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Capra analise do terrorismo

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Academic year: 2021

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Tentando Entender

Uma Análise Sistêmica do Terrorismo Internacional por Fritjof Capra

(tradução Aurélio L. Andrade)

5 de outubro de 2001

Fritjof Capra (www.fritjofcapra.net) , físico, teórico de sistemas, e autor best-seller, é diretor e

fundador do Centro para Alfabetização Ecológica (www.ecoliteracy.org) dedicado à educação

voltada à sustentabilidade.

Os horríveis ataques terroristas contra os Estados Unidos no dia 11 de

setembro marcam o fim de uma era - o fim de mais de 200 anos de invulnerabilidade em nosso continente. Temos observado a retórica fundamentalista falando de um ataque ao coração da América durante anos, mas sempre as consideramos ameaças vazias. Nós não reconhecemos o aparecimento de uma nova arma no palco

internacional contra a qual somos indefesos - homens-bombas suicidas desesperados.1

Esta nova forma de terrorismo internacional expõe a falácia perigosa da existência de um escudo protetor nacional contra mísseis. A defesa contra mísseis é totalmente inútil diante de terroristas que conseguem transformar aviões comerciais em mísseis e seus tanques de combustível em bombas com ajuda de simples facas de corte.

Uma perspectiva sistêmica

Não há formas simples de defesa contra terrorismo internacional, na medida em que nós vivemos em um mundo complexo e globalmente interconectado, no qual

1 Ver Robert Fisk, “The Awesome Cruelty of a Doomed People,” The Independent, 12 de Setembro de

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cadeias lineares de causa-e-efeito não existem. Para entender este mundo, nós precisamos pensar sistemicamente - em termos de relações, conexões e contexto.

Entender o terrorismo internacional em uma perspectiva sistêmica significa compreender que sua natureza íntima deriva de umas séries de problemas políticos, econômicos e tecnológicos que estão todos interconectados. Este terrorismo não é "sem sentido", e não é dirigido contra nossa "liberdade e democracia", como nosso governo quer que acreditemos.

O terrorismo é sempre uma arma dos politicamente impotentes e desesperados que sentem que não conseguem expressar as suas queixas por

processos políticos convencionais. Para combatê-los de maneira eficaz, precisamos entender claramente as suas frustrações2.

Isto não significa que nós devemos abdicar de capturar os terroristas e os levar à justiça. Os crimes de terrorismo são mais do que detestáveis. Mas nós temos que aprender a fazer a distinção entre, por um lado, os seus métodos criminosos e ideologias fundamentalistas e, por outro, as reivindicações freqüentemente legítimas que os levam a cometer tais atos desesperados e horrorosos. Não podemos lutar contra nenhum terrorismo efetivamente sem entender suas raízes. Nas palavras de Philip Wilcox que serviu como embaixador dos EUA na grande luta contraterrorista de 1994 a 1997:

A deficiência mais importante na política norte-americana contraterrorista foi o fracasso no endereçamento da raiz causa do terrorismo. Realmente, há uma tendência em tratarmos o terrorismo como puro mal gratuito, isto sem mencionar o fato de que a política externa que visa reduzi-lo só acaba "recompensando" os terroristas.

Mas o EUA deve, para sua própria autoproteção, ampliar esforços para reduzir a patologia de ódio antes que transforme-se em um perigo maior. As

condições que criam a violência e o terrorismo podem ser moderadas pelo menos se

2 Ver Stephen Zunes, “International Terrorism,” Foreign Policy in Focus (www.fpif.org), Setembro de

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empreendermos esforços para solucionar conflitos e para ajudar o desenvolvimento econômico, melhoria da educação, e controle populacional3.

Compreender as múltiplas e interdependentes raízes do terrorismo são o único modo para reduzir seu impacto e freqüência, e assim aumentar nossa segurança a longo prazo. De fato, nós devemos uma tal análise sistêmica e ação correspondente às vítimas dos ataques de 11 de setembro, como o primeiro-ministro britânico Tony Blair declarou eloqüentemente:

As pessoas não querem vingança. Eles querem melhor algo em memória do seus familiares. Eu acredito que o seu memorial deveria ser maior que simplesmente o castigo do culpado. Das sombras deste mal deveria emergir o bem duradouro: a destruição da máquina de terrorismo onde quer que ele seja achado; esperança entre todas as nações de um recomeço onde busquemos solucionar as diferenças de um modo calmo e ordenado; maior entendimento entre nações e fés; e acima de tudo justiça e

prosperidade para os pobres e desprovidos, de forma que pessoas em todos lugares possam ter a chance de um futuro melhor através do

trabalho e poder criativo do cidadão livre, e não da violência e selvageria dos fanáticos4.

Uma exploração cuidadosa das raízes do terrorismo mostra, em particular, que a maior parte do fundamentalismo islâmico é freqüentemente relacionado ao papel dos Estados Unidos no Oriente Médio e que o extremismo dos movimentos islâmicos surge em resposta direta às políticas americanas. É claro que os Estados Unidos não são o único poder a culpar. Há o legado insidioso do colonialismo europeu; contudo, as políticas americanas desde a Segunda Guerra Mundial contribuíram significativamente para a recente elevação do terrorismo islâmico fundamentalista5.

3 Philip C. Wilcox Jr., “The Terror,” New York Review of Books, 18 de Outubro de 2001. 4 Tony Blair, discurso na Conferência do Partido Trabalhista, Brighton, 2 de Outubro de 2001. 5 Ver Stephen Zunes, “U.S. Policy Toward Political Islam,” Foreign Policy in Focus (www.fpif.org),

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Inapropriados ataques militares

Compreensivelmente, a primeira reação aos ataques horrendos nos Estados Unidos é o desejo de contra-ataque. Mas responder ao terrorismo com violência, ao invés de lidar com o contexto do qual emergiu, somente continuará criando mais violência. Nós temos que reconhecer que ações militares não terão sucesso em eliminar o aumento de movimentos militantes islâmicos. Pelo contrário, eles resultarão em mortes de civis muçulmanos inocentes que abastecerão o ódio anti-americano mais adiante.

Ataques retaliativos contra alvos terroristas suspeitos geram desejo de vingança adicional dos terroristas e assim se estabelece a escalada do ciclo de violência, como nos mostra a experiência de Israel. Ataques cirúrgicos só fazem sentido quando houver objetivos militares com equipamento pesado, o que as redes terroristas não têm. Além disso, tais ataques estão freqüentemente baseados em uma inteligência falha, que mais adiante exacerba os seus efeitos negativos. De fato, sempre que os Estados Unidos levaram a cabo ataques militares em alvos terroristas em recentes anos, os ataques falharam ou tiveram contra-reação negativa6.

Considerando que este terrorismo é internacional, a resposta tem que ser também internacional. As metas das coalizões e da cooperação dentro da

comunidade internacional não podem se limitar a identificar e capturar terroristas, como ocorre hoje, mas devem ir além, visando focalizar os problemas sistêmicos subjacentes. Este será o único modo de marginalizar os terroristas e fortalecer nossa segurança no final das contas.

A imagem da América no mundo

O terrorismo com o qual estamos preocupados é dirigido contra os Estados Unidos, e conseqüentemente a tentativa para entender suas raízes tem que começar com a compreensão da imagem de América no mundo. Esta imagem é

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multifacetada. Ela inclui muitos aspectos positivos de nossa sociedade - como a liberdade individual, a diversidade cultural, e a oportunidade econômica - como também o grande entusiasmo com a tecnologia americana, a moda, os jogos esportivos e o entretenimento, especialmente entre a juventude do mundo.

Por outro lado, os Estados Unidos são vistos por muitos como a força motriz de uma forma nova de capitalismo global que é apoiada pela força militar e é

freqüentemente socialmente injusta e ecologicamente destrutiva. De fato, os prédios atacados pelos terroristas no dia 11 de setembro eram símbolos orgulhosos dos poderes econômico e militar americanos.

O novo capitalismo global, freqüentemente chamado de "nova economia", emergiu durante a última década do século XX. Está baseada em sofisticadas

tecnologias de informação e comunicação e está estruturado através de redes globais de fluxos financeiros. Apesar da grande diversidade social e cultural, o mundo de hoje está organizado, pela primeira vez na história, de acordo com um conjunto comum de regras econômicas7.

Estas regras são as chamadas "regras do mercado livre" que a Organização de Comércio Mundial (WTO) impõe aos seus estados membros. No meio dos anos 90 esta estrutura de globalização econômica foi saudada por líderes de corporações e políticos como uma nova ordem que beneficiaria todas as nações, enquanto

produziria expansão econômica mundial cujas riquezas iriam "respingar" em todos. Porém, ficou logo aparente a um número crescente de ativistas comunitários, tanto nos Estados Unidos como ao redor do mundo, que as novas regras econômicas estabelecidas pela WTO eram claramente insustentáveis e estavam produzindo uma grande quantidade de conseqüências fatais interconectadas - um desarranjo da democracia, deterioração mais rápida e extensiva do meio-ambiente, expansão de novas doenças, uma desastrosa má distribuição de riqueza, pobreza crescente e alienação ao redor do mundo.8

Não é difícil ver como estas injustiças globais podem produzir pessoas desesperadas, marginalizadas, que expressam seu ódio e frustração em ataques

7 Ver Manuel Castells, The Rise of the Network Society, Blackwell, 1996.

8 Ver Jerry Mander e Edward Goldsmith (eds.), The Case Against the Global Economy, Sierra Club

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terroristas suicidas. Porém, há uma alternativa não violenta. Durante os últimos anos, uma coalizão poderosa mundial de centenas de organizações não

governamentais (ONGs) emergiu demandando maior transparência no

estabelecimento de regras de mercado e revisões independentes dos conseqüentes resultados sociais e ambientais. Mais recentemente, esta denominada "Coalizão de Seattle" começou a propor um conjunto inteiramente novo de políticas de comércio

que mudariam profundamente a economia global9. Depois dos trágicos eventos de

11 de setembro, este trabalho é mais importante que nunca. O papel norte-americano no Oriente Médio

Para entender o contexto político dos recentes ataques terroristas, precisamos olhar especificamente para o papel norte-americano no Oriente Médio. A visão comum neste país é de que nós assumimos o papel de pacificadores na região. Em outras partes do mundo, e especialmente no mundo muçulmano, a visão é bastante diferente. Há um sentimento de anti-americanismo difundido, baseado em várias preocupações. Incluem-se ressentimentos contra:

• nosso apoio não crítico à ocupação israelita de terras árabes, à desapropriação dos palestinos e aos assassinatos patrocinados pelo Estado;

• nosso apoio a governos árabes antidemocráticos e repressivos, em particular o da Arábia Saudita;

• dez anos de sanções e ataques militares contra o Iraque que resultaram nas mortes de meio milhão de crianças;

• nossa presença militar massiva na região (vista por fundamentalistas muçulmanos, especialmente da Arábia Saudita, como a presença de infiéis na terra santa do Islã), bem como nosso papel de grande fornecedor de armas no Oriente Médio.

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Estas queixas contribuíram para o aumento de vários movimentos islâmicos radicais, incluindo Hamas e al Qaida, a rede terrorista de Osama bin Laden.

Neste ponto devemos refletir: por que apoiamos regimes repressivos, ignoramos resoluções da ONU e promovemos a violência no Oriente Médio? A resposta, em uma única palavra, é "petróleo". Na visão do nosso governo, o acesso ao petróleo do Golfo Pérsico é essencial à segurança dos Estados Unidos. Na região do Golfo, como em muitas outras áreas no mundo, nossas políticas são principalmente orientadas para os recursos, visando apoiar nossa economia esbanjadora.

Assim, o papel norte-americano no Oriente Médio e sua contribuição para o aumento dos movimentos islâmicos radicais está inexoravelmente ligado a nossas políticas energéticas equivocadas.

Para assegurar acesso americano aos recursos naturais ao redor do mundo, o governo norte-americano busca continuamente "estabilizar" várias regiões e, ao fazer isto, tem freqüentemente apoiado regimes antidemocráticos e repressivos. Isto tem incluído treinamento e financiamento de esquadrões da morte e outros apoios a governos embuídos de profundo terrorismo contra as suas próprias populações. Ironicamente, os EUA apoiaram em determinados momentos movimentos islâmicos de linha-dura. De fato, alguns dos terroristas islâmicos mais notórios hoje, incluindo muitos seguidores de Osama bin Laden, foram treinados originalmente pela CIA10.

Nosso apoio a governos repressivos ajudou a encorajar uma oposição subterrânea, freqüentemente violenta, e o fato que nós mesmos patrocinamos ataques terroristas abala nossa própria credibilidade na briga contra o terrorismo. As relações com a Arábia Saudita

Para entender os motivos de Osama bin Laden e outros extremistas islâmicos, nós precisamos prestar atenção especial à relação norte-americana com a Arábia Saudita. Este relacionamento está baseado em uma extraordinária negociata,

concluída em 1945 entre o Presidente Roosevelt e Rei Ibn Saud, de acordo com o qual a Arábia Saudita concede para os EUA acesso ilimitado e perpétuo aos seus campos

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de petróleo (que contêm 25% das reservas conhecidas no mundo!) em troca de proteção da família real Saudita contra seus inimigos, externos e internos. Esta negociata moldou a política externa e militar americana por quase meio século, durante o qual protegemos um regime totalitário na Arábia Saudita que

descaradamente desconsidera direitos humanos básicos e que pisoteia a democracia11.

O principal propósito da guerra do Golfo em 1991, com o codinome original de "Escudo no Deserto", não era o de expulsar o Iraque para fora do Kuwait, mas proteger a Arábia Saudita de um possível ataque e garantir acesso norte-americano aos campos de petróleo Sauditas. Desde então, os EUA mantiveram e continuamente ampliaram sua presença militar no Golfo. Além disso nós também defendemos o regime Saudita contra seus inimigos internos. A Guarda Nacional da Arábia Saudita, que protege a família real, é quase inteiramente armada, treinada, e administrada pelos Estados Unidos.

O objetivo da rede terrorista de Osama bin Laden é expulsar os EUA da região do Golfo e substituir o regime Saudita corrupto pelo que eles consideram um

"autêntico" estado islâmico. Tal estado seria especialmente modelado pelo regime fundamentalista do Talibã, no Afeganistão, que é muitas vezes mais repressivo que o regime Saudita atual em seu tratamento barbário das mulheres. Não obstante, na medida que nós continuemos apoiando o sistema totalitário na Arábia Saudita, nosso apoio abastecerá o ódio anti-americano.

Uma estratégia anti-terrorista multifacetada

Em resumo, no âmago das múltiplas causas dos recentes ataques terroristas contra os Estados Unidos subjaz a presença militar norte-americana no Golfo Pérsico e nosso apoio ao regime repressivo Saudita. Esta presença, por sua vez, é uma

conseqüência de nossa dependência do petróleo saudita, devido a muitos anos de políticas energéticas equivocadas.

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A rede terrorista de bin Laden declarou um jihad anti-americano, uma guerra santa, e acredita ser fácil recrutar voluntários entre muçulmanos que se sentem frustrados e desamparados acerca de outros aspectos do papel norte-americano no Oriente Médio. Estes aspectos incluem, em particular, o apoio norte-americano à ocupação israelita de terras árabes e a desapropriação de Palestinos; as vítimas muçulmanas de ações militares e assassinatos apoiados pelos EUA, e especialmente a morte de grande número de civis no Iraque.

A um nível mais profundo, os extremistas recebem freqüentemente a simpatia dos fundamentalista islâmicos atentos às injustiças globais presentes e em luta para preservar a sua identidade cultural em face da globalização econômica conduzida pelos EUA.

A compreensão sistêmica da estrutura do terrorismo islâmico extremista pede uma estratégia anti-terrorista multifacetada. A meta imediata, obviamente, é

identificar e capturar os perpetradores e partidários dos ataques terroristas contra os Estados Unidos, e os levar à justiça ante um tribunal internacional. Uma vez que a extensão e escopo deste terrorismo é internacional, requer trabalho de polícia internacional contínuo, baseado na cooperação extensiva e difundida entre a comunidade internacional.

Isto significa, em troca, que os Estados Unidos terão que inverter sua recente posição de isolacionismo e se tornar um membro responsável da comunidade internacional. Ao invés de enfraquecer ou retirar-se de uma séries de tratados internacionais e convenções - inclusive o protocolo de Kyoto sobre o efeito estufa, a Convenção de Armas Biológicas, a Corte Penal Mundial, e a Conferência da ONU sobre o Racismo - a administração Bush precisa perceber que a cooperação com os Nações Unidas e outras agências multilaterais será vital para aumentar nossa própria força e segurança. Por causa de nossa rica diversidade cultural, nós deveríamos estar em uma posição ideal para tornarmo-nos cidadãos ativos do

mundo. Um quinto dos americanos de hoje, ou seus pais, nasceram em outras partes do mundo; cinco milhões de nós são muçulmanos.

Nesta colaboração internacional, será especialmente importante recrutar a ajuda de estados islâmicos retratando os extremistas como inimigos do Islã, porque

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nenhum verdadeiro muçulmano acabaria com milhares de vidas inocentes em tais atos repreensíveis. Ao mesmo tempo, nossos líderes precisam ajudar no contra-ataque aos estereótipos religiosos americanos. Nós precisamos esclarecer que a vasta maioria dos muçulmanos do mundo opõe-se ao terrorismo e à intolerância religiosa. Mudança política

No longo prazo, os Estados Unidos só conseguirão reduzir as ameaças terroristas se adotarem umas série de mudanças políticas para lidar com as queixas legítimas que freqüentemente estão por baixo dos atos de terrorismo. Pensar

sistemicamente significa trocar nosso foco de tentar esmagar movimentos terroristas a procurar políticas que desencorajem o seu aparecimento.

As duas mudanças políticas seguintes seriam muito efetivas para aumentar nossa segurança nacional.

1. Reavaliação da política norte-americana no Golfo Pérsico, incluindo pressão ao regime Saudita para orientar-se em direção à democratização e à provisão de direitos humanos básicos.

2. Promoção de um acordo de paz que inclui o fim da ocupação israelita nos territórios palestinos e o estabelecimento de um Estado Palestino seguro e protegido, juntamente com a garantia de existência de um Estado Israelita igualmente seguro e protegido, cada um com sua própria integridade territorial. Isto alinharia os Estados Unidos com as leis internacionais, resoluções do Conselho de Segurança da ONU, e com as visões de virtualmente toda a comunidade internacional. Nas palavras do romancista e pacifista israelense Amos Oz,

Com ou sem fundamentalismo islâmico, com ou sem terrorismo árabe, não há nenhuma justificativa para a perpétua ocupação e supressão do povo palestino pelo Estado de Israel. Nós não temos nenhum direito de negar aos Palestinos o seu direito natural para autodeterminação12.

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Mudança na política energética

Para levar a cabo estas mudanças na política externa norte-americana no Oriente Médio, será crucial acabar com a nossa dependência do petróleo Saudita. Uma mudança de política energética da atual ênfase pesada em combustíveis fósseis para fontes de energia renováveis e conservação não só é imperativa para nos

orientarmos para a sustentabilidade ecológica, mas também deve ser visto como vital para nossa segurança.

Em um sentido mais geral, precisamos perceber que o conceito de segurança precisa ser aprofundado para incluir considerações como segurança alimentar, segurança de um ambiente saudável, justiça social, e integridade cultural. Em nosso mundo globalmente interconectado, o conceito de "segurança nacional" está

ultrapassado; só é possível haver segurança global. Um sistema econômico global baseado em injustiça, consumismo, desperdício e exploração é inerentemente violento e inseguro. Uma economia baseada em auto-suficiência local, fontes de energia renováveis descentralizadas, e ciclos ininterruptos de materiais será ecológica e socialmente sustentável e, assim, globalmente segura.

A mudança para a tal economia sustentável e segura é absolutamente possível com tecnologias que são disponíveis hoje13. Em particular, o recente

desenvolvimento de células de hidrogênio combustível eficientes promete inaugurar uma era nova na produção de energia - a "economia do hidrogênio". Uma célula de combustível é um dispositivo eletroquímico que combina hidrogênio com oxigênio para produzir eletricidade e água - e nada além disso! Isto faz do hidrogênio o combustível limpo definitivo. No momento, várias companhias ao redor do mundo estão competindo para ser a primeira a produzir sistemas de célula de combustível para prover eletricidade para nossos lares e prédios comerciais.

Ao mesmo tempo, indústrias automobilísticas estão desenvolvendo carros híbridos à base de hidrogênio e eletricidade que revolucionarão o setor. A

substituição gradual da frota de carros norte-americana com estes "hipercarros"

13 Ver Paul Hawken, Amory Lovins, e Hunter Lovins, Natural Capitalism, Little Brown,

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economizaria praticamente todo o petróleo vendido pela OPEP e, além disso,

reduziria as emissões de CO2 na América em cerca de dois terços! Além do mais, se um navio-tanque de hidrogênio batesse num recife em Príncipe William Sound, no Alasca, isto não teria nenhum efeito ambiental adverso, nem um avião abastecido com hidrogênio poderia ser usado como uma bomba. Em ambos os casos, o hidrogênio escaparia rapidamente no ar quando do impacto.

Vontade moral e política

A economia do hidrogênio receberá eventualmente grande importância, porque utiliza tecnologias superiores - mais econômicas, mais seguras, e

ecologicamente sustentáveis. Porém, este desenvolvimento poderia ser acelerado dramaticamente com investimentos massivos feitos pelo governo federal. Tais investimentos não só trariam grandes benefícios ambientais e para saúde, mas também aumentariam significativamente nossa segurança. Além disso,

investimentos federais massivos para pôr em funcionamento uma infra-estrutura de hidrogênio criariam dezenas de milhares de empregos e dariam para nossa

economia em queda um tremendo incremento.

Os obstáculos que interpõem-se no caminho de um futuro seguro e

sustentável não são conceituais nem técnicos. Tudo que nós precisamos é vontade moral e política. Para citar Tony Blair mais uma vez,

Este é um momento para se aproveitar. O caleidoscópio foi sacudido. Os pedaços estão em fluxo. Logo eles se estabelecerão novamente. Antes disso ocorrer, vamos reordenar este mundo ao redor de nós... Hoje, a humanidade tem a ciência e a tecnologia para se destruir, ou prover prosperidade a todos. Porém, a ciência não pode fazer esta escolha por nós. Só o poder moral de um mundo agindo em comunidade consegue... Por aquelas pessoas que perderam as suas vidas no dia 11 setembro e pelos que as lamentam; agora é a hora para unirmos na construção desta comunidade. Deixe isso ser o seu memorial14.

Referências

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