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Aula 05 - Empresário Inativo

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Academic year: 2021

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DISCIPLINA: DIREITO COMERCIAL E

EMPRESARIAL I

PROFESSOR: EMERSON SPIGOSSO

EMPRESÁRIO INATIVO

O empresário individual e a sociedade empresária que não procederem a qualquer arquivamento no período de dez anos devem comunicar à Junta que ainda se encontram em atividade, nos termos do art. 60 da LRE. Se não o fizerem, serão considerados inativos. A inatividade da empresa autoriza a Junta a proceder ao cancelamento do registro, com a conseqüente perda da proteção do nome empresarial pelo titular inativo. Exige a lei que a Junta comunique, previamente, o empresário acerca da possibilidade do cancelamento, podendo fazê-lo por edital. Se atendida a comunicação, desfaz-se a inatividade; no caso de não-atendimento, efetua-se o cancelamento do registro, informando-se o fisco. Se, no futuro, o empresário pretender reativar o registro, deverá obedecer aos mesmos procedimentos relacionados com a constituição de uma nova empresa, não tendo o direito de reivindicar o mesmo nome empresarial anteriormente adotado, caso este tenha sido registrado por outro empresário. Do cancelamento do

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sociedade, mas apenas a sua irregularidade na hipótese de continuar funcionando. Quer dizer, a sociedade com arquivamento cancelado não deve necessariamente entrar em liquidação; mas sobrevêm as consequências do exercício irregular da atividade empresarial, caso os sócios não a encerrem

EMPRESÁRIO IRREGULAR OU DE FATO

Será empresário o exercente profissional de atividade económica organizada para a produção ou circulação de bens ou serviços, esteja ou não inscrito no registro das empresas. Entretanto, o empresário não registrado não pode usufruir dos benefícios que o direito comercial libera em seu favor, de sorte que a eles se aplicam as seguintes restrições, quando se tratar de exercente individual da empresa:

a) o empresário irregular não tem legitimidade ativa para o pedido de falência de seu devedor, consoante prescreve o art. 97, da LRE. Por este dispositivo, somente o empresário inscrito na Junta Comercial e que exiba o comprovante desta inscrição está em condições de postular a falência de outro empresário. O irregular, embora não possa requerer a falência de outro exercente de empresa, pode ter a sua própria falência requerida e decretada e pode requerer a própria falência (autofalência);

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b) o empresário irregular não tem legitimidade ativa para requerer a recuperação judicial, na medida em que a lei elege a inscrição no Registro de Empresa como condição para ter acesso ao favor legal (LF, art. 51, V);

c) o empresário irregular não pode ter os seus livros autenticados no Registro de Empresa, em virtude da falta de inscrição (CC, art. 1.181).

Desta maneira, não poderá se valer da eficácia probatória que a legislação processual atribui a esses instrumentos, no art. 379 do CPC; outrossim, se for decretada a sua falência, esta será, necessariamente, fraudulenta, incorrendo o empresário no crime falimentar previsto no art. 178 da LF. Essas são as consequências que advêm do exercício de atividade empresarial por pessoa física sem regular inscrição no Registro de Empresa. Quando se tratar de sociedade empresária, além dessas consequências, deve-se acrescentar mais a do art. 990 do CC ("sociedade em comum"), vale dizer, a responsabilidade pelas obrigações sociais solidária e ilimitada dos sócios, respondendo diretamente aquele que, dentre estes, administrou a sociedade.

Além das consequências acima referidas, verdadeiras sanções reservadas pelo direito comercial aos empresários

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irregulares, podem ser divisados os seguintes efeitos secundários do exercício da empresa sem o necessário registro na Junta Comercial:

a) impossibilidade de participar de licitações, nas modalidades de concorrência pública e tomada de preço (Lei n. 8.666/93, art. 28, II e III); h) impossibilidade de inscrição em Cadastros Fiscais (Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas — CNPJ, Cadastro de Contribuintes Mobiliários — CCM, e outros), com as decorrentes sanções pelo descumprimento dessa obrigação tributária acessória; c) ausência de matrícula junto ao INSS, que, em relação aos empresários, é processada simultaneamente à inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica — CNPJ, o que o sujeita à pena de multa (Lei n. 8.212/91. art. 49,1) e, na hipótese de sociedade comercial, também a proibição de contratar com o Poder Público (CF, art. 195, § 3a).

AGENTES AUXILIARES DA EMPRESA

Para praticar a atividade empresarial, o empresário, geralmente, se vale do trabalho de pessoas a ele subordinadas. A essas pessoas, no exercício de suas funções, damos o nome de agentes auxiliares da empresa.

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Assim, todos os que concorrem com o seu labor para o alcance da finalidade da empresa (lucro), de modo direto ou indireto, são agentes auxiliares do empresário.

Temos agentes auxiliares dependentes e independentes. Os agentes dependentes são aqueles que prestam seus serviços mediante vínculo empregatício, ou seja, a pessoa física que presta serviços de caráter não eventual, mediante pagamento de salário e sob subordinação jurídica ao empregador (art. 3º, CLT). As relações entre a empresa e seus empregados está disciplinada pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). É comum, porém, que nos pequenos negócios, o titular da empresa exerça a atividade de modo singular ou contando com o auxílio de familiares.

São exemplos de agentes dependentes, os gerentes, os supervisores, as secretárias, as recepcionistas, os compradores, os caixas, os atendentes, os auxiliares de escritório, os balconistas, os vendedores, os propagandistas, os divulgadores, os que trabalham na linha de produção, os motoristas, os ajudantes, etc., prestando serviços diretos à atividade-fim da empresa, e telefonistas, faxineiros, vigias, contadores, advogados, etc., atuando nas atividades-meio. São agentes auxiliares dependentes internos ou externos, conforme exerçam suas atividades no

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âmbito circunscrito do estabelecimento ou o façam em outros ambientes, de acordo com suas funções.

Com relação aos agentes independentes, são aqueles que prestam serviço à empresa de modo autônomo, exercendo sua atividade em nome próprio, sendo eles mesmos considerados empresários. Exemplos de auxiliares independentes são o corretor, o leiloeiro, o auditor, o tradutor, o representante comercial.

O contador é o agente responsável pela escrita contábil da empresa. Seus atos obrigam a sociedade ou o empresário para quem esteja trabalhando. Deve ser bacharel em ciências contábeis ou técnico em contabilidade. A escrituração da empresa é de suma importância. Nas empresas de maior porte, geralmente, é mantido um departamento de contabilidade e o contador é agente auxiliar dependente. A opção em manter contabilidade interna ou contratar um escritório de contabilidade externo é tomada pelos responsáveis pela empresa, levando-se em conta as conveniências de custo-benefício.

O tipo mais comum de corretor que conhecemos é o corretor de imóveis, aquele que põe em contato as partes interessadas em vender e comprar um imóvel. Porém, a atividade deste tipo de corretor era de natureza civil antes do advento do novo código. Agora, este tipo de atividade

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deverá ser desenvolvida através de firma individual ou sociedade empresária.

Os corretores que nos interessam diretamente são os que atuam no campo empresarial. São os corretores de fundos públicos ou valores mobiliários, os corretores de seguro, os corretores de mercadoria e os de navio. Todos devem estar registrados na Junta Comercial e devem manter rigorosos registros de sua ocupação, através de livros próprios. Quando de seu registro, devem prestar um compromisso solene e fiança.

Os leiloeiros ou agentes de leilões também atuam auxiliando o empresário, encarregando-se da oferta pública de bens para a venda em pregão.

O representante comercial constitui espécie de agente auxiliar de bastante interesse entre nós, pois trata-se de atividade extremamente difundida nos costumes da empresa. Esta, para escoar suas mercadorias, serve-se da atividade do representante, como seu vendedor autônomo. Assim, o representante é a empresa especializada em vender, no atacado, os produtos do representado.

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O empresário deve necessariamente contratar funcionários, reservando para si a função de gerenciador da atividade produtiva da empresa. Os funcionários que desempenham tarefas sob a coordenação do empresário podem ser empregados por este de acordo com o regime do Direito do Trabalho (CLT) ou, ainda, vinculado por contrato de prestação de serviços. Independentemente do vínculo existente entre o empregador e o empregado, seja ele definitivo ou temporário, esses trabalhadores são chamados de prepostos.

De maneira geral, os atos praticados pelos prepostos dentro do estabelecimento empresarial, sendo estes identificáveis como funcionários através de uniformes, crachás, etc., vinculam o preponente, ou seja, o empresário. Dessa forma, toda e qualquer informação prestada pelo preposto, assim como os compromissos por ele assumidos, atendidos aqueles pressupostos de lugar e objeto, criam obrigações para o empresário.

Contudo, de acordo com os artigos 1169 a 1171 do Código Civil, que dispõem sobre os prepostos, estes respondem pelos seus atos de que derivem relações com terceiro. E em caso de agir com culpa, deverá indenizar o preponente titular da empresa.

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Referências

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