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A revogação da lei do monopólio estatal da borracha: suas conseqüências políticas, sociais, econômicas e ecológicas para a Amazônia

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(1)

A Re v o g a ç ã o d a Le i d o Mo n o p ó l i o Es t a t a l d a Bo r i

r a c h a: Su a s Co n s e q ü ê n c i a s Po l í t i c a s, So c i a i s, Ec o n ô m i c a s e

Ec o l ó g i c a s p a r a a Am a z ô n i a.

Dis s ert a ção subm e t i d a à U n i v e r s i d a de Federal de Santa C a t a r i n a (UFSC) p a r a o bte n ção do Grau de M e s t r e em Ciências Humanas - E s p e c i a l i d a d e Di reito do Estado.

Al f r e d o Ar a n t e s

M e

i r a Fi l h o

(2)

ECOLÓGICAS PARA A AMAZÔNIA

A L F R E D O AR ANTES ME IRA FILHO

ESTA D I S S E R T A Ç Ã O FOI J U LGADA E A P ROVADA EM SUA FORMA FINAL PELO P R OG R AM A DE P 0 VgRADUA£A0 EM DIREITO.

O RIENTADOR

Pr o f.

PAULO HENRIQUE BLASI

COORDE N AD O R

b a n c a e x a m i n a d o r a: p r o f. Os n i d e m e d e i r o s r e g i s

Pr o f. Pa u l o h e n r i q u e b l a s i

(3)

A m e m ó r i a d e m e u s p a i s

ALFREDO ARANTES MEJ.

RA

e

MARIA DO CARMO BILHAR MEIRA,

n o r d e s t i n o s q u e, c o m o t a n

(4)

O Au t o r Ag r a d e c e:

A o P r o f e s s o r PAU L O H ENRIQU E B L A S I , C o o r d e n a d o r do C u r s o de M e s t r a d o em Di r e i t o da U n i v e r s i d a d e Feder al de San ta C a t a r i n a e ao el e nco de P r o f e s sor e s que com p õ e m o referi do Curso;

A o P r o f e s s o r JOSÉ M A R I A G O M E Z , O r i e n t a d o r do Mes_ trando, p e l o seu i nt eresse dem o n s t r a d o na o r i e n t a ç ã o do tra b a l h o da Dissertação, i nt eresse que n ã o fr aqu ejou m e s m o após sua t r a n s f e r ê n c i a p a r a a PUC do Rio de Janeiro;

A o P r o f e s s o r ARI K A R DEC B O S C O DE MELO, o r i e n t a d o r de Curso;

A o p e s s o a l da Se c r e t a r i a do Curso, D. HELENA, DIL ZA, M A R I A HELENA, D. IVONETE e ISAIAS, p e l a at e n ç ã o di spe n sada;

A todos os colegas de turma, cit a n d o apenas o nome do D j a l m a (não sendo isso falta de a p reço p a r a com os de mais) que, e m diversos momentos, foi c o m p e n h e i r o de s emi nã rios e c o l a b o r a v a no p r e p a r o das fichas de leitura;

E t a m b é m â co le ga E R I N A L V A M E DEIR OS, que c ooper ou d ura n te a e x e c u ç ã o do P r o j e t o de Dissertação;

à U n i v e r s i d a d e F ed e r a l do Acre, por ter p e r m i t i d o o a f a s t a m e n t o do autor de suas at i vid a d e s pro fissi on ais, pa ra vir c u r s a r o Mestrado; â Capes, p e l a b o l s a de e s t u d o con cedida;

(5)

 P r o f e s s o r a YACUT YACHE, Ch e fe do D e p a r ta mento de D i r e i t o da UFAC, p el a indicação do au t or ao Mestrado;

Ao amigo e c olega de graduação, Cl C E R O INÁCIO, lã do Acre, p o r ter i nce n tiv a do o autor a p o s t u l a r a. põ s-gra duação;

à AFRA, so brinha e filha criação, que no mom ent o e m qu e o a u t o r adoeceu, ficando d ura n te cer to te mpo impos^ s i b i l i t a d o de fazer leituras, lia e m voz alta os textos de e s t u d o e as notíc i as dos jornais;

Ao P r o f e s s o r E D MUN D O L I M A DE A R R U D A JÜNIOR, que teve a g e n t i l e z a de h o s p e d a r em sua ca sa o autor, nos seus p r i m e i r o s dias de co nvívio com a t e rra catarinense.

Finalmente, a todos que c o n c o r r e r a m ou c o l a b o r a r a m p a r a o ê x i t o do trabalho.

(6)

"EM TODAS AS CIDADES SE PODE E N C O N T R A R ESSES DOIS P A RTIDOS ANTAGÔNICO S, QUE N A S C E M DO DES E JO DO PO VO DE E V I T A R A O P RE S S Ã O DOS PODEROSOS, E DA T E N D Ê N C I A DESTES ÚLTIMOS P A R A C O M A N D A R E O PR I M I R O POVO. DESSES DOIS IN TER ESSES QUE SE O P Õ E M SURGE U MA DE TRÊS CON SEQÜÊNCIAS: O GO V E R N O ABSOLUTO, A L I B E R D A D E OU A DESORDEM".

(7)

ÍNDICE

R ESU M O ... VIII RÉSUMÉ . ... ... X I N T R O D U Ç Ã O ... 1 C A P l T U L O I - A I n f l u ê n c i a da Bor r ach a na A m a z ô n i a ... 8 1.1. La C o n d a m i n e e o L á t e x ... 9 1.2. A Vul c a n i z a ç ã o , o Pneumático e o A u t o m ó v e l ... 11

1.3. A C o r r i d a p ela Bor r a c h a e a M a o - d e - O b r a Seringueira. 13 1.4. A C o n q u i s t a do Acre ... 16 1.5. Os T r a t a d o s de "Ayacucho" e " P e t r õ p o l i s " ... 18 1.6. A C o n c o r r ê n c i a da B o rr a c h a A s i á t i c a ... 21 1.7. A I n t e r v e n ç ã o E s t a t a l . v - i ... ... 23 1.8. A R e a ç ã o I n t e r n a c i o n a l ... . 25 1.9. F o r d e a A m a z ô n i a ... ... 26 A NEX O S ... 28 C A P l T U L O II - A I n s t i t u i ç ã o do M o n o p ó l i o ... . 31

2.1. Os A c o r d o s de Washin gto n , o D e c r e to- Lei 4.451 e o I n t e r v e n c i o n i s m o ec on ô m i c o ... 34

2.2. A B a t a l h a da B o r r a c h a ... ..., ... 37

2.3. As C o n s e q ü ê n c i a s da I n s tit u içã o do M o n o p ó l i o ... 42

2.4. 0 M o n o p ó l i o e a S ol uç ão de C ont i n u i d a d e ... 44

2.5. As C o n f e r ê n c i a s N a c i o n a i s da Borracha: As Leis 86 e 1.184 ... ■,... 46

2.6. Os Decretos: 30.694 e 35.371: O P r o t e c i o n i s m o N a c i o n a l i s t a de V a r g a s . . . ... ..., 51

(8)

C A P l T U L O III - A E x t i n ç ã o do M o n o p ó l i o ... 53 3.1. A P r i m e i r a Fase: O D e c r e t o n9 44.728 ... 53 3.2. A S e g u n d a Fase: O D ec r e t o n9 880 ... 59 3.3. A T e r c e i r a Fase: O D e cr e t o n9 56.490 - (O Descortí n i o da N o v a P o l í t i c a O f ici a l da B o r r a c h a ) ... 61 3.4. A E x p o s i ç ã o de M o t i v o s n9 1 0 9 , ... 66 3.5. A A b - R o g a ç ã o do Monopólio: a Lei n9 5.227 ... 70 3.6. A R e a ç ã o no P a r l a m e n t o ... 74

3.7. A Rea ç ã o Amazônica: A Lei n9 5.459 ... ... 83

ANE X O S ...91 C A P Í T U L O IV - As C o n s e q ü ê n c i a s Políticas, Sociais, E co n ô m i c a s e E c o l ó g i c a s da E xti n ç ã o do M o n o p ó l i o da B o r r a c h a ... .’... 93 4.1. Os D e p o i m e n t o s ... 95 4.2. As C o n s e q ü ê n c i a s ... 101

4.3. A N o v a P o l í t i c a Governamental: Decreto -Le i 1.232... 106

C O N C L U S Õ E S ... 114

B I B L I O G R A F I A ... ... ... 122

APÊNDICE: A. O A c r e e a "Ques tão C e n t r o / P e r i f e r i a " ... 128

B. A L e g i s l a ç ã o que instituiu, m o d i f i c o u e exti n g u i u o M o n o p ó l i o Es t a t a l da B o r r a c h a ... 141

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R E S U M O

Este tr ab al ho é uma análise do mo nop ó l i o estatal da borracha. Es t u d a a i n s t i tui ç ão desse mon opólio e, e s p e ­ cialmente, as c o n s e qü ên ci as da ab-rog ação das leis que o constituiam.

A an álise se g u i u aqu e la o r i e n t a ç ã o de Capelleti apud O rl ando Gomes e A nt u n e s V a r e l a in: Direito Econômico, p. 3, Saraiva, 1977, que r e c o m e n d a o estudo do Direito, v i ­ sando: "... á f o rma ç ão da cap a cid a de de raciocínio,* no s e n ­ tido de que as leis, os julgados e as i nstituições sejam ex a mi n a d a s de modo crítico, â luz dos dados e ev entos que os de t erminaram, dos fins que fo r am desejados, dos r e s u l t a ­ dos sociais, e co nô mi co s e po l ít i c o s que produziram". Oc upa- mo-nos, também, do e l e m e n t o ecológico.

0 p r i m e i r o c ap ít ulo m o s t r a a- época áurea da b o r r a cha, o seu grande ciclo, quan d o a A m a z ô n i a v i v e u dias de fausto. E, também, o m o m e n t o de decadência, depois que os ingleses t r a n s p l a n t a r a m a s e r i n g u e i r a para a Ãsia.

No segundo capítulo, exa m ina- se a i nstit uiç ão do monopólio, du ra nt e a II G u e r r a Mundial, n u m mom e n t o em que o Es t ad o B r a s i l e i r o i n a u g u r a v a o i n t e r v e n c i o n i s m o econômico.

O te rceiro c a p í t u l o ana l i s a o p r o c e s s o de e x t i n ­ ção do monopólio, que c ulm i na com a e di ç ã o da Lei n? 5.227, de 18 de ja neiro de 1967. A m u d a n ç a d a p o l í t i c a o f i c i a l em

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r e l a ç ã o à borracha, segue aqueles impulsos mostrados pela anál i se c entro/periferia. E essa m u d a n ç a radicaliza-se com o a p a recimento, em nosso país, do Est ado B u r o c rát ico Autori t á r i o .

No último capítulo, e x a m i n a m-se as conseqüências da e x t i n ç ã o do monopólio. M o s t r a m - s e os danos sofridos pela A m a z ô n i a , b e m como pelas p opu l açõ e s dos seus s e r i n ga is, com

a p r á t i c a de políticas autoritárias, adotadas pelo Estado. Na conclusão, e s b o ç a m - s e algumas propostas que so me n t e p o d e r ã o ser i m plementadas através de uma r efo rma cons t i t u c i o n a l e no contexto de um n o v o federalismo.

No apêndice, a c r e s ce n tam o s uma rel ação de leis que r e g e r a m o s is te ma monopolista, inclusive, aquelas que o m o ­ dificaram.

Sob o título "O A c r e e a Q u e s t ã o Centro/Periferia", d e m o n s t r a - s e a lógica de d o m i n a ç ã o do centro nos diversos mo m e n t o s históricos.

(11)

R É S U M É

Ce tra v a i l e st une analyse du m ono p o l e d'Etat du coaoutchouc. Il étudie l'institution de ce mo nop ole et, tout p a r t i c u l i è r e m e n t , les conséquences de l ' a b r ogati on des lois qui le constituaient.

L' a n a l y s e a suivi l'orientation de C a p e l leti apud Or l a n d o Gomes et A nt un es V a r e l a in "Droit Economiqu e", page 3, Ed. Saraiva, 19 77, qui recommande l'étude d u D r o i t ayant en vue "la f o r m a t i o n de la capacité de raisonnement, dans ce sens que les lois, les décisions et les i n s t i t ution s s o ­ ient e x a m i n é e s de façon critique, â la lumière des données et des é v é n e m e n t s qui ’les ont déterminées, des fins qui ont été r e c h e rc hées , des résultats sociaux, é c o n o miqu es et poli tiques q u ' e l l e s ont produits". Nous nous sommes occ upé aussi de l ' él é m e n t écologique.

Le p re m i e r chapitre mo n t r e l'apogée de l'époque du caoutchouc, son grand cycle, q u and l'Amazonie a v é c u des jours fastueux. Et aussi, au mom e nt de la décadence, après que les a nglais ont trans p ort é l'hévéa e m Asie.

A u 2e. chapitre, on e xamine l ' i n s t i t u t i o n du mono p ô l e p e n d a n t la 2e. G u err e Mondiale, â um mo m e n t où l'Etat B r é s i l i e n i n a u g u r a i t 1'i nt e r ven t i o n i s m e économique.

Le 3e. chapitre analyse le p r o c e s s u s d ' e x t i n c t i o n du mo n op o le, qui at teint son sommet avec la p a r u t i o n de la loi n9 5.227, du 18 janvier 1967. Le c h a n gemen t de la p o l i ­

(12)

tique o f f i c i e l l e par rapport au c a out c h o u c suit les impul­ sions m o n t r é e s pa r l'analyse centre/périphérie. Et ce ch a ng e m e n t d e v i e n t plus radical avec l'établissement, dans notre pays, de l'Etat B u r e a ucr a tiq u e Autoritaire.

A u de r nie r chapitre, on ex a mine les conséquences de l ' e x t i n c t i o n du monopole. On mo n tre les dommages subis par l ' A ma z o n i e ainsi que par la p o p u l a t i o n t r a v a il lan t pour

le caoutchouc, avec la pratique d'une p o l i t i q u e autoritaire adoptés p ar l'Etat.

A la fin, on pré sente q uel q ues pr o p o s i t i o n s qui ne p o u r r o n t être adoptées q u' a v e c l'appui d'une réforme c o n s t i t u t i o n n e l l e et dans le co n texte d'un no u v e a u fédéra- li s m e.

Dans l'appendice, nous avons ajouté une liste des lois qui o n t régi le système du monopole, y compris celles qui l'ont modifié.

Sous le titre "L'Acre - une q u e s t i o n centre/p éri phérie", on dé mo nt re la logique de d o m i n a t i o n du. centre dans les divers mo ments historiques.

(13)

Dos

Mo t i v o s, Ob j e t i v o s e Fo n t e s

A d e s t r u i ç ã o dos seringais nat ivos d a A m a z ô n i a (mi lhões de h e c t a r e s d e s m a t a d o s e q uei m a d o s - a deva sta ção florestal) c a u s o u p r o f u n d o impacto à v i d a das p o p u l a ç õ e s re sid entes n a q u e l a região.

-O e x t r a t i v i s m o da b o r r a c h a foi e ainda é atividade e c o n ô m i c a p r e d o m i n a n t e e m vastas ãreas da A m a z ô n i a e, em part i cu l ar, do Acre.

A a d ó ç ã o de uma p o l í t i c a oficial d e s f a v o r á v e l ao ex t r a t i v i s m o da b o r r a c h a e o p r oc e s s o de m u d a n ç a social vão lenta q u e se seg u iu â es sa nova política, m o t i v a r a m o A u t o r a e s t u d a r e ss es fatos.

D e c i d i d o o t em a da dissertação, encontrou, todavia, d i f i c u l d a d e s ao a cesso âs informações sobre o p r o b l e m a do m o n o p ó l i o e s t a t a l da borracha. N ão e n c o n t r o u n a l i t e ra tura na c i o n a l n e n h u m e st ud o e s pec í f i c o sobre esse monop óli o. Al guns a u to re s e s t u d a m o p r o b l e m a d a borracha, de m o d o abran gente, i sto é, i nc lu i n d o a b o r r a c h a silvestre, a b o r r a c h a de p l a n t i o e a b o r r a c h a sintética. Out ros e s t u d a m o ciclo da b or r a cha, lim i t a n d o o est u do a me a dos do s é c u l o passado, e âs p r i m e i r a s décadas do atual.

D i a n t e da dificuldade, p a r t i u p a r a a "c ons u l t a a esmo" (browsing) e, e m s eg u i da tr a t o u de o b t e r fontes pri

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má r i as de informação. Até isto não foi fácil.

N a B i b l i o t e c a C e ntral da U n i v e rsida de Fed e r a l de Sa n t a C a t a r i n a - UFS C - pou c a coisa se encontrou. Ru mou pa ra o Rio de J a n e i r o e ali obteve algumas fontes primárias e s e c u n d á r i a s de i n for m a ç ã o em pesquisas realizadas na Fun dação N a c i o n a l E r ó - M e m S r i a (.Biblioteca Nacional) , D epart a m e n to s de P e s q u i s a dos Jornais do Brasil e de "O Globo". V_i sitou, também, a D e l e g a c i a Regional da SUDH E V E A - Supe rin t e n d ê n c i a d a B o r r a c h a e a A g ê n c i a do B anco da A m a z ô n i a SA.- BASA.

A t r a v é s de correspondência, a dquir iu doc ume n t o s e b i b l i o g r a f i a de São Pa u lo (USP e I n stituto de F i l o s o f i a e Ci ê nc i as H u m a n a s da U n i v e r s i d a d e E s tad ual de C a p i n a s ) ; de Belém, R io B r a n c o e do C ent r o de D e s e n v o l v i m e n t o e P l a n e j a m e n t o R e g i o n a l da U FM G (.Universidade'Federal de M i n a s Ge r a l s O . E s t e Centro, de m a n e i r a especial, fez u m E s t u d o so bre M i g r a ç õ e s I nt ernas na Região Norte: O Caso do Acre, em

c o n v ê n i o c o m a SUDAM, U F M G / F U N D E P ).

E s s e p r o c e s s o de o b t en ç ã o de informações tornou-se, p ort anto, d e m o r a d o e difícil.

N o a f ã de in fo rm ar - s e mais e melhor, o A u t o r def ron t ou-se c o m s i t u a ç õ e s e respo s tas não m u i t o claras por p a r t e de a lg u m a s fontes que b u s c o u consultar, o que ao invês de d e s e s t i m u l ã - l o , a g u ç o u - l h e o interes s e em r e c o n s t r u i r as c i r c u n s t â n c i a s e m o t i v a ç õ e s de grupos que r e s u l t a r a m n a que b r a do m o n o p ó l i o estata,l da borracha. Veja-se, p o r exemplo, a r e a ç ã o da A g ê n c i a Ma tr iz do Ba,nco da Amazônia, ao ser c onsultada, indireta,mente, através dos seus p r ó p r i o s funcio

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nãrios, sobre a e x tin ç ão do m o nop ó l i o estatal. Dali obteve o autor a l a c ô n i c a r e s p o s t a ã guisa de um ex emp l a r da insti tuição (?): "não p o s s u i m o s p u b l i c açõ e s dispo nív eis para d o a çã o a c e r c a do m o n o p ó l i o estatal da Borracha" (SIS).

U ti li zo u- se , de igual forma, de docum ent os (xerox de leis, d e c r e t o s - l e i s e decretos) c onseguidos junto ao Senado Federal, por in te rm édi o do atual Senador do A c r e , Jorge Kalume.

Da De l i m i t a ç ã o e De f i n i ç ã o d o As s u n t o

i i

A i n t e r v e n ç ã o do E stado na ec onomia e x t r a t i v i s t a da A m a z ô n i a d a t a de 194 2. N a q u e l e ano, como con s e q ü ê n c i a dos "Acordos de Wa sh in gt on ", o Governo Federal in sti t u i u o m o n o p ól i o e s ta t a l da borracha, cr i ando par a isso o Ban co de Cré dito da Borracha.

A l e g i s l a ç ã o do m o n o p ó l i o e outras que se lhe segui^ ram, e s t a b e l e c e r a m u m a p o l í t i c a oficial de amparo ao e xtra tivismo da b o r r a c h a silvestre.

E s t a s normas constituiram, durante vi nte e cinco anos, a v e r d a d e i r a e s p i n h a dorsal da vid a econômica, polltjL ca, social e e c o l ó g i c a d a Amazônia.

A sua r ev og a ç ã o p r e c i p i t a d a ? em 1967, q u a n d o o Esta, do f o r m u l o u u m a n ova p o l í t i c a ec o nô m i c a da borracha, abriu as p or t as dà re gi ão à p e n e t r a ç ã o do c a p i t alism o selvagem.

*W.A. PfLe.cZpi.tada... p orque não criou nenhum mecanismo de s ub s t i t u i ç ã o ã economia da borracha silvestre. C o n s e q ü e n t e ­ mente, com a r e v o g a ç ã o , as populações dos seringais ficaram a b r u p t a m e n t e desamparadas, marginalizadas pelo Estado,

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el a b o r a r leis p a r a a A m a z ô n i a q ue de m odo ne n h u m rep res e n t a v a m a m é d i a do p e n s a m e n t o de toda a sociedade b r a s i l e i r a , m u i t o m en os o p e n s a m e n t o dos h abi t a n t e s d aquel a região.

Essa n o v a p o l í t i c a e c o n ô m i c a da bor ra c h a golpeou, de m od o desumano, a v i d a dos seringais da Amazônia. Pr ete x tando o r a c o m p a t i b i l i z a r a p o l í t i c a ec onô m i c a da b orr a c h a c om os o b j e t i v o s da s e gur a n ç a na c ion a l e do p r i n c í p i o da livre concorrência, ora c o n d e n a n d o o e x t r a tiv ism o como antjL e c o n ô m i c o e anti-social, sem lém b rar - se e n t r e t a n t o que na d e p e n d ê n c i a d e s s a e c o n o m i a atrasada, subdesenvolvida, esta v a m quase um m i l h ã o de pessoas, a nova legislação simples^ m e n t e fazia o jogo dos in t er e sse s da in dústria p e s a d a de a rte fatos de borracha, i n s t al a da no sul ..do país. O centro a gindo c o n t r a a periferia*.

A l e g i s l a ç ã o do m o n o p ó l i o estatal da b o r r a c h a era um i n s t r umento p o d e r o s o do Es t a d o de amparo ã região amazô nica. Por e s s a l egi s l a ç ã o todas as terras dos seringais es t a v a m como que h i p o t e c a d a s ao B a nco de Crédi to da B o r r a c h a (atual B anco da A m a z ô n i c a S.A.), não sendo p e r m i t i d a a transferência, ce s s ã o ou v e n d a da ex p l o r a ç ã o do seringal p elo s e ringalista, salvo c o m p r é v i a anu ê n c i a e x p r e s s a do Banco. N ão sõ as terras, m as t a m b é m a p r ó p r i a selva Amazôni,

*Na Amzh.lca Latina, o Eòtado Buhoch.atlco Autoh.ltah.lo (BA) òufiglu na dzcada dz 60 no Btiabll z na Afigzntlna, z um pouco mal* tafidz no Uhugual z no Chllz; (...) éuh.glu tambzm na Euh.opa [Gtizcla] z quz, alzm dliòo, 6uazmzh.go.ncla podz òzh. conò zqllzncla dz outh.oò autoh.ltah.lòmo6 pfiz-zxlòtzntzò

(Mz x l c o , Eòpanha)". 0'V0NNEL, Gullzh.mo, I n..,: 0 Eòtado Au toh.ltan.lo z oò M ovlmzntoò Populanzò. Rio dz Janzlh.0 . Paz z Tzh.h.a, 7 9 79 , p . 3 0 .

*A Tzon.la Czntho-pzfilf zh.la^dz& znvolvida poh. autohzò como Fhlzdmann, z fzh.hamznta multo útil paAa comph.zznòão do caòo amazônico z atz mzòmo do caòo bh.aòllzlho.

A noção cznth.o-pzh.lfzh.la zluclda à lntzh.dzpzndo.ncla zco_ nomlca znth.z h.zglõzò oú palòzò zm faò z dz Induòth-lallzação. Eòóa lntzh.dzpzndo.ncla z mah.cada poh. uma coh.h.zntz dz zxpoh.ta çao dz^allmzntoò z matzh.laò-ph.lma& da& ah.zaò pzh.lfazh.lcai pa h.a a& ãh.za& Induòth-lallzadaò z dz um fluxo òlmult a n z o dz ph.oduto& manufatah.adoò, confoh.mz Mlh,anda H z t o , 0 Vl l z m a da Amazônia, pãgò . 25-2 6 (J 9 79 ). Edltoh.a Vozzò,

(17)

f lo r estas sõ p o d e r i a m ser d e r r u b a d a s sob certos controles (Decreto-Lei n9 4.841 de 17 de o u t u b r o de 1942).

Revo g a d a toda a l e g isl a ç ã o qu e regia o sistema do m o n o p ó l i o e adotadas novas p o l í t i c a s oficiais de ocu pação da A m a zô nia, como a dos inc e nt i v o s fiscais e a dos proje tos agropecuário s , a A m a z ô n i a iria torna r-se uma p r e s a qua se q ue i ndefesa ás i nv es ti das do c a p i t a l i s m o selvagem*.

O Est ad o brasileiro, antes seu leal e influente pro tetor, a g o r a se al i a v a aos q u e s o f r eg ament e se a t i r a v a m nu ma l o u c a a ve nt u r a de d e v a s t a ç ã o das suas florestas, como

jamais a c o n t e c e r a em toda a h i s t ó r i a da vida regional.

Do inte r ior dos seringais, da d ensa fl oresta tropi cal, s e r i a m enx ota d os os s e r i n g u e i r o s e suas famílias que, é ve r d a d e e m b o r a não v i v e s s e m n u m paraíso, tin ham pelo m e nos a o p ç ã o de ter como m e i o de v i d a a a tivid ade extrativiss ta local.

Q u e b r a d a essa e s p i n h a d orsal da econ o m i a amazônica, aqui referida, a vi da até ent ã o p a c a t a dos seringais iria t r a n s f o r m a r - s e n u m inferno.

A m a i o r p r e o c u p a ç ã o dos novos donos das terras, os n ovos donos dos seringais da Am a zônia, era d e s o c u p a ç ã o dos imóveis, d es o c u p a ç ã o que s i g n i f i c a v a f r e q ü e n t e m e n t e a ex p u l s ã o v i o l e n t a dos seus a n t igo s ocupantes, os seringueiros.

U m a es pé ci e de p a r a n ó i a a p o d e r o u - s e dos novos inves tidores da Amazônia. N a an sia de se b e n e f i c i a r e m dos incen tivos fiscais o u de e n r i q u e c e r r a p i d a m e n t e coitra es pe c u l a

*Entendemos o capitalismo s e l v a g e m como Fennando H, Ca,n doso, (A m a z ô n i a : Expansão do Capitalismo, p.i-JO: " Expansão capitalista, sim, mas na s u a cana mais feia. I. , . 1 ", , , fonma que o estado assume: autoh.ltan.lsmo pana a mássa, pnotenclp- nlsmo pana. as empn.esa s . ” t...) ". . . c o m b i n a em A u a èstnutuna fonmas de explanação e de I m p o s i ç ã o que s i m u l t a n e a m e n t e su põem o Estado Levlatã (pnoteton., pana os nlcosõ e a coensao

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ç ã o fundiária, h ou ve uma v e r d a d e i r a corr ida pelas terras n a q u e l a região. Os s e r i n g a l i s t a s , jã sob um a p o l í t i c a de d i s c r i m i n a ç ã o da b o r r a c h a s i l vestre C"As m e r c a d o r i a s de 1964 a 1966, portanto, e m apenas 3 anos a u m e n t a r a m 361,97% e a b o r r a c h a apenas 39%". Do M e m o r i a l do G o v e r n a d o r do Acre, J o r g e Kalume, de 16 de out u b r o de 1967), e post erior me n t e p r i v a d o s do c réd i to of i cia l e, finalmente, contest ada a p r o p r i e d a d e dos seus seringais, q u è b r a d o s , falidos, sõ lhes r e s t a v a v e n d e r as suas imensas p r o p r i e d a d e s aos novos e m p r e s á r i o s da Amazônia, a ssistidos pelos incenti vos fiis cais. S e g u n d o A l b e r t o Passos Guimarães. A Crise Agrária. RJ, Paz e Terra, 19 7 9., p . 318;

"Entne. 1966 e 1 970, zpoca^da aprovação dos maZoHzò pH.oid.toi> a g n o p e c u a n Z o A , 04 ZnccntZ voi ga.nka.Ham a magnZtude. do. ve.Hdad2.ZHa6 doa çôe.A.,A paHtZc.lpaq.ao daò quantZaò deduzZdai do Zmpoito da H&nda, atZngZam, era gznal, 7 5% do t o t a l do Znve.0tZme.nt0; al&m dZ&òo, em a l g u m ca&oò 0 valoH da te.HHa podZa tambzm &e.H c o m p u t a d o , e.le.vãndo a pantz do& Znce.ntZ voò a 951, com 0 que. a paHtZcZpaçao do Zn ve.i>tZdoH pode.HZa He.duzZH-40. a ape.na& 5% do t o t a l do pHojzto. AcHe.0 ce.nte. - 4 e a tudo Zi>&o a Zòo.nção de. Zmpoitoò pon um po.nZodo do.

10 a n oa".

Iriam, também, o co r r e r p ro f u nda s m u d a n ç a s em re l a ç ã o ao po der p o l í t i c o regional.

M i l h õ e s de h ec ta re s de s eri ngais destruídos, incen diados; m i l h a r e s de se r ing u eir o s de s a l o j a d o s do seu habitat; d e g r a d a ç ã o física e m o r a l das p o p u l a ç õ e s locais, t ens ão so ciai. Foi o saldo da n o v a p o l í t i c a e c o n ô m i c a da borracha, e s t a b e l e c i d a pe lo autoritarismo.

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A F o l h a de São P aul o de 08-07-1983, revelava: "Vos quatro milhões de hectan.es da A m a z ô n i a ocupados por pastagens, SOO mil estão em estado de d e t e r i o r a ç ã o , p r o v o c a d a por des_ c o n h e cimento técnico e pelo imediatismo dos f a z e n d e i r o s . A denuncia é do técnico Mãriò V a n t a s , da Empresa Brasileira de Pesquisas Agrop e c u á r i a s - EMBRAPA, um dos partic i p a n tes do Simpósio i n t e r n a c i o n a l sobre a Amazo_ nia, realizado em Belem do Pará durante a 35- Reunião Anual da Socie d a d e Brasileira ' p a r a o Progresso da Ciência lSBPC)".

Só d ep o i s do ch o que do petróleo, q u a n d o se t orn ou inviável ao g o v e r n o federal a pr o duç ã o de b o r r a c h a sintética, tendo como m a t é r i a p r i m a o petróleo, p a r a suprir as n e c e s sida des do c o n s u m o n a c i o n a l e com a a b ert u ra p o l í t i c a do Governo Geisel, i r i a di mi n u i r a p r e s s ã o c o ntr a os seringueiros, os p o s s e i r o s da sel v a Amazônica. J unt e - s e a isso, ainda, a c r e s c e n t e i m p o r t a ç ã o de b o r r a c h a natural.

T a m b é m pod e -se dizer que os resul tados p rátic os da n o v a p o l í t i c a e co nô m i c a da borracha, a do t a d a pelo p oder cen trai, f o r a m nulos. Conforme o Jor n al do Br asi l de 08 de m a r ço de 1984, atualmente, o Brasil imp o rta p o r a n o . 243 mi l t one l a d a s de borracha, sendo 70 m i l t o nel adas do p r o d u t o e m e s t a d o n a t u r a l e, 173 mil toneladas de b o r r a c h a sintêti ca.

M as o emp r ego das moto-serras, dos d e s f o l h a n t e s , do fogo e d a v i o l ê n c i a contra os h abi t a n t e s da região, t i n h a m c riado u m a n o v a época, a era da devastação.

D e n t r o de todo esse quadro, d esses a c o n t e c i m e n t o s , o A c r e foi talvez a uni dade da federação, l o c a l i z a d a na A m a zônia, q u e m ai s se prejudicou. Po r que o A c r e ê u m v a s t o se ringal.

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D esde a s e g u n d a m e t a d e do século passsado, a b orr a cha i n f l u e n c i o u p r o f u n d a m e n t e a Amazônia. Especialmente, a A m a z ô n i a c l á s s i c a , q u e c o r r e s p o n d e à R egião Norte, formada pelos E s t ad os d o Acre, A m a z ô n i a e P ará e pelos Terr itó rios de R on d ô n i a (hoje E s t a d o ) , R ora i m a e Amapá. Possui superfí

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cie de 3,5 m i l h õ e s de k m e 6 mi l h õ e s de habitantes. Influen ciou c o n s i d e r a v e l m e n t e as áreas dos Rios To cantins e Ar a guaia, s e gundo O C T Ã V I O IANNI, A Luta Pela Terra, p . 34. Ao

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lado da c l ássica, temos a d e n o m i n a d a A m a z ô n i a Legal .

Os Ín di os u t i l i z a v a m a b o r r a c h a desde mu i t o antes do d e s c o b r i m e n t o da América. Ro b ert o Santos in forma que Co lombo, na sua s e g u n d a v i a g e m â América, ficou c onh ecend o a u t i l i z a ç ã o do p r o d u t o pe lo s indígenas do Haiti, no jogo da bola. Relata, também, q ue os a g ent e s de Esp anha e Po rtugal nos du z e n t o s ano s q u e se s e g u i r a m ao des co b r i m e n t o desta ou tra b a n d a do A t l â n t i c o , fi z e r a m out r as obser vaç ões sobre o

^ O C T Â V I O MEhlVÕMÇA, Pro fessor da U n i v e rsidade Fe.de/ia-Z do Pa/cã. In Rev i s t a e Informação Legislativa, outubro a dezem bro de 1 9 8 1, p. 307.

2"Chama-se A m a z ô n i a Legal" a área estabelecida pela Lei nÇ 1806, de 06.01.1946, para d e l i mitar oficialmente, no Bra sil, o âmbito de atuação do Órgão de planejamento r e g i o n a X por ela m e s m a c r i a d a : a SPVEA, hoje denominada SUVAM. A ex pressão Amazônia. Legal e imprópria,, pois gresume que haja uma outra A m a z ô n i a i l e g a l ; e S u a delimitaçao foi e x a g e r a d a ; o paralelo de 169 S, em Mato Grosso; o de 139 S, em Goiás , e o meridiano de 449 W GR, no m a r a n h ã o , envolvem vastas su perfZcies que nada tem de amazônicas , mas se beneficiam de verbas destinadas aquela região". Orlando Valverde et a l , ., 0 Problema Flore s t a l da A m a z ô n i a Brasileira. Vozes, Petropo_ l i s , 198 0, p . 21.

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uso da b o r r a c h a pelos n a t i v o s , como o seu em prego na imper m e a b i l i z a ç ã o de roupas, c on fe c ç ã o de calçados, fabrica de v a s i l h a s e de seringas. E, que antes dos relatos ci entífi cos de L a C o n d a m i n e e Fresnau, os pr i meir os d o c u m e n t o s de in f o r m a ç ã o sobre a borracha, foram os relatos de PIERRE M A R T Y R D 'AN GH IERA, B. SAHAGUN, D. DURAN, A. de H E R R E R A T O R DE S I L H A S e m 1601, b e m como os de F.J. T O R Q U E M A D A e P, DE NEUVI L L E , e m 1723 .

1.1. La Co n d a m i n e e o LÃt e x

La C o n d a m i n e t inh a ido ã A m é r i c a Meridional, a ser viço d a A c a d e m i a de Paris, a fim de estudar e fazer a medi ção de u m p a r a l e l o de l ati t u d e sul. E foi nessa v i a g e m que se i n t e r e s s o u pelo l átex do Brasil.

O m e n c i o n a d o h i s t o r i a d o r af irma que La C o n d a m i n e e£ cre v e u u ma c o m u n i c a ç ã o sobre a borracha, lida por B u f f o n em 1736, p e r a n t e a Academia. F a l a v a d a árvore que certo s natj. vos c h a m a v a m de " H a v é " , e n q u a n t o os m a is a d e n o m i n a v a m de " c a u t c h u c " . D i z i a que d e s s a á rvore c orria um a r e s i n a "bran ca como l e i t e " .

A m e s m a fonte in f orm a que e m 1745, La C o n d a m i n e pu b l i c o u u m R e l a t o a bre v i a d o de sua v i a g e m â A m é r i c a do Sul, v o l t a n d o a falar da "resina elástica". Esse relato do cien tista f r an c ê s foi, c om d a t a do m e s m o ano de 1745, t r a d u z i d o e m Londres, "levando à Inglaterra, alguns anos antes da

~ 3

R e v o l u ç ã o Industrial, seus i nformes e observações".

3S A N T O S , Ro berto A r a ú j o de Oliveira. H l& tÕ s ila E co n ô m ic a da A m azô n ia. SP, T. A. Q u e ir o z , J 9SO. p . 44,

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C o n s i d e r a o e ng en h e i r o Fra n ç o i s Fresnau, que era am i g o de La Condamine, como o p i o n e i r o da i ndús t r i a france sa de borracha. Esse en g enh e iro foi d e s i g n a d o par a fazer a c o n s t r u ç ã o de um forte, na Caiena, C a p i t a l da Guiana France sa na A m é r i c a do Sul. A l é m desse trabalho, d ev e r i a desenvol ver, s e c un dariamente, pe s qu i s a s botânicas. N e s s a pesquisa, e s t e v e p o r q u a t r o anos, fazendo o b s e r v a ç õ e s sobre as árvo res gomíferas.

Santos acha o r i g i n a l em F r e s n a u as pr evi s õ e s que fez p a r a o emp r e g o indus tri a l da borracha. E m 1747, ao vol tar à França, o d e d i c a d o e n g e n h e i r o p r o g n o s t i c a v a a aplica ção d a b o r r a c h a sobre o p a n o p a r a a o b t e n ç ã o de encerados, luvas p a r a bombas, r oupas de m e r g u l h a d o r e s e sacos de bola chas. E tinha como g r ande o b j e t i v o c o n v e r t e r a b o r r a c h a em m a t é r i a p r i m a de uma no va indústria. P a r a isso em pre g o u v in te anos e m p e s q u i s a s da l i q u ef a ção da g oma elástica, Desco b r i u o e m p r e g o da te r e b e n t i n a p a r a d i s s o l v e r o látex coagu lado, c o m u n i c a n d o as suas co n clu s õ e s ao gov erno francês em 1762.

E m 1770, o c i e n t i s t a inglês J o s e p h P r i e s t l e y empre gou o l á t e x c oa gu l a d o como b o r r a c h a de apagar, p a s s a n d o en tão a ser larga men t e u s a d o c om e s s a finalidade.

E m 1823, o es cocês C har l es M c Iuntost, apr ese n t o u u m a n o v a e x p e r i ê n c i a co m a b o r r a c h a c o m b e n z i n a e p renso u as duas p e ç a s engomadas, u t i l i z a n d o - a s p a r a f a b r i c a r capas imper m e á ve is . O seu i nvento era, ainda, m u i t o imperfeito, po r q u e n a ch u v a a água e n t r a v a p e l a c o s t u r a e no tempo q u e n te fi c a v a pegajosa.

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1.2. A Vu l c a n i z a c ã o, o Pn e u m á t i c o e o Au t o m ó v e l i

R o b e r t o Santos diz que a b o r r a c h a b r a s i l e i r a come ç o u a ser i m p o r t a d a e m 1800. Ia em forma de garrafa. Dali dos E U A c o s t u m a v a m enviar sapatos de couro ao Br asi l para s e r e m r e v e s t i d o s de b o r r a c h a ou e n v i a v a m formas de m ad e i r a p a r a a c o n f e c ç ã o de sapatos i n t e i r ame n te de borracha. E a p r i m e i r a i n d ú s t r i a de borracha, ou antes, a p r i m e i r a casa de a rt i g o s de borracha, foi ins t alada e m Boston, em 1833.

M as o qu e ia m o t i v a r uma grande p r o c u r a de borracha, t o r n á - l a cobiçada, fazendo da b o r r a c h a d á A m a z ô n i a uma maté r i a p r i m a indis p e n s á v e l a e uropeus e americanos, foi a deis c o b e r t a do p r o c e s s o de " v u l c a n i z a ç ã o " .

S e g u i n d o as i nformações de Rob e r t o Santos, o termo v u l c a n i z a ç ã o foi e mp re ga do p e l a p r i m e i r a vez em 1842, por W i l l i a n B r o c k e don, que m o s t r o u a H a n o c k pe d a ç o s de borra cha p r e p a r a d o s nos Estados Unidos, po r Goodyear. Es te conse gui r i a q u e a borracha, apôs receber tr a t a m e n t o q u e inventa ra, não se a l t e r a v a pelo frio, calor ou pe lo e m p r e g o de sol ve ntes c o m u n s ou óleos. No t rat a men t o d e s c o b e r t o por G oodyear, e m p r e g a v a - s e a b o r r a c h a m i s t u r a d a com exofre, sub m e t e n d o - s e a al ta temperatura. Es s a s e m e l h a n ç a de at ivi da des p e c u l i a r e s ao deus da mitologia, Vulcano, foi a causa da a d o ç ã o do termo vulcanização. G o o d y e a r p a t e n t e o u a inven ção nos E s t a d o s Unidos, em 1844. No m e s m o ano, H a n c o c k tam b ê m r e g i s t r o u na Inglaterra a sua p a t e n t e de vulc ani zação .

S a n t o s o b s e r v a qu e o i n vento da v u l c a n i z a ç ã o da b o rr acha, a p l i c a d o quase ao m e s m o tempo nos dois lados do

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Atlântico, iria p o s s i b i l i t a r o uso seguro da borracha, e impelir a i n d ú s t r i a do setor "a uma po sição d esta c a d a na e c o n o m i a mundial". P a r t e daí o i n teresse dos cen tro s indus triais p e l a b o r r a c h a da Amazônia.

Ou t r o nome ligado ao pro c ess o de a p e r f e i ç o a m e n t o da b o r r a c h a p a r a a p l i c a ç ã o na in d ústria e que se não pode es quecer, ê o de Bo y d Dunlop, o irlandês que in vento u as câma ras duplas p a r a ap l i c a r a rodas de v e íc u l o s (aperfeiçoada em 1890).

 p r o p o r ç ã o que os p aíses i n d u s t r i a l i z a d o s da q u e l a êpoca iam a p e r f e i ç o a n d o o uso da borracha, au men t a v a a de ma n d a do p r o d u t o amazônico. R oberto Santos reg i s t r a que na Inglaterra, a i m p o r t a ç ã o p a s s o u de 23 toneladas, em 1830 a 68 toneladas, e m 1845; 209 toneladas, em 1850; e, 1865 tone ladas, e m 1855. Nos E s t a d o s Unidos, e m 1850, a b o r r a c h a im p o r t a d a a t i n g i a 1.000 toneladas, e 1865, subiu a 3.000 tone

ladas.

Nos EUA, f a b r i c ou- s e o p r i m e i r o pne u em 1891. Ne sse m esmo ano, sabe-se, a e x p o r t a ç ã o de b o r r a c h a da A m a z ô n i a e l ev o u - se a 16. 650 ton e l a d a s com o p r e ç o m ê d i o de 161,3 li_ bras e s t e r l i n a s / o u r o , p o r tonelada.

A o la d o do p r o c e s s o de v ulcanização, o u t r o fator d e t e r m i n a n t e p a r a o d e s e n v o l v i m e n t o do e x t r a t i v i s m o da bor racha na A m a z ô n i a foi a in v enção do automóvel. O P r i m e i r o Salão do A u t o m ó v e l foi i ns tal a do em Paris em 1898. E, que

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de s d e a q u e l a d a t a "a i nd ústria a u t o m o b i l í s t i c a não parou de crescer, a r r a s t a n d o c onsigo no f u l m inan te sucesso a de pneu

5

m ã t i c o s de borracha".

E aí co meça par a a A m a z ô n i a b r a s i l e i r a o primeir o g r an d e m o m e n t o do e xtr a tiv i smo da borracha, isto é, a ■ par tir da R e v o l u ç ã o do Automóvel. As. ind ústri as automobilísti_ cas dos E s t a d o s Unidos e da E u r o p a ir i a m a umentar avassala d o r a m e n t e a d e m a n d a da borracha. 0 auge desse perí o d o da p r o d u ç ã o g o m í f e r a ocorre de 1880 a 1912, a "Era do Automõ

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vel". Es se p e r í o d o se r eflete na m o d e r n i z a ç ã o das cidades de Manaus, B e l é m e na Q ue stão do A c r e .(grifó Nosso)

1.3. A Co r r i d a p e l a Bo r r a c h a e a Mã o-d e-Ob r a Se r i n g u e i r a

As e c o n o m i a s p e r i f é r i c a s e x p o r t a d o r a s de pr odu tos p r i m á r i o s n ã o c o m a n d a m o seu p r ó p r i o crescimento. D e p e n d e m

sempre do "vigor da d em a n d a cêntrica".

A i n t e g r a ç ã o dos p a í ses p e r i f é r i c o s no m e r c a d o in te r n a c i o n a l serve p a r a m a n t e r altas taxas de l ucros dos pai ses centrais. A e st r u t u r a ç ã o dos p a í s e s p e r i f é r i c o s * de aco r d o c o m os interesses dos p a í s e s centrais, t o r n a suas e c o n o m i a s d e p e n d e n t e s d esses países. Como e xe m p l o p o d e m ser cit a d a s as p r o d u ç õ e s ú n icas do Brasil, c o n h e c i d a s com o o c iclo do p au -b ra si l, açucar, ouro, café, borracha, etc «,q ue l e v a r a m a surtos de c r e s c i m ent o s se g uid os de p r o f u n d a s cri ses d e c o r r e n t e s do e s g o t a m e n t o d e s s e s pro dutos, ou p e r d a de

5Santos, Ro be rt o Ar a ú j o de O l ive ira , Op, C l t ,, p, 201 6ReZatõà.lo do Banco de. C/iedlto da Amazónia, 19 63, p. 45.

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p r e ç o ou re du çã o de d e m a n d a e m c o n s e q ü ê n c i a das crises em p a í s e s centrais.

De longa data, os pa í ses pe r i f é r i c o s (inicialmente a A m é r i c a Latina, m a i s r e c e n t e m e n t e os países africanos) c o n t e s t a r a m est a p o l í t i c a de c o m p l e m e n t a r i d a d e natural, ba seada e m A d a m Smith e Ricardo, p r i n c i p a l m e n t e com o desen v o l v i m e n t o dos est u dos da C E P A L (Comissão Eco nô m i c a para a A m é r i c a Latina) que de f e n d e q u e os países d é v e m - s e constL tuir e c o n o m i c a m e n t e p a r a d e pois se int egrar i n t e r n a c i o n a l mente. É a te or ia centro periferia.

A e c o n o m i a e x t r a t i v i s t a da b o r r a c h a da Amazônia, d e s d e o seu início, e s t a r á sempre sob a i nfl uênci a do cen tro industrial. E ssa "economia p e r i f é ric a" até hoje se res sente d e s s a situação de d e p e n d ê n c i a a o utros c entros indu ^ triais. I nclusive da i n d ú s t r i a a u t o m o b i l í s t i c a (transferida da E u r o p a e dos Es ta do s Un i dos p a r a c á ) , locali zad a no Cen tro Sul, den t r o do n o sso p r ó p r i o país.

Ha v i a e sc assez de t r a b a l h a d o r e s na Amazônia. E o au m e n t o da p r o d u ç ã o e x t r a t i v i s t a da b o r r a c h a só se dá co m o au m e n t o da mão-de-obra. C o i n c i d i u o 19 ciclo de d e s e n v o l v i m e n t o do e x t r a t i v i s m o da borracha, c o m a gr ande seca do Nor deste, de 1877 e de 1880. Do No r deste, e s p e c i a l m e n t e do Ceará, i ri am m i l h a r e s de t r a b a l h a d o r e s p a r a a. Amazônia,

O d i n h e i r o da b o r r a c h a p o s s i b i l i t o u o d e s e n v o l v i m e n to da Amazônia. N a cidade de M anaus, foi c o n s t r u í d o o Tea, tro Amazonas, u m a r ép l i c a da õ p e r a de Paris, M á r c i o Souza, no seu livro "A E x p r e s s ã o A m a z o n e n s e do c o l o n i a l i s m o ao n e o - c o l o n i a l i s m o " , d e s c r e v e es s e "ciclo da b o r r a c h a ”, Segun

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do e s se autor, "Manaus foi a p r i m e i r a c o n s tru ção K itsc h b ra s il e i ra, u m a c ida d e do sonho e do delírio, mi croc o s m o das d o e n ç a s do e s p í r i t o b ur guês com toques de selva geria e g r o s s u r a " .

O c o s m o p o l i t i s m o de M anaus e B e l ê m c o n t r a s t a v a m com • a v i d a s e l v a g e m do i n terior dos seringais. F e r r e i r a de Ca£ tro, e m seu r o m a n c e "A Selva", n a r r a suas e xpe r i ê n c i a s vivi. das n u m s e r i n g a l da Amazônia, m o s t r a n d o a v ida d u r í s s i m a do se r i n g u e i r o e como e s t a v a m sempre endividados. E uclides da Cunha, p. 24 a 26 e m "Ã M a r g e m da História", t a m b é m trata do tema do p e r m a n e n t e e ndi v i d a m e n t o do seringueiro, a q u e m

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d e n o m i n a de h o m e m q u e tr abalha p a ra escravizar-se. A r t h u r C e z a r F e r r e i r a Reis, p . 95 em "O S eri n gal e o Se ringueiro" , e m b o r a r e c o n h e c e n d o os q ua dro s r e ali s tas da v ida dos serin gueiros d e s c r i t o s por Eu cl ide s e F e r r e i r a de Castro, t ê m ’ a seg uinte o p i n i ã o sobre o assunto; "... tais relações, no entretanto, d e v e m ser explic a das pe l a b a r b a r i a do m e i o - n a t u reza e do m e i o - s o c i e d a d e e m formação. Porque, se o av iador e o s e r i n g a l i s t a e x p l o r a m o seringueiro, este niò se com por ta melhor. V i n g a - s e c o m as armas de que d is p õ e e de a c o r d o co m o p r i m a r i s m o de sua inteligência, das coisas e dos homens. A s s i m é que n e g o c i a às e sco n did a s a p r o d u ç ã o de sua safra, lesando o seringa li st a, e n tre g a - s e à m adr açari a, di m i n u i n d o a p r o d u ç ã o o u e x t r a i n d o o látéx por p r o c e s s o p r o i b i d o par a a u m e n t a r e d i s p o r de s af ra m a i o r que lhe g a r a n t i r á saldo^ - c r e d o r " .

C o mo dissemos, ha v i a esc a sse z de m ã o - d e - o b r a p ara a u m e n t a r a p r o d u ç ã o da b o r r a c h a d a Amazônia.. E e s s a falta

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de b r a ç o s p a r a o t rabalho dos seringais, sô seria suprida c o m a i m i g r a ç ã o nordestina. Roberto Santos, op. cit. p . 107- 108, d i s c u t e c o m pr o f u n d i d a d e as causas que leva ram os nor d e s t i n o s a i m i g r a r e m p a r a a Amazônia, ao invés de se dirigi r e m aos g r a n d e s c a fezais de São Paulo. Aqui, limitamo- nos a v e r i f i c a r al g u n s efeitos da vinda das pop ula ç õ e s nordesti^ nas p a r a a Amazônia.

Tal êxodo, a l é m de suprir a falta de m ã o - d e - o b r a pa ra a e x p l o r a ç ã o dos seringais, p r o p i c i o u o a l a r g a m e n t o das f r o n t e ir a s do país. P en et r a n d o pelos a fluen tes do Rio Ama zônas â p r o c u r a de borracha, os no r d e s t i n o s fo ram povo a n d o r e gi õ e s c o m p l e t a m e n t e inexploradas. N esse ala r g a m e n t o de fronteiras, v i e r a m a o c u p a r a região que depois se denomi n ou Acre, m a n i f e s t a n d o - s e então o co n flit o c o m a B o l í v i a e Peru: a g r a v e q u e s t ã o do A c r e (expressão de Ro b e r t o Santos), e p i s ó d i o c o n h e c i d o na his t ó r i a local como a R e v o l u ç ã o A c r e a na. (Vide a n e x o sobre "O A cr e e a Q uestão Centro-Perifêricf), no final do trabalho.

1.4, A Co n q u i s t a d o Ac r e

A i n c o r p o r a ç ã o do A c re ao B r asil o c o r r e d u r a n t e o d e n o m i n a d o " b o o m g o m i f e r o " , ou como d e n o m i n a R ob e r t o Santos^ na "fase de e x p a n s ã o gomífera; 1840-1910", (Quadro VI I I - 2 , do li v r o de R o b e r t o Santos, anexo). Ã p r o p o r ç ã o q u e aume nta va a d e m a n d a pela. b o r r a c h a na Europa, e nos Est a d o s Unidos, c o m o d e s e n v o l v i m e n t o da i ndú s t r i a a u t o m ob ilíst ica , ia

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c r e s c e n d o o m o v i m e n t o do comér cio das praças de B e l é m e Ma naus e a a v i d e z daq u e l e s comerci a nte s em conseguir mai s bor racha, m o t i v a d o s p el os altos preços alcançados po r esta ma téria prima. (Quadro V I I I - 1 e Fi g ura VIII-2, Ro berto Santos, a n e x o ) .

S e g u n d o C r a v e i r o Costa, autor de "A C o n q u i s t a do D eserto O c i d e nta l ", no ano de 1877, sairam do C e a r ã mais de 14 mil pe s soas, r u m a n d o p a r a a Amazônia. No ano se guinte , c onf o r m e es te autor, h o uve um v e r d a d e i r o êxodo, c heg a n d o a c orr e n te i m i g r a t ó r i a a at i n g i r 54 mil pessoas. Em 1900, in forma: " . . . u m a v a g a faminta, que ab a ndon ou os lares pãt rios

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re g i s t r o u o n ú m e r o de 47.835".

O fluxo de p o v o a m e n t o p a r a a A m a z ô n i a e os ac ontec i m entos p o l í t i c o s e militare s , oco r rid o s na região, a conte c e m j u s t a m e n t e d u r a n t e o p e r í o d o ãureo do ext r a t i v i s m o da borracha. D e s d e q u a n d o se i n s t a l o u e m Paris o. P r i m e i r o Sa Ião do A u t o m ó v e l (1898) , alude Roberto Santos, a, A m a z ô n i a se vê c o b i ç a d a p e l a s p o t ê n c i a s imperiali sta s da. êpoca.

O a c o n t e c i m e n t o p o l í t i c o e m i l i t a r d e s s a fase, o cor re co m a i n c o r p o r a ç ã o do  c r e ao Brasil.

A r e g i ã o er a indemarcada. A Bo l í v i a na q u e s t ã o de limites c o m o Br a s i l p r e t e n d i a fazer v aler o T ra t a d o de 1777. Jã p a r a o Br as il não va l i a este ajuste prelimi nar, p o r q u e todos os seus e f e i t o s foram invali dad os p elos de

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Badajõs, a s s i n a d o e m 1801.

7Costa, Jo ão C r a v e i r o Costa. A Conquista do Vo.6Zh.to Ocl dzntaZ. Bh.a6lli.ana CEM/MEC, v o Z . 1 9 ] , 1 974. p. 25,

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Mas, p a r a os b o l i v i a n o s só exi s t i a o Tra t a d o de 1777 (Santo I l d e f o n s o ) . De a cordo c o m Crave iro Costa, a Bo lívia r e calcitrava, e x igi n d o a e xec u ç ã o do Trata do de 1777 e o s' s eu s e s t a d i s t a s a l i m e n t a v a m o sonho desl ubr ante de do m í n i o da m a i o r p ar te da Amazônia. O Brasil che gou a romper r elações d i p l o m á t i c a s c om ,o pais vizinho, ficando as nego ciações p a r a d a s du ra nt e vár i os anos.

1.5. Os

Tr a t a d o s d e "Ay a c u c h o" e "Pe t r o p o u s" .

Surgi n d o a Gu e rra do Paraguai, a Bol í v i a v o l t a a insistir na ex ec u ç ã o do T r a t a d o de 1777. Nes se momen to, o B rasil v ê- se q u a s e que o b r i g a d o a a t ende r às exig ên c i a s bo livianas, a s s i n a n d o c o m a q uel e pais o "Tratado de Ay acu choV de 27 de m a r ç o de 1867.

Desse aj uste de f r ont e ir a s e ntr e os dois países. C r a v e i r o C o s t a faz o s egu i nte comentário:

"Toda v i a o Brasil cedeu. 0 Brasil desarmado e em guerra, não podia deixar de c e d e r . for esse Tratado, diz o Barão do Rio Branco, "multo diferente do de 3111, o Brasil cedeu a essa República os Territórios do Juruá e o do P u r u s , o Acre ou Aq u l r l e os do tlãco ou H l ã c o , ao sul da dita l i n h a Javarl B enl" territórios que foram s a b i a m e n t e r e c u p e r a dos pelo Tratado de PetrÓpolls, de 3 1 de na vembro de J 9 0 3 " 8 .

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N o ano de 1977, o G ove r no do A c r e cele b r o u o primei^ ro c e n t e n á r i o da c o l o n i z açã o n o r d e s t i n a do Estado.

A h i s t ó r i a local r egis t r a que "João Gabriel, ce aren se, n a t u r a l de Uburetana, foi o ch e fe da ex ped i ç ã o que, sob sua c a p a c i d a d e hercúlea, in iciou a c o l o n i z a ç ã o do Acre, no d i a 3 de a b r i l de 1877, t r a n s p ort ado p e l a lancha "Anajas" , c o m a n d a d a p e l o p iloto Si mp líci o Gonçalves. F o r a m seus compa nheir os , o C a p i t ã o Josê de Matos, seu tio Chagas Souza e o M a j o r A l e x a n d r e O l i v e i r a L i m a " , que m a i s tarde r ec e b e u a c o n s a g r a ç ã o p o p u l a r de Barão da Boca do Acre". E diz o his^ toriador: "...e .foram esses i m pávidos c o n q u ista dor es da sei

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v a i g n o t a que i n i c i a r a m a p oss e a c r e a n a " .

O T r a t a d o de A y a c u c h o foi a ssi n a d o em 1867, como vi_ mos. Mas, os b o l i v i a n o s só c h e g a r a m ao A c r e trinta e dois anos depois, e m 1899, justam ent e q u a n d o a b o r r a c h a atingia as m a i o r e s cotações do m e r c a d o internacional.

A c h e g a d a de a u t o r idad e s b o l i v i a n a s ao A c r e foi o r e s u l t a d o do P r o t o c o l o de 23 de s e tem b ro de 1898 p a r a o es t a b e l e c i m e n t o de uma alfândega. N e s s a ocasião, o B ras il re c o n h e c e u a r eg iã o do A c r e como t e r r i t ó r i o i n c o n t e s t a v e l m e n te b o li v i a n o , como in forma C r a v e i r o Costa. E o m e s m o autor a s s i n a l a qu e "os b ol iv i a n o s e s t a b e l e c e r a m - s e pois, no Acre, a c o m e ç a r de 1899".

N e s t e lapso de mai s de tr i n t a anos, q ue d e c o r r e r a m e n t re o T r a t a d o de A y a c u c h o e a p o s s e boliviana, o A c r e se

exto dd. kn.thuK Cezar Ferrelra Reis, citado pelo Sena dor J o r g e Kalume in Con f e r ê n c i a p r o n u n c i a d a na Uni v e r s i d a d e Federai, do kcre, por ocasião das comemorações do primeiro centenário da colonização do Estado, em J J de agosto de 1 977.

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p o v o o u de nordestinos. A q u e l a r e giã o de seringais, jã se e n c o n t r a v a toda o c u p a d a p o r s e r i n g a l i s t a s e seringueiros.

N a q u e l e me s m o ano de 1899, h o u v e reação das p opula ções b r a s i l e i r a s p r e s e n t e s na região, que se s entiram esbu

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lhadas o u tr aídas com a p r e s e n ç a de a u tor idade s bolivianas, como c o m e n t a A r t h u r Ce za r F e r r e i r a Reis, em seu livro - "A A m a z ô n i a e a C o b i ç a I n t e r n a c i o n a l " . R e açã o que res ultou na e x p u l s ã o dos f u n c i o nár i os que r e p r e s e n t a v a m a Bolívia. Esse e p i s ó d i o de um a das i n s u r re içõ e s acreanas, hoje está mu i t o divul g a d o, co m a p u b l i c a ç ã o do r om a n c e de M árcio Sòuza

"Galvez, I mp e r a d o r do Acre" (A v i d a e a p r o d i g i o s a ave ntura de D o m Luiz G alvez R od ri g u e s de A r i a nas fabulosas capitais a m a z ô n i c a s e a b u r l e s c a c o n q u i s t a do T e r r i t ó r i o A c r e a n o con tada c o m p e r f e i t o e justo e q u i l í b r i o de r acioc íni o p a r a a d e l í c i a dos l e i t o r e s ) .

O e p i s ó d i o mais im p o r t a n t e d a Hi st ó r i a do Acre, no entanto, i ri a o c o r r e r e m 1902, c o m a d e n o m i n a d a "Revolução Ac r e a n a " c h e f i a d a p el o ga ú cho Jos é P l á c i d o de Castro. Só após e st a Revolução, o A c r e foi. d e f i n i t i v a m e n t e incorpo rado ao Brasil, c o m a a s s i n a t u r a do T r a t a d o de Petrópolis, de 17 de n o v e m b r o de 1 9 0 3 , (grifo nosso) sob o p a t r o c í n i o do Ba rão do Rio B r a n c o e d u r a n t e a p r e s i d ê n c i a de Rod rigues Al ves.

N o A n e x o sobre a Q u e s t ã o do Acre, e n f a t i zamos que foi a b o r r a c h a a causa da t e n t a t i v a i m p e r i a l i s t a de apojs s ar-se d a região, por i nt e r m é d i o do B o l i v i a n Sindycate.

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1.6. A Co n c o r r ê n c i a d a Bo r r a c h a As i á t i c a

Uma te nt a t i v a mais b em suc e dida par a d om i n a r as fon tes p r o d u t o r a s de b or ra c h a foi l eva d a a cabo pel os ingleses. M a n d a r a m â A m a z ô n i a Henry Wiekham. E m 1876, ele c onseguiu l evar 70 mil sementes de seringueira, a '(Hevea brasiliensis^, p a r a o K e w B ot an i c a l Gardens de Londres. Das 2700 sementes que g er m inaram, 1200 foram t r a n s p l ant a das pa ra a M a l á s i a in glesa. Já no começo do século XX, as se rin guei ras cultiva das na  s i a a m e a ç a v a m o m o n o p ó l i o b r a s i l e i r o da borracha. E m 1900, p r o d u z i r a m 4 toneladas. Em 1913, a à s i a jã ultra p a s s a v a o Brasil, p r o d u z i n d o 4 7.618 t o nel adas de b o r r a c h a de cultivo, c o n t r a 39.370 mil ton e lad a s de b o r r a c h a da Ama zônia. (Anexo Qua d ro I X - 2 ) .

M a r e i o Souza c la ss i f i c a como "operação de c o n t r a b a n do" o t r a n s p o r t e das sementes de se r ing uei ras l evadas por Wieckham.

R o b e r t o Santos fala do grande colapso, r e f e r i n d o - s e ao m o m e n t o e m que a A m a z ô n i a foi vencida, p e l a c o n c o r r ê n c i a da b o r r a c h a asiática. P a r a a A m a z ô n i a a c a b a v a - s e o p rim e i r o grande m o m e n t o da borracha. Só trinta, anos depois, e m 1942, co m a i n s t i t u i ç ã o do m o n o p ó l i o estatal da borracha, os pre ços, v o l t a r i a m a subir e se est a bilizarem. A v i d a c o m e r c i a l das r e g i õ e s p r o d u t o r a s de b o r r a c h a s i lve s t r e v o l t a r i a a or denar-se, como veremos.

C o m e n t a n d o o que c hamamos o fim des se p r i m e i r o cx cio da b o rracha , M a r e i o Souza diz e m seu livro - "A Expreíà são A m a z o n e n s e " , p . 35, que o m o n o p ó l i o e sta va q u e b r a d o por

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car d i f i c u l d a d e s aos coronéis brasileiros, até dar-lhes o golpe de m i s e r i c ó r d i a que vi r ia c o m a I Gu e r r a Mundial. Os "coronéis de barra nc o" - (grandès s e rin galis tas que deti. n h a m o p o d e r p o l í t i c o durante o p r i m e i r o ciclo da borracha), que a c r e d i t a v a m na exclusividade, sentiram-se, de r epente ,

traídos p e l a n a t u r e z a infiel. A borracha, m a t é r i a p r i m a do inte r es s e de m e r c a d o s industriais a l t a men te desenvolvidos., era ag o r a c o n t r o l a d a pelos p la n t a d o r e s do Ceilão, que ofe r e c i a m u m p r o d u t o final já acabado, e m abundância, e esta v a m no n e g ó c i o c o m e xt ensão d ireta dos m e r c a d o s mundiais. O s e r i n g a l i s t a b rasileiro, ainda no regime e x t r a t i v i s t a não p o d i a c o n c o r r e r co m o cap i tal i sta da Ma lásia , po r q u e o ana c r ô ni c o e x t r a t i v i s m o jamais c o n c o rre r a com o ca pit a l i s m o . O s m e r c a d o s m u n d i a i s t ra n s f e r i r a m sua p r e f e r ê n c i a p a r a o látex do oriente, de p r eço s mais b aixos e custo o p e r a c i o n a l mais leve. A A m a z ô n i a fica sem os compradores, as s i s t i n d o a cota ção de p r e ç o s c ai r e dependend o de um país e s s e n c i a l m e n t e agrário, q u e ma l d e s p e r t a v a pa r a a indústria.

A r t h u r C ez ar Fe r r e i r a Reis, c o m e n t a n d o ess e m o m e n t o da q u e b r a do m o n o p ó l i o da p rod u ç ã o da goma elástica, fala- nos, a t r a v é s de seu livro - "O Se r in g al e o S e r i n g uei ro" , p . 71, fatos i m p o r tan t es sobre o d e s m o r o n a m e n t o da econo m i a regional. Diz q u e a d eb ac le foi violenta. Que e m 1911, atin giu-se a p r o d u ç ã o de 44.296 toneladas; no ano segui nte no entanto, c a i a - s e p a r a 38.173 toneladas, c h e g a n d o em 1923 a c ifra de 1 7.991 toneladas. Ne s se m e s m o ano - informa. - a p r o d u ç ã o do O r i e n t e subia p a r a 369.500 toneladas. O p r e ç o a v i l t a v a - s e ao extremo. E m 1911, b a i x a v a p a r a CR$ 300; em

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1912, p a r a 6$700; e m 1916, para 4$050. E m 1921, a lcançou apenas e tão so mente os 1$350, A s s i n a l a que o ciclo da goma s i l v e s t r e e n t r o u em colapso. Sobreveio o êxodo dos serin gueiros. E m seguida, os d es astres econômicos, financeiro s e sociais. O ser i nga l p e r d e r a o esplendor. (Quadro A-Anexo)

C o m o c o n s e q ü ê n c i a da crise v i e r a m as falências, o q u a s e a n i q u i l a m e n t o das p raças de Ma n aus e Belêm, b e m como o fe c h a m e n t o dos s er ingais e segundo Roberto Santos, Op.Cit. p . 239, "a p a r a l i s a ç ã o q u a s e complet a de uma frota fluvial que se c o n s i d e r a v a a m a i o r do mundo, com 26.300 mi l tonela das de c apacidad e , e que representava, ao custo histórico, £ 1.055.000, a g o r a c o m os va p ore s d e socupados, os cas cos en t err a d os na lama das margens, as tripulaçõe s d e s e m b a r c a d a s â f alta de serviço".

A i n d a s eg u n d o ele, as falências na p r a ç a de B e l é m a l c a n ç a r a m 1 m i l h ã o de francos. E es t ima que a r e n d a inter na da r e g i ã o t e n h a ca i da pa r a cerca de 1/3.

O c o l a p s o fin a n c e i r o trouxe a inq uie tação política. Jã n a q u e l a é p o c a a p e l a v a - s e p a ra o Estado, na e s p e r a n ç a de

salvar do n a u f r á g i o a e c o n o m i a da b o r r a c h a s i l v e stre da A mazônia.

1.7. A In t e r v e n ç ã oi Es t a t a l

D u r a n t e o G ov e r n o do M a r e c h a l Hermes d a F o n s e c a , surge o P l a n o de D e f e s a d a B o r r a c h a (Dec. n9 2.543-A, de 5 de j a n e i r o de 1912 e D e c r e t o n9 9,521, de 17 de abr il da q u e l e m e s m o a n o ) .

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R o b e r t o Santos, Op.Cit. p . 247-256, co menta que o Plano n ão se li m i t a v a sõ a borracha, sendo um Pla no geral p a r a o d e s e n v o l v i m e n t o da região. Se ainda hoje os p lanos o f i c i a i s p a r a a A m a z ô n i a falham, m u ito menos p odi a - s e espe rar q u e se tives s e êxito u m pla n e j a m e n t o feito naq u e l a êpo ca, n a q u e l e momento, p a r a salvar a e con o m i a da b o r r a c h a sil­ vestre. O P l a n o não só fracassou, como em alguns aspectos trouxe r e s u l t a d o s a dve r sos aos esperados, como conclui este autor. Foi o caso, p o r exemplo, de e m Londres terem sido re d u zidos e m 1.0% o d i r e i t o de porto sobre a borracha, tornan do n o s s o p r o d u t o ma is caro no c omércio internacional. Segun do A r t h u r Reis, Op.Cit., p . 71, o Plano falhou p orque o Con g resso N a c i o n a l n e g o u v e r b a par a que fosse executado.

A c a b a r a a é p o c a de e spl e ndo r d a b o r r a c h a da A m a z ô nia. Mas, m e s m o co m todo o fracasso da noss a produção, fren te â p r o d u ç ã o de b o r r a c h a do Oriente, os seri nga lista s ama zônicos a i n d a a l i m e n t a v a m espera n ças de que a situa ção se norma li z as se . H a v i a u m a es pécie de ilusão, uma c rença de que a b o r r a c h a jamais cairia, de que era insubstituível.

A p e s a r de tudo, os seringais c o n t i n u a r a m p r o d u z i n do, e m b o r a u m a p r o d u ç ã o sempre d e c r e s c e n t e e a pr e ç o s i.rri sõrios. Damos a nexo o q u a d r o da p r o d u ç ã o da b o r r a c h a amazô nica, no p e r í o d o de 1913 a 1941, e x tr a í d o do livro - "O Serin g a l e o Seringueiro", p . 73-74.

N a situ açã o d e s e s p e r a d o r a em que se e n c o n t r a v a a Amazônia, a i n d a se ap e l o u par a u m a o u t r a inici ati va oficial. Em 1918, o G ov e r n o F ede r al ent r ou no mercado, por i ntermé dio do B a n c o do Brasil, c o m p ra n do a p r o d u ç ã o de b o r r a c h a

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dos seringais, p ar a fazer estoque- Foi m ais um desastre, tendo o B a n c o arcado com grande p r e j u í z o e abandonado a ope ração. N a q u e l a época, não c o ntá v amo s com ind ústria que pu d e s s e c o n s u m i r a n o s s a p r o d u ç ã o e não tínhamos condiçõe s de c o n c o r r e r c o m o preço da b o r r a c h a asiática.

1,8, A Re a c ã o In t e r n a c i o n a l i

No â m b i t o internacional, em 1922, surgiu o "Plano S t e v e s o n " . A s p l a n t a ç õ e s do O r i e n t e h a v i a m se d e s e n vo lvido m u i t o e já p r o d u z i a m em excesso, t o r n a n d o - s e urge nte regula riz a r a p r o d u ç ã o p a r a m a n t e r o e q u i l í b r i o dos preços.

C o m a d e c a d ê n c i a dos seringais, o Pará e A m a z o n a s p e r d e r a m a m a i o r p art e de suas r end a s públicas. O Acre, na época, sob a tu te la d a União, r e s s e n t i u - s e menos.

A r t h u r Reis, Op.Cit., p . 74, i n f o r m a q ue o abando no dos s erin g a i s p r o c e s s o u - s e sem q ue h o u v e s s e q u a l q u e r pro v i d ê n c i a o f i c i a l p ar a ev i t a r o êx o do dos seringais. U m ou o u t r o s e r i n g a l i s t a p r o c u r o u m a n t e r o seu pessoal, tentando a a t i v i d a d e ag r á r i a ou p a s s a n d o a o u t r a in dús t r i a extrativa,

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entre elas a da c a s t a n h a . 10

D esse modo, m u ito s ser i nga l is tas c o n s e g u i r a m manter o seu p a t r i môni o . Es pe c i a l m e n t e na região do Acre. Alguns se d e d i c a r a m â pecuária, quase todos ao e x t r a t i v i s m o d a cas t a n ha e â a g r i c u l t u r a de subsistência. A s s i m c o n s e g u i r a m so breviver, p o r si ou por seus d escendentes, a estes trinta anos de e s t a g n a ç ã o (1912-1942) . At ê o ad ven to da II Guerra M u n d i a l e d e p o i s do ataque a Pearl Harbor, sur g i r i a uma se g und a o p o r t u n i d a d e p a r a a e con o m i a da b o r r a c h a si lvestre da A m a zônia, c o m o tratar emo s no pr ó x i m o capitulo.

1,9. Fo r d e a Am a z ô n i a

P a r a c o m p l e m e n t a r as i n f o r maç ões h i s t ó r i c a s desse período, r e s t a m e n c i o n a r que H e n r y F o r d fez u m a te ntati va de p l a n t a ç ã o de seringueiras na r e giã o amazônica. E m 1927, a d q u i r i u 2,5 mi l h õ e s de acres p ert o do rio T a p a j ó s e

1 Hiòtotiicamente., a6 ptiincipaiò detetiminanteò da 6aZda de. 6 e.tLtngue.in.06 Ionam a6 ctiiòeò que. atih.a.6 atiam 06 6 etiingaiò, d e ò a t i v a n d o - o ò , Lmpe.dX.ndo oò ò etiingaliò taò de. c o n t i nuahem a aviah. 06 òeh.ingueih.06 com a meòma intenòidade ou fitieqliência. Eòòe ph.oce.66o de. de.6locame.nto de 6 etiingueih.00 não teve, en ttiztanto, i n t e n ò i d a d e capaz de t12.tih.ah. toda mã o - d e - o b n a do6 òetiingaiò, meòmo no petiZodo de. ch-iòe aguda. Em ph.ime.itio lu gati, apeòah. daò ch.iòe.6, 06 6e.tiingai6 maioh.e.6 con6e.guih.am tiz 6Í6tih. " c o Z o c a n d o ”a me.tade. 0u . m 2.n06 do6 6e.tiinguzitio6 de. ante.6, ma6 de. quaZque.h. Iotima mantendo a6 e.6ttiadaò de. butiho6, a6 ponte.6 e. outha6 be.nle.itoh.ia6, 6e.guh.ando a po66e de tetitia e imped i n d o a enttiada do "hegatão". Segundo, em muitoò òe h.ingai6 0 tiegatão aviava 0 6 etiingueitio. finalmente, a poòòZ biZidade de pZantah. 0 tioçado petimitia a 60 bh.evive.ncia do òe h.ingueih.0 no ZocaZ do ttiabaZko. Aòòim, meòmo naò ctiiòeò dõ c apitaZ induòttiiaZ ou meticantiZ, não òe invetiteu 0 fiZuxo mi gh.atoh.io e não òe eòvaziou 0 intetiioh. do Actie. LMigtiaç.õeò ^ intetinaò na Regido Hotite: Ò Caòo do A ctie. Cênttio de Ve ò e n voZvimento e Planejamento Regi o n a l da U F M G - C E V E P L A R •* BH , 19 79. Mim. p . 20 7.

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