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Memória e identidade: conceitos para a reflexão sobre a didática de Ciências Humanas no curso normal

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Academic year: 2021

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UNIVERSIDADE REGIONAL DO ESTADO NOROESTE DO RIO GRANDE DO SUL -UNIJUÍ

CAROLINE DE SOUZA LEAL GRÜNEICH

MEMÓRIA E IDENTIDADE: Conceitos para a reflexão sobre a didática de Ciências Humanas no Curso Normal

Santa Rosa 2017

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CAROLINE DE SOUZA LEAL GRÜNEICH

MEMÓRIA E IDENTIDADE: Conceitos para a reflexão sobre a didática de Ciências Humanas no Curso Normal

Monografia apresenta para obtenção do título de graduação em pedagogia na Universidade Regional do Estado Noroeste do Rio Grande do Sul.

Orientador: Josei Fernandes Pereira

Santa Rosa 2017

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AGRADECIMENTO

Agradeço primeiramente a Jesus que teve total influência na escolha do curso de Pedagogia e do tema dessa monografia. Agradeço aos meus pais pelo esforço e paciência que tiveram comigo nestes últimos quatro anos. Agradeço ao professor e orientador Josei pelo compromisso, dedicação em me ajudar na elaboração desta monografia. Além destes, agradeço a meus amigos, professores e colegas pelo apoio e estímulo.

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RESUMO

Este trabalho tem como objetivo pesquisar e investigar no campo empírico e o bibliográfico. Para conhecer a realidade e as experiências que os alunos do Curso Normal tiveram, na Didática das Humanas, que favorece a apropriação da identidade deles. Analisar a proposta pedagógica da escola e do professor titular, o plano de aula e a grade de conteúdos os temas identidade, memória e cultura. E se acorre a interdisciplinaridade com as demais didáticas específicas do Curso Normal. Por isso, foi realizado um diagnóstico com o professor do Curso Normal e com os alunos. Para compreender o que eles construíram durante as aulas sobre Ciências Humanas e os demais conteúdos trabalhados. Na tentativa de encontrar os temas identidade, memória e cultura sendo desenvolvidos na formação docente destes alunos. Para compreender o valor da apropriação da identidade, do resgate das memórias e da valorização das muitas formas de cultura. Temas geradores essenciais para desenvolver com as crianças desde a educação infantil até os anos iniciais até o 5º ano. A pesquisa empírica foi realizada, através, da observação, entrevista com o professor e os alunos do 3º ano do Curso Normal, na Didática das Humanas e a leitura do Projeto Político Pedagógico e do Regimento Escolar numa escola estadual localizada no Município de Santa Rosa/RS. Tendo como critérios de seleção dos sujeitos entre a faixa etária de 16 a 29 anos de idade matriculados em escola regular do Curso Normal. O resultado da pesquisa constatou que os conceitos identidade, memória e cultura estão no cotidiano do aluno, na Didáticas das Humanas, no Curso Normal. E o professor tem conhecimentos a respeito destes conceitos, no entanto, prioriza os conteúdos da grade curricular da escola ao invés de aprofundar estas concepções.

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ABSTRACT

This work aims to research and investigate in the empirical and bibliographic field. To know the reality and the experiences that the students of the Normal Course had, in Didactics of the Humanities, that favors the appropriation of their identity. Analyze the pedagogical proposal of the school and the titular teacher, the lesson plan and the contents grid the themes identity, memory and culture. And interdisciplinarity with the other specific didactics of the Normal Course. Therefore, a diagnosis was made with the teacher of the Normal Course and with the students. To understand what they built during the classes on Human Sciences and other content worked. To find the themes identity, memory and culture being developed in the teacher training of these students. To understand the value of the appropriation of identity, the retrieval of memories and the appreciation of the many forms of culture. Generative themes essential to develop with children from kindergarten to early years up to the 5th grade. The empirical research was carried out, through observation, interview with the teacher and students of the 3rd year of the Normal Course, in the Didactics of Humanities and the reading of the Political Pedagogical Project and the School Regiment in a state school located in the Municipality of Santa Rosa / LOL. Based on the selection criteria of the subjects between the age group 16 to 29 years of age enrolled in a regular school of the Normal Course. The result of the research found that the concepts identity, memory and culture are in the student's daily life, in Didactics of Humanities, in the Normal Course. And the teacher has knowledge about these concepts, however, prioritizes the contents of the curriculum of the school instead of deepening these conceptions.

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SUMÁRIO

INTRODUÇÃO ... 7

1 INTERDISCIPLINARIDADE: como a área de Ciências Humanas aborda a identidade e a memória com as demais áreas do conhecimento... 9

1.1 CONHECENDO OS CONCEITOS DE IDENTIDADE E MEMÓRIA ABORDADOS NAS ORIENTAÇÕES DO ENSINO MÉDIO, NA BASE COMUM CURRICULAR NACIONAL E NOS PARÂMENTROS CURRICULARES NACIONAIS... ... 10

1.1.1 Concepção de memória e identidade pelas Orientações Curriculares do Ensino Médio ...10

1.1.2 Concepção de memória e identidade pela Base Nacional Comum Curricular...12

1.1.3 Concepção de memória e identidade pelos Parâmetros Nacionais Curriculares...13

1.2 A INTERDISCIPLINARIDADE DA CIÊNCIAS HUMANAS COM AS DEMAIS ÁREAS DO CONHECIMENTO NO CURSO NORMAL ... 15

2.2 A IMPORTÂNCIA DA APROPRIAÇÃO DA IDENTIDADE NOS ALUNOS DO CURSO NORMAL ... 22

2.2.1 Atributos que definem a identidade do sujeito professor ... 23

3 A REALIDADE DA ÁREA DE CIÊNCIAS HUMANAS DESENVOLVIDA NO CURSO NORMAL ... 27

3.1 COMO O PROFESSOR (A) DO CURSO NORMAL TRABALHA A ÁREA DE CIÊNCIAS HUMANAS ... 37

3.2 COMO OS ALUNOS DO CURSO NORMAL VÊEM A ÁREA DE CIÊNCIAS HUMANAS ... 32

CONSIDERAÇÕES FINAIS ... 41

REFERÊNCIAS ... 43

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INTRODUÇÃO

Esta monografia de conclusão do Curso de Pedagogia da Universidade Regional do Estado do Rio Grande do Sul – UNIJUÍ, do campus de Santa Rosa/RS possui o propósito de compreender os conceitos de identidade, memória e cultura que constitui o ser humano. Isto é, “Ciências Humanas: desenvolvimento da apropriação da identidade no Curso Normal” tem como objetivo ressaltar a importância de formar sujeitos com uma identidade própria, reconhecendo suas diferenças e suas semelhanças. Entendendo este processo como uma construção, a partir, das interações com o outro. Foram realizados estudos e busca aos dados no campo empírico e bibliográfico. Propondo a realizar uma observação e entrevista com o professor e os alunos do Curso Normal, na Didática das Humanas1, numa escola estadual

localizada no Município de Santa Rosa/RS. Os critérios de seleção dos sujeitos foram na faixa etária de 16 anos de idade matriculados em escola regular, oriundos de zona urbana. Para conhecer a realidade e as experiências que os alunos tiveram na Didática das Humanas, que favorece a apropriação da identidade destes, essencial para sua formação como professor, analisar a proposta do professor do Curso Normal, da Didática de Humanas e o que ela favorece na apropriação da identidade destes sujeitos e no resgate de memórias.

O primeiro capítulo é resultado do seguinte questionamento: Como as orientações do Ensino Médio, na Base Comum Curricular Nacional e nos parâmetros curriculares Nacionais defendem em desenvolver a identidade e no resgate de memórias? E o segundo capítulo conceitua o que é identidade, memória e cultura e como estes aspectos contribuem para a formação pessoal e docente, usando bibliografias de autores como Arroyo, Callai, Laraia e Nóvoa para comprovar está pesquisa.

Por isto, o terceiro capítulo é resultado da pesquisa de campo empírico relacionado com o que foi desenvolvido durante os dois primeiros capítulos.

A pesquisa deste tema foi realizada porque a base da educação é a formação docente dos futuros professores, ou seja, o Curso Normal. Na busca em formar futuros profissionais com identidade e com memórias resgatadas e valorizadas recuperando a autoestima e autonomia dos mesmos.

1 Foi a forma como o Currículo do Curso Normal foi organizado, separando as áreas do conhecimento por Didáticas especificas. Por este motivo, a Didática das Humanas tem como objetivo promover a aprendizagem de como trabalhar as disciplinas de geografia e história com as crianças desde da educação infantil até os anos iniciais do ensino fundamental até 5º ano.

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É por esta razão, que convido você a ler a monografia para refletir e repensar a prática da formação docente na área do Curso Normal e descobrir a importância de construir a identidade dos alunos, em todas as etapas da escolarização, inclusive, com adolescentes.

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1 INTERDISCIPLINARIDADE: como a área de Ciências Humanas aborda a identidade e memória com as demais áreas do conhecimento

Interdisciplinaridade é a interligação de todas as áreas do conhecimento. O planejamento é construído e pensado, a partir, dos objetivos que se quer alcançar com êxito, pensando em estratégias para promover o ensino aprendizagem de forma eficaz e na apropriação de conhecimentos significativos para os alunos. E nestes conhecimentos estão vinculadas as disciplinas escolares, as várias ciências que, ao longo da história da humanidade, foram sendo definidas. O foco está na necessidade e nos problemas dos sujeitos, de forma individual e coletiva que necessitam de soluções. A interligação dessas áreas do conhecimento é possível numa prática pedagógica que realmente faz sentido para eles e que seja útil para a vida.

Segundo os PCN,

A interdisciplinaridade supõe um eixo integrador, que pode ser o objeto de conhecimento, um projeto de investigação, um plano de intervenção. Nesse sentido, ela deve partir da necessidade sentida pelas escolas, professores e alunos de explicar, compreender, intervir, mudar, prever algo que desafia uma disciplina isolada e atrai a atenção de mais de um olhar, talvez vários (BRASIL, 2002, p. 88-89).

Tem sido muito discutido a questão da interdisciplinaridade nos espaços escolares, mas percebe-se que alguns professores continuam com dificuldade de relacionar as áreas do conhecimento umas com as outras, conectando-as para uma prática que faz sentido para os alunos, e isto é evidente, principalmente, no Ensino Médio em que existem as disciplinas ou didáticas divididas nas suas determinadas áreas.

A questão é: Onde está a raiz do problema na dificuldade destes professores de inter-relacionar as disciplinas? Como pensar numa prática, principalmente no Ensino Médio, que seja interdisciplinar?

Entre tantas possibilidades, o problema está na formação destes professores. Alguns cursaram suas áreas do conhecimento sem vivenciarem experiências com outras áreas e também a ausência de uma prática pedagógica interdisciplinar durante a sua formação na graduação. Contudo, a raiz do problema não necessariamente está centrada apenas nestas duas possibilidades, mas em várias outras, como a falta de formação continuada, de pesquisas

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e aprofundamento do conhecimento, nas repetições dos conteúdos, na preocupação em cumprir com a grade curricular.

A identidade e a memória são temas geradores que estão presentes no PCN do Ensino Médio em algumas áreas do conhecimento, como na área das Linguagens, Códigos e suas Tecnologias e na área de Ciências Humanas e suas Tecnologias.

Com as novas exigências que demanda da sociedade atual, os alunos contemporâneos recebem muitas informações. O preenchimento de linhas e a transmissão de conteúdos já não funcionam como antigamente. Os alunos estão num mundo complexo e o acesso a informações aumentou em quantidade, mas a qualidade depende do professor em pensar numa prática docente de nível interdisciplinar que é fundamental na contribuição da apropriação da identidade e no resgate das memórias que são temas tão atuais e que necessitam de atenção. Pois “o desafio é compreender o “eu” no mundo, considerando a sua complexidade atual” (CALLAI, p.230,2005).

Na área das Linguagens, Códigos e suas Tecnologias uma das competências e habilidades a serem desenvolvidas é “compreender e usar a Língua Portuguesa como língua materna, geradora de significação e integradora da organização do mundo e da própria identidade” (2000, p.95), considerando sua realidade, sua cultura, sua história, suas interações e formas de expressar pelas diferentes maneiras de linguagens. Interligando a experiência do aluno com o conhecimento científico, como percebe-se também na área da Ciências Humanas e suas Tecnologias que tem como objetivo “compreender os elementos cognitivos, afetivos, sociais e culturais que constituem a identidade própria e a dos outros (2000, p.96). Considerando a singularidade de cada sujeito, suas diferenças culturais e étnicas, suas manifestações artísticas enraizadas na história de seus descendentes. Valorizando suas memórias e experiências. Está linha de pensamento está presente nas Orientações do Ensino Médio, na Base Comum Curricular e nos Parâmetros Curriculares Nacionais que dará continuidade neste trabalho.

1.1 CONHECENDO OS CONCEITOS DE IDENTIDADE E MEMÓRIA ABORDADOS NAS ORIENTAÇÕES DO ENSINO MÉDIO, NA BASE COMUM CURRICULAR NACIONAL E NOS PARÂMENTROS CURRICULARES NACIONAIS

Estudar memória, cultura e identidade é o interesse principal nas áreas de Ciências Humanas na tentativa de compreender os fenômenos individuais do ser humano e sociais. O resgate de memórias e a aquisição da identidade é um tema atual em que, gradativamente, são

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necessários estudos ainda mais profundos, pois os seres humanos estão sofrendo uma crise de identidade, pelo "(...) desaparecimento de referências e a diluição de identidades (...)" (CANDAU, p.10,2011). A identidade é construída pelas memórias selecionadas. A memória é o gerador da identidade. Sem memória não existe identidade, pois ela precisa das recordações e de mantê-las conservadas para cada sujeito não esquecer de quem é. Neste sentido, memória e identidade não significam a mesma coisa, mas uma fortalece a outra, tanto individual como de forma coletiva2.

Atualmente existem vários documentos que consideram a memória como um dos aspectos que fortalece a identidade individual e coletiva dos seres humanos. Consistindo em mais uma reconstrução de acontecimentos passados do que uma lembrança exata dos mesmos. Candau, afirma que "a memória, ao mesmo tempo que nos modela, é por nós modelada" (2011, p.16). Isso significa, que as lembranças registradas pela memória são alteradas. Desta forma, as memórias vão sendo modificadas e ocorrem as reconstruções da identidade. Este processo é permanente a cada nova experiência, vivencias, com o desenvolvimento da maturidade e os conhecimentos adquiridos.

A seguir, como os documentos do Ministério da Educação, as Orientações Curriculares do Ensino Médio: Ciências Humanas e suas tecnologias, a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e os Parâmetros Curriculares Nacionais do Ensino Médio abordam o conceito de memória e identidade.

1.1.1 Concepção de memória e identidade pelas Orientações Curriculares do Ensino Médio

Segunda as Orientações Curriculares do Ensino Médio, principalmente, na área de Ciências Humanas e suas tecnologias, contém direções que contribuem para a construção da identidade nesta etapa da educação básica. Este documento defende a memória como “preservação da obra humana” (2006, p.78). Pensa numa proposta pedagógica que valoriza as memórias da sociedade, através dos alunos, com o objetivo de resgatar e preservar a cultura e a história desses grupos sociais. Considerado um direito de todo cidadão e com a intencionalidade de desenvolver “(...) uma aprendizagem significativa e crítica de preservação e manutenção da memória” (2006, p.79). Resgatando a cultura e a identidade de cada sujeito e grupo social. Desenvolvendo o respeito pelo outro e suas diferenças.

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A identidade está presente nas disciplinas de geografia, história e filosofia. Possuindo em vista valores e princípios a serem abordado na prática escolar, principalmente, na disciplina de filosofia na política da igualdade que busca o

(...) reconhecimento dos direitos humanos e dos deveres e direitos da cidadania, visando à constituição de identidades que busquem e pratiquem a igualdade no acesso aos bens sociais e culturais, o respeito ao bem comum, o protagonismo e a responsabilidade no âmbito público e privado (...) (2006, p.25).

Compreende-se que a política de igualdade defende a apropriação da identidade como um direito de todo o ser humano. Direito de ser respeitado e valorizada as suas diferenças, sejam valores e princípios, tradições ou costumes, sua forma de se expressar ou pensar. Além disso, considera a identidade como uma construção que ocorre na interação com os outros, ou seja, é uma construção social e é um processo continuo que modifica o sujeito e a sociedade. E o espaço escolar é propicio para esta construção por ser um lugar de sociabilidade, de busca e prática de tornar acessível o direito humano. Assim como na ética da identidade que deseja superar o pensamento de individualidade e busca uma sociedade democrática, com o objetivo de

(...) constituir identidades sensíveis e igualitárias no testemunho de valores de seu tempo, praticando um humanismo contemporâneo, pelo reconhecimento, pelo respeito e pelo acolhimento da identidade do outro e pela incorporação da solidariedade, da responsabilidade e da reciprocidade (...) (2006, p.25).

A ética da identidade acompanha a política de igualdade, considerando novamente o respeito e a igualdade de direitos para todos. Superando a sua realidade social, gerando transformação na sociedade em que está inserido e na apropriação de sua identidade social, cultural e política.

Na disciplina de geografia tem uma articulação a ser trabalho como conceito de lugar, a “manifestação das identidades dos grupos sociais e das pessoas” (2006, p.53)3 e como um

dos conceitos de território: “a constituição cotidiana de territórios tem como base, as relações de poder e de identidade de diferentes grupos sociais que os integram, por isso eles estão inter-relacionados com conceitos de lugar e região” (2006, p.54)4. Novamente percebe-se a valorização das identidades de todos os grupos sociais, considerando suas histórias, suas

3 Localizado no quadro 2 de “Conceitos estruturantes e articulações”, que foi feito tendo como referência inicial o quadro inserido no documento dos PCN do Ensino Médio na área de Ciências Humanas e suas tecnologias, (p. 56), abordado com outras formas de entendimento dos conceitos.

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tradições, costumes, considerado como forma de cultura e patrimônio na história da humanidade, com a influência dos espaços geográficos. Por isso, a geografia tem o objetivo de compreender “como os processos de globalização interferem em nossas vidas e na organização do espaço e à capacidade de reconhecer a identidade e pertencimento dos sujeitos como autores de suas vidas e da produção do seu espaço” (2006, p.59), ou seja, todo o ser humano é sujeito histórico e protagonista de sua história. Pertencente ao contexto histórico e social da humanidade.

A disciplina de história alega que “os sujeitos históricos, que se configuram na inter-relação complexa, duradoura e contraditória das identidades sociais e pessoais, são os verdadeiros construtores da História (2006, p.75). Por esta razão, que está disciplina busca investigar onde estes sujeitos históricos se localizam na história da humanidade e como as identidades destes sujeitos são construídas. O conceito de memória, por sua vez, afirma-se que “a questão da memória ou da educação patrimonial se associa à valorização da pluralidade cultural e ao questionamento da construção do patrimônio cultural pelos órgãos públicos” (2006, p.78), isso permite deduzir que memória e educação patrimonial refere-se a uma mesma concepção. Reconhecendo que as memórias coletivas de um grupo social é a chave principal para definir e identificar a identidade do mesmo. E que há um “lugar de memórias” (2006, p.78) criada pela sociedade para construir a história do grupo social. Para finalizar, em uma das articulações do conceito de cidadania anuncia que devesse desenvolver este reconhecimento das identidades individuais para se compreender a identidade coletiva, também confirmando ser um direito de todos de sentirem-se pertencentes ao grupo social.

1.1.2 Concepção de identidade e memória pela Base Comum Curricular

A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) tem como uma das competências específicas na área de Ciências Humanas “reconhecer a si e ao outro como identidades diferentes, de forma a exercitar o respeito à diferença em uma sociedade plural” (2007, p.309), com a finalidade de desafiar os alunos a pensar nas diferentes culturas e nas sociedades que existem, considerando sua história, seu espaço geográfico, suas origens e mudanças, ou seja, a identidade coletiva. E refletir a identidade individual, sua história, conhecendo seus ancestrais, as origens de suas culturas, desenvolvendo o sentimento de pertencimento a um grupo social e como o tempo e o espaço geográfico interferem. Desta forma, o desenvolvimento da apropriação da identidade pessoal e coletiva serão continuadas e aprofundadas no Ensino Médio. A memória, na BNCC, é considerada uma questão complexa,

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pois o desafio é resgatar não apenas a memória individual dos alunos, mas a memória coletiva. Questionando o passado e o presente, como as diferentes culturas e a valorização desta diversidade e as memórias de cada povo, língua e nação. As identidades individuais, constituem a identidade coletiva. Estes documentos têm com o objetivo de respeitar a singularidade dos alunos e pensando na sua formação cidadã, além de resgatar a história da humanidade e de cada ser humano.

As lembranças pessoais agregam às narrativas coletivas “a evocação das experiências íntimas que conferia à epopeia de um grupo a dimensão singular da experiência pessoal”. Mas mesmo no caso de conflitos que podem ir até a ruptura definitiva, a memória e a identidade pessoal devem sempre compor com a memória familiar, que é uma memória forte, exercendo seu poder para além de laços aparentemente distendidos. Solidariedades invisíveis e imaginárias vinculam sempre um indivíduo a seus ascendentes: a memória familiar é nossa “terra”, de acordo com os termos de um informante de Anne Muxel, é uma herança da qual não podemos nos desfazer e que faz com que, como diz Rimbaud, percorramos lugares desconhecidos sobre os traços de nossos pais (CANDAU, 2011, p. 141).

Lembranças são heranças familiares primordiais para a constituição da identidade do sujeito individual e do coletivo de cada grupo social. A família é patrimônio cultural e nela estão as raízes culturais e suas manifestações. Por meio dela nos constituímos ser humano e nos apropriamos da cultura e linguagem materna, modificada e reproduzida a cada nova geração.

1.1.3 Concepção de identidade e memória dos Parâmetros Curriculares Nacionais do Ensino Médio

Os Parâmetros Curriculares Nacionais do Ensino Médio acompanham a Base Comum Curricular Nacional do Ensino Médio, em considerar a singularidade de cada sujeito, valorizando as experiências vivenciadas e suas memórias. Na busca em romper com a maneira tradicional de decorar os conteúdos. Compreender que “sem um olhar sobre o instituído, criamos lacunas, desfiguramos memórias e identidades, perdemos vínculo com a nossa história, quebramos os espelhos que desenham nossas formas” (2000, p.90), no decorrer do documento este trecho se repete para que o professor dê mais atenção a este fragmento do texto.

O PCN do Ensino Médio, valoriza as interações com o outro e sua história. Compreendendo que a maneira tradicional aumenta o fracasso escolar ao invés de contribuir

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na formação dos alunos como cidadãos pensantes, pesquisadores e com uma identidade definida, autoconfiante e consciente que sempre estará em constante construção.

Numa concepção de memória, tem como objetivo resgatar as memórias históricas e valorizar as culturas de cada povo, sejam indígenas, africanas ou europeias. Nessa mesma linha de raciocínio, a identidade é considerada ampla e, com as novas tecnologias, podem surgir outras definições. Com o objetivo de preservar as culturas das diferentes etnias que compõem o Brasil. Valorizando seus conhecimentos e língua e, além disso, resgatar suas memórias individuais e coletivas.

A estética da sensibilidade busca desenvolver aspectos que facilitam a apropriação da identidade dos sujeitos e na valorização da diversidade cultural do país. Numa prática pedagógica que forme sujeitos com ética num processo de construção e não de repetição. “Como princípio educativo, a ética só é eficaz quando desiste de formar pessoas “honestas” “caridosas” ou “leais” e reconhece que a educação é um processo de construção de identidade” (2000, p.66). Identidades que sejam sensíveis e saibam o seu valor como cidadão, tendo clareza de seus direitos. Assumindo seu papel na sociedade e que é participante ativo nela.

Defende também que “a identidade se constitui na convivência” (2000, p.63), nas diferentes formas de linguagem que sejam significativas para o ser humano. Considera a ética da identidade “por permanente reconhecimento da identidade própria e do outro” (2000, p.63). Desta forma, ressalta o compromisso e responsabilidade da escola e do professor para apropriação da identidade nas crianças e adolescentes neste século XXI. E que o professor assuma em ser aquilo que deseja que seus alunos sejam. Repensando a sua prática pedagógica, na busca por uma educação que forma para ser, ao invés, do para fazer e ter. Formar sujeitos que sabem que são inacabados, que a própria vida vai dar continuidade na sua formação, mas que o mundo necessita de sujeitos que hoje sejam o que ela carece de ter.

Para finalizar, este documento acredita que é mais importante desenvolver a autonomia dos alunos, por afirmar a hipótese de que seres humanos exercem os valores por serem sujeitos autônomos, com autoestima, resultado da constituição da identidade.

1.2 A INTERDISCIPLINARIEDADE DA CIÊNCIAS HUMANAS COM AS DEMAIS ÁREAS DO CONHECIMENTO NO CURSO NORMAL

No Curso Normal, para atender as necessidades da educação, as áreas do conhecimento foram organizadas em Didáticas. A área de Ciências Humanas tornou-se Didática das

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Humanas, é constituído pelas disciplinas de geografia e história. Entre estás e outras explicações se sucederam a seguir.

1.2.1 Didática das Humanas

A Didática das Humanas foi organizada no Curso Normal com o objetivo de como trabalhar as disciplinas de geografia e história, de forma interdisciplinar com as demais áreas também, na educação infantil e nos anos iniciais até o 5º ano. Está didática esta interligada a áreas da sociologia e filosofia. Anteriormente estava ligada também com a área de ensino religioso, no entanto, com as alterações na Base Comum Curricular e nas Orientações do Ensino Médio está disciplina foi separada da área das Ciências Humanas.

Sua principal temática é pensar sobre como as sociedades se organizam no tempo e no espaço. Ela é fundamental para a formação humana, pois é através das memórias que os indivíduos constroem sua própria história e reconhece sua identidade. Nela ele compreende como a vida em sociedade é organizada nos diferentes tempo e espaços e constrói atitudes de respeito em relação às diferenças culturais. Identifica e entende as transformações e processos sociais, espaciais, religiosos, culturais e históricos, constituídos, a partir da relação do ser humano em sociedade com a natureza, na produção, na manutenção e no cuidado com a vida.

O aluno quando chega à escola, principalmente no Curso Normal, já possui sua própria história, culturas e um contexto social que está inserida. E tem como papel fundamental instigar o questionamento para que eles construam conhecimentos aprofundados, a partir, daquilo que já sabem.

A história, é uma das disciplinas que constitui a área de Ciências Humanas e suas Tecnologias, que possibilita o ensino de saberes relacionados as mudanças sociais, políticas, éticas, religiosas e culturais durante a linha do tempo da humanidade, comparada à atualidade, seus avanços positivos e negativos na sociedade.

Nos últimos anos, existe uma preocupação com o ensino desta disciplina, na busca de uma aprendizagem interdisciplinar com as demais disciplinas, rompendo com a separação delas, na tentativa de avançar num ensino contextualizado, trazendo para a sala de aula o cotidiano da criança, aprofundando temas norteadores, a partir, do conhecimento que elas já possuem. Por isso, é necessário, primeiramente, conhecer seus alunos, sua história e sua realidade. Valorizar suas experiências vividas e sua cultura, suas ideias, seus conhecimentos e sua leitura de mundo como ponto de partida para aprofundar estes saberes e tornar intensa a vontade de buscar mais conhecimentos. Compreendendo o estudo de história, como sendo,

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presente nas relações sociais, nas lembranças e memórias, nos patrimônios culturais, na constituição de uma identidade de pertencimento na sociedade em que está inserida e aos fatos históricos que constitui sua própria história.

Ensinar história é ensinar a ética da identidade, "exigida pelo desafio de uma educação voltada para a constituição de identidades responsáveis e solidárias, compromissadas com a inserção em seu tempo e em seu espaço, pressupõe o aprender a ser, objetivo máximo da ação que educa e não se limita apenas a transmitir conhecimentos prontos" (PEREIRA, p.8,2016). A aprendizagem desta área, está além, de datas históricas e seus fatos, está no próprio aluno pertencente e conectado com o mundo. Está no resgate de memórias e lembranças, trazendo para o ele experiências marcantes e deslumbrantes, visando uma metodologia renovadora e prazerosa proporcionando aprendizagem significativa, que desperte nele a curiosidade, o desejo de saber mais, de participar e se envolver neste processo.

Considerar o aluno um sujeito de história, inserida numa sociedade, que pela sua ação, fez e faz história. Isso significa que: "Os conhecimentos de história são fundamentais para a construção da identidade coletiva a partir de um passado que os grupos sociais compartilham na memória socialmente construída” (PAREIRA, p.12,2016). Será neste processo de resgatar memórias em que os alunos se constituíram seres pertencentes e protagonistas de uma história.

Desenvolvendo a interdisciplinaridade, história e geografia articulada com as demais áreas do conhecimento, pois na realidade dos alunos elas não estão divididas por disciplinas, mas interligadas. Com isso, o objetivo de proporcionar a tomada de consciência de si e do outro; de que as sociedades têm histórias diversas, que podem ser abordadas, a partir, de diferentes pontos de vista dos alunos, além de, ampliar as vivências e significados sociais com reflexões sobre nexos históricos, favorecendo o exercício da cidadania, estudando os processos de constituição e transformação de valores, saberes e fazeres em diferentes tempos e espaços, estimular e provocar o respeito às singularidades étnico-raciais e culturais, à liberdade de pensamento, de ação, de credo religioso, de opções políticas e o exercício da crítica documental e da natureza da mídia e de outros núcleos de produção cultural.

Interligar o ensino de história com as demais áreas usando diferentes tecnologias a favor da aprendizagem dos alunos, seja pela pesquisa crítica na formação de investigadores e pela interação com outros grupos e suas diferenças culturais, na tentativa de romper metodologias tradicionalistas que engessam e mecanizam a aprendizagem desta área.

Enquanto a geografia foi o primeiro componente curricular a ser estudado na escola e está em constante processo de mudança. Estudar o “eu” no mundo é fundamental para

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compreender como os seres humanos entendem, agem e organizam o seu espaço. Além disso, é essencial analisar como essas ações podem contribuir na transformação do lugar em que os alunos estão inseridos e como podem ser prejudiciais e até mesmo afetar a própria existência humana. Considerando que, o ser humano desde que nasce já está inserida num lugar e com os estímulos dos familiares, já possui noções espaciais. Faz-se necessário compreender como está disciplina possibilita a leitura de mundo de forma significativa.

A leitura espacial possibilita a criança pensar sobre o seu espaço vivido. Mas para eles refletirem sobre isso, é necessário instigá-las e orientá-las a não somente olhar o espaço, mas observá-lo com atenção, analisá-lo, refletir sobre ele e saber descrevê-lo. Como Callai ressalta que o papel da geografia é saber “ler o mundo da vida, ler o espaço e compreender que as paisagens que podemos ver são resultado da vida em sociedade, dos homens na busca da sua sobrevivência e da satisfação das suas necessidades” (2005, p.228-229).

A alfabetização na geografia possui como foco a leitura do mundo da vida. Fazer as crianças decorar nomes de lugares, capitais e outros conceitos fragmentados e desconexos da realidade não possuem sentido para elas. Também, simplificar os estudos partindo do eu, do bairro, na cidade, região, estado, país se torna um ensino linear que desconsidera a complexidade de um mundo globalizado na qual a criança tem informações e conhecimento sobre ele. Além disso, o nosso lugar, nossa identidade, nossas culturas, nosso modo de vida, o que possuímos está relacionado ao mundo inteiro. Por isso, ensinar esse componente curricular considerando o “eu” no mundo se torna mais significativo. Como diz Callai, “o problema não é partir do “eu”, mas sim fragmentar os espaços que se sucedem e que passam a ser considerados isoladamente, como se tudo se explicasse naquele e por aquele lugar mesmo. A dinâmica do mundo é dada por outros fatores. E o desafio é compreender o “eu” no mundo, considerando a sua complexidade atual” (2005, p.4). Por esta razão, é necessária uma boa formação dos alunos do Curso Normal e desenvolver neles esses conhecimentos que depois eles irão ensinar as crianças. Cooperar na construção do “eu” do futuro profissional docente, tanto na sua identidade pessoal como na profissional, que juntos formam uma mesma identidade.

Ressaltar a necessidade de conhecer cada criança, seu contexto social, sua história, a leitura de mundo que já construiu desde pequena para aprofundá-la, interligá-la com outros saberes e relacioná-la com a leitura da palavra

A criança já possui uma leitura de mundo desde que nasce e quando possui relações com o outro é que ela amplia essas noções. Como diz Callai “Ao caminhar, correr, brincar, ela está interagindo com um espaço que é social, está ampliando o seu mundo e reconhecendo a

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complexidade dele” (2005, p.8). O professor tem o papel de motivar e instigar os alunos a construírem conhecimentos no lugar que vivem, nos caminhos que percorrem, pelas informações que possuem do mundo e usar a leitura das palavras de forma significativa para ela compreender melhor o seu mundo. “Quando se lê a palavra, lendo o mundo, está-se lendo o espaço, é possível produzir o próprio pensamento, fazendo a representação do espaço em que se vive” (CALLAI, 2005, p.7). E alfabetizando o aluno do Curso Normal a ler o seu próprio mundo da vida para que, a partir, de sua experiência possa compreender a necessidade de organizar estratégias de ensino aprendizagem aos seus futuros alunos a ler o mundo da própria vida.

Cabe ao professor a tarefa de incentivar o diálogo, o olhar espacial, a leitura de paisagens e a pesquisa a fim de que o aluno compreenda as transformações, as histórias do lugar, das relações dos indivíduos entre eles e com a natureza, suas identidades e culturas. Sendo assim, “ao ler o espaço, a criança estará lendo a sua própria história, representada concretamente pelo que resulta das forças sociais e, particularmente, pela vivência de seus antepassados e dos grupos com os quais convive atualmente ” (CALLAI, 2005, p.11). Usar a história de vida dos alunos para elaborar o planejamento, a partir, da necessidade deles para superar seus desafios, medos, inseguranças, os problemas da sua realidade social, na intenção de haver transformação social e de caráter desses sujeitos.

Aliás, como usar as tecnologias para que as crianças compreendam que as informações ao serem selecionadas, analisadas e refletidas pode-se construir conhecimentos. E em como elaborar um planejamento em que este aluno saiba o que, como, quando, por que é para quem pretende ensinar. Ter consciência dos conceitos e habilidades pretende desenvolver. Planejando conforme a curiosidade e a necessidade da criança, oportunizando sua participação ativa na construção do conhecimento, ao invés, de transmitir conteúdo. Para que desta forma ela tenha prazer em conhecer e construir significados.

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2 A ÁREA DE CIÊNCIAS HUMANAS CONTRIBUI NA APROPRIAÇÃO DA IDENTIDADE DOS ALUNOS?

A área de Ciências Humanas é uma área do conhecimento conhecida por estudar as relações sociais, considerando o tempo e o espaço. Está área do conhecimento tenta acompanhar estas mudanças e estar à frente em busca de respostas. Reconhece a diversidade, sejam culturais, étnicas, religiosas, biológicas. Visa resgatar memórias e experiências que constroem a identidade de cada sujeito em sua singularidade. Buscando compreender o passado para explicar o presente, estuda os conflitos sociais, a cultura e sua diversidade na sociedade que se modifica constantemente. Considerando estes fatores essenciais na constituição da identidade de cada sujeito, num processo que se transforma a partir do conhecimento e das experiências que se vivenciam e apropriam ao longo da vida.

Está área contribui para o sujeito apropria-se de quem é, assumindo e resgatando o passado para reconhecer o presente e, compreender que suas ações e protagonismo na sua própria história modicará no tempo e espaço a sua identidade. A visão de mundo, concepções, modo de viver, de olhar, de agir, modificará também a forma de ser do sujeito.

Até a própria concepção de identidade pode variar de sujeito para sujeito. Depende de suas experiências e conhecimentos que estes construíram sobre ela. Alguns escritores acreditam que um único sujeito é composto por várias identidades, outros defendem que há uma única identidade, no entanto, ela se altera pelas vivências e ações, nas memórias acolhidas, o tempo e no ambiente em que se está presente, no seu corpo, na sua visão de ética, em seus princípios, crenças, e outros atributos.

2.1 COMO A ÁREA DE CIÊNCIAS HUMANAS PODE CONTRIBUIR NO CURSO NORMAL PARA A APROPRIAÇÃO DA IDENTIDADE

O objetivo da área de Ciências Humanas quando se trata do sujeito se apropriar da identidade é num processo constante. Compreendendo que além de reproduzir a herança cultural de seus antepassados, também é um produtor de novas culturas e modifica as que já existem.

A cultura é uma herança história, dinâmica, que está em constante modificação, lenta aos olhos do observador, mas que pode acarretar em preconceito ou conflito quando é deixada de compreender. A razão disso, é porque o homem é um agente transformador; tudo o que ele toca se transforma, altera e modifica, tornando-se cultura.

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A antropologia ampliou o conceito de cultura para além de costumes, tradições, comidas típicas e vestimentas. Cultura, além de ser uma herança histórica determinando a forma comportamental do homem, é dinâmica, está sempre se modificando, assim como o conhecimento sobre si, o outro e do mundo vai sendo alterado, considerado um sistema, uma forma de uma sociedade se organizar, que envolve valores, regras, princípios, espiritualidade. E entre tantos outros aspectos, a cultura é um dos atributos que constitui o ser humano. Ele é um ser cultural. Reprodutor e produtor de cultura. A área de Ciências Humanas compreende o ser humano como um ser histórico, que possui uma história individual e coletiva.

Pensando nisso, como a área de Ciências Humanas, pode contribuir na apropriação da identidade e na formação de futuros (as) professores (as) no Curso Normal?

Pois, neste caso, envolve não apenas identidade pessoal, mas também a profissional. Seria interessante conhecer sua história, as memórias marcantes, experiências, conhecimentos que até então construíram, saber o que levou eles a escolher fazer o Curso Normal, quais os atributos que influenciaram, que visão de mundo este sujeito tem, no que ele acredita e até mesmo como esses alunos aprendem, considerando sua singularidade e suas diferenças.

A questão é, esses alunos têm voz? Os professores têm ouvido eles? Será que o professor em sala de aula conhece seus alunos? Que concepções estes têm sobre si, o outro e o mundo?

Quando se trata de Curso Normal, além de ser uma instituição comum, como qualquer outra, é também formador de docentes que atuaram futuramente na escola e serão mediadores da aprendizagem e da formação dos seus alunos.

E a área de Ciências Humanas tem cooperado para a formação docente de que forma no Curso Normal? Instiga a pesquisa ou dá as respostas prontas? Amplia e permite a possibilidade dos alunos se apropriarem de conhecimentos, em que eles são protagonistas, possuem voz, são capazes de questionar, de argumentar criticamente de forma eloquente? Eles percebem a interdisciplinaridade que existe nas aulas do professor do Curso Normal da Didática das Humanas ligada a realidade desses alunos, considerando sua individualidade e a coletividade? Suas diferenças são respeitadas e levadas em consideração no momento do planejamento das aulas?

O que se procura ensinar aos alunos do Curso Normal? Vencer o conteúdo da grade escolar num ato de aplicar ou transmitir os conhecimentos que possuem aos alunos? Deixando de considerar o que o aluno sabe, o que ele pode conhecer sem que esteja na escola, refletindo no nível de importância que este conteúdo possui e aproximando a teoria à realidade e os desafios que o professor enfrenta em sala de aula.

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A formação dos alunos do Curso Normal está enfraquecida, prejudicando desde a formação docente como também o próprio Curso Normal e a educação. Em formar os alunos em profissionais da docência, não levando em consideração que eles são sujeitos que possuem uma identidade própria.

Nóvoa, por exemplo, questiona em um de seus textos, “ como é que uma pessoa aprende a ser, a sentir, a agir, a conhecer e a intervir como professor? ”5. A área de Ciências

Humanas, muito mais do passar os conteúdos que precisam ser trabalhados nas escolas, necessita-se de ajudar os alunos do Curso Normal reconhecerem-se como sujeitos socioculturais, que são constituídos de memórias, de histórias e experiências, são únicos.

2.2 A IMPORTÂNCIA DA APROPRIAÇÃO DA IDENTIDADE NOS ALUNOS DO CURSO NORMAL

Para compreender como o processo de apropriação da identidade ocorre no ser humano, temos que considerar os vários atributos que contribuem nessa aquisição, como: o conhecimento, as experiências, a temporalidade, a corporeidade, a sua individualidade e coletividade, desejos, história de vida, memórias individuais e coletivas, seus sentimentos e emoções, seu lugar na sociedade, cultura e sociabilidade, a linguagem, suas crenças, princípios, sua concepção de ética e moral, o ambiente e sua cidadania, protegido por direitos, porque o ser humano é sujeito político.

Ainda que os sujeitos vivam numa mesma sociedade, com a mesma cultura étnica, em um mesmo tempo e espaço, linguagem, crença, mesmo assim, são diferentes uns dos outros, em sua singularidade. Pois, a identidade está nas escolhas que se define, nas memórias e experiências, nas características biológicas e personalidades, resultando numa história de vida única e na função ativa que nela se ocupa.

A identidade de cada sujeito

(...) é o resultado do meio cultural em que foi socializado. Ele é um herdeiro de um longo processo acumulativo, que reflete o conhecimento e a experiência adquirida pelas numerosas gerações que o antecederam. A manipulação adequada e criativa desse patrimônio cultural permite as inovações e as invenções. Estas não são, pois, o produto da ação isolada de um gênio, mas o resultado do esforço de toda uma comunidade (LARAIA,2001, p.24).

Para o sujeito ainda criança esse processo da apropriação da identidade tem início desde seu primeiro contanto com a família, o mundo, mas principalmente, quando ela está no

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ambiente escolar, interagindo com outros da mesma faixa etária e adultos diferentes, fora do contexto familiar. Sem o outro não existe identidade, pois, este processo vai sendo construindo, a partir, da comparação com outros sujeitos. Inclusive, no brincar é que ela vai ocupar um papel ativo no grupo social em que está inserida. Como o professor Josei dizia, “unbutu significa, eu sou o que sou pelo que nós somos juntos”6. É no coletivo que a identidade dos sujeitos vai criando forma, assim como a formação como cidadão, se faz no processo de ensino aprendizagem do conhecimento de seus direitos e deveres, como pertencente à uma organização, com leis e normas que devem ser obedecidas para que haja harmonia na sociedade. A escola é fator essencial na aquisição da identidade de todos os sujeitos, é na construção do conhecimento e das experiências vivenciadas por estes, que marcou suas vidas, sua infância, sua história, lembranças que provocaram uma reação, um sentimento, memórias selecionadas que constituem a identidade do sujeito. Tedesco dizia que “a identidade altera-se com a continuidade das transformações, bem como as produz” (2014, p.104). Isso significa, que a construção da identidade é um processo permanente, por toda a vida do ser humano, mesmo depois de adulto.

Direcionando-nos para o professor ou em formação, como neste caso, os alunos do Curso Normal, por exemplo, ele é um sujeito que está em constante apropriação da identidade, pois vários atributos contribuem para esta aquisição dinâmica, alguns deles serão citados adiante.

2.2.1 Atributos que definem a identidade do sujeito professor

A corporeidade, o corpo físico é um atributo que define que, diferente dos animais, o ser humano é único e exclusivo. Ele tem a necessidade de se sentir pertencente, no sentido, de existência ao lugar em que está inserido.

Ao possibilitar o reconhecimento de si e do outro, a corporeidade permite a sociabilidade humana, envolvendo aspectos que extrapolam o biofísico. Inscreve-se na ordem da sociedade e da cultura, demarcando-se pelos significantes culturais, como bem ilustram os padrões de estética corporal de variados grupos e social do homem, domínios respectivos da natureza e da cultura (RODRIGUES,1975 apud TEIXEIRA,1996, p.182).

6 Citação do professor Josei Fernandez Pereira, dita em uma das aulas no componente curricular “Ciências Humanas na Educação Infantil e Anos Iniciais do Ensino Fundamental I”, no 1º semestre do ano de 2006, na Universidade Regional do Estado Noroeste do Rio Grande do Sul – Unijuí.

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Todo o ser humano é diferente fisicamente uns dos outros. Iguais por constituírem emoções e sentimento, porém, alguns sujeitos são mais emotivos e sensíveis e outros são mais racionais. E estas emoções e sentimentos influenciam nas escolhas que são definidas por cada sujeito, a partir, do conhecimento e das experiências construídas durante a vida. Com a finalidade de alcançar os seus desejos, seus planos de vida e os seus sonhos, que vão sendo gerados pela capacidade de criar e imaginar.

Inclusive, a imaginação e a criatividade são atributos característicos do ser humano, são mais dois elementos que nos diferencia dos animais, além da linguagem e da capacidade de pensar. E como seres políticos e de razão, o ser humano tem a necessidade de delimitar sua forma de agir, de pensar e de ser no mundo com regras e disciplinas. E quando se trata de linguagem não é apenas oral, mas todo tipo de expressão e manifestação não-verbal, musical ou corporal. Seja a fala, a escrita, os gestos ou até mesmo o próprio ato de silenciar, o ser humano comunica o tempo todo suas emoções, desejos, seu modo de pensar, ser e agir. Madalena Freire diz que nós seres humanos “comunicamos, simbolizamos, somos sujeitos simbólicos; comunicamos através da linguagem as nossas faltas, os nossos desejos, as nossas agonias e as guardamos na memória. Fazemos memória pela linguagem! ” (2001, p.67).

Todo o ser humano está sujeito as experiências vividas, elas não são programadas, mas resultados de suas escolhas ao definir sua história de vida. Por isso, todos os sujeitos são protagonistas de sua própria história de vida individual ou como grupo, sociedade, humanidade. O ser humano é constituído de história, seja o que ocorreu com os seus antepassados, como na sua própria vida ou na sociedade em que este está inserido. Por isso, que a área das Ciências Humanas é a ciência que estuda a história do ser humano em sua individualidade como coletividade, propício para desenvolver a aquisição da identidade individual ou coletiva. Não se almeja um futuro, sem conhecimento das memórias do passado. Lembranças seletivas, imaginadas, recriadas, a partir de sua concepção sobre ela, o que vejo, sinto, penso sobre estás memórias, sejam elas individuais ou coletivas no grupo social, cada um tem sua maneira de ver a si mesmo, o outro e o mundo.

Sendo que essas memórias e lembranças foram experiências vivenciadas num espaço e num determinado tempo, num contexto sócio histórico, numa a realidade social, política, moral e cultural. Afirma-se que o que condiciona um sujeito é o espaço social e de convívio. Estes ambientes caracterizam os sujeitos que nele estão presentes. Boa parte desses contextos não foram uma escolha, mas uma consequência da história de seus antepassados, levando em conta suas tradições, crenças e valores familiares.

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As experiências do passado tornam-se lembranças, que geram memórias, que viram história e tradição daquele sujeito e de seu grupo social.

Nele estão artefatos, equipamentos, costumes e linguagens que persistem para além de sua origem e fabricação. Fatos, feitos, conhecimentos e significações deixadas por seus antecessores, como paisagens que não se despregam, circunscrevendo suas experiências presentes e perspectivas (TEIXEIRA,1996, p.185).

Na escola, o professor depara-se com várias identidades. O desafio é conhecer os seus alunos, sua história de vida e de seus antepassados para compreender a realidade deles. O aluno do Curso Normal, além de ser um sujeito em formação para ser futuro professor, ainda é um aluno que está se desenvolvendo como sujeito e que necessita compreender como este processo de apropriação acontece para se constituir como alguém com uma história, protagonista e que, permanentemente, continuará se transformando. E como, também, para sua prática docente em sala de aula, seja no estágio obrigatório do próprio Curso Normal ou na carreira profissional.

Cada escola também possui uma identidade, que pode ser conhecida pelo currículo destas instituições, construída pelos sujeitos que nela frequentam, os professores, os alunos, as famílias, os gestores e os demais funcionários.

Alguns professores trabalham em escolas diferentes durante um mesmo dia. Cada turma possui uma característica, uma realidade e que possuem experiências vividas diferentes das demais. E o profissional docente, além de ser um sujeito sociocultural, ele está inserido em vários ambientes que vão moldando e condicionando sua identidade, adaptando-se as inúmeras realidades que este está incluído.

Existe uma troca constante de afetividade, interações, falas, experiências e momentos marcantes, até mesmo o próprio ato de ensinar e aprender na sala de aula, na sala dos professores, nas reuniões pedagógicas, na formação continuada, em que este processo de ensino aprendizagem também contribui na formação da identidade do professor e aluno em formação docente.

Somando a isto, cada sujeito está num processo sócio histórico, aonde ao longo do processo de aprendizagem e de desenvolvimento de novos conhecimentos e na ampliação do entendimento, seus conceitos sobre si, o outro e o mundo se modificam, interferindo em sua identidade e na realidade em que está inserido.

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As memórias que se constituem pelas lembranças e esquecimentos, sejam eles individuais ou coletivas, coopera na apropriação da identidade do sujeito ou da sociedade. A formação da identidade é um processo em que o sujeito é participante e, não espectador.

A identidade não é dada de uma vez por todas; não é uma aquisição permanente, assim como não é a memória um bem frágil e precário. A identidade se faz pouco a pouco, com base na experiência vivida, rememorada, retida anteriormente. Nesse sentido, a memória é o componente essencial para a identidade do indivíduo e sua integração social. Para o autor, a memória é dinâmica por excelência, possui funções de conservar, recriar, garantir futuro, selecionar, transformar, reclamar, evocar, ocultar, porém, é também uma faculdade de esquecer (TEDESCO,2014, p.104).

O resgate dessas memórias, é o que vai definir a história de cada sujeito e da sociedade, colaborando na aquisição da aceitação de um ser único e atuante onde está inserido. Assim como também, a história do passado vai influenciar na realidade individual ou coletiva no presente e no futuro que pode ser protagonizado pelo sujeito ou pela sociedade no âmbito coletivo. Nas aulas de Ciências Humanas, o professor Josei dizia que: "A forma como encaramos certas situações e objetos está impregnada por nossas experiências passadas" (PEREIRA, 2016)7.

Compreende-se que são inúmeros os fatores que contribuem para a formação da identidade do ser humano e na visão de mundo que este tem ao longo do processo de desenvolvimento. Por este motivo, é necessário que na formação do futuro professor (a) seja resgatado a identidade destes sujeitos, sua história, suas memórias e compreender a realidade sócio histórica, incluindo, as formas de cultura, as diferenças étnicas, como o biológico e até mesmo o aspecto geográfico contribui na formação da identidade individual e coletiva.

O ser humano faz história, é um ser histórico e são os registros das memórias e lembranças deles que se tornam patrimônio, simbolizando alguma vivência que causou uma marca significativa. Registramos por meio de fotografias, relatos, registros em forma de escrita, filmagens e várias outras formas de preservar a história do sujeito. São estes mesmos elementos que marcam a história daqueles que escolhem fazer o Curso Normal.

7 Citação do professor Josei Fernandez Pereira, dita em uma das aulas no componente curricular “Ciências Humanas na Educação Infantil e Anos Iniciais do Ensino Fundamental I”, no 1º semestre do ano de 2006, na Universidade Regional do Estado Noroeste do Rio Grande do Sul – Unijuí.

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3 A REALIDADE DA ÁREA DE CIÊNCIAS HUMANAS DESENVOLVIDA NO CURSO NORMAL

O Curso Normal pode ser considerado como um dos pilares que constitui a formação do professor da educação infantil e dos anos iniciais do ensino fundamental. Contribui na formação da identidade pessoal e profissional dos alunos. Definindo o papel do professor norteado pelos valores e princípios escolhidos individualmente e coletivamente, fundamentais para a prática nos espaços escolares, “(...) aprendemos a importância da formação cívica, ética, política, a importância da formação de identidades” (ARROYO, 2000, p.81). Compreendendo a complexidade do ser humano e de sua singularidade. Pensando e observando como estes sujeitos se apropriam de sua identidade e como as memórias marcantes de sua vida influenciam em quem se define ser.

Através de pesquisa de campo, foi realizado a observação e uma entrevista com alunos do Curso Normal. Com o objetivo de compreender como este processo da apropriação da identidade está ocorrendo na formação profissional e pessoal dos alunos do Curso Normal. A mesma foi realizadaem escola estadual que possui o Curso Normal em seu currículo escolar e também o aproveitamento de estudos do Curso Normal para aqueles que concluíram o ensino médio em escola regular e agora possuem interesse em fazer o Curso Normal. O seu objetivo é formar professores da educação infantil e 1º ao 5º ano do ensino fundamental e preparar para cursarem um curso superior em algumas das licenciaturas. Com a leitura do Projeto Político Pedagógico e do Regulamento Escolar da escola possibilitou analisar que a mesma considera o aluno como um ser histórico, que promove mudanças e cria novas culturas. Tem como concepção de escola como um espaço de referência para o processo de construção de conhecimento, que promove a democracia e um espaço para reflexão. Possui como metodologia a pesquisa da realidade e pressupõe a educação como uma construção social, histórica e cultural.

A área de Ciências Humanas foi organizada como Didática das Humanas, abordando as disciplinas de história e geografia numa prática interdisciplinar entre elas.

A pesquisa foi feita, por meio de formulário do Google, com 21 alunos da turma do 3ª ano do Curso Normal, com idades entre 16 a 29 anos, como mostra o gráfico a seguir:

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GRAFICO 1 - ALUNOS DO 3ª ANO DO CURSO NORMAL, IDADES ENTRE 16 A 29

ANOS

Fonte: Elaborado pela pesquisadora/2017.

A idade predominante está entre 16 a 18 anos com 90,5%. Totalizando apenas 1 aluno com idade entre 19 a 21 anos e outro aluno com idade entre 22 a 29 anos. Isto representa que existem dois alunos repetentes na turma, sendo a maioria dos casos aqueles tipos de alunos que conciliam a escola e o trabalho, afetando o rendimento escolar.

Os motivos deles optarem em fazer o Curso Normal varia. As alternativas de ser professor foram de 33,3%, o que é um percentual positivo chegado há 7 alunos. Assim também com 33,3% aqueles em buscam outras possibilidades profissionais. Em seguida, 28,6% querem ter a formação complementar no ensino médio e um aluno escolheu a alternativa que teria outro motivo, como o gráfico mostra:

GRAFICO 2: OS MOTIVOS QUE OS ALUNOS TIVERAM PARA FAZER O CURSO

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Fonte: Elaborado pela pesquisadora/2017.

No Projeto Político Pedagógico da escola afirma que a metodologia é a pesquisa. Por isso, foi questionado para os alunos a seguinte pergunta: As aulas de Ciências Humanas instigam a pesquisa?

E entre os 21 alunos, mais da metade deles marcou a alternativa que a pesquisa é instigada relativamente com 57,1%, em torno de 12 alunos. E na sequência, 19% marcaram a alternativa afirmando que instigam muito, os outros 19% afirmaram que é instigado muito pouco e um aluno marcou a alternativa que é instigado pouco a pesquisa nas aulas de Ciências Humanas. Como mostra o gráfico a baixo:

GRAFICO 3: A PESQUISA É INSTIGADA NAS AULAS DE DIDÁTICA DAS

HUMANAS, NO CURSO NORMAL

Fonte: Elaborado pela pesquisadora/2017.

A próxima pergunta é se existe a iniciativa do professor de Didática das Humanas em conhecer seus alunos e sua realidade?

Os 21 alunos responderam, entre estes 42,9% deles afirmam que bastante, 28,6% marcaram a alternativa relativamente, 19% afirmam que pouco busca os conhecer e 9,5% marcaram muito pouco é a iniciativa do professor em conhecer os alunos e sua realidade. Veja a seguir:

GRAFICO 4: O PROFESSOR BUSCA CONHECER OS SEUS ALUNOS E SUA

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Fonte: Elaborado pela pesquisadora/2017.

E em relação à apropriação de conhecimento e participação do aluno nas aulas, os 21 alunos responderam da seguinte forma: 33,3% dos alunos responderam que as aulas permitem a apropriação de conhecimento e de sua participação nas aulas. Outros 33,3% afirmam que em muitas aulas permite a apropriação de conhecimento e a participação do aluno na aula, mas 23,8% afirmam que algumas vezes as aulas possibilitam e 9,5% raramente permitem a apropriação do conhecimento e a participação deles nas aulas, como mostra o gráfico a seguir:

GRAFICO 5: A PARTICIPAÇÃO DOS ALUNOS DO CURSO NORMAL NAS AULAS E

NA APROPRIAÇÃO DO CONHECIMENTO

Fonte: Elaborado pela pesquisadora/2017.

A próxima questão foi: Existe a interdisciplinaridade entre as Didáticas? Observando as aulas e conhecendo os conteúdos, existe a interdisciplinaridade entre as disciplinas de história

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e geografia, mas com as demais áreas do conhecimento pouco percebe-se, vejamos a seguir o gráfico da questão:

GRAFICO 6: A INTERDISCIPLINARIDADE DA DIDÁTICA DAS HUMANAS COM AS

DEMAIS DIDÁTICAS ESPECÍFICAS

Fonte: Elaborado pela pesquisadora/2017.

Entre os 21 alunos que responderam está questão, 71,4% afirmam que a interdisciplinaridade da Didática das Humanas com as demais áreas é relativa. Mas 19% dos alunos afirmam que percebem bastante a interdisciplinaridade. Um aluno marcou que pouco percebe e outro marcou que percebe muito pouco a interdisciplinaridade. Apesar da interdisciplinaridade estar presente entre as disciplinas de história e geografia, é um desafio que toda a equipe escolar garanta esta interdisciplinaridade entre as várias áreas do conhecimento.

Construindo uma escola que visa a prática da pesquisa e considera a realidade de cada sujeito, sua realidade e singularidade no planejamento. Em que todas as Didáticas específicas são desenvolvidas de forma interdisciplinar, cujo o objetivo é formar e motivar os alunos a continuarem a carreira profissional docente. Contudo, está não é uma tarefa simples. É necessário que toda a equipe escolar repense e dialogue como estão formando estes sujeitos como futuros professores. Isto demanda de tempo e estudos. Requer que toda a equipe aprenda a ter mordomia, saiba administrar o tempo, planejamento e efetivação destes planos para se chegar ao resultado desejado.

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3.1 CONCEITOS DOS ALUNOS DO CURSO NORMAL SOBRE A ÁREA DE CIÊNCIAS HUMANAS E SEUS CONHECIMENTOS CONSTRUIDOS

Para conhecer melhor o que os alunos do Curso Normal aprenderam durante a Didática das Humanas e quais os conhecimentos adquiriram até o momento da pesquisa foi feita uma pergunta para saber qual era seu conceito sobre Ciências Humanas e quais os conhecimentos adquiridos durantes as aulas de Didática das Humanas, veja a seguir a tabela em que de 21 alunos 17 responderam:

TABELA 1 - CONCEITO SOBRE CIÊNCIAS HUMANAS OS CONHECIMENTOS ADQUIRIDOS DURANTE AS AULAS DE DIDÁTICA DAS HUMANAS

Conceito sobre Ciências Humanas e quais os conhecimentos

adquiridos durante as aulas de Didática das Humanas

Nº de alunos

Conceito e conhecimentos

8 Tempo

6 Espaço

5 É a aula que ensina como trabalhar história e geografia

2 Aborda assuntos do cotidiano da criança, primordial para a educação dela 2 Conhecimentos necessários para a formação docente

2 A importância para se trabalhar com alunos até o 5º ano do ensino fundamental

2 É um componente curricular que orienta como o processo de aprendizagem ocorre para a construção de conhecimento

1 Conhecimentos sobre maquete

1 Aprendeu sobre métodos e quais recursos utilizar

1 Como pode-se trabalhar de forma interdisciplinar as disciplinas de história e geografia

1 Aprendeu sobre o conceito de história e geografia 1 Localização, cultura e aspectos humanos

1 Cartografia

Fonte: Elaborada pela pesquisadora em 2017.

Percebe-se que a maioria dos alunos teve dificuldade de conceituar o que seria a área de Ciências Humanas e de descrever os conhecimentos que eles adquiriram durante as aulas da Didática das Humanas. Apenas uma resposta apareceu a interdisciplinaridade, mas somente entre as disciplinas de história e de geografia. E está afirmação foi presenciada durante a observação da aula também. Em que os conteúdos estão engessados e são difíceis de relacionar com as demais áreas do conhecimento. Impedindo a interligação com as outras

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Didáticas específicas. A ideia é repensar os conteúdos da grade curricular e refazer de forma que possibilita a interdisciplinaridade.

No entanto, a maioria possui a compreensão de que a área de Ciências Humanas trabalha o tempo e o espaço e em como trabalhar as disciplinas de história e geografia com alunos de até o 5º ano do ensino fundamental.

Apareceu em uma única resposta a definição de Ciências Humanas, como sendo um componente curricular que trabalha as disciplinas de história e geografia necessário para sua formação docente e que orienta o processo de aprendizagem para que ocorra a construção de conhecimento que estão presentes no cotidiano do ser humano. E uma resposta apareceu o aspecto da cultura e da localização, mas dando a entender que não fazer parte dos aspectos humanos.

Penso que a área de Ciência Humana estuda não apenas o tempo e o espaço, desenvolvendo um plano de aula com o objetivo de trabalhar somente estes conhecimentos, mas acredito que a Ciências Humanas também estuda o sujeito neste tempo e espaço.

Antes de ser um profissional do magistério8 e lecionar uma determinada disciplina, o professor é uma pessoa que tem as marcas de sua história de vida e de sua experiência individual e coletiva. O que muitas vezes não está claro para ele nem para a instituição a que pertence é o papel da educação na busca da transformação e da humanização do homem (PIMENTA; LIMA, 2008, p.146-147).

Pensar em identidade requer conhecer a concepção que os sujeitos têm, em sua singularidade, sobre o que ela compreende por identidade. Por esta razão, foi feito a seguinte pergunta para os alunos: Qual é o seu entendimento sobre identidade, memória e cultura?

Abaixo, está a tabela 3.1 com os conceitos de identidade com as respostas de 16 alunos dos 21 que compõem a turma do 3º ano do Curso Normal:

TABELA 2 - OS CONCEITOS DE IDENTIDADE DOS ALUNOS DO CURSO NORMAL

3.1 OS CONCEITOS DE IDENTIDADE DOS ALUNOS DO CURSO

NORMAL

Nº de Alunos Conceito de identidade

1 Aquilo que a pessoa é biológica e intelectualmente;

Referências

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