentivo, o saber, as possibilidades mostradas por meio da ação empreendedora. Você vê ações desta forma na sua universidade e no seu curso? O que mais sua universidade e seu curso poderiam fazer?

Ribeiro, Oliveira e Araújo (2014)

Fonte: Elaborado pelos autores

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Os dados foram tratados utilizando a análise de conteúdo que permite ao leitor uma posição mais elaborada entre a teoria apresentada e os resultados adquiridos, fazendo com que a explanação sobre a temática fique clara em seu pensamento (VERGARA, 2012).

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Sobre o processo de desenvolvimento de empreendedores estar vinculado a uma educação formal um respondente apontou que:

“[...] as pessoas podem até empreender sem uma educação de qualidade, mas os ensinamentos que essa educação passa para as pessoas vão dizer se sua iniciação empreendedora irá se manter por muito ou pouco tempo no mercado, com essa educação sempre em desenvolvimento os empreendedores sairão cada vez mais aplicados aos desafios que encontrarão” (Sujeito Quatro, feminino, terceiro semestre, vinte e cinco anos).

Para ser empreendedor não é necessário fazer ensino superior, no entanto, Filion (2000) expõe que a educação é uma importante ferramenta para o desenvolvimento de empreendedores, no caso a educação no ensino superior. Ainda nesta temática, um respondente comentou sobre as inovações, transformações e a contribuição do ensino superior:

“A educação superior [...] foi transformadora, na época que estava no ensino médio não tinha essas visões que adquiri depois de ingressar na universidade que me proporciona grandes oportunidades para desenvolver essa questão do empreendedorismo [...] pessoas chegam crua na universidade e ela proporciona essas inovações isso faz com que paradigmas pessoais sejam quebrados” (Sujeito Três, masculino, oitavo semestre vinte e quatro anos).

Para Araújo (2011) o ensino superior gera mudanças de comportamentos, as transformações que ocorrem nesse processo levam pessoas a desenvolverem características muita das vezes não percebidas, isso faz com que a mudança e inovação ocorram em todo

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processo. Selecionaram-se duas visões sobre o ensino superior, no caso o curso de Administração, incentivar a colocar prática uma ideia empreendedora:

“Negócios não necessariamente precisam de uma base educacional para sair do papel, mais isso não garante que eles se mantenham por muito tempo [...]. O curso que estou fazendo é uma ‘luz’, para quem quer aprender a gerir e administrar um negócio” (Sujeito Dois, masculino, terceiro semestre, vinte anos).

“[...] A perspectiva do meu curso me proporciona e estimula a conhecer melhor sobre o empreendedorismo, motivando com que ideias saiam do papel e virem realmente negócios bem estruturados e administrados por profissionais de qualidade” (Sujeito Um, feminino, terceiro semestre, quarenta e dois anos).

As graduações tendem a mostrar os caminhos pelos quais acadêmicos com potencial empreendedor devem traçar (BASTOS; RIBEIRO, 2011) e as instituições de ensino superior devem estar preparadas e estruturadas para poder oferecer uma educação empreendedora (PEIXOTO, 2009). As iniciativas nos cursos superiores podem ocorrer de formas variadas, no curso de Administração um respondente apontou que:

“Vejo através dos projetos de extensão oferecidos pela universidade, com essa perspectiva de transformação e ação empreendedora que fazem esse incentivo a respeito do tema. Penso que essas ações deveriam acontecer ao final do curso quando os acadêmicos estarão mais preparados em termos teóricos para conseguir colocar em prática e o conhecimento que adquiriu”

(Sujeito Um, feminino, terceiro semestre, quarenta e dois anos).

As iniciativas que incentivam a ação empreendedora devem ser mais frequentes e claras nas instituições superiores, mostrando a grupos e comunidades os resultados que trazem para a sociedade de forma geral (OLIVEIRA; MELO; MUYLDER, 2016). As universidades de forma geral sempre procuram proporcionar e incentivar o ensino e o saber por meio da ação empreendedora. Além disso, o que essas instituições poderiam fazer.

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“[...] poderia a ter um contato maior com o business para ter contato com organizações que tem essa prática formada e passada aos seus subordinados, as iniciativas e programas oferecidos pela universidade poderiam buscar essa pegada e oferecer experiências mais aprofundadas aos acadêmicos, mostrando a ação empreendedora” (Sujeito Três, masculino, oitavo semestre, vinte e quatro anos).

Domingues (2012) diz que empreender é uma ciência, na qual a cultura organizacional tem dado muito valor nos últimos tempos, devido aos benefícios que está traz para as empresas e também para a sociedade em que estão inseridas. Os incentivos a ação empreendedora nem sempre são constantes no ensino superior, essa perspectiva pode ser mudada com eventos e programas voltados a essa área (PIMENTEL, 2019).

As dimensões que a cultura empreendedora pode trazer de benefícios para a sociedade é enorme, a inserção de novos trabalhadores, a valorização, o reconhecimento que empreendedores têm por parte dos indivíduos são algumas perspectivas positivas (FISCHER;

NODARI; FEGER, 2008) e a universidade é um dos canais para fazer isto acontecer. Todo este contexto mostra a importância do empreendedorismo, seja na educação como também na transformação de indivíduos e organizações (RESENDE; DIB; LEITE, 2005).

CONSIDERAÇÕES FINAIS

O objetivo do texto foi analisar o empreendedorismo e a educação empreendedora no contexto do ensino superior, mais especificamente no curso de Administração. Na visão dos respondentes foi percebido que para empreender não é necessário uma formação universitária, no entanto, o ensino superior pode vir a oferecer ferramentas para estruturar novos negócios e novas ideias. Atrelado a isto o ensino superior promove transformação e fomenta a efetividade de ideias, as discussões em sala de aula e atividades de ensino, pesquisa e extensão podem desenvolver o empreendedorismo e a educação empreendedora. Neste sentido, os projetos de extensão e mais atividades envolvendo experiências com empreendedores foram citados como iniciativas que o curso de Administração poderia desenvolver.

De toda forma, vê-se que o curso de Administração estudado promove o empreendedorismo e a educação empreendedora, e que novos programas e ações poderiam

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fomentar ainda mais o empreendedorismo no ensino superior. Os dados apresentados aqui não podem ser generalizados e para estudos futuros seria interessante um estudo longitudinal para verificar se ocorrem transformações empreendedoras ao longo do curso.

REFERÊNCIAS

ARAÚJO, E. T. Marketing social aplicado a causas públicas: cuidados e desafios metodológicos no planejamento das mudanças de comportamentos, atitudes e práticas sociais.

Revista Pensamento & Realidade, v. 26, p. 77-100, n.3, 2011.

DOLABELA, F.; FILION, L. J. Fazendo revolução no Brasil: a introdução da pedagogia empreendedora nos estágios iniciais da educação. Revista de Empreendedorismo e Gestão de Pequenas Empresas, v.3, n.2, 2013.

DOMINGUES, L. L. S. O empreendedorismo e as novas práticas do fazer científico. Revista INTRATEXTOS, Rio de Janeiro, v. 4, p. 137-159, 2012.

MOURA, F. S. L.; ROCHA, A. M.; TELES, E. O.; TORRES, E. A.Universidade empreendedora: um método de avaliação e planejamento aplicado no Brasil. Revista Gestão

& Tecnologia, Pedro Leopoldo, v. 19, n. 1, p. 159-184, jan/mar. 2019.

FILION, L. J. Empreendedorismo e gerenciamento: processos distintos, porém complementares. RAE Light, v. 7, n. 3, p. 2-7, jul/set., 2000.

FISCHER, A.; NODARI, T. M. S.; FEGER, J. E. Empreendedorismo: algumas reflexões quanto às características. Race, Unoesc, v. 7, n. 1, p. 39-52, jan/jun. 2008.

MELLO, C. M.; MACHADO, H. V.; JESUS, M. J. F. Considerações sobre a inovação em pmes: o papel das redes e do empreendedor. Rev, Adm. UFSM, Santa Maria, v. 3, n.1, p.

41-57, jan/abr. 2010.

OLIVEIRA, A. G. M.; MELO, M. C. O. L.; MUYLDER, C. F. Educação empreendedora: o desenvolvimento do empreendedorismo e inovação social em instituições de ensino superior.

RAD, Revista Administração em Diálogo, v.18, n.1, p. 29-56, jan/fev/mar/abr. 2016.

PEIXOTO, M. C. L. A avaliação institucional nas universidades federais e as comissões próprias de avaliações. Revista da Avaliação da Educação Superior, v. 14, n. 1, p. 9-28, mar. 2009.

PERDIGÃO, D. M.; HERLINGER, M.; WHITE, O. M. Teoria e Prática da Pesquisa Aplicada. Rio de Janeiro: Elsevier, 2011.

PIMENTEL, R. Cultura de inovação em uma escola de negócios: um estudo inspirado pela teoria da prática. RECADM, Revista Eletrônica de Ciência Administrativa, v. 18, n. 1, p.

63-84, jan/mar. 2019.

RESENDE, L. M.; DIB, S. K.; LEITE, M. G. Gestão empreendedora de carreiras tecnológicas. Revista Gestão Industrial. v. 1, n. 1, p. 37-48, 2005.

RIBEIRO, R. L.; OLIVEIRA, E. A. A. Q.; ARAÚJO, E. A. S. A contribuição das instituições de ensino superior para a educação empreendedora. Revista Brasileira de Gestão e Desenvolvimento Regional. v. 10, n. 3, p. 295-313, set. 2014.

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SAMPIERI, R. H.; COLLADO, C. H.; LUCIO, P. B. Metodologia de Pesquisa. 3. ed. São Paulo: McGraw-Hill, 2006.

VERGARA, S. C. Métodos de Pesquisa em Administração. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2012.

WRIGHT, J. T. C.; SILVA, A. T. B.; SPERS, R. G. O mercado de trabalho no futuro: uma discussão sobre profissões inovadoras, empreendedorismo e tendências para 2020. RAI, Revista de Administração e Inovação, v. 7, n. 3, p. 174-197, jul/set. 2010.

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